Figuras

O que lembro de Camões

São as "armas e os barões"

Da minha dificuldade;

A pequena da Serreta,

Que vinha de camioneta,

Decorava-o, noutra idade.



Hoje, tudo de mim voa,

Não sou a mesma pessoa,

Nada retenho na mente.

Vão à solta meus escritos

E se os acharem bonitos,

É porque neles sou crente.



Digo com toda a franqueza

Gosto de ser portuguesa,

Muito mais açoriana;

E se isto for pecado

Espero me seja perdoado...

A bandeira não engana!



E Nemésio bem nos fica,

Com poesia tão rica,

P'ra quem o soube estudar.

Ele é inconfundível,

E na rádio era audível:

"Se bem me lembro", no lar.



Rosa Silva ("Azoriana")



Post .Scriptum:



Cansam-me os dias cinzentos, sem rima. Alegra-me a toada do mar na lua cheia da vida. Uma imagem da lua também me encanta, apaziguando os silêncios de voz alta. Durmo em relâmpagos de sonhos, sem descanso. Acordo num mundo redondo e escorrego na linha do horizonte e caio. A rima é que me dá a mão e salva-me com os sorrisos frescos... Procuro-lhe o rosto, sem sucesso, porque o meu está cansado. Volto a adormecer, na tentativa de encontrar a claridade da lua cheia como a que vejo presa em fotografia.



Há uma paz breve porque a lua, se cheia, traz-me a identidade. Sou do luar e gosto de rimar, na redonda ilha que me sossegou no berço da terra alta, junto à pequena serra que avista o mar, de mãos postas... Vejo sempre a terra e o mar de mãos postas. São manias visuais que só uma ILHOA pode ter. Só agora me passou pela cabeça este feminino singular de ILHÉU depois do Mestre me ter chamado a atenção para o meu sentir ilhéu. Ele é que tem razão e faz-me feliz por me dar a educação das vírgulas. As vírgulas que raramente coloco no lugar certo... São pecados de uma ilhoa que gosta da lua cheia e escreve à toa.

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