Enquanto viam nos ares
O brilho na noite escura
Privei-me de mais olhares
E zelei tua ventura.
Enquanto seguiam nos lares
Bolhas de melhor doçura
Zelei para bem ficares
No sono que só dá cura.
E todos, todos brindavam
No grito que exalavam
Eu era a tua canção.
E todos, todos sorriam
Aos sons que mais se ouviam...
Eu?! Beijava a tua mão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Etiquetas
A tua mão. MABO, a neta Matilde Alexandra
A saudade é um atalho (o meu MOTE)
Bom dia com o MOTE:
A saudade é um atalho
Para rasgar com preceito;
E quem gosta do trabalho
No Natal fica sem jeito!
GLOSA:
Vou vivendo assim-assim,
Só me ralham se eu falho;
O que sei dizer de mim?
A saudade é um atalho.
Um atalho com remédio,
Que vai fazendo efeito;
Também serve para o tédio,
Para rasgar com preceito.
Rasgar também está sujeito,
Limpar, arrumar a retalho,
É de brindar o que ´tá feito
E quem gosta do trabalho.
Para a vinda do Messias,
Faz-se tudo mais-que-perfeito;
Entre prendas e iguarias...
No Natal fica sem jeito!
Rosa Silva ("Azoriana")
Somos... tão somente!
Somos os gigantes do universo
Somos punhados de cortesia
Somos partituras em tom de verso
Somos os ares de poesia.
Só não somos tão dispersos
Porque nos une o mar
Mesmo em ares adversos
Temos ilhas para amar.
O amor se faz da Vida
E a Vida é tão concreta,
Que quando se vê partida
Fica a arte de poeta.
Somos gigantes do Povo
Somos punhados de gente
Somos palma de Homem novo
Somos Ilhéus tão somente.
21/12/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
17/12/2023 Lançamento do livro de Fagundes Duarte - A Serreta e a SFRS
Domingo de nevoeiro. De nevoeiro também é conhecida a freguesia da Serreta. Hoje, veio ter à minha mão, visão e coração, a prenda perfeita de meu filho Paulo Borges.
A continuidade da FRS Filarmónica Recreio Serretense é, sem dúvida, o que realço da efeméride serretense.
Depois de completar a leitura do precioso livro, direi algo.
É sempre uma grande alegria e emoção ser serretense, mesmo que não residente. A Serreta é mesmo assim, um punhado de residentes acompanhados por naturais não residentes e amigos que são contagiados pelo valor da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.
Enquanto houver um serretense, a Serreta da ilha Terceira, Açores será uma chama do mundo crente ou simpatizante.
Rosa Silva ("Azoriana")
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Feliz Natal 2023
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Seja bom enquanto dure
Alegre enquanto se ria
E que mais além perdure
Com a mesma alegria.
Não há nada que se cure
Com tristeza ou mania
Nem há coisa que se fure
Com choro por companhia.
Viva-se o que se puder
Seja homem ou seja mulher
No cálice de esperança.
Contudo seja o Natal
Um retalho especial
Do mundo de ser criança.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota post-scriptum: uma "mesa" adaptada com tampo improvisado, com alguns anos. Em cima dela um recipiente com terra e gravilha, onde coloquei suculentas, vindas da freguesia da Serreta, de casa das "titias".
Um pormenor: flores artificiais que já não tinham lugar em outro sítio e uma lanterna pequena, que já nem funciona com a luz solar.
À frente do recipiente, as pedras do presépio com alguns anos. Da direita para a esquerda e de trás para a frente:
Maria, na posição costumada de amparo; José, de pé. Depois, a vaca, com formato de bem nutrida, a manjedoura (pedra branca) e o menino deitado, com o burro ao lado. Junto ao burro, um cordeiro pequeno (de pedra). Junto à vaca, na frente, os pastores, e uma oferta (a pedra redonda alva). Para o lado direito, 4 pedras, praticamente do mesmo tamanho, que representam as 4 partes do mundo, que adoram, seguem e partilham os presépios de um menino que se fez humano, humilde e reto para nos salvar.
Os musgos verdes que já contam alguns invernos, fazem as delícias dos meus olhos, e fazem-me recordar o tempo de infância, quando ia ao mato, buscar leivas e musgos para ornamentar a sala da casa dos meus pais, com um presépio tão lindo, aos meus olhos, e que adorava horas seguidas, como que hipnotizada pelas verduras, perfumes natalinos, encantos nunca mais vistos.
Na verdade, a infância, a pureza, a inocência, são os ingredientes para se ter um Natal, com um retalho especial do mundo de ser criança.
Sejamos crianças junto das crianças e o Natal será igual ao que sempre foi.
14/12/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Feliz Natal 2023
☆ Feliz Natal ☆
♡ Casa da Azoriana ♡
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É com agrado e magia
Que se faz bom festival
E com Deus por companhia
É mais formoso o Natal.
Demos graças ao Senhor
Que nos presenteia a rodos
Feliz Natal com Amor
Para todos, todos, todos!
Rosa Silva ("Azoriana")
Há
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Há um Rosto que seduz
De matéria tecida
Conceição dá luz à vida
E a mim também conduz.
Há a Estrela de Jesus
De alegria incontida
De harmonia seguida
Até ser Verbo da Cruz.
Maria, ó Mãe serena
Mãe da nossa mãe terrena
Que ama quem à luz deu.
Maria da Conceição
Dá-nos hoje a Tua Mão
Que unes voltada ao Teu.
Rosa Silva ("Azoriana")
Postal natalício
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Mãe, ó Estrela de Brilho
Em duas situações
Que inflamam os corações
Com a presença do Filho.
Nascer e Crescer em bom trilho
Relíquia de emoções
O Espírito das Nações
No retalho que partilho.
Feliz seja a cortesia
Pelo Filho de Maria
E por todos que O seguiam.
Feliz sejam os bons amigos
Dos mais novos aos antigos
Lembrando os que bem queriam.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: publicado na Maré de Poesia, do Jornal da Praia, por Carla Félix.
O Natal é uma riqueza...
O Natal é uma riqueza
Mas não falo de vintém
É teres à tua mesa
Ainda viva a tua mãe.
E aquele que não a tem
Aprecia de certeza
Que tu lhe faças o bem
Temperando a tristeza.
Olha ao redor para veres
Quem está sem os prazeres
De alguém que o conforte.
Podes crer, vais ser feliz
No fundo, foi Deus que quis
Que aos outros desses sorte.
Rosa Silva ("Azoriana")
Parabéns - Sociedade Filarmónica Recreio Serretense
O sol abriu-se em luz
No dia tão especial
Para a Banda que reluz
Com a clave original.
Viva a nossa Sociedade
Que celebra sem cessar
Cada vez com mais vontade
De alegre ir a tocar.
São 150 anos
De entrega e união
Onde têm os veteranos
Com tanta dedicação.
E aqueles que partiram
Hoje felizes estão
Pois os seus também seguiram
A pauta do coração.
Viva! Viva!
04/12/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Laços
Ando tão devagar ao compasso da vida
Piso um golpe de água em conversa perdida
Vejo o monte cerrado à vista de menina
Nascida ao parapeito de bruma neblina.
Sinto a pele viva à tona do mar
Mesmo que me doa não saber nadar
Vejo o monte aberto com cara de cão
E falta-me tudo na palma da mão.
Acho o corpo verde vestido de sol
Finjo que adormeço na tez do lençol
E vem-me à lembrança teu sorriso brando.
E sonho contigo com laços de chumbo
Na mente um deserto em que hoje sucumbo
Só a rima me salva até não sei quando.
Rosa Silva ("Azoriana")
O lar (à descoberta do "eu")
Onde encontro o que não quero
Em qualquer outro lugar
Onde o repouso sincero
É presente sem rogar.
É a paz que eu venero
"A valsa onda do lar"
E quanto mais dela quero
Mais ela teima em se dar.
Teima a vida ventania
Teima uma onda selvagem
Que impede uma viragem.
E, com Deus, eu só teria
O consolo de uma paz
Que a vida não me faz.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ser mãe (II)
Ser mãe é a maravilha
Ser mãe é mesmo tão lindo
Dar o beijo de bem-vindo
No rostinho que nos brilha.
E ser mãe de uma filha
É reflexo do carinho
O amor de nosso ninho
Que se fixa numa ilha.
Ser mãe foi o grande sonho
Que em trio realizei
E jamais esquecerei.
Ser mãe é onde (re)ponho
A letra do melhor fado
Com meus três filhos ao lado.
Rosa Silva ("Azoriana")
O Bravo da Casa
Eis que o Bravo se apresenta
No topo da pastorícia
E quem com ele vai e tenta
Deve ter bem certa a perícia.
No prado é mestre de porte
Para quem o vê da estrada
E talvez tenha muita sorte
Se nunca provar a cornada.
Louvar-te que eu sempre possa
Porque Bravo já és dos grandes
Desta Casa que é bem nossa
De José Albino Fernandes!
Viva, viva a Festa Brava
Da ilha Terceira Açores
Que por tradição não se trava
E tem grandes admiradores.
Viva! Viva quem a estuda
E a segue com alegria
Da Terceira jamais se muda
O Bravo da Ganadaria!
Bem sei que não é que escolheste
Ter do Povo toda a ternura
Bravo touro tu já nasceste
Com o laço da sã bravura!
Rosa Silva ("Azoriana")
nascimento
Nasci no alto da serra
Tecida com pé-de-flor
É entre o mar e a terra
Que o meu verso ganha cor.
Corre em mim a teoria
De tudo o que vi primeiro
Seja de noite ou de dia
O verso é meu companheiro.
Rosa Silva ("Azoriana")
À Vila de São Mateus da Terceira
Marinheira de Deus perto,
Glória da sua gente,
São Mateus a céu aberto
É a Vila diligente.
E é Vila abençoada
Mais do que a gente pensa
Com seu porto em arcada
Numa calheta imensa.
E as Torres que encimam
O seu vale piscatório
Apregoam e estimam,
O sucesso meritório.
Muito além do que se diga
Há de cair sempre em graça
No refrão de uma cantiga
E na voz que bem lhe faça.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: inspirada na linda foto de capa do sítio da Junta de Freguesia (Vila de São Mateus da Calheta)
Com tua voz
Ai, quem me dera ouvir
Tu a leres o que escrevo
Tinha alegria a seguir
E nem por isso te devo.
E cantar? Com a tua voz
De jovem ou mais madura
Cada verso sai veloz
Neste jardim de cultura.
A cultura ideal
É o ramo do ilhéu
Com a raiz regional
Entre terra, mar e céu.
A raiz do ser humano
Está no sangue da pessoa
No caso açoriano
Muito mais se apregoa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bom Dia Internacional do Idoso
Que seja sempre bom é o lema. Hoje não vou escrever poema. Hoje não. Descansas em Paz há 20 anos, minha musa inspiradora.
O teu sofrimento ao longo de mais de 20 anos, também, está a ser convertido à Paz junto de Deus.
Não, não vou sequer balbuciar o teu nome. Talvez seja a primeira vez que ouso tratar-te por "tu".
Se me quiseres dar o tom eu faço o resto por ti... não vou negar, como outrora fiz...
♡♡♡
São as rosas da família
Uma terna ligação
Que não devem ter quezília
Ao invés doce união.
E os laços, cor laranja,
Que havia no jardim,
Hoje talvez não se arranja
Um lírio tão lindo assim.
São as flores a paixão,
O encanto de Maria,
Na Terra é que se dão
Regadas de alegria.
A roseira há de crescer
Até onde Deus quiser
Um dia há de nascer
O brilho que Ela te der.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Hora da Serra", programa de José Gabriel Oliveira, Isabel Bertão, Ildeberto Rocha
Ponto de Encontro Áudio
Programa «Hora da Serra»
A hora é de cortesia
Conversa tão amistosa
Um toque de Poesia
Com a repentista Rosa.
José Gabriel Oliveira,
E a Isabel Bertão,
O técnico ali à beira
Ildeberto Rocha então.
Agradeço, reconhecida,
Esta amena simpatia
Enquanto durar a vida
Dure a oferta do dia.
E eis a recordação
Última quinta de outubro
Na sexta a gravação
Com alegria ao rubro.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Rogério Martins Simões (RoMaSi)
RoMaSi da Poesia
Ao regaço do poema
Sorrindo estás ancorado
E na letra debruçado
Sem que doa novo tema.
Mas sem dor não há dilema
O dilema passa ao lado
Alegre venha o teu fado
Porque a letra é doce lema.
Que de Amor seja o refrão
E a Dor... ai a Dor não!
Com a Dor nada se cria...
Porém a Dor e o Amor
Deram talento e valor
A RoMaSi a Poesia!
Rosa Silva ("Azoriana")
Por causa de um dia: 16 de outubro de 23
Lindos tempos de menina
Ou senhora ainda nova
Tudo era uma rotina
Que me punha sempre à prova
Que agora a Graça Divina
Me dê sempre boa trova.
Que eu não caia em desalento
Que eu não finja a alegria
Bordada de algum talento
Siga em paz o dia-a-dia
Mas se houver algum tormento
Que não seja de agonia.
Que se lembrem do que fui
Mesmo não sendo certeira
Há sempre algo que influi
De uma forma pioneira
No presente se conclui
Que fui Rosa verdadeira.
Fica aqui o meu afeto
A quem afeto me deu
Debaixo do mesmo teto
Muita coisa aconteceu
Mas o discurso direto
Em verso é dom que é meu.
Choro lágrimas de papel
Riu com outra vontade
Cirando neste painel
Fugindo à realidade
Deixo à tona algum mel
E abraço a tempestade.
Por não saber até quando
Darei voz às falangetas
Escrevendo vou regando
Palavras que não são tretas...
Vivam tudo, tudo em bando
Ao invés serão pernetas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sobre a "taurinidade" (em discussão)
Bom dia ó nobre Povo
Da ilha Terceira Açores
Se não há nada de novo
Que não hajam quaisquer dores.
O sol voltou a brilhar
Como brilham nossos olhos
Quando atiçam o olhar
Para a alegria aos molhos.
Esta dica já é velha
E de velha já não passa
E aquele que aconselha
Cai sempre na melhor graça.
O conselho que vos dou
Não é nada de outro mundo
Quem no dia acordou
Dê mais graças ao segundo.
A vida não está para graças
Nem tão pouco brincadeira
Andam por aí ameaças
Que fazem mal à Terceira.
A Terceira é de Jesus
Dizem aqueles que vivem
Mas pode virar a cruz
Para os que sobrevivem.
Não sei se será verdade
Ou se vem a finca-pé
Que a nossa "taurinidade"
Tende a não ser como é.
Por mim pode ir o quinto
Que não me fará a falta
Do resto aquilo que sinto
- Vai dar investida à malta.
Fiquem bem, sejam prudentes,
Não façam coisa ruim
Preservem o gosto das gentes
Que vivem neste jardim.
Um jardim no mar plantado
Com suas flores humanas
Merece ser estimado
E as pétalas açorianas.
2023/10/17
Rosa Silva ("Azoriana")
Do Terreiro da Serreta
E chegou ao fim uma tarde beijada pela alegria solar, dando fulgores à tourada do Terreiro da Serreta.
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Todos (os que gostam) estavam no reboliço da rua, na corrida sem freio, na abertura brincalhona do portão habitual, no rebolar repentino no chão, depois de uma pequena cornada. Realmente houve um arraial maior que o habitual. Gente que devia estar triste por acabar este ritual terceirense de bem-querer de toiros pretos, castanhos e em modo charolês (lindo). Gostei e já sinto a nota nostálgica de mais uma "última" , para mim, deste ano de muita festança e festejos. Vou acomodar-me ao pousio outonal e invernoso. Pensar em tarefas de paixão pelo que faço para sustento diário.
Até para o ano se Deus quiser. Um boné fica para amuleto de sorte, com a candura da fé.
Obrigada aos parentes próximos por mais um agradável convívio taurino.
Rosa Silva ("Azoriana")
Foto de Hildeberto Franco, do Kanal das 12
António Couto, senhor de Bem
António Couto senhor de Bem
Que preserva heroísmo
De tanto percebe e tem
O dom de colecionismo.
É em vida que se aclama
E se faz caso de alguém
Mais por saber que ele Ama
O que nossa Terra tem.
O Couto é a maresia
Do esplendor de antigamente
Que guarda o que se cria
Que idolatra nossa gente.
Para ele o meu Abraço
Que de Louvores se dá
Que o guarde em seu Espaço
Enquanto Vive por Cá.
São Carlos. 05/10/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Toiro 45, o Modelo!
Toiro de apresentação
Modelar, em movimento,
Que nos prende a atenção
Na bravura do momento.
Quarenta e cinco, em ação,
Se atira mais do que vento,
Cumpre bem sua função,
Vira e volta cem por cento.
Um Modelo de bravura,
Tece e marca a criatura
Que no guarda-sol volteia...
Pode ser emoldurado,
Cirandar, ser toureado,
Bravo <<OLÉ>> à boca-cheia!
Rosa Silva ("Azoriana")
Especialmente
E quero abraçar a rima
Cada vez e muito mais
Porque é ela que sublima
A vida de Folhadais.
Uma rua que é canada
Vereda ou um caminho
Dela não se tira nada
Nem é perto do Raminho
Rosa Silva ("Azoriana")
A música (dedicatória à minha neta Matilde Alexandra)
No segundo aniversário.
A música
Minha neta sempre ouviu
Melodias sem cessar
Se não mudar de feitio
Oxalá a veja tocar.
Chama a nossa atenção
Balançando atinada
E a mão no violão
Já está posicionada.
Toca a música! Lhe dizemos
E começa a dedilhar
É por si, nada fazemos,
Só ficamos a olhar.
Viva a sã melodia
Que embala a nossa gente
Que já no berço se cria
E faz-se naturalmente.
Rosa Silva ("Azoriana")
2º aniversário de Matilde Alexandra
O dia dos 2
Minha querida e amada neta
Escrevo-te por esta via porque o papel tem de se poupar 🙂
A avó Rosa está muito contente por ti. És o doce da avó. És o abraço genuíno e o beijo estrelado. És a virtude da inocência e a verdade pura. Que o mundo não te espante, que a alegria seja constante e que continues a boneca da avó Rosa com esses bracinhos no ar de espontaneidade feliz. Muitos parabéns pelo 2° aniversário. Beijinhos muitos, muitos para ti e teus pais...
Amor da Avó
30/09/2023
***
Entre cantos e palminhas
Entre ramos e balões
Entre as aves rainhas
Há sempre os corações.
Os corações de agora
'Inda batem felizmente
Corajosos nesta hora
Se alegram novamente.
São dois anos aprender
Desde o nascer da aurora
Muito mais há que saber
Não se perde pla demora.
Viva, viva a tua festa
Da temática animal
Bom dia é o que resta,
Desejar-te sem igual.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mesmo tendo safanão...
Eu não sou de futebóis
Nem lagarta de anzóis
Nesta noite de temer
Sou apenas cidadã
Que não foge à sertã
Tudo menos que verter.
Sou a mulher enjeitada
Que não goza quase nada
Quando toca à diversão
Só aprendo de raiz
Que pra gente ser feliz
Há que ter muita atenção.
A prova de que existe
Deus e mãe que subsiste
Para minha guarda e fé
É ver que meu coração
Mesmo tendo safanão
Vai-se mantendo de pé.
A minha glória é rimar
Para sempre animar
Neste resto de vivência
Fica tudo para aí
Mais o que levo de ti
Minha neta de encantar.
Está quase a dobrar o dia
De ter nova alegria
Da nova realidade
Vais fazer os teus dois anos
Num sábado sem enganos
Quinta foi natalidade.
Minha neta, meu amor,
Minha riqueza em flor
Que sejas uma rainha
Sejas a melhor menina
Uma doce e cristalina
Que em festa se aninha.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sobem pétalas de fogo (Festa do Pesqueiro / 2023)
Sobem pétalas de fogo
Serpenteando o Pesqueiro
Brilhando em solene jogo
Mais parecendo chuveiro.
Mais uma festa termina
Porém outra continua
E nosso povo afina
O compasso pela rua.
Que não deixem perecer
A Brava alegria nossa
O que pode acontecer
É a voz sair mais grossa.
Ó terra de mansa gente
Ó terreiro de folia
A bravura vem somente
Para nos dar alegria.
Para brilho dos meus olhos
De uma forma sentida
Vejo alegria aos molhos
Nesta gente reunida.
O outono vai chegando
Para dourar nossas folhas
Nosso lar aconchegando
Pla ternura das escolhas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Fábio Magalhães (o Capinha)
Sem ter visto a maravilha
Que vejo agora em cena
Serás o melhor da ilha
Frente à Mãe que te acena.
Na certa todos gostaram
De ver tua atuação
E também te saudaram
Com aplausos de coração.
Se não ficaste com dores
O Bravo sei que adoras
Mantém firmes os teus valores
E reage sem demoras.
Lembra que é na Serreta
De onde sou natural
Que tens a nobre faceta
De brilhar no arraial.
Agora segue o destino
Que o destino é ser feliz
Leva ao peito o Divino
E aceita o que Ela diz.
No topo desta semana
Mando abraço amistoso
Sou a Rosa "Azoriana"
Fã do Capinha famoso.
Rosa Silva ("Azoriana")
Valerá a pena sonhar?
Há que ter suma certeza
De que sonhar é o bom lema
E ter o tom da riqueza
Que é declamar o poema.
Elevar sã natureza
A nobre cor em emblema
E guardar vasta beleza
Pautada por novo esquema.
Graça de tom escarlate
Gravado de sortida arte
Que o som certo nos dá.
Gravar algo que há de meu
Olhando o azul do céu
E sonhar que chegou cá.
Rosa Silva ("Azoriana")
Grupo Musical "ComCordas"
Grupo Musical "ComCordas"
Associacão dos Músicos da Ilha Branca - AMIB
Barro Branco - Guadalupe - ilha Graciosa
Agradecimento a Daniela Santos + restantes elementos do Grupo: José João Mendonça, Serafim Silva, Carlos Picanço, Pedro Picanço, Fernando Bettencourt, João Natal Silva .
E da Terceira, grata a Mário J Lima por lembrar de mim 🙂
♡ 04/09/2023 ♡
Acabado de chegar
No começo da semana
Um disco de consolar
Para esta Azoriana.
ComCordas, Claro que sim!
São cantares de talento,
Assinaram para mim
Os seus "Moinhos de Vento".
Há poesia popular,
Há a voz da Daniela,
E o "laço" invulgar
Do que canta ao lado dela.
Sobressai Victor Rui Dores
Que dá ao Grupo um tanto
Que irá além Açores.
Bravo!
Parabéns!
Sucesso!
Rosa Silva ("Azoriana")
Céu de rosas
Custa muito decifrar
Quem nos quer bem ou quer mal
Sendo a vida patamar
Na senda do ideal.
Vejo sorrisos tristonhos
Vejo tristes (sem o ser)
E até no olhar sonhos
Que faltam acontecer.
Vejo rosas na pessoa
Que Vive já para Deus
E no meu sentir ecoa
Bem-haja aos que foram seus.
A terna mãe que pediu
Tira-me a dor que não passa...
É nova flor que subiu
Ao Céu da divina graça.
Rosa Silva ("Azoriana")
Amar o que se conhece...
Amar o que se conhece; ama mais quem não se esquece.
Amanheci com o pensamento no significado de Amar. Deu-me o título para esta reflexão.
Realmente para Amar há que conhecer feitios, defeitos e virtudes.
Os feitios podem educar-se e regrar-se. Os defeitos com padrões de conduta. As virtudes devem preservar-se com atualizações à medida.
Até a nível religioso estou a notar atualizações com a vocação do Papa Francisco, bem como da atitude jovial do Bispo de Angra, D. Armando Rodrigues.
Eu, que me sentia à margem da "santidade", vejo-me, agora numa quase conversão de pensamentos, isto é, Amar como Ele nos amou.
E também Amo o perfume da terra serretense, os locais que conheço bem e muito mais por não os esquecer e relembrar a todo o leme.
Vens comigo para festejar a Mãe de todos que a Amam?
Hoje começa a graça de ver o retorno dos emigrantes ao 1° dia de Louvores!
Rosa Silva ("Azoriana")
Paróquia em aniversário - 31/08/2023
Cento e dezasseis aponta
O alto do campanário
Em alegria se apronta
O eco do aniversário.
Era sábado, festa pronta,
Assentou o breviário,
Antevéspera hoje na conta
E véspera do novenário (*).
Filarmónica é também
Um brilharete de agosto
No nome que ela contém.
É Recreio Serretense
Por alvará lhe foi posto
E em justa festa vence.
Rosa Silva ("Azoriana")
(*) No primeiro dia de setembro 2023 (dedicado à Filarmónica Recreio Serretense e Grupo Coral do Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres) inicia-se a novena a Nossa Senhora dos Milagres, preparatória da sua Festa que é de 1 a 14, segunda semana do mesmo mês.
Artigo relacionado
Novenário e Festa de Nossa Senhora dos Milagres, da Serreta. 2023
Novenário e Festa de Nª Sª dos Milagres. 2023
Clique na hiper ligação acima
Vai crescendo devagar...
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Vai crescendo devagar
Quando o sol lhe dá de frente
É como a gente a chegar
Do passado ao presente
Convém é sempre lutar
Pela vida tão somente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Vamos até Maria!
1a_atenção_pela_Serreta_no_DI_29082023
Clique na hiper ligação acima e fique a par do que a minha mente engendrou. Uma mente que não para de pensar e faz uso dos dedos todos no teclado que canta a cada toque.
Estamos perto da festividade religiosa e profana que é, por excelência, a minha predileta. Não sou de ir a muitas festas de paróquias que não são da minha habitual presença, exceto se por motivos muito fortes.
Já sinto o cheiro da massa sovada, da alcatra, e outros perfumes naturais que asseiam os nossos olhares e olfatos. Vamos até Maria? Ela nos espera na freguesia da Serreta, na segunda semana de setembro/2023. Uma festa para Todos, sem exceção.
Rosa Maria ("Azoriana")
P.S. Oferece-me um artigo teu (com ou sem imagem, ou só imagem)? Fará parte de uma bonita coletânea, sem fins lucrativos ou outras intenções que não sejam apenas de louvor e glória!
Louvo António Couto...
... por este e outros artigos alusivos à minha freguesia natal.
Eis um comentário que partilho, novamente:
Tinha precisamente sete anos de idade. Corri para ver passar aquela maravilha de viaturas em direção à nobre Estalagem da Serreta. Não sei bem o que se pensava sobre isso, na altura, mas tudo o que desse movimento diferente à freguesia, para mim, era motivo de correria para ir ver passar. Lembro de outras correrias para ir ver um senhor com os olhos vendados que resolveu (não sei bem motivo) dar a volta à ilha de carro, fazendo a delícia de acreditarmos nessa proeza nunca vista por estes bandas iluminadas de paz e sossego (antigamente).
Também corri para ver os soldados em viaturas pesadas a levar escombros e outros materiais das freguesias vizinhas para o lado, também da Estalagem, para depositar onde tinham ordem de despejar.
Corri para ver tanta coisa diferente que, na minha tenra idade, causava espanto e admiração. Jamais pensei que viesse a escrever tanto sobre tanto. Seria o meu destino? E o destino de tantos que se debruçam no papel com a esferográfica composta de tinta, ou sobre um teclado melodioso ao toque de dedos ligeiros?
E será que os nossos jornais diários (poucos) vão-se debruçar num bom artigo que exponha um século e meio da efeméride musical da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense, que vai completar 150 anos de atividade ininterrupta? Com alguns solavancos, com alguns toques conhecidos, mas, atualmente, é garante de toques taurinos, festivos, marchas, e um "pedir por boca" o que as forças humanas quiserem ou puderem?
Quem se habilita a fazer derramar em mim lágrimas de alegria pela surpresa de uma escrita inovadora, acompanhada pela imagem de Lira, da Mãe padroeira, e do instrumento que mais caracteriza a alma serretense?
Quem me proporciona um encontro de estreitar abraços e beijos de saudade que se apaga com um sorriso ou riso estridente?
Quem vai à Serreta no ano que terá a prenda de ver o nosso Bispo Novo, tão querido e jovial, dar palavras de Amor à Mãe?
Quem sabe se a data de nascimento é maior que a data de falecimento? Não te deixes "falecer" em vida e ficar arredado(a) de um festejo que tanto é religioso como profano.
VAI! CAMINHA! REZA! ALINHA! MAS VAI...
Porque a uma Mãe não se diz não, diz-se o SIM, como forma de agradecer o SIM que Ela sempre disse, na ocasião do pretenso Nascimento de Jesus. Portanto, para mim Nascer é muito melhor que... não vou escrever, porque mesmo que tal me aconteça, fui muito feliz por tudo o que já vi, fiz e dei.
Dei de mim tudo o que pude...
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Escrita para António Couto e para quem o ler (e me ler).
A idade da "Inocência"
A "Inocência" não tem mais de dois anos. Vai fazê-los brevemente. Até lá diz sempre a verdade. Não mente. Acredita nos que Ama. Nesta idade, Amar é saber que tem o papá, a mamã, a madrinha, o padrinho, a titia, o titio, a tia, o tio, a madrinha nova, a avó, o avô, a outra avó, o outro avô... e quando acertam no que a <Inocência> tem na sua pequenina ideia, diz sempre: É! E ri-se, como que feliz por terem ido ao encontro da sua expressão com uma mistura de palavreado aprendido e dito com redução silábica.
Interessa é que a "Inocência" não tem qualquer indicador de maldade, traição, mentira e falsidade. É pura e cristalina como a água.
Pena que, mais dia, menos dia, a "Inocência" perceba todos os males que dão cabo da humanidade.
A "Inocência" sabe quem lhe quer bem como ninguém.
A "Inocência" cura uma queda com um beijo da avó.
A "Inocência" entende tudo à velocidade maior... pena que já tenha aprendido a fórmula mágica de fazer valer a sua própria vontade.
Vai ter de mudar de nome para... (qual será?)
Rosa Silva ("Azoriana")
Começar a ler do fim (antes que o verbo mude)
Não sei se é normal
Ou antes paradoxal
Escrever sobre a Serreta;
O que penso e vos digo
É que sempre anda comigo
Essa primeira faceta.
Às vezes estou calada
De noite ou madrugada
Dentro da minha conchinha...
Então algo me ressoa
E é para lá que voa
A escrita doce e minha.
Vivo, assim, neste retrato,
Sem papel, nem acetato,
Até que chegue o tal dia...
Até lá vou escrevendo
O que sinto e vou mantendo
Só para minha alegria.
Se comigo tu comungas
De empatia e não resmungas
Por me leres amiúde
Então converte a saudade,
Que possas ter de verdade,
Vem antes que o verbo mude.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ó Serreta linda joia
Ó Serreta linda joia
Minha terra preciosa
Meu teto de claraboia
Que me deu nome de Rosa.
Ó Serreta sentinela
Paragem obrigatória
Cada vez estás mais bela
Memorável na história.
Festeja século e meio
A musical harmonia
Banda que tocou de enseio
À Mãe que a protegia.
Serreta da "estrelinha"
Que voa perto da serra...
Se a vires, é da Rainha
Que abençoa toda a Terra.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Maria Esteves (Milagres do ti' Manuel Franco)
Gostos (não se discutem?!)
Gosto de sestas e das sextas-feiras. Queria colar as manhãs de sábados e as noites de domingos. O resto podia estar à solta.
Gosto de panelas com comida feita por outrem. Não gosto de pan(os) sujos e jogados ao deus-dará.
Gosto de gavetas todas bem arrumadas. Não gosto de roupa misturada (suja com lavada).
Gosto de dar, pese embora, não puder dar tudo como gostaria. Há que receber também, mas nunca se espere dar para receber na mesma conta, peso e medida, porque quem dá deve dar sem esperar receber, logicamente, digo eu.
Bom fim de semana para quem trabalha, para quem folga e para quem não para de pensar (como eu).
Rosa Silva ("Azoriana")
Sol & chuva
Se não fosse a q'rida chuva
Prós nossos campos regar
Não se tinha boa uva
Para espremer no lagar.
Nem o sol seria bom
Sem a chuva a controlar
Cada qual tem o seu dom
Mas ambos podem queimar.
E não há quem lhes resista
Numa força tão renhida:
O sol nos regala a vista
A chuva regala a vida.
Mas se a vista for de mar
Que em terra queira ser
Mais vale sol apanhar
Que o trovão a correr.
Rosa Silva ("Azoriana")
Genealogia (aproximada)
genealogia rosa silva em quadro
Com alguma dificuldade, mas consegui aproximar-me mais um pouco dos ramos de uma árvore de vidas e da minha.
rosa silva genealogia outra versão
Senhora d'Agualva (Dedicatória a João Mendonça)
Que linda que Ela é
De mãos-postas para o Céu
Assim soma Amor e Fé
Oferta do povo ilhéu.
Guadalupe soberana
Mãe de um Povo que adora
Da Agualva que se irmana
Aos pés de Santa Senhora.
É a Terra do João
Mendonça, bem conhecido,
Que vive em cada refrão
E em Arte tem vivido.
No meu coração tu já tens
Mais do que te ofereço
Renovo os meus parabéns
E em rima te agradeço.
Rosa Silva ("Azoriana")
Alguns escritos meus para olhares teus (sobre a Serreta)
Tudo (ou quase) sobre a freguesia da Serreta
que antes estava em página pessoal, entretanto fora de uso:
Um pouco de história, em acontecimento real:
Outros escritos para a posteridade:
Reliquia_do_queimado_capelinha
sobre a autora:
e mais algumas curiosidades:
Queres alguma? Escreve-me e eu dou... sem pedir não vale e a lei não permite.
Rosa Silva ("Azoriana")
Procura-me...
No sorriso do mar
No perfume das flores
E quando vires voar
Grande ave dos Açores.
Sou da ilha em suma
Sou do campo em festa
E sou de coisa alguma
No que vai e não [nos] resta.
Já que a vida é assim,
Um sopro... mais nada diria,
Que eu seja até ao fim
Memória de um DIA.
Um dia para nascer
Outro para ser mãe
E outro ainda pra ser
Uma avó que quer bem.
Rosa Silva ("Azoriana")
O tacho a cirandar
Ninguém diz que eu estive
Na cozinha a cozinhar
Mas se houver quem me incentive
Volta o tacho a cirandar.
Traz arroz, manteiga, leite,
Porque água eu cá tenho,
Ovos, açúcar e há quem deite
O limão de bom tamanho.
O "truque" eu não vos conto,
Assim não tinha piada,
E quando estiver no ponto
Vai mesmo à colherada.
Digo isto a quem quiser,
Hoje ao tom de brincadeira,
Gosto muito da colher
Bem à moda da Terceira!
Rosa Silva ("Azoriana")
Coração terceirense, ilhéu e Açoriano
Viva estas ilhas mansas
Irmanadas de beleza
Agora, enquanto descansas,
Olha a bela natureza.
Olha o mar e olha o céu
Num combinado feliz
E diz sempre: Sou ilhéu!
É esta a minha raiz.
Não te percas pelo mundo
Deixa um pouco do que é teu
Nem que seja um segundo
Lê o que deixo de meu.
E se não gostas de ler
Nem por mim tens afeição
Guarda... um dia pode ser
Que mudes de opinião.
Grão de areia movediça
Sou aquilo que eu sinto
À Rima não dou preguiça...
Juro, juro que não minto.
E em par vou rematar
Porque a lei é a vantagem
Um abraço possa voar
Para ti em homenagem.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: A um mês da festa da Mãe da Romaria e dos Milagres. Está quase, quase. Que seja o Ano da enchente de canadas, ruas e caminhos. Todos, mesmo todos vamos LOUVAR e FESTEJAR na terra quem nos PROTEJE sempre e seja onde for.
Hoje vivo ancorada...
![]()
Já fui "anjo", fui 'demónio"
Já bradei a Santo António
E a outras coisas mais;
Hoje vivo ancorada
Não em rua mas Canada,
Cujo nome é Folhadais.
Quando trajava de 《anjo》
Havia sempre um arranjo
Para o traje bem ficar...
Mesmo quando mais crescida
Lá tinha que ir vestida
E com asas no lugar.
Se não fosse a imagem
Talvez fosse uma miragem
Que quase ninguém lembrava...
É uma recordação
Da santa educação
Que outro tempo me dava.
Os confeitos em embrulho
Era prémio, com orgulho,
Que se recebia então;
Quantas vezes fui? Não sei...
Mas nem sempre eu gostei
De me ver nesta missão.
Rosa Silva ("Azoriana")
O lindo sino a tocar
Para quem está no hospital
À procura de melhoras
Tenha fé porque o mal
Irá sair sem demoras.
Basta que a fé tome conta
E à oração te consagres
À Mãe que a gente aponta
Como Senhora dos Milagres.
Senhora linda e serena
Que acolhe o cristão
Junto à serra pequena
Nos dá o Filho como Irmão.
E depois quando saíres
No regresso ao teu lar
Alegra-te quando ouvires
O lindo sino a tocar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Para ficar tudo bem
Para ficar tudo bem
E o bem ser por inteiro
Era ter mais que vintém
Mesmo sem haver dinheiro.
Ter uva branca e da preta,
Figos, cereja, ananás,
Ir de muda prá Serreta
Buscar um lugar de paz.
Ir à serra para ver
Se fico perto do céu
Mesmo só para saber
A força de ser ilhéu.
A ilha é toda a gente
E de gente se anima
Com calor daqui pra frente
Venha água para cima.
Seja em duche ou no mar
Se refresca igualmente
E depois é só deitar
À sombra qu'é menos quente.
Tenho tanto pra fazer
Que ainda não foi feito
Logo depois de comer
A preguiça faz efeito...
A galinha do Dinis
Mais a loira "cervejola",
É como aquele que diz:
Ai, tão boa que consola!
Porque a vida é mesmo assim
De luta, sem arma ter;
Quem não sabe o que é ruim
Tomara nunca saber.
Rosa Silva ("Azoriana")
O Queimado na Serreta
Ó que lugar que me prende
O olhar quando o vejo
Caio logo num solfejo
Na maresia que entende.
Ó que foto maravilhosa
Do Queimado, diz-se bem,
Noutro tempo esta Rosa
Não o via assim, do além.
Como é lindo nesse plano
Bordado de uma alvura
O rochedo açoriano
Que eleva sua figura.
Muita gente já pescou
E também já viu pescar
Uns tantos também levou
Afunilados no mar.
Quando um dia eu me for
Atirem uma rosa ao mar
Assinalando o Amor
Que eu tinha por este lugar.
Mais flores eu não preciso
Quero apenas tua rosa
Vestindo meu improviso
Na rima harmoniosa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Devaneios
O gato mij@ na cama
A gata c@g@ na banheira
E a máquina não derrama
O técnico abre a torneira.
A dona partiu pratos,
Ficou sem congelador,
E as "pipetas" para os gatos
Já vieram pra se pôr.
E com tanto prejuízo
Ao longo de uma semana
Está perdendo o juízo
Esta Rosa Azoriana.
Ainda faltam as janelas
E o conserto do portão
Se vierem mais mazelas
Tenho de ter mais um patrão.
Pois quem tira e não põe
Como dizia o ditado
Minga e não se repõe
Fica o caldo entornado.
Mas já chega de contar
Aquilo que nem se deve
Pois alguém vai "escutar"
E ao riso já se atreve.
Agora a tosse maldita
Anda à noite a rondar
Nem por isso é bonita
E rouca me faz andar.
Se isto fosse a cantar
Talvez tivesse outro efeito
Mas eu gosto é de rimar
Seja assim ou de outro jeito.
Rosa Silva ("Azoriana")
Metade
Mote:
Não pedi para nascer
E na certa não pedia
Se soubesse que ia ver
Tanto mal no dia-a-dia.
Glosa:
Pode a terra virar mar
Pode tudo acontecer
Continuo a afirmar:
Não pedi para nascer
Pode o sol vencer a lua
Pode a noite virar dia
Não peço a sorte crua
E na certa não pedia.
A sorte é de quem a tem
E até pode nem a ter...
[Só te via q'rida Mãe]
Se soubesse que ia ver.
Tudo pode ser metade
Da metade que se cria...
Pena ver na minha idade
Tanto mal no dia-a-dia.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nossa Senhora dos Milagres - Senhor Santo Cristo dos Milagres
Mãe e Filho
Voz e Mente
Santo trilho
Novamente.
Da Serreta
Para a Praia
Não é peta
Que se ensaia.
São Miguel
S. Vicente
Num papel
Diferente.
Manuel Alves
Padre Bom
Que lhe salves
Sempre o Dom.
Santa Cruz
Te abençoe
Que Jesus
Lhe ressoe.
O que faço
É doado
Num abraço
Apertado.
11/07/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Um poema
Só, às vezes dou por mim, sem me ver,
Recôndita na minha concha fria,
Que para alguém nem sequer, a cru, se via,
Um cálice de ânimo de bem-querer.
Não quero, e não posso, ficar em mim,
Corpete de cantar, sem sal na voz,
Sem tal maresia, do ser veloz,
Que me versa qual clarão de alfenim.
Enfim, nasce um poema, todo meu,
Esculpido na valsa de um "Cireneu"
Que nem me ajuda a carregar a cruz...
Se a cruz fosse a sorte que me faltava?!...
Deixem que ela me soletre, toda brava,
E me faça acreditar que sou da Luz.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Serreta é minh'alma
A Serreta é minh'alma
Minha fonte, minha oração,
Um louvor digno de palma
A quem lhe deita a mão.
A Serreta minha raiz,
Minha sorte, meu anzol
Da capela e chafariz,
Do coreto e do farol.
Continua sendo minha,
Mesmo depois de sair,
Mora lá Nossa Rainha,
Que nos chama a seguir.
Serreta de mil razões,
Para sempre lá voltar,
Nem que seja em refrões
Com a musa de rimar.
Rimo a rima do meu ser
Para ti que me acarinhas
E mesmo que não queiras ler
... procura nas entrelinhas.
A entrelinha é justa
Cabe bem no teu olhar
E para ti nada custa
Se a souberes divulgar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Imagem da reportagem de Honorato Lourenço/Rui Nogueira
Desenhos
O guarda-sol pró capinha
A corda para o pastor
A coroa pra rainha
Hóstia de Nosso Senhor.
Agulha prá costureira
A tela para o pintor
Um corno à cabeceira
Fará sempre algum furor.
O corno pode furar
E causar tamanha dor
E quem do corno provar
É da sopa provador.
E de cornos e cornadas
Há quem os tenha e faça
Mesmo as maiores marradas
Podem trazer a desgraça.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bravura lilás, Bravo a quente
Na mansidão do mato
O Bravo se pastoreia
Retendo na minha ideia
A doçura de um retrato.
É animal com bom trato
No mato onde passeia
De puro couro se asseia
No negrume do seu fato.
Ei-lo lindo, lindo amigo,
Só em letras te consigo,
Dar aquilo que mereces...
Fica assim, mesmo de frente,
E quando investires a quente
Mais bravura nos ofereces.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: inspirada na foto de José Maria Botelho
Amargamente
Não quero rios, nem mares,
Nem sóis, nem más ventanias,
Nem pedras, nem agonias,
Não quero a morte dos ares.
Não quero toldos, teares,
Nem ramos, nem cotovias,
Nem palmas, nem profecias,
Não quero ver mais esgares.
Se a vida é flor de carmim
E rosa em botão de mim
Que seja enquanto sou viva...
A vida é tábua de dor
Porquanto avesso do Amor,
Sem ver-te é mais que ferida.
04/07/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Inquietação
Sou tão grata a quem me dá
E também gosto de dar
Minha inquietação está
Em como se vai acabar.
É tão grande a inflação
Com preços sempre em crescendo
Que a própria refeição
É a cruz que se vai tendo.
Só não vale reclamar
Nem sequer abrir a boca
Porque além de piorar
'Inda me chamam de louca.
Pena se tem que haja dano
A quem muito trabalhou
Sem direito a ter bom pano
Nem sequer se reformou.
Rosa Silva ("Azoriana")
Homenagem em vida a José Maria Botelho
Seu rosto não é estranho
Penso que até já vi
E agora se acompanho
É pra mais saber daqui.
Deve conhecer a ilha
Como a palma de uma mão
Cada passo que fervilha
Em alicerce de vulcão.
O que sabe daquela serra
E da área circundante
Santa Bárbara que não erra
A travar o raio errante?
O pico Maria da Costa?
Será que sabe onde é?
E também não sei se gosta
Da arquinha lá ao pé?
Tenho belas recordações
Das pocinhas das Catorze
Ribeira de gerações
Que tem fronteira nas Doze.
E o mar sempre a prumo
Inteiro de três irmãs
Que segue pelo que arrumo
Na vitrine das manhãs.
Da varanda que era linda
Da casa onde nasci
E que lá está ainda
Com nova cor que já vi.
A saudade de outras eras
Não é por causa de gente
É por monde as primaveras
E de um verão mais quente.
Vinha o sol com frescura
Vinha o azul reluzente
E o pico da Bravura
Em setembro tinha enchente.
Agora tudo reduz
Até as minhas visitas
Só a Virgem, de Jesus,
É das minhas favoritas.
José Maria Botelho
Se um dia for além,
Digo sénior e não velho,
Permita que vá também.
Serreta é o paraíso
De uma paz natural
E tem tudo o que é preciso
Para a vida atual.
Um abraço já envio
Para terminar com graça
Sou mulher do desafio
Sou do verso que esvoaça.
Sou do campo e da cidade
Sou da fé, Esp'irto Santo
Serreta na intimidade
O livro que amo tanto.
Rosa Silva ("Azoriana")
Na verdade...
![]()
"RESSUSCITEI" SEM SABER PORQUE "MORRI"
No barco de proa erguida
Venho cedo navegando
Indo à popa vez em quando
Se pla onda perseguida.
Tem vezes que vou caída
Prostrada no meu desmando
Na viagem soluçando
À procura de saída.
Eis que o sol surge então
Pra tingir de animação
A face da palidez...
E num gozo de alegria
Rompo mais um novo dia
Como quem nasce outra vez.
Rosa Silva ("Azoriana")
Oferta viva da natureza
![]()
A primeira vez de todas
Que descobri nova cor
Nos retalhos de uma flor
Que alegra tantas bodas.
E a forma é cordial
Até nisso reparo eu
Para alegrar o quintal
Que nem ainda é meu.
Nada é nosso neste mundo
Nem se pode enfatizar
Vale apenas ser fecundo
Na cousa de germinar.
Oferta da natureza
Sendo viva, bem decora,
Vale p'la sua beleza
E plo bem que tenho agora.
Rosa Silva ("Azoriana")
Só por gosto, sem compromisso: Angra, a Fénix vigorosa do Atlântico
Coro
Oh! Angra engalanada
Toda aprumada
No seu voar
Vigorosa do Atlântico
De ar romântico
A cirandar.
Oh! Angra ave de fogo
Entra no jogo
De renascer
Eleva o teu balão
Pra São João
Te agradecer.
1
Minha Angra está tão feliz
E não para de cantar
Já sabe o que se diz
Nas ruas todas do mar.
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Sente que é vigorosa
Do balão larga o atilho.
2
Nos braços do mar sereno
Envolta em cauda de luz
Nota que não é pequeno
O arraial que a conduz
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
3
Ao Porto das Pipas vai
De saia tule e xadrez
Por São João não distrai
De cantar ainda outra vez
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
4
A noite sempre a crescer
Nas ruas d'Angra cidade
Convidando para se ver
A linda festividade.
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Apeteceu-me escrever esta letra, sem qualquer entrega ou participação na maior Festa Sanjoanina. Se alguém achar graça, escreva-me.
Ontem para Hoje
Quando o céu se abrir em flor
Numa toada de anil
Hei de ver todo o valor
De uma rosa de abril.
Quando o mar tiver calor
De tanto bailar na rocha
Hei de ver o meu fervor
Como chama numa tocha.
Quando a dor que nos deserta
For relíquia de horrores
Hei de ver a porta aberta
Para as mais bonitas flores.
Quando a terra for ternura
Para cada um que vive
Que se Ame a criatura
Mesmo que caia em declive.
Meu amor por ti é tanto
Que ouso 'inda rimar
Padre, Filho, Esp'irto Santo
A mais possa confortar.
Meu conforto é saber
Que ainda há amizade
E no Dia 'inda escrever
Bom Dia de Liberdade!
Rosa Silva ("Azoriana")
Bom dia de sábado (escurinho)
No céu reluzem estrelas
Abraçando a noite dura
E nas letras posso vê-las
Se lhes der boa abertura.
Vou tentar absorvê-las,
Para não dar disparates...
Ó meu Deus dá-me Estrelas
Com adornos de escarlates.
Há tanto céu, tanto mar,
E beleza em plenitude,
Noite e dia em cada lar
Com o brilho da atitude.
E quem está d'aniversário
Tenha um dia glorioso,
Seja extraordinário!
Seja bom! Vitorioso!
Rosa Silva ("Azoriana")
AS Ana Soares
Sempre vi
Sempre vi o mar de broa
Pão de milho ao quadril
Balançando terra à proa
Num berçário de anil.
Sempre li sem perceber
O que o mar ia dizendo
Só depois de o escrever
É que fiquei dele tendo.
É tão pobre o anterior
Que de versos até dói
O que é escrito sem repor
Pode um dia ser herói.
Porque o mar é o meu pai,
E a terra é minha mãe,
Coitado de quem não sai
E do mar nem gosto tem.
Rosa Silva ("Azoriana")
Vem [a Zeca Medeiros]
num banho de alfazema
de uma torneira de luz
no peito de um poema
a nova Páscoa [sem Cruz].
no rescaldo de um pranto
que se desfez sem pecado
no verso que segue santo
sem o soneto c'roado.
no corpo alvo de abril
do ano de vinte e três
dois mil que já é senil
e pobre mais que uma vez.
tu que tens voz de requinte
de solene rouquidão
quem me dera ser ouvinte
dos tons que meus versos dão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Era para ir e não fui...
Ao Fanal. Ao Monte Brasil.
Ao (re) balanço do mar.
À rua do meu lugar.
E quem sabe... ser de anil.
Era para ir devagar.
Fiquei-me no meu perfil.
Este que em tons de abril
É cerca sem me cercar.
E o sonho é o sujeito
Que me entra sem dar defeito
E faz de conta sem ser.
Durmo. Canto se não rimo.
Finjo que vem ao de cimo
O dom que queria ter.
Rosa Silva ("Azoriana")
Em Portugal não é tudo mal!
Temos vozes mui brilhantes
Temos poetas e cantores,
Bravos improvisadores
Nossos ricos diamantes.
Temos mar com céu de antes
Temos campo e sabores
Temos sãos e bons atores
Do longe somos distantes.
Tenho saudades de mim
E do que eu bem sonhava
Quando sem mim eu andava...
Penas tenho de ser assim...
Mas... gosto de Portugal
Quando não rima com mal!
Rosa Silva ("Azoriana")
Cardápio de malfeitor
Pode o céu virar inferno
O inferno virar água
Num dilúvio eterno
Que me faz sentir a mágoa.
Pode o lixo ser estrume
O estrume ser alimento
Mas a fúria vira lume
Atiçada pelo vento.
E a bondade vira lava
De um ser abominável
Que na minha casa entrava
Com mentira intragável.
Antes abraçar a fome,
Solidão e isolamento,
Do que estar com quem consome
Tudo, tudo a cem por cento.
Rosa Silva ("Azoriana")
Poema feliz
Que a porta da alma seja
A grata Felicidade
E que a nossa casa veja
O Amor e Amizade.
O nosso Lar ora festeja
A graça da Alegria
E que nossa vida se veja
Como o sol de poesia.
Bem-vindo seja ao Lar
Da Rosa e do Frederico
E que possam disfrutar
De tudo o que identifico.
Na ida para o exterior
Levem mais do que trouxeram
Vão na graça do Senhor
Como quando cá vieram.
Rosa Silva ("Azoriana")
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Angra, princesa linda
Uma Angra majestosa
Com o ventre para o ar,
Ao natural e tão formosa,
Toda ao léu a navegar.
Os bicos do seio Monte,
Dão-se ao céu, por mero gosto,
E pra traz, no horizonte,
Só esconde o próprio rosto.
Minha Angra, ó terra Amada,
Sem outra princesa igual,
Maravilha ancorada
Ao reino de Portugal.
Rainha ela então foi
E bem continua a ser
Do país que foi herói
E não se pode perder.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ramo de abril
Seja o mundo o que for,
Na nossa atualidade,
Mas que seja, por favor,
Melhor para a mocidade.
Acordei com pensamento
A florir nesta matéria,
Que não venha tal momento
De ser tudo só miséria.
Peço à sã governação
Que não deixe ir avante
Êxodo ou emigração
Do novo e jovem infante.
É triste se as nove flores,
De um jardim colorido,
Bons ilhéus, nossos Açores,
Ficarem sem povo unido.
E as crianças, Senhor,
Puras flores inocentes,
Felizes só por Amor,
Não se vejam decadentes.
E os velhinhos cansados,
Que deram tudo de si,
Não se vejam desprezados,
Mais que tudo até aqui.
E se, ainda, cá estamos,
Tem algo predefinido:
Hoje, domingo de Ramos,
Faça, em nós, maior sentido.
Termino como acordei,
Com o pensamento a mil,
Não sendo dona da lei...
Sou um ramo, sou de abril!
Rosa Silva ("Azoriana")
Dia de Petas, com um poema de Amaro de Matos e respetiva resposta
Tu és Rosa da Terceira
Mas tens um perfume raro
Neta da tia Vieira
A sonhar com Santo Amaro
Pai Carlos, avó Maria
Matilde mãe extremosa
Por seres toda alegria
Deram-te nome de rosa.
E agora cantando e rindo
Generosa, divertida
Ficamos todos pedindo
Mais anos p"ra tua vida!!!
Muitos Parabéns.
Amaro de Matos
Minha resposta:
Este tenho de retorquir
Com alegria aos molhos
Por gostar tanto de ouvir
Falar na "menina dos olhos".
Santo Amaro me encanta,
Queria voltar a vê-lo,
Para adoçar a garganta
E salgar o meu cabelo.
Ir ao porto e à maré,
Bem como à canada nova,
E depois mesmo a pé,
Visitar quem me dá trova.
Meu avô e minha avó
Tios e o primo mais novo,
Pois não há um dia só
Que não lembre do meu povo.
Depois ver aquele luzeiro
Que à noite se alinha
Na ilha do cavaleiro
Que do Pico é vizinha.
Ai, como é grande a saudade,
Que não cabe toda em mim,
Que se expande em amizade
Por um picoense assim.
Caro Amaro de Matos
E a filha Mariana
Depois inspirados atos
Da Rosa Azoriana
Vão os abraços exatos
Pra dourar vossa semana.
Muito obrigada!
Rosa Silva ("Azoriana")
Adeus maresia (não escrevo mais?!)
Não escrevo mais... ó pena minha,
Sem sorte penam outras penas;
Novecentas e mais terrenas,
Ficam aqui, somente, em linha.
Não escrevo mais... adivinha?!
Se adivinhar é açucena,
Bela flor, rosa pequena,
Se nem maior em mim tinha.
Gostar de mim, ó desventura...
Sem o regaço de ternura
Sem abraçar um livro novo...
Fica serena, ó flor d'anil,
Sejam as flores do teu abril
A celebrar a voz do Povo.
Rosa Silva ("Azoriana")
SONETILHO 940
(Há quem nasceu neste ano)
O soneto é um esboço
Que se abre em melodia
Na folhagem de um dia
Por nascer sem lápis grosso.
Não irá cair num poço
Sai da verve de quem cria
Na raiz da sinfonia
De um plano ainda moço.
Quem escreve é uma Rosa
Que da Silva é tão saudosa
E crente de tal maneira...
Que antes de versejar
Já só se via a chorar
E ao choro... fez fronteira!
Rosa Silva ("Azoriana")
Antes que me mandem parar, eu paro. Antes que me digam, já basta... eu paro. Antes que me doam os dedos, numa corrida frenética por cima de teclas de um teclado "qwert"... eu paro. Antes que chegue o dia de petas... eu paro. Parar é somente dar paz e uma memória futura que contém massame de escritos. Haja tempo e vontade de ler ou reler. Escrevê-los foi um PRAZER ENORME, e uma TERAPIA que contabilizará, no próximo 9 de abril de 2023, os seus dezanove (19) anos de existência cibernética e blogosférica.
Confesso que gostava de voltar a reunir os bloggers num ambiente e convívio salutares. Quem sabe?! Fica a dica.
Sinta-se à vontade e sente-se para deixar o(s) comentário(s) que bem entender como que dando um carinho à terceirense das rimas.
Até que me apeteça regressar com outra forma de estar na vida, enquanto há vida!
29 de março de 2023. 19:01
Mestria e Educação
Nas vivências atuais
E com falta de alguns pais
Vive-se a deseducação.
Falhamos por não dizer
E também por ver fazer
Coisas que causam senão.
No tempo de outra era
Com educação severa
Também se davam abusos...
Só que estes, felizmente,
Não se notavam na gente
Nem em costumes e usos.
Meus pais foram educados,
Para nós sempre aprumados,
Na rigidez do ensino.
Hoje, tudo é diferente,
Agora e daqui pra frente
Valha-nos o Ser divino.
Tenho que saber, então,
Se os Filhos da Nação,
E os meus que eduquei...
Com o que tinha de ré,
E no compasso da fé,
Se estarão sempre na Lei?!
Toda a vida, então, se viu
Que há tirano desafio
Para fugir a quem ordena;
Porém, tem a perna curta,
Aquele que de alguém furta,
Pode vir a cumprir pena.
Mas isto são pensamentos,
Que não me trazem talentos,
Nem me fazem ter saúde...
Cada vez me vejo mais
A recordar os meus pais
E a sua boa atitude.
29/03/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
Os bons amigos
Entre três das nossas ilhas
Há verdadeira amizade
São berço de maravilhas
E poetas de verdade.
O branco, azul e lilás,
Cores dessa linha ordeira
Do trio que bem nos faz:
Graciosa, Faial, Terceira.
Sabido Victor Rui Dores,
Tem nas três ilhas assento,
Tal como bons cantadores
Que deram vida ao talento.
João Ângelo Vieira
O Ti João das "Velhinhas"
Foi exímio na Terceira
Com as décimas rainhas.
Ante a quadra, os tercetos,
Dose grada de mestria,
Que em cima de coretos
Fez bom riso a quem ouvia.
Nosso povo, povo ilhéu,
Que de talentos é mui fino,
Também se tira o chapéu
A Fernando Alvarino.
Um tanto da nossa gente
Que dava enciclopédia
Mostra que é evidente
Da soma ter boa média.
E sem deixar escritores
Fora deste ramalhete
Nas nove ilhas dos Açores
Há um vasto capacete.
Capacete quer dizer
De forma figurativa
Que a força de escrever
É grandemente ativa.
E a mim, dá-me alegria,
Ter o verso sempre à mão
Pela doce melodia
Que orgulha a Região.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Thank you, my dear friend Kathie Baker, for sending the link. Obrigada, querida amiga, Kathie Baker pelo envio da hiper ligação para a crónica de Victor Rui Dores.
Bordado
Trago um fio da meada
Do cordão umbilical,
Que me deixa, ainda, atada
A um tempo, intemporal.
Não há dobra em gargalhada,
Sendo o traje acidental,
Deixa-me aprisionada
À fronha da capital.
Há muito que eu esmiúço
Um sentimento mordaz...
Decifrar... serei capaz?!
Cada vez que me debruço
À janela do meu ser
Vejo um bordado a crescer.
23/03/2023
Rosa Silva ("Azoriana")
O meu farol
O tesouro que eu tenho
Não é feito de dinheiro
É apenas o meu empenho
Em rimar o ano inteiro.
E dia nove de abril
Do ano que atravessamos
A febre mais que febril
Fará dezanove ramos.
É uma onda gigante
Que é forte e destemida
Numa saudade constante
Num querer seguir com vida.
Mas só Deus sabe o futuro
Porque o passado foi torto
'Inda assim não tenho muro
Só um farol no meu porto.
Rosa Silva ("Azoriana")
A VIDA
[de emigrante]
Quem deixa a sua terra
Para viver no estrangeiro
Muita lágrima desterra
Para encher o mealheiro.
Leva o mar e leva a serra,
Leva o que viu primeiro,
Logo, a seguir, quando aterra
Pensa que vai ver dinheiro.
Vem a casa, vem o carro,
E até vem casamento,
Charuto em vez de cigarro.
Lembra a casa onde nasceu
A chuva, o sol e o vento,
Mais quem a vida lhe deu.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pai
Uma joia preciosa
Que no mundo apareceu
Um botão que dá a rosa
No jardim que conheceu.
O jardim que concedeu
A magia majestosa
No reino que forneceu
A valsa pura e bondosa.
Mais bondoso é o ser
Que enaltece o poder
Do reinado sem coroa.
A coroa intemporal
É de modo pessoal
Dada sem ter nada à toa.
Rosa Silva ("Azoriana")
És a palavra...
És a palavra bordada
Uma rosa no que escrevo
Uma letra perfumada
A quem eu muito "inda devo.
1940/03/14
(☆83 anos☆)
Rosa Silva ("Azoriana")
Dia da Mulher
Na manhã que a chuva quer
Regar o sol que já brilha
É o dia da Mulher
[Avó, neta, mãe e filha].
Tia/irmã, sobrinha, que houver,
Afilhada em sã partilha,
E, hoje, diga o que disser
Nobre filha é nossa ilha.
Eis a Luz que mais se expande
Que os corações abrande
Perante a terna beleza.
Se tudo o que está pior
Se prostasse ao Bem maior
Dava um traço na tristeza.
Rosa Silva ("Azoriana")
a um plátano serretense
A uma imagem inédita e com autoria do residente serretense Alfredo Lemos, a quem recorri e que aceitou a partilha.
Muito lhe agradeço, com a maior das simpatias. Aqui vai o que a inspiração me ecoou, para moldura ou seja o que for, que o seja MESMO. Eis:
quero escrever o que não escrevo
debulhar versos de trigo
dizer mais do que até devo
a um plátano tão antigo.
quero ser troféu de enlevo
na Canada, sem castigo,
louvar-te, também, me atrevo
ó plátano, ó grande amigo!
és templo de brincadeira,
plátano de cantadeira,
que se quis em tom maduro.
quero que sejas emblema
decorado de um poema
do passado com futuro.
* Canada da Vassoura *
A um plátano serretense
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Paulo Borges cuida muito bem desta homenagem póstuma a um avô quem te amou e deixou um "barco" artesanal de recordação.
