Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013
É uma festa tão bonita, Para aquele que acredita No (1) Divino Espírito Santo: Vinho e pão p’ra toda a gente Na partilha consciente Da Trindade e seu encanto.
Um altar ornamentado Luz e flores por todo o lado Numa alvura de pasmar É o começo da festa Um simbolismo que presta Uma oração a dobrar.
Quem reza (2) o terço a cantar Sabe que está a rezar Com dobro de intensidade Os Mistérios do Divino Coroados pelo Hino Honram a Santíssima Trindade.
E não vamos esquecer As rodas que vimos fazer Com folia no passado Raparigas e rapazes Sempre foram os audazes Do lenço no chão deixado.
As cantigas entoadas Por garridas gargalhadas Animavam a freguesia, Era um brinde à amizade E por causa da Trindade Tanto namoro se fazia.
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No fim do terço a preceito Havia sempre a jeito, Geralmente à quarta-feira, As merendeiras pequeninas De doçura eram finas Davam mote à brincadeira.
Na quinta se enfeita o gado Num bezerro simbolizado Para seguir na (3) Briança Toda a gente abre a porta E a quadra se recorta No meio da maior festança.
Pão, queijo, favas escoadas, Vinho de cheiro e gaitadas Recheiam nosso improviso; Cantadores e tocadores Juntam-se também aos licores Que fazem perder o juízo.
Os marchantes vêm então São os homens da função Que das carnes vão tratar: Cabeça, lombo e traseira, Benzidos de igual maneira, Por suas mãos vão passar.
Esmolas, alcatra e cozido Previamente tudo benzido Com o cetro da Coroa: Na mesa da refeição A Coroa tem distinção E a todos abençoa.
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Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013 (continuação)
Antes disto acontecer A (4) Coroação vai-se fazer Em cortejo pró Santuário As Coroas junto ao altar Lindas, alvas a honrar O Deus vivo no Sacrário.
O padre benze e coroa A criança que ecoa Em pureza a Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo! E na graça deste encanto Rege-se a nossa comunidade.
Em alas regressa a casa Pelo caminho extravasa Toda a fé e devoção; Vai a banda a tocar O Hino p’ra Deus louvar Cumprindo a sua missão.
O sino e os foguetes São verdadeiros lembretes Da passagem do Divino; Não há quem fique indiferente Ao ver toda a nossa gente Unida num só destino.
Igreja, Despensa e Império, Cada um com seu mistério No átrio da Divindade: Benzer, dar e receber Fazem todos perceber O Amor pela caridade.
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Há rosquilhas e alfenim Símbolos de amor sem fim Para serem arrematados: Promessas feitas com fé Um braço, uma mão ou pé E animais que foram curados.
Entre trabalhos e orações Também vem ocasiões Entre verduras e montes: Cestos de costas e sabão, Baldes nalgum burro anão, Alegres seguem p ’rás (5) Fontes.
Fonte de água cristalina Ao subir uma colina Com as pias de lavar; Juntavam-se as lavadeiras Fossem casadas ou solteiras Com sua trouxa e a cantar.
Entre as rodas da alegria E o lavadoiro da pia Há roupa posta a corar; Hoje temos a saudade Ao lembrar dessa Trindade Que hoje se está a recordar.
A Serreta vive a festa E melhor honra lhe presta Num olhar embevecido: Viva, viva o Espírito Santo Que nos dá sempre um tanto De tudo o que é repartido.
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Nota: Cinco quadros temáticos, em cortejo da antiga escola até ao Santuário, com faixas identificativas: (1) "Vinde Espírito Santo; (2) Reza do Terço; (3) Briança; (4) A Coroação; (5) As Fontes.
Angra do Heroísmo, 16 de setembro de 2013
Rosa Silva ("Azoriana")
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