Olh'á morcela!
Tenho cá na ideia minha
Não quero ofender ninguém:
Cada qual puxa a sardinha
À brasa que lhe convém.
Uns puxam para o Rally
Para outros chove a sério
Ágata canta hoje aqui
Na Festa santa do Império.
S. Carlos está cinzento
A chuva cai abundante
Só espero chegar o momento
Que a mesma se levante.
Mas é tempo de chover
Para lagos e lagoínhas
A festa se há de fazer
Com palmas tuas e minhas.
Rosa Silva ("Azoriana")
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Algumas imagens da inauguração da Casa Mortuária da Serreta a 27/09/2013, sexta-feira, pelas 18:30
Peço desculpa pela pouca qualidade da imagem mas antes é o que consegui editar com os meus parcos recursos tecnológicos. Há de haver quem tenha melhor imagem para facultar.
O que interessa deixar presente é todo o evoluir de uma freguesia cuja população é pouca mas com grandes valores que lhes legaram os antepassados que se hoje estivessem vivos ficariam orgulhosos de ver a "sua" Serreta ter, finalmente, o que muito os teria gratificado na hora da despedida eterna. Em vez de recorrer a outros edifícios fora da freguesia, hoje já têm um espaço multifacetado para receber e guardar o que os populares vão deixando na sua passagem terrena. Urge repensar atitudes e algumas formas de pensar que em muito prejudicam a vivência terrena. Dê-se valor a quem o merece e sobretudo a quem, seja como for, deu o seu contributo com mérito à freguesia onde nasceu. Sérgio Cardoso deu doze dos seus anos para que a Serreta tivesse o possível e impossível dada a escassa população.
Merecem também os maiores louvores os nossos emigrantes, cuja naturalidade está registada como serretense. Para eles fiz esta edição de imagens para também agradecer toda a sua contribuição para que a "sua" Serreta seja sempre um altar de romaria, de fé, de importante ponto de encontro de tantos e tantas que no meio de tormentas recorrem à Mãe que lhes dá sempre o tónico para a vida ou para aceitar o que por vezes é o caminho para a eternidade.
Bem-haja as crianças que serão os homens de amanhã e peço-lhes que zelem pelo que os seus pais e avós lhes conseguiram deixar como herança gratificante com o suor dos seus trabalhos e alegria da sua identidade.
Bem-haja todo aquele que mesmo não concordando com isto ou aquilo, no fundo, sente que é ali que passam as últimas horas de uma despedida que ficará na memória conjunta. Quem me dera que todas as pessoas das nossas freguesias pudessem estar assim felizes por obra feita como eu, pese embora não residir na minha original, estou por ver a Serreta ir contando na realidade regional dos nossos queridos Açores.
Fica assim o meu testemunho de amor pelo que vejo de bom ser construído com arte, valor e amor.
Meu amor teve uma faceta
Que foi minha capital
Ter nascido na Serreta
Foi um lírio especial.
Foi lá que me ri primeiro,
Foi lá que também chorei,
Entre o denso nevoeiro
Foi lá que ressuscitei.
Por isso a bela rosa
No bico de alva ave
No meu peito já repousa
Me fechará sem ter chave.
Adoro as nossas flores
Nas coroas ou nos ramos
São como versos de amores
Que, enfim, por cá deixamos.
Rosa Silva ("Azoriana")
2013/09/28
2013/09/27, sexta-feira, 18:30 - Inauguração da Casa Mortuária da Serreta
Eu vi um homem chorar
Dizem que o homem não chora
Porque conseguiu inaugurar
Mesmo que em cima da hora
Do seu ofício acabar
E sofreu muito até agora.
Foi um sonho o seu projeto
Numa Junta de pouco povo
Talvez nem teve dele afeto
Mas isso já nem é novo
O ato final foi concreto
Por isso eu muito o louvo.
Agora daqui para a frente
Quando alguém ali falecer
Na freguesia de pouca gente
A sua urna já ali vai ter
Sala melhor e decente
Antes de à terra fria descer.
Juro que quem for lá primeiro
Nas tábuas de um caixão
Vai saber o mundo inteiro
Que junto à consternação
Terá na Casa o letreiro
Chorando com a população.
Minha gente tão querida
Ninguém fica pra semente
Pode-se brincar com a vida
Mas a morte é simplesmente
O que torna a despedida
Um luto e uma dor ardente.
E quando um dia me for
Levo dentro do meu peito
O que fiz com muito amor
E também o mal em preito
Agradeço muito ao Senhor
Por ter visto o último leito.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dizem que o homem não chora
Porque conseguiu inaugurar
Mesmo que em cima da hora
Do seu ofício acabar
E sofreu muito até agora.
Foi um sonho o seu projeto
Numa Junta de pouco povo
Talvez nem teve dele afeto
Mas isso já nem é novo
O ato final foi concreto
Por isso eu muito o louvo.
Agora daqui para a frente
Quando alguém ali falecer
Na freguesia de pouca gente
A sua urna já ali vai ter
Sala melhor e decente
Antes de à terra fria descer.
Juro que quem for lá primeiro
Nas tábuas de um caixão
Vai saber o mundo inteiro
Que junto à consternação
Terá na Casa o letreiro
Chorando com a população.
Minha gente tão querida
Ninguém fica pra semente
Pode-se brincar com a vida
Mas a morte é simplesmente
O que torna a despedida
Um luto e uma dor ardente.
E quando um dia me for
Levo dentro do meu peito
O que fiz com muito amor
E também o mal em preito
Agradeço muito ao Senhor
Por ter visto o último leito.
Rosa Silva ("Azoriana")
S. Carlos em festa [2013]. Ceia dos criadores
Em louvor do Santo Espírito
A sopa é uma tradição
Na ceia dos criadores
Leva-se no coração
O selo do Espírito Santo
Rosa Silva (“Azoriana”) 2013/09/26 |
Honor to the Holy Spirit
The soup is a tradition
At the creator’s meal
We take in our heart
The Holy Spirit seal
Rosa Silva ("Azoriana") (Traduzido recorrendo ao apoio do Google translator e minha tradução) |
Quinta-feira do Pezinho em S. Carlos - Ilha Terceira - Açores (26/09/2013)
À mesa da devoção
Em S. Carlos os criadores
Quinta-feira do Pezinho
E louvado seja então
Louvo também a Comissão |
O Rodrigo que o diga,
E prós restantes rapazes
Nobre povo terceirense
Toda a festa é fecunda
No Altar desta semana |
admiro[TE] - Instantâneos de uma vida
Talvez um dia seja uma vida (de tantas vidas mais) que povoa um cenário ilhéu. Um homem, uma máquina, a mulher e a folhagem, numa valsa de cores ilhoas tão naturais como a sede de viver a vida tal como ela é.
Pode parecer um sonho sem realidade, por enquanto. De início pode parecer algo inimaginável à luz de experiências que poderão surgir sob a voz de um “corta”, “vira mais para ali”, “abaixa a cabeça”, “levanta o olhar mais para ali”, “não te vires tanto”, “fala mais alto”, “ora deixa cá ver onde te enganaste”, “podes chegar-te um bocadinho para a direita”, “temos de repetir”, “agora fui eu que não tinha ligado a máquina”, por entre risos, gritos, aclamações, num faz e desfaz quase sem interrupção.
É assim. É desta forma que SONHO o que poderá vir a ser, quem sabe um dia, uma realidade feita ao correr das ideias articuladas entre um homem e uma mulher que munidos do aparelho máquina e na presença natural da folhagem façam nascer o que de bom se ouviu, pesquisou e se trouxe aos arquivos vindouros.
Ai! Como diria a minha falecida, santa, mãe: - Continua, estás no bom caminho! Foge dos maus caminhos e ergue o pedestal de uma vida...
E pronto, calou-se a voz interna perante o meu espanto. Será mais um sinal do além?! Mais um “faça-se” e eu terei de responder: - Pois, sim, minha mãe! Vai-se fazer.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Mais um para o primogénito
Muitos parabéns Luís Carlos!
Hoje é dia de festa para ti e para quem te quer bem, que sou eu a tua mãe!
(...)
Parabéns da mãe e manos
Parabéns de todos nós
Tenta seguir sem enganos
Porque a vida é veloz.
Rosa Silva ("Azoriana")
E "voilá" um "post" a meias (com direitos autorais)
"quem não tem que fazer também não tem em que pensar" - esta frase tem dona mas não sou eu.
Isto a propósito do que se segue:
Perguntei-te sobre o medo:
- O que é o medo? Ou melhor escrevendo, o que é ter medo?
- Quem terá sido o primeiro a descobrir o medo?
- Como se transmite o medo?
- Quais as consequências imediatas de ter medo?
- O medo é pior que a dor, que a saudade ou que a solidão?
- Será pior nem se aperceber do que é o medo?
- O medo pode matar?
- Quanto mais medo mais fragilidade ou fortaleza?
- O medo será sinal de fraqueza ou ansiedade?
- Fingir medo faz medo?
E a resposta veio em riste:
- Com esta chego à conclusão que quem não tem que fazer também não tem em que pensar!
E pronto foram-se os medos e vieram as verdades. Simples.
Na volta deliciei-me na rima:
Perguntei-te o que era o medo
Respondeste com a razão
Disso não faço segredo
Deste-me a grande lição.
«Quem não tem o que fazer
Também não tem o que pensar»
O mesmo será dizer
Que a verdade é para se dar.
Revelo outra verdade
Que da mente se descerra
O sono em quantidade
Também a mente enterra.
O sono também nos diz
Conselhos sem atropelos
Sem pesadelo é feliz
Ao invés são maus novelos.
Rosa Silva (“Azoriana”)
P.S. A dona da expressão se quiser pode comentar com a identidade :)
Navegando pelos blogs lembro que o...
O FADO É
O fado é alma alada
De sofrimento e paixão
Tem a letra ancorada
Nas paredes do coração.
O fado é uma escada
Nos degraus da emoção
É tudo e quase nada
Que se prende à solidão.
É meigo quando há tristeza
É fé quando há mistério
Um trinado à portuguesa...
Quem o fez foi Marceneiro
E fez dele um caso sério
Deu-o ao mundo por inteiro.
2013/09/24
O fado é alma alada
De sofrimento e paixão
Tem a letra ancorada
Nas paredes do coração.
O fado é uma escada
Nos degraus da emoção
É tudo e quase nada
Que se prende à solidão.
É meigo quando há tristeza
É fé quando há mistério
Um trinado à portuguesa...
Quem o fez foi Marceneiro
E fez dele um caso sério
Deu-o ao mundo por inteiro.
2013/09/24
Rosa Silva ("Azoriana")
In comentário no blog: "Ti" Alfredo Marceneiro - O Patriarca do Fado.
Mérito ao autor do blog "O Porto da Graciosa"
Ao "Porto da Graciosa"
Cá vai nova sugestão
Êxito na construção
Que a Graciosa enfeita.
E os muros cinzentados
Merecem cunho humano
Por crianças desenhados
Com alma de açoriano.
Tintas, mãos e o pincel
Dos veleiros e navios
Cada qual com seu painel
Ilustrem seus desafios.
Não há mal que aconteça
Ao Veleiro que desenha
No mural e agradeça
A função que desempenha.
Ao autor desse bom Porto
Que na Graciosa fica
Tenha sempre o conforto
Da palavra nobre e rica.
Por tudo o que ali dá
Sem pedir a recompensa
O mérito aqui está
E tudo o mais se dispensa.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Tudo começou aqui (siga o link)
É (quase) já a seguir...
Há histórias que começam com “Era uma vez”. Esta não. Talvez porque não aconteceu ainda. Está latente e eminente ao virar de uma tardinha que desejo que aconteça. Como se começam as histórias do porvir? “E será assim”… mas e se não é?! Fico pelo desejo misturado com uma ansiedade da realização de um sonho comum a várias mentes. Ainda não palpei o físico de uma encadernação que compila uma homenagem em vida. Como é bela esta efeméride: as homenagens querem-se em vida para que consigamos ver a luz do olhar, o brilho do sorriso e/ou o cristal de lágrimas amorosas e agradecidas que caem no regaço da emoção. É sempre uma emoção quando se leva a efeito o que de melhor há a qualquer nível mesmo que, pelo meio, haja algum burburinho, alguma azáfama, alguma correção ou afino de carateres.
Imagino mais ou menos assim o evento… Vão chegando algumas individualidades, cidadãos que cruzam connosco no dia-a-dia, alguns que apenas cruzamos de vista, outros que até já atuaram ao nosso lado em inúmeras circunstâncias e outros, ainda, que nem nos querem ver por perto, mas ali estão prontos para o que der e vier. Alguma conversa animada ou nem tanto. [E se há chuva?! Mudança de planos e de palco]. Atravessa-se a assistência e abraça-se quem nos estende a saudação. Cumprimenta-se com o olhar, com a mão e com qualquer ato solene de um encontro de familiares, amigos e conhecidos entre algum visitante da grande hora. E eis que se afina a garganta para o discurso de apresentação. Uma voz conhecida e ponderada tece uma oratória possível. Aplausos já os pressinto à distância de uma tardinha que desejo que aconteça… Os ânimos povoam de alegria o recinto repleto de entusiastas e amigos do que é nosso e fiéis ao mesmo discurso vão formando fila para palpar o físico de uma encadernação posta em cena.
Sei bem o que são estas horas prévias… Ah, como sei! Os órgãos saltitam dentro de nós. Procura-se a melhor indumentária que se tem. Embeleza-se o corpo e a mente. Nem há apetite para a refeição que se salteia com o gosto de se fazer algo diferente e único. Apressa-se a saída e galga-se caminho para atingir a meta desejada. Procura-se encontrar nos olhares, que vão chegando e nos circundam de afetos num plural sentimento que trespassa o coração em êxtase, o mesmo brilho. É chegada a hora do lançamento… Um livro nasceu, cresceu e multiplicou-se perante uma mão cheia de convidados… É vê-lo florir… E fica-se como que a querer prender o tempo… Não te vás! Fica… Fica… E a emoção galopa até ao fecho do pano… E toda a adrenalina se dissipa… Voltam os órgãos ao seu estado normal… E aquela ansiedade dá lugar a um sossego aparente…
Ao longo dos dias, meses e até anos, recorda-se aquele momento em que tudo floriu num canteiro de gente que ama o que se faz em prol da cultura popular açoriana. Imagino que seja este o mote para o evento que tarda em chegar e se realiza logo mais [na véspera do aniversário do meu primogénito]. Sinto a mesma euforia como se o evento se repetisse e fosse meu. É assim quando se ama (porque amar é querer bem) quem dedica uma vida a acarinhar, ajudar e servir os outros sem pedir nada em troca. É assim o caso de alguns amigos que tenho e que nem vou nomear para não melindrar outros tantos que dariam uma lista infinita.
Bem-haja, a ti, a ti e a ti… etc.
Angra do Heroísmo, 24 de setembro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Artigo histórico de Fagundes Duarte
O ideal e recomendável seria pedir autorização ao autor e/ou ao diretor do jornal, para republicar na íntegra o conteúdo do Folhetim 637, de Luiz Fagundes Duarte, cujo título é nem mais nem menos do que o nome dado a um restaurante serretense, típico, claro está, e que me fez recordar outras eras numa história que já conhecia mesmo sem me lembrar do tal personagem nem da recente descoberta do que aconteceu às galochas do mesmo. Que a filha tinha falecido de corrente de ar também já sabia. Mas as galochas é que me plantaram um sorriso e, caso eu fosse leiga, perdoaria a ocorrência como medida de louvar a escrita sempre inimitável e sábia do conterrâneo Fagundes Duarte.
Leio e volto a ler.
Copio e colo como que numa vontade da escritura prevalecer tal e qual foi gerada e digna de ser considerada um ARTIGO HISTÓRICO, com todos os requintes de um passado recente. Desta escrita sem mácula podem-se extrair tantas vivências e formas de vida de um paraíso terrestre. Ei-la:
Folhetim (637)
Luís Fagundes Duarte
Ti' Manuel Xôa
Hoje não há na Terceira quem não conheça o restaurante típico Ti Xôa. Na Terceira, e um pouco por todo o lado, até porque já foi tema de artigos em grandes jornais de referência nacional. Mas muito poucos saberão o porquê deste nome. Por isso, e com licença do Sérgio Cardoso, seu proprietário, apetece-me hoje contar a história deste nome, que faz parte da minha história de vida.
Naquela casa, que era de pedra não rebocada, vivia o Ti' Manuel Tesoureiro, mais a sua filha Deolinda. Ele tinha sido emigrante por longos anos, primeiro na Argentina, e depois nos Estados Unidos, de onde regressara antes de eu nascer, não me recordando agora se a Deolinda já nascera ali ou separa ali teria vindo já nada. Sei que ele era viúvo, mas não me recordo de qualquer referência à sua defunta mulher: só sei que, durante toda a minha infância, viviam naquela casa o Ti' Manuel Tesoureiro mais a sua filha Deolinda - uma solteirona meia entradota e roliça, a dar para o serva de Deus, de basta cabeleira loira e óculos muito grossos de míope extrema assentados num nariz arrebitado com as narinas alargadas de tanto enfiar rapé. Ela passava o dia à janela, vendo quem passava com os seus olhinhos miudinhos, e ele na sua faina de lavrador pobre, muito magrinho nas suas calças de cotim, nas suas sapatas de sola de pneu atadas com atilhos de coiro, e, entre as calças e as sapatas, os baixos das suas ceroulas brancas com os atilhos a dar-a-dar. Quando o chão estava mais alagado, as sapatas eram substituídas por umas galochas de madeira, com que ele - clapt-clapt-clapt - assinalava o seu passar no alcatrão do caminho.
O Ti' Manuel Tesoureiro falava com um acento espanholado de ex-emigrante sudaca e, fosse a propósito do que fosse, exclamava sempre "xôa! xôa!", o seu bordão linguístico para significar "sim", "com certeza", "tens razão!", muitas vezes completado com um "sim" - "xôa que sim!" -, a marca indefectível de ex-emigrante nas terras a América que assim reproduzia o "sure!" que os americanos, no seu falar inglesado, tanto gostam de utilizar por dá cá aquela palha. E por isso era mais conhecido por Ti' Manuel Xôa, ou, mais lampinho, por Ti' Xôa - designação que o meu amigo Sérgio inteligentemente adoptou para nome do restaurante.
Entre outras coisas, o Ti' Xôa capava porcos, operação que nesses tempos de falar pudicício era designada por "amanhar": ou seja, ele amanhava porcos. Um dia, a chamado de meu Pai, foi lá a casa para amanhar um porco; mas como tinha chovido muito, a rua do porco estava toda enlameada - pelo que o Ti' Xôa, para não estragar as galochas novas, as deixou do lado de fora, arregaçou as calças e as ceroulas, afundou-se na porcaria da rua do porco (passe o pleonasmo), e enquanto sacava da navalha (com que também cortava as fatias de pão e os nicos de queijo de S. Jorge na hora da comida) para amanhar o porco - que desatou a gritar de morte, de tal maneira que ainda hoje me arrepia e me leva a proteger com as mãos certas partes de mim -, eu não resisti a um impulso cá de dentro e vai daí roubei-lhe as galochas e fui escondê-las na rua das galinhas ao lado. O pior foi a palmada que apanhei depois, quando o meu Pai descobriu a marotice, e o remorso com que fiquei quando, dias depois, a Deolinda, tendo ido pôr-se à janela depois de ter lavado a cabeça com água quente e sabão azul e branco, apanhou uma pancada de vento encanado e morreu. Assim.
Depois de enterrar a filha, o Ti' Xôa nunca mais foi o mesmo: era uma alma penada nas suas ceroulas e no seu "xôa que sim!".
E eu nunca me perdoei de um dia lhe ter roubado as galochas.
Porque amanhã custa a chegar...
Amanhã é um dia que anseio que chegue. Irão juntar-se alguns amigos da cultura popular açoriana no decurso de uma festa de Império, em louvor ao DES Divino Espírito Santo, de S. Carlos, de Angra do Heroísmo.
Um livro será lançado com a apresentação do Dr. Cunha de Oliveira cujo dom da palavra espera-se supremo. Haverá encontro de abraços para quem vem propositadamente para o evento: um amigo do continente que ama as ilhas açorianas, especialmente o que brota genuíno das mentes ilhoas. Seu nome é José Fonseca de Sousa que ao lado do nosso escritor Liduino Borba ficará, desta feita, no topo de um registo bibliográfico como um “açoriano” de coração.
Apraz-me escrever estas linhas vespertinas com o desejo sincero de muito sucesso nesta efeméride que traz a lume o culminar de uma homenagem ao Comendador, entusiasta da nossa cultura popular - Luís Bretão. Este, também, é um amigo que um livro me deu a conhecer, o meu livro apresentou e, agora, faz-se em livro o que é digno de o ser.
Nada acontece por acaso, é comum ouvir-se na voz do povo. Tudo tem um objetivo nem que seja o gosto por ver o brilho do olhar de quem nos habitua e concede sorrisos. O valor das pequenas grandes coisas é suficiente para ajudar na caminhada apressada pelo tempo que deixa um rasto de amizade e amor ao que faz crescer em sabedoria e valor cultural.
Por vezes o amanhã custa tanto a chegar. É o pensamento que me circunda hoje.
Não faltes ao saborear das palavras açorianas com um punhado de sorrisos e emoções fortes.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Luís Bretão - UMA HOMENAGEM (em livro)
Lançamento no dia 24 de setembro
Adro da Igreja de S. Carlos - Angra do Heroísmo
pelas 21:00
com animação cultural:
música tradicional terceirense com modas regionais,
pezinho
e velhas.
Autores: José Fonseca de Sousa e Liduino Borba.
pezinho
e velhas.
Autores: José Fonseca de Sousa e Liduino Borba.
Confrades da Poesia - Boletim nº 58, de setembro/outubro 2013
Agradecimento
Prezado e amigo Confrade
Uma alegria me destes
Na nova edição que há de
Gratificar o que fizestes.
Na «Tribuna do Poeta»
In Boletim cinquenta e oito
Página sete cuja meta
É dignificar quqlquer intróito.
Estou muito sensibilizada
Com a vossa seleção
Minha escrita nela içada
Partilha vossa boa ação.
Viva Confrade Pinhal Dias
Foi grande o meu espanto
No fundo minhas alegrias
Pai, Filho e Espírito Santo.
Obrigada!
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Veja-se também "Homenagem aos Açores", in Boletim nº 33, de fevereiro / 2011
18 Anos do SAPO (e 9 anos de AZORIANA)
No SAPO quero estar
É um sítio de valores
Hoje venho solicitar
Um template para "açores".
Nove anos a blogar
Entre choro, risos e flores
Talvez mereça ficar
Com imagem em novas cores.
Se a rima vos enfada
Foi no SAPO que se gerou
E hoje não custa nada.
A palavra vem sem medo
Cada post a divulgou
Sempre ao correr do dedo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Algumas imagens a recordar
Festas da Serreta em alguns vídeos por mim editados. (Veja aqui)
Espero que gostem pese embora ser uma edição de amadora.
Rosa Silva ("Azoriana")
Um novo dia
Ainda mal se fecharam as “contas” da festa recente julgo que já estarão a pensar na festa que há-de vir, se Ela quiser. Entre sexta-feira (6 de setembro) e quinta-feira (12 de setembro), em que se deu um pequeno interregno no sábado à noite no que me diz respeito, houve milhares de flores, cedros do mato, girassóis, bandeiras, música, fogo preso, muita mas muita gente mesmo (em romaria), lágrimas, risos, beijos, abraços, manjares, odores múltiplos, cor e cores, procissões, piqueniques, tourada da Praça do Pico da Serreta, Bodo de Leite (temático - Divino Espírito Santo), merendeiras de Santo António, missas, espetáculos noturnos (gostei de Victor Ponte), instrumentos de corda, bazar, tourada na rua principal do Santuário, bezerrada no mesmo tradicional cerrado dito Praça da Serreta, movimento automóvel, bicicletas, carroças, cavalos (nunca tinha visto tantos cavalos juntos a trote pelas ruas da Serreta), voluntários, romeiros, mordomos, famílias, amigos, doentes, sadios, risonhos, esmolas, rezas, terços, alfenim, lembranças, rosquilhas de massa sovada, bebidas múltiplas, homenagens, filarmónicas, cadeiras de rodas, crianças de todas as idades, velhinhos, figurantes, párocos, opas, foguetes, círios, lampadário, cânticos, hinos, pregações, cantoria, pezinho, diálogos, monólogos, encontros, partilha, trabalho, lazer e pouco descanso.
E ainda, versos e palavras orais e escritas. Lembro que Fagundes Duarte, serretense de gema e secretário regional da educação, foi entrevistado pelo jornal “Diário Insular” e relembrou muito do que foram e são as Festas da Serreta: LUIZ FAGUNDES DUARTE "...o grande momento das Festas, aquele que marca a diferença relativamente a todas as outras, são as romarias" in DI, do dia 5 de setembro de 2013.
Da leitura completa do artigo publicado vinco uma parte que eu própria não lembrava: “Ah! E havia os lampiões, com um candeeiro de petróleo lá dentro, que as pessoas punham nas varandas das casas para guiarem os romeiros, durante a noite, a caminho da Igreja...” (Isto no tempo que não havia eletricidade, claro).
O resto da leitura está ao alcance do assinante ou leitor do físico em papel.
Fé, cultura e tradição estarão sempre no role das Festas, quer religiosas quer profanas, independentemente dos acessórios, da eletricidade, dos transportes (antes - charabanos, carroças, camionetas da carreira; depois - automóveis e camionetas modernizadas), melhoria das condições económicas das famílias e das habitações, que vão dar no mesmo: fascínio e alegria à chegada e nostalgia na partida, conforme é também a opinião de Fagundes Duarte.
Ponho-me a bom pensar e extraio ideias para o futuro próximo. Estas podem ser um bocado dispendiosas mas têm direito a um título (X XXXXXXX XX XXX), apropriado e alusivo aos 250 anos de festividade de Nossa Senhora dos Milagres, ainda antes de ser considerada freguesia a “nossa” Serreta.
Só revelarei o significado dos “X” se alguém perguntar.
Angra do Heroísmo, 16 de setembro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Festa da SERRETA 2013 - Bodo de Leite
Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013
É uma festa tão bonita,
Um altar ornamentado
Quem reza (2) o terço a cantar
E não vamos esquecer
As cantigas entoadas |
No fim do terço a preceito
Na quinta se enfeita o gado
Pão, queijo, favas escoadas,
Os marchantes vêm então
Esmolas, alcatra e cozido |
Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013 (continuação)
Antes disto acontecer
O padre benze e coroa
Em alas regressa a casa
O sino e os foguetes
Igreja, Despensa e Império, |
Há rosquilhas e alfenim
Entre trabalhos e orações
Fonte de água cristalina
Entre as rodas da alegria
A Serreta vive a festa |
Nota: Cinco quadros temáticos, em cortejo da antiga escola até ao Santuário, com faixas identificativas: (1) "Vinde Espírito Santo; (2) Reza do Terço; (3) Briança; (4) A Coroação; (5) As Fontes.
Angra do Heroísmo, 16 de setembro de 2013
Rosa Silva ("Azoriana")
José Fonseca de Sousa escreve sobre a divulgação da Cultura Popular Açoriana
Um olhar continental sobre a divulgação da Cultura Popular Açoriana
Poder-se-á perguntar porque sendo eu do continente, me esteja a debruçar sobre a Cultura Popular Açoriana; a resposta, para mim, é óbvia; sempre me interessei pela cultura popular do meu país e sendo os Açores uma parcela do nosso território português, nada mais natural que isso aconteça.
Nas inúmeras deslocações que tenho realizado a todo o Arquipélago açoriano, fui-me apercebendo que os Açores não devem ser só apreciados pelas suas belezas naturais, mas também pelas celebrações das suas atividades culturais, e outras festividades populares e tradicionais, que com uma envolvência religiosa ou profana, são, para mim, um caso singular, em comparação com outras regiões territoriais do nosso País.
Foi no relato, quer oral, quer escrito, destas manifestações, realizadas das mais variadas formas, quer através de Livros, quer através das Cantorias, e de outros agentes culturais, que me foram chegando (em território açoriano), ou me foram enviados (para o continente), por três distintos açorianos, o senhor comendador Luís Bretão, o escritor/editor José Liduino Borba e a poetisa Rosa Silva (Azoriana), que assim me proporcionaram a possibilidade de poder apreciar e dar um maior valor às tradições das gentes açorianas e à sua cultura.
Para mim é impressionante a função social e cultural que está contida e é percetível através, dos Bodos, dos Pezinhos, das Cantorias, dos Bailinhos e Danças de Carnaval, das Marchas, das Filarmónicas, do Teatro, das festas do Espírito Santo, e até das próprias touradas à corda, e de outros eventos, quer religiosos quer profanos, que são realizados durante todo o ano, pelas gentes açorianas, quer no Arquipélago, quer na Diáspora, e que, estranhamente são quase desconhecidas no Continente.
É com alguma apreensão que verifico que, no continente, os Açores sejam só referenciados, ou conhecidos, pela maioria dos continentais, pelas suas belezas paisagísticas, ignorando-se quase em absoluto a riqueza cultural açoriana, como atrás salientei. Quanto a mim, este facto deve-se à inexistência de um polo ou um organismo, que no continente, pugne de uma forma concreta e persistente na divulgação, junto dos continentais, das atividades culturais dos açorianos, o que poderia ser feito pela comunidade açoriana, residente em Portugal continental, através da Casa dos Açores em Lisboa, desde que esta fosse devidamente apoiada pelas entidades oficiais, ou seja, pelos responsáveis governamentais da cultura açoriana, e que deveria arranjar forma de poder propagandear algumas das suas realizações às populações do continente.
Outras regiões do nosso País, que têm sido apoiadas, conseguem desenvolver uma atividade constante na divulgação da sua cultura regional, fora das suas fronteiras, através da publicação de livros dos seus escritores, deslocações de grupos de teatro, bandas filarmónicas e de grupos de dança folclórica, que “transportando” a cultura popular, tornam-se assim importantes fatores para a divulgação das respetivas regiões, atraindo, deste modo, gente interessada no conhecimento da cultura e tradições dessas parcelas territoriais.
Se o caminho a percorrer pelos organismos oficiais açorianos for este, tenho a convicção absoluta que muita gente do continente passará a ir aos Açores para ver as suas belezas naturais, mas também para conhecer, apreciar e partilhar toda a vivência cultural, religiosa e tradicional com esta gente generosa, que vive, quer se queira, quer não, num território em situação de bastante isolamento, na imensidão do Oceano Atlântico, o que por si só, lhes proporciona grandes dificuldades de intercâmbio com outras regiões e outras culturas.
Por isso, ações, como os lançamentos dos Livros que a Turiscon Editora de Liduino Borba vai efetuar, “Alcindo - O Profeta do Carnaval”, e “Luís Bretão - Uma Homenagem”, e que vai acontecer, o primeiro no dia 06-09-2013, na Praia da Vitória, e o segundo no dia 24-09-2013, em S. Carlos, Angra do Heroísmo, devem ser acarinhadas pelos responsáveis pela cultura açoriana, pois elas têm a virtude de divulgar as tradições, e os costumes das gentes açorianas e também de um modo geral toda a Cultura Popular Açoriana.
Eu que me “apaixonei” pelas belezas dos Açores, pelas suas tradições e também, porque não, dizê-lo, pela maneira de ser das suas gentes, tenho procurado dar o meu contributo, embora modesto, a todas as ações que visem a divulgação da Cultura Popular Açoriana, no continente, tendo tido, para isso, uma preciosa ajuda dos amigos açorianos, atrás mencionados, a quem eu chamaria de conterrâneos, pois atualmente, também me considero, com muita honra, um humilde cidadão açoriano, como, aliás, já o afirmei noutra ocasião, aquando da homenagem que foi prestada ao senhor comendador Luís Bretão, digno cidadão, que para mim está entre as primeiras figuras, na divulgação da Cultura Popular Açoriana.
José Fonseca de Sousa
Lisboa, 2013
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Açores
Nossa Senhora dos Milagres mobiliza fé da Ilha Terceira
Motivados para pagar promessas ou simplesmente por fé, quase sete mil peregrinos, de toda a Ilha Terceira, caminham a pé, muitos deles descalços, para a freguesia da Serreta, para agradecer a Nossa Senhora dos Milagres.
“Venho com fé pagar uma promessa”, diz Filipe Mendes, 28 anos, carteiro, que confessa “todos os dias quando salto para a moto, a fim de distribuir o correio, benzo-me e acredito que existe algo superior a nós”.
Os grupos de peregrinos lembram as ondas e marés que dão à costa, mesmo junto à estrada do litoral da ilha, que percorrem para chegar ao maior e mais importante centro mariano dos Açores para pagar promessas feitas em horas de aflição ou simplesmente para orar.
Alguns fazem a sua “caminhada da fé” por estradas do interior, e quer num ou noutro caso há quem percorra perto de quarenta quilómetros.
Um habitante da vizinha freguesia das Doze Ribeiras vai, do muro da sua casa, incentivando os caminhantes informando-os que “ainda faltam uns quatro quilómetros, mas são bem crescidos”. Quer dizer, são quase cinco quilómetros e antes de se avistar o Santuário “ainda há uma ladeira inclinada o bastante” a exigir um último e decisivo esforço de fé e devoção.
É esta “onda” que leva o pároco da freguesia, Manuel Carlos, a considerar que “quase toda a população é tocada pela Senhora dos Milagres o que a torna quase na padroeira da ilha, pelo menos em termos afetivos”.
Os peregrinos resguardam o motivo por que vão pagar as promessas, a maioria “por questões pessoais”, embora também caminhem aqueles que prometeram pelos amigos. Partindo da freguesia da Ribeirinha, distante quase trinta quilómetros e a três horas e meia do Santuário, José Melo de 34 anos, foi pagar uma promessa “por um amigo que teve um acidente em que ficou muito mal”, mas agora já se encontra melhor, “porque a fé também o ajudou”, diz convicto.
Observam-se, ao longo do percurso, pessoas idosas, jovens e até casais com filhos bebés que são transportados nos seus próprios carrinhos de alcofa. Muitos deles prosseguem por todo o trajeto concentrados em rezas e orações, não obstante o aparecimento da chuva e da elevada humidade que se faz sentir.
Para a eventualidade de qualquer desfalecimento físico ou problemas de bolhas nos pés, os peregrinos são assistidos nos diversos postos, fixos e móveis, disponibilizados pelas Juntas de Freguesia, Proteção Civil, Bombeiros Voluntários e Cruz Vermelha.
Miguel Azevedo, 33 anos, faz este percurso pela primeira vez “pelo desafio físico, para pagar uma promessa, mas também por existir um certo misticismo em torno desta veneração”. Diz-se um “homem de fé” que define como sendo “um entendimento próprio que cada um pode ter sobre algo que é superior a nós”.
Igualmente Mónica Seidi, 24 anos, estudante de medicina, caminha “para pagar uma promessa” mas, como tem “bastante fé”, sublinha que “iria de qualquer das formas”.
Ou André “de idade incerta mas seguramente mais de 50 anos”, que já fez por diversas vezes o caminho da “minha ligação à Senhora da Serreta” e que lá torna para confirmar que “ainda amo e também sou amado”, finaliza sorrindo.
Luísa Pimentel, de 38 anos, ainda que tenha fé, faz o percurso porque gosta de caminhar e este ano em solidariedade com a amiga e familiar Marina Pimentel, 31 anos, que “vai agradecer o que pediu porque se cumpriu”.
Esta “fé é uma confiança plena e absoluta em Deus”, segundo o padre Manuel Carlos, que a vê desenvolver-se “em termos mais genuínos e puros nos grandes apuros da vida”. “Quando o homem se dá conta de que as suas forças, o seu saber é pouco para fazer face aos desafios que se lhe apresentam, é aí que se lança nos braços de Deus, confiante que será Ele a suprir aquilo que o ser humano não é capaz”, explica.
O pagamento das promessas é feito, para além da oração, em dinheiro ou velas, que chegaram a ser tantas - no passado o anterior pároco pediu para não levarem mais - que obrigou à construção de um “candelabro no exterior do templo” (como em Fátima) onde todo o ano há círios acessos.
“A tradição das velas”, lembra Manuel Carlos, “é antiga, do tempo em que não havia eletricidade”, servindo então a luz das velas para alumiar o espaço sagrado e todos os atos religiosos. Para o pároco, o mais importante “é o que vai no coração de cada um”. O agradecimento em dinheiro para o culto, vela elétrica no lampadário, vela de cera ou uma simples oração, tanto faz desde que “seja com fé”.
Manuel Carlos diz saber que “há cada vez mais jovens a participar nesta manifestação”, o que o faz acreditar que “a fé esteve, está e continuará a estar presente, numa relação direta entre Deus e cada um de nós”. “Agora manifestam essa fé de maneiras diferentes daquilo que eram outros tempos e querem outras formas de expressão da religiosidade, outras linguagens que usam e outros atos que praticam e que nós respeitamos”, garante Manuel Carlos.
A origem
O início do culto à Nossa Senhora dos Milagres na Serreta não está completamente esclarecido em termos históricos, mas dados do “Almanach Açores” situam-no no século XVI “quando um piedoso sacerdote para ali se retirou vítima d’uma injusta perseguição”.
O padre, hoje identificado, por fontes históricas da genealogia, como sendo Isidro Fagundes Machado terá escolhido como refúgio “aquele ermo lugar, numa atitude de puro anacoreta, na sequência de uma visão proporcionada por Nossa Senhora”.
O padre Isidro Fagundes, segundo os registos de batismo e óbito, nasceu na freguesia de Santa Bárbara na ilha Terceira no ano de 1651 e morreu em 1701 na freguesia da Serreta junto da imagem da virgem e da pequena capela que erigiu na sequência do seu eremitério. Depois da sua morte a imagem, onde já acorriam muitos populares para a venerarem, foi retirada para a Igreja da freguesia das Doze Ribeiras, porque os Romeiros, devido ao relativo abandono em que se encontrava a capela, praticavam ali atos pouco edificantes.
Mais tarde em 1762, depois da notícia da entrada das tropas espanholas em território continental português, os oficiais da guarnição local “prometeram à Virgem festas solenes se a ilha Terceira não fosse atacada”. Assinada a paz, os peticionários, que ficaram conhecidos como “escravos da Senhora”, lavraram um termo reafirmando aquele voto, em 11 de Setembro de 1764, “numa cerimónia solene e de elevada piedade”.
Porém, só em 1772 se acordou na reedificação da ermida da Serreta, mas apenas em 1818 o general Francisco António de Araújo “com dinheiros do Estado e donativos do povo” começou a sua construção “que não se concluiu devido às perturbações políticas daquela época”.
A Igreja do Curato da Serreta, orago de Nossa Senhora dos Milagres, viria a ser concluída em 1842, data em que foi transladada a imagem original levada pelo padre Isidro Machado.
Mais tarde, a 2 de Julho de 1847, tomou conta do Curato da Serreta Francisco Rogério da Costa, que ali se manteve por cinco anos, período em que lançou as bases da transformação da Ermida na Paróquia, criada a 16 de Outubro de 1861 por um decreto do Bispo D. Frei Estevam, que principiou a funcionar a 1 de Janeiro de 1862.
Com o aumento da população daquele local voltado a sudoeste e com a serra da Serreta, que lhe deu o nome, localizada a Norte, com a chegada sempre crescente de um maior número de romeiros e peregrinos o templo tornou-se pequeno para os acolher. Foi então iniciada, com o lançamento da primeira pedra a 29 de Abril de 1895, a construção de uma nova Igreja, que serve atualmente ao culto na freguesia.
Paralelamente aos atos religiosos decorreu um programa que incluiu arraiais, bailes e a tradicional tourada à corda, que “obrigaram” a um dia de tolerância de ponto, celebrado ontem (15 de Setembro), conhecido pela segunda-feira da Serreta e que é vivido por toda a ilha Terceira.
João Aranda e Silva (Lusa)
16.09.2008
Artigo in http://www.snpcultura.org/vol_Nossa_Senhora_Milagres_terceira.html.
Despacho de tolerância de ponto da 2ª feira da Serreta, para a ilha Terceira
Clique na imagem para ler melhor o conteúdo do Despacho de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional dos Açores:
AVSPE - Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores: Com amizade verdadeira!
A chegada e a partida
São momentos desiguais:
Posso afirmar que a saída
Nos marca então muito mais.
Se a saída é voluntária
Há boa recordação
Mas se disso é contrária
Fica eterna a emoção.
Um ano esteve no ar
AVSPE.org em ação
Agora vai dar lugar
Ao "adeus" com emoção.
Aos Poetas e Escritores
Nobre Sala virtual
In Terceira ilha dos Açores
Uma amiga intemporal.
Rosa Silva - Azoriana
Foi versando por este ano
A Efigênia que é soberana
Amiga do verso açoriano.
Não me despeço de você,
Nem de ninguém que aqui está
Digo apenas a quem me lê
Enquanto viva verso por cá.
Os versos são como flores
Na jarra do pensamento;
De Portugal, lindos Açores
Voam nas pétalas do momento.
Aos queridos amigos meus
Desejo a melhor sorte
Fiquem na graça da Deus
E que Ele nos conforte.
Fico à disposição
No meu blogue que ainda existe;
Daqui se faz gravação
Porque o elo assim persiste.
Com a dezena me fico
Nesta quadra derradeira:
Grande abraço vos dedico,
Com amizade verdadeira!
Rosa Silva ("Azoriana")
04/09/2013
Na 12RibeirasTV a homenagem ao Pe. Manuel Carlos, Reitor da Serreta, pelos 25 Anos de sacerdócio
Já está em emissão. Prima o botão verde do comando MEO e insira o número 255743 e procure o video relativo à Homenagem ao Pe. Manuel Carlos pelos 25 anos de sacerdócio, do atual Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres da Serreta - 1/9/2013.
Obrigada ao amigo Hildeberto Franco pelo seu excelente trabalho de captação de imagens, som e alegria presentes na Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.
Apelo(s) originário(s) da Serreta para conhecimento e divulgação
Relativamente às Festas de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta 2013 e no fim da homilia de 1 de setembro, em que foram feitos os pedidos e/ou anúncios da organização pormenorizada das mesmas, retive na ideia o que me chamou a atenção e, que, diga-se a verdade, também partilho da opinião do Reitor do Santuário de N. S. dos Milagres, a saber:
- AS PROMESSAS À FRENTE DO ANDOR
Nossa Senhora dos Milagres é a cimeira de toda a cerimónia religiosa pelo que na Procissão a realizar logo em seguida da Missa de Festa que terá início pelas 16:00, que se quer com pontualidade, pelas 17:30, Ela, a Senhora, deve seguir no andor com as alas de pessoas À FRENTE do respetivo andor, uma vez que é a única e principal imagem na Procissão e merece presidir no percurso da mesma, isto é, olhar todos os que querem que Ela olhe por eles.
Ao longo dos tempos o pessoal das promessas amontoava-se (e tende a fazer sempre a mesma enchente) atrás do andor de Nossa Senhora como se fosse mais santificada a sua promessa. Pelo que percebi e acho correto, tanto se paga a promessa na frente como se pagava atrás. O que interessa é ir na Procissão com o sentimento próprio de quem vai agradecer uma graça recebida como quem vai pedir a sua intercessão para algo que necessita da sua cura.
Portanto, tentem passar a palavra ao familiar, amigo, vizinho e até quem vive mais longe. Aceitemos os conselhos do nosso Reitor que quer o melhor para a Mãe que é de todos e para todos.
- O JARDIM DA SENHORA DOS MILAGRES (*)
Como já vem sendo habitual e para quem gosta de presentear a Virgem dos Milagres com a alegria das flores, pede-se que recheiem a frente do ALTAR-MOR com flores diversas porque são elas que dão o perfume, o colorido e o símbolo do amor ao que é belo, puro e santo. As flores fazem o ornamento ideal dentro do Santuário onde impera a oração, a melodia dos cânticos e a Palavra.
A CERA vai para o exterior do Santuário no local próprio, ao lado direito no recinto do Santuário, atrás da sacristia.
- OS TAPETES DE FLORES NO CAMINHO E AS COLCHAS NAS JANELAS
O conselho primordial do Sr. Reitor é que NEM É necessário pedir ajuda para enfeitar os tapetes para a Procissão, DÊ-SE TODA A AJUDA, voluntariamente. Todo aquele ou aquela que quiser ajudar nem precisa perguntar, aproxime-se e traga um regaço de flores, uma ajuda preciosa para os residentes que já são poucos para tanta azáfama de ornamentar o caminho da Senhora e da sua Procissão.
Amigos, familiares de outras localidades, pessoas que gostem de dar o que melhor sabem fazer e que possuam flores nos seus jardins, nada melhor que nesta altura oferecerem à Senhora dos Milagres um colorido de frescura à sua passagem para a zona abaixo do Santuário até ao chafariz do Alves, que volta e vai até ao pé do Pico da Serreta, em frente à Praça que acolhe o colorido humano no dia seguinte, na tradicional segunda-feira da Serreta.
- NÃO DEIXAR LIXO PELA ESTRADA E NOS RECINTOS
Outro conselho para quem vai à Serreta e utiliza qualquer meio de transporte ou vai a pé, pede-se o favor de NÃO deixar lixo acumulado por onde passa. Pugnem pela limpeza e embelezamento do que é de todos e para todos. Lembrem-se que a ilha, a freguesia, as gentes e qualquer ser não gosta que lhe desfaçam o que tanto trabalho deu a preparar.
Também os nossos cuidados cívicos são uma forma de honrar a Mãe que nos ama tanto.
Divulgue-se por favor.
Muito obrigada pela vossa compreensão.
E venham ter connosco a partir de sexta-feira, sábado, domingo até quinta-feira. Todos os dias são bom motivo para louvar a Senhora o melhor que soubermos e pudermos.
(*) Pode ler-se ainda:
Jardim da Senhora dos Milagres
e mais no artigo 756779
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