Ei-la, rosa madura, lavada pela chuva noturna


Quero as pétalas esculpidas,
Na vitrina da lembrança,
Enquanto não forem caídas,
No chão e foz da bonança.

Quero-te ver minha flor,
Cujo nome me adocica,
Um infinito amor,
Por quem e depois me fica.

Minha flor, rosa madura,
Que vejo sempre contente,
Lavada de água dura
Na noite que fez corrente.

No lugar já não estás,
Porque o tempo não perdoa,
Somente em nome é capaz
De se dar a uma pessoa.

Rosa Silva ("Azoriana")

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