Uma figura pública imponente e valiosa: António Mendes, de Santa Bárbara


 


 Imagem encontrada in "DI Diário Insular"


 


António Mendes, solteiro e autodidata foi, profissionalmente, guarda-fiscal. Na freguesia de Santa Bárbara da Ilha Terceira, para além de escrever peças de teatro, bailes de carnaval, músicas para o coral, compositor, ensaiador, poeta e autor de presépios tradicionais, é um indivíduo muito empenhado na defesa das tradições da sua freguesia natal. Já foi homenageado pela Junta de Freguesia (em 29-04-2006) Fonte desta data in "Azoresglobal".

Ainda me recordo, de quando vinha na camioneta em direção à cidade de Angra do Heroísmo, com apeamento na freguesia da Serreta e seguindo via Doze Ribeiras, Santa Bárbara e por aí abaixo, da paragem perto da Igreja de Santa Bárbara e da entrada do senhor António Mendes (na altura nem sabia o seu nome), sempre apetrechado de uma (ou mais) pastas que me despertavam alguma curiosidade. O que levava aquele senhor naquelas pastas?! Não tinha nada que saber nem sequer por curiosidade mas, hoje em dia, penso que seriam, muito provavelmente, os seus papéis cuja tinta seria a sua arte maravilhosa de criar Cultura para ser preservada nos Anais da Ilha Terceira, como preciosidades artístico-históricas.

Até agora, janeiro de 2014, não lhe tinha sequer dirigido ou ouvido palavra. Via-o, sabia que era daquela freguesia, conhecia-o desde tempos idos. Jamais tivera, com ele, discurso direto. Pela primeira vez, num domingo (19-01-2014) enviei-lhe uma mensagem tecnológica através da rede social em uso habitual. Recebi a resposta que me veio encher de contentamento, ou melhor, felicidade mesmo. Se um senhor desta envergadura cultural me presenteou com uma resposta amistosa como não poderia ficar feliz?!

É um grande senhor da terra, da cultura e ser autodidata é uma das suas melhores vertentes.

Não conheço todo o manancial de criações de António Mendes mas sei e muita vez foi mencionado o seu nome como autor de bailes do Carnaval Terceirense.

A rima é, de certeza, o seu modo de vida e o seu lema pessoal que vigorará para sempre.

Eis a minha sincera homenagem e bem-haja ao meu “quase vizinho” de uma outra idade por todo o seu valor cultural e dedicação artística em prol da ilha e fora dela.

Podem ainda ler o que o DI Diário Insular publicou em 24.MAR.2013 junto com a foto supra, que transcrevo seguidamente.


 



A freguesia de Santa Bárbara formou-se em torno da serra com o mesmo nome e que é o ponto mais alto da ilha Terceira.

António Mendes preserva na memória os tempos da terra fértil que dava aos seus habitantes tudo aquilo de que necessitavam para a alimentação e para assegurar o rendimento da família.

"Hoje em dia, quem tem gado diz que é lavador. Mas os verdadeiros lavradores eram aqueles que noutros tempos cultivavam a terra com a sua mão. Não havia um bocado de terra em Santa Bárbara que não fosse aproveitado porque nessa altura havia muita gente para alimentar ", referiu.

Ao longo dos tempos, as terras de cultura foram dando lugar às pastagens para as explorações agropecuárias.

"Se as coisas de que precisamos não viessem agora quase todas de fora da ilha havia muita gente a passar fome. Santa Bárbara era a freguesia das peras, mas agora nem um pomar se encontra na freguesia", acrescentou.

A energia elétrica chegou a Santa Bárbara, em 1958, numa altura em que começou a grande vaga de emigração para a América do Norte, que teve como consequência, nos anos seguintes, a redução da população para metade. António Mendes referiu que, até à década de 60 do século passado, os habitantes da freguesia abasteciam-se com a água que escorria da serra e que formava charcos "que muitas vezes tinha a mesma a cor do chá."

Após o 25 de abril de 1974, as condições de vida em Santa Bárbara foram-se alterando tal como aconteceu nas restantes freguesias com as mesmas características da Terceira.

"Temos a Casa do Povo e uma Junta de Freguesia muito dinâmica que promove muitas atividades", afirmou.

Realçou, também, o trabalho desenvolvido pela Sociedade Filarmónica Recreio de Santa Bárbara com as suas escolas de música e o Grupo de Violas da Casa do Povo de Santa Bárbara.

Por outro lado, António Mendes, autor de assuntos de Danças de Carnaval, manifestou o seu desapontamento pelo facto de se ter perdido na freguesia algumas tradições ligadas a esse período festivo muito do agrado dos terceirenses.

"Antigamente o Carnaval em Santa Bárbara era vivido nas ruas e nas casas, onde havia sempre uma mesa posta para receber as danças que se deslocavam a pé pelas freguesias", referiu.

No que se refere à vertente cultural, lamentou que a freguesia tem perdido alguma dinâmica no que se refere ao teatro popular, porque há cada vez menos disponibilidade das pessoas para se envolverem nesse tipo de atividades.

"Tenho uma comédia escrita há algum tempo mas nunca foi estreada porque como tem quase vinte personagens não se consegue arranjar gente, porque os poucos que se interessam por esse tipo de coisas acabam por estar metidos em quase tudo ", adiantou.

Essa falta de disponibilidade estende-se também às festas de freguesia que, este ano, ainda não têm uma comissão formada, apesar de faltarem poucos meses para a data em que as mesmas costumam realizar-se.

Entre as figuras ilustres de Santa Bárbara destacou Alfredo Pires, conhecido como o "endireita", a quem as pessoas de toda a ilha recorriam quando tinham ossos "desmanchados"; Bastião Ruiz, um escultor do século XV de imagens de santos que foram esculpidas em cedro do mato; e o general Fernando Borges que comandou, em 1931, a operação na Terceira tendo em vista subjugar os revoltosos contra o regime de Salazar.

SOBRE SANTA BÁRBARA

Com 1 274 habitantes (2011), a freguesia de Santa Bárbara fica localizada na zona sudoeste da Terceira e ocupa uma área de 16,43 quilómetros quadrados, o que corresponde a 77,5 habitantes por quilómetros, com um território que se estende da costa até à cumeeira da serra de Santa Bárbara, a maior elevação da ilha com 1 021 metros de altitude máxima.

Santa Bárbara foi uma das primeiras freguesias constituídas no concelho de Angra, em data anterior a 1489 e ainda em vida de Jácome de Bruges, o primeiro capitão-do-donatário na Capitania de Angra.

Até finais do século XIX foi denominada Santa Bárbara das Nove Ribeiras, já que o seu núcleo inicial se situou em torno da Ribeira das Nove.


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