Não sei viver sem o mar

Não sei se acontece a toda a gente mas a mim sei que acontece e me pergunto muita vez: porque o mar nunca para? Umas vezes calmo, outras vezes cavado a grosso, outras, ainda, impaciente e revoltado, mas nunca para, nunca descansa. Assim sou eu. A minha mente é um mar em constante movimento. Há de haver sempre uma coisa que chame a atenção ao pensamento. Neste momento estou a matutar numa ideia que me atormenta e nem posso deitar cá para fora para não me acusarem de andar sempre sem descanso da mente. Uma mãe é como um barco que se lança ao mar numa viagem de longa duração. Encontra mar calmo e revolto. Encontra peixe miúdo e graúdo. Nem quando chega a noite para dormir descansa… A mente está sempre alerta num sono sonhador a tender para o pesadelo, numa comunhão cerrada com outros que a circundam. Então, para me distrair do pior volto-me para o mar e digo:

 


 


Não sei viver sem o mar
Ando sempre a naufragar
Aquém do louro horizonte
Sou ilha em parapeito
Com o mar cercando o peito
Acenando ao alto monte.

Não sei viver sem o mar
Mesmo sem saber nadar
Encanta-me aquele vaivém
Na ondulação perfeita
Há marés que estou sujeita,
Mas do mar eu gosto bem.

Não sei viver sem o mar
Sem o ver e abraçar
Na espuma nos rochedos...
É com ele que eu sonho
E ao seu lado me ponho
Tentando arrumar os medos.

Não sou de mim, sou do mar...
E sempre o hei-de amar!

Rosa Silva (“Azoriana”)

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