Vejo nos teus olhos ocultados
E um rosto de sorriso retalhado,
Um homem só - ventos cruzados,
Que da ilha for ter a outro lado.
Vejo nos teus olhos tanta amargura,
Sozinho mesmo à volta de gente,
Sinto que toda a tua compostura,
Está cheia do passado, no presente.
Ruíram tantos sonhos, em falsete,
Criou-se um abismo intemporal,
Nem sequer, hoje, o brilho de corpete,
Te faz reanimar velho festival.
Assim, mesmo que a vida não sorria,
Com vista para o mundo dos sorrisos,
Aprende que, em cada desafio,
Há o perdão e a chaga, sem improvisos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: ao ver uma foto de um indivíduo com óculos escuros, mas que se nota a solidão, que é o mais triste retrato que nada esconde, através de olhares.
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