Para falar de coisas antigas Não há por onde começar Mas tirando as silvas e ortigas Eu sei que não me hei de picar.
Eu vou falar só de uma coisa E do assunto não me desviar Minha mão no teclado poisa Já posso a história começar.
Naquele tempo que já lá vai No dia de apanhar o milho Cedo se levantava a mãe o pai E iam acordar também o filho.
Se tinham mais do que um Isto é que era uma beleza Não pagavam a nenhum, Não faziam muita despesa.
Se outros tivessem de contratar O que muitas vezes acontecia O jantar tinha que lhes dar Além de lhes pagar o dia.
Mas lá iam todos contentes De manhã pela fresquinha Mas por dentro estavam quentes, Tinham bebido uma pinguinha.
Pode talvez não ter muita graça E não vou fazer nenhuma troça Mas parece que um copo de cachaça Lhes dava a eles muito mais força.
Começando todos a trabalhar Antes pudesse nascer o sol, Todos iam milho apanhar Até encher o primeiro lençol.
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Às vezes se faziam apostas De maneira bem sentimental Para pôr o lençol às costas Sem a ajuda do pessoal.
Certamente só se fazia isso Quando tinha lá raparigas; Alguém até já me disse Que chegava a haver brigas.
Certos terrenos faziam combro Com alguma estrada principal; O milho era carretado ao ombro Para que ficasse perto do portal.
Podia vir um carro de bois Ou até mesmo um camião Carregava-se eles os dois E era tudo carregado a mão.
Trazia-se o milho para casa Se punha num cafugão; À noite se acendia a brasa Para torrar favas para o serão.
Vinha então a vizinhança Vinha o pai e vinha o filho Vinha o velho e a criança Todos para o serão do milho.
Não havia rádio nem televisão Não se pensava em tais glórias, Mas passava-se um lindo serão Cantando e ouvindo histórias.
Vai ser melhor parar por aqui Isto é uma história muito grande Agora vou dar a vez também a ti Espero que isto para a frente ande Mas estas coisas eu não esqueci Nem esqueço mesmo que me mande. |
Eu hoje por aqui passei
ResponderEliminarAo tempo que não passava
Dizer a verdade eu nao sei
Mas a consciência me acusava
Porque uma silva aqui deixei
Que precisava de ser cuidada
Nao é uma silva qualquer
É uma silva que da rosas
Que quando se torna em mulher
É uma das mais formosas
Que quem suas rosas colher
Leva picadelas dolorosas
Mas eu sou um bom jardineiro
Com ela eu tenho cuidado
Levei picadelas a primeiro
Mas agora estou acostumado
Pois tenho uma no meu canteiro
Com quem muito eu tenho praticado
Mas esta silva que da rosas
Coisa que é imaginavel
Seus espinhos sao suas prosas
Que não ha nada igualavel
Sao como setas poderosas
Que me deixam muito instavel
Saudades dela eu tenho
Por isso entrei no seu espaco
Fazer guerra eu não venho
Pois é coisa que não engraco
Mas com prazer hoje me empenho
Dando-lhe com prazer um grande abraco