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Quem...
Quem pela Serreta passa
Tem vontade de voltar
Mesmo que demora faça
Regressa ao que foi seu lar.
Quem de longe também sonhar
Com o berço que o embalou
Pode nem querer voltar
Mas seu nome ali fundou.
Quem na hora da partida
Eleva a Serreta então
Numa palavra sentida
Recebe doce perdão.
O perdão de um ausente
Ao carinho do seu lar
Pode sempre estar presente
Na hora de "suspirar".
Rosa Silva ("Azoriana")
Rima de rosas
Minhas quadras, minhas rosas,
No ramo da inspiração,
São as flores preciosas
Que adornam minha paixão.
Ofereço as mais formosas
A quem estende sua mão
Porque as flores amorosas
São retalhos do coração.
Meu coração está sujeito
A ser ramo imperfeito
De outras flores vividas.
E na certa a melhor flor
Que à ilha dou, com fervor,
Surge nas rimas sentidas.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Nada é comparável à minha amada." - Daniel de Sá
Na imagem: Salão Nobre da SRECC Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura,
na manhã da apresentação de Regulamentos de Prémios a serem atribuídos a candidatos.
Tais Regulamentos serão publicados oportunamente em legislação regional.
A Daniel de Sá ("Palavras")
Quão nobre é o Salão
Que piso sem altivez
Que preza a Educação
E a Cultura duma só vez.
Quão ténue sou eu então
Na curva de fim de mês;
Tenho plena a sensação
Da Ciência que faz os três.
Que linda cada moldura
Retalhos da nossa terra
Presentes de sã cultura.
Meu Deus, o que faço aqui?!
Sou ave que em mim descerra
Uma vontade só por ti...
Rosa Silva ("Azoriana")
Na imagem: D. Maria Alice Rodrigues de Sá e filha (que me deu imenso alegria cumprimentá-las neste dia especial)
No dia da sessão de apresentação do futuro Regulamento
do “Prémio Literário Daniel de Sá”,
do “Prémio de Pintura António Dacosta”
e do “Prémio de Arquitetura Paulo Gouveia”,
nos Paços da Junta Geral, em Angra do Heroísmo,
pelo Exmº Srº Prof. Doutor Luiz Fagundes Duarte, Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura
e pelo Diretor Regional da Cultura.
"Sextilhas na Califórnia" - coletânea de José Fonseca de Sousa
Imagem captada por telemóvel
Título: Sextilhas na Califórnia
Grande Cantoria com MANUEL DOS SANTOS / FERREIRINHA (FILHO)
(Thornton / Califórnia)
1999
Coletânea produzida em 2014
Autor: José Fonseca de Sousa
Capa: Turiscon Editora
É tão bom louvar quem canta
Quer na ilha ou mais além
É de brindar quem levanta
As cantigas de alguém
E com gosto grava tanta
Rima ilhoa p'ra nosso bem.
Começou Ferreirinha-Filho
Seguido de nobre cantador
Dos Altares o seu brilho
De S. Roque o seu tutor
A cantar não fez sarilho
No fim deu o seu valor.
Manuel dos Santos terminou
Abraçando Nossa Senhora
E o colega que cantou
Que é filho do Pai d'outrora
Que dizem o humor fixou
Nascido na Boa-Hora.
José Fonseca de Sousa
Recolheu lindas cantigas
Abraçou a nobre cousa
Oitenta e seis sem intrigas
Por caneta que não repousa
Em dar-nos sextilhas amigas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Um olhinho de sol
O dia amanheceu simpático, colorindo de dourado a ilha e quem por ela circula rumo à labuta diária, seja estudantil ou para dar asas ao trabalho que lhe ocupa as horas alargadas.
O sol parece feliz como que a dar-nos a esperança de vida, a vontade de aguentar o resto da manhã e até chegar os confins da tarde. Oxalá que a lua nos seja também agradável.
“Um olhinho de sol” podia ser o título de algo criativo, alegre e prazeroso. O sol é, e sempre será, o bálsamo dos olhares e do ser, o mesmo que dizer, é a vida em melodia, é a cor que nos brilha entre espaços, ora tingidos de negrume, ora num clarão espertino.
Como será a cantiga com o verso metrificado composto de “Mais um olhinho de sol” veio animar minha alma, veio despertar meu lençol, onde adormeci com calma. “Mais um olhinho de sol” trouxe à ilha esperança, para acrescentar ao rol, um cenário de pujança. “Mais um olhinho de sol” e não precisa mais nada…
O resto é música e música da boa. Imagino-a criada por quem deu vida a “uma alma de pau” :) E a mais não me atrevo…
Rosa Silva (“Azoriana”)
'Tá bem visto mas... (há sempre um "mas")
Vistas bem as coisas como elas são, todos andamos neste mundo e dependemos uns dos outros. Quem manda depende de que lhe dá o comando; quem trabalha depende de ter que fazer; quem recebe depende de ter patrão; quem escreve depende de quem o lê; quem canta depende dos aplausos que porventura receberá no palco ou num terreiro; quem chora depende de quem lhe limpe as lágrimas; quem ri depende de quem lhe conta a graça; quem vive só depende da bondade alheia; quem se levanta cedo (ou tarde) depende da alegria de não ter dito adeus à vida durante a noite…
Depois desta reflexão ponderada ergo o pensamento, outra vez, para uma frase única: quem merece homenagem depende da resposta positiva a uma pergunta que alguém faz a quem de direito - Quero fazer uma homenagem a “fulano” (= diz-se o nome da pessoa ou entidade) e preciso da sua intervenção em todo o processo. [ponto final].
Até que eu podia fazer a tal pergunta ou pedido mas tem um entrave: - Não aceito um “Não” e pronto. Como, na certa, é um “Não” que vou obter porque (e lá vem um rosário de entraves) é mesmo assim, a vida não está para graças nem para dar de graça, ficamos na mesma, cada um no seu canto à espera de alguém lhe bater à porta com a frase que tantos sorrisos traz: - Venho aqui, em nome de [entidade máxima] para o convidar a estar presente numa sessão solene no [diz-se o local, a hora, etc.], onde contamos com a sua prestimosa anuência, bem como da sua família…
É bonito, não é?! Quem não gosta de se lhes prestar a devida atenção e fazer a merecida vénia?! Serão bem poucos aqueles que não gostam que lhe apreciemos os dons que possuem…
Não posso ser mais direta do que isto. Em toda a nossa ilha (e outras) há milhentas celebridades com artes naturais cujo dom foi simplesmente terem nascido com uma capacidade extraordinária. E porque não louvá-la e aplaudi-la, partilhando com o povo o que de melhor se tem no povo?!
E mais não digo porque a pessoa em causa não merece jamais um “Não” mas um “Venha, venha, amigo do que é nosso, da tradição terceirense!”
Rosa Silva ("Azoriana")
O torresmo da agonia
“ (…) O torresmo da agonia, cabia sempre a um dos que seguravam o porco pela parte de trás, em que o que o segurava pelo rabo naquele momento de agonia, sujava-se todo. (…) ”
Fonte: MATANÇAS DE PORCO, ERAM FESTEJOS DE INVERNO (…)
Não é propriamente daquele torresmo que vou escrevinhar hoje e que, também, me fez lembrar das histórias da matança do porco na minha casa nos tempos idos. Atualmente, nem um porco se pode matar no reduto doméstico, sem que venha alguém “condenar” a ação de sobrevivência familiar graças à abundância que a matança de um porco dava. Enfim, mudam-se os tempos, como dizia o outro.
O que quero deixar para “torresmo da agonia” (da atualidade) é o facto de cada vez se trabalhar mais e se receber menos. Não há maneira dos nossos governantes reduzirem o custo de vida e presentearem o trabalho de cada um, para que se possa adquirir os bens e haver algum poder financeiro para todas as compras. Se não fosse a má conversão do escudo para euro em que foi tudo para um patamar duplo no custo, nada desta carência, digo falência, geral estaria a acontecer.
Digam-me lá como se sobrevive se a eletricidade aumenta, se a água aumenta, se os bens alimentares e de consumo aumentam e… o nosso salário mensal leva cortes e mais cortes?!
E ainda por cima vem um elemento, que nem é amigo da nossa autonomia, tentar que fiquemos ainda mais empobrecidos?! Ainda bem que há quem lhe dê juízo e impeça que a bendita (digo maldita) ideia prossiga e infernize o que infernizado está.
Sinceramente, acho que é o desespero local, o desespero da nação e quem sabe se o desespero mundial. Até onde vamos nós? Até quando haverá paz? Juro que receio o que possa advir nos tempos que restam a uma “meia dúzia”, salvo seja, de personagens, ora taciturnos ora boquiabertos de espanto negativo.
Que Deus incuta na mente dos que regem uma experiência: fechar para balanço e abrir com novos preços (mais baixos) e um aumento do «pão-nosso-de-cada-mês». Assim, todos ganhavam porque o poder de compra seria maior e o comércio venderia muito mais, sem ter de ficar “às moscas” ou com a “cartilha dos devedores” a abarrotar.
Pensem nisso, está bem?
E já agora, deixem o pobre cidadão fazer a sua matança de porco no quintal da própria casa, à maneira tradicional, com direito a convidados familiares e amigos numa azáfama feliz o mais possível.
Rosa Silva (“Azoriana”)
2014-01-20 Dia memorável. Ao poeta dos Hinos.
Na sequência da homenagem escrita em artigo anterior, hoje mesmo tive o prazer de fazer uma visita ao Sr. António Mendes, de Santa Bárbara, da ilha Terceira. Não fazia ideia da riqueza cultural em todas as vertentes deste poeta, compositor, ensaiador, com um manancial de cultura impressionante. Fiquei boquiaberta e adorei ouvi-lo declamar os seus versos de memória incomum. Fascinou-me tudo o que vi, ouvi e aprendi em poucos minutos. Nem me apercebi de quanto tempo estive, com meu marido, nesta descoberta tardia. Sabia que ele era autor de bailinhos de Carnaval, etc. mas não me apercebi do valor incalculável deste senhor da rima metrificada. Queria tanto elogiá-lo, homenagiá-lo mas tudo o que eu disser ou fizer é uma gota de água naquele oceano cultural.
A ilha Terceira, sem dúvida alguma, é um berço dourado de inspirações quer a bruma vista os ares quer a lira enfeite os timbres da paixão poética.
Peço que, tal como hoje destaquei esta personalidade barbarense, se faça tudo o que estiver ao nosso alcance para perputuar os vultos da nossa ilha tão querida.
Obrigada de coração ao Sr. António Mendes, caso o seu olhar percorra esta prosa qual sincera dedicatória.
Angra do Heroísmo, 20 de janeiro de 2014.
Rosa Silva ("Azoriana")
Um parenteses para a reflexão
Baú de recordações
Não sou dada a guardar tudo o que o tempo foi deixando de material. Não tenho arcas de madeira com recantos floreados pela habilidade de artesãos experientes, não tenho baús de antepassados onde se guardavam as roupas de cama (mantas, colchas, cobrejões, lençóis bordados, toalhas de linho, roupa íntima e outra de sair às festas e procissões, nem aqueles bordados sob iluminação artificial, sem eletricidade ainda, nem almofadas feitas com a mesma afinação arrendada, nem, tão pouco, tenho o sótão de casa com qualquer divisória de arrumação predileta. Tudo o que possuo se resume a um punhado de recordações (na mente que já guarda pouco) dispersas pelas paredes e nalgumas divisões da casa, ora nalguma gaveta ou prateleira de material de “desenrasca-te se puderes” e sujeitas a tombar com a ameaça saltitante de um gato esperto e/ou outro atrevidote.
Valor sentimental
Não penso que o conteúdo do parágrafo anterior tenha menos valor sentimental que o de tantas pessoas que tiveram e têm “berço de ouro” e “cama qual moldura perfeita” que nem apetece desmanchar para dormir mas simplesmente ficar a admirar a preciosidade.
No fundo, gosto muito das minhas pacatas coisinhas porque em cada uma está o retrato de uma vida, uma dor, uma lágrima, um sorriso, um coração, um esforço laboral, um retalho, sobretudo, uma oração íntima de cada vez que as olho ou toco, como que vendo o meu mundo in [finito] …
Arca da maternidade
De repente, dou por mim numa pausa a pensar: Tenho três filhos (e uma enteada). Queira Deus que sempre os veja, lhes fale, os ouça, até ao finito dos meus dias. Não há arca, nem baú melhor que a arca da maternidade. Ser mãe foi a minha primeira vontade após unir os laços de um matrimónio finito. Não guardei as suas vestes de infância, nem os cadernos das sucessivas passagens de ano, nem aquelas lembranças em dias comemorativos… Guardei na alma e no coração a alegria de ser mãe dos meus «ricos» filhos que, agradeço a Deus, até hoje não me deram motivos para outras arrumações (leia-se preocupações).
Angra do Heroísmo, 20-01-2014,
Rosa Silva (“Azoriana”)
"Desabafo de uma TERCEIRENSE", de autor desconhecido
Recebido por e-mail. Ainda me estou a rir e prevê-se não parar a risada tão cedo :)
“Ei home, pomordês! Tás menente de sabê que gente tola e toiros, paredes altas.
Faz-te descretinho e acaçapa-te p’raí - pára de tecê estepô que tem aí gente c’ma biche e ainda levas a tua galheta.
Na queres ir brincá co’a pombinha p’áreia?
Tu bota sentide e não aformentes aquelas tatonas, todas prezadas mas cheias de esterque, umas mangalhas, valhacas, senão quando mal te aprocatares vais por’í arriba a toque de caixa. Raspa-te!
Ah moço, espera: tua mãe tá mais pairadinha, tá tenteadinha?
Ela andava arrebocida e ouvi dizê qu’ela tava pegada de cabeça…
Nos toiros da Fonte eu vi-la à gaitadaria, por monde daquele toiro que aguindou e deu uma cornada em tê pai, que tava com uma grandecíssima vela – tu sabes c’ma é, na bebas qu’é petróleo –, o desgraçado a levá uma esfrega e ela gaitadaria velha. Ai tal pecade. Passa fora! É preciso ter lata, vergonhas da minha cara. Fiquei consumida. Tu ainda tás namorado co’aquela piquena da boca da canada?
Ela tá preta cma ferruje! A irmã é que é alva de neve.
Eu sei que o pai é um velho caipora que tem dinheiro cma cabelo em cão, mas não é partido p’ra ti.
Ele é um izoneiro - tal home d'esganade -, e ela parece um pau de virar tripas, magra cmum graveto – a mãe é que é um talhão. pechinchim! Tu se casás co’ela vás pená, aquilhe na tem tafulhe.
É feia cm’ó pecade e é daquelas de pelo na venta: ainda te larga umas taponas nos beiços.
Na te cases, padaço de tolo. Antes cagá um pé tode.
Agora vou-me maneá p’ra casa, à conta de Nosso Senhô, que está frio c’ma burro e a modos que vêm aí aguaceira grossa. Não vou esperá aqui a mamá pa crescê e depois ficá alagada pingando: passa cá carocho!
Haja saúde.”
Autor desconhecido
Mais uma letra por Angra do Heroísmo (talvez uma marcha?!)
Angra, 30 anos (JÓIA) de património mundial
(Versão pessoal não oficial.
Contate-me se a quer melodiar/utilizar)
Viva Angra, património do mundo,
És a flor em tom de lirismo
Desfalecida ergueu-se do fundo
E do terror que sofreu pelo sismo.
Angra bonita esbelta aprumada
Recebe o povo de braços abertos
Em cada rua do centro amada
Cartaz viçoso em valores despertos.
Angra tingida de amor colossal
É do seu povo a grande vedeta
Deu-lhe a UNESCO valor mundial
Sobe o pódio da nova faceta.
Angra menina, mui nobre e constante,
Sempre leal, jóia da antiguidade
Recebe mimos do povo emigrante
Que reconhece a sua identidade.
E no regaço da Praça que é Velha
Recebe amigos que ama e venera
Corpo lírio a rosa vermelha
E canta a gosto o que já se espera.
Refrão
Vamos amigos, vamos festejar
Com alegria pla rua a cantar
Pé no basalto, roda teu balão
Viva a Festa, viva S. João.
Anda comigo a noite é tão bela
Há manjerico louco à lapela
Louco é o beijo que já me seduz
Angra cidade se enche de luz!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Uma figura pública imponente e valiosa: António Mendes, de Santa Bárbara
Imagem encontrada in "DI Diário Insular"
António Mendes, solteiro e autodidata foi, profissionalmente, guarda-fiscal. Na freguesia de Santa Bárbara da Ilha Terceira, para além de escrever peças de teatro, bailes de carnaval, músicas para o coral, compositor, ensaiador, poeta e autor de presépios tradicionais, é um indivíduo muito empenhado na defesa das tradições da sua freguesia natal. Já foi homenageado pela Junta de Freguesia (em 29-04-2006) Fonte desta data in "Azoresglobal".
Ainda me recordo, de quando vinha na camioneta em direção à cidade de Angra do Heroísmo, com apeamento na freguesia da Serreta e seguindo via Doze Ribeiras, Santa Bárbara e por aí abaixo, da paragem perto da Igreja de Santa Bárbara e da entrada do senhor António Mendes (na altura nem sabia o seu nome), sempre apetrechado de uma (ou mais) pastas que me despertavam alguma curiosidade. O que levava aquele senhor naquelas pastas?! Não tinha nada que saber nem sequer por curiosidade mas, hoje em dia, penso que seriam, muito provavelmente, os seus papéis cuja tinta seria a sua arte maravilhosa de criar Cultura para ser preservada nos Anais da Ilha Terceira, como preciosidades artístico-históricas.
Até agora, janeiro de 2014, não lhe tinha sequer dirigido ou ouvido palavra. Via-o, sabia que era daquela freguesia, conhecia-o desde tempos idos. Jamais tivera, com ele, discurso direto. Pela primeira vez, num domingo (19-01-2014) enviei-lhe uma mensagem tecnológica através da rede social em uso habitual. Recebi a resposta que me veio encher de contentamento, ou melhor, felicidade mesmo. Se um senhor desta envergadura cultural me presenteou com uma resposta amistosa como não poderia ficar feliz?!
É um grande senhor da terra, da cultura e ser autodidata é uma das suas melhores vertentes.
Não conheço todo o manancial de criações de António Mendes mas sei e muita vez foi mencionado o seu nome como autor de bailes do Carnaval Terceirense.
A rima é, de certeza, o seu modo de vida e o seu lema pessoal que vigorará para sempre.
Eis a minha sincera homenagem e bem-haja ao meu “quase vizinho” de uma outra idade por todo o seu valor cultural e dedicação artística em prol da ilha e fora dela.
Podem ainda ler o que o DI Diário Insular publicou em 24.MAR.2013 junto com a foto supra, que transcrevo seguidamente.
A freguesia de Santa Bárbara formou-se em torno da serra com o mesmo nome e que é o ponto mais alto da ilha Terceira.
António Mendes preserva na memória os tempos da terra fértil que dava aos seus habitantes tudo aquilo de que necessitavam para a alimentação e para assegurar o rendimento da família.
"Hoje em dia, quem tem gado diz que é lavador. Mas os verdadeiros lavradores eram aqueles que noutros tempos cultivavam a terra com a sua mão. Não havia um bocado de terra em Santa Bárbara que não fosse aproveitado porque nessa altura havia muita gente para alimentar ", referiu.
Ao longo dos tempos, as terras de cultura foram dando lugar às pastagens para as explorações agropecuárias.
"Se as coisas de que precisamos não viessem agora quase todas de fora da ilha havia muita gente a passar fome. Santa Bárbara era a freguesia das peras, mas agora nem um pomar se encontra na freguesia", acrescentou.
A energia elétrica chegou a Santa Bárbara, em 1958, numa altura em que começou a grande vaga de emigração para a América do Norte, que teve como consequência, nos anos seguintes, a redução da população para metade. António Mendes referiu que, até à década de 60 do século passado, os habitantes da freguesia abasteciam-se com a água que escorria da serra e que formava charcos "que muitas vezes tinha a mesma a cor do chá."
Após o 25 de abril de 1974, as condições de vida em Santa Bárbara foram-se alterando tal como aconteceu nas restantes freguesias com as mesmas características da Terceira.
"Temos a Casa do Povo e uma Junta de Freguesia muito dinâmica que promove muitas atividades", afirmou.
Realçou, também, o trabalho desenvolvido pela Sociedade Filarmónica Recreio de Santa Bárbara com as suas escolas de música e o Grupo de Violas da Casa do Povo de Santa Bárbara.
Por outro lado, António Mendes, autor de assuntos de Danças de Carnaval, manifestou o seu desapontamento pelo facto de se ter perdido na freguesia algumas tradições ligadas a esse período festivo muito do agrado dos terceirenses.
"Antigamente o Carnaval em Santa Bárbara era vivido nas ruas e nas casas, onde havia sempre uma mesa posta para receber as danças que se deslocavam a pé pelas freguesias", referiu.
No que se refere à vertente cultural, lamentou que a freguesia tem perdido alguma dinâmica no que se refere ao teatro popular, porque há cada vez menos disponibilidade das pessoas para se envolverem nesse tipo de atividades.
"Tenho uma comédia escrita há algum tempo mas nunca foi estreada porque como tem quase vinte personagens não se consegue arranjar gente, porque os poucos que se interessam por esse tipo de coisas acabam por estar metidos em quase tudo ", adiantou.
Essa falta de disponibilidade estende-se também às festas de freguesia que, este ano, ainda não têm uma comissão formada, apesar de faltarem poucos meses para a data em que as mesmas costumam realizar-se.
Entre as figuras ilustres de Santa Bárbara destacou Alfredo Pires, conhecido como o "endireita", a quem as pessoas de toda a ilha recorriam quando tinham ossos "desmanchados"; Bastião Ruiz, um escultor do século XV de imagens de santos que foram esculpidas em cedro do mato; e o general Fernando Borges que comandou, em 1931, a operação na Terceira tendo em vista subjugar os revoltosos contra o regime de Salazar.
SOBRE SANTA BÁRBARA
Com 1 274 habitantes (2011), a freguesia de Santa Bárbara fica localizada na zona sudoeste da Terceira e ocupa uma área de 16,43 quilómetros quadrados, o que corresponde a 77,5 habitantes por quilómetros, com um território que se estende da costa até à cumeeira da serra de Santa Bárbara, a maior elevação da ilha com 1 021 metros de altitude máxima.
Santa Bárbara foi uma das primeiras freguesias constituídas no concelho de Angra, em data anterior a 1489 e ainda em vida de Jácome de Bruges, o primeiro capitão-do-donatário na Capitania de Angra.
Até finais do século XIX foi denominada Santa Bárbara das Nove Ribeiras, já que o seu núcleo inicial se situou em torno da Ribeira das Nove.
Letra para S. João que não chegou a ser marcha
Angra, Trinta Anos de Património Mundial
Refrão
Angra no palco da História
Do citadino e campónio
Alegre na sua glória
Trinta anos de património
E leva de braço dado
Toda a ilha a cantar
Com S. João do seu lado
Toda a noite vai dançar.
1
Primorosa de cultura
Uma musa quinhentista
Dos lábios solta a ternura
Lusa que a todos conquista.
Rota de amor e talento
Na praça velha cidade
Há quem a vê num momento
Volta e toma assento
Numa maré de saudade.
2
Palácios, igrejas, fortes
Muralhas e Catedral
No Castelo tiram as sortes
Pela nobre capital.
De ruas emparelhadas
Onde o meu amor passeia
E quando sobe as escadas
Cruza o céu as badaladas
E o coração incendeia.
3
Do Centro ao Monte Brasil
Património da Humanidade
Na Praça manta em perfil
Calcetada de bondade
Adornada de sorrisos
Recebe quem nos visita
No abraço de improvisos
Engalanada de frisos
Diz que Angra é favorita.
4
Cantamos com emoção
A festa que vale tanto
Viva, viva S. João
Como é festeiro este Santo
Vem pra rua com a gente
Vem tomar gosto à folia
A fogueira é corpo ardente
Angra pula de contente
E se refresca na Baía.
Rosa Silva ("Azoriana")
MEU LAR DE SAUDADE
S. Bento é padroeiro
Duma parte da cidade
Que alegra o ano inteiro,
Quem o ama de verdade.
De S. Bento muito bailinho
Já saiu antigamente
O povo tinha carinho
E amor pra dar à gente.
Hoje tudo é diferente
Foi voando na emigração
Quem se lembra certamente
Ouve timbres no coração.
Um coração que é angrense
E voa em altitude
Leva todo o que pertence
Ao seu brilho de juventude.
Eu canto pra ti agora
Meu amigo eis o momento
De juntar Nossa Senhora
Ao patriota S. Bento.
Nossa Senhora dá Luz
Alegria na Saudade
Do Seu ventre deu Jesus
Pra salvar a humanidade.
E tu salva o que puderes
Salva a ti dessa tristeza
Faz rir todas as mulheres
E homens da Portuguesa.
S. Bento rogai por nós
Rogai pelos teus irmãos
Dos teus egrégios avós
Que tinham fé de cristãos.
Rogai pela gente em festa,
Dai a outros, temperança
Não há pátria como esta
Na folia de uma Dança.
Temos, todos, um prazer
De rimar terra e mar
E de à noite adormecer
Com Jesus a embalar.
Temos coral, temos fado
Temos tudo de direito,
E temos do nosso lado
Um amor mais-que-perfeito.
Viva, viva a ilha Terceira
Que no seu ventre gerou
O que toma a dianteira
Naquele que emigrou.
Da alegria com a saudade
Faz-se o par ideal
Para ir à Sociedade
E ao Centro Social
De S. Bento que por sinal
Agrada com majestade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Uma linda canção que ouvi hoje (a letra)
Título: Que mulher é esta
Intérprete: Tonicha
Álbum: Mulher
Ano: 1997
Mal sabes que mulher é esta
Quer que te percas no carrocel do seu olhar
Ouve-lhe os sonhos, toma-lhe a mão
E dá-lhe o céu se ela quer voar
Seguir-te-à p'ra lá do sul
Além do azul
Mal sabes que mulher esta
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é eterno
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é mais
Mais que um suspiro
É mais que um deslumbramento breve
Este amor é como um barco
Que chegasse enfim feliz ao cais
Saber que mulher é esta, que nos teus braços
A gemer, solta todo o mar
Quer que lhe toques, que adivinhes
O fundo do seu coração
Onde já mora esse filho
Que te vai dar
Diz-me que mulher é esta
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é eterno
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é mais
Mais que um suspiro
É mais que um deslumbramento breve
Este amor é como um barco
Que chegasse enfim feliz ao cais
Vem, vem regar os jardins do amor
Vai-lhe oferecer o mel
Vai-lhe acender a flor
E ela só estará p'ra ti, só será p'ra ti
...
Ela já mora, já lá mora, está em ti
Mal sabes que mulher é esta
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é eterno
Diz-lhe baixinho
Que o teu amor é mais
Mais que um suspiro
É mais que um deslumbramento breve
Este amor é como um barco
Que chegasse enfim feliz ao cais
Este amor é como um barco
Que chegasse enfim feliz ao cais
Este amor é como um barco
Que chegasse enfim feliz ao cais
Intimamente a doce rima
Quero morrer descansada
Para não ser atormentada
Com as siglas do cardápio
Todos tem direito à vida
E à hora da partida
Parte o bom e o larápio.
Cada cama que se faz
De certeza a alguém traz
As contas do seu rosário
A balança pesa amor
O ódio, a paz e a dor
O bem e o adversário.
Há quem siga alegre, a vida
Seja curta ou comprida
Saltitando na doutrina;
E há quem se leve à risca
Nem se lesa ou arrisca
A sair da onda fina.
Todos tem o mesmo fim
Cobertos de erva ruim
No castelo de ossada
Se florir alma de ouro
Foi esse o maior tesouro
Da sua meta alcançada.
Haverá alguém pra me dizer
Se o outro lado foi ver
Em sonhos ou acordado?!
Minha sincera opinião
É no íntimo do coração
Que o tal lado é revelado.
E também na consciência
Que se alia à ciência
Para dar resposta e prova
No fundo ninguém cá fica
Seja pobre ou seja rica
Seja velha ou seja nova.
Veio a dúvida nesta hora
Que por vezes me devora
Traz-me alucinações
Porque o medo todos temos
Sem saber o que obtemos
Na esquina das aflições.
Desde já abraço o Perdão,
Para dar ao meu irmão
Ou a quem ofendi mais;
Podem crer que sinto medo
De entrar naquele enredo
Clave de ouro dos finais.
Que eu (e mais) ouça os sinos
Com os cânticos divinos
Em melodia suave;
Que eu (e mais) veja a Deus
Perdoando os erros meus
Salvos pela boa chave.
Se me achares enfadonha,
De lamúrias, sem vergonha,
Pensa e guarda para ti;
Sei que pensarás igual
Qual “pedra filosofal”
Que adoro e já ouvi.
Sou eterna sonhadora
Na vida de lutadora
Com os sonhos de criança;
Se não sonhas é uma pena
Não tenhas alma pequena
Não percas a esperança!
Se por vezes cabisbaixa
Com o rosto numa caixa
Fugindo da claridade
É por ser da raça humana
Cem por cento açoriana
De bruma e humidade.
Se as nuvens acinzentadas
Pincelaram as passadas
No basalto da ventura…
É por ser de carne e osso
De ter tido ao pescoço
Uma prenda de ternura.
Amei a Virgem Maria
Minha doce companhia
Que não tem fim nem idade;
Minha paixão é Seu rosto
Ora triste ou bem-disposto
Montra da comunidade.
Quase, quase a terminar
Só no fim eu vou contar
Quantas sextilhas inspira
O toque no coração
De quem não tenho visão
Mas está sempre na mira.
Seu nome não vou dizer
O respeito pode ser
Uma palavra dourada;
Quem parte deixa saudade
Mas com gosto me invade
Com doce rima adorada.
Angra do Heroísmo, 16-01-2014
Rosa Silva (“Azoriana”)
A Cristiano Ronaldo (7) BOLA DE OURO
VIVA CR7 O MAIOR
QUE BRILHA MAIS QUE O SOL
CR7 É SEMPRE MOR
PARA A BOLA E FUTEBOL.
MINHA QUADRA LHE DESCERRA
UM SENTIR QUE É ILHÉU
BEM-HAJA O QUE TEM EM TERRA
PAZ AO PAI QUE ESTÁ NO CÉU.
VIVA A SUA JUVENTUDE
COM VIGOR E EMOÇÃO
DEUS LHE DÊ SEMPRE SAÚDE
SUCESSO E BOM CORAÇÃO.
PORQUE BOM ELE SEMPRE FOI
OCUPA LUGAR CIMEIRO (DE OURO)
EM GOLOS É UM HERÓI
CR7 É VERDADEIRO (TESOURO)!
Rosa Silva ("Azoriana")
Imagem in site de Cristiano Ronaldo
VERSO QUE EM MIM VIVE
Sei bem o que o povo gosta
Mas eu não posso dizer
Nem que fizesse uma aposta
Em nada se vai mexer.
Por isso deixa assim
“Não te importes rapariga”
Fica p’lo que diz que sim
Venha verso prá cantiga.
VERSO QUE EM MIM VIVE
Nasci longe do mar alto
Numa rua sem asfalto
No coração da serreta
Que é uma serra pequena
Onde a tarde é amena
Se a nuvem não é preta.
Nasci longe da cidade
Só quando cresci na idade
Foi-me dado conhecê-la
Sentada numa Carreira
Que serviu bem a Terceira
E ainda hoje é estrela.
Tanta viagem eu fiz
Naquele tempo tão feliz
Só me doía a estrada
Entre piso estreitinho
Devagar, devagarinho,
Chegava à hora marcada.
No asfalto então pisei
Pedras talhadas eu sei
Por homens quase esquecidos
Os louvo hoje neste verso
P'ra que todo o universo
Os faça reconhecidos.
Cada peça de calçada
Por mão ágil trabalhada
Permanece nos passeios
São Património as ruas
Que são minhas e são tuas
Abrilhantam nossos meios.
Vejam só onde fui dar
Pela calçada a rimar
Juro que não tinha ideia
Só isto me acalmou
Depois do que ressoou
Dum aplauso de plateia.
Nosso povo quer é rir
Festa, bodo e divertir
Contornar a onda triste:
Mas, por Deus, peço atenção
Não se pense que a Região
Só de riso subsiste.
Tem fé que move montanhas,
Tem arte, ondas tamanhas
No cais que não tem idade;
Tem amor e tem virtude
O regaço da juventude
Que une o campo à cidade.
Viva, viva a minha terra
E viva quem nos quer bem
No brasão que se descerra
E em cada peito aterra
Como o amor de filho e mãe;
Do verso que em mim vive
Há amor de Terra e Mar
Pelo povo sobrevive
Mesmo que tenha declive
A alguém possa agradar.
Angra do Heroísmo, 13-01-2014
Rosa Silva ("Azoriana")
A propósito de algumas cenas da atualidade
Ter nome nem é preciso
Para a fama ser medonha
Basta ter lata, pouco juízo
E mostrar não ter vergonha.
Hoje há disso em fartura
Perante a nossa visão
Pode nem ter grã cultura
Mas é o rei da estação.
Noutro tempo que bem sei
Estudar era o rigor
Hoje um rapaz faz sua lei
Com seu gosto amador.
Vemos hoje tanta tristeza
Na escrita e no paleio
Que a Língua Portuguesa
Já não reina no seu meio.
Faz-se tudo por um naco
De pão para cada mesa
Não interessa se é fraco
Importa é ter mais destreza.
Por mim fico embassada
Com o que vai pela terra
Uns valem sem fazer nada
Outros vão ganhando a guerra.
Lamento com grande pesar
Por quem não mede o que faz
Portugal ainda vai acabar
Sem puder dar volta atrás.
A culpada é a crise
Que tanto se apregoa
Não há gelo que a frise
Nem se prevê coisa boa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Lira do silêncio (talvez um hino ao idoso)
Vesti-me de um sonho noturno.
Temi a brasa da solidão.
No entanto e por seu turno
Andei contigo pela mão.
No tempo em que me dera
Ser a luz do teu abrigo
Hoje finito na espera
Da palavra que não digo.
O silêncio é o solavanco
Que de noite me acorda
Nenhuma palavra é banco
Nem tão pouco cai à borda.
Sonho valados de bruma
No teu corpo cinzelado
Por vezes sonho cada uma
Palavra sem texto formado.
E a saudade não impera
Pela falta que me fazes
Há sempre uma primavera
Pró silêncio dos audazes.
O pranto faz-se em pessoa
Que sente o que já se foi
Em mim nada se apregoa
Do que nem sequer me dói.
Parada no meu declive
Numa cama sem sentidos
Sonho com o que não tive
Penso nos fins esquecidos.
Pouco a pouco, levemente
Como quem arde sem fogo
Acordo constantemente
Na labareda do jogo.
Um jogo de pouca dura
Que só por ti quis jogar;
Embrenhei-me na cultura
Quis colher o verbo amar.
Se o amor fosse segredo
Os meus seriam graúdos
Como ave em arvoredo
Sempre com ramos tesudos.
Hoje é tão pouco o que faço
Em carne de viva alma
Escrever é o meu passo
Meu antídoto, minha calma.
Já te disse que o amor
É palavra boquiaberta?!
É sentir e dar valor
Ao que nos toca na certa.
Toca-me com tua voz
No ouvido da candura
Segue o cálice de nós
Que rega a viva cultura.
De joelhos, rente ao chão,
O rosto é moribundo
Por um naco de salvação
Por um sorriso fecundo.
Entre bruma e marés
Entre a terra e o mar
Entre a proa e o convés
Entre o partir ou ficar…
Há de haver quem me defenda
Da colina em parapeito
Do soslaio de uma fenda
De algo que eu tenha feito.
Porque prescrevo o bem
Em cada texto redondo
Quando o texto só me vem
No silêncio dum estrondo.
O estrondo do coração
É a catedral da vida
Onde reina a criação
Da palavra mais sentida.
Dou-te palavras somente
Onde a verve está sujeita
Ao que ressalta da mente
E no coração se deita.
No dorso deste meu sonho
Acordado pela aurora
Veio a escrita que deponho
No regaço desta hora.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Lembrete: Centenário do nascimento de Ferreirinha das Bicas, em 25/10/2014
Francisco Ferreira dos Santos
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre e Junta de Freguesia da Terra-Chã
BIOGRAFIA
Francisco Ferreira dos Santos, nasceu no lugar da Boa Hora, da freguesia da Terra Chã, concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, em 25 de outubro de 1914 e faleceu na mesma freguesia em 18 de fevereiro de 1981 (aos 66 anos), mais conhecido por FERREIRINHA DAS BICAS, foi um improvisador, poeta e cantador popular açoriano que se notabilizou pela sua verve e humor. Foi autor de versos repletos de humor, pontuados por ditos que o tornaram um improvisador de qualidades inegáveis, tendo apenas aprendido os rudimentos da leitura e da escrita. Era horticultor de profissão.
Começou a cantar em público quando tinha 19 anos de idade, improvisando cantigas em ranchos de matança e noutras festas populares. A sua facilidade de improviso, os conceitos elevados, onde a sensibilidade atuava sem esquecer a razão e o humor que perpassava a sua produção lírica granjearam-lhe grande popularidade, passando a ser contratado para festividades por toda a ilha.
A sua fama levou a que tivesse atuado nas ilhas do Pico, S. Jorge, Graciosa e S. Miguel, tendo ainda realizado deslocações aos Estados Unidos da América e Canadá para cantar em festas organizadas pelos emigrantes açorianos ali radicados.
Nas suas atuações o Ferreirinha cantou em despiques com os melhores cantadores: Charrua, Bravo, Tenrinho, João Vital, Gaitada, Caneta e Abel Coelho Costa.
Profundamente ligado às festas das irmandades do Divino Espírito Santo, também compôs versos e enredos para danças de Carnaval, entre as quais ficaram célebres a Dança dos marinheiros, a Dança de Camões e a Dança de D. Miguel e D. Pedro IV, todas danças de espada de tema clássico.
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Eis uns versos meus para lembrar o que se não deve esquecer:
Francisco Ferreira dos Santos, o Ferreirinha das Bicas, a 25-10-2014 (sábado) contará 100 ANOS do nascimento.
CENTENÁRIO DO NASCIMENTO
DO «FERREIRINHA DAS BICAS»
25-10-1914 / 25/10/2014 (sábado)
Serve este para lembrar
O povo da sua freguesia
Que devem comemorar
O momento com cortesia.
Centenário do nascimento
A 25 de outubro
Sábado bom para o evento
De cantoria ao rubro.
Homenagem com cantadores
Do improviso original
E também com tocadores
Da tradição regional.
Não fui eu que me lembrei
Mas alguém me alertou
Agora digo o que sei
E ninguém me obrigou.
Só sei que é de bom-tom,
Lembrar os nossos patrícios,
Que tiveram como dom
A rima em seus ofícios.
No meu blogue fica dito
Isto que vos digo agora
Certamente foi favorito
Ele ter nado na Boa Hora.
Em boa hora se faça
Uma homenagem grata
Que venha à rua e praça
Toda esta cultura nata.
E se proclame em jornais,
Na rádio ou televisão
Também se leia em portais
O que honra nossa Região.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Passeio virtual
Dei um salto (virtual) ao Porto das Pipas e (re)lembrei a despedida do CãoPiloto, de Ricardo Laureano, avistei o novo ancoradouro da excelsa fotografia de António Araújo. Uma saudade entranhou-se como que a avisar-me de que enquanto que uns partem (o "nosso" Eusébio da Silva Ferreira 1942-2014 / 71 anos) outros vão dando asas a mais uns artigos à laia de recordata (Sismo d'oitenta), e às sonoridades atuais e aplausos reais (OSIT).
Ainda saltitando dei comigo nas paisagens soberbas do Rio Ceira, onde os sonetos brilham com encanto e perfeição.
Depois... Voltei à ilha e visitei as novidades da amiga Chica Ilhéu, para finalizar o passeio ouvindo a emissão online da Rádio Sim, que por ora tenho o privilégio de sintonizar virtualmente... "Ó tempo volta para traz"... Músicas de ontem na rádio de hoje porque assim, sim! Mas voltar para traz não... Queria ter a possibilidade de prender o presente de forma a não nos trazer mais surpresas menos boas...
Rosa Silva ("Azoriana")
250ª Festividade em setembro p.f.
250 Anos de Festividade em 2014
Contas de oração, flor de Amor
Menino de povo cristão
Ouro de piedade do Senhor
Aurora na palma da mão.
A imagem que aqui vemos
Merece nossa atenção
Dos sacrifícios que fazemos
Por Amor e salvação.
Não se duvide da Graça
Que dá a Virgem Maria
Por muito pouco que se faça
Ela nos acode um dia.
Seja na consolação
Seja bálsamo de alegria
Seja mesmo pelo perdão
Que o Seu Filho nos cria.
Se pensares bem a fundo
Verás que Sua intercessão
Nos confia ao Seu mundo
No silêncio da Oração.
Ora sempre com fervor
Com a lágrima suplicante
Obterás o seu Amor
Nem que sejas emigrante.
Emigrante da Serreta
Que A levaste no coração
Olha Sua silhueta
Sorrindo dá sua Bênção.
E das pendentes continhas
Do Rosário de Maria
Podes ver as «Estrelinhas»
Voando em cada dia.
04/01/2014. Sábado
Rosa Silva ("Azoriana")
A um dos reporteres de imagem por ar e terra: Ivo Silva
Ivo Silva nos manifesta
Aventura e emoção
Corre a ilha filma a festa
O arraial e a procissão.
Parapente pelos ares
Captando o que quer bem
Dá a volta por lugares
Que a bela Terceira tem.
Sua febre desmedida
Leva aos nossos emigrantes
Um tanto da terra querida
Muito melhor do que foi antes.
A Rádio TV Artesia
Com ele tem bom destaque
E o próprio mesmo frisa
Que fica sujeito a achaque.
Por caminhos e vielas
Vai Ivo Silva afoito
Muitas vezes as cambrelas
Fazem-no ficar num oito.
Não nego sua coragem
Para dar entretenimento
O amor pela filmagem
Que eterniza o momento.
Dele espero um dia ver
Algo meu em edição
Nem que seja para ter
Do verso a recordação.
Ivo Silva nos retrata
O bom e o menos bom
E o riso também desata
Em desafinado tom.
Hoje o ano é novo
É dia pra bom início
Bem-haja por dares ao povo
O que ele tem por ofício.
Nossa ilha é um coração
Que bate com tal doçura
E brilha na emissão
Coroada de cultura.
Se me achas inspirada
Agradeço à Rainha
Na Serreta adorada
Presente na estrofe minha.
Que Ela te faça companhia
Pelos ares e em terra
Na edição de cada dia
Te dê paz e salve de guerra.
01-01-2014
Rosa Silva ("Azoriana")
Amigos da Senhora (divulgue-se, por favor)
A Irmandade dos Escravos de Nossa Senhora
Terminadas as hostilidades da Guerra Fantástica sem que a ilha sofresse qualquer arremetida, os subscritores do voto de 1762 reuniram-se novamente na Igreja das Doze Ribeiras e em acto solene realizado a 11 de Setembro de 1764 fundaram a Irmandade dos Escravos de Nossa Senhora. Esta foi também a data da primeira solenidade em honra da Senhora dos Milagres.
Fonte: Wikipédia
A todos que esta nota lerem fiquem cientes de que a I Festa em honra de Nossa Senhora dos Milagres contabiliza em 2014 os seus 250 anos.
Merece destaque e interesse por parte de todos OS AMIGOS DA SENHORA.
Virgem Santa bicentenária
E meio século se soma
Haja Festa extraordinária
Saia da sua redoma.
Leve à ilha inteira
E ao mundo dos crentes
Que a nossa Padroeira
É solene para as gentes.
Que desde o primeiro dia
De um janeiro entre bruma
Se recorde com alegria
Maria que a Paz apruma.
Vinde povo com sua fé
Proclamar a Santa Mãe
Mesmo aquele que o não é
Proclame quem lher quem bem.
Serreta, pequena és
De reduto ou dimensão
No adro tens a teus pés
Quem ama o ser cristão.
És centro de Romaria
Altar de muitos pedidos
Tens o Coração de Maria
Alívio dos oprimidos.
Tens calvário da Cruz,
Batistério da Esperança
Tens a ilha de Jesus
Em tudo o que a vista alcança.
Tens a serra tão amena
Que te une em seu regaço
Faz crescer sob a patena
O amor de um abraço.
01-01-2014
Rosa Silva ("Azoriana")
1º de um janeiro (2014 - 1980 = 34)
Que entranhou nos nossos lares
A ilha (as três) foram um novelo
Ferido em todos os lugares.
Casas, gente e animais
Dores, pranto e um vazio
Seres que não voltam mais
Terror que jamais se viu.
E hoje o que penso disto?!
Ainda está como vivo
De falar dele não desisto
Há sempre algum motivo.
Reconstrução me comandou
Ao longo da minha vida
Do trabalho que me criou
De onde a ilha foi erguida.
Tanto ano, meses e horas
No meu coração se contam
Tantas imagens sonoras
Que ao sismo me remontam.
Só os sinos se calaram
Nas Igrejas destruídas
Enquanto gentes choraram
As suas vidas perdidas.
Nossas ilhas tem origem
Entre montes e tremura
As tragédias nos exigem
Pensar bem na desventura.
Importa é que nos erguemos
De mãos dadas para a luta
Ai tanto que já fizemos
E continuamos em labuta.
Bravo povo açoriano
Desta ilha renovada
Que ao lembrar daquele ano
Lembres da força gerada.
"Sismo d'Oitenta" já içou
A lembrança à nossa gente
No site tudo apostou
No testemunho presente.
01-01-2014
O primeiro artigo do ano
Rosa Silva ("Azoriana")
