Coração de poesia

Que reluzente é o céu
No azul escurecido:
Na descida de um véu
Pelo mar adormecido.

Natural a zona branda
De um campo, em funil,
Escura, e quem a manda
Nem se vê nesse perfil.

Era agosto, sei que era,
Vermelha-se o horizonte,
Nessa hora, quem me dera,
Quedar-me, ali, defronte.

Foram anos, meses, dias,
Na ternura de um painel,
Que me trouxe alegrias,
A saída foi meu fel.

A volta a esse estrado,
De calma e paraíso,
Só para ficar ao lado,
De quem me fez improviso.

Deixa estar, nada se faz,
Com o apelo invulgar...
Há de haver alguém capaz
De lá me querer plantar.

Rosa Silva ("Azoriana")

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