2013/09/27, sexta-feira, 18:30 - Inauguração da Casa Mortuária da Serreta



Eu vi um homem chorar
Dizem que o homem não chora
Porque conseguiu inaugurar
Mesmo que em cima da hora
Do seu ofício acabar
E sofreu muito até agora.

Foi um sonho o seu projeto
Numa Junta de pouco povo
Talvez nem teve dele afeto
Mas isso já nem é novo
O ato final foi concreto
Por isso eu muito o louvo.

Agora daqui para a frente
Quando alguém ali falecer
Na freguesia de pouca gente
A sua urna já ali vai ter
Sala melhor e decente
Antes de à terra fria descer.

Juro que quem for lá primeiro
Nas tábuas de um caixão
Vai saber o mundo inteiro
Que junto à consternação
Terá na Casa o letreiro
Chorando com a população.

Minha gente tão querida
Ninguém fica pra semente
Pode-se brincar com a vida
Mas a morte é simplesmente
O que torna a despedida
Um luto e uma dor ardente.

E quando um dia me for
Levo dentro do meu peito
O que fiz com muito amor
E também o mal em preito
Agradeço muito ao Senhor
Por ter visto o último leito.

Rosa Silva ("Azoriana")

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