Homenagem em vida a José Maria Botelho

Seu rosto não é estranho
Penso que até já vi
E agora se acompanho
É pra mais saber daqui.

Deve conhecer a ilha
Como a palma de uma mão
Cada passo que fervilha
Em alicerce de vulcão.

O que sabe daquela serra
E da área circundante
Santa Bárbara que não erra
A travar o raio errante?

O pico Maria da Costa?
Será que sabe onde é?
E também não sei se gosta
Da arquinha lá ao pé?

Tenho belas recordações
Das pocinhas das Catorze
Ribeira de gerações
Que tem fronteira nas Doze.

E o mar sempre a prumo
Inteiro de três irmãs
Que segue pelo que arrumo
Na vitrine das manhãs.

Da varanda que era linda
Da casa onde nasci
E que lá está ainda
Com nova cor que já vi.

A saudade de outras eras
Não é por causa de gente
É por monde as primaveras
E de um verão mais quente.

Vinha o sol com frescura
Vinha o azul reluzente
E o pico da Bravura
Em setembro tinha enchente.

Agora tudo reduz
Até as minhas visitas
Só a Virgem, de Jesus,
É das minhas favoritas.

José Maria Botelho
Se um dia for além,
Digo sénior e não velho,
Permita que vá também.

Serreta é o paraíso
De uma paz natural
E tem tudo o que é preciso
Para a vida atual.

Um abraço já envio
Para terminar com graça
Sou mulher do desafio
Sou do verso que esvoaça.

Sou do campo e da cidade
Sou da fé, Esp'irto Santo
Serreta na intimidade
O livro que amo tanto.

Rosa Silva ("Azoriana")

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