A Serreta é...

O Verão do Mar,
Sorriso da Terra,
Amizade em par
Que em nós aterra.
É Serra pequena,
O Luar de Ouro,
A Santa patena
Nosso ancoradouro.
Hóstia de Esperança,
Lato Santuário,
E desde criança,
Meu abecedário.
É Corpo e é Alma,
Vista do Sacrário,
Onde a nossa calma
Tem o relicário. (*)
Ó Serreta linda,
Meu berço natal,
E será que ainda
Pode ser igual?!
Se um dia voltar
Sem qualquer mistério,
Seja para fixar
Lápide e império.
Rosa Silva ("Azoriana")

Minhas Flores, meus Amores (Flor V)

Eu gosto é do quintal
Da natureza em geral
Menos do que desconforta.
Prefiro falar a sós
Sem estrelas e sem nós
A trancar a minha porta.
O desconforto atual
Bem longe do meu quintal
Apodera-se do povo:
Uns cramam sem ter razão
Outros são nem sim ou não
E nada dizem de novo.
Na catedral de uma vida
Com mais horas deprimida
Vai-se coroando a fé
Pena que o horizonte
Seja chumbo naquele Monte
Encobrindo a maré.
Vamos levantar cabeça
Antes que algo aconteça
E nos vire ao contrário...
Seja feita a Sua vontade
Que por mim só a metade
Faz tecer o meu rosário.
Rosa Silva ("Azoriana")

Tecido do olhar

É fácil amar o sol
E o que a vida tem
E nem precisa anzol
Para se pescar o bem.
O bem é tão natural
Que se preza à boa vista
Quer dentro quer no quintal
Cada qual o seu conquista.
Tão pouco precisa a verve
Nos dias de sol desperto
E o pouco que se observe
Mantém o gosto em aberto.
E tu que gostas de ver
A vida estranha de ilhéu
Aprecia o que é viver
Na terra que é meu céu.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: mesmo que pobreta que eu seja alegreta para rimar à minha maneira na bonita ilha Terceira. E tu conheces a ilha que está quase taurina a 100%. Falta só amanhã [quinta-feira], ou melhor dizer sexta porque a sexta-feira calha feriado.
🙂
Melhor que isto só rebuçados de mentol (detesto mentol).

"In vitro"

Mesmo que em vidro criada
A princesa dona espada
Prova que vai dando nós
E a raiz é bem veloz.
Como eu lhe dei a luz
A água é que lhe reluz
Até ser uma donzela
Na terra que é lugar dela.
E também leva uma rosa
Artificial e bondosa.
É linda a natureza
Em detalhes com beleza
E todo o Amor que tenho
Em compor algo estranho.
Rosa Silva ("Azoriana")

Espelho de Liberdade

Feliz de quem viveu o 25 que agora inverte 52. O espelho do número acontece apenas uma vez. Quem estava em 74 e está em 26 é...
Espelho de Liberdade
Quem vos viu e quem vos vê
Celebra a Comunidade
O Cravo da Liberdade
Merece quem nele crê.
Não se acomode à mercê
Quer no campo ou cidade
Venha com frontalidade
Porque o Cravo é você.
Liberdade tem civismo
Militar de heroísmo
Que espelha a sua voz.
<<Grândola, vila morena>>
A senha que vem à cena
E se espelha hoje em nós.
25 de abril de 2026
52 cravos em vinte e seis.
Rosa Silva ("Azoriana")

Minhas Flores, meus Amores (Flor III)

Chove copiosamente
Pingo grado amiúde
Para molhar docemente
A nossa boa atitude.
Se lavasse a nossa mente
Tirando a negritude
Talvez fosse diligente
Também com a juventude.
Os jovens estão numa era
Que se diz de primavera
Da ciência e do valor.
Pena que até uns dos meus
Não veneram tanto O Deus
Que nos dá Águas de Amor.
Rosa Silva ("Azoriana")

Minhas Flores, meus Amores (Flor IV)

Se não fosse a grande fé
Que conduz a minha vida
Não estaria hoje de pé
Nem um tanto deprimida.
Se não fosse o altruísmo
Que conduz nossas marés
Não teria mais lirismo
Para versos nem invés.
Hoje ergo a QUINTA-FEIRA (*)
Com tristeza quanto baste
Porque nem na algibeira
Há bandeira que se haste.
O trabalho é meu sustento
Minha hora do sorriso...
De resto o ar "miravento "
P'ra beijar meu improviso.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: (*) visita passageira de duas personagens de pouca estadia.

Minhas Flores, meus Amores (Flor I)

Há quem gosta de rezar
Com Amor e Devoção
Só é pena se ficar
Rendidos à refeição.
Não é feia cada mesa
Com coisas apelativas
Mas depois tenho a certeza
Que nascem as "águas-vivas".
Que fazer à nossa ilha
Que em festa se apruma
Ser feliz pela partilha
Sem que a cantiga suma.
Não estou a criticar
Livre-me a Santa Maria!
Tenho os olhos a salpicar
De ver tanta iguaria.
Perdoem a minha reza
Que na rima já se ajeita,
A oração não nos lesa
Só a porta fica estreita.
Até se fosse cantar,
Promissor seria o Terço,
Não ia para encantar
Só dar honras ao seu Berço.
Rosa Silva ("Azoriana")

Minhas Flores, meus Amores (Flor II)

"Quero ajudar, aquele que precisa,"
É um verso teu que li
E da mente me desliza
Um pensamento aqui.
Quem será que me ajuda
Depois de tanto ajudar?
Nem suponho que me acuda
Os que tinham de tratar.
Não se pense que os filhos
São feitos para ajudar
Cada qual segue os trilhos
Como eu fui batalhar.
Mas agora com idade
Do querer e não puder
Como enfrento a metade
Do que tenho para fazer?
Quero jovens ao redor,
Ao magote, em conjunto,
Para me sentir melhor
E resolver tanto assunto.
A terra é que nos cria,
A água e que nos salva,
A primeira só é fria
Quando nos cobre a calva.
Perdão te peço agora
Pelo que eu debulhei
Valha-me Nossa Senhora
Com quem eu sempre andei.
E em par os versos meus
Coroados de maresia
Seja plo Amor de Deus
O conforto da poesia.
Rosa Silva ("Azoriana")

Esfalfada

Esfalfei-me a trabalhar
Para ter tudo ao meu jeito
Que pode nem ser perfeito
Venha outro se melhorar.
Cada qual faz como pode
Ora faz ora destrói
Não há quem seja herói
Se não faz ou se acomode.
Sou feliz na natureza,
Entre verdes a meus pés
E as sombras em revés
Também têm sua beleza.
Mas o mar e seu bailado
Faz-me falta se não vejo
Sobre mim arde o desejo
De um teto mais azulado.
Rosa Silva ("Azoriana")

Se fosse "vivo" no SAPO Blogs tinha feito ontem - 09/04/2026 - 22 anos de escrita, ao sabor da inspiração.

Já não há tanta euforia
Como aquela que havia
Ao passar pra novo ano;
Um blogue eu fiz nascer
Para depois o mover
No encalce de outro plano.
O SAPO nos disse "adeus".
Tantos dos clientes seus
Fizeram a migração...
Mas para vos ser sincera
Foi como se a primavera
Fugisse da estação.
Minha estação preferida
Que gosto me deu à vida
E me fez primaveril:
De Mentira não me fez
Verdade mais que uma vez
No primeiro de abril.
O sonho bem se cumpriu
No real também se viu
Fruto da insularidade:
Um livro ficou gravado
Do seu nome figurado
- Serreta na intimidade!
Toda a rima que figura
É minha, de musa pura,
Que me passou o talento;
Se viva pudesse ser
Muito havia de dizer
Da "Cidália Miravento".
Da alcunha ("Azoriana")
Que assina a gincana
De Amor apetecida.
O valor nem vem ao caso
Que se dê só no ocaso
Numa lágrima caída.
Rosa Silva ("Azoriana")
Beijos e abraços a quem me segue e gosta do que escrevo.

Esperança

Espero o dia raiar
Na aurora do meu ser
Para poder partilhar
A alegria de viver.
Sim! Ela de novo irmana
O dia que é vespertino,
Na Alegria da Semana
Do Bendito Ser Divino.
Que todos tenham a sorte
De viver tal Alegria,
Ganhemos da Santa Morte
A Luz ao Terceiro dia.
Que se queira o Perdão,
E que seja eficaz...
Alegre a Ressurreição
No efeito que nos faz!
Rosa Silva ("Azoriana")
Desejo aos familiares, amigos e a quem de mim lembrar - Santa e Feliz Páscoa!
Abraços e Beijos com um sorriso amistoso.

Boa e Santa Páscoa, com...

Poema de pão caseiro
É túnica de alvo cheiro
É coroa sem ser rei
Que na côdea encontrei.
É discreto no favado,
Visto ser bem amassado;
É abundante de força,
Que nada sequer o torça.
É seio de ingredientes
Toque leve de bons dentes;
É paraíso secreto
Quando feito com afeto.
É reino de um trinado
Com Cristo Ressuscitado...
Seu brado solta, sem vento -
Sessenta e dois - tem fermento.
Rosa Silva ("Azoriana")
Em Sábado Santo.

Da Quinta Estação

Meu Amor Por Ti é Tanto
Que De Tanto Se Ofendeu
Lembrando Do Pouco Franco
O Simão Que é Cirineu.
Quando a Partilha da Dor
Ajuda No Sofrimento
É Onde Nasce o Amor
Do São Acompanhamento.
Quando Se Pode Ajudar
A Servir a Deus [Jesus],
É Pecado a Duplicar
Não Abraçar Nossa Cruz.
Se o Simão De Cirene,
Fosse à Líbia [Insegura],
Sua Ajuda Era Perene
Menor Que a Da Escritura.
É Na Quinta Estação,
Que Ajuda é Permitida,
Na Vida De Um Cristão
Com a Fé Ela é Mantida.
Hoje Quem Ama Jesus,
Sem Gólgota [Sem Calvário],
Padece Sem Ver a Luz,
Que Se Fixa No Sacrário.
Rosa Silva ("Azoriana")

No cabo há Festa?!

Isso é que era uma festa
Por cá há essa mania
Agora falta o que resta:
Um de cada ganadaria.
E o Ivo Silva a cantar
Com as duas bailarinas
E o Povo todo a dançar
Na estrada vendo as ravinas.
A Emily do Raminho
Fazia também um concerto
Uma canada de vinho
Ao baile dava o acerto.
Em cada ponta um cabaz
Com doces e iguarias
Uma donzela e um rapaz
A fazer troco às quantias.
O Fado e a Cantoria,
E o verde caldo à justa,
Ao cabo da freguesia
A festa já muito custa.
Dito assim não tem graça
Quer ver-se ao natural,
Ressuscite tudo o que faça
Lembrar poeta imortal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: qualquer semelhança com brincadeira é pura coincidência. Apeteceu-me seguir a onda de Jorge Soares . Há que louvar os trabalhadores que estiveram ao sol e chuva com tamanha obra.