Divulgue-se, por favor: Pelo Caneta, de ouro...

Pelo Caneta, de ouro... 



I


Em vida me aconteceram
Coisas boas e coisas más
As boas sobreviveram
As outras ficam para trás.


 


Vivi rindo e chorando
Sonhei quase o tempo todo
Destaco o que fui amando
Pelas festas, pão e bodo.


 


E foi graças ao Pezinho
Poucas vezes, à Cantoria,
Que a cultura, com carinho,
Me deu nova autoria.


 


Livros são páginas belas
(E à leitura me convida)
São guardiães, sentinelas,
Que atestam a nossa vida.



II


Do punhado que já li
Retirei nobres lições
E muito mais aprendi
Com um mar de emoções.


 


Não pensem que faço mal,
Volta e meia escrever,
É o ramo cultural
Que estou a defender.


 


Defendo os cantadores
Os poetas populares
E também os tocadores
Que alegram os seus ares.


 


Foram beijados os ares
Com palavras ritmadas
Inspirados em salutares
Proezas antepassadas.


   

III


E fui, ontem, ao Raminho,
À sua Sociedade,
Onde foi dado carinho
A quem está na eternidade
Seu sorriso veio a caminho
Unir-se à festividade.


 


Caneta de tinta permanente
Na poesia popular

Homenagem doce e quente
Ao cantador exemplar
Que reuniu tanta gente
Mesmo sem vivo estar.


As quadras e as sextilhas
Voaram de boca em boca
Chegarão às outras ilhas
A mensagem não foi oca
Só se ouviram maravilhas
Tanta cantiga foi pouca.


 


Para um cantador ilhéu
Do Raminho regedor
Que tirou o seu chapéu
À rima do seu amor
Conforta saber que o céu
Fez-se em livro de valor.



IV


Nosso Álamo Oliveira
Poeta maior que tudo
Esteve à mesa, em cimeira,
Nesta noite foi sortudo,
José Eliseu à maneira
Quase que o deixava mudo.

Este nosso cantador
Poeta de boa imagem
Eliseu é conhecedor
Desta bendita romagem
Elogiou o autor
E tudo o mais com coragem.


 


A noite com luz e brilhos
Entrelaçando gerações
Com os netos e os filhos
Coroados de emoções
Por seguirem os bons trilhos
Do avô e pai das canções.


 


Seja feito o registo
Da nossa arte popular
Por mim faço e não desisto
De a todos divulgar
A ilha de Jesus Cristo
E sua cultura secular.



 


2012/08/24
Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Inspiração do dia seguinte ao lançamento do livro
dedicado a Manuel Caetano Dias (o Caneta)
nascido em 11 de agosto de 1917
com partida em 22 de agosto de 1991,
aos 74 anos de idade.



Passados vinte e um anos da sua morte e
noventa e cinco do seu nascimento
teve a festa póstuma merecida,
na Sociedade da freguesia do Raminho,
concelho de Angra do Heroísmo
ilha Terceira - Açores

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