O Olhar da Fotaçor
Às Festas e Romarias,
Preserva grato esplendor
Dos momentos desses dias.
Do Pézinho não me farto,
Nem tão pouco da Cantoria
P'ra gravar o nobre “parto”
Há que ter fotografia.
Fui na senda das imagens
Lá da Festa do Bretão,
Encantei-me com as viagens
À Rua de São João.
Vi as fotos uma-a-uma,
De quem tem por profissão
Deixar sempre mais alguma
Prova de Recordação.
E não é que vi a Rosa
Junto a tais pessoas belas
Numa postura jeitosa
Ao pé de Eduíno Ornelas?!
É um cantador vizinho
[Fui nascida na Serreta]:
Ele canta p’lo Raminho
Eu quando me der veneta...
Mais veneta ele tem
Precisa é de grande fita
P'ra medir o que lhe vem
De uma forma inédita.
Se um dia cantar com ele
Vou ver se também estico
Versos grandes como os dele,
E sozinha eu não fico.
Foi graças à ocasião
Que passei na Quinta-feira,
Que mirei com atenção
O Fotaçor da Terceira.
É que ser profissional
Dos retalhos duma vida
Fez o verso especial
Vir à tona e à medida.
E se isto não fizer
Graças à minha caminhada...
Mal também não vai fazer
Porque a mim não custa nada!
Os versos saem aos pares
Mesmo sem ser Cantoria,
E às fotos exemplares
Ergo a taça da alegria.
(Clique na imagem para ampliar
e visualizar o conjunto
de imagens da Fotaçor
Angra do Heroísmo)
Obrigada!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Etiquetas
Imagens são Relíquias...
Figuras
O que lembro de Camões
São as "armas e os barões"
Da minha dificuldade;
A pequena da Serreta,
Que vinha de camioneta,
Decorava-o, noutra idade.
Hoje, tudo de mim voa,
Não sou a mesma pessoa,
Nada retenho na mente.
Vão à solta meus escritos
E se os acharem bonitos,
É porque neles sou crente.
Digo com toda a franqueza
Gosto de ser portuguesa,
Muito mais açoriana;
E se isto for pecado
Espero me seja perdoado...
A bandeira não engana!
E Nemésio bem nos fica,
Com poesia tão rica,
P'ra quem o soube estudar.
Ele é inconfundível,
E na rádio era audível:
"Se bem me lembro", no lar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Post .Scriptum:
Cansam-me os dias cinzentos, sem rima. Alegra-me a toada do mar na lua cheia da vida. Uma imagem da lua também me encanta, apaziguando os silêncios de voz alta. Durmo em relâmpagos de sonhos, sem descanso. Acordo num mundo redondo e escorrego na linha do horizonte e caio. A rima é que me dá a mão e salva-me com os sorrisos frescos... Procuro-lhe o rosto, sem sucesso, porque o meu está cansado. Volto a adormecer, na tentativa de encontrar a claridade da lua cheia como a que vejo presa em fotografia.
Há uma paz breve porque a lua, se cheia, traz-me a identidade. Sou do luar e gosto de rimar, na redonda ilha que me sossegou no berço da terra alta, junto à pequena serra que avista o mar, de mãos postas... Vejo sempre a terra e o mar de mãos postas. São manias visuais que só uma ILHOA pode ter. Só agora me passou pela cabeça este feminino singular de ILHÉU depois do Mestre me ter chamado a atenção para o meu sentir ilhéu. Ele é que tem razão e faz-me feliz por me dar a educação das vírgulas. As vírgulas que raramente coloco no lugar certo... São pecados de uma ilhoa que gosta da lua cheia e escreve à toa.
Se eu fosse...
Como aquela dupla fantástica (mais o lagartinho) do "Arnaldinho Pergunta...? ...!", que costuma vir no jornal "A União" e que eu adoro ver e ler, e se eu soubesse desenhar até que fazia um quadro com algo assim:
1ª:
- Já viste aquelas imagens que saíram no blog da Azoriana?!
- Ainda não... Podes adiantar o que se passa?!
O lagartinho pensa: "Eh, hôme!"
2ª
- Não vou adiantar nada para não ires a correr daqui para fora...
- Então, porquê?...
O lagartinho pensa: "Querem ver que..."
3ª
- Não digo, não digo e não digo!...
- Agora é que vou mesmo a correr...
O lagartinho pensa: "Hôme... também eu..."
Mas como não sou jeitosa para "plagiar" tais desenhadores e tais crónicas, fico-me por aqui à espera da chegada dos que vêm a correr... hehehehehe
A novidade segue dentro de algumas horas...
Recordações: Cartas para e da Califórnia
29 de Setembro de 2008
Carta para a Califórnia
Querida amiga Joanina,
Deves estar admirada de eu não escrever-te. Não é por mal mas porque hoje ainda não desci à terra, parece que ainda ando no céu das cantorias. Pois senta-te bem que eu vou tentar contar-te tudo como foi.
Saí do serviço por volta das 16 e tal. Fui a casa vestir-me melhor pois já previa que a cerimónia caseira fosse de requinte. Entretanto chegou o meu acompanhante e fomos de táxi até ao Pezinho da Casa de Luís Bretão. Foi fácil encontrar a casa que está até identificada com uma placa pequena no portão de entrada. Toquei a campainha e apareceu um moço, que vim logo a saber que é o filho do próprio. Muito simpaticamente disse-nos que entrássemos porque a porta estando aberta é sempre em frente e entra toda a gente. Assim foi. Entrámos devagarinho. Eu ia na frente e o meu olhar procurava o que já tenho por grande amigo - Luís Bretão… Avistei-o logo e alarguei o sorriso e o passo. Cumprimentei-o e ele retribuiu o cumprimento muito feliz. Estava nas suas quintas, como se costuma dizer. Presenteou-nos logo com uma fita alusiva ao evento e apresentou-nos o seu quase museu de cultura. Por todo o lado se viam lembranças e recordações do seu mundo fantástico de interesse pelo que é genuinamente regional e nosso. Que maravilha! O meu olhar perdeu-se de amores por aquele momento. Estava como que hipnotizada de encanto.
Já lá estavam algumas pessoas e, entretanto, foram chegando outras. Muitas caras conhecidas de um nível social bem diferente do meu mas, naquela casa, tudo parecia conhecer-se independentemente de ser A ou B. Alegremente se conversava e os sorrisos abriam-se de par em par.
À medida que se ia avançando na tarde eu sentia assim os tais nervos miudinhos, de vez em quando, mas eram atenuados pela palavra amiga de Luís Bretão que vinha saber como eu me sentia. Da mesa repleta de iguarias, queijos e doces, ia-se tirando uns nacos de confraternização. Aquele salão de amizade estava cheio à cunha. Até no exterior, o pátio transbordava de gente.
Mais tarde, já a noite avançava sem se dar por isso, chegaram os tocadores e os cantadores convidados e presentes no desfile do tradicional Pezinho de São Carlos. Aqui sim, eu senti como que um estrondo em mim.
- É agora! Meu Deus, chegaram todos. Que lindo! Pensava eu. A cena não podia escapar-me. Cumprimentos, sorrisos, abraços, euforia total de fotografias e gravações para ficarem cá e para irem para o estrangeiro pela mão do senhor Brum que vem sempre do Canadá na senda destes amores.
E lá estavam todas as caras que eu já conheço e que já parecem ser da família – os Cantadores da Terceira.
No meu canto, fui tomando atenção a todas as palavras que Luís Bretão ia, apressadamente, aplicando a cada homenagem que fazia e foram tantas que não consigo enumerar. O que interessa é que todas as áreas de educação, desporto, cultura, emigração, amizade, etc. foram contempladas na pessoa dos seus amigos que iam sendo chamados, um a um, para receberem uma lembrança feliz.
Depois, chegou um momento que me senti corar… Ouvi o meu nome e perante aquela gente toda, aventurei-me a dizer o que vou tentar lembrar e apercebi-me do carinho de quem me rodeava:
Eu até estou a tremer
Com tão linda saudação
Só lhe quero agradecer
Do fundo do coração.
Sem violão e viola saiu-me esta quadra. Podia ter feito melhor mas foi o que me saiu naquele momento. Perante isto chamaram-me para junto dos cantadores. Tinha que botar cantiga, pelo menos uma, que era a decisão unânime dado o atraso para a cantoria que ia decorrer junto ao Império de São Carlos com os cantadores habituais.
As pernas tremiam mesmo. O coração batia forte. Mas, por incrível que pareça, estava tranquila. Afinal isto deve ser fácil, pensei eu. Estou ao pé de gente que já sabe deste meu gosto pelas cantorias, o resto seja o que Ela quiser.
O Mota foi dos primeiros a saber deste meu gosto. O Eliseu anda como que inquieto para me colocar uma das suas quadras que me farão tremer ainda mais. O João (Retornado) até me deu uns bons conselhos. O Paulo Lima só se for em eventos mais reservados pois nunca o vi cantar nos arraiais, mas canta muito bem. O João Ângelo é um caso excepcional e julgo que é um privilégio para quem cantar com ele (Ai se eu tremia, claro que ia tremer como varas verdes…) O José Fernando é o que se aproximou de mim e ficou contente por me ver ali disposta a cantar. Lembrarei sempre disso. Lembrarei também que o Eduíno do Raminho me reconheceu por ser filha do Carlos Picaroto, que vivia na freguesia vizinha da dele. Ele também esteve presente em Maio de 2004 na Briança da minha irmã, na Serreta. Deu-me muita força e coragem. Os nomes que não identifico agora e que lá estavam, não é por mal, é porque não os conheço bem. Nesses que não identifico há um que um dia, se cantar com ele, terei motivos para chorar em público. Ele canta de uma maneira que gosto muito. Não vou revelar porque o segredo é a alma da cantoria.
Quando acabaram de cantar lindas quadras de homenagem a Luís Bretão, este certamente estava com o coração em brasa porque o rosto transbordava de contentamento. Presenteou todos com 5 sacos de lembranças regionais, com a ajuda das pessoas que faziam parte da organização e da comissão das festas do Império de São Carlos. Um desses senhores conversou depois comigo e como é pai de um colega de serviço ainda me chamou mais a atenção. Se não me falha a memória o nome dele é Marcelino Gaspar e notei logo que é um amante de cantorias ao desafio e segue-as com dedicação.
Estava tudo impecável. Os agradecimentos foram tantos que julgo terem tirado o sono ao que eu chamo de Padrinho das Cantorias. A emoção era forte demais para se conseguir dormir sem que o sonho nos fizesse reviver os melhores momentos.
Quando já vinha na volta para casa, e depois de ver a belíssima Exposição de fotografia de André Pimentel, que até vim a descobrir que é filho de pessoas que eu conheço desde infância, e depois de ouvir os duetos de cantadores no palco da Cantoria e aplaudir entusiasticamente, o meu pensamento continuava lá e no meio dos cantadores.
Tentava não esquecer a minha primeira quadra cantada… Acho que foi assim:
Hoje agradeço o convite
Que me fez Luís Bretão
Aguçou-me o apetite
Para a melhor ovação!
Não sei quando voltarei ou se voltarei a cantar ao vivo e enfrentando outros públicos…; não sei se vou conseguir fazer o que um senhor do folclore regional me recomendou para que eu saiba atinar e ir de encontro à música própria e tradicional do Pezinho ou Cantoria; não sei se a minha voz vai aguentar um serão inteiro a cantar; mas o que sei é que mesmo que não volte a tais desafios, dou-me por muito feliz por ter aceite este magnífico convite e por ter abraçado e beijado no rosto o homem que acredita que a nossa Região tem uma marca preciosa: o Amor pelas Cantorias e pelo que é genuinamente nosso, a nossa Cultura repleta de dons.
O Cantar ao desafio em improviso é o melhor dos dons que Deus pode dar a uma pessoa, seja ela homem ou mulher. As mulheres não se aventuram tanto a subir aos palcos mas houve uma que serviu de exemplo para todas: a D. Angelina Sousa Turlu. Não é senhora do meu tempo mas quando conheci as suas relíquias fiquei para sempre fã.
Talvez lá do Céu ela me tenha acenado… Vi isso no olhar de Luís Bretão. Agora estou a chorar, acredita amiga Joanina… A chorar porque ontem não consegui e estava como que hipnotizada. Este choro é daqueles que se chama saudade e nostalgia por não ter abraçado a D. Angelina. Ela iria entender-me na perfeição tal como me entende Luís Bretão…
Angra do Heroísmo, 29 de Setembro de 2008
A Cagarra da Terceira
Cantoria |
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O Improviso da Jo! Ontem lá para a noitinha, Estava eu na casa minha Veio-me uma inspiração Dei logo um pulo da cama Fui a blog da Azoriana E fiz-lhe uma canção. Agora cheguei a casa E trazia um grão na "iasa" E ânsias para rimar Já fiz quadras e sextilhas Tudo à conta das rosquilhas Onde é que isto vai parar?! E as rimas a sair E eu finada de rir Com esta nova faceta Mas a culpa não é minha É toda de minha madrinha E dos ares da Serreta. Eu fico admirada Até como arrepiada Com mais esta sintonia Estou até hesitante Isto é sorte de principiante Ou “torresmo d' agonia”? Se eu cantar ao desafio Com minha voz por um fio A minha sorte é tirana Mas nome eu já escolhi Não arredo pé daqui É Melra Preta “Amaricana”! Joanina, a "Amaricana" 20 de Maio de 2008 |
Ao primeiro improviso da Jo! |
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Ó Cagarra toma calma |
Segui a cantiga a eito |
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P’r’os maridos tenho cura |
Olha se arrematação |
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Hoje não atino a nada |
Também estou "espravoada" |
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Para a Melra Preta “Amaricana”
P.S. Um dia, quando eu cá já não estiver, diz a meus filhos que os amo muito e também à pessoa que acompanhou este meu sonho porque apesar de não se atrair muito por cantoria, provou, mais uma vez, que o amor move montanhas e no dia 25 de Setembro de 2008 esteve sempre do meu lado. O que posso querer mais? Que Deus me perdoe os pecados de um passado menos bom.
Um grande abraço, amiga Paula Belnavis desta que se assina por
Rosa Silva (“Azoriana”)
Resposta da amiga Joanina
Califórnia, 26 de Setembro de 2008
Querida Amiga,
Agora quem chora sou eu!!! Que carta linda esta que me escreveste...
Acho que até nem sou merecedora que alguém me escreva um coisa assim.
As tuas palavras fizeram-me viajar ate a casa do Luís Bretão, pois eu própria, quando fazia parte de um Grupo Folclórico, também tive o prazer e a honra de assistir a um desses Pezinhos. E é tal qual como tu descreves!!...
Fico feliz com a tua felicidade, e tenho a certeza que lá do céu, onde ela está, Trulu, também está feliz por tão bem teres representado a raça das mulheres da nossa terra.
Obrigada por teres partilhado comigo o que viveste, e obrigada por mais uma vez me "levares" contigo, e com as tuas palavras encurtares a distância, e a saudade, que me separa da minha Terceira e das suas tradições!
Beijo grande e abraço apertado da tua amiga,
Paula
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Artigos relacionados com o evento:
Homenagem a Luís Bretão
E viva Luís Bretão!
Um dia diferente
É hoje, 25 de Setembro!
É na próxima quinta-feira que o meu coração vibrará...
Quadras à solta
Se é pouco o que eu faço
Tenta fazê-lo melhor
Se falares do meu espaço
Não o sangres... porque há dor.
E se a tua fatia
For muito melhor que a minha,
Não desprezes o meu dia
Porque o teu p'ra lá caminha.
O humor quando é negro
E no branco vai cair
Fica logo alvinegro
E pode até denegrir.
Nunca leves tanto a peito
A espada que fuzila
Porque há sempre o direito
De contrapor quem refila.
Há quem diga que desprezo
É o melhor na má hora
Quando o corte nos é leso,
Nos fere e nos devora.
Mas desprezo não te tenho /Tudo é fruto do engenho
Garantido está o humor / Que cada alma até tem
E se lês algum desdenho / Há também quem tenha empenho
Tenta encontrar-lhe valor. / De querer sair-se bem!
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. A propósito de umas coisas que ando lendo. Há uma melodia que se adapta a estas quadras quase na perfeição mas não vou revelar pois podem não gostar.
Belezas matinais e Dia do Idoso
Estou contente. Duas mensagens graciosas alegraram a manhã que se escurece pelas nuvens quase chorosas, convidando ao recolhimento silencioso que é desperto pelas toadas "Inter-Ilhas".
Uma das mensagens, relativa ao artigo que intitulei de O Sangue da Uva, é do próprio autor das excelentes fotografias que jamais esquecerei. Todas as imagens são lindas mas as da página 33 fizeram-me soltar quadras imediatas e tive o "feed-back" que me colocou um sorriso grande. Obrigada, caro Magina, pelas palavras tão gentis e agradáveis de se ler.
A outra mensagem é uma surpresa que será revelada o mais breve possível e que causará algum espanto (ou talvez não), depende do olhar de quem verá o que por aí vem... Espero ser o princípio de algo ou, então, o arrumar das botas, como se costuma dizer quando a coisa dá para o torto. Cada um é para o que nasce e eu parece que nasci para rimar. Bem ou mal isso é outra história mas que sou feliz assim lá isso sou.
E hoje é dia do Idoso. É o mesmo que dizer o dia do Sorriso. Há muitos idosos nas ilhas e além-mar e temos a obrigação de lhes sorrir porque se eles são idosos é porque já deram e continuam a dar um valioso contributo à humanidade. Nunca se despreze um idoso porque ele é o espelho do futuro de todos nós que ainda nos vemos numa fase pré-idosa...
Lembremo-nos que ser idoso é conseguir passar a barreira que muitos jovens não conseguem passar.
Ser idoso é abrir a porta da sabedoria e da experiência.
Bom dia a todos e sobretudo aos idosos.
Agradecimento público a Clarisse B. Sanches
Quadras dedicadas a D. Clarisse Sanches
Poetisa de Góis - Portugal
Quem faz bem neste mundano
Recebe novo tesouro
Que no coração humano
Chega a valer mais que ouro.
Há uma quadra feliz
Que se canta com verdade:
Ajudando, há quem diz,
Ganha-se a eternidade.
Quem se sente predestinado
Para ajudar um irmão
E aceita esse cajado
É Pastor de coração.
Lembro agora os Pastorinhos
Que seguiram sua Mãe
E até pelos caminhos
Rezavam o Terço também.
E há quem faz sua reza
No Outono duma vida
Toda a quadra embeleza
Com o verso-flor garrida.
E nas Glosas coroadas
De uma grandeza d'alma
Serão pra sempre lembradas
Nos ecos da maior palma.
Muito obrigada!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Os versos que fiz são o agradecimento público dos 2 livros que Clarisse Barata Sanches me enviou: "Góis e seus Poetas - 2ª edição" e "Hinos da Tarde".
E destaco uma quadra que me sensibilizou muito, deste derradeiro título acima escrito:
"Pode o filho estar na cela,
Ser ladrão ou vagabundo,
Mas será sempre p'ra ela
O melhor filho do mundo!"
E esta:
"Coração de mãe, ardente,
Deus fê-lo à prova de chama!
E o facto é bem evidente:
- Quanto mais sofre, mais ama."
Lindas quadras de Clarisse Sanches, autora do blog "Cânticos da Beira - Prosa e Poesia", e com uma mensagem rica.
Muito obrigada!
O Sangue da Uva
(imagem da net)
O Sangue da Uva
O vinho é sangue da uva
Que sai do lagar a rodos;
Se acenta como uma luva
É quando estamos nos Bodos.
Está vivo em curraletas
E p'rós cestos se entrega;
As uvas brancas e pretas
Sob os pés levam esfrega.
Deste sangue em demasia
E se fresco nos é dado
Provoca tal maresia,
No ventre canta apressado.
Mas Cristo o elegeu
Para ser Sangue de Vida
Todo aquele que o bebeu
Provou da Santa bebida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Este surgiu-me a propósito das imagens lindíssimas da página 33, do livro "O Ciclo do Espírito Santo", Ilha Terceira, Açores, Portugal. Magina. Angra do Heroísmo, Fevereiro 2007.
Sempre que visito o seu Portal...
Fico com a sensação que o Espírito Santo ilumina o seu Portal todo tal é o manancial de informação e dedicação que lhe dedica.
Agradeço, sempre, o que de meu publicou e tenho uma enorme felicidade por ver que a Serreta ocupa espaço de relevo, pese embora a freguesia seja pequena em população mas tem uma grande devoção em tudo o que se relaciona com o Divino Espírito Santo e com a padroeira Nossa Senhora dos Milagres.
Serve este artigo para informar que outras manifestações vão surgindo pela blogosfera, de que faço parte, relacionadas com o Espírito Santo e as Festas dos Impérios. Este ano tenho alguns artigos compilados dedicados a Luís Bretão, que reside em São Carlos, ilha Terceira, que foi a personalidade que me despertou outro sentimento e que prova que o Espírito Santo está em toda a parte.
O sentimento, comum a ambos, tem a ver com o gosto pelas nossas tradições culturais, sobretudo na parte que se refere ao improviso das cantigas ao desafio que, nesta altura, ainda fazem parte integrante de algumas Festas dos Impérios, nomeadamente do de São Carlos. Isso faz com que ele reúna pessoas à sua volta para lhes dar incentivo a continuarem plenos de encanto e devoção pelo Divino Espírito Santo, que em cada ilha se comemora de maneira diferente mas com o mesmo amor.
É de louvar todo o trabalho divulgado no “Portal da Festa do Divino Espírito Santo no Brasil e no mundo” pelo Prof. Sergio Manoel. Espero que, mais uma vez, possamos fazer parte desse fabuloso mundo. Obrigada.
Rosa Silva ("Azoriana")
Agradecimento a Luís Bretão
Nota prévia: Uma oferta antecipada, escrita de improviso, em 2008/07/23 dedicada à Quinta-feira de S. Carlos, ilha Terceira, Açores, na residência de Luís Bretão, integrada nas Festas do Império de S. Carlos 2008.
As quadras que se seguem não foram cantadas. Foram entregues a Luís Bretão para que ele ficasse com a recordação da primeira vez que fui convidada a estar presente na confraternização que conta 10 anos tendo apenas tido 2 anos de interrupção por motivos de força maior.
Graças a Deus, fico muito feliz por vos puder mostrar o que escrevi e dei pois ambos estávamos vivos nesta data e podemos conhecer o gosto que ambos temos pelas nossas tradições de Pézinho e Cantoria. Então foi assim:
"O padrinho da cantoria"
Agradeço ao senhor Bretão
Por estar em sua casa;
Do fundo do coração
A cantoria me abrasa.
A São Carlos, os cantadores
Vêm fazer um brilharete:
Esta é a ilha dos Açores
Que merece este banquete.
Luís Bretão homem valente
Com gosto pela cultura:
Dou-lhe versos, mui contente,
Numa ovação de ternura.
Este canto inicial
É do Caminho do Meio,
Num dia especial
De alegria no recheio.
E a todos que aqui estão
Nesta nobre convivência:
Bendigo a ocasião
Que tomo o gosto à ciência.
O «Pezinho» é uma arte
C'roada p'lo Espírito Santo;
Cantadores por toda a parte
Vestem o seu rico manto.
A Turlu, mulher das rimas,
Deixou-nos um bom legado,
P'ra ela louvores e estimas
Da "Cagarra" deste lado.
Mário Pereira da Costa,
Um sobrinho de valor,
Escreveu como se gosta
E plantou no livro Amor!
E na quadra derradeira
Me despeço, sem demora
Sou «Cagarra da Terceira»
Da Serreta fui outrora.
Setembro de 2008
Rosa Silva ("Azoriana")
Advertência ao artigo anterior
A carta publicada no artigo anterior, que meu filho ainda não conhece, serve para alertar para várias coisas e destaco algumas, a saber:
1ª - Saudade
2ª - Esperança
3ª - Fé
4ª - Gratidão
5ª - Lembrança de que os tempos são difíceis mas alguém deu a mão a meu filho. Por isso eu inventei uma canção que eu mesma canto, em casa, e que está divulgada no blog Futebol, Gente e Toiros, porque é de Gente que se trata e a quem se deve agradecer, não é só pedir. Esta é a forma, ao meu alcance, que descobri para melhor agradecer a quem nos ajuda. As ilhas têm futuro...
(Clique na imagem para ler o artigo)
Juro-vos que não sou mulher de política nem de politiquices, nem sei fazer publicidade nem é disso que se trata, só sei que a GRATIDÃO é enorme e o artigo anterior é a prova disso e na altura do acontecimento que, mesmo não sendo todo, todo feliz, há que agradecer o que está feito, graças a quem cuida de nós da maneira que pode, mediante os nossos pedidos documentados .
E mesmo que meu(s) filho(s) não tenham o futuro já garantido tem meio caminho andado. As nossas ilhas são lindas, um paraíso que se deve preservar e fazer com que os jovens sejam o bom futuro já que o que está para trás são águas passadas.
Se os(as) nossos(as) filhos(as) puderem voltar para a Região e trouxerem (os)as namorados(as) já vão preencher o que os pais e avós vão deixando vazio...
Juro-vos, isto não é política, é o meu pensamento.
Carta aberta a um filho distante...
Angra do Heroísmo, 28 de Setembro de 2008.
"Atenção: Bateria fraca". 11:08. Acabo de sair da leitura de uma das páginas de um livro recebido há 2 dias. E antes que se apague o telemóvel que me leva e traz as notícias alegres e tristes, por mensagem benévola, vou rapidamente reler a mensagem que guardei no dia 13/09/2008, na festa da Senhora dos Milagres, da freguesia da Serreta, pelas horas marcadas 07:42, que não correspondem à exactidão do tempo:
Já perdi a conta das vezes que li esta mensagem e, lembro que, respondi a ela, no próprio dia, várias vezes com o que me vinha à mente envolta pelas lágrimas que rolavam cara abaixo. Imaginas o que sente uma mãe que está afastada do filho por um oceano inteirinho?! Imaginas o que sente um filho que está longe do mar que rodeava a terra que o embalou nos primeiros tempos de vida até chegar a vontade de ser alguém e de provar que consegue ser adulto?!
Não é fácil responder a estas perguntas exclamadas. Nem a própria mãe consegue fará os outros que não sabem de quase nada de um núcleo familiar coxo...
O telemóvel ainda não perdeu a bateria de vez, mas raramente me traz mais notícias. Sou eu que, vez em quando, ligo e pergunto: - Então, filho, como estás? Vem para cá. A mãe não te pode valer agora porque está com um problema grave... Ele responde que é impossível vir agora, que vai procurar algo para sobreviver... Então, eu insisto, filho procura alguma forma digna de sobreviveres ou volta para cá e a tua namorada, se te ama, consegue esperar por ti... (Digo-lhe isto mas não estou convencida desta parte. Como é que alguém consegue apartar-se, por muito tempo, se está habituado a ouvir, ver, tocar e sentir a pessoa que está ao seu lado há 3 anos?).
Entretanto, enquanto espero o telemóvel não desligar de vez, para logo o recarregar como que à espera da vinda de novas mensagens que não podem ficar sem leitura, ponho-me a pensar:
Com a idade do meu filho eu já estava grávida dele e 5 meses a seguir ele nasceu com uma beleza fora de série. Era o primeiro filho e trazia consigo toda a alegria que me deu porque eu percebi, finalmente, que podia ser mãe. Tudo fiz por ele, tudo o que sabia e podia. Minha mãe não me conseguia ajudar em nada, fruto da esclerose múltipla, apenas me dava conselhos de valor incalculável. Lembro-me que chorava quando o lavava para nada lhe acontecer, para não o magoar. Lembro-me que o deixei no hospital internado porque ele chorava muito e veio-se a descobrir que sofria de uma infecção urinária. Um santo médico é que descobriu a forma exacta de lha curar, já fora do hospital. Nessa altura, eu quando chegava sem ele, no colo, a casa, olhava o berço vazio e chorava muito, muito... Era o primeiro afastamento do filho que tanto queria e ficava apartado de mim no hospital. Nem eu podia lá ficar com ele porque na altura os bercinhos não estavam nos quartos habituais, qualquer coisa se passava que não era possível ficarem as mães, mas eu ia vê-lo sempre...
É por estas e por outras que não consinto na minha ideia que se apartem as pessoas umas das outras. Dói muito, muito. Quando se é uma família de coração inteiro não se pode apartar muito tempo. É normal que chegue uma fase que há que seguir o novo rumo. O rumo do futuro e, logicamente, acabamos por nos apartar todos...
A partir daquela mensagem de telemóvel, tudo me faz lembrar dele. Todas as leituras que faço, todos os escritos que escrevo têm um fundo de lembrança que me faz depois correr as lágrimas que vou escondendo dos outros dois filhos... Já sinto que eles também me vão causar o mesmo sentimento quando chegar a hora igual (ou parecida) do irmão.
Hoje, quando peguei no livro dos “Capelinhos – As Sinergias de um Vulcão”, que recebi há 2 dias, após vaguear pelo Índice, da versão portuguesa, o meu olhar foi de encontro ao capítulo trinta, cuja indicação é: “O Vulcão Salvou-me a Vida – Uma estória ficcionada”, por Ralph Roger Glöckler. Corri até à página 299 e fiquei a ler por um bocado. Lia e pausava. Voltava a ler. Lembrei-me que um terramoto também me tinha salvo a vida e queria perceber se a fórmula era a mesma, mas não é. Eu não emigrei para lado nenhum, apenas fiquei sem ir ao Liceu, porque ele fechou na altura para albergar famílias... Para quem não gostava de estudar, o terramoto podia ser interpretado como uma forma de salvação. Tal pecado este meu...
Se eu não tivesse estudado tão devota e renhidamente jamais podia agradecer a meus pais pelo que hoje sou. O meu agradecimento foi feito tardiamente pois eles já não viram o tanto que eu já coloquei de letrinhas a voar pelas ondas tecnológicas... Tal pecado este meu...
E agora o que fazer de um filho maior de idade que teve um Pai-Estado, que nem é o pai biológico, que é formado por um conjunto de pessoas que se entrega de alma e coração a proteger os filhos todos e de todos, e que agora está formado numa escola profissional, tem o tal “canudo” e precisa ter uma certeza certa: o estágio lá fora e/ou a volta para enfrentar a sua vida adulta: o primeiro emprego.
Ainda não sei qual será o seu primeiro emprego mas estou convicta que algo irá ser porque cá, por enquanto, só se faz um terramoto e um vulcão é na minha mente que, constantemente, larga tremores de agonia e lavas de saudade do primeiro filho que não consigo ajudar mais, tal como aconteceu com a minha falecida mãe que, sentada numa cadeira de rodas, só me dizia como fazer isto ou aquilo...
Com isto tudo a única coisa que me faz aliviar a tormenta é saber que jamais esquecerei o Governo Regional que o ajudou durante 3 anos da sua vivência pós escolaridade obrigatória. Três anos são 1095 dias de uma pessoa... E ele, meu rico filho, nunca perdeu ano nenhum e teve o tal diploma (“canudo”) que pode apresentar em qualquer lugar que se apresente...
Não tenho coragem de pedir mais ajudas... Seria não deixar o meu filho lutar por si próprio para conseguir o que a mãe também lutou para conseguir. Agora estou a lutar por conseguir um tecto firme para os meus três filhos, porque dois menores ainda estão sobre o mesmo tecto que não é nosso...
É difícil, juro que é. Só uma mãe sabe o quanto é difícil não saber se o filho comeu, se dormiu bem, se tem roupa para vestir quentinha, se chora, se ri, se canta, se grita, se morre devagar... Se se lembra que hoje era o primeiro Domingo, após o seu nascimento, que a mãe estava na casa da avó da Serreta com ele e chorava porque ele chorava muito ao ponto do pai sair zangado porta fora porque não dormira nada e tinha de trabalhar em horários diferentes do comum trabalhador. Decorria o Domingo dos Toiros do Porto dos Biscoitos, tal como decorre hoje, passados exactamente 22 anos o mesmo tradicional Domingo do Porto dos Biscoitos...
Eu não vou aos toiros tal como não fui naquele Domingo primeiro da tua vida, filho. Que este texto seja a lembrança que fica para ti. É que a mãe às 12:07 repete o choro de então mas por te saber longe e adulto. Tu que nunca esqueces do aniversário da tua mãe (não me pregas petas) e eu, que também, haja o que houver, te ligo a dar os Parabéns! Quem me dera ser viva para te dar os parabéns por uma vida organizada e feliz...
“Atenção! Bateria fraca”, é o novo aviso que me soa na frente... E eu sei que se vai desligar imediatamente o telemóvel que nos liga a gente viva por muito distante que esteja enquanto tiver bateria e dinheiro...
E uma expressão conforta a minha mente: “A um pobre não se dá peixe mas ensina-se a pescar”. Talvez comas peixe agora... Antigamente não gostavas de peixe. A culpa foi minha porque não vi uma espinha que ficára atrás na refeição que te marcou para sempre. Mas como vou ensinar-te a pescar de tão longe?! Talvez já saibas melhor que eu como se faz boa pescaria. O que me conforta, filho, é este dom que Deus me está dando, de soltar os meus nervos para este novo papel que não me prejudica tanto como se gastasse em caixas de comprimidos que fazem fingir que a vida é bela... Este é o meu mar de palavras, sem peixe.
- Filho, que a Senhora dos Milagres te guie os passos e que não te deixe cair nas tentações de um mundo egoísta. Quando puderes volta ou, então, tenta arranjar uma fonte de sobrevivência...
Um agradecimento muito especial ao Governo Regional dos Açores, que desde o ano 2005 ajuda o meu filho a tirar o seu curso preferido. A lembrança deste dia fica com a minha nova assinatura com a colaboração do meu benjamim que é o único que acompanha os meus escritos, que são laços que nos unem na simplicidade do sonho... São momentos, que foram iniciados em 9 de Abril de 2004, com um artigo que já, na altura, era um pedido de socorro e que talvez venha a ser uma fonte de sobrevivência para uma família inteira. Nunca se sabe nem nunca se pode dizer nunca... Redondâncias existem tal como existem talentos dentro da pobreza. Ninguém come terra nem mar se não lhe ensinaram a cultivar e a pescar. Muitos beijos para ti, filho da ilha Terceira, Açores, Portugal. Se precisares chora porque todo o homem chora quando precisa. Não faço mais parágrafos porque estes totalizam 22, que ocupam 3 páginas, com 131 linhas, com mais de 1800 palavras e com mais de 9900 caracteres, incluindo os espaços. Por hoje é tudo... Toca o telefone... É Luís Bretão a agradecer a homenagem que lhe dediquei e saiu no jornal “A União”, ontem... Vês, filho, as homenagens querem-se em vida e esta que fiz com todo o carinho e com os versos que amo chegou em vida. Se a mãe morrer antes de te ver, porque ninguém sabe o dia nem a hora da partida única de além-mar, lembra-te que te fiz esta homenagem sem saber se continuarás vivo da vida que não consigo dar-te. Só posso dizer: Amo-te! Tua mãe é Rosa Silva mas é e sempre será...
Cantigas
É uma grande alegria
Estar convosco, ó cantadores,
Porque sóis a mais valia
O tesouro dos Açores!
Essa foi a vez primeira
Que ao lado deles me vi;
Em S. Carlos, da Terceira,
Raras pérolas percebi.
Basta ter um bom motivo,
Improviso se aproxima;
É assim meu gosto vivo,
Qualquer hora me dá rima.
Os meus versos aqui estão,
São a mola que me move
Queira Deus novo serão
E que o violão me aprove.
Um serão cheio de amigos,
Recheado de cantadores
Desde os tempos mais antigos
Até aos novos valores.
Tudo isto a combinar
Numa hora apetecível
Com alguém apadrinhar...
Será isto impossível?!
Faço figas já agora,
Pra que alguém isto veja
E se tarde é demora
Que mais cedo tudo seja.
Sou filha de pai severo,
De amor em recolhimento,
Da minha mãe tudo espero
E por ela miro o vento.
É o vento que me traz
As rimas de dom completo...
A mestria não se faz
Forçando nosso intelecto.
E quanto mais eu pensar
Tentando ser de mim dona,
Muito mais vejo quebrar
Os versos que vêm à tona.
Rosa Silva ("Azoriana")
Uma notícia triste...
Todos os artigos anteriores que escrevi do dia 25 e 26 foram alegres. Mas sei que a morte anda sempre a espreitar e a morte é triste quando se conhece, nem que seja num só dia, as pessoas que partem para sempre.
Eu estava tão feliz, tão alegre. Quando deparei com o artigo da Lala porque antes visitei a Joanina e achei estranho um dos comentários, fiquei muito triste:
Faleceu um padre jovem. Ele disse o sermão do sábado da novena de Nossa Senhora dos Milagres e sei que me emocionei e achei que ele teve um gesto de bondade para com os jovens que lá estavam a cantar. E agora?!
É muito triste estas notícias inesperadas. Trancam-se na gente e ferem. Depois pensamos: Porquê? Logo agora que ele esteve na presença da Mãe...
Sabem o que penso agora? Acreditem que a Senhora dos Milagres o receberá com o sorriso que ele merece...
Não chorem... Digam apenas... Recebe o teu menino... Pe Marco Faria pede por nós que não sabemos nem o dia nem a hora...
Duas cartas
Duas cartas para um momento. Uma para lá e outra para cá, em resposta.
A primeira é longa e descritiva. Se fores sensível talvez te emociones se já passaste por grandes emoções.
Não as coloco em artigo para não ser demasiado longo. Estão guardadas na minha página pessoal. Segue-me, por favor.
Há Livros e livros...
Nunca me vi tão rodeada de livros como depois de 2004. É a pura da verdade. Uns mais altos e largos, outros mais baixos e estreitos e outros que tem dimensões assim-assim, tipo livro de bolso, fácil de levar para a mesa de cabeceira para ler, nas calmas, e repetir a leitura q.b.
Tenho cá para mim que, mais dia menos dia, vou ter de adquirir uma prateleira bonita e catita para alguns que merecem um luxo que os próprios apresentam aos sentidos todos.
Hoje não vos quero falar só do luxuoso livro que trouxe da Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo, mas tão só da apresentação do coordenador, Tony Goulart, que nos falou da Emigração Açoriana para a América e do vulcão dos Capelinhos, no Faial, e da edição comemorativa do 50º aniversário do vulcão dos Capelinhos. O livro chama-se "Capelinhos - As Sinergias de um Vulcão - Emigração Açoriana para a América" - Um volume em português e UM (lindo, lindo) cuja tradução é acompanhada por um DVD de António Furtado.
Três nomes figuram na pestana da capa:
- Capelinhos Photographs - Manuel Cristiano da Silva (nascido na Horta e residente em San José, Califórnia);
- Vulcão dos Capelinhos Color Video - António da Rosa Furtado (nascido na Horta e residente em San José, Califórnia);
- Project Coordinator - António Goulart (nascido no Pico e residente em San José, Califórnia).
A minha querida amiga Kathie Baker é que me recomendou a ida ao lançamento desta obra, hoje, 26 de Setembro, com a presença do Dr. Marcolino Candeias e outras personalidades de relevo. É muito mais fácil eu conhecer a eles do que eles a mim, mas neste tipo de eventos há sempre uma atmosfera agradável de simpatia.
Não sei se os presentes notaram que a dada altura eu padeci para conter a lágrima. Elas estavam teimosas demais. É que quase no fim da muito boa explicação e apresentação de Tony Goulart, Vice-presidente do Portuguese Heritage Publications of California, veio-me a saudade da ilha do Pico e do Faial, que fica mesmo ali à beira e que era o centro das atenções.
A rematar a apresentação, António Goulart leu um poema sobre emigração de uma terceirense, emigrante de São Bento. Aí deixei cair as lágrimas mesmo. Portanto, ficam a saber que estas coisas mexem com a minha sensibilidade.
Ainda bem que lá fui e cheguei a tempo de ver os slides que ilustravam as palavras históricas proferidas.
Claro que ainda não li os livros. Já passei uma vista de olhos e reparei nas imagens espectaculares e remato eu agora com apenas isto:
Ó América, Ó América,
Que talhas a Saudade
Deste chão açoriano
E quanto emigrante fica
Chorando a tenra idade
Que zarpou no oceano...
... E não voltou à terra rica
De abraços e outra realidade
Que é o amor insulano.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Querida amiga Kathie ficas a saber que adorei e que cumprimentei os teus amigos. Um abraço especial neste directo. Obrigada por me dares esta oportunidade. Merecia casa cheia...
Clique na imagem para ver todas as fotos.
Desculpem a pouca qualidade mas foi por telemóvel.
And I just receive this e-mail. Thank you, dear friend!
Homenagem - Porque a morte nos atalha é em vida que se talha a
Homenagem a Luís Bretão
"Quem abandona o passado
Não chega a lugar nenhum"
É este o bom ditado
De um Homem incomum.
Luís Bretão, assim se chama,
O Padrinho das Cantigas.
Certo é que já tem fama
E muitas vozes amigas.
É homem de fino trato,
Entusiasta a valer,
Benfeitor, é seu retrato,
Fruto de seu bem-querer.
Saber, Desporto e Cultura
Abraçou com devoção,
E a sua assinatura
Dignifica a Região.
Minha rima se enternece
Pelo homem de talento
E nunca mais arrefece
No calor do bom momento.
Um momento a preservar
Pela sua vida fora
E para sempre lembrar
"Sol Nascente e Aurora".
Foi graças a esse facto
De dois grandes Cantadores,
Que se deu este bom acto
Na Terceira, dos Açores.
Foi na linda Quinta-feira
De São Carlos, seu «Pezinho»,
Que ouviu quadra primeira
Da minha voz, com carinho.
Antes que o selo da morte
Nos aparte desta vida,
Faço a HOMENAGEM forte
A Luís, pessoa querida.
Minha mãe está lá feliz
Por ver a filha contente;
Sinto que ela assim quis...
Ele "ouviu-a" docemente.
Milagres ainda existem,
Podem crer, tenho razão,
Nestes versos que me assistem
Bordei terna gratidão!
Uma dúzia de alegrias
Em cada quadra que fiz:
P'ró Padrinho das Cantorias,
O ABRAÇO mais feliz!
2008/09/26
Rosa Silva ("Azoriana")
E um bem-haja de Frederico Freitas.
*************************
À sua esposa Luísa,
E família em geral,
A ventura que desliza
No Post-Scriptum especial:
Com o dom da harmonia,
Que embeleza o «Pezinho»,
Seja lembrado o dia
Do vosso amor e carinho!
Rosa Silva e família
Nota: Publicado no Jornal "A União" no dia 27/SET/2008, página 9 - Opinião.
Agradeço publicamente a João Rocha por aceitar este meu desejo.
E viva Luís Bretão! (Primeiro Pezinho em São Carlos)
Acabei de chegar a casa após uma tarde e noite divinais. Pela primeira vez, estive no Pezinho em Casa de Luís Bretão, em São Carlos, concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, que comemorava 10 anos nesta especialidade.
Num ambiente ilustre, num salão, digo, museu de cultura, num convívio diferente e especial com pessoas que há muito já conhecia através dos meios de comunicação social mas nunca tinha falado, nem eles comigo.
Hoje tudo foi diferente, desde o começo ao fim. Talvez a palavra "fim" não exista neste caso. É que tomei o gosto à cantoria ao vivo. Apenas uma quadra cantei, sem treino com o violão e/ou viola. Fui seguindo o instinto e no meio de vários cantadores terceirenses senti-me feliz e pronta para continuar a noite inteira, mas tal não foi possível devido ao adiantado da hora para a cantoria programada pela Comissão das Festas do Império de São Carlos.
O dia que meu filho fez 22 anos (25 de Setembro) fica marcado com mais esta efeméride: foi a primeira vez que, ao vivo, testei a força das cantigas a que chamamos Pezinho, uma moda regional que é tradicional.
Luís Bretão tinha a casa cheia, fez várias homenagens e presenteou os convidados com 5 sacos de lembranças.
Por tudo isto, só posso dizer: Foi Deus que me trouxe este anjo da terra, graças ao livro do Mestre das Cantorias (João Ângelo) e ao livro de Charrua e Turlu. Que Deus o ajude sempre e lhe retribua com saúde e felicidade, bem como à sua família.
É lindo ver, também, os sorrisos e os incentivos dos nossos cantadores ao desafio num cumprimento festivo.
Bem-haja a nossa Gente cantando alegremente!
Um dia diferente
Hoje é um dia diferente
No meu estado de rima,
Porque vou estar presente
Num Pezinho mais acima.
Em São Carlos, numa casa,
A convite insistente,
Onde alegria extravasa:
O meu gosto irá contente!
Peço calma, vou prudente,
Rimo por Nossa Senhora,
E p'la mãe, que mesmo ausente,
Está comigo a toda a hora.
Este amor e a minha fé
Movem montanhas de rimas;
Da Serreta, esta maré,
Do mote que mais estimas.
Também o Espírito Santo
Anda a par com a ventura
De descobrir o encanto
Que tem a nossa cultura.
A cultura do Pezinho,
Cantoria e Desgarradas:
Dou-lhes todo o meu carinho
Nas criações publicadas.
Mas eu não sou cantadeira,
Nem poeta ou coisa alguma;
Sou Cagarra da Terceira
E à Turlu devo mais uma.
Esta força que me vem,
Aos magotes, sem pensar,
Devo à falecida mãe
Que foi mártir a penar.
A doença traiçoeira
Que feriu o seu viver
Fez cair à minha beira
Este fogo de escrever.
E se um dia eu partir
Sem ficar nada de mim,
Fiquem, ao menos, a sorrir
As quadras do meu jardim.
E que alguém lhes deite a mão,
Preserve o que eu não posso,
Devo a Luís Bretão
Este cantar que é nosso.
Devo muito às amizades
Que por isto fui ganhando;
Sorrisos, às claridades,
Que a rima foi criando.
E à nossa edilidade
Angrense, nosso torrão,
Que sorria de verdade
Às festas do seu quinhão.
E p'las nossas Cantorias,
Que alegram os Açores,
Façam bem todos os dias
Aos ilustres Cantadores.
Rosa Silva ("Azoriana")
É hoje, 25 de Setembro!
Dia de anos do meu filho.
Pezinho com Luís Bretão;
Que do céu venha o brilho
Pra animar nosso serão.
Venha a surpresa rimada
Nesta que é a vez primeira
Que me sinto agraciada
Bem à moda da Terceira.
Não sei se soltarei canto,
Se a voz fica embargada;
Frente ao Espírito Santo
Não devemos temer nada.
A garganta já se afina,
A viola já se apruma...
No blog da Joanina
Não vejo quadra nenhuma?!
Vem comigo amiga minha,
Nem que seja em pensamento,
Não me deixes lá sozinha...
Reza, em rima, p’lo momento.
E se tudo correr bem,
Na casa de Luís Bretão:
Vou agradecer à Mãe
Que levo no coração.
2008/09/25
Rosa Silva ("Azoriana")
Brilho no olhar
Nos meus olhos trago o brilho,
No coração grande amor
À rima por cada filho
Que me deu Nosso Senhor.
Este Amor que vai por mim
Ninguém pode ver defeito,
Minha lira é um jardim
Plantado de amor-perfeito.
Canta a luz da alvorada
Canta o rouxinol da vida
Cantigas da madrugada
Que por mim vive rendida.
Grande prazer nesta hora
Pelo dom que Deus me deu
Agradeço à Mãe Senhora
O bem que não é só meu.
Os três filhos que eu tenho
Madrugam meu bem-querer
São o mais belo desenho
Que preserva o meu viver.
Um filho não esquece a mãe
Por muitas voltas que dê:
É um dos bens que ele tem...
Só de olhar logo se vê.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Parabéns ao meu filho primogénito que hoje faz 22 anos.
Viva o Gordo!
Viva o Fernando Mendes
Que comanda o Preço Certo
Com alegria defendes
Todo aquele que tens perto.
E da ilha dos Açores
Que de trovas se encanta
Vão directo meus louvores
Na rima que se adianta.
Parabéns pelo programa
Que já leva largos anos;
Nos versos da Azoriana
Espero não haver enganos.
Tal pena que os Açores
Não estejam representados
Pra trazerem bons valores
Pela roda premiados.
Um abraço da “Azoriana”
Rosa Silva
Há dias de prosa...
Para pegar na sinceridade, digo-vos que, às vezes, fico com a sensação que escrevo para as estrelas, para os peixes e para as zebras. Umas porque estão no ar, outros porque estão no mar e, ainda, outras porque estão nos campos mais longe de mim possível. É que as zebras que vejo por cá não são animais irracionais.
Sinto que hoje o dia está propício para um comício tal e qual eu fosse da política (que até é coisa que acho "anti-qualquer-coisa"). Não! Não vou escrever de política, podem ficar os leitores descansados. Se eu me meter por essas vias muita coisa vinha à baila sobre coisas que já vi passar na frente dos olhos feitas por políticos que já ocuparam cadeiras de veludo. Não. Melhor estar quieta no meu canto porque agora é que se está muito melhor (e desculpem a repetição de palavras). As ilhas levaram uma lufada de ar fresco. Só precisa acrescentar agora capital a muito boa gente. Sem capital nada se consegue e ficamos a nadar em seco. Mas que está tudo formoso lá isso está. E o que não está para lá caminha (as taxas de juro é que não param de crescer).
Mas claro que isto não é política nenhuma porque o que me fez escrever este pedaço de texto em prosa (lembram-se que gosto mais de rimar?!) é só para ter a certeza que alguém ainda me lê. Há dias que penso que ninguém põe sequer o olho em cima do que escrevo e se põe não dá cavaco. Eu também não dou cavaco a muita coisa mas hoje apeteceu-me levantar poeira nem que seja para animar um bocadinho algumas tormentas pessoais e intransmissíveis. É que as coisas pessoais é que, geralmente, chamam a atenção, a discussão e muito mais a polémica.
Por escrever a palavra mais apelativa (polémica) quero deixar aqui exposta a minha tristeza por não receber comentários dos meus "irmãos" emigrantes que certamente olham para a minha escrita mas não comentam. Sei disso porque tive oportunidade de conversar com alguns emigrantes serretenses que disseram ler-me e gostarem da minha divulgação mas preferem falar cara-a-cara. Acredito que seja melhor quando me olham e vêem que o sorriso desponta feliz e aberto perante as palavras amigas que me são dirigidas. É por vocês e por mais alguém que ainda me conforta e dá prazer escrever.
Obrigada senhor Constantino Sousa, mulher, irmão e outros (inclusive familiares) que vi na minha freguesia natal e me falaram que gostam do que eu divulgo da nossa terra. Até o senhor José Duarte (filho do senhor Veiga) que é o retrato exacto do pai, fez-me sorrir e rir. Não vou esquecer que a senhora Valquíria sabe a data exacta do meu nascimento porque o meu pai estava a trabalhar na casa dela no dia de petas... Por tudo isso, sinto que estou bem acompanhada. É por isso que vos digo: os blogs são o nosso ponto de encontro. Bem-haja a equipa que os controla e preserva.
E podem escrever-me para email se não quiserem deixar comentário.
Angra do Heroísmo, 24 de Setembro de 2008
Quando morre um escritor...
Quando morre um escritor
Os anjos cantam no céu
Um hino em seu louvor
E mais quando é ilhéu.
Um ilhéu que o mar abraça,
As baleias e os golfinhos,
E quando na terra passa
Tem admiráveis carinhos.
E por ser mais conhecido
Das terras e do seu mar,
Fica o povo entristecido
Com a lágrima a acenar.
Ó meu Deus que tudo sabes
E que o dom belo lhe deste
O meu verso não acabes
Sem que homenagem lhe preste.
Dias de Melo, o Picaroto,
Que viu o "Mar pela Proa";
A escrita deu-lhe no goto
Fez dele nobre pessoa.
Baleeiros do mar vivo,
Lá da terra do meu pai,
Chega-vos triste motivo
Na lágrima que sobressai.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sentido pesar
Dias de Melo, da Calheta de Nesquim, ilha do Pico, morre a 24 de Setembro de 2008, no hospital do Divino Espírito Santo.
O escritor das baleias acaba de morrer. Ficará a sua obra.
Ouvi a notícia nas palavras com tom triste de Sidónio Bettencourt, no programa radiofónico matinal. Os homens das baleias sofrem mais com a perda de vida. Que a outra Vida abrace o homem que foi homenageado em vida.
Dias de Melo
* 8 de Abril de 1925 + 24 de Setembro de 2008
Paz à sua alma!
Mar de sangue
chora a
aventura derradeira
da saga baleeira
pelas mãos do escritor
que choramos
junto da ilha
que o sabe de cor
O rosto da Calheta,
o vigia das letras
no corpo do mar
onde se lê
as rugas
de uma vida longa.
................................
Rosa Silva ("Azoriana")
É na próxima quinta-feira que o meu coração vibrará...
Festas do Império de São Carlos 2008
Dia do Pezinho
(25 de Setembro)
Voa pomba alva, branca,
Num mistério de cor
E da Irmandade franca
Voa a Festa com Amor.
Pelas ruas o Pezinho
Visita os benfeitores
E nos versos o carinho
De bravos improvisadores.
A nossa ilha é rica
De quadras e Cantorias
É certo que 'inda se fica
À espreita destes dias.
É já nesta quinta-feira
Que o canto é perfeito:
São Carlos, ilha Terceira,
Preserva nosso bom jeito.
As Festas do seu Império
Decorrem de forma sã
Acompanha este Mistério
Os toques da Terra-Chã.
E pela primeira vez
Belo convite recebi
Pra lá estar, sem mais porquês,
Junto de quem eu já ouvi.
Sorrindo à assistência
E aos cantadores presentes:
A Divina Providência
Permita versos contentes!
O amor pela Cantoria,
Pezinho e Desgarradas
Faça com que neste dia
Se soltem quadras rimadas.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Serreta no mundo
Apraz-me registar com todo o agrado que a freguesia da Serreta está devidamente identificada na Wikipédia, na categoria de “Freguesias da Região Autónoma dos Açores”. Desconheço o autor desta benéfica actualização que merece todos os elogios. O actualizador muniu-se de referências antigas preciosas para rechear a Wikipédia com uma das pérolas da ilha Terceira. Modéstia à parte, também verifiquei que manteve as ligações externas à página de que sou autora, sem fins lucrativos, e ainda incluiu o meu complemento de imagens relativas à freguesia. Só tenho a agradecer a deferência.
No campo das Personalidades, noto que foi posto em destaque três das mais importantes: o sacerdote fundador do culto da Senhora dos Milagres da Serreta; o político que foi o principal promotor da construção da igreja da Serreta, actual Santuário e o escritor/professor universitário e político dos nossos dias. Eu acrescentaria mais algumas personalidades cujos nomes não estão à vista mas que muito contribuíram para a freguesia ser o que sempre foi e será – a peregrina do mundo.
Os párocos, os dirigentes da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense, os maestros, os músicos, os membros das comissões da igreja, o reitor, os grupos corais, as pessoas que ornamentam os altares, o homem que fez os caixões dos defuntos durante vários anos, os presidentes da Junta de Freguesia, os que trabalharam para que a freguesia tivesse edifícios notórios, etc. etc. podiam ser incluídos por quem de direito.
Puxando a brasa à minha sardinha, nomeio a minha falecida mãe como sendo a mulher serretense cuja doença degenerativa lhe permitiu apenas ser uma grande devota e impulsionadora do gosto que a família directa nutre por este cantinho do céu – A Serreta! A prova disso nota-se nas lágrimas que correm ao toque do sino, ao estalar dos foguetes e ao sorriso de Nossa Senhora quando os nossos olhos nela caem, em determinada posição. Não quero parecer presunçosa ou orgulhosa mas sim uma mulher simples que ouviu a voz da falecida mãe mesmo que um bocado tarde. Se a Serreta está ao rubro na internet deve-o às suas gentes naturais e, insisto, à minha falecida mãe, que através de mim e a partir do ano de 2004, transbordou em rimas contrariando o negro de um vulcão que era o termo que acendia o rastilho da pesquisa na internet com resultados únicos e tristes. Hoje a Serreta é pesquisável com outras palavras e muito mais alegres.
Bem-haja quem ama e divulga a pequenina freguesia que atrai na 2ª semana de Setembro milhares de peregrinos para verem a linda Senhora dos Milagres.
Acredito que aquela mártir está no Céu intercedendo pela sua família e por quem dela se lembra junto do altar da Virgem Mãe - Senhora dos Milagres. Hei-de cantá-la enquanto puder.
Rosa Silva ("Azoriana")
Outono
Fui ver meu rosto ao espelho
À procura doutros ventos
E no traço sobrancelho
Avistei os bons momentos.
O Outono vai galgando
Traços da fisionomia
As lembranças vão chegando
Para colorir meu dia.
Outono é o candelabro
Que acende a natureza
De cada folha que abro
Vejo nova luz acesa.
Aos poucos, passo a passo,
Vejo a luz do teu olhar
Dourando o meu espaço
Com teu Outono a brilhar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Favos da madrugada
As trovas que agora chegam
Trazem o mel da poesia,
Em cada favo carregam
A mais bela flor do dia.
E as flores alimentam
Estrofes de fantasia
E no meu peito cimentam
Uma enorme alegria.
A saudade também chega
Com os versos da estação
Que diz adeus ao Verão.
Outono nos aconchega
As folhas de cor dourada
Nos favos da madrugada.
Rosa Silva ("Azoriana")
Índice temático: Rosa e rimas do coração
Num dia normal destaco um texto
“Olá, "ROSINHA"...!
Há tanto tempo que não passo por aqui...!
Enfim, a vida nem sempre nos dá o tempo de que necessitamos e depois...bem, depois, é acatar aquilo que Deus nos dá.
Quanto ao texto com que nos brindou hoje, a minha opinião:
É das coisas mais bem feitas e melhor idealizadas, que li nos últimos tempos.
A fantasia de braço dado com a realidade, por vezes assusta-nos. Quem é que ainda não passou por um susto destes?
A cidade do Porto, dista da minha terra, mais ou menos, cem quilómetros. Há cerca de trinta anos, pus-me a caminho, daquela cidade utilizando o transporte do caminho de ferro. Chegado ao Porto, logo pela manhã, entrei num café e pedi meia de leite e uma torrada. Tomei o pequeno almoço descansado, até que chegando junto de mim o empregado, perguntou: não precisa de mais nada? - são 15$00.
Puxo pela carteira para pagar o que tinha consumido e verifico, que não trago a carteira comigo. Isto, é: nem dinheiro, nem documentos.
Se a minha deslocação ao Porto era para efectuar umas compras que tinha programado, e agora? Nem dinheiro para fazer uma chamada telefónica.
Com toda a sinceridade, mandei chamar o patrão do estabelecimento, e contei toda a situação, sem rodeios nem mentiras.
O Homem, ouviu-me com toda a serenidade e perguntou-me: tem alguém conhecido na sua terra a quem eu possa telefonar? Sim, tenho muita gente, que pode abonar a minha idoneidade sem receio. O senhor Santos - assim se chamava o dono do estabelecimento - disse: não é necessário telefonar. Até me posso enganar, mas o meu amigo parece-me uma pessoa séria.
Deixa-me o seu nome e morada e eu vou confiar-lhe cem escudos, para as suas despesas aqui no Porto. Quando poder, paga-me.
Estupefacto com tamanha grandeza de alma, agradeci e prometi ainda no mesmo dia, passar pelo estabelecimento, para pagar o favor, que aquele homem sem me conhecer de lado nenhum, me tinha feito.
Obviamente, que telefonei aos meus familiares a contar o sucedido e prontamente resolvi o problema, que me tinha acontecido.
Como vê, minha cara ROSINHA, há fantasias que até parecem verdade e quantas vezes existem verdades, que não passam de mentiras.
Um grande beijo,
Teixeira da Silva”
Num dia normal recebi o comentário do caro amigo, Teixeira da Silva, que me presenteia vez em quando com poesia e prosa que merecem destaque. Esta prosa que me ofereceu após a leitura do que a mente me ditou para a “Fábrica de Histórias” bem pode ser um contributo, dado pela minha mão, para constar no Podium de Participações. Assim, tomei a liberdade de transcrever na íntegra a sua história, que me fez sorrir num dia normal.
Acrescentei estas poucas e mal notadas linhas para completar o leque das palavras de um texto que só por si é magnífico e mostra que há gente boa no mundo, capaz de colocar um sorriso e a confiança no rosto do transeunte que, sem querer, se vê preso numa inesperada inquietação.
Uma pergunta com resposta URGENTE e confiável
Peço a vossa atenção
Para assunto pertinente
Quero ver televisão,
E qualquer comunicação
De uma forma decente.
Sem cabos e mais cabinhos,
Sem fichas a incomodar
De honorários certinhos
Aptos a mudar caminhos
Directo p'ra outro lugar.
Quem me faz a gentileza
De me dar forma fiável
E com a maior fineza
Para eu ter a certeza
Que é um trio confiável?!
T.V, telefone, internet,
Apenas numa factura,
Qual serviço que compete
Conservar o ramalhete
Com barata assinatura?
Rosa Silva ("Azoriana")
Um dia normal
E sem carros até às 19 horas. Apesar do sono ser movimentado por sonhos que tinham que ver com este dia “normal”, o dia começou cedo para contrariar o estado dos dias normais. É caso para acta assim: Aos vinte e dois dias do mês de Setembro do ano de dois mil e oito, um dia sem carros no centro da cidade património mundial – Angra do Heroísmo – eu, resolvi iniciar um percurso diferente. A angústia ia comigo, rua abaixo, na senda dos papéis para a aquisição de habitação. Um passo novo em terreno antigo existente e que chegou a hora de acreditar que possa ser meu, finalmente. Depois de saber a lista de documentos necessários, dirigi-me, à larga pelas ruas desertas de viaturas e cheias de gente, póneis, cavalos e carroças, jogos infantis e vários tipos de desporto colectivo para cidadãos na senda de um dia diferente, à rua dos registos que nos obrigam a tirar o cartão do “dinheiro da parede” do bolso da mala. Tirei-o umas quantas vezes e vi escapulir alguns “heróis”. Para quem tem pouco, nota-se logo a diferença e começa-se a pensar que os próximos dias serão de aperto e anormais. Que bom que este é um dia normal e que até vi um sorriso de uma senhora muito atenciosa que me explicou “tim-tim por tim-tim” os procedimentos normais numa situação normal para tanta gente. Quem já comprou casa sabe como é.
Nisto tive de voltar à residência habitual, que não é minha, para colher mais documentação, mas antes passei na edilidade angrense para receber mais sorrisos juntamente com plantas e licenças. Nada melhor que um sorriso no atendimento geral da população, sejam mal encarados ou não. Se me viram mal encarada foi porque esta situação, mesmo não sendo nova para mim, traz-me sempre alguma angústia à mistura com o desejo de ter tudo conforme mandam as leis todas.
Não quero esquecer que uma senhora me deu bons conselhos e que, pela primeira vez, gostei do nome dela, ao contrário de outras senhoras com o mesmo nome. Cadernetas, plantas, licenças, bilhetes identificativos, comprovativos tributários, recibos e declarações, fichas e notas são um ramalhete asseado e que nos dão novas perspectivas vindouras. Não quero atirar foguetes antes da festa porque o melhor é esperar pela Festa. Nem sei se vai haver festa depois de deitar os olhos no que por aí virá. Só sei que este dia não passou de um dia vulgar no início de tantos dias vulgares.
Por incrível que pareça até a chuva caiu para limpar o cheiro a excremento de animal que passeia meninos e meninas sorrindo ao dia sem carros. Imaginei que era pequenina e que me sentavam no costado daqueles póneis e que rebolava para o chão num piscar de olhos... É verdade isso aconteceu-me exactamente no dia que me sentaram em cima de um cavalo e eu vi o mundo a rodar lentamente e fiquei estatelada no chão a choramingar.
Hoje é tudo normal, sem lágrimas e sem carros!
