Quando acenam as entradas
De um Ano que Novo vem...
Alegrias são avistadas
No olhar de quem as têm.
Alegrias sejam chamadas
Pois não custam um vintém
Pelo mundo proclamadas
Com o gosto que convém.
Viva a graça açoriana
Que se vive na semana
De um ano pioneiro.
De domingo p'ra segunda
A alegria já abunda
Abrindo o mês de janeiro.
Rosa Silva ("Azoriana")
Etiquetas
Bom Ano
"Porque Hoje He Sábado" - Feliz Natal
Natal risonho seja simplesmente
De mil abraços e beijos coroados
Família unida e os conformados
Com a vida que se tem atualmente.
Natal que seja gosto de aguardente
Sem frio e com os lares mudados
Nas ilhas (e talvez por outros lados)
Feliz seja mesmo pra toda a gente.
O calor do Menino se renova
E aquece quem ainda dá prova
De sentir um pouco do bom calor...
Ó Jesus que de toda a gente gostas
Faz com que as mesas sejam postas
Com a maior prova de que és Amor!
Rosa Silva ("Azoriana")
Pensamento matinal
Hoje, 13 de dezembro, dou comigo a pensar muito mais do que é habitual. Nem dá tempo de saber o tema principal. Sempre fui assim (talvez igual a tantas pessoas que se cruzam diariamente comigo).
As manhãs são sempre difíceis para mim. Demoro a acordar. Tenho de ter despertador seja ele qual for. Mesmo assim demoro a abrir-me ao mundo que me rodeia. O pensamento não. Esse está sempre ativo quer de noite, quer de dia. Raramente pausa. A noite dá-me sonhos (pesadelos) e as manhãs dão-me vontade de ficar mais um pouco no quentinho do lar.
Hoje, 13 de dezembro, penso em ti e na maneira que me trataste e te foste embora. Percebi o que é a liberdade, o alívio não. Continuas a atormentar-me mesmo ausente. Apetece-me acordar com outros pensamentos que não estes. Que as manhãs sejam boas e melhores. Apetece-me sorrir com o brilho de uma pontinha de sol e com um friozinho leve. Apetece-me louvar o bem que tive (e tenho) e o mal que afastei (ou partiu).
Hoje, 13 de dezembro, é dia de pensamento matinal acelerado pelo desassossego do espírito. Será sempre assim?!
Rosa Silva ("Azoriana")
Açoriana
Não fui escolhida
Apenas fui colhida
Das entranhas da terra
Para ser serra de mim
No púlpito do juízo
Enxovalhado do rigor
Um juízo de amor
Por ti
Palavra que me solta
Das amarras da solidão
Numa caixa de cartão
Verde, muito verde,
Porque de verde ninguém perde
Nem o campo
Nem a cidade
Nem a bondade.
Vejo-me entre valados de ti
Na pálpebra da manhã
Onde o orvalho respira
Sofregamente
Indolente
Não fui escolhida na certa
Mas a palavra me desperta
A tua carícia de versos
Entre um sorriso escarlate
No mar da pele
Na mira do teu olhar
Acetinado!!!
Rosa Silva ("Azoriana")
Simbolismo
Doravante quem sou eu
No deserto de mim?
Sou prisioneira do meu
Pensamento sem fim.
Sem saber o que me deu
Ao redor de um jardim
Onde escondo o que é teu
E me fez sentir assim.
De ti vem a inspiração
De tornear a canção
Do refrão que tu me deste.
De uma rosa a florir
No meu corpo a cobrir
Tua cor azul-celeste.
Rosa Silva ("Azoriana")
1 Faúlha
Minha escrita não debulha
Tudo o que me vai no ser:
Há ‘inda muita faúlha
Que teima em alvorecer.
Reza o credo e a fagulha
Do que tenho por viver…
E por tudo vem à bulha
O que gosto de escrever.
Tenho a valsa da ternura
Pelos laços de cultura
Que nascem na Região.
Na ilha que gosto tanto
Nasceu todo este espanto
Nas letras que minhas são.
2017/11/30
Rosa Silva ("Azoriana")
Somos perfume da ilha
Nas marés da mocidade
Há uma onda de euforia
Quando rola a outra idade
Outro perfume irradia.
Há um perfume que invade
A ilha da cortesia
Seja no campo ou cidade
O perfume é poesia.
Há um prazer salutar
Que nos beija a palavra
Da letra que por nós lavra.
Há um verso a perfumar,
Que à solta se expande,
Por onde quer que se ande.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pétalas de bruma
Cantei ao Sol e à Lua
Na terra junto do mar,
Temi que fosse chorar
No verso que em mim flutua.
Vesti minha voz tão nua
Com a bruma do teu olhar
Que o cio fez aumentar
O canto em fase crua.
Sou lua (pétala de bruma)
És sol (na flor da canção)...
Amantes em terra ardente.
Sou nada, coisa alguma,
És tudo, meu coração,
Sou flor de vida somente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Trilho do olhar
Nem sempre te vejo assim
No leito do mar ancorado,
Num tom anil marejado,
Espelho em versos sem fim.
A noite trouxe-te, enfim,
No trilho do olhar fatigado,
Por um murmúrio salgado,
Que te fez entrar em mim.
De longe és a descoberta
Do príncipe que me aperta
À linha da escuridão...
De perto sei que és Monte
Brasil que vejo defronte
Dos olhos da minha paixão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ainda não parti e já tenho saudades
Ver os meus três filhos juntos, sentados numa mesa de um restaurante, é um prazer imenso, um orgulho intenso, e um amor solene. Todos adultos faz-me pensar que estou no troço final de uma meta quase atingida. Vê-los juntos é uma alegria… e a saudade já paira no meu íntimo, antes mesmo da minha partida última.
Aida Alexandra, Luís Carlos e Paulo Filipe estavam divertidos e divertiram-me. É bom estar com eles (12/11/2017). Que pena não voltar atrás e refazer o que de menos bom possa ter feito. O resultado, por outro lado, está à vista: são as flores do meu jardim de vida. São eles que mimam o meu presente.
Declaro-me uma mãe feliz. A distância nunca será um afastamento mas sim um maior aconchego ao coração e uma permanência no pensamento.
Todos seguimos as nossas vidas e cada um de nós tem uma missão. Que a nossa seja atingida em pleno.
13/11/2017
Rosa Silva (“Azoriana”)
"Porque Hoje He Sábado"
Sábado em tons outonais
E de Olegário Paz
Que de bom grado nos traz
Outros tons lindos demais.
Sábado dos ancestrais
Poemas que ao mundo dás
Num tom que me satisfaz
Como fazem os jograis.
Linda açorianidade
Grande popularidade
Na patente do Açor.
Voa alto leve palavra
Que no coração se lavra
Com um traço de valor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Aniversário de Adelina Carreiro
No dia de S. Martinho
Nasce a menina Adelina
Que de Martins se assina
E de Carreiro é o ninho.
Com castanhas e bom vinho
Ou mesmo água cristalina
Com bom ar se ilumina
Este dia de carinho.
Hoje tens os melhores bens
E dou-te os meus parabéns
Com os versos de improviso.
Sejas sempre muito feliz,
Na ilha da tua raiz,
Onde há festa e há sorriso.
Rosa Silva
Louvo Pedro Neves, do SAPO
Muito bom dia, tarde ou noite!
Espero que estas linhas o vão encontrar de boa saúde. Mesmo sem saber sua filiação, residência, habilitações académicas e profissionais, estado civil, e todas essas identidades pessoais, sei que é fã de corrida, bibliotecas e blogs. Quem não conhece Pedro Neves nem que seja pela Ajuda de Blogs e interesse por quem está inscrito no maior Serviço de Apontadores Portugueses?!
Nesta data, sexta-feira, 3 de novembro do ano de 2017, dia de aniversário da minha querida irmã, lembrei-me de si e de todo o seu zelo e dedicação a uma causa que é de todos os que lançam dedos às teclas e vão lançando obra para o mundo virtual que até tem permissão para ser real. Foi o meu caso. Em 2 de abril de 2011 lancei o meu primeiro livro graças à inspiração que fui tendo e à cortesia dos Blogs do SAPO. Muito obrigada amigo!
Quem sabe me responderá a esta cartinha eletrónica e até me confidenciará se tem família, se conhece as ilhas dos Açores, se do que eu vou escrevendo lhe dá vontade de conhecer a ilha lilás: a Terceira de Jesus, das Festas e das Touradas!
Caro Pedro, sei que não tem tempo a perder mas antes que a vida se nos aparte quero deixar-lhe a minha homenagem por tudo junto, pela sua atenção, sorriso e colaboração.
Um grande abraço da
Rosa Silva ("Azoriana")
Louvo Pedro Neves
Com enorme gratidão
Porque grata eu estou
Recebe com satisfação
O verso que ora te dou.
Destaco com emoção,
Emotiva também sou,
E com toda a prontidão
Eis o que mente brotou.
Seja esta hora feliz
Com a rima de raiz
Para bordar de carinho.
Pedro e SAPO tudo junto
Tecem um belo conjunto
Como a uva e o vinho!
Rosa Silva ("Azoriana")
A matança do porco
Na freguesia da Serreta, e do que lembro da nossa casa, a matança do porco era a maior folia do ano e a abundância no lar. Daquele porco, alimentado com as chamadas "lavagens" (restos de comida e alguma farinha à mistura), milho, etc., tinha-se o produto para sustentar a família.
Convidava-se a família e parentes acostumados a essas grandes manobras e a casa ficava numa alegria nesse dia.
Minha mãe e minha avó escondiam-se na hora da faca fazer o último suspiro do bicho. Eu é que era chamada para aparar o líquido vermelho no alguidar com sal no fundo. Eu ia mas confesso que me arrepiava um pouco, não fosse o bicho revoltar-se e atingir-me em cheio. Claro que isso não era permitido porque os braços robustos dos homens o aguentavam fortemente em cima do banco de madeira feito pelo meu pai, que era também o marchante.
Depois era a tarefa divertida do lavar as tripas do porco, cuja bexiga depois de relativamente limpa, se enchia como um balão para servir para a "canalha" jogar. O rabo do porco era a mascote para pendurar na traseira do marchante. A graça era ele nem desconfiar que ele lá estava para fazer a risada geral.
Ainda havia tempo para a vizinhança convidada vir ver o toucinho do porco dependurado no tirante, de cabeça para baixo, ao contrário do que se faz na ilha do Pico.
Bolachas, biscoitos, anis, licores, aguardente, vinho abafado e, por vezes, algum bolo faziam as delícias dos convivas e da mesa um perfume apetecível inundava as nossas narinas que também tinham outros odores mais fortes e próprios daquela tarefa de todos.
Torresmos de toucinho, de carne, morcela, sarapatel, enchiam as mesas no próprio dia e no seguinte. Adorava quando a minha madrinha do batismo, Maria das Neves, me deixava fazer a réplica pequenina do lume de lenha, onde eu colocava uma lata de atum vazia com um torresminho a derreter, como que a imitar a sua árdua e boa tarefa: derreter os torresmos temperados à sua maneira e com uma dose de leite para que os torresmos ficassem dourados, bem ao gosto da minha avó materna.
Saudades?! Talvez. Não tanto de manusear as carnes mas de ter a família mais chegada junta na nossa casa e viver toda a euforia que eu própria tinha e transbordava.
Vou terminar este pequeno historial porque já sinto uma lágrima a querer rolar-me no rosto. Só queria voltar atrás por um dia: o dia de todos felizes como santos.
Linda Mãe, que eu adoro!
Linda Mãe, que eu adoro
E tantas vezes imploro
Pela sua proteção.
És a nossa padroeira
Altar da ilha Terceira
Pela grande devoção.
É pilar da oração
Do nosso mundo cristão
Um apelo à romaria.
Mais um ano aí vem
Para festejar a Mãe
A simples Virgem Maria.
Património religioso
É um museu poderoso
Que importa relembrar.
E também o emigrante
Que ora mesmo distante
Com gosto a colaborar.
Outrora era o angrense
Que em terreno serretense
Lhe fazia a festa toda.
Ande o povo por onde andar
À Serreta vai cantar
E com pouco faz a boda.
Rosa Silva ("Azoriana")
RVA Rádio Voz dos Açores
Já fui à "Hora da Serra"
E à "Beleza da Ilha"
Ambos querem bem à terra
Por isso fazem partilha.
José Gabriel Oliveira
E Norberto Messias
Dão as honras à Terceira
E criam mais alegrias.
Da Rádio já vos confesso
Que o meu gosto é bem grande
Voz dos Açores é progresso
Como o sol já se expande.
Quero aos dois agradecer
Bem como ao produtor
Que nos dá a conhecer
Tudo o que faz com valor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ter um dom
É tudo o que me importa...
Uma graça especial
Que para muitos é banal
Muda quando bate à porta.
Ter um dom que se reporta
Ao verso original
Com a rima natural
Que a voz também recorta.
Eu amo mais do que devo
O verso que eu escrevo
Com o teclado na mão.
Vai quase sempre em direto
Este dom que é um afeto
E me dá satisfação.
Rosa Silva ("Azoriana")
Escrito numa sexta-feira chuvosa e de medo de trovoada...
Maria do Carmo Fortuna - 1º aniversário da partida
Foste dona de mil dores,
Foi grande teu sofrimento;
Até ao último momento
Não perdeste os teus amores.
De honra são teus valores
Cada filho um bom rebento
Nas folhas do pensamento
São eles teus seguidores.
Eu lembro com humildade
Os teus braços de amizade
E tuas mãos entre as minhas.
Lembro que eras boa mãe
E só querias ver bem
Os cinco filhos que tinhas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Para: Álvaro Freitas
Maria Emília Martins
Alvarina Costa
José Freitas
Frederico Freitas
Beleza da ilha
És a âncora do meu ser
És a luz da minha vida
Por ti quero amanhecer
Por ti ó minha querida!
És fonte de inspiração
És força de amizade
Por ti dou meu coração
Por ti a fraternidade.
Pelos teus campos e vales
Tua beleza é tamanha
Entre o mar e a montanha.
Quero que de mim tu fales
Sou ilha de festa inteira
Patriota e hospitaleira.
Rosa Silva ("Azoriana")
Outrora foi meu jardim
Ergue-se naquele monte
Um rosário de verdura
Que nada se lhe aponte
Somente a fé da ternura.
Noutro tempo cinza cor
Em tela de campo belo
Deu-me seu berço de amor
Que não teve paralelo.
Agora nos versos meus
É passado repetente
Uma conversa com Deus
Que rima no meu presente.
Mas nem sempre foi assim
Acreditem que é verdade:
Outrora foi meu jardim
Hoje é a flor da saudade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Chave absoluta
Abre o meu coração
Deixa entrar a melodia
Não importa a estação
Dá-me o tom para o meu dia.
Abre e entra devagar
Ponto a ponto faz-se a lei
Entra e deixa-me amar
Muito mais do que eu amei.
O amor só faz sentido
Quando o coração labuta
Para o amor ser vivido
Com a chave absoluta.
Deixa aberta a minha alma
Para o amor poder ficar
E obter a viva palma
Da chave do teu olhar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao Rei do Mato
Nobre toiro se apresenta
O duzentos e oitenta
Toiro da Virgem Maria
Em dois mil e dezassete
A Serreta lhe promete
Tourada de euforia.
Por seres o Rei do Mato
Louvo de ti o retrato
És nova admiração.
Da Casa do Grande Albino
Garante do teu destino
Bravo do meu coração.
E viva o toiro, viva este toiro
Do meu espanto
É tão bonito, é favorito
Dele gosto tanto.
No mato ou no caminho
Jamais vai andar sozinho
Tem "olé" da multidão
Que corre para o ver
E também para dele ter
A bravura sempre à mão.
O capinha mais ousado
Com o pastor adiantado
Fazem a dupla perfeita,
Depois disso há quem queira
Lembrar que há na Terceira
O Rei do Mato à espreita.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pluma da Silveira
S. Pedro a freguesia
Com beleza cativante
De pluma se fez o dia
Para atrair o navegante.
Silveira porto de mar
Abrigo em boa maré
Que pasmo só de olhar
Quando lá passo a pé.
Nossa ilha é majestosa
Com ares apaixonantes
Um livro de rima e prosa
Orgulho dos mais distantes.
E tenho no pensamento
Retalhos pelas paredes
De letras de algum momento
Moldura que por cá vedes.
Rosa Silva ("Azoriana")
Da ilha do Pico
Santo Amaro dá saudade
Porque o vi desde criança
E dele eu sou metade
Até onde a vista alcança.
O meu pai em nova idade
Deixou-o pela mudança
E deixou, digo a verdade,
Em mim a doce lembrança.
Santo Amaro não de parcos
É tida Terra dos Barcos
Uma concha sobre o mar...
Santo Amaro é do "meu" Pico
E sempre na ideia fico
De um dia lá voltar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bom dia!
A vida não é dinheiro mas faz-se com ele...
Andar a pé faz bem... a poluição não!
Um sorriso vale mais que mil palavras e cura também...
Caminhos de saudade
Vivo de recordações
Que voaram tão depressa:
Meus filhos, três corações,
Do meu ser feito à pressa.
Vivo em grandes emoções,
Do tempo que não regressa,
Já vivi mais estações
Da paixão que em mim tropeça.
Só não consigo parar
O tempo de maresia
Numa onda de poesia.
E não consigo voltar
A trilhar velhos caminhos
Dos filhos e seus carinhos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pezinho na casa de Luís Bretão - 21/09/2017
Partindo da realidade
Que o Pezinho descerra
A Santíssima Trindade
Desce em Espírito à terra.
Reúnem os cantadores
Por S. Carlos Borromeu
E em casa dos criadores
Brindam com o verso seu.
Dividem-se em duas partes
E vão alegres cantando
O melhor das suas artes
Só no fim se vão juntando.
À Igreja e ao Império
Unem em quadras velozes
Em tom alegre ou sério
O sortilégio das vozes.
Eu não fui na caminhada
Não sou dessa "procissão"
Só respondi à chamada
Do amigo Luís Bretão.
À sua casa voltei
Para lhe fazer companhia
Há nove anos estreei
O Pezinho de alegria.
Quando se canta o Pezinho
A moda inspira à ternura
E a dar nosso carinho
À tradição e à Cultura.
Luís Bretão é dos tais
Que abre a sua porta
E nunca acha de mais
Quem lá vai e se importa.
Ninguém rejeita a oferta
De sacos bem recheados
E a sua mão aperta
Com sorrisos espelhados.
A rádio e outros canais
Gravam esta ocasião
Não sendo oficiais
Dão ao mundo a visão.
A sua esposa e filho
E família ajudante
Fazem a casa ter brilho
E uma alegria constante.
Tem sempre a casa cheia
De senhores e doutores
Mais a cantiga que recheia
O "Museu dos Cantadores".
Este ano o José Eliseu,
Ti João, Fábio e o Marcelo,
Não deram o verso seu
Não fizeram o paralelo.
O grupo foi para outra banda
O tempo ia adiantado;
Antes de irem pra varanda
Juntaram-se aos deste lado.
Mota, Samuel e o "Retornado",
E José Esteves da Praia,
Roberto e Valentim ao lado
E a Rosa que não ensaia.
Antes de tudo acabado
Houve a Banda a tocar
O Pezinho de bom grado
Pró discurso começar.
Não deu para fazer contas
De todos os homenageados:
Suas falas foram prontas
Para os amigos lembrados.
Vários agradecimentos
Deram mote cordial,
E em todos os momentos
Luís é excecional.
Rosa Silva ("Azoriana")
2017/09/21.
Minha 1ª quadra na moda do Pezinho:
Há 9 anos, fiz a soma,
Que cantei aqui neste dia;
Luís eu trago o diploma
Da tua grande simpatia.
2ª quadra:
Esta casa hoje tem brilho,
Tem ternura e tradição;
Tens tua esposa e teu filho
Que te amparam o coração.
Sou tua de corpo e alma
Sou tua de corpo e alma
E não te quero perder
Tens a cor que me acalma
Tens o dom do meu viver.
És basalto, cinza e palma,
Bravura de bem querer,
A saudade não dá calma
A quem te mantém no ser.
És o sol da minha escrita,
Candeia do meu rimar,
Altar da minha oração.
'Tás cada vez mais bonita,
Ilha linda em alto mar:
Terceira do coração!
Rosa Silva ("Azoriana")
De alma cheia
De alma cheia
Na terra santa
Onde se canta
À luz da candeia.
Touro se ateia
A cor espanta
E outra tanta
É chamateia.
Ares solenes
Cores perenes
À nossa beira.
Sou tão feliz
E sou quem diz:
Viva a Terceira!
Rosa Silva ("Azoriana")
Viva nossa Mãe do Amor
Viva nossa Mãe do Amor,
Dos Milagres e da Vida,
Bendito seja o Senhor
E a Serreta querida.
E viva seja o que for
Que mantenha a fé erguida,
Nem que seja a linda flor
No Altar, santa guarida.
Viva a bel'ilha Terceira,
A alma da nossa gente
Que em festa está contente.
Viva a Mãe padroeira
Que nos junta em setembro
Muito antes do que lembro.
Rosa Silva ("Azoriana")
Recordando os primórdios da festa serretense
(...) O historiador terceirense Ferreira Drumond, baseado numa tradição oral, refere que a ida da imagem de Nossa Senhora dos Milagres para a Serreta se deve a um sacerdote de nome Isidro Machado que se refugiou neste extremo ocidental da ilha e construiu uma pequena ermida colocando lá a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo. Por morte do padre, a imagem foi recolhida na igreja paroquial de então, a Igreja das Doze Ribeiras. A devoção popular pela Nossa Senhora dos Milagres está ligada a fases cruciais da história terceirense. Por exemplo o século XVIII, quando Portugal se viu envolvido na guerra entre a França e a Espanha contra Inglaterra. Encontrando-se a ilha Terceira “desprovida de fortificações e pouco defensável”, as autoridades militares e civis ao depararem com a imagem de Nossa Senhora dos Milagres, na Igreja das Doze Ribeiras, formularam um voto de se “tornarem seus escravos e promoverem-lhe festa anual se a ilha não sofresse qualquer investida inimiga. E porque assim sucedeu se firmou o voto, subscrito pelos principais cavalheiros militares e eclesiásticos, autoridades e algumas damas de fé”.
A primeira festa foi celebrada a 11 de setembro de 1764, altura da fundação da Irmandade dos Escravos de Nossa Senhora, mas a sua realização não foi continua. Só a partir de 1842, altura em que foi construída a igreja paroquial da Serreta e elevada a paróquia 20 anos depois (1/1/1862), a Festa foi ganhando novos contornos atraindo muitos angrenses. Desde então a festa realiza-se todos os anos.
Em apenas três dias chegam ao santuário cerca de oito mil peregrinos, fora os que anualmente visitam este templo, elevado há 10 anos anos, (7/5/2006) ao estatuto de Santuário Diocesano, por D. António de Sousa Braga.
O primeiro desafio é acolher e escutar os peregrinos; depois evangelizar e disponibilizar os sacramentos confiados por Cristo à Igreja aos que os procuram.
Esta festa está também associada a outra de cariz mais popular conhecida como a Segunda Feira da Serreta (10/9/1849), que atrai centenas de famílias para um pic nic. À semelhança de outros anos, o Governo Regional dos Açores concede tolerância de ponto aos funcionários da Administração Pública Regional, cujos serviços estão sediados na Terceira, por ocasião da tradicional festa da Segunda-feira da Serreta.
O despacho assinado por Vasco Cordeiro salienta “a importância de que o evento se reveste para a população da ilha Terceira e que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que se realizam naquela data”.
Fonte: AzoresToday.
Um artigo digno de se ler e assimilar - João Rocha escreve...
Transcrevo na íntegra o conteúdo do artigo de João Rocha, in Diário Insular de 5/9/2017:
DIVAGAR DEVAGAR
João Rocha
Pelos trilhos da fé
"Crença absoluta na existência de certo facto; convicção íntima; fidelidade à palavra dada; lealdade; primeira das virtudes teologais, graça à qual acreditamos nas verdades reveladas por Deus; crédito; confiança; prova; religião; adesão aos dogmas de uma doutrina religiosa considerada revelada". A definição é retirada do dicionário e retrata, fielmente, a amplitude de significados que o substantivo feminino fé representa. A palavra, de duas letras e uma só sílaba, é tudo o que vem no dicionário e todo o mais que não se pode reproduzir em...palavras.
A fé não se lê. Vive-se. Como é que se prova isso em palavras? Não se prova.
Escrever sobre fé é entrar num labirinto de emoções que jamais encontrariam eco nas páginas de um jornal.
Mas este labirinto não acarreta nada de negativo consigo. O labirinto, aliás, está cheio de trilhos de fé. Pode-se ir pela direita, esquerda, centro ou fazer inversão de marcha que a bússola da fé acabará sempre por nos dar os pontos cardeais de que necessitamos. Os suportes da crença ou os justificativos para apelar à fé devem ficar, sempre, no reduto exclusivo da nossa intimidade. Não há fés mais fracas ou fortes - há a fé.
As manifestações da fé tanto podem ser pessoais ou coletivas.
Se não fosse a fé, como viveríamos? É melhor nem fazer o exercício especulativo. É a fé que nos transmite as forças suficientes para movermos as montanhas que dão guarida aos vales que servem de âncora à paz almejada por todos.
A fé faz-se em silêncio, caminhando, orando e, acima de tudo, vivendo.
Não se explica, porque nem deve ser questionável.
A Nossa Senhora dos Milagres representa a maior peregrinação terceirense - a segunda mais importante diz respeito a Santo Amaro, que se celebra a 15 de Janeiro.
Os devotos são oriundos de todos os pontos da ilha, caminhando rumo à Serreta isoladamente ou em grupo a qualquer hora do dia ou da noite.
Como habitualmente, irei na próxima 6ª feira como peregrino à Serreta. Os motivos ficam entre mim e a Nossa Senhora dos Milagres. Uma questão de fé. Graças a Deus!
Caminhando
A princípio custa, custa muito. À medida que o corpo se habitua, e ao percebermos os primeiros resultados satisfatórios, torna-se habitual e compensatório todo o "esforço" dispendido a pé. Até a natureza reconhece o tom dos nossos passos apressados (ou não) e nós sentimos o perfume da beleza natural, que de outra forma nos passa despercebido, muitas das vezes.
Aprender a comer, mudar os hábitos alimentares e andar, andar por esses caminhos (1 hora de manhã + 1 hora à tarde, por dia, sensivelmente) faz tudo parecer saudável, mesmo que algum transtorno físico possa ocorrer. O sedentarismo é sinónimo de corpo menos sadio. Tomei consciência disso e tornei-me adepta do caminhar. Até quando?! Não sei! Até onde a vida me deixar.
Boa terça-feira para todos!
Rosa Silva ("Azoriana")
Tradicional tolerância de ponto na segunda-feira da Serreta (11/09)
II SÉRIE Nº 164 SEXTA-FEIRA, 1 DE SETEMBRO DE 2017
PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DOS AÇORES GABINETE DE EDIÇÃO DO JORNAL OFICIAL HTTP://JO.AZORES.GOV.PT GEJO@AZORES.GOV.PT
Presidência do Governo
Despacho n.º 1769/2017 de 1 de setembro de 2017
Considerando que, no próximo dia 11 de setembro, tem lugar a tradicional festa da segunda-feira da Serreta, no Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira;
Considerando a importância de que aquele evento se reveste para a população local, que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que naquela data se realizam;
Considerando, ainda, que é habitual a concessão de tolerância de ponto no referido dia, para os trabalhadores dos serviços públicos regionais da Ilha Terceira.
Assim, nos termos das alíneas b) e j) do n.º 1 do artigo 90.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, e ao abrigo das competências conferidas pelo n.º 4 do artigo 5.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2016/A, de 21 de novembro, determino o seguinte:
1 - É concedida tolerância de ponto, no dia 11 de setembro de 2017, segunda-feira da Serreta, aos trabalhadores da Administração Pública Regional dos Açores cujos serviços estejam sediados na Ilha Terceira.
2 - O presente despacho produz efeitos à data da sua assinatura.
31 de agosto de 2017. - O Presidente do Governo Regional, Vasco Ilídio Alves Cordeiro.
Tradicional tolerância de ponto na segunda-feira da Serreta (11/09)
II SÉRIE Nº 164 SEXTA-FEIRA, 1 DE SETEMBRO DE 2017
PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DOS AÇORES GABINETE DE EDIÇÃO DO JORNAL OFICIAL HTTP://JO.AZORES.GOV.PT GEJO@AZORES.GOV.PT
Presidência do Governo
Despacho n.º 1769/2017 de 1 de setembro de 2017
Considerando que, no próximo dia 11 de setembro, tem lugar a tradicional festa da segunda-feira da Serreta, no Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira;
Considerando a importância de que aquele evento se reveste para a população local, que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que naquela data se realizam;
Considerando, ainda, que é habitual a concessão de tolerância de ponto no referido dia, para os trabalhadores dos serviços públicos regionais da Ilha Terceira.
Assim, nos termos das alíneas b) e j) do n.º 1 do artigo 90.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, e ao abrigo das competências conferidas pelo n.º 4 do artigo 5.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2016/A, de 21 de novembro, determino o seguinte:
1 - É concedida tolerância de ponto, no dia 11 de setembro de 2017, segunda-feira da Serreta, aos trabalhadores da Administração Pública Regional dos Açores cujos serviços estejam sediados na Ilha Terceira.
2 - O presente despacho produz efeitos à data da sua assinatura.
31 de agosto de 2017. - O Presidente do Governo Regional, Vasco Ilídio Alves Cordeiro.
Mãe querida
Visitei a Mãe querida...
Vi nela um belo sorriso;
Foi tudo o que preciso
Para renovar a vida.
No altar estava florida,
Qual jardim do paraíso,
Que inspira o improviso
Do verso em cor garrida.
Tão felizes que estamos
Pela Mãe que tanto amamos
Brilhante no altar da fé.
'Inda bem que fomos ver
Aquela que nos faz crer
Numa oração a pé.
3/9/2017. Domingo.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Margarida Almeida
Tuas quadras e sextilhas
Li com gosto e admiração
Serão ricas maravilhas
Por teu primo e cada irmão.
Peço para ti ajuda
E sempre melhor saúde
Prima de Daniel Arruda
Que a versar tinha virtude.
Fizeste bem recordar
Das coisas que ambas gostamos
Entre a terra e o mar
A rima é o que mais amamos.
Fico com tuas lembranças,
Teu carinho e amizade,
Já não somos mais crianças
Somos maduras na idade.
Aceita o meu abraço
Depois de uma caminhada
Que me fez ter no regaço
O sorriso da Mãe amada.
Ela estava tão bonita
Quando lá cheguei, a pé,
Seu sorriso, acredita,
Fez aumentar minha fé.
Rezei por quem gosto tanto
E por quem tenho amizade
Junto daquele Altar Santo
Da Serreta claridade.
Obrigada amiga minha
Mesmo sem nos termos visto
Viva a Salve Rainha,
Viva a Mãe de Jesus Cristo!
3/9/2017
17:18
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: A propósito do meu artigo - Linda ilha (ver aqui)
De Margarida Almeida (sobre o meu artigo - Linda ilha)
Boa tarde também te quero dar
Oh minha linda e querida amiga!
Pedindo para sempre Deus ficar
Na tua e minha cantiga.
Lindos versos acabei de ler
Sobre a nossa querida ilha;
Eu alguma coisa vou escrever,
Talvez até faça uma sextilha.
Tudo escreves com encanto
E se transforma em magia;
Amiga eu de ti gosto tanto
E não é só pela cantoria.
Falas nas nossas tradições
Até nas festas e nos bodos;
Que até aquece os corações
Dos familiares e amigos todos.
Falaste no porco em se matar,
Eu também ficava contente,
Amigos lá íamos convidar
Para fazer uma visita à gente.
O porco era enfeitado
Com as rosas de Japão,
Depois era visitado
Pelos amigos no serão.
Lá se juntava muita gente
Convidados e amigos,
Bebiam anis e aguardente,
Com queijo, bolachas e figos.
Chegamos a ter cantoria
Com cantadores afamados;
Era sempre uma alegria
Quando eram convidados.
Guardo na minha lembrança
E vou escrever aqui no papel,
Que no dia da matança
Cantava o meu primo Daniel.
Ele não cantava sozinho
Outros eram convidados,
Recebidos com carinho
Pelos meus pais adorados.
Meus falecidos irmãos
Para a cantoria eram danados,
Assim se animavam os serões
Com todos os convidados.
Até que chegou um dia
Que esta alegria acabou.
Acabou-se logo a cantoria,
Porquê Deus os levou.
Ainda guardo na memória
Os tempos que já lá vão,
Mas ficou para a história
Meu primo e meu irmão.
Nunca mais houve alegria
Em festas se tornar a fazer,
Sinto tristeza em todo o dia
De nunca mais os tornar a ver.
Eles também foram convidados
Para fazer parte do Carnaval,
Danças e bailes foram puxados,
Nunca me esquecerei de tal.
Eles todos foram puxadores
De danças e muitos bailinhos,
Receberam todos louvores
Andaram nos nossos caminhos,
Mostraram os seus valores
Para os amigos e todos vizinhos.
Agora ficou a triste sorte
De na memória os recordar:
Tenho um na América do Norte
Que ainda continua a cantar.
Estes versos que escrevi
A eles foram dedicados,
Amiga eu também vejo em ti
Saudades dos tempos passados.
Somos uma ilha de festa,
Por ti amiga aqui recordada,
Não há nenhuma como esta
No mundo é sempre lembrada.
Terceira de Hortênsia formosa,
De amor, alegria e muita paz,
Cor de branco e de uma Rosa
E do perfume de um lilás.
Terceira é a ilha mais bela
Das nove é a que tem mais luz,
Para sempre és e serás aquela
Que tem o nome de Cristo Jesus.
Estas quadras vou terminar
Com muito amor e dedicação,
Para ti e amigos vou deixar
Beijinhos do meu coração,
E se alguém não gostar
Desde já a todos peço perdão.
Eu poetisa não quero ser,
E te digo do meu coração,
No meu corpo ficou a correr
Sangue do meu primo e irmão,
Por isso gosto de quadras fazer
Para Deus lhes entregar com sua mão.
Margarida Almeida
Nota: Continuação no próximo artigo.
Parabéns Hildeberto Franco
Desafio o bom rapaz
Para duelo amistoso
Por ser ele tão bondoso
E fazer tanto que faz.
Meio século lhe apraz
Aniversário (*) jeitoso;
Sendo assim faço amoroso
O verso que sou capaz.
Parabéns ao bom amigo
Alegria esteja contigo
Neste momento acertado.
És presente de setembro
De um tempo que bem lembro
Num regresso ao passado.
(*) 1/9/2017
Rosa Silva ("Azoriana")
Linda ilha
No frio aquecia a gente
Não digo nada de novo:
Figos passados e aguardente
Iam na mesa pró povo.
Quando se dava a matança
Do porco bem sustentado
Até se dava à criança
A bexiga do pobre coitado.
Lembro bem do tempo velho
Em que as tripas lavava
Agora só vos aconselho
A lembrança que se grava.
Na memória da brava gente
Há muito divertimento
E quem rima num repente
Também na ilha tem assento.
Fica assim meu contributo
Para esta ocasião
Já não se vê andar de luto
Pelo tempo da Paixão.
Só se veem os girassóis
Nas passadeiras do chão,
E vozes como rouxinóis
No coro da mor missão.
Há beleza nas janelas
Com colchas de quadradinhos
E as mais lindas donzelas
Nos cortejos dos caminhos.
Os rapazes são pastores,
Capinhas e bons toureiros,
E outros dão seus valores
Nas cantigas dos terreiros.
Há quem tire o seu chapéu
E atire para o ar
Para louvar o ilhéu
Que gosta de cá voltar.
Adivinhem qual a ilha
Que agora estou louvando...
Onde se faz a partilha
Em Bodo de vez em quando?
Adivinhem sem vinagres
E sem dar nenhum queixume,
Há Senhora dos Milagres
E a do Facho lá no cume.
Adivinha se quiseres
Porque adivinhar eu preciso:
Onde se ouvem mulheres
A cantar de improviso?
E para não mais faltar
Acreditem que é verdade:
Há S. Mateus frente ao mar
E S. João na Cidade.
Há pescadores bastantes,
Há negrito e há pesqueiro,
Há saudade de emigrantes
E um abraço por inteiro.
Há um Monte insular,
Em decúbito dorsal,
E há tanto para falar:
Património mundial!
Há os "maios" e as danças,
Há assaltos e arraiais,
Há velhinhos e crianças,
Jovens mães e jovens pais.
Somos um jardim de cores
Em que o lilás é mais forte
E só ligamos às dores
Quando à beira da morte.
Porque a vida continua
Na alegria de quem fica;
Há de vir sempre à rua
Uma quadra fresca e rica.
03/09/2017
Rosa Silva ("Azoriana")
No Diário dos Açores o escrito de Miguel Rosa Costa, em 2011
Serreta – Peregrinação e Partilha
Detalhes
Publicado em 11-10-2011
Escrito por Miguel Rosa Costa
Serreta, pequena freguesia no extremo ocidental da ilha Terceira, com aproximadamente 400 habitantes, com um clima fresco, ambiente saudável e uma grande carga mística.
Não sou natural da Serreta, embora desde criança tenha uma relação pessoal e familiar, que se cimentou nos últimos anos. Até o começar a pensar que lá vou passar uns dias, entre família e amigos, em festa ou em reflexão, me entusiasma, demonstrando já aqui o seu significado e importância.
Sentado a meio da tarde de sexta-feira, olhando para rua, ainda antes da grande movimentação de gentes em torno do santuário ou da mata, escrevo algumas notas num pequeno caderno que me ofereceram de Nova Iorque. Penso logo na distância geográfica e cultural entre estes dois pontos, passando por conceitos como localismo e globalização. Era já sinal da referida reflexão…
Seria extremamente imprudente num simples artigo de opinião “falar” sobre a Serreta, a peregrinação, o santuário, as festas e a sua gente, mas, como muitos, pelo facto de me impressionar imenso, desejo partilhá-la.
E como passar a mensagem do peso ou da importância que estes dias têm? Como explicar a magnitude de sentimentos e o orgulho que sentimos? É de facto algo muito poderoso.
Segundo reza a história, no fim do século XVII, um padre chamado Isidro Fagundes Machado, em choque com a vida em sociedade, procurou refúgio na Serreta, associando o seu desejo de isolamento com os saudáveis ares de montanha que o local oferecia. Terá construído uma pequena ermida onde colocou uma imagem de Nossa Senhora, numa localização diferente de onde hoje se situa o Santuário.
Já em 1842, o local é elevado a curato, sendo transferida para a nova igreja uma imagem de Nossa Senhora dos Milagres, e dando-se início às peregrinações, tendo vindo a tornar-se ao longo dos anos um dos mais populares cultos religiosos nos Açores, reunindo milhares de peregrinos, que a pé percorrem os caminhos da ilha.
Se para muitos é um ato de fé, numa espécie de oração em formato de promessa e demonstração de devoção, para outros será um processo de introspeção, não necessariamente de cariz religioso, mas pessoal. Para outros é o passeio e o convívio, não menos importante para a nossa robustez mental.
Alguns peregrinos optam por fazer o trajeto descalços ou carregando um número ou peso simbólico de velas, por pagamento de promessas específicas, com um forte sentimento de dádiva e gratidão, chegando por vezes a alcançarem os 40 ou 50 quilómetros de distância.
Se olharmos para cada rosto vermelho e cansado que chega ao Santuário, é difícil não pensar no peso das histórias que carregam, na importância de cumprir determinada promessa, por amor e por devoção.
Li algures que serão cerca de 20 mil pessoas a passarem pela Serreta nestes dias de festa, desde os peregrinos, às touradas e ao famoso piquenique.
Aliás, a dimensão profana das festas tem vindo a aumentar, como é disso exemplo a proliferação de tasquinhas ao longo do percurso, onde as “donetes” e as socas de milho se tornaram parte da festa, assim como a imagem de algumas famílias sentadas à frente de casa observando os peregrinos.
Na segunda-feira realiza-se a famosa toirada da praça do Pico da Serreta, tão concorrida que o dia é considerado feriado não oficial em toda a ilha, com tolerância de ponto concedida nas escolas e ao funcionalismo público.
Na quarta-feira, também a toirada de corda reúne muitas pessoas na freguesia, seja visitando antigos amigos, reconhecendo rostos com mais de 40 anos de intervalo, ou apenas para ver os toiros. Este ano ligeiramente prejudicada por jogar o Benfica…
Mas o elemento emocional e espiritual continua a ser o mais importante e significativo para as pessoas, como se presenciou após o fim da procissão de Domingo, onde centenas cantaram a Glória, ao som das sete magníficas filarmónicas presentes.
A incrível sensação de partilha, de pertença a uma comunidade, sendo ou não serretense, a um conjunto de pessoas que têm problemas, alegrias e emoções como nós, foi de facto o clímax espiritual destes dias.
Ai a Serreta...
Serreta que nos atrai
Como atrai flores formosas,
Tanta gente que lá vai
E leva as melhores rosas.
Serreta de mim não sai
Nem das rimas saborosas,
Na doçura que se extrai
Da Mãe que benze as ditosas.
E eu que de lá parti
Só volto quando Ela chama
Num apelo de quem ama…
Tanto amor eu já senti
Por ver tal divina Luz
Da Mãe de Cristo Jesus!
Rosa Silva (“Azoriana”)
31/08/1907 - 31/08/2017: 110 Anos da Paróquia da Serreta
Completam-se cento e dez anos da Paróquia serretense de Nossa Senhora dos Milagres. "O novo templo, que subsiste, foi inaugurado em 31 de Agosto de 1907", segundo a fonte Wikipédia, no capítulo de "A evolução da freguesia". Noutro capítulo "A construção da igreja e a elevação a freguesia" menciona-se o facto:
"A igreja cedo se mostrou pequena para albergar os devotos de Nossa Senhora dos Milagres e poucas décadas depois da sua abertura ao culto, já se pensava na construção de uma nova e mais ampla. Esta necessidade foi tornada mais aguda quando, com efeitos a 1 de Janeiro de 1862, o até então curato da Serreta foi elevado à dignidade de paróquia independente por decisão de D. frei Estêvão de Jesus Maria, precedida de decreto real.
Reunidos os apoios necessários, o lançamento da primeira pedra da novo igreja, construída do lado oposto da estrada em relação à existente, foi feito em solenidade realizada a 29 de Abril de 1895. Presidiu ao acto, que foi largamente concorrido, o bispo D. Francisco José Ribeiro Vieira e Brito.
A sua construção foi demorada, com as obras a sofrer interrupção por falta de recursos. Apenas decorridos doze anos a obra ficou em condições de ser aberta ao culto. A cerimónia da bênção decorreu a 31 de Agosto de 1907, num sábado, em ambiente de grande festa. Era pároco da freguesia o padre José Leal da Silva Furtado, que ali serviu entre 3 de Setembro de 1906 e 28 de Dezembro de 1925.
O novo templo, que ainda hoje existe, é de traça airosa, com 19 m de altura no frontispício até à base da cruz e 10,75 m de largura. A torre sineira única tem 23 metros de altura. O interior é de uma só nave, com 19,80 m por 9,60 m. Na abside, para além da imagem da padroeira, tem sobre o sacrário um valioso Cristo de marfim indo-português do século XVII, com dimensões fora do comum. No corpo tem dois altares, um de cada lado".
Nota bem: A 4 de Dezembro de 1873 foi fundada sob a denominação de Filarmónica Serretense Social de Instrução e Recreio uma agremiação filarmónica que é hoje a mais antiga da ilha Terceira. A designação passou a ser Filarmónica de Recreio Serretense por estatutos datados de 28 de Setembro de 1932 e aprovados por alvará do Governo Civil de Angra do Heroísmo datado de 31 de Agosto de 1935."
Completa hoje, 31/08/2017, oitenta e dois anos sobre a aprovação do alvará para o nome oficial da Filarmónica da Serreta.
Fonte: Serreta na Wikipédia.
Templo festivo
Campanário de bagacina,
Branca pomes serretense,
Abunda em verde colina
E grande altar terceirense.
Belo solar se destina
À Mãe que em tanta fé vence
Honrando a nobre doutrina
Que de cedo lhe pertence.
Templo da Mãe milagrosa
Virgem Santa padroeira
De romeiros desejosa.
Somos flores nos caminhos
Da risonha ilha Terceira
Festiva de mais carinhos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nem todas as Cantorias
Nem todas as cantorias
Têm palco de sucesso
Por vezes e nalguns dias
Eu também ao lar regresso
E canto minhas alegrias
P'la via que tenho acesso.
Eu gostava de brilhar
Ao lado de cantadores
Com viola a chamar
O violão, entre senhores,
E os versos a enfeitar
As cantigas como flores.
A cantar não fui tão forte
Para encantar a plateia
Também é questão de sorte
Vermos uma casa cheia
E gente do sul ou norte
Cujo o cantar nos ateia.
Então mesmo sem cantar
Da maneira que eu sonhava
Deixo os versos a voar
A quem os lê ou mesmo grava
Na escrita o verbo amar
Com tudo se conjugava.
Rosa Silva ("Azoriana")
O que dirás de mim?!
Às vezes dou comigo a estranhar
Não ter dos ilustres a visão
É como ficar só na escuridão
Ouvir as ondas e não ver o mar.
Às vezes sinto a falta do estalar
Dos dez dedos juntos de cada mão
Como se fossem musa de um refrão
Que teima em não se fazer escutar.
E fico à espreita do que não vem
Do soluço da alma que às vezes tem
O timbre da melodia de um coro frio.
É como escrever fracas linhas de vida
E não saber o que será na despedida
O comentário, o final sem desafio.
Rosa Silva ("Azoriana")
Perfume da palavra
A arte de escrever,
Meus amigos podem crer,
Não é algo incomum.
No entanto, se há empenho,
Adequa-se ao desenho
Da alma de cada um.
Quem gostar do que escreve,
Mesmo que seja ao de leve,
É meio caminho tido
P'ra se dar sem receber,
Numa oferta que é de ler,
Tudo o que tem produzido.
Se comunga inspiração,
E abraça a ocasião,
Nascem odes encantadas:
Basta ser o que se é,
Deixar voar sua fé,
Nas linhas que são criadas.
Pode ser mais popular,
Erudito ou singular,
Autenticidade pura;
Quem escreve o bem que sente,
Se pensado ou num repente,
Faz-se em alma da cultura.
Há mensagem que encima,
Ou serve a chave da rima,
Toada que vem no fim...
Por mim gosto de escutar
O que o coração ditar
Na hora que sai de mim.
Urge agora vos dizer
Que não vale acontecer
A frontal comparação:
Nem é bom, nem é ruim...
Nem as flores de um jardim
Tem exata floração.
Dizer mais até me atrevo,
E digo mais do que devo,
Porque o dever me assiste:
Quem brotar da sua lavra
O perfume da palavra
Certamente que ela persiste.
A palavra auspiciosa
Tem o perfume de rosa
No peito da escritura;
Regue essa palavra então
Com a fonte de inspiração
No corpo da assinatura.
Rosa Silva ("Azoriana")
P. S. O título só veio após as oito sextilhas.
Ofícios de menina
Quando ainda era menina
Tive ofícios de rapaz;
Se fazê-los fui capaz
Tive a "escola" que ensina.
Ofícios de pequenina
Por vezes nem satisfaz;
Sem guerra, fui pela paz:
Mangual, enxada... E atina!
Rosa Silva, flor silvestre...
Sem dedos vi o meu mestre:
O meu pai que Deus o tenha!
Fui menina obediente,
Fazia tudo somente
Por respeito, outrora senha.
Rosa Silva ("Azoriana")
Santa Maria (Senhora, ilha e Mãe)
Santa Maria, Senhora,
Ilha de ventura e graça,
E d'outra onde se faça
Louvor como faço agora.
Santa Maria, aurora,
Na imagem que se abraça,
No altar ou numa Praça,
Na medalha que se adora.
Santa Maria no desespero,
É que dá o são tempero
O amor e bom exemplo.
Santa Maria é a Mãe
Que ama os filhos que tem
E a visitam no Templo
Rosa Silva ("Azoriana")
Da ilha que amo
Abro a alma à amizade
Porque a amizade é bela
Quando com sinceridade
Nos aproximamos dela.
Abro a mão à liberdade
E aceno à nova janela
Que me dá força e vontade
De escrever na nobre tela.
A escrita só faz bem
E faz partilhar também
Sentires de cousa alguma.
É solar pró meu viver
O que 'inda posso escrever
Da ilha que amo em suma.
Rosa Silva ("Azoriana")
A GRATIDÃO
Sou grata. Estou grata. Pequenas coisas são maiores que o mundo. Há momentos pelos quais passamos que nos dão um sorriso e um rejuvenescimento ao rosto e nos fazem voltar a sentir a idade da ideologia e dos sonhos: neste caso um sonho de outrem realizado.
A gratidão anda de braço dado com a alegria e o entusiasmo. Foi esse entusiasmo que senti e vi partilhar durante poucas horas da segunda quarta-feira (dia 9), do mês de agosto, integrado na programação das Festas da Praia 2017: O lançamento do livro do novo autor, escritor e poeta, Fernando Mendonça, residente no Juncal, freguesia de Santa Cruz da Praia da Vitória.
Sei de cor o que sente quem se vê nestas andanças de aparecimento público, mesmo que a nível restrito e no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia da Vitória, mas com uma abrangência mundial, se formos a ver pela divulgação próxima futura.
Nada será como dantes para o autor que, sem sombra de dúvida, estava feliz e com energia redobrada para o que advier.
Graças a Deus estava lá a sua família e, em vida, presenciou o grande momento que emocionou os corações e os olhares.
10/08/2017. A apresentadora do livro "Pedaços de mim que aqui recordo", de Fernando Mendonça.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Pedaços de mim que aqui recordo...", livro de Fernando Mendonça
Festas da Praia 2017
Lançamento do livro de Fernando Mendonça,
dia 9 de agosto, quarta-feira, pelas 19 horas,
nos Paços do Concelho da Praia da Vitória.
Quando vemos um amigo
Obter uma felicidade...
Fiquem certos do que digo:
Ficamos felizes de verdade!
19:00, a 9 de agosto,
Nos Paços do Concelho,
Da Praia que dá um gosto
Junto com o bom conselho.
Eleva mais um Poeta,
Que é da Praia da Vitória;
Atingiu nobre meta
Que fica na sua história.
Louvo a Câmara sem demora
E o Mendonça, Fernando.
Mais feliz a partir de agora
Vê real o que vinha sonhando.
Lá estarei ao seu lado
Com a mesma euforia,
Já estive no mesmo estado
De completa alegria.
A escrita é mesmo assim
Em livro fica guardada;
E de "Pedaços de mim"...
Sou uma madrinha babada.
Rosa Silva ("Azoriana")
História verdadeira
Convém vos revelar
O que me aconteceu:
Em papel a rimar
A escrita se rompeu.
Para vos ser sincera
Não escrevo no papel;
A tecla é que me espera
Seu toque é como mel.
Caneta não desliza
Com maior rapidez
Para quem improvisa
A tecla é que se fez.
Parece que cantando
A rima sai direta,
A minha é teclando
Como do arco a seta.
Bem bom que assim é,
Se não fosse assim,
Jamais viria de pé
O que saiu de mim.
O teclado é meu forte,
A fonte de escrituras,
Com ele tive sorte
Não me deu desventuras.
Sei as letras de cor
E a sua posição;
Assim é bem melhor
Tive boa lição.
O ano que repeti
A História no liceu
Teclado eu aprendi
E o futuro me deu.
A história que vos conto
Creiam que é verdadeira
Escrevo ponto por ponto
Sem usar lapiseira.
Teclado é dia-a-dia
Constante e preciso,
Com ele a alegria
Mais o dom de improviso.
Rosa Silva ("Azoriana")
Miscelânea de emoções
Transparências
Sombras
Retalhos
Trabalhos
Emoções
Claras
Brancas
Singelas
Flores
Especiais
Locais
Até um dia
Em que hajam mais
Rosa Silva ("Azoriana")
Família
Três filhos que Deus me deu
São meus tesouros de capa;
E o querido amor meu
Também entra nesta chapa.
Há sorrisos e há cautelas,
Há semblantes parecidos:
Nas pontas lá estão elas,
No centro, todos queridos.
Da Amizade os principais.
Do Amor bem melhor são
Como dedos de uma mão.
São os cinco desiguais,
Mas onde quer que estejam
Merecem o que desejam.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sabendo que a vida é dura
Sabendo que a vida é dura
Em novelos de amargura
Vai-se tentando coser:
Cose-se a esperança
De haver uma mudança
No pano de entardecer.
Houve o pano da nascença
Foi traçada a sentença
Numa linha multicor;
Ao pouco vamos bordando
A sorte que vez em quando
Temos se houver amor.
O amor pela escrita
Torna a linha bonita
Encruzilhada do ser:
Há momentos infelizes
Como há linhas matizes
Que alegram o viver.
Quem não sente uma dor,
Um remendo indolor,
Na passagem em corrida;
Somente quem está a zero
E num pano mais severo
Já desbotado de vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Inspirada no escrito de Liska Azevedo e comentário de Fernando Mendonça in Facebook
Brava Terceira
Guarda-sol decerto trava
A bravura ao animal
Bravo é o seu natural
Tanto como a Festa Brava.
O capinha por si grava
A cultura original
Da bravura capital
Que atiça e não encrava.
Na ilha é mesmo assim
Uma cena sem ter fim
Cada vez que vem Verão.
Terceira na ode minha
Dá louvores ao capinha
E aos de corda na mão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mata da Serreta - Pulmão de afetos
Pulmão fresco e verdejante
Altamente cativante
Na Mata em realeza.
É assim que quero ver-te
E ao mundo estender-te
Com o verso de firmeza.
Neste último de julho
Num domingo com orgulho
Festejamos a freguesia;
Vemos chegar residentes
E também outros ausentes
Que à festa dão alegria.
Na Serreta, sua Mata,
Que se faz de ouro e prata,
E de verdes salutares:
Há festejo em abundância,
Recordações da infância
E de sonhos invulgares.
Viva, viva a melodia
No concerto de magia,
Viva a Banda e João Costa:
É maestro predileto
E segue heroico afeto
À terra que também gosta.
Marco Alves e sua gente,
Que da Junta é presidente,
Dão vida à ocorrência;
Faz tudo pelo que é seu,
Pelo berço onde nasceu
Com a régua da prudência.
No verso não me baralho
E louvo todo o trabalho
Que se faz de engenho e arte;
Também não posso esquecer
Os que já não podem ver
Mas dele fizeram parte.
30/07/2017
Rosa Silva (“Azoriana”)
Azul d'ilha
Bela imensidão azul
Onde navega o olhar
Nesta cidade a sul
Com vista de céu e mar.
Que beleza estonteante
Na aurora que me cerca
Sou apenas caminhante
E o azul não me dá perca.
Oito horas toca o sino,
Em S. Pedro, o chaveiro,
Sinto a paz daquele hino,
Do Papa que foi primeiro.
Quinze minutos decorrem,
Até passar junto à Sé,
Penso que os minutos correm
Ou sou eu que alongo o pé?!
Absorvo toda a beleza
No sadio caminhar;
Como é linda a natureza
E alegria de ver mar.
O cheiro, sempre o cheiro,
Da minha querida ilha,
Corre o ar de marinheiro
E dele me sinto filha.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao passar na Silveira...
Ao passar na Silveira
É tão bom ver o mar!
Ao passar na Silveira
Apetece ficar...
O coração não sangra
De modo habitual
Na Silveira de Angra
Ele não bate igual.
Ele bate salgado
Pelo cheiro a maresia
E o mar lado a lado
Inspira simpatia.
Angra do Heroísmo
Tem Prainha e Silveira
Tem o mar de lirismo
Que abraça a Terceira.
Terceira venturosa
Ilha do Salvador
Do mar é flor mimosa
Nas asas do Açor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Rima d'ilha...
Ilha Terceira querida
Que me embalas a rima
Dela farei minha vida
Com o verso da estima.
Ilha Terceira florida
Centro, em baixo e acima,
De versos seria lida
Nas paredes obra-prima
Meus versos de estimação
Sentidos e com razão
Enfeitam o meu mural.
Se dos meus versos gostares
E também deles falares
Gostas da Terceira igual.
Rosa Silva ("Azoriana")
Escreve...
Escreve... Fala-me do Pico!
Que contente fico
Dele mais saber...
Tenho uma saudade
Tão grande que invade
Todo o meu ser.
Escreve... O teu verso rico
Que identifico
Com facilidade...
Traz-me o cheiro do mar
Pra nele mergulhar
Eterna saudade...
Escreve...
Do "meu" Pico!
Rosa Silva ("Azoriana")
Julho em Angra do Heroísmo
Por uma boa causa
Tirei as férias cedo…
Não pode haver mais pausa
O que me mete medo.
Pelo tempo a passar,
Na certa que fico agora,
Com a mente a pensar
Andando por rua fora.
Vou-me deliciando
Vendo Angra florida,
Não sei bem até quando
Vou manter esta vida.
O céu abre de azul
Com sol madrugador;
Silveira dá ao sul
Cenário encantador.
Quando regresso a casa,
Na volta habitual,
Vejo à cunha e à rasa
Gente naquele local.
Apetece ir também
O corpo mergulhar
Mas vou ficando aquém
Porque não sei nadar.
Então paro uma pisca
Asfixiando o cheiro,
E vou seguindo “à risca”
O meu passo certeiro.
Mais uma pausa fiz
Ao meio da semana,
P’ra rima que vos diz:
Sou Rosa “Azoriana”!
19/07/2017
Verão calmo
Fim de tarde em meu sossego
Ouvindo o rumo das aves;
Sinto por isto um apego
Embora com fecho a chaves.
Na minha espreguiçadeira
Rodeada de animais,
À sombra e na brincadeira
No quintal dos Folhadais.
As aves se vão deitar
Cantando seus belos hinos,
É um prazer aqui estar
Em retalhos pequeninos.
Trabalho desde miúda
E o trabalho fortalece...
Pouco ou nada já me muda
Só descanso favorece.
Venha daí quem quiser
À minha porta bater
E venha cá quem vier
Saberei bem receber
Se em casa não estiver
Mais tarde hei de aparecer.
À tarde uma hora fina
Para repousar a mente,
Para quem o nome assina
"Azoriana" em repente;
A rima é que ora destina
Meu abraço a toda a gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Não é publicidade... é a verdade!
Qual a diferença entre FOME
E VONTADE DE COMER
Se tudo o que se COME
Acaba por se DESFAZER?
“Fome o estômago ronca e dói
Vontade de comer vem da cabeça.
Desfaz-se o que não é aproveitado
Embora muitos tenham m***a na cabeça.”
Ah então não tenho FOME,
Tenho é muita VONTADE DE COMER
Uma camada preta,
Uma camada amarela,
E outra cor que se meta
Para dentro duma tijela.
Com um líquido regar
Até que faça humidade
E depois se regalar
Comendo tudo à-vontade!
Esta quadra só por si
Tem duas conotações
Cada uma já senti
Em qualquer das refeições.
Haja pudim “boca-doce”
Regado de caramelo
Comia como se fosse
Um lanche cremoso e belo.
Rosa Silva ("Azoriana")
A uma imagem baleeira (de Paulo Almeida)
Dócil, meiga curvatura
Que apaixona só de olhar;
Linda fizeste a figura
Com as pérolas do mar.
Assim só, bela moldura,
Que me põe a imaginar,
O encanto da ternura
Que uma imagem pode dar.
Seja a dádiva dos mares
A beleza dos olhares
Pela visão de um amigo.
Seja banco de imagens
A ternura das miragens
Da paixão que tens contigo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Da Terceira, ilha tua... (a Paulo Almeida)
És da ilha doce filho,
Vejo no olhar o brilho,
Um momento de nobreza
Ser da ilha portuguesa.
És do verso que partilho
És maior que grão de milho
Da ilha que tem beleza
Florida por natureza.
Paulo Almeida eu te digo
Da ilha és bom amigo
E da sua grã cultura.
Recebe abraço apertado
Da mulher que deste lado
Sabe que a saudade é dura.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dedicatória a José Maria Botelho
Há lugares escondidos
Que vistos a olho nu
Ficam sendo conhecidos
E isso bem fazes tu.
Esse eu não tinha visto
E vejo agora tão belo
Tem por certo a mão de Cristo
E por Ele sempre apelo.
À roda da nossa ilha,
Que teve o nome dele,
Há sempre uma estampilha...
E mui louvado seja Ele!
Cada vez que eu admiro
Uma imagem singular
Do meu coração retiro
Uma rima para lhe dar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Grande amigo (Euclides Álvares)
Se ouço a "Voz dos Açores"
Sinto em mim o dilema:
Recordo o velho poema
Com o timbre de mil cores.
Quando recordo os valores,
Sonoridade do tema,
Aliança em diadema
Na doação de seus autores.
É por isso que hoje digo,
Há saudade meu amigo
Do eco que algo seduz.
Tive sorte, amigo meu,
Do tanto que Deus me deu,
Deu à ilha de Jesus!
Rosa Silva ("Azoriana")
Paulo Jorge, o cantador
Ao teu lado eu cantei
Julgo que ainda sei
Como sente o coração
No momento da criação.
Louvar-te também pensei
E disso faço uma lei?!
Uma lei p’la minha mão
Somente por boa ação.
És cantador que tem brio,
De Pezinho e Desafio,
De Festas e sociedade.
És da ilha mais formosa,
És canteiro de uma rosa,
Na pétala da amizade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bravo João Mendonça!
Conheces a cor da lava,
O cheiro do tal incenso...
Ai saudade que se trava
Tão à beira do que penso?!
No peitoril da ilha brava
Pões o teu amor imenso;
Nova palavra te dava
A voar como alvo lenço...
Teu rosto em tudo se vê
E na saudade se crê,
Certo que não chega à toa.
Com o coração em gancho
És do teu soneto um rancho
Na saudade que ressoa.
Rosa Silva ("Azoriana")
A uma gaivota
Uma gaivota em Angra
Numa pose de princesa
Leve pluma de beleza
Que de alegria nos sangra.
Gaivota de heroísmo
No coração da cidade
Onde se chama à-vontade
Porto de abrigo e civismo.
Tem a visão encantada,
Portanto ela não voou,
Deixou-se ficar pousada.
À espera de alimento,
Porventura alguém deixou,
Para erguer meu verso atento.
Rosa Silva ("Azoriana")
Senhora do Carmo, de Santo Amaro
Linda Senhora do Carmo
Contigo eu não desarmo
E apetece brindar
Com minhas rimas de mar.
Santo Amaro te venera
Numa Festa tão austera
Que reúne a freguesia
E as gentes com alegria.
Bendita e louvada seja
Tua bela, linda igreja
Única na posição.
Que a Festa então prossiga
Com uma doce cantiga
No adro e na procissão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dedicatória ao poeta Fernando Mendonça, do Juncal - Praia da Vitória
Vem aí o grande dia
Porque grande deve ser
Comemorar a poesia
Que em ti vi florescer.
O que dita o coração
Ilumina a caminhada
Do livro que tem na mão
Da poesia amada.
Estou feliz por ti amigo
Por te ver sorrir agora
E podes contar comigo
Sempre pela vida fora.
A mulher, filhos e netas
Amigos e convidados
As pessoas prediletas
De aplausos acarinhados.
Grande abraço!
Rosa Silva ("Azoriana")
Santo António dos perdidos
Riem-se de mim milhões de vezes
Das rezas que decoro sem pensar
Na bruma ou na aurora dos meses
Que vejo e deixo por mim passa
Eu creio na infinita bondade
Do Santo que venera a grã Lisboa,
Por ser tanta a Santidade,
E risos que a cada pessoa.
António, de tantos o preferido
Por via do que faz aparecer,
Seja o que for que desaparecido
Acaba por nos dar a fé de ver.
Responsos esses que aqui vos deixo
De rima pura em sã lealdade;
Dessa reza nunca me queixo
Nela vejo alva flor da caridade:
“Se milagre desejais
Recorrei a Santo António.
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.
E por sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte,
O fraco torna-se forte,
Torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E não auge do furacão
Cede o mar embravecido.
De todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
Digam-no os Paduanos.
Glória ao Pai,
Glória ao Filho,
Glória ao Espírito Santo!
Rogai por nós, bem-aventurado António,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amen!”
Confia nesta oração
Pela tua vida fora
Agradece cada quinhão
Que obteres dele agora!
E que os Responsos deslizem
Pelos lábios que os ouvi…
Adoro quando me dizem:
Lembrei-me agora de ti!
2017/07/14
Angra do Heroísmo
Rosa Silva (“Azoriana”)
Nota: Ver aqui também.
Estátua em vida - Comendador Manuel Eduardo Vieira
Uma Estátua em vida
Porque sua vida é Bem
Por todos é conhecida
Por vídeo a vi também.
Permita Deus que a veja
E toque mui admirada
Antes que minha vida seja
Outra partida e morada.
Liduino Borba entrevista
E segue esta maravilha
Dá-nos também a vista
Da grandeza dessa ilha.
Ilha do Pico, a Maior,
De onde tenho uma costela,
E do Comendador melhor
Que tem direito a uma tela.
Uma tela de amizade,
Amor e dedicação,
E com a emoção que há de
Tocar nosso coração.
Façam chegar estas linhas
Da forma que eu as canto
Para lhe dar odes minhas
Ao Homem que já faz tanto.
Manuel Eduardo Vieira
Emigrante açoriano
Que tem valor na Silveira
Das Lajes o soberano.
Ato heroico e virtuoso
Que é visto e vivido:
Picaroto tão bondoso
Que amei ter conhecido.
4/7/2017
Rosa Silva ("Azoriana")
Destino
A Serreta é a viva onda
De verdes a céu aberto;
E mesmo que alguns esconda
Não lhes chamarei deserto.
Quando vou na minha ronda
Sinto o seu cheiro de perto;
Porque a ilha se arredonda
Serreta é destino certo.
Só que a onda da partida
Nas marés da nossa vida
Nunca deixa de ser crença...
Quero ao menos ser lembrada
À verde onda dedicada
Muito mais do que se pensa.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Juntos por Todos" - Na TV
É o lema de uma causa;
Os artistas não dão pausa
E juntos em unidade
Ajudam a Comunidade.
É perante uma tragédia
Une-se a multimédia
E vão aumentar a dose
De ajuda em apoteose.
Artistas de vários ramos
Cantam o que tanto amamos
Para dar-se e para darem
E para os outros levarem.
Há pessoas em sofrimento,
Tanta dor, tanto lamento,
Ao bater um coração
Bate o de uma multidão.
Vai subindo grande quantia
Com a oferta de um dia
Que vai direta pró Povo
Que precisa tudo novo.
Ouço e vejo ao pormenor
Cada artista em seu melhor
Unidos patrocinando
Não importa quanto e quando.
Este é meu contributo
O verso que é meu fruto
Para a causa divulgar
Sem nada para julgar.
Contribui como puderes
E do modo que o fizeres
Faz o bem que tens a rodos
Mas fá-lo: JUNTOS POR TODOS!
Rosa Silva ("Azoriana")
Sou... (Balada triste)
Xaile negro despontado
Candelária em escuridão
Perdida sem voz de fado
Com gente e em solidão...
Dor em ferida exposta
Coração quase parado
Da vida que tanto gosta
Num regaço esbugalhado.
Triste sem sequer querer
No pico frente ao vale
De uma vida a correr
Na corrida que faz mal.
Te peço ó Mãe querida
Corre para mim agora
Abraça-me muito sentida
Abraça Nossa Senhora.
Ai tanto do meu caminho
Desfeito em rugas, mágoas,
Postado em pergaminho
Deslizante pelas águas.
Não devo estar assim
Sem trevo de quatro folhas
Por Deus escolhe por mim
A melhor d'outras escolhas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Terceira é ave de alegria!
Alegre no seu beiral
Canta cedo a ave nossa,
Tão cedo para que possa
Amanhecer cordial.
Imitai nosso pardal
Na alegria que esboça
Pode parecer uma troça
Ter o canto sempre igual.
Aves de contentamento,
Nos cantares de Verão,
Faz bem que se esteja atento...
Mais o sol que dança e brilha
Na alegria da estação
Que aquece a Brava ilha!
Rosa Silva ("Azoriana")
Canta ilha Terceira
Terceira canta rimando
Sua rima de matriz
E as cordas vão vibrando
A melodia da raiz.
Terceira é linda e bela
Como bela é a natureza
E para se gostar dela
Há que gostar da beleza.
Terceira que és da cultura
Um enorme estandarte
Maior serás na bravura
Que se vê em qualquer parte.
Terceira que és flor de rimas
No jardim da Cantoria,
Do Pezinho que sublimas
No canteiro da alegria.
Canto e cantas a Terceira
Ilha franca e cortês
Que ergue sua Bandeira
Muito mais que uma vez
E por si já foi primeira
No seu trono português.
Canta bem a nossa gente
A cantiga regional
Na garganta doce e quente
Pelo dom original
E ao cantar quer somente
Ser ilhéu de Portugal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Angra terna fidalguia
Angra é d’oiro, Angra é joia,
Angra é feliz de contente
Que abraça um mar de gente
Numa vasta claraboia.
Azul com branco a constrói-a,
Lembrando de antigamente,
Nas fitas que levemente
Alegram a bela joia.
Ó linda e doce menina
Que abraças S. João,
Dando vivas de balão.
Flores, centro e a Marina,
Sempre leal e constante
Nobre, bela, radiante!
Rosa Silva ("Azoriana")
Ó que linda Angra do Heroísmo!
Angra cidade triunfal
De mérito e sempre leal
Que cabe no coração.
Vem aí moldura e festa
E toda a gente se apresta
Para honrar a S. João.
Vem com toda a alegria
Faz da noite o teu dia
É mimosa a receber.
Angra séquito real
Bel'ilha de Portugal
Que ama te conhecer.
Ó deslumbrante cidade
Tão florida de amizade
De fitas de quatro cores.
Vermelho, verde, azul,
Branco alindam o sul
Da Terceira, dos Açores.
Basalto de heroicidade,
Vitrina de igualdade
Património animador;
Porto de abrigo sagrado
Na marina ancorado
O veleiro navegador.
Quem cá vem gosta de vir
E saudade vai sentir
No "adeus" sem a deixar;
Angra parte corações
Com coloridos balões
Para o Povo festejar.
Quando a vires passar
A Marcha onde o teu par
Canta Angra com ternura;
Leva tua mão ao peito
Junta-te ao amor-perfeito
Com sorrisos de doçura.
Rosa Silva ("Azoriana")
S. Salvador da Sé
Altas torres dão sinal
Que é nobre a Catedral
Que nós chamamos de Sé;
O relógio só parou
Quando a terra abalou
Para ouvir brados de Fé.
Torres de verde e de branco
Ondulado solavanco
Que prima por suas cores
Dão ao mundo inspiração
E os sinos em oração
Zelam por nossos Açores.
S. Salvador patrocina
A virtude da doutrina
Que todo o cristão proclama.
Quem os seus degraus pisar
Tem tempo de improvisar
A oração que Deus ama.
Pai-Nosso que estás no Céu
Abençoa o nosso ilhéu
Que estes meus versos lê;
Dá-lhe o pão de cada dia
Saúde, paz e alegria
E mais força no que crê.
Rosa Silva ("Azoriana")
Vista matinal
Angra de peito aberto
Na paisagem que reluz...
É assim que se faz jus
Ao dia que vem desperto.
O bom dia é mais que certo
Nesta margem de Jesus,
Onde o meu olhar conduz
Novo passo-a-passo certo.
Pico d'Urze fica bem
Em frente do Brasil Monte
Que nos atrai logo em frente.
Dois picos despes além...
E que entre o vale se conte
Uma Festa, um mar de gente.
2017/06/16
Rosa Silva ("Azoriana")
Voz (a Luís Costa)
A tua voz ressoa nos bons sentidos,
Prende-se, augusta, aos meus ouvidos,
Como a lapa ao bom rochedo
E o pássaro livre ao arvoredo.
A tua voz cintila ocos gemidos,
Apodera-se, serena, dos versos lidos,
Como a aurora no céu de ouro
E a verdura no ancoradouro.
Ai, essa voz que não tem bruma,
Ressoa branda em mar de espuma
E cai, devota, em verde oração.
Abraça o verso por um postigo:
És "Poemário", em voz de amigo,
Que se dá em palma à população.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Dedicatória ao poeta de "Poemário".
Fragilidade
Eu se fosse uma rainha
Na certa coroa tinha
Nestes mares de anil;
Sou da ilha de nascença
Na saúde e na doença
Da cabeça ao quadril.
Sou apenas o que sou
O que herdei de meu avô
De meus pais a seguidora.
Também sou fragilidade
Cruzes tenho à-vontade
E a veia inspiradora.
Peço a quem ora me lê
E que na rima até crê
Como boa terapia:
Receba de coração
Os reflexos da inspiração
Mesmo com "dor" neste dia.
O sol que brilha lá fora
Se esconde em mim agora
No campo da solitude.
Sou uma pedra d'asfalto
Que não se atira do alto
Mas nele pensa amiúde.
A tristeza não se alegra
Neste vale desintegra
Em linhas escurecidas.
No meu canto a pensar
O quanto vou aguentar
Entre as vindas e mais idas.
Eu vou ao céu, volto à terra,
Eu vou ao mar, volto à serra,
Vaivém de tantos sarilhos...
Quem pudesse comandar
E grande abraço mandar
A quem renova meus trilhos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Orgulhosa Vila
Vila Nova, vila em flor,
Alva, pura, caprichosa,
Onde reina de esplendor
Numa Coroa radiosa.
Vila Nova da Terceira,
Augusta de nobre gente,
E quem a mantém ordeira
É o seu bom Presidente.
Toldos de grande história,
Calvário de esperança,
Cetro de eterna glória
Pomba que em voo avança.
Coroa da Divindade
Padroeira singular
Protege a sociedade
Sua terra e seu mar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Avé-Maria! (Santuário de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta)
Casa que me abriu a Porta
Quando mal abria os olhos
E a Santíssima Trindade
Deu-me alegria aos molhos.
Nos protege ó Casa Mãe
Nos protege a vida inteira
Mesmo que com tantas curvas
Nossa Fé é a pioneira.
Venha a nós melhor saúde
Para os caminhos da vida;
Abraça-nos bem apertados
Nossa Mãe, Santa querida!
Salve Nobre Padroeira
Desde essa serra pequena
Entra em nosso coração
E mede a nossa novena!
Rosa Silva ("Azoriana")
Dia dos Açores
Região açoriana
Hoje a palma é só tua
Viva a solene semana
Que em nós logo atua.
As nove ilhas se aprestam
Para a celebração
E de cedo manifestam
A popular atração.
Vivemos em amizade
Da serra ao oceano
Viva a insularidade
Deste Povo açoriano.
Brava gente que acarinho
Com versos de fronte erguida;
A Terceira é meu ninho,
Mas às outras estou unida.
Viva!
Rosa Silva ("Azoriana")
Pão de Pentecostes
Que o Pão do Divino
Nos traga alegria,
Saúde e o ensino,
Paz pró dia-a-dia.
Que o Pão secular
De Fé e de esperança
Esteja em cada lar
Na Santa Aliança.
Que o Pão de Jesus
Habite em nós
Nos livre da cruz
Não nos deixe sós.
Que o Pão da partilha
Seja Caridade
Mova toda a ilha
Em fraternidade.
Que o Pão da Glória
Impere em virtude
Pedaço da História
Que vem amiúde.
Que o Pão finalmente
Traga salvação
A um mar de gente
Santa gratidão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Espírito Santo de Santo Amaro
Guardo na minha lembrança
Toda essa trabalheira
Que é fazer uma festança
Para a freguesia inteira.
Um louvor aos que trabalham
Sem terem mãos a medir
E para os que Deus espalham
No seu modo de repartir.
Seja feita a Coroação
Com festa abençoada
Logo depois a Função
Que deixa a gente espantada.
Que Deus proteja a todos
Com sua Divina Graça
E que bons sejam os Bodos
Por vós, o brinde se faça.
***
Brava gente de trabalho
Que até consola a ver
Ao dizer isto não falho
Sei o que estou a dizer
Santo Amaro é o retalho
Da força de bem-fazer.
Santo Amaro é um encanto
Uma paz, uma alegria,
Que o Divino Espírito Santo
Esteja em vossa companhia
E de mim leve um tanto
Da saudade que agonia.
Rosa Silva ("Azoriana")
Coroa Divina
Beleza santificada
C'roa de quatro Evangelhos
Pelas flores perfumada
Graças p'ra novos e velhos.
Vinde Espírito Santo
Entra em nossos corações
Perfuma o nosso canto
Que é feito de orações.
Dá força à nossa fé
Quando se sentir perdida
E de quem dela não é
Faz que seja convertida.
Vinde Espírito Divino
Ao pobre e humilhado
Com Teu poder cristalino
Afasta todo o pecado.
De flores alvas e puras
No topo a linda pomba
Que voa pelas Escrituras
Num voo que jamais tomba.
Ó Coroa da Salvação
Patrona da Vila Nova
Inflamai minha oração
Que em verso se renova.
Rosa Silva ("Azoriana")
Para o amigo João Pires - Louvado seja
De beleza está coroado
Por isso não te admires
Que será sempre louvado
O amigo João Pires.
Linda a decoração
Difícil de igualar:
Sete dons e a oração
O irão abençoar.
O empenho e valores
Que ele dá com humildade,
Serão os maiores amores
P'la Santíssima Trindade.
Pai, Filho, Espírito Santo,
Na senda de cada dia,
São nesta hora o encanto
Numa sala de alegria!
Rosa Silva ("Azoriana")
Bênção das Pastas - Geologia (3°ano) - Paulo Borges
28/05/2017 - Domingo
Dia de Nosso Senhor
É para sempre louvado
Que Ele esteja a teu lado
Sim! Sejas merecedor.
Que voe o digno louvor
Do sino e o seu brado
Na hora em que foi criado
O verbo com mais Amor!
Ao nosso querido filho,
Somente e agora aqui
Estamos agradecidos.
Venha do céu vasto brilho,
Dos que mais querem de ti,
Alegres sorrisos tidos!
Rosa Silva ("Azoriana")
Balada de mãe
"Adeus" açoriano
Da ilha Terceira
Reina hoje o pano
Da tua bandeira.
Que a felicidade
Seja sempre o lema
Da maternidade
Te lego o poema.
Contigo a Cultura
Da ilha dos Bravos
Na Pasta pendura
Meus beijos e cravos.
Lembra a tua irmã
Teu irmão também;
E pela manhã
Lembra a tua MÃE!
Coimbra, 28/5/2017
***
Sei que vou partir
Querendo ficar
P'ra cá vim a rir
P'ra lá a chorar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Paulo Borges
Obrigada filho
Por tudo:
Pela paciência
Pela prontidão
Por seres o guia
Da ocasião.
Obrigada filho
Pela Pampilhosa
Por Coimbra
Pelos passeios
E as loucuras
Tantas as festas
De encantar
A ensaiar
Com teus amigos
Novos e antigos.
Obrigada filho
Pelo "santuário"
Do senhor Manaia
P'lo aniversário
Pampilhosense
Pelo Daniel Vieira
(Tem de ir à Terceira)
Também pelo Quim
Amigo sem fim...
Obrigada filho
Por todos os dias
De mais alegrias
Mesmo que o cansaço
Acabe em abraço.
Tinha de escrever
Para o mundo ver
Que estar presente
Faz tudo diferente.
Que Deus te abençoe
E alguma falta me perdoe.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bodas de Perfume
Nesta data nosso enlace,
Civil açúcar da festa,
Com perfume já se apresta
No carinho em cada face.
A alegria então dá-se,
Não se perde por ser lesta,
Bela recordação é esta
Não queremos que deslace.
O perfume de uma flor
Perfuma o nosso desejo
E adocica longo beijo...
Um brinde ao nosso Amor
E que o Amor não esfume
A doçura do Perfume!
Rosa Silva ("Azoriana")
Espelho de mim
Ampliado ou reduzido
O espelho me reflete;
Contudo não me compete
Mudar o que tenho vivido.
Se me tenho divertido
Como cousa que promete?!
Foi dois mil e dezassete
Pelo bem de ter nascido.
Como é bom ter-te a meu lado
Meu amor, tanto cuidado,
Nem tanto sequer mereço...
És o espelho de mim,
Um cravo do meu jardim,
Sol da escrita que agradeço!
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao Fernando Mendonça
Ambos fora da nossa ilha,
No mês de Virgem Maria;
Teu livro a maravilha
Que conheceu luz do dia.
Portanto peço à Senhora
Que o queiram admirar
E não levem muita demora
Para com ele ficar.
Um poeta da Terceira,
Do Juncal, e bom praiense,
Merece de toda a maneira
O gosto que lhe pertence.
Viva, viva, o Fernando,
Mendonça de apelido,
Que louvo de vez em quando
Muito mais lhe é devido.
Rosa Silva ("Azoriana")
Amor brilhante
Ó estrela citadina
Com vista verde e anil
És de uma ilha subtil
Que preza a graça divina.
Ó cidade vespertina,
Abençoada em perfil,
Céu, mar e Monte Brasil
Mais ilhéus de vista fina.
Ó minha terra adorada,
Ó cidade acetinada
Angra mor leal, constante.
És o doce pergaminho
Meu enlevo, meu carinho,
Cidade de amor brilhante.
Rosa Silva ("Azoriana")
Encontro feliz
Jamais esquecerei este dia
Em que eu fui visitar Góis
Foi um dia de alegria
Para relembrar depois.
Cara Clarisse amiga
Que alegre me recebeu
Eu dou-lhe a minha cantiga
Para saber quem sou eu.
O Marquês, belo gatinho,
Companhia tão airosa,
Fez um gesto de carinho
Olhando a visita: Rosa!
Judite já me esperava
Só que era muito cedo
Um beijinho ela me dava
E de mim não teve medo.
Haja alegria no Céu
Onde estão as nossas mães,
Tiro-lhes o meu chapéu
E vou dar-lhe os parabéns!
Quando for daqui embora,
Na certa levo saudade,
E peço a Nossa Senhora
Que nos dê felicidade.
23/5/2017
Góis - Coimbra. Clarisse Sanches e Rosa Silva
Roseiral (À Poetisa de Góis)
Pessoas são como rosas
Abertas como em botão
Neste dia gloriosas
Entre Góis e a Região.
No jardim das mais formosas
Perfumam o ar e o chão
Entre os verdes amorosas
Dão gosto à nossa visão.
Não sei se eu já vos disse
Que há uma flor Clarisse
No jardim de Portugal.
Ela escreve, é poetisa,
Da sua mente desliza
Precioso roseiral.
Rosa Silva ("Azoriana")
22/5/2017. Coimbra
Vou levar-te comigo
Seja para onde for
Uma ponte sem perigo
Andorinha negra cor.
Tantas vezes eu a vi
Na chegada e na partida
Que dela eu consegui
Recordação para a vida.
Coimbra de Veteranos
De lares entre a verdura
De baladas, soberanos
Fadistas e sã cultura.
Santa Isabel a Rainha,
Pedro, Inês e Santa Clara,
A ponte da andorinha,
E no alto a "Cabra" rara.
Coimbra é sempre assim,
Já nos dizem outras gentes,
Só quando chega o fim
Vêm as lágrimas cadentes.
Por mim mantenho saudade
Da minha Terra querida
Digo com sinceridade
Vou amá-la além da vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Pampilhosa do Botão
Para chegar à da Serra
Tem de ver a do Botão
É um pedaço da terra
Que orgulha a Nação!
Eu conheço a do Botão
Pampilhosa assim se chama
Fez bater meu coração
Passou por lá quem me ama.
Meu filho música toca
Na Banda de nobre gente
Por isso fico contente.
No "Santuário" se anota
Um golo de boa pinga
Com ele ninguém se vinga.
Rosa Silva ("Azoriana")
Açorianas
Nove ilhas de belezas
Sempre beijadas de mar
Tanto faz ir e voltar
São pequenas de grandezas.
Muralhas e fortalezas,
Tem Cultura para mostrar;
Cada cais, muro a dobrar,
Âncora velhas riquezas.
O que vejo desta vez
Território português
Rios, pontes e campismo...
Faz com que lembre amiúde
Das ilhas em plenitude...
Ilha é obra de lirismo!
Rosa Silva ("Azoriana")
Em 14 de maio, em Braga
Mesmo olhar, mesma paz,
Duas vidas numa só,
Só assim eu sou capaz
De rodar como uma mó.
Estar unidos satisfaz
E de nós não tenham dó,
A inveja se desfaz
Como quem desfaz um nó.
Pois nem sempre a pacatez
Se vê assim nos olhares
Noutros lados e mais lugares.
Foi maio que assim nos fez,
Bom Jesus da linda Braga,
Que os grandes males apaga.
Rosa Silva ("Azoriana")
13/5/2017. Passeio por Guimarães
Iluminai-me Senhor
Para que te escreva bem
O perfume de uma flor
Perfume e escrita também.
No berço de Portugal
Onde andou o nosso Rei
Muralhado sem igual
Nos seus passos eu andei.
Não levo nenhum queixume
Terra de patriotismo
Somente o teu perfume
Numa quadra de lirismo.
Guimarães, ó Guimarães,
Fonte de inspiração
Todo o terreno que tens
Rege a nobre Nação.
Rosa Silva ("Azoriana")
Plátano serretense
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Estou tão longe de ti
Mas é o mesmo que sentir
Que ao ver-te desde aqui
Estás em mim e no porvir.
O meu verso é só teu
Porque meu é o lugar
E bem pertinho do céu
Está a musa do meu lar.
Quando voltar e esse chão
Na certeza de um desejo
Abraço o meu torrão
E mais perto dou o beijo.
Meus amores, minhas flores,
Minhas pedrinhas do mar,
Minha terra, meus Açores,
Tenho mesmo que louvar.
Forum. Coimbra. 8/5/2017
Rosa Silva ("Azoriana")
