Só quem está vivo é que morre

Já sei o que vão dizer
Logo mesmo de fachada
Tens a cabeça a ferver
De novo não dizes nada.
Nada mais real e profundo
Nem adianta se iludir
E quem vem a este mundo
Um dia vai ter que ir.
Nada serve de consolo
Quando chega a dita hora
A muitos causará dolo
Porque custa ir embora.
E quando a vida é bem curta
E se gozada com gosto
Nossa alegria até furta
E deixa o crente indisposto.
Antes que tal aconteça
Molda bem teu coração
A mente não desfaleça
Antes de pedir perdão.
Há o tempo do rigor
Há o tempo que não tens
Digo agora com vigor:
A morte deixa reféns.
Rosa Silva ("Azoriana")

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