De "barril" para "funil"

Há gente que tem tendência para um volume corporal mais elevado. Não é, de todo, formosura, como se dizia nos tempos de “toucinho” e "enfardamento” de tudo o que o paladar elevasse na alegria momentânea, até que alguma tristeza surgisse no dia seguinte.

Esta abordagem inicial serve simplesmente para o que vejo entrar pelos olhos adentro: gente que era ochamado (e ainda se chama) barril - que até nem era feio - e que, de repente (não tanto assim!), se transforma numa espécie de “funil” ambulante, cadavérico, a beirar um desaparecimento subtil (para rimar com funil). Ora, então, deixa cá ver se sai a escrita à minha moda, que também estou elevada na “formosura”.

De barril para funil
Que não se veja alguém;
Pode até ser subtil,
Mas não fica nada bem.

Por vezes bom corporal
Até ilumina os olhos;
Mas se quebra, fica mal
Se os ossos são antolhos.

Resumindo em pouca rima,
Que de pouca não será,
Deve-se ter mais estima
Por aquilo que Deus dá.

Se és feito volumoso,
Podes bem poder mingar;
Mas não sejas desastroso,
Nunca mais vais alargar.

Não dou nomes nesta hora,
Nem indico o “feminino”;
Só peço a Nossa Senhora
Que a todos dê mais tino.

Muitas vezes eu não deixo
À larga a minha vontade;
Já sobeja o que me queixo
À conta da obesidade.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Nota: (“Azoriana”) - alcunha assumida com parêntesis e aspas, escrita com letra “z” e não com “ç”. Desde o início da minha escrita fiz essa opção, não por vaidade, mas por pragmatismo: os motores de busca apresentavam, à época, caracteres simbólicos no lugar do “ç”, o que dificultava a pesquisa e a identificação do nome.

Talvez hoje essa limitação esteja ultrapassada, mas ficou a minha marca de identidade, associada a um estilo muito próprio, que reconheço em qualquer lado, sem necessidade de plágio.

Plagiar é ter maldade - e essa eu não quero.

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