Quando morre um escritor...

Quando morre um escritor

Os anjos cantam no céu

Um hino em seu louvor

E mais quando é ilhéu.



Um ilhéu que o mar abraça,

As baleias e os golfinhos,

E quando na terra passa

Tem admiráveis carinhos.



E por ser mais conhecido

Das terras e do seu mar,

Fica o povo entristecido

Com a lágrima a acenar.



Ó meu Deus que tudo sabes

E que o dom belo lhe deste

O meu verso não acabes

Sem que homenagem lhe preste.



Dias de Melo, o Picaroto,

Que viu o "Mar pela Proa";

A escrita deu-lhe no goto

Fez dele nobre pessoa.



Baleeiros do mar vivo,

Lá da terra do meu pai,

Chega-vos triste motivo

Na lágrima que sobressai.



Rosa Silva ("Azoriana")

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