Uma certa maneira de orar

Faz-se dura a tempestade
Que assola a natureza
Pior que isso é a maldade
Da crise e da pobreza.

 

Há dias fiz esta quadra enquanto a chuva tilintava nas vidraças açorianas. Hoje não chega a tilintar mas mansamente surge para molhar os caminhos por onde tentamos chegar aos patamares laborais.

 

Ultimamente, sinto-me algo desinspirada e amorfa. Estamos quase a rondar o último mês do ano. Parece que foi ontem o começo de 2012 e já se avista outro. É tudo tão rápido, tão efémero que chego a assustar-me com a proximidade das intempéries normais da velha idade. Tenho muito receio de abraçar essa dita. É pena perdermos os contornos juvenis. Mais triste é quando se começa a depender de outrém para qualquer manobra de vida. Não quero continuar na lamechiche, como dirão alguns, mas todos temos horas lamechas, quer queiramos quer não.

 



 

Sempre que um raio de sol
Amanhece em minha vida
Faz-me sair do lençol
Mais alegre e destemida.

 

Sempre que a nuvem cinzenta
Encobre o céu anilado
Faz-me pobre e sedenta
De um verso mais animado.

 


Dai-me Senhor cores belas
Para pintar o meu desejo
De construir aguarelas
Da forma como te vejo.


 


Vejo na mente as raízes
Das rimas que já cantei
Foram horas mais felizes
Que tarde ou jamais verei.


 



 


Rosa Silva ("Azoriana")

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