Quase a virar o pano para novo ano

1. Não me conformo de todo, com tanta chuva e lodo, a virar nossos quintais; prefiro sempre o astro rei, que por aquilo que sei, não brindou as horas "finais".
2. Não é fim oficial, mas para o quadro laboral, este é derradeiro dia; fico agora a pensar, na volta que se vai dar, ou se haverá alegria?!
3. Quem dera ler uma norma, que trouxesse a reforma, à população à rasa; bendito e louvado seja, quem fizer que ela [Rosa] se veja, noutro formato em casa.
4. A fonte de informação, que fui e sou à Região, já se sente mui cansada... quero sempre produzir, mas já me sinto cair, na fase menos que nada...
5. Tenho pena, muita pena, choro nem uma "Madalena", das penas que o mundo tece... obediente desde criança, até onde a fé alcança... hoje já não me apetece.
6. Oxalá que 2026, que soma 4+6, para 1 (prova dos 9)... traga tudo verdadeiro: sem fumo (Frederico) e sem cinzeiro, essa a parte que me comove.
7. Não me vou mais alongar, rogo e quero desejar: boas saídas, melhores entradas! Se me virem em algum lado, de sorriso tresmalhado, chamem-me para risadas.
8. Para todos os parentes, mesmo os menos sorridentes, enfrentem a nova meta: não desafiar o vento, nem ter falta de sustento, tudo bom para a minha neta.
9. Para os filhos e para a filha; genro e noras sã partilha, de diálogo familiar; sejam sempre tolerantes, tentem não ser "emigrantes", mesmo se algo falhar.
10. Até a chuva hoje chora, e está para demora, seus soluços não vão parar... ao caçula nem eu ralho... hoje fica sem trabalho... como se vai sustentar?!
♡ Próspero e Bom Ano Novo ♡ a todos que me continuam a ler 🙂 e também aos outros ☆.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lembrete piscatório

dia do peixe
Eis quase na despedida
Deste ano, sem grande afinco,
De 2025,
Até outro que nos convida...

A defender bem a vida
E nesta hora não brinco,
Nem hoje a noz eu trinco,
Só de peixe fui investida.

P. B. se lembrou
Da mãe que lhe explicou
A maneira de limpar...

E quem quer sempre aprende
Coisa que depois lhe rende
Vontade de ir ao mar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Maria e José

Maria e JoséNa igreja de São Carlos



Maria cheia de Luz
Protegida por José
Espera o Filho - Jesus
P'ra nos salvar pela Fé.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lembra Jesus!

Presépio
Quando a noite silencia
A vivência de um lar
Acontece a poesia
Das estrelas e do luar.

Não importa a solitude
Porque nunca estou só,
Haja vida e mais saúde
E de mim não tenham dó.

E tudo é o que se faz,
E se paga tudo agora,
Não se volta mais atrás
A fatura não demora.

Ontem meu e hoje teu,
D'amanhã ninguém se gabe...
Quem já fez e muito deu
Lembra Jesus, pois Ele sabe.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ante a viagem

Minha Terceira amada,
Minha família querida,
Seja pra sempre honrada
A passagem nesta vida.

Façam tudo pelo Bem
Façam por ser naturais
E digam que a minha mãe
Me ampara nos Folhadais.

E a quem tenha ofendido
Com palavras ou com atos
Aceite o perdão sentido
Neste e em outros relatos.

Não quero dizer "adeus",
Não quero feio serviço,
Fiquemos todos com Deus...
Que jamais seja omisso!

17/12/2025
Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: antes de voar num dia que, supostamente, teria outra rima.

Em clima de doença de outrem (9 a 17/12/2025)

Que falta me faz a rima...
Onde andará tresmalhada?
Já não vem por mim acima
Quando estou atormentada...

Triste angústia tremida
Nem é culpa de alguém
Apenas pausa na vida...
[Quero o Menino de Belém!]

Rosa Silva ("Azoriana")

Agora sim, é [quase] Natal!

Cada vez que acontece
O espírito natalício
Reza logo o santo ofício
Que o Presépio aparece.

Tristeza desaparece,
Nem notas o desperdício,
Surge logo artifício,
O brilho também se tece.

E a Luz se faz Estrela,
O Anjo pode trazê-la,
Bem na hora da nascença.

Eis que, hoje, dou sinal,
Desejo Feliz Natal,
Mesmo a quem não tenha crença.

Rosa Silva ("Azoriana")

Saúde, Alegria e Paz
O resto... o Menino traz!


 

Lindo, lindo! Natal 2025 de Ze Freitas

Teu Amor pelo Natal
É Presépio sem igual
Que é digno de Louvor.
Manténs tua tradição
E nos dás Bela Visão
Do teu Reino do Senhor.

Parabéns ao meu cunhado
E a quem te tem ao lado
Partilhando a alegria;
Seja sempre admirável
Tua arte sustentável
Coletora de magia.

Um abraço e um beijinho
Com ternura e carinho
De teu irmão e cunhada,
Tenham um Feliz Natal,
Saúde e tudo normal
Com a Família Sagrada.

E agora me despeço
E ao Deus Menino peço
Uma prenda pioneira,
Que depois deste Natal
Tu venhas ao Carnaval
Da tua querida Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

152° Aniversário da SFRS - Sociedade Filarmónica Recreio Serretense

SFRS


Nota: meu avô materno, Manuel Gonçalves Correia, o primeiro, à esquerda, na fila de cima. Tocava cornetim.

Parabéns Serreta, parabéns a todos!
**
Que outra forma de orar
Se podia ter agora?
É, em uno, bem louvar
Nobre Banda da Senhora!
***
Senhora, a padroeira,
Que inunda o coração,
Linda mátria da Terceira,
Poderosa proteção.
****
A mais poderosa obra,
Foi do bom mestre João,
Que à Mãe sempre se dobra,
E se rende à Sua benção.
*****
Viva, viva o mestre João,
Por ter dado o tanto que deu,
E unidas, uma e outra mão,
Aplaudamos esse gosto seu.
******
Viva, viva a nova batuta,
Que persegue o sonho dourado,
De alegria seja sua luta,
Pela Banda do nosso agrado!
*******
Viva, viva a Banda dourada,
Que à ilha se dá, por inteiro,
Parabéns pela Flor amada
O selo desse Amor primeiro.
********
Rosa Silva ("Azoriana")

Guarita do Povo

Supermercado Guarita


Na Terra do Pão
O Menino mora
O Povo O adora
Nesta ocasião.

Na terra sem pão
Há povo que chora
Se sente à nora
Na fria estação.

Guarita é ensejo
Merece bom preito
Que o verso dá.

Bom Natal desejo,
Em Amor perfeito,
Aos que são de lá.

Rosa Silva ("Azoriana")

Luz natalícia (in Maré de Poesia, edição 701, de 15/12/2025, no Jornal da Praia)

Abram janelas da vida
Deem as palmas ao Sol
E depois, logo em seguida,
Cantem como um rouxinol.

Abram as mãos a Jesus,
Que volta com Sua Festa,
O Anjo já nos conduz
E pouco tempo nos resta.

Amem mais que aparência,
Renovem saudações,
Façam mais com paciência,
Coroem as tradições.

E levem o bom sorriso
À capela do festejo,
Saúde e muito juízo,
Como para mim desejo.

Às famílias, em geral,
Às crianças sobretudo,
Tenham um Feliz Natal
E de Amor seja sortudo.

Que a cortina de luz,
Ilumine cada pessoa,
E que o Natal de Jesus
Seja o Hino que apregoa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Rosas de dezembro

camélias
Rosas de dezembro
Já caem no chão
Desde que me lembro
Do Menino são.

Começa em novembro
Primeiro botão
É do ramo membro
E meu coração.

Rosa Silva ("Azoriana")


Camélias ou rosas de japão

Surgiram num instante e só hoje deparei com o preenchimento da roseira. Antigamente eram usadas para enfeitar o altar ou o presépio do Deus Menino. Agora, servem para enfeitar o presépio de pedra (figurativo) que ainda permanece sobre a mesa redonda fixa, bem perto da roseira. Há que dar valor às pequenas grandes coisas que a natureza nos oferece. Obrigada, Senhor, por mais um dia.

Nossa ilha

Nossa ilha é uma doçura
E de doces é tamanha
E vem aí uma altura
Que em doces nos apanha.

De doces e guloseimas
Não há forma de parar
Com o "não" ainda teimas
Mas não vai adiantar.

Há mesas que dão estoiro
E a vista até brilha
Tal como as do 5° toiro
À volta da nossa ilha.

Não há pausa, fica assim,
Pra quem os pode comer,
Se o doce tiver fim
Cá não estarei para ver.

Rosa Silva ("Azoriana")

Inspiração sem medida

Hoje estou a produzir
A rima do meu atalho
Posso é nunca divertir
Quem tem pouco agasalho.

No compasso das marés
Ando mesmo tão entretida,
Só não sei que tens e és
Nos passos da minha vida!

A vaidade é a loucura
Que não fica nada bem
Porque tem a sepultura
Do tamanho que todos têm.

Se fizeres o que eu digo
Não terás coisa ruim;
Se queres ser meu amigo
Não faças pouco de mim.

Rosa Silva ("Azoriana")

O longo texto com nota de apresentação

Nota de apresentação

“Escreves agora aquilo que eu guardei em silêncio a vida inteira. Cada papel, cada letra, cada risco que deixei ficar era para que um dia tu lhe desses voz – a tua voz. Se hoje voltaste às memórias, é porque já tens maturidade para as estender e coragem para as pôr no mundo. Partilha, partilha sem medo: o que escreveste não fala só de mim ou de ti, fala da gente toda, daqueles tempos e da “nossa” Serreta. Quem ler vai reconhecer-te. E eu, onde estiver, reconheço-te a ti”.

E agora sou eu, a autora da escrita das próximas páginas. Sou eu que me coloco atenta ao silêncio que me transporta ao tempo de novembro, dos finados, das almas, dos peditórios e dos grandes homens que nos legaram tanto, mesmo sem termos pedido nada. Sou eu que me emociono com um parágrafo vindo de outros recantos, para eu copiar e colar.

A nota de apresentação, entre aspas, não foi escrita por mim, mas parece que a sabia de cor. Talvez eu mereça um “puxão de orelhas”, por ainda duvidar das minhas capacidades e das dela, estas em menor escala. Ela sabia fazer contas de dividir com um divisor cheio de números… eu uso a calculadora ou a folha de cálculo de uma aplicação que adoro. Ela tinha uma caligrafia aprimorada e muito “desenhada”… eu, que raramente escrevo à mão, com esferográfica com tampa (retiro de imediato antes de iniciar a escrita), apenas teclo à velocidade mais rápida num teclado que parece cantar ao toque da polpa do dedo.

Onde quer que estejas a ver-me, a ouvir-me, ou, simplesmente, a saber-me de cor, peço que me ajudes a cumprir mais uma vontade, em boa-fé, por alguém que amaste muito, mesmo sem poder ver (tinhas perdido a visão) e que, hoje, ainda se lembra de ti, Mãe! Angra do Heroísmo, terça-feira, aos dezoito dias do mês de novembro do ano de dois mil e vinte e cinco [M. R. C. C., partiu em 28/10/2003, terça-feira, tal como hoje - o mesmo dia da semana.

Rosa Silva (“Azoriana”)




Foto: primeira parte da capa do DI, 13/12/1971.



Na ilha Terceira, Açores

Vai fazer 54 (cinquenta e quatro) anos de “sol e chuva”. Eu tinha 7 (sete) anos. Já andava na escola primária pela segunda vez. Não lembro se estava a chover ou a fazer sol. Era inverno e devia estar mais para o frio. O sol não aquece quando a gente quer, nem lhe damos ordens de bom comportamento, perante quem quer que seja.

Quando esses grandes donos de nações vieram cá, a ilha ficou num rebuliço. Eu, principalmente, fiquei. Quando se ouviu (ou soube) que iam passar pela estrada da Serreta, a Rosa Maria (como gosto que me chamem) largou-se a correr e foi sentar-se no muro do palheiro da tia Belmira, que morava à beira da estrada, mesmo a jeito de se ver a fileira de carros lustrosos e sem qualquer mancha notória.

Se calhar viram aquela pequena gorducha a presenciar todo aquele aparato, com policiamento e tudo, não fosse alguém fazer sujeira nos ditos carros lustrosos.

Depois, não soube mais nada do acontecido na Estalagem da Serreta. Imagine-se, se houvesse drones, telemóveis, gente de captação de imagem, o que não teria visto no imediato. Ou talvez não deixassem passar para além dos metros proibidos nas redondezas de tão limpa e asseada Estalagem. Tal pena não haver forma de a limparem outra vez, para se ter visitas em carros lustrosos (ou elétricos), sem mácula alguma...

Isto tudo, leva-me a pensar que só se é importante e vistoso, pelo menos, uma vez na vida. Não se repetirá tanta gentileza, a não ser que algum Tipo resolva assear a Estalagem e a gente (no nosso próprio meio de deslocação entre freguesias) vá visitar com vénias e olhos "em bico" de tanta felicidade.

Histórias de enlevo ou relevo

Quem viveu na freguesia da Serreta, em outro século (transato), sabe dar valor ao que aprecia agora.

Antes, tudo era um deserto de contactos familiares, sobretudo para quem tinha emigrado para outras nações.

O que os aproximava, de tempos a tempos, era a escrita com letra de se "tirar o chapéu", pela valiosa caligrafia, entre os pares. Ora vinha de lá "Estimamos que se encontrem de saúde", e na volta, para lá, "Nós por cá todos bem, graças a Deus", exceto, quando a caligrafia era outra e a mensagem, curta e sucinta, fazia tremer o coração e o jorro de lágrimas era incontável.

Lembro de algumas lágrimas caídas em horas impróprias para as ter.… e lembro do traje preto, durante uns largos meses, por vezes, um ano inteiro de preto, preto e preto. Era o luto por parentes chegados e os colaterais, esses que até nem sabiam da "missa a metade" e viviam no esconderijo da palavra, porque não se podia contar tudo "Tim-tim-por-Tim-tim", conforme rezam as letras menos cuidadas.

Ao remexer nos velhos papéis, crivados de manchas e toques de mãos (que nem mexem mais), encontrei autênticas relíquias, que a poucos dirão respeito. Geralmente, nem costumo guardar papéis da minha alçada, mas quando vejo nomes de antepassados, cuja vida foi suada e aventureira, apetece-me guardar como peça de museu.

Tenho pena de não ter um "casarão" blindado, à prova de humidade, nevoeiros, catástrofes e tempestades, para ter guardado tudo quanto vi passar pelos meus olhos, mesmo no que toca aos meus três filhos. Imaginem o que era guardar todos os pedacinhos de papel que eles usaram para seus afazeres escolares e outros, desenhos, postais, etc. ... teria que, agora, deitar tudo ao sol, para curar as sombras e manchas modernas.

Não o fiz. Não guardei muita coisa. Guardei o indispensável. Não havia muitas formas de fixar recordações. Hoje, sim. É fotos em arquivo eletrónico até quase ultrapassar a medida de armazenamento.

Lembro até, de ter gravado num aparelho que nem existe hoje, as primeiras conversas (tiradas de propósito) do primogénito, mesmo que quem o percebia era eu e ele 🙂

Será que se pode guardar a saudade? Será que se pode viver, de novo, os tempos bons (ou menos) de uma época que ressalta, vez em quando?

O que terá levado minha falecida mãe a guardar tanta coisa alusiva ao casal e a cartas entre países longínquos?

Só não encontro um único papel sobre o Amor, sobre a vida conjugal, sobre as filhas, de fazer abrir olho... será porque o Amor não precisa papéis?

Encontro poemas "Barco negro", despesas, e, ainda, estas quadras:

Não vale a pena ter penas
De tantas penas que há
Pois tendo pena das penas
Isso só penas nos dá.

É muito triste a tristeza
Que de tristes coisas vem
Mas é bem mais triste ainda
Entristecer por alguém.

Não sei, para já, quem seria o autor delas. A rima encontra-se no segundo e quarto verso. Não são quadras literárias, mas tem substância.

Havia na escrita da Matilde Correia, uma nota final, escrita tal e qual: FIM. Já se sabe que nada mais havia a acrescentar ao rosário de recordações. Sim, digo, rosário, porque a grande parte de arrumos dedicavam-se à reza, à oração, à beatificação, em suma, à religião que abraçavam, decoravam e seguiam.

E quando não era para se saber algo, escrevia-se que "não se conta a ninguém”. E não se contava mesmo!

E voltei a ler receitas de culinária, escritas com caneta de pena. Só podia ser, pelo avolumar da letra e da mancha que proporcionava, mesmo sem a humidade existente perto da pequena serra.

Riscava-se nomes, cuja importância deixava de ser necessária, porque estava liquidado o pagamento; cortava-se bocadinhos de papel para o que nem os olhos vindouros pudessem enxergar; e, sem mais aquelas, traçava-se com "x" o que não interessava mais (ou porque a borracha de apagar podia nem existir na morada). "Despesas do ano de 1953", com menção de "paguei" é que não tinha nem traço, nem risco algum. Eram coisas demasiado sérias para se anular com os riscos de tinta ou lápis.

E os livrinhos para estes assuntos internos e caseiros, podiam ser bem pequenos, mas o nome do "freguês", neste caso, da pertença, vinha logo bem distinto na capa: "Matilde Rosa Cota Correia", antecedido por "Manuel", com caneta de pena, seguido de "Gonçalves Correia", a lápis, na zona encurralada com moldura retangular.

Tive de escrever isto, nesta data (18/11/2025): se bem me parece, a minha mãe também não era muito fã de "Gonçalves Correia", porque naquela época os apelidos eram de menos importância. Eram: o “Manuel”, da “tia Alexandrina Cota” e a “Matilde”, da mesma “tia”. Sem mais moléstias…

Ainda quero frisar que, na mesma época, até rascunhavam a "Grande Marcha de Lisboa de 1955" e "O chailhe" (mesmo assim, e não se corrige), por ser o deleite da ocasião e para memória futura. Nestes casos, a Matilde Correia fez uso da esferográfica, que surgia, viesse de onde viesse, mas que era mais apetecida para não borrar a escrita.

De suma importância também, era escrever no livrinho, a lista das ofertas recebidas em espécie, nomeadamente ovos e açúcar. Pasme-se com o facto de só se listarem valores monetários (em escudos) no caso de os receber de alguém mais viajado ou de "ter com quê".

Não admira que a diabetes tivesse antecedentes familiares 🙂

Se há coisas que não deito fora (por enquanto, digo), é por Amor. Aquele Amor que não dei suficiente.

E deixem-se lá de coisas, que ofertas de casamento eram identificadas com um simples papel, cortado à medida pequena, para "Oferece à noiva e dejeija que seijam ambos muito felizes" G.M.R. (não escrevo o nome porque deve estar bem longe da vista).

E outras assinaturas bonitas?! Eram muitas...

Havia também quem tivesse um cartão impresso, com a escrita "preciosa" e alinhada "Deseja ao novo par / muitas felicidades". E letras muito elaboradas/asseadas, com intenção de parecer bem. E outros cartõezinhos, com o endereço da morada. Sinal de requinte. E quando mudavam a morada e não queriam deitar fora os habituais cartões de visita, bastava tracejar o endereço, e servia na mesma. Mas... escrever a vermelho, sempre foi de mau tom. Mas talvez não tinham outra forma de o fazer... ou para ficar mais colorido o papelinho de oito linhas, por duas senhoras (que se diziam "amigas" da noiva). Convidados da noiva, eram da noiva!

E esteja onde estiver o "A720", Timekeeper: 034 - que todas as semanas dava a volta à ilha (ou quase) para ir auferir a remuneração à quinzena - sei que tudo fez para que as suas filhas ficassem bem, dentro do jeito de pensar daquela longínqua data.

Nem quero imaginar se ele estivesse connosco hoje… não se adaptaria.

Com lágrimas a quererem banhar meus olhos... encontro um papelinho manuscrito, oferta recebida, após um Encontro Challon, que rematava assim: challon ... da tua amiga encontrista: Zita Meneses. Uma assinatura trabalhada e distinta. Alegre e bem-disposta. Minha Amiga. Vincou bem quando escrever o "R" de Rosa.

Não vou daqui embora, sem deixar a mensagem que me marcou neste dia (de rever arrumações):

(...) "Se pões Deus em tudo o que fazes encontrá-lo-ás em tudo o que acontece. "Com Ele tudo, sem Ele nada" (...).

É verdade! Com Ele Tudo, Sem Ele Nada!

E nestas arrumações todas: guardo os telegramas do encontro Shallon no Porto Judeu, em jovem, de: Meu pai e minha mãe, da Zita Meneses (minha amiga das Doze Ribeiras / Telescola) e do SSX, LT.

Termino com quarteto da minha autoria, no repentismo habitual:




Se a paz fosse uma gota
De orvalho pela manhã,
A guerra estaria rota,
A horta estaria sã.

Se o mundo fosse fiel
À Lei de Deus tão sagrada,
A guerra seria fel
E santa nossa morada.

Prefiro minha utopia
E meu jeito de pensar:
Enquanto houver alegria,
Podemos tudo aguentar.

Mas se os olhos voarem
Em ondas de mero engano,
Faz tudo pra se virarem
Pró melhor do ser humano.



Pode ser uma imagem de agave
Rosa Silva (“Azoriana”)

Um dia eu vou pintar...

Um dia eu vou pintar
A minha vida de azul,
Sem lápis, sem assentar,
O que vi de norte a sul.

Um dia eu vou querer,
As uvas, fora do cacho,
Para nelas satisfazer
Aquilo que ainda acho.

Um dia [ou mais que um],
Eu vou dizer-te o segredo,
Que mantém o ser comum,
Na vindima do degredo.

Um dia, te vou Amar,
No céu [que não sei se tens]...
Até onde, irei pintar,
O tri-ato dos meus bens.

... um dia... ou dois... ou três...
porque a vida nada é... tu crês?!

"Com Cristo Tudo, Sem Cristo Nada!"
A verdade consagrada!

Rosa Silva ("Azoriana")

O poema deu-me vida!

Gosto que se lembrem de mim
Na ilha que fui nascida
E tão feliz digo assim:
O poema deu-me vida!

E lembram de mim amiúde
Ou apenas digo agora
É garante de saúde
Ou a vontade da Senhora.

A vida é como um ramo
Que adorna um lugar
E se há um que eu amo
É lá que quero ficar.

Bem à vista do meu Mar
E da Terra do planeta
Que me ouviu chorar
Vestida de roupa preta.

Mudo a roupa de cor
Para vos ser muito franca
Porque a roupa do Amor
É completamente branca.

Não a tenho... tenho pena,
Na outonal estação,
A usei quando pequena
Em branca ocasião.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sossego de outono

Para:
Filamentos (artes e letras) - Bruma publications - PBBI, Fresno State.

Diniz Borges & RoseAngelina Baptista.


Sossego de outono

O dia dá lugar à noite
Para aconchegar o sono
Que jamais leva açoite
No sossego do Outono.

O véu dourado se estreia
Dando nova cor à folha
Que de cadente se asseia
E venha quem a recolha.

De um tapete outonal
Se cobre a natureza
É a árvore que afinal
Nos quer dar sua beleza.

É tão linda e soberana
Mesmo quando está caída
Assim é a folha humana
No parapeito da vida.


Rosa Silva ("Azoriana")

Graças a Nossa Senhora

O Natal é um presente
De Jesus pra Humanidade
Na verdade o que se sente
É o teatro da saudade.

Uma saudade risonha
Como não há outra igual
É que nem uma cegonha
Recupera o meu Natal.

Portanto, amigos meus,
Preservem a boa Festa
Tirem um pouco pra Deus
Pois só falta o que nem resta.

Falta Amor, Paz, Alegria,
Como a que vi outrora,
Todo o Bem que nos unia
Foi graças a Nossa Senhora!

Rosa Silva ("Azoriana")

S. Martinho

O Martinho teve frio
Para ao povo dar calor
E para sempre cumpriu
A partilha do valor.

São Martinho é de onze
E de onze é novembro
Era pobre e sem bronze
Mas com Sol sempre me lembro.

E não haja pão sem fé,
Nem haja frio no mundo,
O vinho que tens ao pé
Bebe em menos de segundo.

Se o calor te abrasar
Vai à castanha também,
Não te esqueças é de dar
Àquele que nada tem.

Rosa Silva ("Azoriana")

Franjas da memória

A história fortifica
O que temos de melhor
No entanto ainda fica
Algo que será pior.

Fica o ódio e o rancor
Em quem não se fez de bem
Somente um grande Amor
Fortifica quem o tem.

E cada um que se veja
Numa melhor condição
Para que o futuro seja
O emblema da razão.

A razão tem sempre um norte
Vá o povo aonde for
Finque o pé e seja forte
Dê à razão outro valor.

Rosa Silva ("Azoriana")

A vida a muito obriga

Não é qualquer um que aguenta
Uma mulher a trabalhar
Que todo o dia se senta
Dedicada pra não falhar.

Mas se ama de verdade
Sem nutrir outra intenção
Consegue a passividade
E até lhe dá atenção.

Quem isto não entender
Eu até digo que aceito
Mas também vou defender
Que não há tudo perfeito.

Quem vê bem o que eu faço
Sabe da satisfação
Contudo já não abraço
Como abraçava então.

Rosa Silva ("Azoriana")

Entre umas e outras lá vem quadra...

Nossa mãe vestia uns "trapos"
Para a gente vestir bem
Hoje em dia uns farrapos
Já levam muito vintém.

Não estou a falar de roupa
Que se compra em qualquer lado
Estou a falar de quem poupa
Em sentido figurado.

Mas a poupança coitada
Para tantos é sofrida
A saca está furada
E furada anda a vida.

Com humor e com carinho
Toma lá muito sentido
Valha-nos o S. Martinho
Que hoje está entretido.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ancorada

Boa tarde a vocemecês
Que me veem nesta hora
Ando atrás de "porquês"
Sem resposta por agora.

As tremuras me assustam
Porque já passei por elas
Sei bem que elas custam
A tinta nas aguarelas.

Já cumpri o meu dever
Com grande satisfação
Muito mais resta a fazer
Bem bom ter ocupação.

Não a IA, quer é IR,
[Inteligência Real]
Aviso: tu não vais rir,
Nem na "artificial".

A terra quando respira,
Mexe nas extremidades,
Mas também ninguém admira,
Se vem das profundidades.

Desaprendo, num instante,
O tanto que me ensinaram:
Nem para trás, nem pra diante,
Nem os pés se levantaram.

Se vestida e bem lavada
Vou fixando meu rochedo;
No fundo, estou ancorada,
À grande palavra MEDO!

Se tu fores como eu sou,
Com a cabeça sismada,
Previne antes do "ô"
Esta vida é quase nada.

Rosa Silva ("Azoriana")

Minha Terra, ó minha terra!

Minha terra lusa aurora
Sentimento e devoção
Coroada desde outrora
Por lilás saudação.

Bom olhar-te, assim, de frente,
Plo espelho d'água mansa,
E saber que há nascente
Que não teme, nem descansa.

A paz veste a natureza
De um verde singular,
Que se cria, de certeza,
Pra consolo popular.

Minha Terra, ó minha terra,
Que de ti eu gosto tanto,
Desde o mar até à serra
Jamais dispas o verde manto.

Rosa Silva ("Azoriana")

Halloween da Matilde Alexandra. 2025

Pode ser uma imagem de criança e a texto que diz "Halloween da Matilde Alexandra. 2025 ó que beleza esta nossa Sem grito de terror Não observo nenhuma mossa Uma aranha sem horror! Com mãe maravilhosa Que tem um dom natural Uma filha tão briosa Que faz tudo especial. "Halloween" o mistério Que veio para ficar Se fosse levado sério Dava mesmo para assustar. Mas quem se vai assustar Com esta indumentária? Servirá para lembrar Traquinice imaginária. Rosa Silva ("Azoriana"


Ó que beleza esta nossa
- Sem o grito de terror -
Não observo nenhuma mossa
Uma aranha sem horror!

Com a mãe maravilhosa
Que tem um dom natural
Uma filha tão briosa
Que faz tudo especial.

"Halloween" o mistério
Que veio para ficar
Se fosse levado a sério
Dava mesmo para assustar.

Mas quem se vai assustar
Com esta indumentária?
Servirá para lembrar
Traquinice imaginária.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pão-por-Deus 2025

Vão as crianças em bando
Na cantilena de sacas
Por sorte arrecadando
Umas moedinhas fracas.
::
É vê-las todas contentes,
Mesmo com algum senão,
Pedindo às boas gentes,
Por Deus, um pouco de Pão.
::
Não tinha esse costume,
Só ia ter com a madrinha,
Que nesse dia se assume
Na nota que dela vinha.
::
Hoje adoro ver a neta,
Com os olhos a brilhar,
Na sua veste completa,
Delícia a pedinchar.
::
Rosa Silva ("Azoriana")

Quando...

Quando a noite vai caindo
Com um trago de amargura
Já também vai insurgindo
O inverno da Bravura.

Eu que nem o tempo prendo
Porque o tempo não é meu
Já é sorte estar escrevendo
O que um dia será teu.

Solto amarras à escrita
Dou corda ao pensamento
Nem a letra é bonita
E com a pena até tento.

Olho a fonte imaginária
Numa letra de cristal
Sentada na secretária
Teclo a letra ideal.

Vamos, vamos de mansinho
Para o fim de semana
Aceita um bom carinho
Da amiga Azoriana.

E se mais quiseres ler
Sem papel na tua mão
Convém que 'inda possas ter
Onde ponhas a visão.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao "Arco-íris de Emoções" (agenda solidária da APIT)

Ao "Arco-íris de Emoções",
com admiração e respeito

Bem-haja quem faz o bem
Com valor e sem tristeza
Sobretudo aos que tem
Uma dor por natureza.

Para a dor de uma criança
E do jovem promissor
Há que trazer esperança
Pela mão do educador.

A "Agenda Solidária"
De dois mil e vinte e seis,
É mesmo extraordinária
Para "dedos e anéis".

À Presidente da APIT
Bem-haja pelas Emoções
E que tenha bom palpite
Para próximas edições.

Rosa Silva ("Azoriana")

Amigos da Pediatria da Ilha Terceira

Considerando os considerandos

Pois... Já alguém considerou
A nossa real pobreza
Perante alguém que fortunou
Com uma bola em destreza?!

Mais... Já alguém se abismou
Numa vida cinderela
Enquanto outrem se admirou
Com a pobre bagatela?!

P@ta que p@riu o ovo
Redondo não enquadrado
No sentido que o povo
É vintém mal amanhado.

Isto é só para provar
O que faz meio comprimido
Antes de mesmo o tomar
Já me estendi ao comprido.

Toma, toma e depressa
Esse químico avançado
E vê lá se bem começa
O que nem está acabado.

O sonho que me acordou
Nesta hora muito ingrata
Foi em luxo, que assustou
Nova manhã que desata.

Rosa Silva ("Azoriana")

É a vida...

Não nasci para embelezar
Mas já vi muita beleza
Entre a terra e o mar
Tanta há, tenho a certeza.

Vejam bem pela janela
Que se queda numa mão
A tecnologia bela
À custa de bom cifrão.

E bem visto esse (€) cifrão
Que nos surge mensalmente
Tanto é um ganha-pão
Como sai num de repente.

E a rima de repente
É a sorte natural
Não dá de comer à gente
Mas dá saúde mental.

Eu pensava que a rima
Tinha esquecido de mim
Hoje veio ao de cima
E rimo tudo enfim.

E se a noite a sacode
A dizer "tá bum, tá bum"
Nem sempre deixar se pode
Uma linha para mais um 🙂

Rosa Silva ("Azoriana")

O céu é lindo

E já vai chegando a hora
Da noite se aproximar
Pela tarde quase chora
Com a nuvem a enxugar.

E o céu é lindo assim
Quase parece "ovelhado"
Com ovelhas de alfenim
A brincar por todo o lado.

Se a terna brincadeira
Não correr como previsto
Lá vem vento prá Terceira
E da ovelha eu desisto.

Se te rires também me rio,
Porque rios cá não tem...
Oxalá não venha o frio
Que acabe a rir também. 🙂

Rosa Silva ("Azoriana")

18/10/2025.Céus d'ilha

Não sou de alarme falso
Não sou de ares estranhos
Mas há que arrear o balso
Para os ventos tamanhos.

Não comando tempestades,
Nem maus ventos, nem marés,
Mas há que ver as verdades
À vista de lés-a-lés.

Tenho a roupa na corda
Bem cheiinha de prisões
Se ela se vir à borda
Que me sobre os calções.

Agora que a "vida é bela"
Por monde de uma "metade"
Que se feche a janela
Fronteiriça à tempestade.

Mas se estiver errada
No prenúncio sem rigor
Fiquem vocês à vontade
Para me falar de Amor.

De palavras nem é feito
O amor quotidiano
Nem sequer de outro jeito
Se apoquenta o ser humano.

Rosa Silva ("Azoriana")

Tourada do Terreiro, 2025

Adeus até mais ver
Esta já está no fim
Gostei de te conhecer
Mas tu não gostas de mim.

Disse: tu és bonito!
E tu fugiste a correr
Não podes ser esquisito
Logo ao entardecer.

Que tenhas boa viagem
De volta ao que dominas
Romina pela pastagem
No mato pelas colinas.

É pena o que me invade
Quando chega ao final
É o que chamo saudade
De te ver no arraial.

Rosa Silva ("Azoriana")

Para me sentir bem

Quem me conhece a fundo
Sabe que sou inconstante
[Tanto anda bem o mundo
Como muda num instante].

Sou de sol e sou de luas,
Sou de tempo intermédio,
Se não ando pelas ruas,
Talvez seja pelo tédio.

Sou da rima, essa sim,
É que me dá alegria,
Mesmo que não chegue a mim
Com tempero para o dia.

O barro de que fui feita
Já não se faz amiúde...
Nem pensem que sou perfeita
Só preciso é ter saúde.

Rosa Silva ("Azoriana")

Teto retilíneo

Teto retilíneo cinzelado
É desenho natural
Pode não estar zangado
Mas a mim parece mal.

Anda o clima enferrujado,
Não está pra brincadeira
E assim mal encarado
Fica o povo da Terceira.

Venha o sol nos alegrar
Para seguir o tributo
Do que em breve vai chegar
E nos dar o melhor fruto.

Rosa Silva ("Azoriana")


No dia da 2ª volta às voltas que a vida tece. 

Olha por nós!

NSM 2025
Onde está o Teu Olhar?
Que navega sempre em nós,
Desde o tempo que o mar
Nos curava tão veloz.

Onde está o Teu conforto?
No tilintar das marés,
Onde encontraste o porto,
E a terra a Teus Pés.

Onde está a Tua Luz?
Que vejo brilhar nos círios,
Como se fossem Jesus,
A cantar por entre lírios.

Onde está Tua vontade?
Na Terra como no Céu,
Que vem pra Comunidade,
Que abençoa o ilhéu...


Só Deus sabe Tuas Ondas,
Tuas Dádivas Celestes,
Por tudo o que ainda rondas,
Só Tu sabes o que destes.

Dá a cura aos doentes,
Dá a Tua proteção,
Aumenta a fé das gentes
Que mancam na devoção.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: a foto é da minha autoria e não se consegue ver a "Menina" do olho... a vidraça não deixa...

Feliz 4º Aniversário, de Matilde Alexandra Borges Ormonde [MABO]

MABO

Ó minha querida neta
Do meu imenso jardim
Que tenhas festa completa
E sorrisos de alfenim.

Sejas hoje a predileta
Cor da tua sã princesa...
Porque tu, ó minha neta,
És tão qu'rida, de certeza.

A tua avó sempre quis,
E quer ser boa avó,
Hoje que seja feliz
A dançar [olarilóló]!

Danças tu, e, canto eu,
[A moda a gente sabe]:
O vestido hoje é teu,
"Branca de Neve" te cabe.

Avó Ósa! Beijos minha 'amor'a!

Rosa Silva ("Azoriana")

Quando é a sério, é um caso sério!

Se o touro não for fraco
E mostrar a valentia
Pode armar-se em velhaco
Rebenta a corda que o guia.

E o povo assustado,
Corre, corre em debandada,
Logo que for apanhado
Há aplausos na tourada.

Dois mil vinte cinco é moda
Uma corda rebentar
E depois quem anda à roda
Pode não o aguentar.

Toiro, toiro! Olé! Olé!
Vai rumo à liberdade...
No pescoço a corda é
Muito menos da metade.

Rosa Silva ("Azoriana")

4º toiro - Serreta 2025

Sai o toiro da gaiola
Com a força desmedida
A correr que até consola
Mas a corda está partida.

Toda a gente percebeu
Que algo então se passava
O toiro foi, foi, correu,
Não se sabe onde parava.

A corda quando aquece
Ao roçar numa parede,
É assim que acontece
Não há tapume, nem rede.

Não sei se tal sucedeu
Noutra era lá para trás
Cabe cuidar do que é seu
E a ajuda é eficaz.

Rosa Silva ("Azoriana")

Estrela do Universo

Numa quadra de alegria,
Que se ergue no planeta,
Se encontra a freguesia
Cujo nome é Serreta.

Tem como Mãe padroeira,
A Estrela do Universo,
Na Coroa à sua beira,
Outra descrevo no verso.

Na fronte do bom Império,
Está patente a Estrela,
E acima do Batistério
Quem puder, pode vê-la.

Alvo coração ardente,
Em mistério e oração,
Salva nosso povo crente,
E salva os que não são.

Rosa Silva ("Azoriana")

Aos mordomos para 2026

Daniela Cota,

Tenho que deixar a nota
Sem o "post-it" amarelo:
À prima Daniela Cota
No conjunto que é belo.

Joel Melo, o afilhado,
Da que digo minha irmã,
Tem o meu verso singelo,
Com os ares da manhã.

Marco Alves, presidente,
Que vai deixar de o ser,
Para seguir noutra frente,
Com bastante pra fazer.

E eis que Rosa Teixeira,
Vai ter a boa função,
Além de ser enfermeira,
Tem Amor à tradição.

☆ Quatro membros da Comissão das Festas de Nossa Senhora dos Milagres, para o ano de 2026 ☆

Após a volta de Santo Antão
Veio a nova surpresa
O Reitor depois da Bênção
Nomeou, dando firmeza,
Compostura e nobreza,
Os quatro da Comissão.

Dois rapazes e raparigas,
Que conheço desde a aurora,
Jamais negam as fadigas
Em prol de Nossa Senhora
Que espera a qualquer hora
Um regaço de cantigas.

Cortesia e bem-querer,
Vem no novo calendário,
São o mote a valer,
Ninguém diga o contrário,
Vinte anos do Santuário,
Não são para esquecer.

Mas a vida é uma roda,
Do presente ao infinito,
Cada qual tem sua moda,
Sem olhar ao que é dito,
Deixo, porém, por escrito,
O que talvez incomoda.

Rosa Silva ("Azoriana")

A juventude é uma semente
Que a Senhora plantou
E também está presente
No desenho que gerou.

Oito quadras de prontidão

Sim! Perguntei à santa mãe
No silêncio central
- Ó! Porque a Santa não vem
À estrada principal?

Sim... Demorou a responder...
Ó! Porque em choro estava...
Ai, quem pudesse saber,
Ó! Porque a minha chorava?!

- Minha filha, vai à missa,
Mais vezes e muito a eito:
- Coração alvo se iça,
Com a mão bem junto ao peito.

- Quem será que agarrou,
O presente que Lhe deste?!
Quem, com júbilo, encontrou
Não sabe porque o fizeste.

Bendita e louvada seja
A Santa Eucaristia,
Que a Mãe cedo te veja
Ao colo da homília.

E que mais gente Me ame,
Na melodia do Amor,
E quando por eles clame:
Seu "Sim" seja "Amen Senhor!".

Ó filha Rosa Maria,
Tens ao lado a Bondade,
Dá-lhe todo o Valor
Da Santíssima Trindade.

Tu não és uma beata,
Nem tão pouco uma Flor,
És uma pessoa exata,
Pró trabalho do Senhor!

Rosa Silva ("Azoriana")

13/09/2025 - [4]

E cada um é como é,
Se não for, deixa de ser,
De "bike" ou mesmo a pé,
A promessa vem fazer.

Esta Festa é diferente,
Na Serreta não há luto,
Pode vir cá toda a gente,
Prestar sempre seu tributo.

Desculpem em falar tanto,
Desta parte que adoro,
Só cada um sabe quanto
Adora onde já nem moro.

Não moro, sou natural,
E venho cá com Amor,
Colher o cheiro ideal,
Da Maior Flor do Senhor!

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: a quem não puder vir em presença, por estar incapacitado ou longe, feche os olhos e ofereça o seu tormento ou distância em louvor a Nossa Senhora. Não é mais santo aquele que marca presença, é sobretudo quem se digna pensar, com piedade e fé, na Senhora que tudo pode, com a Bondade de Deus. Jamais se negue um sorriso à nossa Mãe do Céu, no rosto do povo que acolhe a sua estrelinha.

Aos emigrantes e imigrantes

Que a Senhora desenhe
Nos céus da emigração
Algo que não se estranhe
Na forma de coração.

Que a trilogia do Amor,
Da Fé e da Caridade,
Seja a tela do fervor
De toda a Comunidade.

Que a Bênção da Senhora,
Na hora de florescer,
Possa ser vista na hora,
Da Procissão se fazer.

Venham todos que puderem,
À visita anual,
E façam o que fizerem
Peçam pla Paz mundial!

Rosa Silva ("Azoriana")

Peregrinos da Esperança (Serreta 2025)

Peregrinos da Esperança


Peregrinos da Esperança

A Estrela é Maria
Ave Ó Cheia de Graça!
Que se coroa por um dia
E a quem por Ela faça.


Faça a via peregrina
Faça a digna Oração,
Com a pureza divina,
Do Terço e Flor na mão.


Coroa e Flores humanas
Fazem jus à melodia
Em duas lindas semanas
Oram todos: Ave Maria!


Louvada e sempre Amada,
Numa maternal herança;
Chama aos seus, em caminhada:
Peregrinos da Esperança!

Rosa Silva ("Azoriana")

Que em Paz esteja (Fernando Fernandes)

O coração de um pai
Habita no do seu filho
E quando da vida sai
Mantém em ti o seu brilho.

Parabéns para o Céu
Em Paz a Alma esteja
Em cada amigo ilhéu
Um bom sorriso se veja.

Fernando Fernandes se foi
Da vida e natureza
Vejo no rosto o herói
E na cantiga a beleza.

Cantou comigo umas vezes
E das vezes que me cantou
Nunca me deu revezes
E seu sorriso plantou.

Rosa Silva ("Azoriana")

Serreta

É um abraço de terra
É um sorriso de Deus
Um altar prós filhos seus
No vale da baixa serra.

É um olhar sorridente
E outro rico de dor,
Da Mãe de Cristo, Senhor,
Que recebe toda a gente.

Em tempo de romaria,
Chama a Si o povo crente,
E quer ver-se novamente
No Altar que outrora via.

Que as flores do Seu Jardim,
Depostas junto ao Altar,
Se possam, hoje, transformar,
Em esmolas para bom fim.

Santuário Diocesano
É tudo na freguesia;
A morada de Maria
É Altar Açoriano.

A fé caminha do berço,
Que nos dá a Criação
E nas contas da Oração
Se faz a obra do Terço.

Rosa Silva ("Azoriana")

Falar da Casa do Romeiro, na Mata da Serreta

Faz 35 anos anos que existe a legislação regional sobre a Reserva Natural da Serreta. No tempo que não havia veículos automóveis, as pessoas vinham em carros de bois, com os apetrechos necessários para uma estadia razoavelmente confortável, na festa maior da freguesia da Serreta, em setembro de cada ano, que se tivesse início à segunda-feira, a festa seria na terceira semana, caso contrário, seria na segunda semana de setembro, precedida de novena temática, para acolher todos os credos da ilha. Essas pessoas que vinham de propósito para estar os dias principais, recolhiam-se na Casa do Romeiro para descanso e depois continuação da romagem, vindos, sobretudo, e claro está, da zona de Biscoitos, Altares, Raminho ou de mais longe.

As pessoas mais divertidas tinham sempre motivo para brincadeiras e bons convívios na prazerosa Mata da Serreta, que era bem propícia a "manjares" modestos, mas com os frutos da terra ou as fogueiras para a brasa necessária a algum assado.

Também coziam pão que, fresco e perfumado pela bons ares, fazia as delícias de pequenos e graúdos. Era uma verdadeira alegria para quem os via naquelas paragens repletas de eucaliptos e faias, que ninguém dispensava e se observavam por todo o lado.

Até era comum, muita gente procurar aquele lugar pitoresco e fresco da ilha, para se curar de algum mal, pois, e eu mesma acho, que é o pulmão da ilha Terceira.

Quem passa pela Mata, nem precisa de hora exata, mas o pôr do sol é o regalo de todos os olhares e a extinta Estalagem da Serreta era, sem sombra de dúvida, a maior atração de outras épocas felizes. A Casa do Romeiro está muito renovada e atraente, com possível visita, de acordo com quem tem a mesma a seu cuidado. Ir à freguesia da Serreta, que o é desde janeiro de 1862, e não ir à Mata da Serreta, é como que deixar uma parte do corpo despida. A Mata é o luxo serretense, é um verde mesclado, com os galos e galinhas à sua inteira vontade, povoando a imensa solidão caprichosa e linda.

A Casa do Romeiro é um exemplo de bem receber quem a pé se possa ver. Com as comunicações atuais é muito mais fácil visitar as instalações, que devem ser preservadas e limpas, se alguma refeição quiser fazer.

O Dia da Freguesia da Serreta é sempre comemorado na Mata da Serreta, pela Junta de Freguesia, com vários ajudantes e entusiastas. Nessa data, que coincide com o mês de julho, a Casa do Romeiro, até parece sorrir a todos os filhos da freguesia que são convidados e comungam de um verdadeiro banquete ao ar livre. Há comes-e-bebes que duram a tarde toda, sempre com a união e alegria dos serretenses e amigos dos mesmos.

"l) Reserva da Serreta: confronta, a norte, com os prédios de João Cardoso Jacques, de João Machado Dinis e de Manuel Medeiros Romeiro; a nascente, com os prédios de Guilherme Augusto Reis, de António Cota Machado, de José Machado Esteves, de Manuel Machado Fagundes, de Manuel Gonçalves Ferreira, de Manuel Sousa Coelho e com o terreno da Direção Regional dos Recursos Florestais, à cota aproximada dos 280 m; a sul, com o caminho florestal do Pico Carneiro, e, a poente, com o mesmo caminho e com os prédios de Alexandrina de Jesus Cota e de Manuel Mendes Romeiro;"
Fonte: Decreto Legislativo Regional nº 16/89/A, de 30 de agosto.

Quem souber de mais algum pormenor interessante pode partilhar que ficarei muito contente e agradecida.

Podem ler mais sobre o tema em:

Mata da Serreta. Reserva Florestal de Recreio da RAA, por DLR 16/89/A, de 30 de agosto.
Recordatória serretense.
Dia da Freguesia da Serreta 2009.

Rosa Silva ("Azoriana")

13 de setembro 2025 [Sábado da Serreta]

Girassol


Pelo Sábado da Serreta [13/09/2025] - noves fora = 4.

A Serreta ainda me chama, com uma voz interior, porque Ela me (nos) ama e também lhe devo Amor.
As voltas que a vida tece, há sempre uma volta a dar, por quem jamais nos esquece e continua a chamar.
A ilha toda se apruma, a visitar a Mãe justa, e eu de forma alguma, não hesito nem me custa.
Quero ver, se cá estiver, bela cor de horizonte, e madrugar quando houver, Alvorada, bem de fronte.
No dia treze é a Banda, que enfeita o santo largo, e o Fogo que desanda, por todos está a cargo.
É ouvir o Hino então, às zero horas florais, com a mão no coração, por quem d'Ela gosta mais.
Minha mãe se fosse viva, teria 85 anos, na minha mente cativa e de alguns açorianos.
Foi devota cem por cento, e legou a devoção, a quem no seu aposento, aceitou essa função.
Se agora me alonguei, na minha escrita rimada, foi a honra que lhe dei, a escrever mesmo deitada.
Há emoções a valer, há orações coroadas, e no canto a escrever, são as nossas mães beijadas.
Beijadas com tal ternura, que até causa espanto, e na letra com doçura, há o Amor, de amar tanto.
Ofereço as soltas linhas, a quem, por mim, quiser ler, podem ser ideias minhas, mas partilho, podem crer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Coração ao vento

São Carlos


I
Alargo a vista aos ares
Pergunto pelas maresias
Que começam nos Altares
E vão pelas freguesias.
II
Escuto a voz do vento,
Que me segreda aventura,
E agarro no talento
Para nova escritura.
III
Salvo a pele de queimar,
Como brasa de feitiço:
Longe do Sol e do Mar,
Vou traçando bom serviço.
IV
Largo o coração ao vento,
Como voo de poema,
Sem que tenha o fermento
Para cozinhar o tema.
V
Mas a vida é mesmo assim,
Uma ciranda completa;
E faço do meu jardim,
Uma flor, alva, poeta.
VI
O lírio também é alvo,
E cresce na linda Mata,
Se ainda está a salvo
Fica a natureza grata.
VII
Meu amor! Tu vem comigo,
Dá-me a tua redondilha,
Que tem o coro amigo,
Que tem a doce partilha.
VIII
Doce é a madre em tela,
Agridoce o meu ser,
Viajo pela janela
Que tudo pode saber...
IX
Mas não conto tudo, tudo,
Porque tudo vira nada...
Só deixo mais conteúdo
Para um dia ser lembrada.
X
Lembrada pelo que fiz,
Sem tempo de fazer mais,
Quem será a mais feliz?
Quem nunca escreveu "ais"?

Rosa Silva ("Azoriana")

E brilha ao Sol

É comum o sol brindar
Nossas torres citadinas
Uma cortina a brilhar
Coroando as colinas
Tendo a Mãe o seu altar
Beijado pelas matinas.

Angra é moça de encanto
Vestida de flores belas
Numa saia de espanto
Colete de aguarelas
Sempre viva e sem pranto
No beirado das janelas.

Angra de sol radiante
Perdida em flores lilases
Cativa o mais distante
E outros que são capazes
De ver que seu diamante
Está nas festas audazes.

Viva a terra renascida
Candelabro natural
Tenhas mui anos de vida
Terceira, de Portugal,
De Angra és tão querida,
E da Praia por igual.

Rosa Silva ("Azoriana")

Primeiro girassol (na minha residência)

girassol.jpg


Agosto celebra a gosto
As toadas do calor
Pra que fique bem disposto
O trabalho de valor.

Por mim, estou sempre alerta,
[Nem de férias, nem ausente],
Fico com a porta aberta
Pró que venha de urgente.

Hoje a vida é um canudo,
Um elemento numérico,
Praticamente quase tudo
É tomado pelo elétrico.

Se faltar alguma via,
Daquelas que agora temos,
Fere-se a tecnologia,
Quem sabe?! Desaparecemos!

Só não me desapareceu
O primeiro girassol:
Da semente, a terra deu,
Pra louvar chave de Sol.

Rosa Silva ("Azoriana")

O princípio do frenesim

Quando começam os ares de vento a tocar-nos a pele corada pelo astro rei, o movimento dos "quase" últimos arraiais, começa em mim também o frenesim para os tons e cores serretenses. É como que um pré-anúncio do ir, com o "taleigo" de roupas, calçado e afins, para onde se tem a bondade parental de nos acolher, sem mesmo cá estar ou com a descendência para lá do atlântico... Começo a pensar que a alegria de voltar à casa-mãe, dos Milagres e dos cânticos, das flores e das cores vivas, é uma nova meta, para quem esteve na eminência da partida. E, se ainda, por cá estou, é para seguir a trabalhar por Nossa Senhora, seja de que maneira for (com ou sem ajuda humana). Com isto tudo, haverá alguém disposto a estar em operação renovação comigo, à laia de "caridade"?!

Acho que sei quem dirá Sim! - a minha Mãe!


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Rosa Silva ("Azoriana")

A Estrela dos Milagres e o Rosário

Vem ó Mãe da Alegria
Trazer Paz a este mundo:
Ao enfermo e moribundo,
Quem te louva: Avé Maria!

Vem ó Mãe da Oração
Trazer saúde e conforto,
O navio ao bom porto,
A força do Teu Perdão.

Refrão:
Nossa Senhora bendita,
E por todos muito amada,
A Nossa Mãe favorita
Pelos dedos tão rezada.
Teu Rosário do Cristão,
Belas continhas douradas,
Tem a e sempre à mão,
As flores que te são dadas.
Virgem pura e cristalina,
Da voz, em coro da ilha,
Que comunga e partilha
A Santa Graça divina.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Com inspiração em Miguel Branco, Margarida Sousa e as jovens do Porto Judeu, amigos de Beatriz Costa.

São Brás, glorioso!

Dizem os povos antigos
Que São Brás é padroeiro
E o santo curandeiro
Da garganta e seus perigos.

Com duas velas cruzadas,
Abençoa a garganta
E ficam logo curadas
As maleitas de dor tanta.

Quem tem tal mal amiúde
Sabe bem o que é a dor...
Portanto, haja saúde,
Seja lá para quem for.

São Brás da ilha Terceira,
Freguesia da nossa Praia,
Dê a benção à ilha inteira,
E a quem na doença caia.

A virtude do Amor,
Seja dita em oração,
Para que junto do Senhor,
Chegue a nossa ovação.

Salve, Salve, glorioso,
Dá a voz para cantar,
Ou mesmo para declamar,
O teu dia venturoso.

Rosa Silva ("Azoriana")

A surpresa

Há palavras que abraçam
A surpresa dos sentidos
Que mais sorrisos nos caçam
Quando parecem perdidos.

Estava eu tão sossegada
Na paisagem tão cortês
Quando me vi alertada
Para o que escrevo a vocês.

E o canto veio logo
Como que numa magia
E à minha Santa rogo
Pelo dom que contagia.

Sei que é chegada a hora
Do trabalho habitual
Render-me a Nossa Senhora
Que me guia sem igual.

E vai guiar outra gente
Que reluz na sua voz
Que pode louvar de frente
Com canto lindo e veloz.

Miguel Branco com efeito,
Humorista e tocador,
Conheci e tem bom jeito
Pra fazer seja o que for.

Rosa Silva ("Azoriana")

Entre Céu e mar...

Momentos lembrados

Ou para recordar

São hoje gravados

Em Terra de amar

Nos copos brindados

Entre o Céu e o mar.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Coração de poesia

Que reluzente é o céu
No azul escurecido:
Na descida de um véu
Pelo mar adormecido.

Natural a zona branda
De um campo, em funil,
Escura, e quem a manda
Nem se vê nesse perfil.

Era agosto, sei que era,
Vermelha-se o horizonte,
Nessa hora, quem me dera,
Quedar-me, ali, defronte.

Foram anos, meses, dias,
Na ternura de um painel,
Que me trouxe alegrias,
A saída foi meu fel.

A volta a esse estrado,
De calma e paraíso,
Só para ficar ao lado,
De quem me fez improviso.

Deixa estar, nada se faz,
Com o apelo invulgar...
Há de haver alguém capaz
De lá me querer plantar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pela alma de Álamo Oliveira (o evento poético on-line)

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August 21, 2025
10 a.m. (PDT)
Alfred Lewis Reading Series XI Program
OPENING:

Alfred Lewis:
“Summer Mood/Toque de Verão” - Aguarelas Florentinas e outras Poesias. Angra do Heroísmo, Azores, 1986. Translated by RoseAngelina Baptista.

Gabriela Silva:
“I love Álamo de Oliveira” Texto Inédito.

São Gonçalves:
“Novas Rotas/New Paths.” Poema Inédito. “Expatriados/The Exiled.” A Luz em Nenhum Lugar se Extingue. Oxalá Editora. Alemanha, 2024. “Escrever/To Write.” A Luz em Nenhum Lugar se Extingue. Oxalá Editora. Alemanha, 2024. Translated by Rose Angelina Baptista and Millicent Borges Accardi.

Rosa Silva:
“Re[aberto] pelo Sonho / Re[open] for the Dream.” Poema Inédito “Um pássaro de anil/ An indigo bird.” Filamentos, California, 2025. Traduzido por Diniz Borges “Álamo de Oliveira ☆75 anos ☆ / Álamo de Oliveira ☆ 75 years old ☆.”Rosa Silva's blog, 2020, Azores.

Diniz Borges:
A Tribute to Álamo Oliveira poema-flor-e-flores / poem-flower-and-flowers extra / extra Through the Walls of Solitude. Álamo Oliveira, translated by Diniz Borges. Letras Lavadas Edições/Bruma Publications, 2023. Bok nominated for the California Translation Award in Poetry at the 43rd Northern California Book Awards in 2024.

Rose Angelina Baptista:
“Álamo Vive na Florida/Álamo Lives in Florida.” Traduzido pela autora. Filamentos Arts and Letters of Azorean Diaspora, July 2025.

Não sei porquê (ou até sei)...

... gostei muito de conhecer a Margaret Ficher Pedro e família.


Lembrem-se de mim!

Leva contigo o sonho
Que vieste realizar
O regresso é medonho
Mas tudo podes mirar.

Mira o mar em pensamento
Que canta por noite e dia...
E sustenta novo alento
De voltar com alegria.

Mira a tela deste céu
Que de anil bem nos encanta
Relembra o povo ilhéu
Que por natureza canta.

Mira as fotos uma a uma,
Com festas e fãs a rodos,
Mira tudo que há em suma,
Da ilha que abraça todos.

E de mim não levas nada,
Pouca coisa ou coisa alguma,
Levas escrita rimada
E a lágrima... só uma?!

A lágrima faz saudade,
E a saudade é medonha,
No entanto, a amizade,
Dá-nos graça e é risonha!

Rosa Silva ("Azoriana")

Como te vais? (talvez canção)

Como te vais?
Na canção lenta do dia
Na cantiga posta ao vento
Na paixão com alegria
Na fadiga em desalento.

Como te vais?
Na conversa dita a norte
Na distância que está perto
Na viagem sem transporte
Na toada em rumo certo.

Como te vais?
Na loucura de ser ainda
Nata de rasa montanha
Na veste verde tão linda
Na vista que se desenha.

Como te vais?
Na parte menos amena
Na lua que veste prata
Na rua que já me acena
Na curva de fé tão grata.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dedicado a Claudine Lourenço (Planeta Mulher)

Aguentar-se ao de cima
Dessa água que até rima
Com nosso estado de festas
É mesmo pra consolar
Quem, hoje, sabe nadar,
E nem liga às arestas.

Das arestas, os Biscoitos
Livres de quaisquer introitos,
Ou leis de comparação,
Chamam o povo ao mar,
E também a vindimar
Nesta quente estação.

Depois vem uma saudade
Do recreio e amizade
Que se juntam tão audazes,
A pena é de deixar
O bailado desse mar
E os cestos e cabazes.

Se não me ligares nenhuma,
Escrevo muito, mas em suma,
Vai caindo em cesto roto...
Queria eu encimar
O palco do belo mar
Sem que me toque no goto.

Vivi perto da planície
Onde o campo em calvície
Propicia-nos ao bronze;
Hoje lembro desse vale
E do Baco rendido ao sal
Que antecede o mês onze.

Será jeitoso provar
O que faz o paladar
Surtir um globo efeito...
É o vinho escarlate,
Novo, que no copo bate,
E seduz no tom perfeito.

Rosa Silva ("Azoriana")

Abraços de ilhas (Islands hugs)

Ilha do sol, a primeira,
Seguida da do ananás,
Logo depois a Terceira,
Que da folia é capaz.

Com a ilha da meloa,
Burro anão e da queijada,
À do guerreiro se afeiçoa,
Logo ali, sempre avistada.

Porém, a ilha montanha,
Tem na frente a do veleiro,
Que por azul se desenha,
Na marina o ano inteiro.

Quis Deus que a natureza,
Tivesse bonitas cores,
Fez outr'ilha com beleza,
A cor rosa dos Açores.

Contudo e a mais pequena,
Dos Milagres coroada,
Tem o corvo, negra pena,
Pra lhe dar a pincelada.

Nove botões que se contam,
Sobre as proezas do mar,
E que em verso me despontam
Para ao mundo puder cantar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sabor a mar

Nem sempre fui dama do mar
Nem sempre o vi a dançar...
Ao longe parecia o caminho
À vista onde era meu ninho.

Nem tinha o gosto salgado
Nem queda de mergulhado...
O medo fez-se no ser
Após na agonia me ver...

Mas antes de ser ausência
Na maré desta vivência
Gostava de a ele voltar
Encher-me de peito e mar...

Só Deus sabe do marujo,
Marinheiro, ou outro cujo,
Me faz ser valsa na onda
Que em soluços me ronda...

Rosa Silva ("Azoriana")

Como era linda a minha mãe, Matilde Correia (RIP)

Matilde


Olhar de água marinha
Que no campo teve berço
Para ser minha rainha
E a musa do meu terço.

Sorriso de mansa flor
De alegria aos molhos
No tempo que o Amor
Era o brilho dos seus olhos.

O olhar que transbordou
Para as filhas que bem quis
E nossos olhos bordou
Com o fio da matriz.

Somos tom esverdeado,
Num combinado fiel,
Terra e Mar, por todo o lado,
Coroando nosso papel.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Verde, era a sua cor preferida.