Ter nome nem é preciso
Para a fama ser medonha
Basta ter lata, pouco juízo
E mostrar não ter vergonha.
Hoje há disso em fartura
Perante a nossa visão
Pode nem ter grã cultura
Mas é o rei da estação.
Noutro tempo que bem sei
Estudar era o rigor
Hoje um rapaz faz sua lei
Com seu gosto amador.
Vemos hoje tanta tristeza
Na escrita e no paleio
Que a Língua Portuguesa
Já não reina no seu meio.
Faz-se tudo por um naco
De pão para cada mesa
Não interessa se é fraco
Importa é ter mais destreza.
Por mim fico embassada
Com o que vai pela terra
Uns valem sem fazer nada
Outros vão ganhando a guerra.
Lamento com grande pesar
Por quem não mede o que faz
Portugal ainda vai acabar
Sem puder dar volta atrás.
A culpada é a crise
Que tanto se apregoa
Não há gelo que a frise
Nem se prevê coisa boa.
Rosa Silva ("Azoriana")
A propósito de algumas cenas da atualidade
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