O torresmo da agonia

“ (…) O torresmo da agonia, cabia sempre a um dos que seguravam o porco pela parte de trás, em que o que o segurava pelo rabo naquele momento de agonia, sujava-se todo. (…) ”

Fonte: MATANÇAS  DE PORCO, ERAM FESTEJOS DE INVERNO (…)


 


Não é propriamente daquele torresmo que vou escrevinhar hoje e que, também, me fez lembrar das histórias da matança do porco na minha casa nos tempos idos. Atualmente, nem um porco se pode matar no reduto doméstico, sem que venha alguém “condenar” a ação de sobrevivência familiar graças à abundância que a matança de um porco dava. Enfim, mudam-se os tempos, como dizia o outro.

O que quero deixar para “torresmo da agonia” (da atualidade) é o facto de cada vez se trabalhar mais e se receber menos. Não há maneira dos nossos governantes reduzirem o custo de vida e presentearem o trabalho de cada um, para que se possa adquirir os bens e haver algum poder financeiro para todas as compras. Se não fosse a má conversão do escudo para euro em que foi tudo para um patamar duplo no custo, nada desta carência, digo falência, geral estaria a acontecer.

Digam-me lá como se sobrevive se a eletricidade aumenta, se a água aumenta, se os bens alimentares e de consumo aumentam e… o nosso salário mensal leva cortes e mais cortes?!

E ainda por cima vem um elemento, que nem é amigo da nossa autonomia, tentar que fiquemos ainda mais empobrecidos?! Ainda bem que há quem lhe dê juízo e impeça que a bendita (digo maldita) ideia prossiga e infernize o que infernizado está.

Sinceramente, acho que é o desespero local, o desespero da nação e quem sabe se o desespero mundial. Até onde vamos nós? Até quando haverá paz? Juro que receio o que possa advir nos tempos que restam a uma “meia dúzia”, salvo seja, de personagens, ora taciturnos ora boquiabertos de espanto negativo.

Que Deus incuta na mente dos que regem uma experiência: fechar para balanço e abrir com novos preços (mais baixos) e um aumento do «pão-nosso-de-cada-mês». Assim, todos ganhavam porque o poder de compra seria maior e o comércio venderia muito mais, sem ter de ficar “às moscas” ou com a “cartilha dos devedores” a abarrotar.

Pensem nisso, está bem?

E já agora, deixem o pobre cidadão fazer a sua matança de porco no quintal da própria casa, à maneira tradicional, com direito a convidados familiares e amigos numa azáfama feliz o mais possível.

Rosa Silva (“Azoriana”)

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