Inverno
de palavras, sem Amor!
Cansei-me das palavras encobertas,
Do cheiro nauseabundo da razão,
Do diz que “sim” e também diz que “não”,
Do poço onde derramo horas incertas.
Por mim serias, todo, às
descobertas,
Pincel de feno liso em fina mão,
Descalço entre o riso e a paixão,
Absorto nos lugares que desertas.
E rio-me no choro, sem tu veres,
Prostrada na poltrona do meu ser,
Que teima na insónia de viver.
E tu, abecedário, sem o teres,
Retalho de palavras sem sabor,
Inverno de palavras, sem Amor!
Rosa Silva (“Azoriana”)

