União de Dores (Quando Angra se reviu na Venezuela)

Angra!
Já te vi toda caída,
Minha cidade, sem ombros,
E de fissuras vestida,
A recortar os escombros.
Já te vi engalanada,
Divertida desde maio,
De balões te vi bordada,
E de bordão já ensaio.
E agora quando vejo,
Tanta coisa a lembrar dela,
Apetece-me e desejo
Não ver a Venezuela.
Tanto escombro sepultando,
Pessoas e animais,
E também ressuscitando,
Para chorar ainda mais.
Pedra e pó em noite dura,
Que nem o dia repara,
E quanto mais se apura,
Mais a dor se torna rara.
Ó Bom Deus estás aí?
Sei que estás em toda a parte.
Dá o que nos deste aqui...
Coragem para chamar-Te,
Força e fé ninguém descarte.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: As imagens da tragédia na Venezuela despertaram em mim a memória do sismo de 1 de janeiro de 1980 e da devastação que testemunhei na Ilha Terceira.

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