Deus não faz guerra!

*
Se a Bíblia fosse agora,
Com toda a nossa vontade
Ficavam regras à nora
Libertina a liberdade.
*
Não fui eu que a escrevi
Nem tinha sequer vontade
Mas vendo o que já vivi
Acredito na bondade.
*
Só que a minha versão
Da bondade que já obtive
Para outro talvez é "não"
Não é assim que se vive.
*
Viver é mesmo uma luta,
Por vezes, se marca passo,
Enquanto que um labuta
Outro nos prega vil laço.
*
O melhor é mesmo ter,
A Bíblia bem explicada,
Confusão não se fazer
Nem errar na caminhada.
*
Aqueles que foram bons
Seguidores da doutrina,
Mudariam os seus dons
Perante a graça divina?!
*
Deus sempre Uno e Sumo,
Entre Terra, Mar e Ar.
- No destino me consumo,
Quando alguém o quer mudar,
Digo de frente e assumo:
Quem sou pra contrariar?!
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Páginas de Amor

 


Fui, sou mãe, em trio,
Avó numa vez,
Foi o desafio
Maior que me fez.
Foram horas cheias,
Vírgulas, porquês,
Ricas com ideias
Que nem sequer vês.
Mudanças, viagens,
Tercetos de fé,
Em muitas passagens,
Houve marcha à ré.
Se faria tudo,
De novo outra vez?!
Mesmo conteúdo?!
Sim! Só por vocês!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: apenas a imagem é da autoria da IA.

Ó Mãe teu rosto é de Dor

 


Qual a mãe que vê um filho
Numa dor ensanguentada?!
Sem lhe puder fazer nada
Nem sequer mudar o trilho...

Ao seu Olhar me humilho,
E me prostro transtornada,
Pela lágrima derramada,
Em que contas me dedilho?

O Rosário de Mãe,
Na Oração que convém,
É a Santa proteção.

Mas será que Mãe consegue,
Dar Vida a quem não segue
O Caminho da Paixão?!

24/02/2026
Rosa Silva ("Azoriana")

Deus jaz por nós... e nós não O honramos?!



Honrar a Deus pelo exemplo
Na forma de padecer
Para que viesse a ser
O eterno Amor no Templo.

E a Dor que hoje contemplo
Marca sempre o meu viver...
Que deixo transparecer
E não seja contraexemplo.

O choro não se improvisa
Nem tampouco ele avisa
Se é são ou condenado.

Mas o Choro do Bom Deus
Alerta os filhos Seus
Pra remissão do pecado.

24/02/2026
Rosa Silva ("Azoriana")

 

Ao "Sol de inverno"

No campo e na estrada,
Aquece a morada,
Como um mar de beijos...
Silêncio intruso
E o calor difuso
Acolhe os desejos.
*
Há sol de inverno
Que passa por nós
Tirando o inferno
Da sombra atroz.
*
Remando incertezas
No mar de belezas
Das ilhas que somos...
Real e insular,
Não há volta a dar
No pé que depomos.
*
Inverno onde há sol
Vives mais feliz,
Não há caracol
Nem golo de anis.
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Apreciando a natureza

São lindos, verdes quintais,
Um prazer de folhadais,
Cores de inspiração.
São Carlos gosta e asseia
Os lugares onde passeia
Corpo de imaginação.
Vira e versa a paisagem
E recolhe cada imagem
Para com gosto louvar...
Estou grata por cá viver
Mesmo que me custe crer
Não ser poente o luar.
A nossa ilha é redonda
Com península insular
Onde a curva tece a onda
Ao sair do quebra-mar.
Rosa Silva ("Azoriana")

Bailinho do Raminho / 2026

É no Raminho que aposto,
É um Bailinho que gosto,
É linda a homenagem:
Álamo Oliveira merece,
Nosso Povo não esquece,
As cantigas em viagem.
A voz adoça a memória, (*)
Do poeta com história,
Numa roda toda inteira...
À jovem dou meu louvor,
Ao grupo e a cada ator,
Do Carnaval da Terceira.
Cada verso que vos faço,
Vai alegre meu abraço,
Aos que dão maior carinho;
A quem lembra e bem sabe
Que o Amor ainda cabe
No coração do Raminho.
Todos vestidos de brilho,
Fazem jus ao seu bom filho,
Inspirador dos jograis.
Cantem, dancem, façam tudo
Sóis os ases do Entrudo
Os heróis dos Folhadais.
Rosa Silva ("Azoriana")

Caminhada

Sobre a luz e a neblina
Com olhar fixo e denso
Pondera a graça divina
Que lhe dá valor imenso.
Fernando Mendonça é
Um poeta de jornada
Mantém firme a sua fé
No prazer da caminhada.
Um abraço de saudade
Dos retalhos de ilhéu
Que garante a amizade
O trunfo e o bom troféu.
E se a voz não se ouve
Nem a visão nos alcança...
Por bem haja quem te louve
Neste reino d'esperança.
Rosa Silva ("Azoriana")

Só quem está vivo é que morre

Já sei o que vão dizer
Logo mesmo de fachada
Tens a cabeça a ferver
De novo não dizes nada.
Nada mais real e profundo
Nem adianta se iludir
E quem vem a este mundo
Um dia vai ter que ir.
Nada serve de consolo
Quando chega a dita hora
A muitos causará dolo
Porque custa ir embora.
E quando a vida é bem curta
E se gozada com gosto
Nossa alegria até furta
E deixa o crente indisposto.
Antes que tal aconteça
Molda bem teu coração
A mente não desfaleça
Antes de pedir perdão.
Há o tempo do rigor
Há o tempo que não tens
Digo agora com vigor:
A morte deixa reféns.
Rosa Silva ("Azoriana")

De "barril" para "funil"

Há gente que tem tendência para um volume corporal mais elevado. Não é, de todo, formosura, como se dizia nos tempos de “toucinho” e "enfardamento” de tudo o que o paladar elevasse na alegria momentânea, até que alguma tristeza surgisse no dia seguinte.

Esta abordagem inicial serve simplesmente para o que vejo entrar pelos olhos adentro: gente que era ochamado (e ainda se chama) barril - que até nem era feio - e que, de repente (não tanto assim!), se transforma numa espécie de “funil” ambulante, cadavérico, a beirar um desaparecimento subtil (para rimar com funil). Ora, então, deixa cá ver se sai a escrita à minha moda, que também estou elevada na “formosura”.

De barril para funil
Que não se veja alguém;
Pode até ser subtil,
Mas não fica nada bem.

Por vezes bom corporal
Até ilumina os olhos;
Mas se quebra, fica mal
Se os ossos são antolhos.

Resumindo em pouca rima,
Que de pouca não será,
Deve-se ter mais estima
Por aquilo que Deus dá.

Se és feito volumoso,
Podes bem poder mingar;
Mas não sejas desastroso,
Nunca mais vais alargar.

Não dou nomes nesta hora,
Nem indico o “feminino”;
Só peço a Nossa Senhora
Que a todos dê mais tino.

Muitas vezes eu não deixo
À larga a minha vontade;
Já sobeja o que me queixo
À conta da obesidade.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Nota: (“Azoriana”) - alcunha assumida com parêntesis e aspas, escrita com letra “z” e não com “ç”. Desde o início da minha escrita fiz essa opção, não por vaidade, mas por pragmatismo: os motores de busca apresentavam, à época, caracteres simbólicos no lugar do “ç”, o que dificultava a pesquisa e a identificação do nome.

Talvez hoje essa limitação esteja ultrapassada, mas ficou a minha marca de identidade, associada a um estilo muito próprio, que reconheço em qualquer lado, sem necessidade de plágio.

Plagiar é ter maldade - e essa eu não quero.

Candelária

Menino ilumina o mundo
Com Tua graça divina
E apaga num segundo
Tudo o que nos abomina.
Traz a doce esperança
De melhor vida viver
Nos teus ares de criança
Não nos deixes padecer.
Dá a Luz sem agonia
Que nosso olhar recheia
Com a vossa Mãe Maria
Brilhe a força da candeia.
Das ilhas em comunhão
Numa oração diária
Sóis Mãe da iluminação.
03/02/2022
Rosa Silva ("Azoriana"

Viva o Carnaval!

Celebração, tradição e alegria no Carnaval Terceirense

O Carnaval da Ilha Terceira é único e cativa os locais e os visitantes que, atraídos pelos sons, trajes e indumentária colorida e brilhante, fazem dos salões das Sociedades Recreativas o palco do riso e do aplauso vibrante e majestoso. A ilha toda se apruma para receber milhares de figurantes cujas vozes ascendem ao mais alto nível e o encanto mantém o povo até altas horas na senda de novos Bailinhos, sejam de Pandeiro, Varinha ou Dança de Espada.

Cada foguete içado na chegada dos pares coroados de chapéus e vestuário luzente, munidos de instrumentos musicais, por praticamente todos os elementos do Bailinho, é um chamamento à presença contínua de quem já sente o pulsar da tradição carnavalesca. Ai se eu pudesse voltar aos tempos da juventude, faria de tudo para participar desta folia e das mesas que oferecem um manjar propício a doçuras, licores e outras bebidas entusiastas do riso.

Já todos se preparam para a segunda-feira (à tarde), terça-feira gorda, e manhã de quarta-feira, nos dias destinados à "folga" laboral dos funcionários do Governo Regional e, provavelmente, dos privados que toleram esta mania bonita.

Que a diversão seja o prato favorito na Ilha Terceira que não se esquiva à brincadeira. Viva o Carnaval Terceirense!

Rosa Silva ("Azoriana")

Gratidão e Alegria no Blog do Dia

Um instante de alegria e gratidão compartilhado no blog

Às três horas matinais
Dei comigo sorridente
A Rosa dos Folhadais
Tem o blog diferente.

Graças a quem me ajuda
Sem lucro e sem defeito
Num instante tudo muda
Para que surta o efeito.

E o efeito conseguido
Entre cópias e colagens
É torná-lo colorido
Com letras e as imagens.

Se houver algo errado
Ou com ligação quebrada
Farei tudo deste lado
Para ser retificada.

Agora pra não maçar
O juízo de quem lê
Queiram por favor voltar
E já vos digo porquê...

Porque a vida são dois dias
E este já vai na conta
Mais vale ter alegrias
E o invés nem se aponta.

Rosa Silva ("Azoriana")