Coração ao vento

São Carlos


I
Alargo a vista aos ares
Pergunto pelas maresias
Que começam nos Altares
E vão pelas freguesias.
II
Escuto a voz do vento,
Que me segreda aventura,
E agarro no talento
Para nova escritura.
III
Salvo a pele de queimar,
Como brasa de feitiço:
Longe do Sol e do Mar,
Vou traçando bom serviço.
IV
Largo o coração ao vento,
Como voo de poema,
Sem que tenha o fermento
Para cozinhar o tema.
V
Mas a vida é mesmo assim,
Uma ciranda completa;
E faço do meu jardim,
Uma flor, alva, poeta.
VI
O lírio também é alvo,
E cresce na linda Mata,
Se ainda está a salvo
Fica a natureza grata.
VII
Meu amor! Tu vem comigo,
Dá-me a tua redondilha,
Que tem o coro amigo,
Que tem a doce partilha.
VIII
Doce é a madre em tela,
Agridoce o meu ser,
Viajo pela janela
Que tudo pode saber...
IX
Mas não conto tudo, tudo,
Porque tudo vira nada...
Só deixo mais conteúdo
Para um dia ser lembrada.
X
Lembrada pelo que fiz,
Sem tempo de fazer mais,
Quem será a mais feliz?
Quem nunca escreveu "ais"?

Rosa Silva ("Azoriana")

E brilha ao Sol

É comum o sol brindar
Nossas torres citadinas
Uma cortina a brilhar
Coroando as colinas
Tendo a Mãe o seu altar
Beijado pelas matinas.

Angra é moça de encanto
Vestida de flores belas
Numa saia de espanto
Colete de aguarelas
Sempre viva e sem pranto
No beirado das janelas.

Angra de sol radiante
Perdida em flores lilases
Cativa o mais distante
E outros que são capazes
De ver que seu diamante
Está nas festas audazes.

Viva a terra renascida
Candelabro natural
Tenhas mui anos de vida
Terceira, de Portugal,
De Angra és tão querida,
E da Praia por igual.

Rosa Silva ("Azoriana")

Primeiro girassol (na minha residência)

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Agosto celebra a gosto
As toadas do calor
Pra que fique bem disposto
O trabalho de valor.

Por mim, estou sempre alerta,
[Nem de férias, nem ausente],
Fico com a porta aberta
Pró que venha de urgente.

Hoje a vida é um canudo,
Um elemento numérico,
Praticamente quase tudo
É tomado pelo elétrico.

Se faltar alguma via,
Daquelas que agora temos,
Fere-se a tecnologia,
Quem sabe?! Desaparecemos!

Só não me desapareceu
O primeiro girassol:
Da semente, a terra deu,
Pra louvar chave de Sol.

Rosa Silva ("Azoriana")

O princípio do frenesim

Quando começam os ares de vento a tocar-nos a pele corada pelo astro rei, o movimento dos "quase" últimos arraiais, começa em mim também o frenesim para os tons e cores serretenses. É como que um pré-anúncio do ir, com o "taleigo" de roupas, calçado e afins, para onde se tem a bondade parental de nos acolher, sem mesmo cá estar ou com a descendência para lá do atlântico... Começo a pensar que a alegria de voltar à casa-mãe, dos Milagres e dos cânticos, das flores e das cores vivas, é uma nova meta, para quem esteve na eminência da partida. E, se ainda, por cá estou, é para seguir a trabalhar por Nossa Senhora, seja de que maneira for (com ou sem ajuda humana). Com isto tudo, haverá alguém disposto a estar em operação renovação comigo, à laia de "caridade"?!

Acho que sei quem dirá Sim! - a minha Mãe!


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Rosa Silva ("Azoriana")

A Estrela dos Milagres e o Rosário

Vem ó Mãe da Alegria
Trazer Paz a este mundo:
Ao enfermo e moribundo,
Quem te louva: Avé Maria!

Vem ó Mãe da Oração
Trazer saúde e conforto,
O navio ao bom porto,
A força do Teu Perdão.

Refrão:
Nossa Senhora bendita,
E por todos muito amada,
A Nossa Mãe favorita
Pelos dedos tão rezada.
Teu Rosário do Cristão,
Belas continhas douradas,
Tem a e sempre à mão,
As flores que te são dadas.
Virgem pura e cristalina,
Da voz, em coro da ilha,
Que comunga e partilha
A Santa Graça divina.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Com inspiração em Miguel Branco, Margarida Sousa e as jovens do Porto Judeu, amigos de Beatriz Costa.

São Brás, glorioso!

Dizem os povos antigos
Que São Brás é padroeiro
E o santo curandeiro
Da garganta e seus perigos.

Com duas velas cruzadas,
Abençoa a garganta
E ficam logo curadas
As maleitas de dor tanta.

Quem tem tal mal amiúde
Sabe bem o que é a dor...
Portanto, haja saúde,
Seja lá para quem for.

São Brás da ilha Terceira,
Freguesia da nossa Praia,
Dê a benção à ilha inteira,
E a quem na doença caia.

A virtude do Amor,
Seja dita em oração,
Para que junto do Senhor,
Chegue a nossa ovação.

Salve, Salve, glorioso,
Dá a voz para cantar,
Ou mesmo para declamar,
O teu dia venturoso.

Rosa Silva ("Azoriana")

A surpresa

Há palavras que abraçam
A surpresa dos sentidos
Que mais sorrisos nos caçam
Quando parecem perdidos.

Estava eu tão sossegada
Na paisagem tão cortês
Quando me vi alertada
Para o que escrevo a vocês.

E o canto veio logo
Como que numa magia
E à minha Santa rogo
Pelo dom que contagia.

Sei que é chegada a hora
Do trabalho habitual
Render-me a Nossa Senhora
Que me guia sem igual.

E vai guiar outra gente
Que reluz na sua voz
Que pode louvar de frente
Com canto lindo e veloz.

Miguel Branco com efeito,
Humorista e tocador,
Conheci e tem bom jeito
Pra fazer seja o que for.

Rosa Silva ("Azoriana")

Entre Céu e mar...

Momentos lembrados

Ou para recordar

São hoje gravados

Em Terra de amar

Nos copos brindados

Entre o Céu e o mar.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Coração de poesia

Que reluzente é o céu
No azul escurecido:
Na descida de um véu
Pelo mar adormecido.

Natural a zona branda
De um campo, em funil,
Escura, e quem a manda
Nem se vê nesse perfil.

Era agosto, sei que era,
Vermelha-se o horizonte,
Nessa hora, quem me dera,
Quedar-me, ali, defronte.

Foram anos, meses, dias,
Na ternura de um painel,
Que me trouxe alegrias,
A saída foi meu fel.

A volta a esse estrado,
De calma e paraíso,
Só para ficar ao lado,
De quem me fez improviso.

Deixa estar, nada se faz,
Com o apelo invulgar...
Há de haver alguém capaz
De lá me querer plantar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pela alma de Álamo Oliveira (o evento poético on-line)

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August 21, 2025
10 a.m. (PDT)
Alfred Lewis Reading Series XI Program
OPENING:

Alfred Lewis:
“Summer Mood/Toque de Verão” - Aguarelas Florentinas e outras Poesias. Angra do Heroísmo, Azores, 1986. Translated by RoseAngelina Baptista.

Gabriela Silva:
“I love Álamo de Oliveira” Texto Inédito.

São Gonçalves:
“Novas Rotas/New Paths.” Poema Inédito. “Expatriados/The Exiled.” A Luz em Nenhum Lugar se Extingue. Oxalá Editora. Alemanha, 2024. “Escrever/To Write.” A Luz em Nenhum Lugar se Extingue. Oxalá Editora. Alemanha, 2024. Translated by Rose Angelina Baptista and Millicent Borges Accardi.

Rosa Silva:
“Re[aberto] pelo Sonho / Re[open] for the Dream.” Poema Inédito “Um pássaro de anil/ An indigo bird.” Filamentos, California, 2025. Traduzido por Diniz Borges “Álamo de Oliveira ☆75 anos ☆ / Álamo de Oliveira ☆ 75 years old ☆.”Rosa Silva's blog, 2020, Azores.

Diniz Borges:
A Tribute to Álamo Oliveira poema-flor-e-flores / poem-flower-and-flowers extra / extra Through the Walls of Solitude. Álamo Oliveira, translated by Diniz Borges. Letras Lavadas Edições/Bruma Publications, 2023. Bok nominated for the California Translation Award in Poetry at the 43rd Northern California Book Awards in 2024.

Rose Angelina Baptista:
“Álamo Vive na Florida/Álamo Lives in Florida.” Traduzido pela autora. Filamentos Arts and Letters of Azorean Diaspora, July 2025.

Não sei porquê (ou até sei)...

... gostei muito de conhecer a Margaret Ficher Pedro e família.


Lembrem-se de mim!

Leva contigo o sonho
Que vieste realizar
O regresso é medonho
Mas tudo podes mirar.

Mira o mar em pensamento
Que canta por noite e dia...
E sustenta novo alento
De voltar com alegria.

Mira a tela deste céu
Que de anil bem nos encanta
Relembra o povo ilhéu
Que por natureza canta.

Mira as fotos uma a uma,
Com festas e fãs a rodos,
Mira tudo que há em suma,
Da ilha que abraça todos.

E de mim não levas nada,
Pouca coisa ou coisa alguma,
Levas escrita rimada
E a lágrima... só uma?!

A lágrima faz saudade,
E a saudade é medonha,
No entanto, a amizade,
Dá-nos graça e é risonha!

Rosa Silva ("Azoriana")

Como te vais? (talvez canção)

Como te vais?
Na canção lenta do dia
Na cantiga posta ao vento
Na paixão com alegria
Na fadiga em desalento.

Como te vais?
Na conversa dita a norte
Na distância que está perto
Na viagem sem transporte
Na toada em rumo certo.

Como te vais?
Na loucura de ser ainda
Nata de rasa montanha
Na veste verde tão linda
Na vista que se desenha.

Como te vais?
Na parte menos amena
Na lua que veste prata
Na rua que já me acena
Na curva de fé tão grata.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dedicado a Claudine Lourenço (Planeta Mulher)

Aguentar-se ao de cima
Dessa água que até rima
Com nosso estado de festas
É mesmo pra consolar
Quem, hoje, sabe nadar,
E nem liga às arestas.

Das arestas, os Biscoitos
Livres de quaisquer introitos,
Ou leis de comparação,
Chamam o povo ao mar,
E também a vindimar
Nesta quente estação.

Depois vem uma saudade
Do recreio e amizade
Que se juntam tão audazes,
A pena é de deixar
O bailado desse mar
E os cestos e cabazes.

Se não me ligares nenhuma,
Escrevo muito, mas em suma,
Vai caindo em cesto roto...
Queria eu encimar
O palco do belo mar
Sem que me toque no goto.

Vivi perto da planície
Onde o campo em calvície
Propicia-nos ao bronze;
Hoje lembro desse vale
E do Baco rendido ao sal
Que antecede o mês onze.

Será jeitoso provar
O que faz o paladar
Surtir um globo efeito...
É o vinho escarlate,
Novo, que no copo bate,
E seduz no tom perfeito.

Rosa Silva ("Azoriana")

Abraços de ilhas (Islands hugs)

Ilha do sol, a primeira,
Seguida da do ananás,
Logo depois a Terceira,
Que da folia é capaz.

Com a ilha da meloa,
Burro anão e da queijada,
À do guerreiro se afeiçoa,
Logo ali, sempre avistada.

Porém, a ilha montanha,
Tem na frente a do veleiro,
Que por azul se desenha,
Na marina o ano inteiro.

Quis Deus que a natureza,
Tivesse bonitas cores,
Fez outr'ilha com beleza,
A cor rosa dos Açores.

Contudo e a mais pequena,
Dos Milagres coroada,
Tem o corvo, negra pena,
Pra lhe dar a pincelada.

Nove botões que se contam,
Sobre as proezas do mar,
E que em verso me despontam
Para ao mundo puder cantar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sabor a mar

Nem sempre fui dama do mar
Nem sempre o vi a dançar...
Ao longe parecia o caminho
À vista onde era meu ninho.

Nem tinha o gosto salgado
Nem queda de mergulhado...
O medo fez-se no ser
Após na agonia me ver...

Mas antes de ser ausência
Na maré desta vivência
Gostava de a ele voltar
Encher-me de peito e mar...

Só Deus sabe do marujo,
Marinheiro, ou outro cujo,
Me faz ser valsa na onda
Que em soluços me ronda...

Rosa Silva ("Azoriana")

Como era linda a minha mãe, Matilde Correia (RIP)

Matilde


Olhar de água marinha
Que no campo teve berço
Para ser minha rainha
E a musa do meu terço.

Sorriso de mansa flor
De alegria aos molhos
No tempo que o Amor
Era o brilho dos seus olhos.

O olhar que transbordou
Para as filhas que bem quis
E nossos olhos bordou
Com o fio da matriz.

Somos tom esverdeado,
Num combinado fiel,
Terra e Mar, por todo o lado,
Coroando nosso papel.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Verde, era a sua cor preferida.

A minha avó materna (Alexandrina de Jesus Cota)

avó materna


Avó!

Só neste patamar da minha vida é que percebo o que sente um coração de avó, no seu verdadeiro bater... Perdoa-me! Perdoa-me, não te ter tratado como devia ter tratado... ou talvez tratei, como uma neta trata quem lhe ensina, prepara e educa para o bem e para o mal. Deste-me tanto de ti e eu que será que te dei?!

Deste-me o colo, as mãos, os olhos de atenção redobrada, choro curado com a calma da tua mansidão, alegria com a tua visita após ter deixado o teu perfume do campo que te guardou para sempre o que de ti já nem resta... apenas a alma.... Seja tudo pela tua Alma de abnegada mulher, seguidora de todos os dogmas e doutrinas.... seguidora dos trabalhos dos antepassados até ao ponto do "nunca mais"...

Avó! Avó! Perdoa-me não te ter dado o último beijo... esse beijo que falta sempre dar e o que mais falta faz em vida...

Tenho uma saudade tremenda de ti, Avó! Por ti, vou ser a avó que tu foste para mim.... Beijos eternos!

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, da ilha Graciosa

Olhar lindo, dor infinda,
Imagem maravilhosa,
Da Fé, que é bem-vinda,
A Santa Cruz da Graciosa.
À sua comunidade
E a quantos O veneram,
Santo Cristo, sei que há de,
Amar o Amor que deram.
Graciosa, a ilha mansa,
Com Cristo a encimar,
É arca da esperança
E a voz de quem rezar.
E do verso não desisto
Para marcar o momento:
Serreta com Santo Cristo
É dádiva que acrescento.
Seja feita Sã vontade,
Na terra como no Céu,
Salve a musicalidade
Da pauta do bom ilhéu.
Há a Mãe que tanto Adora
O Seu Filho Redentor,
Do Altar, onde Ela mora,
Acena com Sua Flor!

Rosa Silva ("Azoriana")

A bailarina

Matilde Ormonde


Matilde, a bailarina,
Princesa que até se diz,
Ao luar e pela matina,
Precisa de ser atriz.

Vestir o rubro talento
Bailando tão assertiva
Há de chegar o momento
De ser no palco ativa.

Quem dera um dia ver
Minha doce bailarina
Mas tudo terá de ser
Conforme o que Deus destina.

Tive eu o mesmo desejo
[Uma veia de atriz]
Que se prolongue o ensejo
Na neta, sorrindo feliz.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao naipe de cantadores!

Para quem gosta e ama
Esta arte lusitana
Há o bom naipe de fama
Da Cantoria Açoriana.

Os ilustres e famosos
Que tudo dão a cantar
Na Praia maravilhosos
Na arte de improvisar.

Viva! Viva! Nossa gente
Nosso Povo salutar
Viva! Viva! Mui contente
Por vos puder saudar.

Mesmo sem estar presente
O meu grito aqui vai:
Sejam daqui para a frente
O naipe que jamais cai.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lembrança constante

Só damos que alguém nos falta
Quando a falta é o que temos
E numa época mais alta
Só lembrar é o que pudemos.

Estando eu mais isolada
Sem que só sequer me veja
Lembro de tanta risada
Do riso que não sobeja.

A minha autenticidade
E a dela, convém fixar,
Era de pura amizade
Linda, livre, exemplar.

Era prima, o parentesco,
Neste lado do planeta,
Que nasceu no tempo fresco
Teve berço na Serreta.

Três filhas a representam,
Na terra de além-mar,
Na certa, ainda, sustentam,
A lembrança de amar.

O Amor sempre reside
No coração de alguém
Que o soletra e divide
Pelos filhos que ora têm.

Minha prima, foi emigrante,
Laur[a]inda, meigo olhar,
A lembrança é a constante,
Mesmo sem dela falar.

[Bom Jesus] hoje proclama
No Pico, festa anual,
E a Mãe que tanto O ama
Na Serreta terá igual...

... a folha da tua rama
A dezanove de agosto
Minha lágrima derrama
No verso hoje exposto.

Ave, ó Ave Maria!
Ave minha e nossas Mães,
Que no Céu haja alegria,
Com o riso que manténs...

Rosa Silva ("Azoriana")

Triste...

Está a morrer quem canta
E quem canta também parte
Mas cedo deixa e levanta
O seu canto em toda a parte.

O cantar ao desafio
É ouro na Região;
E o folclore se uniu
Com as vozes de paixão...
Soube hoje que partiu
Uma voz de coração.

Rosa Silva ("Azoriana")

Poema para Chica Ilhéu, a Francisca do Jorge Gato

Mesmo que eu não te veja
Com franqueza e amiúde
Oxalá que sempre esteja
De bem e boa saúde.
*
Há quem passe pela vida
Com uma dor incessante
Que pensa que é esquecida
Mas não é, nem no instante.
*
Maria Silva, "Chica ilhéu",
Eu faço honra distinta,
Hoje ganhas um troféu,
Ao correr da minha tinta.
*
Tinta de ouro e alfenim,
De maresia e de cores,
De tudo o que vai por mim,
Para além destes Açores.
*
Açores, alma inteira,
De poemas, vasta escrita,
Da Cultura e da Terceira,
E do mundo que nos fita.
*
Amiga me deste a mão,
E continuas a dar,
Para ti, com gratidão,
Vai meu verso de amar.
*
O Amor é querer-bem,
Ter vivo o pensamento,
Mesmo se a gente não tem
O presente em movimento.
*
Quero que sejas feliz
Da maneira que puderes
Sou aquela que te diz:
És dama de bem-me-queres!
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Ao poema de Euclides Cavaco: "Praias de Portugal - Angra do Heroísmo"

São com odes do seu peito
Que luz poema perfeito
A Angra do Heroísmo!
Sinto a grã obrigação
De retornar a gratidão
Ao seu estro de lirismo.
*
Minha alma se consola
Com a rima que assola
Em horas de entusiasmo...
E nesta hora que miro
Ela dá grande suspiro
E ao seu valor até pasmo.
*
Obrigada caro amigo
Que reine sempre consigo
Luz do verso predileto;
Um abraço cordial
E ao seu dom capital
Muito apreço e afeto.
*
Viva Angra, bela cidade,
Em nome da edilidade,
A eterna cortesia:
Venha ver-nos sem demora
E antes de ir embora
A saudade é poesia.
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Até quando?!

Tanta festa que pulula,
Ora aqui, ora acolá,
Fazem do pecado-gula
Tanto que só visto cá.
O dinheiro a esbanjar,
Na comida, em cada mesa,
Que suspeito não vai dar
Pra pagar tanta despesa.
São bebidas tais "loirinhas"
Em caixas de papelão,
Que até as quadras minhas
Dava pra pregar então.
Um barril é muito pouco
Para aquilo que eu vejo
Anda o povo como louco
Bebendo com mais desejo.
E eu que vou vendo isto
Para dizer a verdade
Chega a ponto que não resisto
E bebo em sociedade.
No dia é um requinte
Mata a sede a dobrar
Porém no dia seguinte
A ressaca faz quebrar.
Dou a minha sugestão
Sem que me seja pedida
Bebam água com limão,
E hortelã, fresca bebida.



Rosa Silva ("Azoriana")

Mesmo sem escrita...

Por vezes a letra adormece
Na foz do nosso querer
A rima também padece
Quando teima em não se ver.

O calor ora aparece
Entre a nuvem insegura
Sabe bem quando anoitece
Ou na sombra da frescura.

O descanso é maravilha
No lugar improvisado
Como se a redondilha
Fosse sempre do agrado.

E quando a Praia se presta
A juntar população...
Podem ir todos à Festa
Que daqui não saio não.

Rosa Silva ("Azoriana")

Bom pão salva a refeição!

Neves Ávila coze pão
Nas Fontinhas pioneiro
Aposta que a refeição
É boa o ano inteiro.

Coze com delicadeza
Como fazia a mãe
Para depois ir à mesa
De quem o come também.

À #Praça_do_Gado vai
Ao domingo e bem cedo
Pão e massa bem nos cai
Bem-cozer é o segredo.

Não há nada que se faça
Sem o jeito da pessoa;
É o trigo que dá graça
E o verso bem lhe entoa.

Rosa Silva ("Azoriana")