Ramo de abril

Seja o mundo o que for,
Na nossa atualidade,
Mas que seja, por favor,
Melhor para a mocidade.

Acordei com pensamento
A florir nesta matéria,
Que não venha tal momento
De ser tudo só miséria.

Peço à sã governação
Que não deixe ir avante
Êxodo ou emigração
Do novo e jovem infante.

É triste se as nove flores,
De um jardim colorido,
Bons ilhéus, nossos Açores,
Ficarem sem povo unido.

E as crianças, Senhor,
Puras flores inocentes,
Felizes só por Amor,
Não se vejam decadentes.

E os velhinhos cansados,
Que deram tudo de si,
Não se vejam desprezados,
Mais que tudo até aqui.

E se, ainda, cá estamos,
Tem algo predefinido:
Hoje, domingo de Ramos,
Faça, em nós, maior sentido.

Termino como acordei,
Com o pensamento a mil,
Não sendo dona da lei...
Sou um ramo, sou de abril!

Rosa Silva ("Azoriana")

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