Apetece-me escrever muito, muito...

Entre quatro paredes, entre pensamentos aos molhos, entre ideias enclausuradas na mente, entre um não sei quê de não sei quantos, apetece-me escrever letras sem rumo, sem tarelo, sem nada... Vazias de tudo e cheias de nada. Não consigo talhar nem um parágrafo sequer que tenha essa virtude: ser. O nosso ser é tão minúsculo que mete dó a quem o olha. A vida é uma montanha russa, uma corrida desenfreada para não sei onde. Nascemos, fomos criados, desenvolvemos capacidades, perdemos alegrias e abraçamos algumas tristezas... No fim, apenas vemos o filme todo de uma só vez, sem intervalos nem publicidades. As palavras emudecem hoje nas teclas que per si sabem tonalizar a frase sem lágrima alguma. Secaram as fontes, as ribeiras, as arquinhas de uma vida de tantas vidas. Secaram momentos tingidos de longevidade amarga. Secam-me as palavras que não consigo reanimar. Quero recordar, apenas, as orações da minha avó…


 


"Com Deus me deito, com Deus me levanto, com amor e graça do Divino Espírito Santo"


 


Com Deus te deitaste?! Com Deus terás acordado?! Pelos que deixaste talvez terás chorado?! … … …

26-12-2012

tarde fria...de cinquenta e seis.

Entre laços, luzes e fitas

Há canções tão bonitas
Que o Natal ressuscita
Entre laços, luzes e fitas
Faz a quadra favorita.



A terra se ilumina
E festeja o Redentor
Puro de graça divina
Verdade, luz, vida e amor.


 



Pede-se tanta coisa a Ele
Entre cânticos natalícios
Pois toda a gente vê nele
O Rei de tantos ofícios.


 


Dedilhando a guitarra
E nossa viola da terra
A palavra não se amarra
Solta-se do mar à serra.


 


Solta-se também a voz
Nos terreiros da alegria
Festeja-se Deus entre nós


S. José e a Virgem Maria.


 


São momentos joviais
Alegrias renascidas
Crianças entre os demais
São estrelas coloridas.



Rosa Silva ("Azoriana")

Às "Memórias de Portugal" de Manuel Ivo Cota e sua equipa


 



 


Saudade é dor imensa
Que se prende ao coração
E torna ainda mais intensa
A insular saudação.

Saúdo a nossa comunidade
De saudosos emigrantes;
Devem saber que a saudade
Aproxima os mais distantes.

Dou graças ao Deus Menino
Pela data que se festeja...
Seja qual for o destino
Rogo que connosco esteja.

A todos em especial
Bem-haja e um Bom Ano
Às "Memórias de Portugal"
Meu louvor açoriano!

Nesta bela ocasião
Que maior saudade chama
Na margem do coração
Vai rimando quem vos ama.

O amor pelo improviso
Na escrita repetente
Vai para onde for preciso
Num abraço a toda a gente!

Rosa Silva ("Azoriana")

Recordações de Natal

feliz natal


 


Que o nosso Natal seja
Uma beleza de alma
Em cada lugar se veja
A estrela que nos acalma.


 


Que os lares mundiais
Tenham Paz nesta altura
Que as trovas dos jograis
Incendeiem de ternura.

Que a gente se anime
E o Natal sempre mime
Na consoada feliz

Reúna em cada lar
Alguém que queira ajudar
A levantar o País.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ao João da Agualva

Quero deixar gravado neste blog um comentário que deixei no Facebook de um amigo da nossa cultura popular: João Mendonça, conhecido pelo João da Agualva. Ele presenteou-nos com um "Presépio" feito de maravilhosas sextilhas que ornamentam qualquer mente que as leia e perceba o quão maravilhosa é a sua arte e sabedoria, seja qual for a sua ação. Eis, então, a minha resposta:


Caro amigo João
Boas Festas aqui estão
Quase, quase nesse dia
Parabéns te quero dar
Teu "Presépio" gabar
Tua arte e sabedoria.

Lembro que a tua Agualva
Onde brota água alva
Permanece no coração
Sei disso porque a Serreta
Pode até ser toda preta
Mas é minha clara paixão.

Quando eu era pequenina
E seguia a doutrina
Em teoria e ação
Lembro que o meio da casa
O presépio estava à rasa
Com a minha ajuda então.

Hoje sinto a nostalgia
Nesta época, quem diria,
Que isso ia acontecer
Perdi toda a meninice
E a crise outra chatice
Que deitou tudo a perder.

Às figuras juntava o galo
Da capoeira o regalo
No cimo, bem nas alturas,
Os reis magos e a estrela
E eu volta e meia a vê-la
Mesmo que fosse às escuras.

Tenho pena amigo João,
Dos meus filhos, nesta estação,
Não pensarem como eu...
Fruto desta nova era
Sabem talvez os que os espera
Num "presépio" como o meu.

Abraços a toda a gente
Dos Açores e Continente
E um pouco mais além
Emigrantes saudosos
Desses tempos maravilhosos
Do Menino de Belém.

Desculpem minha ousadia
Mas tocou-me a magia
Do Presépio do João
Este nosso bom artista
Merece que lhe assista
Toda a melhor saudação.

Bem-haja este ilhéu
Que em tudo o que é seu
Merece bravos elogios
Por mim faço o que posso
Por defender o que é nosso
Nos meus parcos desafios.

Para acabar em dezena
A sextilha que acena
À brava população
Fiquem bem nos vossos lares
E cantem pelos altares
Ao Natal do bom cristão.

Rosa Silva ("Azoriana")

E as rosas, senhor.... E as rosas...


 


Se clicar na imagem nova pétala virá...


 


 



 


Comentário de José Fonseca de Sousa acerca deste meu artigo:

e as rosas, senhor... e as rosas ..., e eu acrescentava e a ROSA (azoriana) senhores... que consegue proporcionar a quem a lê momentos de grande paz de espírito, como é no caso do seu extraordinário "trabalho" que conjugando o seu sublime poema "O Brinde da Natureza" com as interpretações Mariah Carey sobre o Natal, é de um bom gosto incalculável a que é muito difícil ficar indiferente.

Os meus sinceros parabéns.

* Por vezes pergunto-me: Será que a cara amiga dá dimensão devida às coisas extraordinárias que consegue realizar?


José Fonseca de Sousa
Lisboa - 21-12-12

Sentimento ilhéu

Eu sinto um não sei quê, um não sei quanto,
Pousada numa tarde cinzelada...
Pasmei boquiaberta junto à fachada
Nada vi que me avistasse algum espanto.

Um não sei quê de fim que dura tanto
Sem dar transtorno à sorte rascunhada
Nas linhas breves onde sou amada
Por quem as lê e salva se vê encanto.

Quando eu sinto, sinto porque sinto,
E juro que hoje, enfim, juro e não minto,
Se te disser que foste a minha aurora...

Do tempo que cantei cada palavra
Do tempo que criei como quem lavra
O fim que não o foi e que em todos mora.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Agradecimento

Ao lindo "Anseio de Natal" de Clarisse B. Sanches

Lindo! Muito lindo amiga!
Deus sorri pra tua candeia
Até a mim essa luz abriga
E a alma me incendeia.


A tua luz brilha ao mundo
Faz esquecer tanta desdita
Verso medido e profundo
Numa quadra tão bonita.

Feliz Natal boa Clarisse
Que o Menino é contigo
Sorrindo em tenra meiguice
Para sempre é teu Amigo.

A todos ao teu redor
Mesmo poucos sejam bons
Viva Deus Nosso Senhor
Benditos sejam seus dons!

Beijos
Rosa Maria

Desafio: a vossa leitura preferida de 2012


(...) "o que vos cativou e faz recomendar esse livro" (...)

in Blogs do SAPO.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


O que vos quero dizer
Mesmo que não seja estrela…
Ao desafio vou responder:
Será que poderei vê-la?!

Há estrelas que são linhas
Em livros que a gente lê
Se as leres nalgumas minhas
Há de haver algum porquê.

Porque se escreve com fé
Porque fé é acreditar
Que a gente tem ao pé
Estrelas que irão brilhar.

Serreta na intimidade
Livro de dois mil e onze
São linhas que na verdade
Saíram com o meu bronze.

Viva a equipa do SAPO
Que aloja o meu diário
Com tanto artigo no papo
Já parece um escapulário.

Tenham isto em atenção
E com modéstia aparte
Se não fosse vossa missão
Não vinha à luz minha parte.

Não fiquem emocionados
Porque vocês bem merecem
Elogios redobrados
Por tudo o que nos fornecem.

Dar o nosso com humildade
Não é castigo porém
Serreta na intimidade
É vossa leitura também.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Rosas de Teresinha...


 


"... Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela".
- Frase de Teresinha. Há mais aqui...

JFS responde à musa com uma análise

Cara Amiga Rosa Silva (Azoriana)


 


 


Em conformidade com a análise que venho fazendo à sua obra literária, quer em prosa, quer em verso, afigurasse-me que não se deve incomodar muito com o aparecimento da sua Musa, pois como, quando escreve, fá-lo de uma forma narrativa, descritiva e interventiva, que o mundo e os acontecimentos que diariamente à sua volta decorrem, são a “Musa” que procura.




A inspiração virá dos próprios acontecimentos que tem vindo a relatar, (em verso ou em prosa) e do dom com que o Divino a presenteou.


Por isso narre, descreva e intervenha, porque a cultura popular açoriana bem precisada está da sua contribuição.


 


 


Um grande e amigo abraço


 


José Fonseca de Sousa


Lisboa – 11-12-12

Fazes-me falta... Musa minha! (in quadra natalícia)




in Quadra natalícia


 


Musa minha, inspiradora
Onde estás que não te vejo?!
Estás no Sol que a manhã doura
Ou nos traços de um beijo
Quando o Sol se vai deitar
Na almofada do luar!...

Musa minha, dá-me ensejo
Pra de novo me inspirar
E viver tudo o que vejo
Desde a manhã até ao luar.

Musa minha, dá-me paz
Dá-me luzes de ribalta
Faz com que eu seja capaz
De animar quem me faz falta.



Na época que é propícia
A uma quadra natalícia...


Feliz Natal com o Menino
Tão festivo e divino!

Rosa Silva ("Azoriana")





     

Boas Festas


Feliz Natal

2012


 

 



Árvore de Lisboa, por José Fonseca de Sousa

Depois de ler no seu blogue a sua intervenção de cidadania, sobre o Natal veio-me a lembrança o que vi no dia 01-12-12 na Praça do Comércio em Lisboa.


 


 


 


A propósito de Natal e da Árvore de Natal, foi com grande “satisfação” que vi na Praça do Comércio em Lisboa, uma árvore dita de Natal, mas que não passa de um enorme triângulo vidrado que pelo menos tem a grande virtude que é a de poder refletir no seu espelho as imagens de quem diante dela se coloca.


Assim a esmagadora maioria do povo trabalhador há-de ver refletida a sua imagem de grande desespero, de grande cansaço, de grande sofrimento e consequentemente de grande revolta pelo que lhe está ser feito pelos poderosos e seus lacaios, nesta famigerada Crise que os Troikanos nos impuseram.


Por sua vez os poderosos e os seus lacaios, se não fecharem os olhos, hão-de ver, forçosamente, a sua imagem refletida como uns tiranos, uns hipócritas, uns ignóbeis, e tantos outros nomes que tinha vontade de dizer, mas que evito, por educação.


 


 


 


 


José Fonseca de Sousa


Lisboa, 03-12-12

Balbucia-se a palavra "Natal"...

Este fim-de-semana, primeiro do último mês do ano de dois mil e doze, com início num sábado, feriado, trouxe consigo o balbuciar da palavra “Natal”, uma vez que pode-se começar a preparar o festejo do nascimento de toda a obra espiritual. Aproveitando a quadra, já se começam também a ver inúmeros peditórios para os menos abonados… Afinal, somos todos e pedimos para dar o que nos fará falta a todos. Dei comigo com um saco plástico na mão para ali colocar algo para outrem. Fi-lo convicta de que me fazia falta. Quem dá ao próximo empresta a Deus. E como Deus é Amor, certamente retribuirá o que se dá, noutras situações. Queria ter uma réstia de esperança em dias melhores, coloridos pelos piscas-piscas de uma iluminação citadina ou campónia. Mas prefiro pensar que o melhor, ou o mais sensato, era nem acenderem a dita iluminação para que não doa os dias seguintes, após o festejo do nascimento de um Deus Maior. Esse Deus que eu julgo intocável na sua essência mas sujeito, também, às modernices e crises atuais, e/ou também, sujeito a novo “apedrejamento” de ideias que nem lembra nem ao demo. (Lembram-se daquela cena de se retirar o burro e a vaca?! Pois… é assunto que cala outros assuntos maiores e por desventura, mais graves). À custa de uma boca aberta outras bocas se abriram e disseram raios e coriscos de um ser cuja ação é seguir a Cristo/Deus no seu estado de Bem. Que mal fizeram os ditos: burro e vaca?! Depois de saber desta novidade recente, em todo o lado que passo e vejo o dito burro e a dita vaca correm-me mil e uma palavras humoradas e/ou de tristeza por uma fatídica boca proferida perante os ouvidos de uns tantos ouvintes. Mas porquê, logo agora, que o que me restava de alegre, perante tanta tristeza mundial, era precisamente armar um presépio que se encontra exposto numa parte da residência permanente, para não ter de re (inventar) o que já está sobejamente aprendido e conhecido ou conhecido e aprendido. E não é que o dito burro e a dita vaca lá estão como que numa permanência apetecida para completar o sinal dos tempos. E agora excelência reverendíssima, sua santidade, o que devo fazer?! O melhor será esquecer tal arrombamento e deixar pastar a vaca e zurrar o burro. Deixar os animais intatos tal como o nascimento de um Ser Maior e Melhor que dá o exemplo a muitos que navegam em berços de ouro. Que se distribua o ouro, o incenso e a mirra por quem nem tem carvão nem palavras que entoem com a vivência do dia-a-dia. Que se faça algo a favor da humanidade. Que se faça algo a favor do bem-estar de uns quantos sem abrigo, mesmo vivendo debaixo de um teto, por vezes, envergonhados da situação a que chegaram, fruto de umas cabeças que tarde deram conta do mal que fora feito aos da mesma espécie.

Estamos todos descamisados, estamos todos num presépio desprovido de tudo… Sem manjedoura, sem palhas, sem proteção alguma… Apenas restam os animais, ditos irracionais, para nos fazer companhia nas noites escuras e nos dias cinzentos. No lugar do Burro e da Vaca, colocarei os gatos Yoshi e Pompom, porque são eles que correm para mim e percebem quando estou moribunda na alma, bem como o nosso Menino Jesus que interiorizo no meu coração e rogo por compaixão dos viventes de um mundo sem ponta por onde se pegue.


 



Imagem #1: gato Yoshi novinho; Imagem #2: O "Faraó" ocupou a cabana do Menino...

E sobre o Natal nem mais uma palavra, nem mais uma chama, nem mais uma linha…

Rosa Silva ("Azoriana")

2012/11/30 Homenagem ao cantador terceirense: António Mota

Para memória futura e da cultura popular terceirense:

40 ANOS DE CANTIGAS

Homenagem a António Nunes Mota

Salão da Sociedade Filarmónica Recreio dos Lavradores da Ribeirinha, ilha Terceira, Açores.


Com repertório variado, sendo declamado um poema do cantador Mota, por Luís Nunes; discursos do presidente da Sociedade Filarmónica, o presidente da Junta de Freguesia, a presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o comendador Luís Bretão, que fez a retrospetiva de uma vida, após vermos um vídeo demonstrativo do seu percurso artístico, terminando com as palavras emocionadas e comovidas do homenageado, António Mota.




António Nunes Mota nasceu a 6 de maio de 1954, no Largo de Fátima, freguesia da Ribeirinha. Filho de Francisco Pereira da Mota e de Maria de Jesus Nunes Mota. Funcionário público. (...) Para cantar, foi três vezes ao Canadá e duas à América do Norte.




Começou, com a idade de dezoito anos, a improvisar cantigas em matanças e festas particulares. Tomou parte em cantorias com a Turlu, Abel Costa, Ferreirinha das Bicas, Ferreira da Costa, José Caniço, Barbeiro, Luís Carlos Ferreira e muitos outros. Escreveu enredos para danças: «Críticas Sociais», «Uma Mercearia Ambulante» e «Ricos e Pobres».

O António Mota é um improvisador de espírito sereno e comunicativo. As suas cantigas são caracterizadas por motivações singelas e ritmos nostálgicos que causam profundo impato nas pessoas que o escutam.




(Fonte: “Improvisadores da Ilha Terceira”, MARTINS, J. H. Borges. 1989, página 395).




Seguiu-se a declamação de uma dedicatória pelo poeta Hernâni Candeias e a oferta de duas quadras e uma sextilha por cada um dos 22 cantadores e 6 tocadores, perfazendo 44 quadras, 22 sextilhas e mais uma de agradecimento pelo Mota, que fechou esta parte.

Eis o que recordo ter cantado:

Nesta noite estou feliz
Acho que toda a gente nota
Foi o que sempre quis
Homenagear o amigo Mota.

Trago flores no coração
Pra florir na quadra minha
Pró homem de S. Sebastião,
Fortaleza da Ribeirinha.

Adeus senhoras e senhores
Neste ato tão correto
Adeus nossos cantadores
E cordas com tanto afeto
Viva o cantador dos Açores
Sua família e seu neto.

Depois tivemos a excelência das vozes das filhas de António Mota, junto com outra fadista, que compõe o grupo Fadalistas. Foi uma atuação lindíssima com vozes que honram o pai, a freguesia e a ilha, bem como os Açores. Fados com ritmo e espetaculares vozes, dignas de registo e aplausos acentuados. Parabéns ao cantador e a todos os que elevam a cultura popular e o improviso, o dom que nasce e não se cria, partilha-se.

Após a distribuição de prendas aos cantadores e tocadores intervenientes teve vez um beberete agradável num convívio salutar.

Parabéns a todos e bem-haja o nosso cantador amigo António Mota que mostrou que o coração mostra a sua emoção através do olhar e do abraço forte!

2012/11/30

Rosa Silva (“Azoriana”)




Censo populacional português de 2011

Portugal


O Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, segundo o resultado definitivo dos Censos 2011, produzidos pelo INE, obtiveram um total geral de 10.562.178 indivíduos, sendo 5.046.600 do sexo masculino e 5.515.578 do sexo feminino. Nota-se logo que o sexo feminino supera o número do sexo oposto.

A população residente menor de 1 ano de idade totaliza 96.761 indivíduos, sendo 49.046 masculinos e 47.715 femininos. Aqui nota-se que os meninos superam o número das meninas. Com idade superior a 18 anos totaliza 8.657.240 indivíduos, sendo 4.072.122 do sexo masculino e 4.585.118 do feminino. Na idade jovem / adulta o sexo feminino marca evidência.

Na idade infantil, agregando dos 0 aos 14 anos (ou <15 anos), sem atividade económica, totalizam 1.572.329 indivíduos, sendo 803.999 do sexo masculino e 768.330 do feminino. O primeiro supera o segundo, como é evidente.

Na idade juvenil, agregando dos 15 aos 19 anos, totalizam 565.250 indivíduos, sendo 288.525 masculinos e 276.725 femininos. Novamente, o primeiro supera o segundo.

Na idade adulta (dos 20 aos 64 anos / HM = 6.414.535) e idosa (65 e + anos / HM = 2.010.064), agregando dos 20 e + anos, totalizam 8.424.599 indivíduos, sendo 3.954.076 masculinos e 4.470.523 femininos. Aqui nota-se que o sexo feminino supera o oposto. Se destacarmos apenas a população idosa, dos 65 e + anos, obtemos um total de 2.010.064 indivíduos, sendo 842.324 idosos e 1.167.740 idosas, prevalecendo a idade feminina.

Podem tirar-se, assim, algumas conclusões: Do total geral da população portuguesa, 10.562.178 indivíduos, em primeiro lugar está a população adulta ou idosa com 79,76 %, a infantil em segundo com 14,89% e em terceiro lugar a juvenil com 5,35%.

A população residente de atividade económica ativa, a partir dos 15 anos, totaliza 5.023.367 indivíduos, que corresponde exatamente ao número de indivíduos num grupo socioeconómico, cujo estado civil se divide por solteiro, casado, divorciado ou viúvo.

A população residente inativa ou sem atividade económica totaliza 5.538.811, que corresponde exatamente ao número de indivíduos inativos, sem grupo socioeconómico.

Por último, um destaque para a população com mais de 100 anos que totaliza 1.526 indivíduos, sendo 273 masculinos e 1.253 femininos. Neste caso, 82,11 % é a parte feminina. É interessante verificar que <1 ano tem uma percentagem de 50,69% masculina e 49,31 feminina.


Região Autónoma dos Açores


O resultado definitivo dos Censos 2011, produzidos pelo INE, para a R. A. Açores, totalizou 246.772 indivíduos, sendo 121.534 do sexo masculino e 125.238 do sexo feminino. Novamente, o sexo feminino supera o número do sexo oposto.

A população residente menor de 1 ano de idade totaliza 2.720 indivíduos, sendo 1.406 masculinos e 1.314 femininos. Aqui também notamos que os meninos superam o número das meninas. Com idade superior a 18 anos totaliza 192.357 indivíduos, sendo 93.687 do sexo masculino e 98.670 do feminino. Na idade jovem / adulta o sexo feminino continua a marcar evidência.

Na idade infantil, agregando dos 0 aos 14 anos (ou <15 anos), sem atividade económica, totalizam 44.497 indivíduos, sendo 22.604 do sexo masculino e 21.593 do feminino. O primeiro supera o segundo, evidentemente.

Na idade juvenil, agregando dos 15 aos 19 anos, totalizam 17.011 indivíduos, sendo 8.707 masculinos e 8.304 femininos. O sexo masculino continua a superar o feminino.

Na idade adulta (dos 20 aos 64 anos / HM = 153.186) e idosa (65 e + anos / HM = 32.378), agregando dos 20 e + anos, totalizam 185.564 indivíduos, sendo 90.223 masculinos e 95.341 femininos. Aqui nota-se que o sexo feminino supera o oposto. Se destacarmos apenas a população idosa, dos 65 e + anos, obtemos um total de 32.378 indivíduos, sendo 13.119 idosos e 19.259 idosas, prevalecendo a idade feminina.

Podem tirar-se, assim, algumas conclusões: Do total geral da população da R. A. Açores, 246.772 indivíduos, em primeiro lugar está a população adulta ou idosa com 75,20 %, a infantil em segundo com 17,91% e em terceiro lugar a juvenil com 6,89%.

A população residente de atividade económica ativa, a partir dos 15 anos, totaliza 114.920 indivíduos, que corresponde exatamente ao número de indivíduos num grupo socioeconómico, cujo estado civil se divide por solteiro, casado, divorciado ou viúvo.

A população residente inativa ou sem atividade económica totaliza 131.852, que corresponde exatamente ao número de indivíduos inativos, sem grupo socioeconómico.

Por último, um destaque para a população com mais de 90 anos que totaliza 990 indivíduos, sendo 263 masculinos e 727 femininos. Neste caso, 73,43 % é a parte feminina. É interessante verificar que <1 ano tem uma percentagem de 51,69% masculina e 48,31 feminina.


Conclusão


Os números não enganam. A população está envelhecida e o sexo feminino tende a prevalecer em relação ao masculino. Na infância dá-se precisamente o oposto, em que o sexo masculino é mais elevado que o feminino.

Este cenário apreciativo resulta da visão do total de Portugal e de uma parcela que é a Região Autónoma dos Açores.


Resumo geral




Censos 2011



HM



H



M



Portugal



       10.562.178



        5.046.600



         5.515.578



     Continente



       10.047.621



        4.798.798



         5.248.823



Norte



         3.689.682



        1.766.260



         1.923.422



Centro



         2.327.755



        1.111.263



         1.216.492



Lisboa



         2.821.876



        1.334.605



         1.487.271



Alentejo



            757.302



           366.739



            390.563



Algarve



            451.006



           219.931



            231.075



    R. A. Açores



            246.772



           121.534



            125.238



    R. A. Madeira



            267.785



           126.268



            141.517




 


Fonte: www.ine.pt | Censos 2011. Resultados definitivos: Portugal. População

Foi-se embora o meu Natal...

Nota: Antes de escrever este artigo estava em estado normal. Não me apetecia rir nem chorar. À medida que o fui escrevendo apoderou-se de mim uma tristeza avassaladora ao ponto de o terminar abraçada às lágrimas que teimavam em fazer-se notar.


 


Fui à baixa citadina

Hora de almoço. Raramente a usufruo na plenitude. Hoje foi diferente. Tinha que ir por força da obrigação. Há “mandaletes” que não se podem mandar por ninguém. Temos que ir nós mesmos, mesmo que a vontade não seja cúmplice. Fui à baixa citadina, à nossa mui nobre e leal cidade de Angra do Heroísmo. Como é bonito pronunciar esta expressão dourada pelos anos que já se conta. Fui e voltei muito nas calmas, saboreando a rua, ora por um lado, ora por outro. Fui por uma e voltei pela outra e deu tudo no mesmo: a meta, o destino.

Apreciei os transeuntes, apreciei as montras e até entrei numa loja que sempre gostei de dar a volta e sair, mesmo que não chegue a adquirir seja o que for. Ouço apenas a música ambiente que é um alívio para a alma. Desta feita já é música natalícia… Trauteei em surdina, não fossem ficar pasmados a olhar para o meu rumor musical. Saí da dita loja e fui até à montra de outra. Pasme-se! Tinha precisamente um vistoso e lindo presépio com todas as peças: São José, Nossa Senhora, o Menino Jesus numa manjedoura e… que mais?! Será que ainda posso escrever?! Claro que ainda lá está, disponível para quem quiser adquirir, um BURRO e uma VACA. Gracejei com a cena junto de uma pessoa anónima e ouvi resposta adequada que nem me atrevo a repetir. Só sei que essa resposta ficou-me na mente e jamais a esquecerei… Não sabia o que fazer: se ria ou chorava. Ri todo o caminho de volta e nem me importei com quem olhasse para mim, mas por dentro chorava convulsivamente… Tive pena de neste dia precisamente ter perdido o meu oásis infantil, o meu Natal. Que lindo que era o meu Natal de menina inocente. Um recanto da sala todo preenchido com verdes e musgos, pedras e “bonecos da igreja”, parafraseando uma pessoa que conheço muito bem. Talvez agora lhe dê razão… Tenho muita pena que ela esteja certa… Que tenha nascido num tempo mais avançado que o meu… Que pena o meu presépio de criança ter que afastar um BURRO e uma VACA, agora.



Que importância tem isso? Podem perguntar à vontade e até podem responder-me com todas as frases galantes e certificadas com as leis do Divino… Mas não podem fazer ressuscitar o meu presépio da infância, tão linda e tão mágica que jamais terei ou algum ser meu familiar voltará a ter…




Vejo um futuro incerto
Um passado em manjedoura
Um presente boquiaberto
E uma saudade vindoura.
 


 


Vejo a tela descambar
Sem o burro e sem a vaca
Vejo o demo a cirandar
Com animais na estaca.
 



Vejo cruzes mais de mil
Vejo fome em surdina
E vejo no meu perfil
Uma sombra da doutrina.


 


Vejo tédio, vejo dores,
Vejo crianças gemendo,
E a beleza dos Açores
Vejo que a estou perdendo.



 



P.S. Há coisas que preferia não saber e muito menos vindas da mente do clero supremo. Ámen!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

"não havia animais"

Vem agora a público (ou melhor soube) que “não havia animais” no presépio onde Jesus, Maria e José foram os residentes por um tempo natalício. Enfim, chego a pensar que prefiro agora saber que os animais são nossos amigos do que os humanos. Se não vejamos: antes, ou melhor, no tempo infantil que aprendi que o burro e a vaca tinham bafo quente para aquecer o Menino, eu própria não era simpatizante de animais de pelo. Com o passar da minha idade, sobretudo na fase que se chama adulta (por entrar nos #entas), comecei a aproximar-me doutros animais de pelo, que é o mesmo que dizer: gato e cão. Os burros e as vacas não lhes passo muito a mão no pelo. E olhem que cada vez mais há “burros” e “vacas”, que andam por esse mundo, com duas patas. Não vou explicar este meu raciocínio porque cada um que leve para onde quiser. Se não percebeu temos pena. Mas que os há, lá isso não tenho dúvida alguma.

Passando novamente ao presépio… Como querem que se mantenha intata a fé dos Homens?! Começo a ter muitas dúvidas em tudo o que me contam e des (contam). Estou quase a dar razão às bocas da descendência que contraria uma série de dogmas impregnados através da doutrina. Agora tiram o burro e a vaca, depois tiram as ovelhas e os carneiros, depois as cabras e os bodes, e sabe-se lá mais que animal embirrento virá por aí para ser retirado da convivência pacífica com o ser humano.

Ainda vou ter dúvidas se o meu gato não é a reencarnação de algum humano que partiu com vontade de ficar por cá. Ainda vou ter dúvidas se voltarei em gato ou cão e se dou uma boa dentada nalgum humano que me inquietou durante a estadia terrena… Podem crer que se voltar em cão ou gato (não quero ser burro nem vaca, livra!) vou morder em tudo o que me apoquenta neste momento.

Neste dia (e não me digam que estou deprimida ou com outra maleita qualquer) apetece-me mesmo é dizer que estamos a ficar velhos e caquéticos, para não dizer mais alguma palavra que roce a ofensa. Basta olhar para a cobertura capilar que apresenta uma série de brancos cabelos e o rosto apresenta olhos que já não enxergam “meia missa”. Haverá uma insanidade intelectual?! E todos já sofrem dela?! Não tenham dúvidas… O que ontem era uma verdade incontestada, hoje é mera brincadeira de fazer dormir os burros e as vacas de quatro pernas…

Tenham santa paciência e antes de abrirem a boca pensem no que irão causar de malefícios mundanos (incluindo os pobres dos animais que são bem melhores que muitos humanos que conheço).

Estou furiosa e revoltada, se é que se pode adivinhar na escrita supra.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Aguarelas portuguesas

erupção feminina da Serreta


 


Dai-me Senhor cores belas
Para pintar o meu desejo
De construir aguarelas
Da forma como te vejo.


 


Este verso aplica-se a quase tudo o que se faz no dia-a-dia, seja pessoal, profissional ou na sociedade. Um dia, naquele que toca a todos sem exceção, quando me for levarei apenas o sorriso das letras que acolho na mente e deixo voar por esse mundo virtual e/ou real.


Se me encontrares sem alma
Perdida entre paredes
Deixa apenas uma palma
Com versos das minhas redes.

Foram redes de prazer
Amor e dedicação
Algumas eu quis perder
Outras guardo no coração.

Foram versos foram cardos
Foram rimas de ventura
Algumas tiveram fardos
De valor e de cultura.

Todo o valor que se dá
Ao que faz o ser humano
Certamente o bem trará
Ao povo açoriano.

Os Açores brilham tanto
Com o seu povo cortês
Que até em cada canto
Há um nome português.

Logo assim faço valer
O meu firme pensamento
Portugal sempre há de ter
Aguarelas de talento.

2012/11/23
Rosa Silva ("Azoriana")

Antes que as letras se calem...

Imagem da União

… E A União desapareça …
Antes que as árvores resvalem
E a gente entristeça…

Deixo um dos meus escritos (o último) na noss’A União. Um jornal que publicou tantas opiniões e onde a minha teve também o seu assento, principalmente em verso, para fazer menção à minha freguesia natal. Estou em crer que não se acabarão tais opiniões mas deixarão um rasto de saudade. Só se dá valor a algo quando esse algo desaparece dos sentidos. Creio, também, que sempre nos ficará eternizado o papel d’A União e tudo o que dela foi marcante na cultura de um povo que também se traduz pela presença das folhas, com letras à cunha, nas colunas personalizadas de um jornal…

E agora? João, Humberta, Sónia, Renato, Lídia… outros e outras que conheço de vista, o que será das vossas crónicas, notícias e trabalhos que gostávamos de ler e saber? Ficarão na memória dos arquivos que guardam tantas horas de dedicação e amor à camisola, muitas das vezes.

Antes que as letras se calem, não se cale o Amor por vocês, jornalistas e amigos das letras e notícias, que vão dando pontos para que, em união, transmitamos o que nos vai na alma…


 



A minha alma se inflama
Quando toca a despedida
Sobretudo para quem ama
O que faz de bom na vida.

Que não tarde a perícia
Nem tão pouco a opinião
Não se perca a notícia
Do jornal A União.

A crise deita por terra
Quem quer subir o degrau
Até as letras enterra
E julgo que isso é mau.
  Andam as pessoas loucas
Sem saber mais que fazer
Para calarem as bocas
Que nada tem para comer.

Mas não calo eu a minha
Nesta hora do “Adeus”
Talvez não esteja sozinha
Na quadra que faço a Deus.

Vinde Jesus e Maria
Vem Divino Espírito Santo
Vem tirar tanta agonia
Às letras que gosto tanto.


 

Aos vinte e três dias do mês de novembro do ano de dois mil e doze eis o meu ponto final. Desejo a todos paciência para o presente e esperança em melhores dias sobretudo para festejarem quem nos ama mais que tudo: o Deus Menino. Talvez agora se dê mais valor ao ser do que ao ter.

Muito obrigada por tudo e um abraço a todos da
Rosa Silva (“Azoriana”)

Comentário recebido por email, de José Fonseca de Sousa

Na continuação da consulta assídua ao seu blogue:  DESTACO E COMENTO

Poema "Folhas Brancas" - (Que Maravilha.....ponto final.)

Poema "Amor doce, doce Amor" - Só pode dar graças ao Divino quem tem o dom de poder transmitir e bem o amor que tem aos filhos em versos. (Que "inveja" eu tenho de si .....).

O poema que começa "Sempre que um raio de sol" - o título que eu lhe dava era: "Uma certa maneira de orar".

* Faça o favor de guardar estas preciosidades junto das que integram o embrião do livro "Recheio de Rimas", porque quem vai, futuramente, beneficiar é a Cultura Popular Açoriana.

Um grande e amigo abraço
José Fonseca de Sousa
Lisboa 19-11-12

Folhas brancas

Nas folhas brancas do peito
Trago todo o meu amor
Se as escrever de bom jeito
Terão logo outro valor.

Nas margens do meu viver
Vejo um presente feliz
Só não sei como vai ser
Se não lembrar do que fiz.

Já fiz tanto por amor
Porque amar é bem-querer
Cultivei a minha flor
No meu jardim de escrever.

E quem poderá regá-la
Na hora da despedida?!
Ai quem pudesse levá-la
Ou sabê-la aqui com vida.

2012/11/17
Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para a Rádio Portugal USA.

Amor doce, doce Amor!

Na paisagem do teu olhar
Está a minha por inteiro
Desde que te vi chegar
Ao meu mundo verdadeiro.

És rebento do meu ser
Bem como os teus dois manos
Tens como eles, podes crer,
A gema de açorianos.

A minha alma se inflama
Por vos ter sempre ao meu lado
Sinal que a mãe vos ama

O destino seja fiel
Vos dê coração dourado
De amor doce como o mel.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dança que dança

Dança que dança Bem que podia escrever o assunto destinado a uma dança de Carnaval para o próximo festival terceirense. Até é bem verdade que já tenho em “arquivo” algumas sextilhas que uma saudação merece. No momento não estou propriamente inclinada para escrever enredos para danças carnavalescas. Falta-me uns pozinhos de humor para rechear uma plateia de sorrisos. Atualmente convém rir a bom rir para desanuviar o estado taciturno que se vê em quase todos os rostos da crise que inflama cada vez mais.

Diga-se que até já evito beber água para não ter de rodar muita vez o botão do autoclismo. Mesmo que ponha uma pedra de peso dentro dele não vai evitar que a roda ande e desabe com uns litros do precioso líquido. O melhor que terei de fazer é angariar fundos para construir um depósito que apare as águas livres que caem graciosas do céu. Temos tido um quinhão razoável nesse aspeto pois a chuva é a única dádiva celeste que dá para lavar corpos e materiais. Só ainda não lavou mentes que teimam em fazer-se melhores e vai-se a ver, daqui a nada, vão tropeçar no labirinto das cadeiras com raízes que remontam a outros séculos.

Quem conseguir mudar o mundo que levante o dedo. Quem conseguir fazer milagres universais que os faça mas pense um pouco no rasto de destruição que vai deixando para trás.

Já percebi, e julgo que muitos também já o perceberam, que para se fazer qualquer alteração há sempre uma revolução. Uns saem vivos com sequelas, outros ficam abananados, e, outros ainda, ficam na lembrança de muitos.

Se não perceberem nada do que os quatro parágrafos anteriores querem dizer, não se preocupem e nem se chateiem porque, em suma, quem percebe está-se nas tintas para esta meia dúzia de desabafos que nem sequer são dignos de patrocínio algum.

Por falar em patrocínio, lembrei-me de uma coisa que me anda a intrigar. Porque não se dá um LOUVOR, ou uma espécie de VOTO DE SAUDAÇÃO ou AGRADECIMENTO PÚBLICO a Sua Excelência o Presidente do Governo Regional dos Açores cessante?

Carlos Manuel Martins do Vale César foi um dos melhores políticos que conheci. Merece tributo. Merece não ser esquecido. Temos, e ainda bem, no portal do Governo Regional uma secção com resumo histórico da sua presidência desde 1996 até outubro de 2012.

Pronto. Por hoje é tudo. Bom fim-de-semana!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Pena que voa

 


Onde estão as palavras sedosas, doces e coloridas de expressões que nos levam ao sonho?! Onde estão os meus escritos frequentes com elos de ligação ao universo tecnológico da abundância de partilhas?! Onde está a inspiração vespertina do verso acompanhado do gosto poético?!

Não sei nem saberão muitos (ou alguns) dos que seguem o tilintar de informação posta em marcha blogosférica.

Hoje, dei comigo a pensar numa frase que ainda estou a remoer o sentido e nem sei se é inédita: A morte é uma pena que voa para levar os bons para Deus! (acrescentaria que com flores em molduras construídas com sabedoria e emoção).





 


Todos os dias morrem (e nascem) punhados de gente. Há casos que impressionam pelo estado de calma e acompanhamento do Divino. Hoje foi um dia de encontrar a paz nos que partem.

Tenham uma boa noite e usufruam da companhia dos amigos e, sobretudo, dos familiares. É que só se vive uma vez nesta onda de encantos. Sejam Felizes!

Uma certa maneira de orar

Faz-se dura a tempestade
Que assola a natureza
Pior que isso é a maldade
Da crise e da pobreza.

 

Há dias fiz esta quadra enquanto a chuva tilintava nas vidraças açorianas. Hoje não chega a tilintar mas mansamente surge para molhar os caminhos por onde tentamos chegar aos patamares laborais.

 

Ultimamente, sinto-me algo desinspirada e amorfa. Estamos quase a rondar o último mês do ano. Parece que foi ontem o começo de 2012 e já se avista outro. É tudo tão rápido, tão efémero que chego a assustar-me com a proximidade das intempéries normais da velha idade. Tenho muito receio de abraçar essa dita. É pena perdermos os contornos juvenis. Mais triste é quando se começa a depender de outrém para qualquer manobra de vida. Não quero continuar na lamechiche, como dirão alguns, mas todos temos horas lamechas, quer queiramos quer não.

 



 

Sempre que um raio de sol
Amanhece em minha vida
Faz-me sair do lençol
Mais alegre e destemida.

 

Sempre que a nuvem cinzenta
Encobre o céu anilado
Faz-me pobre e sedenta
De um verso mais animado.

 


Dai-me Senhor cores belas
Para pintar o meu desejo
De construir aguarelas
Da forma como te vejo.


 


Vejo na mente as raízes
Das rimas que já cantei
Foram horas mais felizes
Que tarde ou jamais verei.


 



 


Rosa Silva ("Azoriana")

Tempestade

Batem leve, levemente (...)


 


Nasceu o dia com o assobio veloz do vento. O seu canto é aflitivo. Pelas frinchas da janela ouço o seu trinado triste. Recolho mais um pouco ao silêncio da almofada. Mas não consigo dormir com os pingos em compasso certo caindo mesmo ao lado da cama. Levanto-me e, rapidamente, resolvo a situação: arredo a cama para lugar seco. O vento acompanha-me forte e brusco. A chuva limpa até às entranhas da terra. A estrada parece um rio correndo para o mar. A pequenez das ilhas quase estoira de aguaceiro.


No fundo, gosto de dias assim. Recolho-me ao pensamento e viajo ao sabor dele. Deixo-me ficar no nevoeiro da palavra. Por outro lado, penso nos que, sem teto, sentem a frieza até aos ossos. Senhor, dai-lhes um sorriso e tende misericórdia de todos. Cada vez que há uma passagem da tempestade perde-se muito. Perdem-se horas de trabalho nos campos, perdem-se produtos e haveres.


Espera-se que o sol venha, de novo, dar um tanto do que a chuva levou. Assim seja!


Angra do Heroísmo, num dia de mudança para a visão do chuveiro que continua lá fora...


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

E se não estou inspirada...

MOTE

SE A TARDE FOSSE MORNA
E A NOITE AQUECIDA
O DIA NA CERTA TORNA
MAIS QUENTE A NOSSA VIDA.

GLOSA

SE A TARDE FOSSE MORNA
Mesmo em dia friorento
É porque o Sol adorna
Tudo em qualquer momento.

Se a tarde fica quente
E A NOITE AQUECIDA
Fica toda a nossa gente
Com mais saúde e vida.

Mesmo debaixo de sorna
Se te vem doce o sonho
O DIA NA CERTA TORNA
Com o seu ar mais risonho.

E se não estou inspirada
Nem com tese conseguida
Importa é ter alvorada
MAIS QUENTE A NOSSA VIDA.



Bom dia Amizade e Vida!
Rosa Silva (“Azoriana”)

Afago as letras


 


Disseram-me poetisa para não morrer
Um poeta não morre no seu viver
Afaga as letras, dá-se em palavras, ama,
Aceita a acendalha de nova chama.


 


Um poeta não morre no seu viver
O seu pergaminho o faz crescer
No rasgo profundo da sua pena
Faz leve a brisa na pele morena.


 


Afaga as letras, dá-se em palavras, ama,
Beija as sílabas e canta-as pela rama;
Que pena a morte não deixar saber
Se o poeta volta para agradecer.


 


Aceita a acendalha de nova chama,
Nos livros e telas que alguém reclama
À leitura dos olhares que o tempo esgota
E ao fim de contas a saudade brota.


 


Disseram-me poetisa… para eu viver!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

Trovas

Belas são muitas das trovas
Disso quase não se dúvida,
São elas que tiram provas
Às belezas desta vida.


 


Rosa Silva / AH

Ao poema "Amizade" de Euclides Cavaco

"Amizade" poema lindo
Uma lágrima vem vindo
Torvando o meu parco olhar
Consegui ouvir sua voz
Que vem suave até nós
Com Amizade a embalar.

 

E dei comigo a pensar
Não sem antes questionar
Onde anda a amizade?!
Hoje tudo é tão veloz
Que só mesmo a sua voz
Traz paz à comunidade.

 

Por lhe ter muita amizade
Digo-lhe também à vontade
Que Euclides é o herói
Da amizade que comunga
Não de exalta nem resmunga
Porque é bom e sempre foi.

 

Meu abraço nesta hora
Vai por esta rede fora
Para longe como se perto
Em uníssona amizade
Levasse solidariedade
A quem nos dá hino certo.



Rosa Silva ("Azoriana")

Comentário de José Fonseca de Sousa a propósito do artigo e de um aniversário.

Haja inspiração!




Comentário:




Presumo que o amigo lisboeta seja eu e se assim for não tem nada que me agradecer pelos "elogios" que faço em relação ao seu elevado talento literário, mas se realmente quer agradecer faça-o a Deus pelo dom magnífico que lhe deu que é o de conseguir passar para o papel de uma forma tão meritória tudo o que lhe vai na alma; e como a sua alma é grande o resultado só poderia ser maravilhoso.


 


Penso que já me conhece o suficiente para não ter dúvidas de que se o declaro é porque estou convicto das afirmações que faço.


 


Continue a sua obra literária com a mesma convicção porque mais cedo ou mais tarde os responsáveis pela cultura popular dos Açores e não só, têm que dar-lhe "ouvidos", para bem da cultura popular.


 


Um grande abraço de amizade
para si e para o esposo

13-10-12
José Fonseca de Sousa
Lisboa


 


Nota: Publico o comentário no dia de aniversário da esposa do amigo José Fonseca, enviando um grande beijinho de parabéns! Desejo tudo de bom a este casal maravilhoso que para as ilhas dos Açores é tão amistoso. Nós também não vos esquecemos.


 


Muitos parabéns! Feliz aniversário.

 


Estas rosas que florescem
Nos campos açorianos
Bem que hoje as merecem
Aquelas que fazem anos.

São pra D. Guiomar
Esposa do bom Amigo
José que gosta de comentar
Quando lê o meu artigo.

Uma quadra apresentada
No início da semana
Florida e emoldurada
Com rosas da Azoriana.

São as flores preferidas
Rainhas de bom jardim
E foram bem escolhidas
Para se lembrar de mim.

Há rosas escritas faladas
Num ramalhete de amor
E há rosas dedicadas
A quem dá e tem valor.

Gostei muito de conhecer
O casal de bons valores
Que moram e vão permanecer
No coração dos Açores.

Bem-Haja!

Parabéns!

Rosa Silva ("Azoriana")

Não sei viver sem o mar

Não sei se acontece a toda a gente mas a mim sei que acontece e me pergunto muita vez: porque o mar nunca para? Umas vezes calmo, outras vezes cavado a grosso, outras, ainda, impaciente e revoltado, mas nunca para, nunca descansa. Assim sou eu. A minha mente é um mar em constante movimento. Há de haver sempre uma coisa que chame a atenção ao pensamento. Neste momento estou a matutar numa ideia que me atormenta e nem posso deitar cá para fora para não me acusarem de andar sempre sem descanso da mente. Uma mãe é como um barco que se lança ao mar numa viagem de longa duração. Encontra mar calmo e revolto. Encontra peixe miúdo e graúdo. Nem quando chega a noite para dormir descansa… A mente está sempre alerta num sono sonhador a tender para o pesadelo, numa comunhão cerrada com outros que a circundam. Então, para me distrair do pior volto-me para o mar e digo:

 


 


Não sei viver sem o mar
Ando sempre a naufragar
Aquém do louro horizonte
Sou ilha em parapeito
Com o mar cercando o peito
Acenando ao alto monte.

Não sei viver sem o mar
Mesmo sem saber nadar
Encanta-me aquele vaivém
Na ondulação perfeita
Há marés que estou sujeita,
Mas do mar eu gosto bem.

Não sei viver sem o mar
Sem o ver e abraçar
Na espuma nos rochedos...
É com ele que eu sonho
E ao seu lado me ponho
Tentando arrumar os medos.

Não sou de mim, sou do mar...
E sempre o hei-de amar!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Equilibrar fará ganhar

Já lá vão os tempos em que o dia da “mesada” era um dia de festa, por assim dizer. Esta “mesada” a que me refiro é o salário mensal. Todos deviam tê-lo mesmo aqueles que andam de roda do tacho, da máquina de lavar roupa doméstica ou da pia com lavatório plástico ou cimentado (de pedra, nos tempos atuais é um artigo de ornamentação de jardins ou arredores de mansões).

O objetivo do primeiro parágrafo é o segundo, que já vem a transbordar da mente: A festa que se fazia com o salário de outras eras em que a receita dava e sobejava para a despesa tinha mais ou menos a ver com o equilíbrio das somas: da receita que recebes pagas aquilo que deves. Infelizmente, hoje não é bem assim. A receita já começa a dar dores de cabeça mal entra na soma da despesa. Antes mesmo da mudança do mês tal, para o mês coisa e tal, já se apertam os cintos até ao último furo (ou até ao ponto de se ter de fazer furo novo). Mas isto tudo porquê? Porque a dita evolução que se foi adquirindo, visionada muitas das vezes por amostra do exterior, foi tomando conta do dia-a-dia. Casa que não tenha casa de banho apetrechada com tudo do bom e do melhor, que não tenha esquentador inteligente, máquina de lavar, secar e até passar, que não tenha som, música e cor num ecrã com formato avultado, que não tenha frigorífico, fogão com bocas e forno suficientes para dar conta dos ingredientes faustosos, que não tenha arca congeladora com produtos à escolha, que não tenha micro-ondas, para-raios, locomotiva (lembrei-me da “Pedra Filosofal” e da metáfora do sonho), enfim, que não tenha luxos e asseio q.b. não faz parte da dita evolução que nos transformou ao ponto de não querermos voltar aos dias de fazer tudo à mão. Há máquinas para tudo e mais alguma coisa. É uma questão de termos no bolso o que é preciso para as mandar levar a casa.

E já me alonguei muito no parágrafo anterior que ainda peca por incompleto. Há tanta, mas tanta coisa a que nos habituámos (e nem tenho metade do que vejo por esse mundo açórico e não só) que deixar de ter é outra dor de cabeça sujeita à toma de analgésicos e antipiréticos e outras pílulas que nos façam a vida parecer bela.

Não se deve reclamar quando a saúde estiver de bem com a vida. Isso é que é importante porque o resto é uma questão de habituação. Quando não há, não há e está decidido.

É pena que os nossos governantes não experimentem o seguinte: aumentar a “mesada” mensal e não apenas cortar, tirar e aplicar impostos a tudo e mais alguma coisa. Lembrem-se que o EQUILÍBRIO é o segredo do bem-estar. Se a balança pender só para um lado não se lhe pode chamar fiel.

Se aumentassem os salários a jeito de cobrir a despesa (que muitas vezes nos é impingida pelo invólucro da publicidade enganosa), à laia de experiência a ver se há tafulho, então acredito que o buraco não seria tão custoso de tapar.

Com tanto parágrafo já perdi os olhares de quem devia pensar no nosso grave problema.


 


Se quiser bom conselheiro
Para um problema comum
Aumente o nosso dinheiro
E vai ver que sobra algum.

A ver pela atualidade
Muita gente a reclamar
É prova que a sociedade
Está toda a afundar.

O buraco é tão fundo
Que nada o vai tapar
Pode até correr mundo
Mas ele vai acompanhar.

Haja equilíbrio na receita
E na despesa correntes,
Fica a gente satisfeita
Com o melhor dos presentes.

Seja em prosa ou em rima
Peço que haja prudência;
E tudo o que está acima
Foi escrito sem violência.

A violência nos lesa
Quando a fome vem à tona
E também muito nos pesa
Quando alguém nos abandona.

Rosa Silva (“Azoriana”)