Cais de lirismo

Teu cais é de vela cheia
Na festa ocasional,
E a marina se recheia
De ternura em areal.
O teu rosto é de mar,
Que festeja o casario,
E sorri só de olhar,
Tanto povo que ali viu.
Porto de Pipas é airoso,
Perfuma o sul da ilha,
Foi de rotas majestoso,
Carpinteiro, vento à quilha.
Coroada de maresia,
Com afagos de lirismo,
É altar de poesia
Nossa Angra do Heroísmo.
Rosa Silva ("Azoriana")

Bordado de rimas

'Inda temo de te ver
Poesia descalçada
Com um dos pés a bater
Na solidez da calçada.
É que os meus já não batem
Como batiam outrora
Espero que não os atem
Como ando atada agora.
Só não ato a poesia,
Que me faz contentamento,
Dá-me tanta alegria
Mesmo que quebre em talento.
O talento, meus amores,
É um dom tão natural,
Que só manca de valores,
Se for artificial.
Bordado de inteligência,
Anda o povo em geral,
Mas não precisa ciência,
Pró estilo natural.
E agora termino em par,
As quadras que já sabeis,
É ao jeito popular,
E basta que sejam seis.
Rosa Silva ("Azoriana")

União de Dores (Quando Angra se reviu na Venezuela)

Angra!
Já te vi toda caída,
Minha cidade, sem ombros,
E de fissuras vestida,
A recortar os escombros.
Já te vi engalanada,
Divertida desde maio,
De balões te vi bordada,
E de bordão já ensaio.
E agora quando vejo,
Tanta coisa a lembrar dela,
Apetece-me e desejo
Não ver a Venezuela.
Tanto escombro sepultando,
Pessoas e animais,
E também ressuscitando,
Para chorar ainda mais.
Pedra e pó em noite dura,
Que nem o dia repara,
E quanto mais se apura,
Mais a dor se torna rara.
Ó Bom Deus estás aí?
Sei que estás em toda a parte.
Dá o que nos deste aqui...
Coragem para chamar-Te,
Força e fé ninguém descarte.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: As imagens da tragédia na Venezuela despertaram em mim a memória do sismo de 1 de janeiro de 1980 e da devastação que testemunhei na Ilha Terceira.

In Maré de Poesia. 15/06/2026. Jornal da Praia, página 13

 


Reparte a "Estrelinha"

 

Venho cá para dizer
Antes q'a Festa acabe:
A vida é para viver
O invés não se sabe.
De tudo que acontece
Quando menos se espera
Porém ninguém merece
Uma dor tão severa.
Olhai Cristo, olhai!
Por quem sofre agora
Na dor que sobressai
Por esse mundo fora.
Perante grande dor,
Há a verde esperança,
Com o rubro fulgor
Nossa Bola 'inda avança.
Agora justo aviso
A quem vive na terra
Que se volte o juízo
Aos ares de uma serra.
Nada mesmo resolve,
Suplício do fim,
Viverá quem se envolve
À Mãe no camarim.
Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: "Estrelinha" = Senhora dos Milagres.

Oferta à Terceira Plus (lembrete para 26/06/2026 e para setembro)

Junho e setembro
Bela Serreta é ainda
O nosso lar preferido
Toda a gente é bem-vinda
E tem a Mãe no sentido.
Na Serreta já se nota
Entusiasmo geral
Além de ser patriota,
É um Altar mundial.
E a Mãe da freguesia
Convida quem quiser ir
Ver o sol que fantasia
O horizonte ao partir.
Sintam-se bem à-vontade
No pulmão da nossa ilha
Na Mata e Sociedade
Há sempre a sã partilha.
Viva e vive com esperança
Aproveita o que há agora
Crê com toda a confiança
Na Virgem Nossa Senhora.
Segue o rumo dos teus passos,
À Festa que bem me lembro,
Só de olhar te dou abraços
E abraço o meu setembro.
Rosa Silva ("Azoriana")

Bela tripla

São João foi desta vez
Belamente ornamentado
A novidade que ora vês
Penso não gostar de mim
A dama de cor-de-rosa,
É linda mesmo assim
E se mostra gloriosa.
Outra dama não conheço
Tem perfil pró festival
Desde já lhe dou apreço
Dá carinho em geral.
Pena não ter ido à rua
Pena já não ser menina
Mas a vida continua...
Viva a Festa Sanjoanina!
Rosa Silva ("Azoriana")

Sanjoaninas e as brincadeiras

Já se sabe, já se sabe
Que a Festa é mesmo assim,
A S. João também cabe
Insufláveis e carroceis,
Fazem rir a criançada,
Sem sapatos, sem anéis,
Com S. João à entrada.
Vira, vira! É só virar,
Cambalhota, pula, pula,
Cada um no seu lugar
Sua sorte manípula.
Há meninos e meninas
Que amam os festivais
E as nossas Sanjoaninas
São Festas que gostam mais.
Rosa Silva ("Azoriana")

Histórico lembrete para memória futura (PB)

Eu tenho cá para mim
E penso não estar errada
Que pior que ser ruim
É de ruim não ter nada.
No meio do desespero
A ira também avança
E só pára se o tempero
Traz o gosto da bonança.
Eu não dou parte de fraca
Quando alguém me atropela
E então se o mal ataca
Comigo tenha cautela.
Até sou mulher de fé
E a fé muito me fala...
Mas se alguém ruim é
Também a mim não me cala.
Rosa Silva ("Azoriana")

A nossa Presidente

Linda flor de humanismo
Que brilha a comemorar
Em Angra do Heroísmo
Onde quis sempre morar.
Linda graça em dinamismo
Uma joia insular
Aceite o meu lirismo
Nesta forma de rimar.
E as palmas sejam dadas
Com as mãos unas içadas
Neste Dia e outros mais.
É eis a realidade:
Musa de versos jograis.
Rosa Silva ("Azoriana")

O mar a teus pés

O mar a teus pés com a neblina de junho, de santos populares, de parênteses curvos ou colchetes, de marés e ondas insulares, de cerimónias e festivais, de cores e amores.
A ilha Terceira, Açores,
Está hoje mais feliz,
Ignorando as suas dores,
Honrando a sua matriz.
Meio século d'Autonomia,
Nos ares das Regiões,
É festa também no Dia,
Do grã poeta Camões.
E eu que faço por ti,
Ó minha pátria querida?
Tão linda hoje te vi
Grata por me dares vida.
E o mar hoje a teus pés,
- Serena insularidade -
Não serás mais do que és,
Somente serás saudade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: os pés [teus, meus, nossos] que tanto chão palmilharam, são o suporte de tantas vidas de coragem, trabalho e valor a longo prazo.
O que será de nós doravante sem pés firmes no chão da existência?

Viva, viva! 10 de Junho, de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Na ilha Terceira, Açores,
Grandiosa cerimónia,
Um marco na nossa História,
Honra, glória e louvores.
Granjeando mais valores
Na segura trajetória
Fortificando a memória
Dos grandes povoadores.
António J. Seguro [☆],
Presidente que visita
A festiva ilha bonita...
É um Dia com futuro,
Junta nove e dez de junho,
Solene é seu testemunho.
Rosa Silva ("Azoriana")
[☆] Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa.

Brava alegria (in "Gabriela Cultura e Tradições")

Se atribuíssem prémios
À coragem dos capinhas
Eu sugeria os gémeos
Conhecidos "Manteiguinhas".
Todos merecem respeito
No exercer da função
Porque a fazem de bom jeito
E merecem gratidão.
Lilás ilha é pioneira
A que junta multidões
No coro de - Olé Toureira!
Não me privo de aplaudir
Os envolvidos na festa
Fazem tudo por conseguir
Brava alegria como esta.
Rosa Silva ("Azoriana")

Boa Nova (in Maré de Poesia)

Agora sim
Está Maria tão bela
No seu jardim
Que as flores vão ao peito
Na mão direita é perfeito.
Ida e volta
É perfumada
E a lágrima que se solta
Seja na flor pousada.
Agora eu sei
Que de alva Flor
Eu A sonhei
E A encontrei.
Só por Amor!
Mãe do Senhor
Aleluia! Aleluia!
Rosa Silva ("Azoriana")

MIRANAS (as bonecas com arte de Ana Maria, altarense, da ilha Terceira)

De 6 [7] de março a inspiração surgia. A 6 de junho [7] a MABO toma lugar no quarto [rosa]. Os seus brincos - pérolas do amanhecer, destacam-se do colorido escarlate e maçãs do rostinho de olhar pontilhado.
Há um pormenor [importante] de marca, na roda do vestidinho:

Miranas
♡ ♡
São as [Miranas] do Amor
Que se tem entrelaçado
Em tudo que é doado
Na conduta do fervor.
A Ana dá bom valor
Ao berço que foi legado
Que tem por significado
O talento promissor.
Ninguém tem o que ela tem
Ninguém faz o que ela faz
No detalhe do sentido.
Em cada corte e costura
Há Amor pela cultura:
[MirANAs] valor querido.
Rosa Silva ("Azoriana")

Eis-me aqui, ó Mãe dos Homens e do Amor...

Eis-me aqui, ó Mãe dos Homens e do Amor. Tua Luz nos salva. Salve Mãe [Mira]culosa! Dai ao Mundo esperança. Faz-nos ter a inocência [suprema] de criança, que sorri ao ver o Teu raminho de laranjeira na mão direita e o Filho muito Amado junto ao coração...

Louvada seja!

Cada linha e cada peça
É retalho da promessa
Do Povo que n'Ela crê.
Cada flor que não avança,
Para não lesar o belo
É no Dia da Criança
O retábulo singelo.
Adoro a nova vista
Que tanto valor conquista
E imensa gratidão.
Seja Louvada a Senhora,
Dos Milagres, a toda hora,
Aqui e além da Região.
Rosa Silva ("Azoriana")