A tua voz ressoa nos bons sentidos,
Prende-se, augusta, aos meus ouvidos,
Como a lapa ao bom rochedo
E o pássaro livre ao arvoredo.
A tua voz cintila ocos gemidos,
Apodera-se, serena, dos versos lidos,
Como a aurora no céu de ouro
E a verdura no ancoradouro.
Ai, essa voz que não tem bruma,
Ressoa branda em mar de espuma
E cai, devota, em verde oração.
Abraça o verso por um postigo:
És "Poemário", em voz de amigo,
Que se dá em palma à população.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Dedicatória ao poeta de "Poemário".
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