É (quase) já a seguir...

Há histórias que começam com “Era uma vez”. Esta não. Talvez porque não aconteceu ainda. Está latente e eminente ao virar de uma tardinha que desejo que aconteça. Como se começam as histórias do porvir? “E será assim”… mas e se não é?! Fico pelo desejo misturado com uma ansiedade da realização de um sonho comum a várias mentes. Ainda não palpei o físico de uma encadernação que compila uma homenagem em vida. Como é bela esta efeméride: as homenagens querem-se em vida para que consigamos ver a luz do olhar, o brilho do sorriso e/ou o cristal de lágrimas amorosas e agradecidas que caem no regaço da emoção. É sempre uma emoção quando se leva a efeito o que de melhor há a qualquer nível mesmo que, pelo meio, haja algum burburinho, alguma azáfama, alguma correção ou afino de carateres.


 


Imagino mais ou menos assim o evento… Vão chegando algumas individualidades, cidadãos que cruzam connosco no dia-a-dia, alguns que apenas cruzamos de vista, outros que até já atuaram ao nosso lado em inúmeras circunstâncias e outros, ainda, que nem nos querem ver por perto, mas ali estão prontos para o que der e vier. Alguma conversa animada ou nem tanto. [E se há chuva?! Mudança de planos e de palco]. Atravessa-se a assistência e abraça-se quem nos estende a saudação. Cumprimenta-se com o olhar, com a mão e com qualquer ato solene de um encontro de familiares, amigos e conhecidos entre algum visitante da grande hora. E eis que se afina a garganta para o discurso de apresentação. Uma voz conhecida e ponderada tece uma oratória possível. Aplausos já os pressinto à distância de uma tardinha que desejo que aconteça… Os ânimos povoam de alegria o recinto repleto de entusiastas e amigos do que é nosso e fiéis ao mesmo discurso vão formando fila para palpar o físico de uma encadernação posta em cena.


 


Sei bem o que são estas horas prévias… Ah, como sei! Os órgãos saltitam dentro de nós. Procura-se a melhor indumentária que se tem. Embeleza-se o corpo e a mente. Nem há apetite para a refeição que se salteia com o gosto de se fazer algo diferente e único. Apressa-se a saída e galga-se caminho para atingir a meta desejada. Procura-se encontrar nos olhares, que vão chegando e nos circundam de afetos num plural sentimento que trespassa o coração em êxtase, o mesmo brilho. É chegada a hora do lançamento… Um livro nasceu, cresceu e multiplicou-se perante uma mão cheia de convidados… É vê-lo florir… E fica-se como que a querer prender o tempo… Não te vás! Fica… Fica… E a emoção galopa até ao fecho do pano… E toda a adrenalina se dissipa… Voltam os órgãos ao seu estado normal… E aquela ansiedade dá lugar a um sossego aparente…


 


Ao longo dos dias, meses e até anos, recorda-se aquele momento em que tudo floriu num canteiro de gente que ama o que se faz em prol da cultura popular açoriana. Imagino que seja este o mote para o evento que tarda em chegar e se realiza logo mais [na véspera do aniversário do meu primogénito]. Sinto a mesma euforia como se o evento se repetisse e fosse meu. É assim quando se ama (porque amar é querer bem) quem dedica uma vida a acarinhar, ajudar e servir os outros sem pedir nada em troca. É assim o caso de alguns amigos que tenho e que nem vou nomear para não melindrar outros tantos que dariam uma lista infinita.


 


Bem-haja, a ti, a ti e a ti… etc.


 


Angra do Heroísmo, 24 de setembro de 2013.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pela visita! Volte sempre!