Amanheço pensativa,
Pós horas a matutar:
Que por hora estou viva,
E ainda a labutar.
Uma vontade somente
Me invade a ocasião
De dizer abertamente
O que deixo por missão.
Ninguém ouse remodelar
Minha singela escrita
Nem a tente pontuar
Para ficar mui bonita.
Não a deixem, só, à mingua,
Podem até partilhar,
Jamais quis lesar a Língua
Portuguesa e exemplar.
Contudo, sei que mereço,
Que preservem meu estilo,
E, também o que ofereço,
Sem mais isto ou aquilo.
E, quando escrevo amiúde,
Não é tempo de perder...
É zelo pela saúde
E uma forma de aprender.
O que aprendi outrora,
Sem ter vontade alguma,
Hoje trago a toda a hora
E a vontade é só uma.
Deixa viver minhas rimas,
Se diferentes ou iguais,
Dá valor se me estimas...
Eu à minha Mãe dou mais.
Rosa Silva ("Azoriana")

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