Com mil agradecimentos transcrevo o texto de José Fonseca de Sousa

Na última vez (agosto de 2012) que me desloquei aos Açores, mais concretamente à Ilha Terceira, tive o prazer de conhecer pessoalmente, porque em boa verdade já as “conhecia” através de contatos telefónicos e comunicação eletrónica, 2 pessoas açorianas de quem tenho a obrigação moral de revelar as suas virtudes que as fazem credoras da minha mais profunda admiração.




* Comendador Luís Bretão, um Senhor no mais elevado patamar que esta palavra possa atingir, Homem de grande generosidade, solidário, e um embaixador incontestável da cultura popular açoriana. Recebeu a mim e à minha família em sua casa com uma lição de bem receber que ficará para sempre gravada na minha memória.


São seres como este senhor que engrandecem e dignificam os Açores.




* Rosa Maria Silva (Azoriana), uma poetisa de grande valor, uma lutadora que através dos seus poemas tem tido uma grande atividade no exercício da cidadania, de grande acuidade interventiva na vida social da sua Ilha (Terceira), na divulgação ao mundo das virtudes da sua terra natal a Serreta, basta ler o seu livro “ Serreta na intimidade” e consultar o seu Blogue Rosa Silva (Azoriana).


Recebeu-me igualmente com uma simpatia que é difícil esquecer e proporcionou a mim e à minha esposa uma noite de convívio no Ti Choa que ficará nos anais das minhas boas recordações.


Esta senhora tem todos os predicados para ser uma mais-valia para os Açores e particularmente para o povo terceirense, assim ela continue, sem desânimos, com a sua obra literária, porque a cultura popular açoriana o merece.




Lisboa, 31 de agosto de 2012


José Fonseca de Sousa


Lisboa

O stresse puxa a morte

Em tempos idos, eu conseguia lidar com o stresse com uma paciência incrível. Nos dias que correm como lebres (ou outro bicho mais corredor ainda) [Ou será a gente que corre mais numa loucura que até mete dó?!] sinto que o stresse entra e poisa, atormenta-me e anda a querer puxar-me para a morte. É verdade! Ainda há pouco tempo senti como que um arranhar na zona peitoral e pus-me à espreita de sentir mais qualquer coisa mas o arranhão converteu-se ao silêncio.


Porque vejo por todo o lado uma correria, uma loucura, um querer e não puder, um combater o adversário com unhas, dentes e paleio quanto queira, uns lambendo o doce e outros comendo pão com bolor, uns de salto alto e outros de sabrinas, uns de gravata e outros descalços vão para a fonte que lhes dê água pela barba… Enfim, isto tudo anda a stressar-me q.b.

De uma coisa estou consciente: Se o tal de stresse me puxar para a morte ASSUMO que tudo fiz a bem da nossa Região Autónoma dos Açores no que concerne à dedicação, empenho e trabalho produzido com os recursos pessoais e profissionais que estão ao meu dispor.

Quanto à realização pessoal e privada tem ondas e marés mas a fé tem-me ajudado a ter a esperança que dias melhores podem vir se todos continuarmos a abusar do brio e do zelo.

Depois deste solarengo apontamento escrito lembrei-me que tenho que ir à farmácia e ao correio por motivos pessoais que vão sendo adiados por causa de outros que não devo adiar. É sempre assim, o meu fica sempre para a última :)

Finalizo com uma quadra com outro tipo de stresse, mas com esse posso bem:

Confesso que tenho uma pena
E juro que tal não é pequena;
Anda-me ao redor a sondar
Em outubro em quem votar?!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Parabéns para IARA

Este lindo dia te traga
Com a doce mocidade
Um abraço que afaga
A festa da natalidade.


 


Parabéns amiga Iara
Marca hoje teu calendário
A distância nos separa
No dia extraordinário
Mas meu desejo não para:
Um Feliz aniversário!


 


Beijinhos


 



 


Rosa Silva

Só com AMOR se conquista

Bom dia!

Nem sei como começar a romaria das letras que particularmente hoje estão sentadas na valeta como que à espera de ganhar forças para continuar o percurso de uma folha feita circuito eletrónico, se é que assim se pode chamar a este rosário de escritos que até podem cativar alguns olhares assíduos. Pelo menos um ou dois já soube que cativam. Gosto e agradeço na expetativa de nunca os defraudar.

Mas continuo sem saber como continuar o que nem comecei. [Pausa pensante]

Talvez uma história daquelas que se contam para crianças surta efeito na falta de horas dormidas. Salto a parte do “Era uma vez”… Alguém que nasceu no seio de um casal que não disfrutou do termo tempo suficiente para se lhe pôr virgula no sítio certo. [Nunca aprendi bem a lição das virgulas. Quem quiser que anote o lugar delas]. Esta noite não dormi a pensar nas vidas de tanta gente inclusive da minha que agora acolhe de braços abertos alguém que já sinto pertencer ao meu círculo familiar.

As horas não dormidas fizeram-me fazer uma viagem pelas entranhas da terra até ao ponto de não conseguir escavar mais. Tudo à nossa volta é bruma, água salgada, terra com cheiro a relva acabada de cortar, perfume da carne temperada no alguidar de barro, o peixe fresco trazido pelo marinheiro que não prega olho para nos fornecer o diamante do mar… E tanta mas tanta coisa mais… Inclusive a saudação matinal dos animais que nos protegem o sono.

Todos os dias que saio à rua pela primeira vez a Leoa e o Patinhas [cadela e cão respetivamente] oferecem-me a saudação matinal. À tarde no retorno ao lar é o mesmo ritual. Nem sempre aprecio o cumprimento da tarde porque o cansaço mental toma conta de mim e corro para o traje leve da noite.

Hoje esse cansaço acordou também comigo porque pensei muito em horas impróprias. Outrora fiz uma quadra entre outras que continua e continuará válida no sentido que tem:


 


Nunca se sabe o futuro
Sem passar pelo presente
O passado é o apuro
Do que nos sobra p'la frente.

(…) In http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt/543151.html

E digo mais:

Já passei pelo passado
A sonhar com o futuro;
Vejo-me agora num estado
Que está sempre em apuro.

Na caminhada da vida
Surge a cena imprevista
Encontrar uma saída
Só com AMOR se conquista.

30.agosto.2012

Rosa Silva (“Azoriana”)

Sobre as homenagens

Transcrevo na íntegra o email recebido do amigo José Fonseca de Sousa, porque acho que deve chegar ao conhecimento público:

Tendo por causa próxima a homenagem póstuma feita ao poeta/cantador “Caneta”, no Raminho, por ocasião do lançamento do Livro “Caneta em tinta permanente na poesia popular” do autor Álamo Oliveira, levou-me a levantar uma questão que considero pertinente que é a altura em que as Homenagens são realizadas.

Quem realiza uma obra meritória, seja em que campo for, é legítimo que tenha o prazer de ser reconhecido por tal feito.

Assim quando as homenagens são póstumas elas são sempre dramáticas, pois o visado não “está”, não “vê”, não “ouve”, e por isso fica impossibilitado de se poder “sentir reconpensado”, porque essa ideia de que “esteja ele onde estiver nos está a escutar”, convenhamos que não é suficientemente crível.

Deste modo lembrei-me de uma possível e merecida homenagem que poetas/cantadores possam vir a fazer ao Comendador Luís Bretão, aliás já preconizada por José Eliseu, num Pézinho, pela obra que ele tem realizado em prol da cultura popular açoriana.

Deve ser feita em vida (embora ainda se tenham muitos anos de margem), para ele poder sentir in-loco, o sabor das suas vitórias na divulgação da cultura popular açoriana.

E assim peço aos possíveis promotores para me convidarem, pois de modo nenhum, se puder e “ainda cá estiver”, queria perder um tão solene ato de cultura.


Lisboa, 26 de agosto de 2012

José Fonseca de Sousa

____________________

A propósito deste bem notado lembrete aproveito para também afirmar que sou adepta desta ideia, que aliás já foi pensada e ainda não efetivada, e que gostaria de estar junto dos cantadores (e cantadeira) para soltar o improviso na hora da merecida homenagem. Temos vindo a cantar no dia do Pezinho na Casa de Luís Bretão mas temo que essa efeméride tenda a pertencer a um passado recente. Oxalá que não. Que o amigo Luís Bretão, bem como os familiares, entendam que parar é tirar um pedacinho da emoção que nos dá força para viver. A nossa cultura vive e viverá no que se partilha na ilha, que fervilha na alegria de cantares e melodias.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Lágrimas do Céu

29 de agosto de 2012. Acorda-se com a maquiavelice de um gato novinho que pula e mordisca pernas e braços que estejam expostos às suas “carícias” madrugadoras. Depois abre-se a cortina para um céu de lágrimas frias que, quando nos toca os braços, parecem mais cortantes que os dentes finos do gato novinho. Aconchega-se a roupa à pele e entra-se no modo condutor. Ponho-me, então, a pensar durante os parcos minutos que intervalam uma moradia permanente e um local de produção numérica: Hoje até o céu devolve as lágrimas tristes (de quem está triste) para se construir, na terra, as Lágrimas do Céu


 


Lágrimas do Céu


 


Anda um pobre encharcado
Daquilo que já nem tem;
Anda o sonho derrubado
Pela falta do vintém.


 


Anda o clero e a nobreza,
Anda o povo lado-a-lado,
Todos abraçam a tristeza
De um céu acinzentado.


 


Há o adeus do Povo ilhéu
A um Bispo que foi emérito
De um sorriso circunscrito.


 


E as «Lágrimas do Céu»
Fustigam odes de preito
Com sinos tocando a eito.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

Pelos que passam na... Serreta dos meus encantos!

SERRETA DOS MEUS ENCANTOS


 




Um padre [x] de outra idade
Fez na Canada das Vinhas
Ninho da solenidade
Por entre as ervas daninhas.

Tricinquentenário fez
A subida a freguesia;
Logo no primeiro [*] mês
Do Curato então saía.


 



Mais antiga do torrão
É também a Filarmónica [f]
Que enfeita a Procissão
Numa alegria harmónica.

Santa Mãe de porta aberta,
Para o povo peregrino;
Sua Graça nos desperta,
O amor pelo Divino.


 



No sopé do Santuário
Há fé, encanto e luz;
Junto ao divino Sacrário [s]
Reina a Flor de Jesus.

Destinada para amar
Maria, a Mãe amada
Quando volta ao Altar
É, por todos, aclamada. [h]


 



Pelo caminho que passa
Abençoa todo o Povo
Quando dá a volta à Praça [+]
Seu rosto brilha de novo.

Vai nossa Banda tocando
Melodias de outrora…
A natureza vibrando
Com gente que vem de fora. [e]


 



Mata em brisa matinal
Num oásis de chilreios
É um dom celestial
Que alegra nossos passeios.

No mirante a Estalagem [++],
Lá no alto a Lagoinha
E p’ra quem vem de passagem
O Altar da Mãe Rainha.


 



Importa ainda louvar
O povo da freguesia
Quem foi e quem quis ficar
Nos retalhos de cada dia.

Àqueles que já partiram
Deixando eterna saudade, [p]
Certamente conseguiram
Ver a Mãe da eternidade.


 



 


2012/08/29
Rosa Silva (“Azoriana”)

Anotações:
[x] Isidro Fagundes Machado nasceu na freguesia de Santa Bárbara em 1651 e morreu em 1701 na Serreta, junto da imagem da virgem e da pequena capela que erigiu na sequência do seu eremitério
[*] 01/01/1862
[f] Fundada em 4 de dezembro de 1873. Conta nesta data com 138 anos.
[s] Há alguns anos a esta parte que se vê florir um autêntico Jardim da Senhora junto ao Altar-mor o que é de louvar e bendizer. As flores e os cantares dão alegria aos ares.
[+] Praça da tourada tradicional da segunda-feira da Serreta que é habitual ter tolerância de ponto para toda a ilha Terceira.
[h] Todas as vozes, letras e melodias são o melhor Hino à Virgem, com o novo Hino com letra de Álamo Oliveira e música de Antero Ávila.
[e] São os emigrantes que voltam num abraço apertado e um sorriso esbugalhado de emoção, são os residentes doutras freguesias mas com naturalidade legítima da Serreta e são todos os que podem ir da ilha ou fora dela.
[++] A linda Estalagem da Serreta está em completa ruína. Foi um monumento emblemático para a zona e uma atração turística ao longo de muitos anos. Hoje é propriedade privada à espera de uma obra renovadora total.
[p] Julgo que para a Festa da Senhora dos Milagres não há luto na parte religiosa. Eventualmente poderá haver alguma timidez na parte profana mas tudo isso depende do critério pessoal. Estamos a festejar aquela que intercede junto de Deus pela nossa salvação. As lágrimas também são uma oração quando não se consegue orar por palavras, canto ou silêncio meditativo.


A minha forma de orar é a rima abraçar por quem me quis doar.

HINO AO PEREGRINO, por Victor Teixeira - Pelham, New Hampshire

vitor_teixeira.jpg

Por quem os sinos dobram...

Fiz uma pesquisa usando a expressão “Por quem os sinos dobram”, pois a mesma assomou à minha mente, sem saber se é título de livro, filme ou outro cenário qualquer. A resposta veio dizer-me que é um romance de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, que narra a história de Robert Jordan, um jovem norte-americano das Brigadas Internacionais. Professor de espanhol que se tornou conhecedor do uso de explosivos, Jordan recebe a missão de explodir uma ponte por ocasião de um ataque simultâneo à cidade de Segóvia.

Quando me veio à mente aquela expressão não foi propriamente por conhecer este livro, mas porque ouvi dizer que amanhã, quarta-feira, os sinos todos dobrarão pelas 15 horas em uníssono por uma morte diferente na Região, tratando-se de alguém do clero e com um nível acima dos demais. Não vou fazer qualquer comentário a respeito do falecido mas sim a propósito dos sinos.

Um sino dobra sempre de duas maneiras principais: pela chegada e pela partida. A chegada é alegre... A partida causa dor no ser humano e uivos nos animais domésticos que parecem querer juntar-se à dor humana. Por outro lado, quando os sinos dobram em conjunto e assertivamente julgo ser o melhor Hino que se pode levar até à descida à campa fria… Acho que deviam declarar luto regional para todos pudermos acompanhar este funeral único.

Enquanto que hoje há um sino que vai dobrar a solo por alguém que muita gente (eu inclusive) estimava, tenho cá para mim que mesmo a solo vai causar mais consternação a filhos, viúvo, netos, amigos e conhecidos. Não vou citar nomes mas devia. É que esta senhora foi durante anos uma voz audível no grupo coral do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, foi uma mãe e educadora exemplar e tinha sempre uma amabilidade para quem dirigia ou recebia a sua palavra. Nestas horas queria eu que os sinos todos dobrassem e a acompanhassem ao Pai. Todos, afinal, merecem os hinos finais numa despedida custosa e que deixa marcas para o resto de tantas vidas que, um dia, na certa irão encontrar-se de novo…

Tal pena nunca acertarmos com as homenagens em vida para a maioria dos seres viventes. É pena. Mas, no meu íntimo, sei que esta senhora serretense receberá a homenagem devida no encontro com o Pai.

28 de agosto de 2012, num dia triste por dentro e por fora…

À madrinha Maria Clara Costa, cantadeira do Raminho

Maria Clara, tem um bom dia,
Meu desejo nesta hora
Em que a tua freguesia
Tem a festa por agora.

Chama lá pela viola
Que cá chamo p'lo violão
E também chega a hora
De chamar a inspiração.

Digo-te, minha madrinha,
Quase há um ano te convidei,
E fico sempre sozinha
Contigo nunca mais cantei.

Sei que é preciso ética
Perante o nosso povo
Tu e eu juntas na América
Cantando para velho e novo.

Se não sabes eu te lembro
Se partilharem da ideia
2ª semana de setembro
Estou cativa à minha aldeia.

Tenho pena que este ano
Penso estares para fora
O peregrino açoriano
Todo quer vir sem demora.

«150 anos de História»
É motivo mais-que-perfeito
Para fixar na memória
Tudo o que por ela é feito.

É freguesia vizinha
Do teu lar de mais carinho
E onde mora a Rainha
Que é também mãe do Raminho.

Adeus ó minha querida,
Podias ser minha filha,
Deus te dê saúde e vida
No cantar que se partilha.

Mando um beijo e um abraço
Porque é assim que se gosta
A quem te teve no regaço
E a tua família Costa.

2012/08/26
Rosa Silva ("Azoriana")

P.S.
Enquanto faltou a luz
Na nossa ilha Terceira
A inspiração me reluz
Para a jovem cantadeira.

Maria tens nome belo
Nem sequer é cousa rara
Mas jamais será singelo
Ao lado dele tem a Clara.

Deu-te clara claridade
Nas cantigas ao feitio
Da nossa insularidade
De despique e desafio.

Quero contigo cantar
Seja lá aonde for
Nem que seja a brincar
Sem brincar com teu valor.

A César Toste

A CÉSAR TOSTE

Cartaz da sua autoria
Munido de belos arranjos
Brilhará no dia-a-dia
Com o Grupo Jovens Arcanjos.

A fé está em toda a parte
Isso já ninguém duvida
Mas a tua santa arte
Alegra a nossa vida.

Que a Senhora da Serreta
Te recheie de muita luz
Porque ela é a vedeta
Humilde Mãe de Jesus.

E Jesus está no centro
No regaço das atenções
Todo o Amor vem de dentro
Pra surtir os corações.

Bem-haja amigo Toste
Enfermeiro devotado
Sempre haverá quem goste
E lhe diga OBRIGADO!

Não me quero alongar
Para não ser enfadonha
Só o quero elogiar
P'lo Cartaz de arte risonha.

Rosa Silva ("Azoriana")

Angra do Heroísmo, 2012/08/26

Homenagem a José Fonseca de Sousa - Lisboa




Anjo da Cultura Açoriana


 


Não pense que é vanglória
Querer chamá-lo de Anjo
Para mim fica na História
E juro que não esbanjo
Enviar-lhe como vitória
Homenagem neste arranjo.


 


Digo-lhe Senhor José
Não sei ao certo como tratar
Senhor, Doutor acho que é?
Fonseca Sousa a rematar
E a sua bondade até
Me fazem emocionar.


 


Já percorreu os Açores
Semeando nas nossas ilhas
Todo o seu bem e valores
Em autênticas estampilhas
De belos e doces amores
Em impressas maravilhas.


 


Eu não sou uma entidade
Dita em norma oficial
Tem a minha sinceridade
Na Homenagem especial:
Você é Anjo, de verdade,
Da cultura regional.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo


2012/08/26
01:09


Um pedido especial vindo do ilustre amigo José Fonseca de Sousa, de Lisboa

Dª Rosa Silva “Azoriana“

Vi e ouvi no seu Blog toda a Cantoria (cerca de 45 minutos) na homenagem ao Poeta/Cantor CANETA, realizada no Raminho.

Acho eu, e sem pretensões de estar “ para aqui a filosofar” que quando se está a homenagear alguém, não é só com “loas” (no bom sentido da palavra) neste caso em rima que a homenagem tem mais valor, mas sim quando se pretende elogiar alguém o “conteúdo” da mensagem é muito importante, senão o mais importante.

De todos os cantadores que intervieram e eram muitos, na minha opinião, 5 se destacaram, naquilo a que eu chamo “mensagem poética com sentido “como foram os casos de José Eliseu, Rosa Silva “Azoriana”, João Leonel “Retornado”, João Ângelo e Maria Clara, sendo que para mim, procurando ser sincero e justo, ordenava por esta ordem o valor das mensagens emitidas nessa Cantoria.

Assim, quando pretende que a sua “atuação”, nesta Cantoria, sirva como um bom exame para futuras oportunidades de ser convidada a intervir mais vezes, tenho a certeza que sim pois a senhora tem o cuidado de ao cantar enviar as melhores mensagens, como aliás, aconteceu na Pezinho da Comissão das Festas de S. Carlos/2011, em que no meio da quadra que estava a cantar emendou uma palavra no verso, para que a mensagem saísse mais valorizada.

Continue assim porque vai no melhor caminho pois as Cantorias não devem ser só um motivo de entretenimento, mas sim um veículo importante para a divulgação da cultura popular açoriana.

Por último peço-lhe o especial favor, para quando estiver com o senhor José Eliseu, a pequena Maria Clara e o senhor João Leonel, lhes transmita a grande admiração que tenho por eles como poetas/cantadores de grande valor, uma vez que quando estive na Cantoria das Festas da Praia em Agosto de 2012, não me foi possível contatá-los como pretendia.

Gostava que esta minha posição fosse publicada no seu Blog.

Lisboa, 26 de agosto de 2012


José Fonseca de Sousa

_______________

Nota: Caro amigo Fonseca fico-lhe muito grata pelo conteúdo da sua mensagem por via eletrónica, em nome dos cantadores mencionados e da minha pessoa. Vou tentar transmitir a mensagem aos amigos cantadores: José Eliseu, Maria Clara e Sr. João Leonel, com todo o gosto. É também de ELOGIAR todo o amor que o amigo Fonseca tem pela cultura açoriana. Estará sempre no meu coração e nos demais que o conhecem.

Angra do Heroísmo, 26 de agosto de 2012

Rosa Maria Correia da Silva

Cai a noite de mansinho...



Cai a noite de mansinho
Na toada do caminho
Que se veste de musicais
Pausa a visão nublada
Para se olhar a rosada

Nas linhas intemporais.

A imagem suaviza
A saudade que desliza
Batendo ao coração
Intervalo da miragem
Que abre nesta paisagem
Uma breve oração.




  Que Deus sempre te guie
E cada fardo alivie
Nos caminhos desta vida
Que haja paz e amor
Alegria no Redentor
Com a Sua Mãe querida.

Rosa Silva ("Azoriana")

Cantoria no lançamento do livro de Álamo Oliveira sobre o cantador CANETA, do Raminho

CANTO A ESCREVER

Sempre que canto a escrever
Entre quatro paredes meias
Acabo por acender
Uma chama nas minhas veias.

Minhas veias a compasso
Regadas pelo coração
Deixam sempre em meu regaço
Um amor, uma paixão.

O amor é duradoiro
A paixão assim não é
Tudo o que luz não é oiro
Mas é uma prova de fé.

Tenho fé porque acredito
Foi sempre o meu feitio
Que um dia será favorito
Meu canto ao desafio.

Ainda não chegou a hora
Digo isto na certeza
De cantar plo mundo fora
Sem deixar minha portuguesa.

Ao toque de um botão
Acionando teclas e som
Irá fora da Região
Este nosso e meu dom.

Não escrevo com vaidade
E no canto muito menos
Sou do campo vim pra cidade
Nenhum tem de mais e menos.

Cada ser e cada gesto,
Cada coisa e sentimento
Abundante ou sem resto
Terá sempre algum talento.

Movida pela emoção
Ancorada à escrita
Terei sempre uma oração
À minha Mãe favorita.

Porque Ela me comanda
Sem eu sequer lhe pedir
(Uma Mãe nunca se manda)
Já sei o que vou ouvir.

Filha minha, alma ancorada
À tua terra natal
Dei-te uma caminhada
Pra cumprires um ideal
Por quem sofreu na estrada
Para o bem celestial
Um dia vais ser chamada
Ao canto regional
Não negues por tudo ou nada
Toma o rumo original
.


Rosa Silva (“Azoriana”)

Homens sem armas

Homens não precisam armas

A vida é passageira
Há sempre um dia só
Mau grado ter-se à beira
Muita pena, risco e dó.


 


Dói sobretudo saber
Que no mundo habitável
Há tanta gente a morrer
Pela arma condenável.


 


Deixem que chegue a hora
A que todos temos vez
Não façam do ser agora
Um crime sem mais porquês.


 


A vida é preciosa
Seja pobre ou seja rico
Do botão nasce a rosa
Do espinho nasce o pico
Fiquem com rima ou prosa
Que a todos hoje dedico.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Divulgue-se, por favor: Pelo Caneta, de ouro...

Pelo Caneta, de ouro... 



I


Em vida me aconteceram
Coisas boas e coisas más
As boas sobreviveram
As outras ficam para trás.


 


Vivi rindo e chorando
Sonhei quase o tempo todo
Destaco o que fui amando
Pelas festas, pão e bodo.


 


E foi graças ao Pezinho
Poucas vezes, à Cantoria,
Que a cultura, com carinho,
Me deu nova autoria.


 


Livros são páginas belas
(E à leitura me convida)
São guardiães, sentinelas,
Que atestam a nossa vida.



II


Do punhado que já li
Retirei nobres lições
E muito mais aprendi
Com um mar de emoções.


 


Não pensem que faço mal,
Volta e meia escrever,
É o ramo cultural
Que estou a defender.


 


Defendo os cantadores
Os poetas populares
E também os tocadores
Que alegram os seus ares.


 


Foram beijados os ares
Com palavras ritmadas
Inspirados em salutares
Proezas antepassadas.


   

III


E fui, ontem, ao Raminho,
À sua Sociedade,
Onde foi dado carinho
A quem está na eternidade
Seu sorriso veio a caminho
Unir-se à festividade.


 


Caneta de tinta permanente
Na poesia popular

Homenagem doce e quente
Ao cantador exemplar
Que reuniu tanta gente
Mesmo sem vivo estar.


As quadras e as sextilhas
Voaram de boca em boca
Chegarão às outras ilhas
A mensagem não foi oca
Só se ouviram maravilhas
Tanta cantiga foi pouca.


 


Para um cantador ilhéu
Do Raminho regedor
Que tirou o seu chapéu
À rima do seu amor
Conforta saber que o céu
Fez-se em livro de valor.



IV


Nosso Álamo Oliveira
Poeta maior que tudo
Esteve à mesa, em cimeira,
Nesta noite foi sortudo,
José Eliseu à maneira
Quase que o deixava mudo.

Este nosso cantador
Poeta de boa imagem
Eliseu é conhecedor
Desta bendita romagem
Elogiou o autor
E tudo o mais com coragem.


 


A noite com luz e brilhos
Entrelaçando gerações
Com os netos e os filhos
Coroados de emoções
Por seguirem os bons trilhos
Do avô e pai das canções.


 


Seja feito o registo
Da nossa arte popular
Por mim faço e não desisto
De a todos divulgar
A ilha de Jesus Cristo
E sua cultura secular.



 


2012/08/24
Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Inspiração do dia seguinte ao lançamento do livro
dedicado a Manuel Caetano Dias (o Caneta)
nascido em 11 de agosto de 1917
com partida em 22 de agosto de 1991,
aos 74 anos de idade.



Passados vinte e um anos da sua morte e
noventa e cinco do seu nascimento
teve a festa póstuma merecida,
na Sociedade da freguesia do Raminho,
concelho de Angra do Heroísmo
ilha Terceira - Açores

"Caneta de tinta permanente na poesia popular" - texto e organização de Álamo Oliveira

Sobre a Festa de lançamento do livro "Caneta de tinta permanente na poesia popular", na Sociedade do Raminho a 2012/08/23


 


Caneta de gerações
Delegando a poesia
Aquecendo os corações
Muito além da freguesia.

A primeira que cantei
No palco do bom Raminho
Com gosto elogiei
Nossa gente com carinho.

Caneta de fina escrita
Que sinto à minha beira
Na mensagem favorita
Do nosso Álamo Oliveira.

A segunda antes do final
Entre vinte e tal cantadores
Numa noite especial
Num lançamento de valores.

A Senhora da Serreta
Nos enfeite de alegrias
Tire qualquer nuvem preta
Das vozes e melodias
E ao lado do Caneta
Dê felicidade à família Dias.

Ouvi filho, neto e filha
Do popular cantador
Foi mesmo uma maravilha
Emoção levada a rigor
É património da ilha
E de quem lhe tem amor.

Rosa Silva ("Azoriana")




Raminho do concelho de Angra do Heroísmo

2012-08-23 Desparasitado, vacinado e com direito a dedicatória


 


YOSHI

Gato que me foi doado
Em agosto está crescido
Corre e brinca em todo o lado

É um gato destemido.

Yoshi é o nosso amigo
Perfeito de estimação
Ele agora está comigo
Gosto dele com coração.

Peço ao protetor dos felinos
Não importa quem ele seja
Que o livre de maus destinos...

Seja manso, amigo leal,
E que sempre bem esteja
Ninguém ouse fazer-lhe mal.

Rosa Silva ("Azoriana")



 

O dia de apanhar o trevo - Rosa Silva ("Azoriana")

O DIA DE APANHAR O TREVO (Em resposta ao Mintoco) 



Arrisco aqui vos contar
Tal como o amigo Mintoco
Como era o apanhar
Do trevo que nem era pouco.


 


Nos meus tempos de menina
Quando o sol se alevantava
Mesmo que fosse em surdina
Pela Rosa já se chamava.


 


Na casa não havia rapazes
Apenas duas irmãs
Uma avó, mãe e pai audazes
Em tais esbeltas manhãs.


 


Por mim não gostava nada
Do assento que engendravam
Saca de lona atulhada
De folhas de milho que secavam.


 


Ia-se, então, muito cedo,
Para aquela imensidão
De trevo que metia medo
Todo apanhado à mão.


 


Mesmo com a mão dorida
Tínhamos de tudo apanhar
Para logo de seguida
O deitarem a secar.


 


Eram tantas as bolotas
Tanta puxa daqui e dali
Que até se tiveram as botas
Esfalfados de estar ali.


 


Nesta azáfama medonha
Iam Maria e a Alexandrina,
Que diziam que a cegonha
Tinha trazido esta menina.


^
__|



Elas riam e brincavam,
Comigo à força toda
Quanto mais trevo apanhavam
Mais alegre era a boda.


 


Eu chamava-as das “titias”
Eram primas colaterais
Visitava-as todos os dias
Através dos nossos quintais.


 


Este tempo de criança
Ficou na minha memória;
Hoje perco a esperança
De voltar a esta glória.


 


As bolotas daquele trevo
Apanhadas uma-a-uma
Estão gravadas no que escrevo,
Nas entrelinhas, em suma.


 


Do trevo não tenho saudades
Nem tão pouco de acordar cedo
Das titias e suas amizades
Saudades é de meter medo!


 


Com elas aprendi tanto,
A passar ponto em lençóis
E muito do seu encanto
Só o percebi depois.


 


Mintoco fico obrigada,
Por me fazeres recordar
O tempo quando fui nada
Com tarefa salutar.


 


Agora na despedida
Destes versos em resposta
Deus te dê saúde e vida
Como toda a gente gosta;
No meu blog tens guarida
Sempre com tua arte exposta.
 

 


Rosa Silva ("Azoriana")


"O dia de apanhar o milho", por António "Mintoco"

O DIA DE APANHAR O MILHO 



Para falar de coisas antigas
Não há por onde começar
Mas tirando as silvas e ortigas
Eu sei que não me hei de picar.


 


Eu vou falar só de uma coisa
E do assunto não me desviar
Minha mão no teclado poisa
Já posso a história começar.


 


Naquele tempo que já lá vai
No dia de apanhar o milho
Cedo se levantava a mãe o pai
E iam acordar também o filho.


 


Se tinham mais do que um
Isto é que era uma beleza
Não pagavam a nenhum,
Não faziam muita despesa.


 


Se outros tivessem de contratar
O que muitas vezes acontecia
O jantar tinha que lhes dar
Além de lhes pagar o dia.


 


Mas lá iam todos contentes
De manhã pela fresquinha
Mas por dentro estavam quentes,
Tinham bebido uma pinguinha.


 


Pode talvez não ter muita graça
E não vou fazer nenhuma troça
Mas parece que um copo de cachaça
Lhes dava a eles muito mais força.


 


Começando todos a trabalhar
Antes pudesse nascer o sol,
Todos iam milho apanhar
Até encher o primeiro lençol.


^
__|



Às vezes se faziam apostas
De maneira bem sentimental
Para pôr o lençol às costas
Sem a ajuda do pessoal.


 


Certamente só se fazia isso
Quando tinha lá raparigas;
Alguém até já me disse
Que chegava a haver brigas.


 


Certos terrenos faziam combro
Com alguma estrada principal;
O milho era carretado ao ombro
Para que ficasse perto do portal.


 


Podia vir um carro de bois
Ou até mesmo um camião
Carregava-se eles os dois
E era tudo carregado a mão.


 


Trazia-se o milho para casa
Se punha num cafugão;
À noite se acendia a brasa
Para torrar favas para o serão.


 


Vinha então a vizinhança
Vinha o pai e vinha o filho
Vinha o velho e a criança
Todos para o serão do milho.


 


Não havia rádio nem televisão
Não se pensava em tais glórias,
Mas passava-se um lindo serão
Cantando e ouvindo histórias.


 


Vai ser melhor parar por aqui
Isto é uma história muito grande
Agora vou dar a vez também a ti
Espero que isto para a frente ande
Mas estas coisas eu não esqueci
Nem esqueço mesmo que me mande.
 

 


António "Mintoco"


Ó brava PIPA! e outro improviso

Pipa de Vinho de Cheiro


 



 


Símbolos Animados dos Açores


Ó brava PIPA!

Anda à roda o vinho de cheiro
Numa pipa bem ornada
Quem vir o fundo primeiro
Não consegue ver mais nada.

Anda à roda ó pipa boa
Para todo o vinhateiro
Alegras toda a pessoa
Que te prova por inteiro.

Roda, roda, minha amiga,
Que a uva é tua patrona
Ao cheiro duma cantiga.

Roda, roda, sem parar,
A folia vem à tona
Ao redor do teu rodar.

Rosa Silva (“Azoriana”)


 


As Velhas


 



 


Símbolos Animados dos Açores


Velha medonha

Anda uma velha medonha
Mal se levanta da fronha
Com sentido em trabalhar
Já tratou do Oliveira
Se presa toda festeira
Para a uva vindimar.

Mal se abaixa coitadinha
Fica tudo em alvoroço
Parece uma sardinha
E só se vê pele com osso.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Nota: Esta é para o Mintoco sorrir :)

Mãe, Maternidade

Mãe, Maternidade

 


Mãe, Maternidade


 


Com os anjos de Deus a seus pés
E o Cristo na palma da mão
Na ternura, que não tem revés,
Acolhendo um olhar de irmão.

Conhecida pela Mãe de Boa Hora,
Coroada de doce harmonia,
É tão doce a Nossa Senhora
No altar onde está dia-a-dia.

Eu pergunto, então, sem pavor
Porque andam os homens avessos,
Ao mais belo e puro amor?!

A resposta vem na intimidade
Da escrita que sai, sem tropeços,
À imagem da Maternidade.

2012/08/22
Rosa Silva (“Azoriana”)

A reação de um bom ouvinte (a propósito do artigo anterior)

Como leitor assíduo no seu Blog vi a sua vontade de poder vir a presidir à Junta de Freguesia da Serreta e assim pergunto: porque não?


 


Para presidir em alguma coisa que seja de interesse pùblico e não só, alguns atributos são essenciais:


 



  • Honestidade

  • Vontade de exercer cidadania

  • Competência

  • Amor às origens (no caso concreto da Junta de Freguesia)


 


Honestidade é coisa que não lhe falta pelo que tenho visto, neste curto tempo que a conheço e pelo que pessoas bastante idóneas me dizem de si.


 


Vontade de exercer cidadania em prol dos outros, basta para isso estar atento ao seu blog e ver as causas que vai defendendo com as suas intervenções quer em prosa quer em verso.


 


Competência, mesmo que ela não seja absoluta, com a escola da vida e com a experiência que se vai adquirindo, a competência revela-se não por título atribuído, mas pela capacidade demonstrada na boa resolução dos problemas que nos vão surgindo dia a dia.


 


 


 Amor às origens, quem ler o seu livro “Serreta na Intimidade “ e consultar no seu Blog “ Recheio de Rimas”, com poucas ou nenhumas dúvidas fica em relação ao amor e fidelidade que tem para com a sua terra natal a Serreta.


 


Como vê, embora longe, existe alguém que a ouve.


 


Lisboa 21-08-2012


 


José Fonseca de Sousa


 


(amigo incondicional dos Açores)

Que “ninguém” (ou alguém) me ouça…

Não é a primeira vez que me ocorre um pensamento (e até já o balbuciei a algumas pessoas amigas) de que gostava de me candidatar a presidente da Junta de Freguesia da Serreta e esperar a reação dos votantes.

Isto de fixar residência permanente fora da Serreta não invalida que me sinta serretense de gema, uma vez que a naturalidade ninguém me tira e consta dos registos oficiais, mesmo que a mesma não se veja a olho nu no novo cartão de cidadão mas basta passar num leitor automatizado para se comprovar o que aqui está escrito.

E porquê este desejo íntimo e pessoal? Porque mesmo afastada do local estou em permanente ligação com o mesmo, seja por via do “diz que disse”, seja por via eletrónica ou ida ao local em corpo com alma, ainda…

Sei que ficaria sobrecarregada de ofícios e outros trabalhos mas tinha um ideal e a minha própria vontade com algum saber e gosto pelas tecnologias. Juntamente com aquele punhado de gente, cuja naturalidade também é de lá mesmo que só lá estejam “de facto”, faríamos a continuação da Serreta com o que ela merece preservar e/ou atualizar.

Como “ninguém” lê isto fico pelos meus escritos relacionados com a querida terra natal, meu berço natural.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Deixa-me que vos diga...

Esta coisa de termos acesso a tudo quanto é comunicações e avisos por via tecnológica tem muito que se lhe diga mesmo. É um ver se te avias com notícias sobre um tal de “Gordon” que se chega ao ponto de virar costas à ventania e torrentes de chuva com a lama que lhe sobressai.

Deixa-me que vos diga que, pelo sim pelo não, andei numa roda-viva a forçar tudo o que era fechos de pouco calibre de janelas e janelinhas de modo a que o tal “Gordon” esbarrasse e não entrasse… Qual quê?! Com tanto anúncio e aviso (que até é de louvar) fiquei-me pela espera. Claro que o “Gordon” fez algum estardalhaço nalgumas ilhas dos Açores mas ainda não ouvi coisa que me fizesse parar para escutar melhor.

Enquanto uns, por esse mundo abaixo, se veem com mangueiras na mão tentando apagar incêndios de vulto que deixam o chão crivado de cinzas, outros estão inundados até mais não, perdendo tudo o que produziram durante uma vida, ou mais… Nós, os Açorianos, vamos tendo as ameaças constantes da natureza e afins que quanto mais se avisam mais tendem a ser suavizadas pela contra notícia: afinal o “Gordon” quis passar um pouco ao lado e foi-se desvanecendo, até que outro nome estrangeirado ou conhecido volte a atormentar e a fazer correr gentes e notícias de última hora.

Valha-nos, ainda, as gentes que trabalham no “top” do problema e nem sequer vão à cama, como eu fui e tentei tirar algumas horas de sono misturado com sonhos medonhos, para salvar os seres que tem os mesmos medos e sujeições.

E não havendo mais nada a escrever, desejo, a todos, um santo dia no começo de uma santa semana bem longe, ainda, de Semana Santa.

Não esqueçam que na próxima quinta-feira há “CANETA de tinta permanente”, um livro a ser lançado na freguesia do Raminho, concelho de Angra do Heroísmo, com texto e organização de Álamo de Oliveira, poeta, e apresentação de José Eliseu, poeta e cantador ao desafio. Estes sim verdadeiros “furacões” da nossa cultura açoriana com repercussões além-mar.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Cantadeira por escrito



A primeira cantoria
Ao vivo, como se quer,
Foi em boa companhia
E não fui eu a escolher.

Nem veio bater à porta
Um convite a valer;
A tradição me conforta
Venha lá de onde vier.

A cantoria afamada
Só uma mulher a teve
Aos homens é dedicada
E ninguém mais os deteve.

Quando a mulher se atreve
A mexer com a maresia
A cantar mais do que deve
Há mais que a Rosa Maria.

Rosa Silva ("Azoriana")

Caminhos de outrora, no tempo da eira



 


Ainda o sol não era nado, levantavam da cama e rezavam nem que fosse no íntimo de quatro paredes. Tomavam uma boa maquia de leite com pão de milho esmiolado e quiçá algum tónico para a viagem de uns rodados que cantavam pelo caminho um hino à natureza.

Primeiro tinham que colocar o carro nos eixos, cangar as vacas (ei vaca pra diênte...), a aguilhada em riste, o chapéu de palha, e ala que se faz tarde, mesmo que a manhã fosse aurora...

Chegavam ao cerrado e toca de arrancar o produto que a terra fizera graúdo e amontoar no carro, amarrando bem para nada se perder no regresso à eira. Eis que, na eira, se dispunha o feijão, o tremoço ou as favas, conforme a época, para depois se seguirem as operações ritmadas de um trabalho sempre igual e de sustento para muita gente.

Malhar com o mangual, tirar a palha já sem o grão, juntar para um monte, joeirar e/ou aventar para que o grão ficasse limpo de quaisquer impurezas nefastas. No fim, enchiam-se sacas de lona, baldes e outros utensílios que resguardassem o produto da terra até que fosse o dia de escolher, em cima da mesa, grão a grão, tirando ainda alguma impureza que o vento não levara.

Ainda me lembro de malhar, joeirar e escolher feijão amarelo (o que gosto mais) para depois ser servido. No caldeirão de ferro fundido, com um bom refogado, com tempero saudável, uns nacos de bacon e outros ingredientes de porco que permaneciam armazenados na salgadeira, linguiça em rodelas, e o sagrado feijão amarelo, que era de comer e chorar por mais... Tinha um sabor que ainda retenho no paladar acostumado ao tempero caseiro...

Não tenho esse dom de boa cozinheira mas ainda lembro o cheiro que pairava no lar de uma chaminé que não consentia em segredos: pelos oríficos voltados ao céu, saíam fumos e cheiros inconfundíveis que percorriam os ares até se juntarem com outros das vizinhanças quase iguais, dependendo da mão que os temperava.

Ao escrever estas lembranças não muito longínquas, fico pasmada no tempo que isto era o feijão-nosso-de-cada-dia e, na altura, não me causava tanto espanto... Hoje, ao ver as relíquias em imagem desbotada pela neblina de gavetas, fico como que numa saudade... Não tanto do feijão (o amarelo!!) mas daqueles cujas mãos ficavam grosseiras e santas por salvarem a vida da família com a sua produção, sem taxas ou impostos...

Por tudo isto, louvo, do fundo do coração, todos os antepassados que não mediram esforços e zelaram pela terra que Deus lhes destinou e jamais a desprezaram, para bem de todos os descendentes.

O Chico e o Manuel Raimundo, a Belmira, a Maria e a Alexandrina Raimundo, o Carlos "picaroto", a Matilde (mesmo doente), a Alexandrina Cota, o meu avô Manuel Gonçalves (que morreu tinha eu 2 meses), todos já falecidos mas jamais esquecidos por esta que se assina de

Rosa Silva ("Azoriana")
2012/08/12

Dádiva


("Dia da criação", a imagem mais linda)

 


O QUE VOS DOU


 


FECHADA ENTRE QUATRO PAREDES,
CONFORME ASSIM O QUIS
VEJO-ME METIDA EM REDES
ONDE TUDO SE DISSE OU DIZ.


 


FECHADA ENTRE QUATRO PAREDES
Revelar os males ou dores,
As agruras ou as sedes,
Não é fácil meus senhores.


 


Trabalho em isolamento
CONFORME ASSIM O QUIS
Estou melhor neste momento
Tanto que já dei e fiz.


 


Muito de mim até vedes
Correndo nas entrelinhas…
VEJO-ME METIDA EM REDES
Onde estão criações minhas.


 


Porém não sei hora ou dia
De deixar minha raiz;
Dei de mim o que queria
ONDE TUDO SE DISSE OU DIZ.


 


2012/08/10 (noves fora, cinco… o número que gosto.)


 


Rosa Silva (“Azoriana”)