Manto de Saudade

Já vivi mais de metade Do que um dia pensei Sou um manto de saudade Em lágrimas que derramei. *
Hoje tudo é diferente
E não venha a pior
Quem vive perto da gente
Nem por isso está melhor.
*
Há um tempo de aprender
Outro de sobrevivência
Pior é o de viver
Com peso na consciência.
*
O que pesa de verdade
Só percebe quem o tem:
É no MANTO DA SAUDADE
Que encharca quando vem.
*
Podia na rima andar,
A colher uma atenção,
Mas acabo por ficar
Sempre em minha solidão.
*
A vida teve cruzadas,
Teve ruas e ruelas,
E muitas das curvas dadas,
Deixaram muitas mazelas.
*
Adeus, rima, adeus verso,
Adeus texto da minha alma,
Adeus ponto tão disperso
Da escrita que me acalma.
*
Adeus, mosto de cortesia,
Adeus pano de encobrir,
Adeus palma da poesia
Que me deste a descobrir.
*
Nesta hora e neste dia,
Que julho nos diz adeus,
Espero vossa companhia,
Entre Terra, Mar e Céus.
*
31/07/2026. Sexta-feira. Rosa Silva ("Azoriana")
*
Nota: Talvez um desabafo no meu próprio estilo, coroado de umas lágrimas teimosas que jorram do meu olhar cansado, pouco ativo e saudoso de tanta gente que amo e quero bem. Pela vida que levamos, cada um per si, tem o tempo que tem e a mais não é obrigado.
*
Hoje encontrei neste cato uma imagem inesperada. Cresce entre pedras, protege-se com espinhos e, ainda assim, faz nascer vida à sua volta. Talvez a saudade seja um pouco assim: não impede o coração de continuar a florescer.


Terceira Plus

Terceira Plus é coreto, é arraial,
No bravo campo mantém-se ativa,
Vai abraçando no seu mural
O povo todo que a cativa.
Terceira Plus é honra e saudade
É brilhantismo em colorido
Devido à sua popularidade
Empresta a voz ao lirismo lido.
E se algum dia não vierem cá
Os da América ou do Canadá,
Podem da tela se abeirar;
Ouvindo o hino da Terceira Plus
Da tradição que ainda seduz
Olé, olé! Sempre a cantar!
Rosa Silva ("Azoriana")

Abraços a toda a equipa.

O ninho

O sítio onde nasci lá continua... com um "mar inteiro" em longitude, um moinho arvorado e de janela ao léu, que se não souberem que foi moinho, pode ser uma cortesia da natureza. O teto ainda se avista que neste ponto parece um barco em rumo à ilha Graciosa, encoberta pela sombra de nuvens bastas. À esquerda teríamos a ilha do dragão, de São Jorge. Se a Montanha da ilha do Pico estivesse escancarada podia-se prever o quarto dia de possível chuva... Encoberta pode dar tréguas à chuva e adornar a Serreta de sol temperado de calmaria.
O que já não consigo enxergar a olho nu é as gentes que, mesmo que recolhidas aos aposentos húmidos nas paredes e chão, fazem-me falta nem que seja para um "olá, vim ver vocês!"...
Mas a bem da verdade, parece que os vi a todos, nos rostos que trazem as linhas da consanguinidade. A história do "faz de conta" pode aplicar-se sempre que a gente quiser. E então posso escrever:
- Mãe, passei para te ver. Estavas contente. Fizeram homenagens aos presidentes da Junta de Freguesia: ao António Costa (pai do https://www.facebook.com/profile.php?id=100090258889302 João Costa); ao Candeias (pai da Helena Costa); ao Manuel Fagundes; ao Sérgio Cardoso; ao Marco Alves; à Sociedade Filarmónica Recreio Serretense (Hugo Miguel Silva) e aos jovens da OTL Serreta. Foi muito bonita a presença da presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, da Drª Fátima Amorim e outros membros, o Vereador Eng. Paulo Lima, e do Serviço Florestal Eng. Jorge Belerique. O que devias ter visto mesmo era a tua bisneta... que gostou de explorar a Floresta, dizia ela, que dos seus 4 anos parece saber os termos a aplicar a cada nova descoberta de paisagem incólume, mas coroada de atrações de veraneio. O "pulmão" serretense é sempre mais fresco que o resto do território da ilha Terceira, mesmo que o sol tenha dado uns afetos à sua natureza favorita.
Sabes Mãe, é ali que o sol se doura e faz dourar a capela das árvores mistas. E até a capela improvisada para a missa campal se alegra uma vez (ou mais) no ano, com a presença, neste dia da Freguesia, de quem ainda consegue dar um ar de sua permanência efetiva.
A questão é: quantos e quantas já partiram desta para outra dimensão? Uma meada bem grande. Deus os tenha junto de Si e da Mãe padroeira, que sempre é lembrada com a presença da Comissão das Festas da Nossa Sra. dos Milagres Serreta 2026.
......
Parabéns aos membros da Junta de Freguesia da Serreta por todo o seu trabalho, empenho e valorização de um legado extraordinário de Amor, Pertença e Resiliência.
Bem-haja a todos os residentes da freguesia e fora dela, aos emigrantes e aos imigrantes que se deliciam em recordar os tempos de menos abundância, numa melhoria significativa.
Paz às almas dos que Amaram a sua sorte, mesmo que com as vicissitudes de vida.
São Carlos, de São Pedro, Angra do Heroísmo,
27 de julho de 2026
Rosa Silva ("Azoriana")
*
Sim! Hei de lembrar-te Mãe,
Nesse luar em teu caminho,
Que tanto querias bem;
Entre as Doze e o Raminho
Tiveste berço que hoje tem
Nome de serra e mar além,
Onde a ave teceu o ninho.
MRCC.

Dia da freguesia da Serreta - festejo na Mata

São filhos da Freguesia,
Netos, pais e os irmãos,
Que festejam o seu Dia
Não importa se cristãos.
Hoje e mais doravante,
Temos de ser muito unidos,
Seja da ilha ou emigrante
Todos gratos, destemidos!
Gostei muito de ouvir,
O Ricardo, presidente,
Com emoção conseguir,
Louvar tanto nossa gente.
Eu sou ave da Serreta,
Voando entusiasmada,
E ao som de uma trombeta
Oxalá eu seja amada!
26.julho.26 [5]
Rosa Silva ("Azoriana")
2026-1985=41 fora da Serreta, mas nunca a Serreta saiu de mim. E quem me dera ficar nela na extrema do fim.


 

Quero Amar!

 

Quero, quero, quero... Amar sem medida!
Sem dor, sem pranto, sem nostalgia...
Mas como se o mundo é uma utopia?!
Ou sou eu que não sei fazer-me à vida?!
Quero, quero, quero... uma Flor tida,
No campo que me fez boa guia,
Na alma que talvez me reste um dia...
Porque sou Rosa, sou Rosa Maria!
Já caíram ramos, na tela de bruma,
Já se foram tantos, e tantos dos meus,
E eu aqui estou sem ter coisa alguma...
Nada é nosso, tudo fica para os vindouros,
Com a esperança na graça de Deus...
Não se tecem fôlegos distantes com ouros!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: não contei sílabas, nem compassos, nem coisa alguma. Contei o que foi saindo de rompante. Podem-me limar as arestas nem que seja com recurso à IA. Fará melhor que o meu âmago? Duvido.

Que o Amor me/nos salve!

Numa noite escura
Como nos diz a canção,
Só não se sabe a altura
Nem o tempo da escuridão.
Quem me dera hoje crer
Mais nas peças do jardim,
E talvez também saber
Quanto falta para o fim.
Que o fim seja lembrado
Pelas plantas que eu adoro
E que seja coroado
Pelas lágrimas que choro.
Tenho penas e muita pena,
De não te dizer "adeus"....
Do cenário só me acena
O Amor p'los filhos meus.
Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: escrito a ouvir a canção "Que o amor nos salve!". Podem colocar como música de fundo aquando a minha última viagem na escuridão na senda da Luz.
E não esqueçam que a minha terra forte tem de ter suculentas e catos porque são as minhas peças de jardim preferidas.
E não estou triste, não. Estou contente numa sexta-feira que era e é o dia a porta do tempo que me salva. Eu Amo o que me ama sem mais aquelas.

Ei-la, rosa madura, lavada pela chuva noturna


Quero as pétalas esculpidas,
Na vitrina da lembrança,
Enquanto não forem caídas,
No chão e foz da bonança.

Quero-te ver minha flor,
Cujo nome me adocica,
Um infinito amor,
Por quem e depois me fica.

Minha flor, rosa madura,
Que vejo sempre contente,
Lavada de água dura
Na noite que fez corrente.

No lugar já não estás,
Porque o tempo não perdoa,
Somente em nome é capaz
De se dar a uma pessoa.

Rosa Silva ("Azoriana")

A tormenta da névoa

Santo António já se foi
Deu lugar ao São João...
Mas olha que até dói
A chuva que veio então.
Podia dar um estio,
Prá nossa consolação
Mas também não está frio
Só a névoa de verão.
Curiosa esta mistura
Para o Santo pioneiro
Que abraça a cultura
De sardinha e vinho cheiro.
Mesmo assim não me conformo
E até ferro o punho,
Nem o gosto já eu formo
Entre o denso nevoeiro.
Que São Pedro venha cedo
Antes do seu dia então
A São João meta medo
Nem que lhe tire o balão.
E os dois podem brindar
A cidade património
Para bem se festejar
Com citadino e campónio.
Só as flores nas lanternas
Estão felizes por agora
E as "cadeiras" têm as pernas
A jeito de ir embora.
Façam tudo por gastar
Aquilo que nem sobeja...
Hoje estou só a brincar,
De trombas ninguém se veja!
Rosa Silva ("Azoriana")

A uma imagem toureira (do 63 do RB, nos Biscoitos, foto de André Monteiro

Brava gente da Terceira
Na destreza pioneira
Garantia de primor.
Olé! Olé! Brava gente,
Com a certeza que é,
Um passo tido de frente
E um guarda-sol - OLÉ!
"Boa corda" assim se diz,
Do toiro sessenta e três,
Da ganadeira feliz
Pela bravura da rês.
Que a honra lhe seja feita,
E ao povo aficionado,
Quem ama já se sujeita
A ser também muito amado.
Rosa Silva ("Azoriana")

Obrigada, Fernando Pavão!

 

Meu vizinho surpreende
Nesta hora e minuto
E "A Rosa" ora se rende
À imagem que disfruto.
Será sempre e mesmo assim
Em São Carlos e da Serreta
Que bendigo até ao fim
Pela arte branca e preta.

Rosa Silva ("Azoriana")

Leva tempo temperando

 *

Leva tempo temperando
A maneira de viver
Não se sabe é até quando
Se irá sobreviver.
**
A verdade vem à tona
Em tudo o que se diz;
Tal e qual como acetona
Quando nos limpa o verniz.
***
Não se faça vista grossa
Ao valor de um aprendiz
Porque um dia talvez possa
Ser maior que a matriz.
****
E à solta vou rimando
Debaixo de chuva quente
Também não sei até quando
Rimarei daqui p'ra frente.
*****
De um sonho despertei
Com vontade de chorar
A verdade é que não sei
Se o posso partilhar.
******
Do sonho tenho a noção:
Interessa a quem escreve;
E d'Ela tiro a lição:
Por Amor nada se deve!
*******
Rosa Silva ("Azoriana")
* Há uma Estrela...

Olhar de âncora

Estou ancorada à vista
Que te admira como a ilha
Na meiguice da partilha
Quando se faz de artista.
E artista também és
No cartaz da tentação
Do desenho onde a mão
Vai da proa ao convés.
Vejo iates no teu ser,
Em mar lento do viver
És âncora onde retenho...
O olhar maravilhado
Que retorna ao passado
E no presente não tenho.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: dedicado a uma pessoa que gosto muito por toda a sua veia artística.

Para Daniela Santos (Graciosa): Vista do mar

Coroada d'esperança
No olhar que a venera;
Como é linda de se ver
A ilha que pode ser
O luar que não se altera.
É a ilha que conquista
A face de uma revista
De cartaz açoriano;
É vê-la sempre à janela,
E na silhueta bela
O verão de cada ano.
Na auspícia certeza
Graciosa é lembrada
Na cratera à portuguesa
Há redondel de tourada.
E o brinde do cenário
Que se dá a toda a gente
Pode mesmo ser diário
Na pinguinha d'aguardente.
Rosa Silva ("Azoriana")

Espairecer na rua

Ao fim de oito dias, eis que já me apetece espairecer na rua. A tosse não me deixava consolar debaixo do meu improvisado telheiro que, ainda, espera a intervenção de alguém que o refaça a jeito de aguentar ventos, chuvas, sol e pasmaceira.
Entretanto, e, enquanto se espera a "tourada de sofá", vou dando ideias para me ajudar neste sábado de "pasmaceira". Não quero mesmo forçar a fazer o que está mais que provado que não posso fazer.
Tenho uma imensa pena de querer e não puder. Está na vez de também repousar o juízo. Este é que insiste em mandar-me para a monda do quintal...
Que ninguém hoje se veja
Na cena da depressão
Só a vida se festeja
Quando ainda há noção.
E também ninguém esteja
Em jejum, sem refeição;
Quem tudo pensa e deseja
Pode nunca ver então.
Bem-haja quem se contenta,
Com pouco de quase tudo
Entre os sete e os setenta...
Bem-haja quem sabe ser,
E mostra que ser sortudo,
Floresce no bem-querer.
Rosa Silva ("Azoriana")