Viver a vida (feliz)


 


Eu já não fico contente
Com a mudança de ano
Ao crescer o ano à gente
Mais se avista o negro pano.

Tenho pena de assim ser
Mas este é nosso destino
Ir por anos a crescer
Até se dar o repentino.

Já sinto a nostalgia
Do fim que se aproxima
Da fuga para terra fria.

Onde vou ninguém me diz
Mas enquanto soprar a rima
Hei de assim viver feliz.

Rosa Silva ("Azoriana")

Retrospetivando

Sentada no mural duma palavra
Enquanto a nostalgia dilacera
Eis que a rima se me lavra
Sem que a deixe ficar à espera.

E a frase surge, se deslavra,
Como casta flor de primavera,
Na folha que aceita a palavra
Do cerne sem estrofe severa.

Rasgam-se os papéis amarfanhados
Para dar lugar a novas molduras
Sem conter rostos nem doutas figuras.

No timbre da palavra os costumados
Louvores à bravura de uns ilhéus
Lembrando dos seus dourados troféus.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Nota: Talvez seja o último do ano que está mesmo a tocar o mural da mudança. That's almost the last one! [O penúltimo de dezembro de 2013]. Absorta em mil pensamentos, eis que acodi a um: vasculhar o que havia escrito nos princípios de cada mês, ao longo de 2013. Comecei por "estacionar" no artigo datado de 02-01-2013, cujo título apetece repetir: That's the first one! [O primeiro deste janeiro de 2013], onde entre prosa e rima, ressalta a listagem retrospetiva do ano de 2012.

Hoje, trinta de dezembro, apeteceu-me, como que numa imitação e viagem pessoal, e resolvo listar a publicação articulada na escrita mensal estendida pelos primeiros dias do ano que agora cumpre a sua meta. É difícil a escolha, sendo a própria. A ver vou e eis que surge um mapa/2013, de consulta, para lembrete futuro.


 



janeiro Jóia do mar, redondilha...
fevereiro Antevendo o Carnaval (sem vírgulas nem pontos); Graças a uma fotografia de José Sousa, de São Bento - Angra do Heroísmo
março 1 de Março (do Flores "grande");
Ma-til-de = mãe (o significado do nome é simplesmente mãe)
abril Carta ao meu 4º filho (o Blog) de 9 anos
maio Tribuna do 1º de maio;
Viver para Servir, um Amigo sem fronteiras
junho "Percurso de uma vida" - o dia seguinte
julho Aos meus amores;
Olavo Esteves Competições - Festa da Cantoria 2013
agosto 31-07-2013 Entrevista in Rádio Azoresglobal: "Um Abraço de Poesia" à quarta-feira
setembro Festas de NOSSA SENHORA DOS MILAGRES - SERRETA 2013;
Luís Bretão - UMA HOMENAGEM (em livro)
outubro Versos ilhéus;
Definição de Azoriana e LOBOS, na Serra da Ribeirinha;
Uma imagem (repetente) com palavras (repentistas)
novembro A OSIT no CCCAH e a orquestra alemã «Blaswerk Leipzig»
dezembro Recordar é lembrar do que é seu...;
29-12-2013: Recordações quem as não tem!?

29-12-2013: Recordações quem as não tem!?

Lembro o tempo de menina
São tempos que já lá vão
Quando eu era cristalina
Pura e simples de coração.

Os "titios", primos segundos,
Pla minha parte materna,
Quatro irmãos não fecundos,
Com uma bondade terna.

Um casou na dura idade
Sem filhos, só com sobrinhos,
Tive por ele muita amizade
Dele recebi carinhos.

Duas irmãs e outro irmão,
Por "Chico", a gente chamava,
Tímido de bom coração
Que tudo por nós ele dava.

A Maria era a mais bondosa
A Alexandrina a que findou
Uma geração silenciosa
Daquilo que se passou.

Órfãos de mãe muito cedo,
Aos cuidados do seu pai,
Mas nunca tiveram medo
Da sorte que a todos sai.

Trabalharam e ensinaram
Muita coisa que eu fixei
E com eles também levaram
Tudo aquilo que amei.

Lindas ameixas roxas,
Tinham numa ameixieira,
Framboesas pareciam trouxas
Num silvado à sua beira.

Fatias de pão caseiro
Com bom doce de amora
Bela casa com braseiro
Que a mente não ignora.

Um curral para as galinhas,
Com seu galo pra Matança;
Sempre um copo prás vaquinhas
Que na mesma hora avança.

Não havia outra fervura
Ia em direto para a boca
Tal leite era uma doçura
Que sabia sempre a pouca.

Passei tempos ao seu lado
Tardes longas de afeto
Até o pano remendado
Aprendi sob o seu teto.

Agulha e linha d'algodão
Alva naquele pano branco
Era a melhor lição
Que nem precisava de banco.

Na cama onde dormiam
As duas irmãs amigas
Que tanto me conheciam
Por mim tiveram fadigas.

Quando a noite tombava
As horas de maior brilho
Ao colo, coberta, voltava
Sempre pelo mesmo trilho.

A primeira a falecer
Plantou-me uma agonia
Mais eu não pude fazer
Pela bondosa Maria.

Dimas Lopes a visitou
Mas não houve cura então
Do Hospital só voltou
Para a frieza do chão.

Mais tarde foram os manos,
Já tinha eu outra morada,
Eram bons seres humanos
Que no céu deram entrada.

Alexandrina, mãe de Crisma,
Que me fazia chorar
Por no fim ter uma cisma
Do passado ressuscitar.

Foi-se sem me despedir
Nem lhe dar mesmo amor
Lembro dela a sorrir
E a dar-me tanto valor.

As "sobrinhas" para ela
Eram o seu património;
Tantas vezes à janela
A rezar a Santo António.

Talvez pedindo pra lhe dar
De volta as suas meninas
Que andavam a brincar
Rindo, rindo, cristalinas.

A saudade hoje perdura
Dos passeios feitos a pé
De ir buscar folhas e verdura
Pra Jesus, Maria e S. José.

O seu beijo era doce
Como doce é a lembrança
Quem dera que não se fosse
O tempo que não se alcança.

Digo com sinceridade
Que vivi a melhor parte
Do tempo de mocidade
Sem saber se tinha arte.

Hoje sei que eu a tinha
Bordada de letras de ouro
E que hoje ela vinha
Construir este tesouro.

A hora é especial
O minuto nos dá rigor
2013 no final
Pra louvar este AMOR.

Louvo a outra geração
Que me ensinou a trilhar
Toda a grande admiração
Que hoje estou a partilhar.

Amem muito os ascendentes
Mesmo os que já partiram
Raízes sempre diferentes
Que em suma nos construíram.

Se contares estas rimas
E te derem número par
Vais saber quem mais estimas
Quando saíres do teu lugar.

29 de dezembro de 2013
Rosa Silva ("Azoriana")

O fim do ano se aproxima...


 


Figuras do presépio

Menino Jesus, Maria, S. José, Anjo Gabriel, os reis magos: Baltazar, Belchior e Gaspar; a vaca, o burro e a ovelhinha.


Ontem (26-12-2013) pasmei a olhar uma montra de uma loja da nossa mui nobre e leal cidade de Angra do Heroísmo. O que vi?

As figuras tradicionais do presépio de Belém, em formato avantajado deslumbrante. Nem vasculhei o custo de tal série figurativa mas a ver por outras que a ladeavam e também animavam o olhar dos transeuntes, seria um valor impensável neste momento.

Sinceramente é de admirar profundamente estas figuras que de tão bem executadas, tão lindas, atraem a vontade de as levar para o lar e coloca-las em lugar privilegiado com direito a ser visitado regulamente. Mas como adquirir tal engenho e arte?! Como?! Fico pelo sonho e pelo desejo que são as manchetes do dia-a-dia.

Vou permanecer com esta pena o resto dos dias que me são doados para me entregar a coisas reais e palpáveis… Mas que é uma pena… é mesmo uma pena…

Limpezas e arrumações de fim de ano

Escusado será dizer (porque certamente é hábito de mais pessoas) que ao aproximar-se os últimos dias do ano sou dada a limpezas e arrumações para que nada fique desarrumado de ano para ano. Vejam lá se fica bem uma blusa suja de 2013 para 2014?! Uma toalha espalhada, um pano à revelia, um prato com alguns restos, uma gaveta revirada, um chão com migalhas, etc. Sou assim e tenho essa mania que tento cumprir nesta época para me sentir livre e feliz na abertura da janela a novo ano.

Votos meus

Que todos tenham boas entradas e que se aguentem sempre com quaisquer intempéries normais e as que nos surpreendem.
Há que dar as mãos e continuar com a solidariedade e partilha que nos são peculiares.
Há que conter os luxos e abrir mãos do que gostamos mas não faz falta.
Há que sorrir mesmo que por dentro haja uma sombra negra a provocar a caída de alguma lágrima teimosa.
Há que ser forte mesmo que a fraqueza paire no físico e no mental.
Há que amar… Amar é tão bom: dar e receber um abraço, um beijo, um aperto de mão, um aceno feliz mesmo que alguma dor seja persistente.
Há que aproximar mais dos que nos são queridos e precisam nem que seja do consolo de uma palavra amiga ou de um tempo para ouvir o que nos tem a dizer.
Há que ser tolerantes perante alguma adversidade maior.
Há que espreitar os gráficos da saúde e os remédios para alguma enfermidade permanente ou temporária.
Há que falar sincera e eficazmente com quem temos ao lado para evitar silêncios demasiado duradouros.
E, finalmente, sejam felizes o melhor que puderem. Entre o mal e o bem escolha-se sempre e ajuizadamente o BEM.

BOM ANO 2014 PARA TODOS!
Angra do Heroísmo, 27 de dezembro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)

Pai Natal muito generoso...


 


Foi um Tablet... Não esperava tal prenda, aliás nem contava com qualquer prenda... A felicidade deve ter brilhado bastante no meu olhar que se surpreendeu ao cubo.

Foi mesmo um gesto bonito e agradeço muito ao "Pai Natal" Pipoca... Como também agradeço muito aos irmãos e restante família pelas prendas que me deram.

Família, amigos e todos(as) os(as) que por aqui passarem...

Para uma amiga do Continente, de Góis - Coimbra

Boa amiga Clarisse Barata Sanches,

Esta carta que lhe escrevo
No dia da Consoada
É por achar que lhe devo
Uma palavra dedicada.

Querida amiga do bem,
Dos louvores e da virtude,
Seja esta data também
Para si de muita saúde.

Que o Menino de Belém
Lhe aqueça o coração
Sorria como convém
A todo o povo cristão.

Um abraço de amizade
Muito forte, apertado,
Para uma amiga que há de
Estar sempre do meu lado.

Feliz Natal e um Ano com melhores condições de subsistência.
Um beijinho para si e outro para a Judite.

Rosa Maria Silva

Presente de Luz



PRESENTE DE LUZ

O Natal seja dourado
Não de cousas, só de amor
De alegria iluminado
Pela Graça do Senhor!

Noite linda, céu estrelado,
Muito frio, luz, fervor:
Jesus, Maria e ao lado
S. José, seu protetor.

Nós vemos a grande fé
Que vem dos tempos d'além
Do presépio de Belém.

E a Estrela que bela é
Espelhando a claridade
No regaço da amizade!

Rosa Silva ("Azoriana")

O Natal é estar feliz

Meus amigos hoje fiz
Uma velha descoberta
O Natal é estar feliz
Mesmo se a "dor" aperta.

Digo "dor"porque a saudade
É a dor intermitente
Que se prende à amizade
Que se tem pelo ausente.

Para toda a família
Da parte de pai e mãe
Sejam felizes cada dia.

Mando um apertado abraço
A todos que quero bem
Os heróis do meu regaço.

Rosa Silva ("Azoriana")

Corrida

Da ilha Terceira, Açores
Prá Madeira e Continente
Um abraço de louvores
Extensivo a toda a gente.

Domingo quase no fim
Dezembro pra lá caminha
Uma correria assim
Noutra idade eu não tinha.

Na infância cada hora
Levava uma eternidade
Depois pela vida fora
Percebi a velocidade.

Quando enfim sou feliz
Há uma louca magia
Parar o tempo já quis
Ou então prender o dia.

Mas não dá, nem se engana
O rumo desta corrida
Vem aí nova semana
Que haja saúde e vida.

Porque a doença nos trava
A dor também nos atalha
Só a saúde desbrava
O valor pra quem trabalha.

Boa noite e boa semana!
Rosa Silva ("Azoriana")

Feliz Natal

O presépio universal
É um brilho de emoções.
Que a Santa Paz do Natal
Ilumine os corações.

A semana do Advento
Se partilhe com alegria
À Festa do Nascimento
Do Menino de Maria.

Único com pai depois
Porque antes foi só Deus
Que é Pai de tantos sóis.

Maria foi a Mãe pura
Virgem Mãe dos versos meus
E Rainha da ternura.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sonho maternal

No leito da madrugada
De um domingo do Senhor
Acordo... estou inspirada
A louvá-lo com fervor.

Noite feliz... 'tou acordada
Plo sonho madrugador;
Mais uma folha virada
Mais uma linha de Amor.

Amor pelo que Deus dá
Sem ser preciso pedir
Como uma rosa a florir...

Amor ao amor que há
Ao melhor bem que se tem:
Que é o dom de ser Mãe!

Rosa Silva ("Azoriana")

P.S. Aos meus filhos que são o meu Natal. Beijos

Tempestade

Perdida em mim soluça a noite sem luar
O grito do vento castiga o sonho manso
A alma esvoaça sem nada alcançar
Perdida sem mim nem o corpo descanso.

Que a noite serene ante tanto amordaçar
Na palpebra fria que do frio alcanço;
Que a raiz se coloque no seu lugar
E deixe florir os caules do seu avanço.

É fria a brisa louca que não se cala
E faz-se ilha vã vestida de luto
Num casebre livre quase em absoluto.

Dançam as palavras que a voz embala
Cresce a solidão das verdades sãs
Cresce-me o tédio sem sol das manhãs.

Rosa Silva. ("Azoriana")

2013/12/08: Senhora da Conceição, rogai por nós!


 

Hoje dia da Imaculada Conceição
Uma vela azul acendemos
Símbolo do culto e devoção
Que nós cristãos por Ela temos!

 

Fernando Mendonça

 


Excelente o contributo
Que a sua quadra tem
Para a Mãe que deu o fruto
Que a todos quer tanto bem


 


Mãe querida imaculada
Símbolo da conceção
Padroeira tão adorada
Senhora da Conceição!


 


Nossos versos sejam flores
Para o Altar de Maria
Escrava das sete dores
E a nossa estrela-guia.


 


Rosa Silva ("Azoriana")


Filarmónica Recreio Serretense comemorou o 140º aniversário



 


DEDICATÓRIA DE ANIVERSÁRIO
Filarmónica Recreio Serretense

A Rosa Silva vos manda
Os sinceros parabéns!
És maravilhosa Banda
140 anos tens.

Foi a 4 de dezembro
De 1873
Essa data hoje relembro
Com louvores mais uma vez.

E hoje há comemoração
Na vossa Sociedade;
Bem-haja de coração
A toda a comunidade!

A família serretense
Honra a Virgem Maria
E a Banda que lhe pertence
Desde o seu primeiro dia.

Minha alma se inflama
Por da Serreta eu ser
E ser mãe de quem vos ama
E à Banda pertencer.

Homenagem eu vos faço
Pelo tempo já passado
Recebam forte abraço
Por cada antepassado.

Meu avô também tocou
Minha mãe vos adorava
E na geração legou
Tudo o que ela mais amava.

Viva, viva toda a gente
Que se empenha nessa ação
Dou louvores ao seu regente
P'lo valor e dedicação.

7 de dezembro de 2013
Rosa. Silva ("Azoriana")

Hoje deu-me para isto...

Boneca de trapos


 


Neste ano sou pequenina
Comi a sopa da panela
Bebi água cristalina...
Quero uma boneca bela.


 


De trapos e com um sorriso,
Que tenha a barriga cheia;
Mais fome não é preciso
Para não falhar a ideia.


 


Num embrulho todo em prata
Dentro talvez duma lata
Do leite de antigamente.


 


Juro que dela vou cuidar
E também vou estimar
O Natal do meu presente.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Recordar é lembrar do que é seu...

Carlos Cândido e neto


Sempre que me lembro dele, e hoje em especial, vem-me à ideia o cheiro a mar, o peixe que fazia a delícia do seu paladar e as espinhas saíam da refeição todas limpinhas e nem uma migalha de peixe se perdia no prato dele. Meu pai! Carlos Cândido nasceu a 2 de dezembro de 1929. Hoje, se fosse vivo e estivesse entre nós, comemoraria os seus oitenta e quatro anos. Foi-se com apenas 71, em fevereiro de 2001. Tanta coisa ficou por dizer-lhe e outras tantas por fazer. Enfim, que nós, as descendentes e seus netos continuemos a lembrar das datas mais queridas e esta, do aniversário, sempre foi muito querida e lembrada com os festejos que se podiam.

Esteja onde estiver há de haver sempre quem se lembre deste dia e do homem de trabalho que ele era...

Fernando Pessoa Sua vida - Seus poemas

O livro tem folha boa
E conteúdo tão belo
É de Fernando Pessoa
Que recomendo e apelo.


 


78 anos perfaz
Do novembro que partiu
Na oferta que me traz
Me lança o desafio.


 


Há sempre amor à vida
Na escrita que se eleva
Mesmo depois da partida
A luz brota do que a leva.


 


Cada vez que algo toca
O coração docemente
É como barco na doca
Balançando na corrente.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Isto está sem «tafulho» (= o mesmo que «sem controle»)


Isto está sem «tafulho»
Dizemos e com razão
E não há que ter orgulho
Na forma que as coisas estão.

Se há horários iguais
Para público e privado
Os balcões estão a mais
Não vendem nem a fiado.

Para quem vende ao balcão
No comércio tradicional
Vai ver que não tem razão,
Querer horário por igual.

E não me venham com lérias
De que Açores é diferente
Virão muitas mais misérias
Ao bolso de toda a gente.

Este horário semanal
Das 40 para todos
Ao Centro Comercial
Dará alegria a rodos

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Faz-se compras à noitinha
Para ser mais oportuno
Tenho na ideia minha
Que se opta pelo noturno.

Seja do meio-dia à uma
Ou seja mais meia hora
Não se compra coisa alguma
No espaço que resta agora.

Só se houver “desenfiados”
Em horário laboral,
Andando desconfiados
Não vá alguém falar mal.

Mas para quê tanto deslize
Se o Natal é Nascimento?!
Mesmo com toda esta crise
O comércio fica ao vento.

Só não se perca a magia
Da Festa do Deus Menino
Seja feliz por um dia
Todo o que Ama o Divino

Rosa Silva ("Azoriana")


Meu tempo


 


Meu tempo


 


Hoje não me cantam os versos
Que se abraçam ao coração
Sinto que eles estão submersos
Nas fontes da inspiração.

Hoje há uma luta interior
Que a palavra resguarda
Louvado seja o Senhor
E o meu Anjo da Guarda.

É que para dizer asneiras
Mais vale estar calada
E sair das estribeiras
Adianta pouco ou nada.

Hoje não voam as pequenas
Linhas de um bem escrever
Como lindas açucenas
Que no campo vi crescer.

Hoje sou a flor da saudade
Do meu pai e da minha mãe
Quando a minha mocidade
Era só feita de bem.

Não se deixe o passado
Ausentar-se do presente
P’ra acertar passo errado
No tempo que resta à gente.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Gaivota em terra...

em Angra do Heroísmo

 


 

Pelos tetos insulares
Navega calma gaivota
Pouco ou nada se nota
Do seu voo hoje nos ares.

 

Se de novo então fixares
O seu ar todo janota
Irás ver que não desbota
Entre os voos similares.

 

Vem do mar até à terra
Essa gaivota gentil
Que pousa mas não emperra.

 

Voa gaivota à vontade
Entre verdes tons e anil
De Angra linda Cidade.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Parabéns a José Ávila

José Ávila bem merece
A gloriosa homenagem
E o povo lhe reconhece
A missão nesta passagem.

À Tribuna Portuguesa
Dá valor com coração
Seu trabalho uma riqueza
Que preza a divulgação.

As palavras escasseiam
Num momento de alegria
Onde as emoções passeiam.

Contudo é imperioso
Que se eleve a categoria:
José Ávila hoje é ditoso!

Rosa Silva ("Azoriana")

Estamos na época de tira, limpa e repõe com novo ar

É verdade! É nesta altura do ano que apetece tirar tudo dos armários e gavetas, das paredes e do chão, e fazer uma limpeza bombástica ao que desbotou ou perdeu a validade, limpar as casas das aranhas e as mesmas, dar uma lavagem ou pincelada geral e repor novamente os utensílios de forma a parecer que algo mudou mesmo com contenção de despesas.

Gosto muito de mudar móveis de lugar, sempre que possível e que não tenham que estar sempre no mesmo sítio motivado pelo espaço à medida. Muitas das vezes pasmamos com coisas que nem lembrávamos que existiam, outras vão direto para a reciclagem ou mais longe possível da porta.

É pena não se puder limpar as tragédias como se faz aos móveis de forma a vermos o mundo de outra forma e nos parecer melhor para habitar e conviver. É que ultimamente a catadupa de notícias choque faz o coração ganhar aceleração bastante.

Aproveitemos para povoar as nossas moradias e outros locais por onde passamos horas a fio de um novo ar de lavado e pincelado de novas emoções. Às vezes uma planta, um arranjo floral, um painel, uma estatueta simpática fazem as delícias dos olhares que cruzam a nossa passagem terrena.




Livro em flor




Bem-haja a todos que tem a dinâmica de fazer uma revolução pacífica de decoração e renovação de espaços que há muito se mantinha impávidos e iguais.

E votos de bom fim-de-semana a todos!

Rosa Silva (“Azoriana”)

A vida é uma viagem

Quando não há tranca ao amor e a estadia é tão breve que até causa uma dor maior toda a partida é um sofrimento comum a um mar de gente.
Sinto hoje um aperto no coração por ter tomado conhecimento da partida inesperada de uma criança cuja vida florescia e, de repente, tornou-se um anjo ao encontro do Pai.
A chegada de um ser ao mundo é normalmente acompanhada de felicidade, a estadia é um desabrochar de emoções mas quando toca à partida toma "quase" sempre um formato doloroso e a saudade é infinita.
A única esperança da partida é acreditar na Vida para além da vida.
Que haja forças na família que permanece numa estadia sentida e sem medida.

A garagem da Azoriana

Admiro quem sabe decorar sem muito gastar. Adoro ver os "Queridos" a mudar casas por esse Continente fora (pena que não vem aos Açores) e a dar sorrisos e lágrimas felizes a quem é contemplado com os seus arranjos de curta duração. É deveras impressionante a forma como arrumam o "Antes" num "Depois" maravilhoso. Quem me dera ter aquela mão-de-obra junto com a imaginação dos que estão no comando das operações de mudança para melhor.

Como não tenho a visita dos "Queridos" vou-me contentando com as mudanças feitas por mãos engenhosas de gente que a sua vida é transformar o "Antes" num "Depois" que dá gosto ver pela perfeição e visão finais. É de recomendar mesmo!

Resolvi, porque era urgente ou teria de reconstruir tudo, arranjar a garagem da residência permanente distribuindo uma parte para arrumar a viatura e outra para uma espécie de cozinha "rústica", onde consta um lava-louça e, ainda, uma pia para lavar roupa à mão. Sim, porque gosto muito de lavar uns "paninhos" que não justificam o uso da máquina de lavar.

Enfim, o que quero mesmo chegar a vias de facto é que o “Depois” está lavado e pronto a receber a decoração. Gosto muito de ver o que por esse mundo virtual vai surgindo após pesquisas temáticas e ponho-me a pensar que é muito bom quem sabe a máxima: “Não compres… faz tu mesmo!”. Tem toda a razão, porque a vida não está para muitos gastos desnecessários e há que aproveitar a “prata da casa”. Não tendo muito de um ou outra vou fazer o melhor que sei e posso, se bem que uma ajudinha “in loco” seria como que um bom recurso amistoso. Adiante…

Tenho de dar um ar ao recinto de que, por um lado é garagem e, por outro, é um local acolhedor e útil para cozinhar, lavar e ter uma mesa para refeições em ambiente rústico e diferente do habitual.

Falta apenas colocar as prateleiras, a mesa, algumas cadeiras simples e preencher as paredes com umas molduras e umas antiguidades que marcam um tempo de recordações concentradas.

Hoje, se Deus quiser e nada acontecer pelo contrário, tenho essa tarefa pela frente. Quem sabe, após leitura deste artigo, não me aparece alguém com dotes decorativos para me aconselhar na parte final da obra que só de olhar já se nota uma grande diferença entre o “Antes” (que nem quero lembrar por tão mau que estava) e o “DEPOIS” que tanto pode ser obra familiar como de amizade coletiva, com direito a autógrafo na parede das recordações da Azoriana e família.

Aguardemos...

Angra do Heroísmo, 13 de novembro de 2013.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Ecos solitários

Sabes, estou a desaprender tudo o que me ensinaste. As palavras são ecos solitários num ser que viveu demasiado em comparação com outros seres cuja existência durou menos de um meio século. Cada dia que passo descubro novas fontes de linguagem, novas palavras que tendem a fazer com que as que me dizias percam a validade. Ou não será tanto assim? Será que as tuas palavras eram as corretas e agora estou a abraçar novas que não se adequam aos velhos tempos?

Complicamos tudo num amontoar de palavras mortas. Pela primeira vez (ou talvez não) sinto-me amarfanhada entre os escombros da vida. E, no entanto, estou viva mas sem ação.

Após divulgação destas palavras em post diário nas tecnologias da comunicação poucos ou nenhuns entenderão o cerne de um texto contendo ecos solitários. Porque, na verdade, somos uma floresta descarnada, transformados em amontoados de papelão famintos de olhares. Somos peças soltas num conjunto de entabulados deixados na prateleira da solidão. Afinal até somos o número que encima a sepultura mais fria e profunda de um pedaço de terra desenhada à medida e entabulada em divisões paralelas.

Porquê tanta luta na passagem terrena? Porquê tanto e tão pouco se viemos com pouco e vamos com muito menos?

Enquanto seres vivos do planeta habitável temos de seguir a regra e a circunstância, a decisão e a razão, a escada e o escadote, o púlpito e a cadeira, o verde, o vermelho e o azul entre tantos outros coloridos vitais.

Só não podemos ir contra seja o que for onde houver uma opinião formada.

12 de novembro de 2013

Rosa Silva (“Azoriana”)





Nota: Quem não entender o desenrolar dos parágrafos anteriores… Tenho pena, muita pena mesmo, mas mais não quero desdobrar, porque a prosa não será o meu forte. A rima é que me traz alegria aos molhos, um sorriso nos lábios que atinge os olhos.

No verão de S. Martinho baila a castanha e o vinho

Caldo verde vem na entrada
Logo o manjar de sardinha
E a volta ao canjirão dada
Com a castanha rainha.


 


No dia de S. Martinho
Não fiques de manta cortada
Avança para o quentinho
Caldo verde vem na entrada.


 


Que não te apoquente nada
Nem deixes a mesa sozinha
A malga desocupada
Logo o manjar de sardinha.


 


S. Martinho fica animado
Com uma castanha regada
Do vinho ora estreado
E a volta ao canjirão dada.


 


Anda tudo em roda-viva
Nos afazeres da cozinha
Há uma dança festiva
Com a castanha rainha.


 


Angra do Heroísmo, 11 de novembro de 2013
Rosa Silva (“Azoriana”)

Monólogo de sexta

16:28. Quarto silencioso numa ténue escuridão apenas camuflada com uma nesga de portada semicerrada. Um som vindo do piso inferior desarruma as ideias que se quedam no leito que serve de almofadado a um tormento intermitente. Lá fora, a rua que é sempre a mesma esteve, hoje, menos ruidosa. Os guardiões caninos de uma moradia em "standby" gemem no seu modo diurno. O mestre labuta em surdina interrompida por alguma peça que cai. De pouco ou nada servem as letras unidas por toques num teclado móvel e virtual. O dia é um punhado de igualdades. A tarde já caminha para a costumada noite que é apanágio de todos os sons que agoram mancam aos meus ouvidos. Jamais irei amar a solidão nua e crua, encurralada nas paredes do isolamento. Apenas a necessidade obriga a estágios de vida e vida diferente. Faltou-me o cheiro a café pingando da máquina matinal, faltou-me um beijo de aconchego, faltou-me o ritual dos dias iguais: levantar, lavar, vestir, comer, beber, sair beijando a cortina da alvorada, entrar no veículo acelerado de obrigações diárias e seguir o estado de graça laboral. Sem virar a linha que separa o parágrafo de uma escritura tonta eis-me prisioneira de mim, dos meus tormentos numa conchinha solitária mas em constante alvoroço de escritos com ou sem a bem-aventurada rima que é o bálsamo dos dias assim ou nem tanto. Eis-me na catedral de tantos escritos ditos poemas da inspiração com retalhos de paixão, alegria, tristeza, emoção, mas sobretudo com o que habita a moldura de um coração sem limites. Fica comigo agora e deixa que te diga e cante ao coração as palavras que jamais foram escritas mas existem no labirinto de um quarto à beira de uma nova noite que se espera de menor tormenta.


 


Rosa Silva (numa sexta-feira, melhor dia da semana)

A dor

A tristeza, meus leitores,
Faz calo em muitos doentes
Que procuram os doutores
Para curas insistentes.


 


Volta e meia sinto dores
Estou tão mal dos meus dentes
Que as mesmas sejam flores
No altar dos santos crentes.


 


Toda e qualquer dor seja
Uma flor para cada igreja
Que celebra o Amor.


 


Cada lágrima que nos cai
Seja louvor ao nosso Pai
E o perdão p'ró pecador.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Naquele tempo (lembrete)

Estava eu ainda solteira, nos meus tenros anos, quando um dente molar esquerdo começou a dar problemas. Recordo que fui de camioneta da freguesia Serreta até à Cruz da freguesia das Cinco Ribeiras e o restante caminho dali a pé até ao Pesqueiro, da freguesia de S. Bartolomeu de Regatos. Uma distância memorável para quem tem um dente queixoso.

Nessa tarde, o dente levou uns valentes acertos e foi composto de uma camada protetora sólida suficiente que aguentou até muito depois do nascimento dos meus filhos.

Nessa noite que jamais esqueci, chorei a bom chorar com dores horríveis. Costumo dizer, depois de saber o que é dar à luz, que antes quero ter um parto do que uma dor de dentes. É a verdade pura porque a dor não é tão duradoura como a de um dente cariado, em desespero.

Acontece que nada é eterno e muito menos a camada protetora de tamanha cratera dental. Enfim, eis que um belo dia lá ficou a zona do dente sujeita às intempéries diárias, sem qualquer proteção. Recentemente voltou a incomodar. Não só o mesmo como também o seu vizinho de trás. Dores de dentes são o pior que me pode acontecer.

Portanto, se Deus quiser, hoje vou ordenar-lhe (s) o despejo final. Já chega de tormenta, já chega de “palitar” o que não se deve palitar. É triste dizer adeus a um molar que nos acompanhou quase meio século mas é urgente a sua retirada.

Se tal efetivamente acontecer vai dar aso a um período de recolhimento de sorrisos abertos. Terei de permanecer de boca semicerrada para evitar que o lado esquerdo seja montra desdentada.


Encontrei o nome do meu blog em 2009

 


Uma vez que os blogues da plataforma do SAPO perfazem o seu 10º aniversário nada como assinalar a efeméride com alegria e, insisto, se Deus quiser, sem uma cárie dolorida que até fez nascer um artigo que servirá de lembrete futuro. É que, caso não tenham reparado, muitas das vezes e ao longo do tempo de blogger, os meus artigos servem de lembretes para quando a memória estiver cariada.

Entretanto se escapar desta terei poucas letras para lançamento porque na certa estarei a curtir uma noite de recuperação de novas tormentas (e se não atender algum chamado telefónico é porque não posso articular palavra).

4.11.2013

Rosa Silva (“Azoriana”)

Um dos novos talentos da Cantoria

A Lénio Parreira, da Serra da Ribeirinha

És dos Bravos, cantador,
Terra que te viu nascer
E terás o maior louvor
Se continuares a crescer.

Dá aos demais teu carinho
Com sorriso a combinar
Segue esse novo caminho
Que agora queres trilhar.

Não esqueças o doce lema
Que brota de cada poema
Que da tua alma descerra.

Abre a tua voz ao mundo
Que em quadra por um segundo
Eleva teu berço da Serra.

Rosa Silva ("Azoriana")

Temos poeta, ai temos, temos...

A Fernando Mendonça, o poeta

É maravilhosa a sua poesia
Que apetece conhecer mais
Está feliz a Rosa Maria
Por ter desperto os seus rosais.

E venham flores, rosas e cravos
Por essa tela de amor ardente
É feliz na terra dos bravos
Quem dá de si tudo o que sente.

Seja o poema um salvador
Uma capela de oração
De onde brota sempre o louvor
Com a moldura da emoção.

Vamos em frente rima tecida
Pela palavra de amor bordada
E assim se embeleza a vida
Com a doçura que é partilhada.

Abraço Rosa Silva ("Azoriana")

Mudam-se os tempos...

Foi-se o tempo do meu tempo
Da bela saca de retalhos
De outrora em passatempo
Ante o dia de finados.



Foi-se o tempo de pedir
Do dia que deixa de ser
Por já não se ver sorrir
Com sacas do bem-querer.

Por alma de antepassados
Se pedia em debandada
Os meninos entusiasmados:
"Soca vermelha soca rajada
Tranca no c*u a quem não dá nada!”

«Pão-por-Deus» da juventude
Minha e de mais alguém
Hoje perdeu a virtude
A folga se foi também.

Mas não haja arrelias
Seja o dia adiado
Pedir faz-se todos os dias
Não precisa ser feriado.

Domingo, dia do Senhor,
Enquanto se acreditar
Que a data só tem valor
Para quem lhe quiser dar.

Segunda, terça, quarta ou quinta,
Sexta, sábado e domingo,
São dias de correr tinta
E que não se veja em respingo.

Se a palavra é exata
E respinga por defesa
Há de atingir quem a mata
E nos causa mais tristeza.

Todos os Santos neste dia
Desde sempre que me lembro;
Das crianças em romaria
No dia 1 de novembro.

Enfim foi mais uma quebra
Na pausa para refletir
Porque já não se celebra
A esmola de pedir.

1-11-2013. Do Pão Por Deus.
Angra do Heroísmo

Rosa Silva (“Azoriana”)

A OSIT no CCCAH e a orquestra alemã «Blaswerk Leipzig»

A Orquestra de Sopros da Ilha Terceira (OSIT) foi criada no fim de 2012, com o objetivo de melhorar a qualidade musical da nossa terra.

Conhecendo a qualidade de muitos músicos desta Ilha, porém dispersos, entenderam que uma forma muito interessante de rentabilizar esses talentos seria formar um grupo onde se pudesse fazer música com qualidade.

Desta forma pretendemos ser um meio de formação, um exemplo a seguir e um incentivo a todos os músicos para que tenham vontade de evoluir.

A Orquestra de Sopros da Ilha Terceira é um projeto independente, não pertencendo a nenhuma entidade ou instituição, contudo os seus músicos fazem parte de muitas filarmónicas e de outros grupos musicais da Ilha. Pretende-se assim que seja possível um enriquecimento para cada músico e para os grupos dos quais fazem parte.


 


Maestro: Antero Ávila


 


Fonte: Bandas Filarmónicas


 


Outras notícias:


 


21H00 - O Diretor Regional a Cultura, Nuno Lopes, assiste ao concerto da Orquestra de Sopros da Ilha Terceira, no âmbito do intercâmbio com a orquestra alemã Blaswerk Leipzig.


 


Local: Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.


 


Fonte: Agenda do Governo Regional dos Açores para 31-10-2013.


 


Apontamento pessoal:


 


Tive o imensurável gosto de estar presente junto das bandas musicais e dos ouvintes no auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo que nos deliciaram com as suas atuações ao ponto do aplauso de pé e bastante audível.

É com elevada estima que, como mãe de um dos músicos, sinto um regozijo especial. Iniciou esta atividade, na OSIT, aos 16 anos e continua com um entusiasmo e amor próprios. Assíduo nos ensaios na Escola Tomás de Borba e com prontidão aos Concertos que a nova Orquestra de Sopros da Ilha Terceira (OSIT) vai levando a cabo, desta feita, numa ligação com outro país - a Alemanha.

A melhor frase que encontro para definir o meu sentimento perante o Concerto de 31-10-2013 é: a música é universal e ama-se quando feita com alma, a alma terceirense e picoense do seu maestro Antero Ávila.

Bem-haja a todos os músicos e ao(s) seu(s) maestro(s).

Viva a OSIT!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Dez anos conto da tua partida

Olhos fechados p'ra sempre foi...
Há dez anos que eu conto
Mas esse fecho não me dói
Abriu os meus ponto por ponto.

Olhos abertos sem dilema
Às novas cores da vida
Na criação do poema
Com a verve tão sentida.

Um olhar também foi luz
Duma página criada
Que porventura supus
Ficar sendo sua morada.

A morada de um poema
Nascido para dar espanto
Há de ter vida suprema
Na voz que lhe der canto.

Rosa Silva (“Azoriana”)


 



Eyes closed forever gone ...
Ten years ago that I mean
But this closure has no stone
Opened my eyes and made them clean.

Eyes opened without quandary
To new life colors
To make a poem glossary
With such knowledge and honors.

One look released so bright
For a dedicated page
I guessed there's such a sight
To become his light stage.

There's the poem's dwelling
Borned to give astonishment
There'll be more than feeling
Just one voice will give his polishment.


Perante a dor e o sofrimento

Não sei o que dizer, é verdade,
Perante a dor e o sofrimento
O silêncio é tudo o que me invade
Apenas uma palavra no momento.

Aguenta a força da amizade
Suporta com a fé o teu tormento
Olha o rosto da santidade
Aguenta firme com teu talento.

A vida é feita de sacrifício
Sempre na mira o nosso ofício
Que cada dia temos de abraçar.

Porque a vida outra Vida tem
No dia e hora que a todos vem
E ninguém sabe quando irá chegar.

Rosa Silva. ("Azoriana")

Aos Sonetos de João Mendonça

Multicousas lindas, belas,
Que ainda ficam muito mais
Quando em letras e em aguarelas
São louvadas por jograis.


 


De "lava e incenso" as telas
De sonetos lindos sinais
Que brilham pelas janelas
E não se olvidam, jamais!


 


João Mendonça inaugura
Uma proeza literária
De jogral de sã cultura.


 


João Mendonça se evoca
Em verve extraordinária
Na chave de ouro nos toca.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Os “comeres” e os “beberes”

O mesmo que dizer as comidas e as bebidas, em toda a sua parca abundância, estão na moda.


 


E porque este cabeçalho, ou melhor, título de artigo numa sexta-feira de que gostava imenso agarrar com unhas e dentes ao ponto de não mais largar, ou ainda, amarrar com atilhos resistentes o sábado e o domingo (dias que Deus nos deu de prémio para o descanso, pese embora, serem dias de trabalho para muitos e muitas que nem sabem o que é o descanso), digo, amarrar bem sem hipótese de desprendimento porque, no meu caso, é deveras bem-vindo o fim-de-semana seja ele de chuva, vento ou de um sol que tonaliza os ares de laranjas em novelos matinais de algodão.


 


[Faço aqui uma pausa para relembrar os leitores que em tempos avisei que ao escrever prosa linear não é bom sinal, isto é, prefiro a rima a escrever prosa ao comprido. A rima faz-me feliz porque só por si traz a melodia que há dentro de nós.]


 


Sem mais rodeios e parenteses retos deparo que ultimamente os jantares, almoços, reuniões com beberetes e outras comilanças são o prato forte para angariar fundos para “x”, “y” ou “z”. De tanto repasto acabamos por nos recolher ao lar nem que seja para comer umas poucas sopas de pão numa malga de leite da nossa querida vaquinha. Isto é só um exemplo de como poupar na mesa no sólido e no líquido. Mas quem gosta de passar a sopas de leite?! Já não há boca que queira, salvo algumas exceções… Gosto muito de pão e gosto muito de leite, queijo fresco e todos os derivados do líquido precioso.


 


Com isto não quero desanimar os organizadores de esta ou aquela festa dos “comeres” e dos “beberes” e sei que isso além de dar uma trabalheira fenomenal acaba por dar algum lucro, suponho.


 


Mas sem este manancial de iguarias ou pratos sugestivos para qualquer época festiva que se atravesse ao longo do ano como seria para ganhar patacas suficientes para levar a cabo o festejo (ou o fim lucrativo ou a solidariedade social)? Não seria e ponto final.


 


Mas, insisto, como se vai conseguir satisfazer tantos “comeres” e tantos “beberes” que vão surgindo em catadupa? Sinceramente não é fácil… Se não veja-se: Se o manjar for gratuito ou em troca de algum contributo pessoal, a coisa ainda se aguenta (pudera… não custa mas assusta) mas, se pelo contrário, for em troca de notas e/ou moeda grossa a coisa já muda de figura e o repasto fica-se por meia dúzia de comensais…


 


Sugestão: Não há?! Poupe-se ou abra-se o FRUFUL - Fundo Regional Útil para o Festejo e Utilizações Lucrativas. Que tal? Esta sim seria uma "panela" sem fundo e com muito conduto. {#emotions_dlg.bunny}


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Uma imagem (repetente) com palavras (repentistas)


 


No seio do mar imenso
Há dos peixes a aventura;
Na terra há faia, incenso,
E o ventrículo da ternura.

Mar e terra num intenso
Mosto de sal e doçura...
Um véu de espuma suspenso
No rochedo em altura.

E o amor que de mim arde
No ventrículo da tarde
Com olhares para o poente...

Foi gerado pela mãe terra
No berço que uniu a serra
Ao mar que deu a semente.

Rosa Silva (“Azoriana”)



In the bosom of the immense sea
There are most fish adventure
On earth there are beech, incense,
By the tenderness ventricle.

Ocean and earth in an intense
Mash salt and sweetness ...
A veil of foam suspended
On the rock at height.

And the love which burns me
In the late ventricle
With looks to the sunset...

It was generated by Mother Earth
By the crib which united the mountain
To the sea which gave the seed.


Rosa Silva ("Azoriana") & Google tradutor

Ilha Brava e Doce (parece que voltou)


Ilha brava e doce
Quem foi que te trouxe
Sempre junto do mar?




Ilha
Bordada de palavras
no bailado da brisa
entre um porto de aventura
e uma rocha de ternura

És magia
uma flor aberta ao dia
uma maré de amores
universo de mil flores
num decote de prazer
um doce amanhecer
da primavera da vida.

És regaço de ilhéus
És ventre de uma cratera
Que deixou de ser.

És embrião de esperança
um olhar doce de criança
cada vez que a deixas viver.

És farol de salvação
uma estátua verde
uma tela de vida
no horizonte traçada
e do mar erguida.

És o rebentar de emoções
na maresia dos sentidos
no patamar do mundo
nesse Atlântico profundo.

És Ilha
ancorada
aos meus silêncios.

@2007/11/01 Terceirense

 

Nota: Parece que voltou com uma conversa entre amigos...

“Mais vale cair em graça do que ser engraçado”, lá diz o provérbio…

Diz o ditado na boca do povo. É assim mesmo e aplica-se ao dia-a-dia em ocasiões que se veem a olho nu. Recentemente veio-me à ideia esse velho provérbio. Quando se é popular e conhecido com graça tudo fica bem nem que seja uma pouca de m****. Quem, infelizmente, se quer fazer engraçado acaba por não ter graça nenhuma. Portanto, vale a primeira parte do provérbio: cair em graça!

Para mim tanto faz. Tanto uma como outra não me trazem comida para a boca e essa, sim, é que faz falta e muita, sobretudo nos tempos que vão correndo sem graça nenhuma.

Mas isto tudo para chegar a uma questão que me anda a apoquentar e não é de hoje, nem de ontem ou anteontem… Prende-se com os nossos tradicionais (consagrados ou não) cantadores do improviso nato, sobretudo os mais antigos com anos de carreira feliz e competente. Esses que, salvo melhor opinião, me parecem estar melindrados com uma certa “graça” que os novos vão tendo nos palcos por essas freguesias da ilha Terceira e não só.

Com o parágrafo anterior não quero lançar lume na fogueira nem acender a discussão nem o diz-que-disse… Nada disso! Quero apenas ALERTAR os mais novos (onde me incluo muito pela rama pois não me sinto cantadeira nem para lá perto ainda) para uma situação que já me apercebi mesmo sem estar diretamente envolvida na contenda. Há que dar valor aos “velhinhos” cantadores do desafio (e em certa medida tem-se dado com homenagens e muita ovação) porque são eles que vão legando maravilhas quais pérolas preciosas do improviso cujo dom não se estuda, não se compra nem se vende, tem-se.

Para vincar essa maravilha, julgo eu, foi precisamente criada a Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores para solidificar e apetrechar de vénias o que é tão genuíno das ilhas açorianas e da sua cultura popular.

Penso que ainda não coloquei por escrito o que me vai na alma com este floreado texto… Será que já conseguiram entender o que quero dizer?!

“Para bom entendedor meia palavra basta” é mais um provérbio que aplico neste final porque não quero ferir suscetibilidades. Acho que está na hora de atribuir o mérito devido aos nossos “velhinhos” cantadores não com “blá-blá-blá” mas com a sua presença em certos acontecimentos que os deixam de fora e deviam estar dentro para se puder chamar um verdadeiro festejo açoriano com valores que não há quem derrube.

E os “velhinhos” cantadores também não se devem ofender demasiado com o facto de ainda não lhes ser dada a “carteira profissional” porque se formos a profissionalizar ou a elevar demasiado o que o povo gosta puro e são, estamos sujeitos a entrar por uma área que se perde a beleza, a autenticidade e o amor ao que vem da alma de ilhéus.

Penso, ainda, que está-se a entrar por uma categoria demasiado elevada das cantigas ao desafio que restringe, à partida, os que querem e não podem ir diretamente para o estrelato atual. Será mentira o que estou a desabafar?!

Os arraiais não mentem… nem tão pouco o povo que se habitua a uma qualidade (em itálico porque tenho algumas dúvidas, confesso) que dificilmente irá ter retrocesso. É como diz o ditado: Mais vale cair em graça do que ser engraçado!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Honras aos Bombeiros Voluntários


 


VIDA POR VIDA


 


Vida por Vida
Mão a mão
Força unida
Sempre em ação.


 



Passo a passo
Sempre ligeiro
O desembaraço
É do Bombeiro.


 


Leva o machado
E paz ao que arda
Vai nosso soldado
Pró fogo de farda.


 


Fardados se movem
Os homens do bem
São os que socorrem
Os que a perder vem.


 


Mais honras se dê
A estes audazes
Sabemos à mercê
E à morte capazes.


 


Do mundo heróis
Em Corporação;
Da Paz todos sóis
Por nobre missão.

 


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

22 de outubro: Santa Rita de Cássia

Por ser digno de registo e divulgação, transcrevo, na íntegra, um poema histórico da autoria do Sr. Fernando Mendonça, sobre Santa Rita de Cássia, sua padroeira, cuja Festa se celebra amanhã na Igreja do Juncal - Santa Rita, do concelho da Praia da Vitória.


 






Dia 22 de Outubro vamos celebrar:
O dia da nossa amada Padroeira,
Com missa e honras para louvar,
Uma Santa adorada em toda a Ilha inteira!

Rita de Cássia, essa Santa se chamava.
De Cássia pelo nome do convento,
Onde teve o resto da vida passada,
Depois de ter vivido tanto tormento!

Nasceu em Itália, numa aldeia remota,
Filha de pais austeros, e idade avançada,
Queria era ser freira, por ser muito devota,
Mas os pais entenderam não ser essa a sua alçada.

Obrigaram-na a casar com um jovem adolescente,
Que mais tarde deu na bebida e até a maltratou.
Nunca desanimando, foi seguindo sempre em frente
E com seu procedimento seu marido modificou!

Mais tarde seu marido foi então assassinado,
Do qual tinha dois gémeos que o quiseram vingar.
Como não queria ver mais sangue derramado,
Implorou, rezando a Deus para isso não se dar!

Uma doença mortal a tal vingança impediu
Ficando então Rita sem filhos nem marido,
E foi então aí, que sua vocação seguiu:
Entrando no convento, como a Deus tinha pedido!

Entretanto sua vida piedosa, a Cristo consagrou,
Um espinho da cruz de Cristo em sua fronte apareceu,
Criando-lhe uma chaga que nunca mais sarou!
Aceitando sua cruz, em vez de chorar, agradeceu!

E assim, nesse convento acabou for falecer
Onde seus restos mortais continuam imperecíveis
Ficando assim todo o mundo Santa Rita a conhecer!
E hoje ainda a chamam: A dos milagres impossíveis!



2013. Fernando Mendonça



Nota: Muito obrigada, amigo, por me concederes esta honra!

Análise pessoal

Uma quadra que cantei durante o I Festival da Cantoria dos Açores, que decorreu a 19 de outubro de 2013, na Praia da Vitória, foi a seguinte:


 


A cantiga vai no mar alto
A palavra vai por terra
A rima só dá um salto
Se do coração descerra.


 


Quando a pronunciei repentinamente e na continuação de idolatrar a cantiga e a palavra, não tinha a mensagem descodificada em pleno mas sabia o que me ia na alma, metaforicamente. Na ocasião que os versos saem velozes e a ritmo de viola e violão (ou vice-versa) não dá para se explicar o que nos salta à mente. Depois, e já nas lides normais diárias, é que fica a pairar o que se deixou no ar.


 


Ao longo dos tempos houve muitas cantigas de improviso que se descodificaram também nas mentes do próprio e dos ouvintes que, segundo me apercebo, captam o que de melhor ouvem e gravam na memória até que sejam finitos.


 


E foi precisamente no sábado que, durante o jantar que reuniu um salão de gente que gosta do improviso ao desafio, tive a oportunidade de conhecer um senhor da Vila de S. Sebastião que tem uma memória sã e profunda de tudo quanto foi captando ao longo da sua vida, cuja cabeleira já se vestiu de branco. Ele conseguia relatar quadras que ouviu, durante a sua vida, ao pormenor e com um gosto percetível, dos antigos e dos novos cantadores ao desafio. Impressionante! Também de historiador tem muito que se lhe diga… Conseguiu captar a atenção dos que o rodeavam na mesa da refeição para a história da Batalha da Salga, que se não fosse o início da cantoria da noite, teria concluído o relato de uma forma clara e entusiasmante. Parece uma enciclopédia açoriana e vê-se que é uma pessoa de poucas letras mas instruída pelo curso da vida quotidiana e de muito que também já deve ter lido ao longo da mesma. Pena que não fixei o nome mas acho que não perdi a fisionomia e o reconhecerei em qualquer parte da ilha.


 


Voltando à quadra. O que ela quer dizer verso por verso é:


 


A cantiga vai no mar alto


 


As cantigas já atingem um patamar de maior nível e apenas tem valor maior as que se consagram ou são melhor apreciadas. Comparativamente só vai no mar alto todo aquele motor que se aguenta quer em bonança quer em tempestade.


 


A palavra vai por terra


 


A palavra é pronunciada por toda a gente que vive e labuta no dia-a-dia, onde quer que esteja. É em terra que se vive a maior parte do tempo, independentemente de ter ou não qualidade. Fala-se e pronto.


 


A rima só dá um salto


 


Este termo - salto - refere-se propriamente ao atingir um nível superior, isto é, de relativa qualidade. Nem toda a rima tem o tónico para atingir a qualidade se desfasada de contexto. Há uma evolução se a prática for continuada, isso não haja dúvida.


 


A rima só dá um salto, Se do coração descerra.


 


Juntando o terceiro verso com o quarto que não se podem dissociar, encontramos a definição exata do poder da rima que se for ditada pelo coração terá um valor precioso. É precisamente do coração que saem muitas das rimas das cantigas que ouvimos no mundo do improviso e que perduram na mente dos populares que amam o que é nosso e genuinamente ilhéu.


 


Não sendo uma quadra com sentido objetivo direto e percetível sem recurso ao exame verso a verso, é o meu tesourinho. É isto o que eu sinto depois de ter encetado nestas andanças que jamais me parecia vir a trilhar: A verdadeira rima só dá um salto se do coração descerra. É por isso que chego a emocionar-me com a minha própria escrita (ou atuação) em determinadas ocasiões.


Bem-haja quem me proporciona estas reflexões e, neste caso, foi o I Festival da Cantoria.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)


 


N.B. Artigo relacionado com o anterior.

2ª Atuação no I Festival da Cantoria dos Açores. na Praia da Vitória

1º Festival da Cantoria dos Açores
“Açores a cantar”




Local: Sede dos Bombeiros Voluntários da Praia da Vitória


2013/10/19 - Sábado



2ª Atuação: Rosa Silva e Donato Parreira (por sorteio prévio)




Rosa Silva (RS)




Padre, Filho, Espír’to Santo
Abençoe o povo ilhéu
Esta sala tem um encanto
Parece estrelas do céu.




Donato Parreira (DP)




Peço a Deus inspiração
Nesta quadra que é minha
E cumprimentar o salão
De quem veio da Ribeirinha.




RS




Atrás de mim tem um lema,
E cumprimento o Donato:
«Vida por Vida» um poema
Que lhe dará fino trato.




DP




Eu canto com uma pessoa vaidosa
Que tem o ar de jasmim
Ela tem o nome de Rosa
E faz parte do meu jardim.




RS




Tua quadra vem da Serra
A minha traz a Rainha
Minha Mãe não me dá guerra
Porque gosta da Ribeirinha.




DP




Aqui acima somos inimigos
Já te posso aqui dizer
Lá em baixo somos amigos
Com todo o meu prazer.




RS




Tu não me vás tratar mal
Hoje somos amadores
Dou louvores ao Festival
Que representa os Açores.




DP




Nesta quadra de primeira
Eu digo aqui assim
Nós estamos na Terceira
Por isso é mesmo assim.




RS




A bem dizer é uma festa,
Para gregos e troianos
E a mim o que me resta
É aceitar os enganos.




DP




Uma coisa quero-te pedir
Já que não sou nenhum santo
Por acaso se eu cair
Dá uma mão para me levanto.




RS




Eu sou uma mulher de fé,
E ajudo qualquer um,
Para te manter de pé
Não dá trabalho nenhum.




DP




Eu digo neste salão
Digo isso digo a glória
Tu não me metes medo não
Estamos na Praia da Vitória.




RS




Tua jarra ‘tá deitada
Não te meta impressão
A minha ‘tá levantada
Para te dar a sua mão.




DP




Ó Rosa da Serreta
Digo-te nas minhas fracas cantigas
Eu por acaso não estou perneta
Não penses que sou as tuas amigas.




RS




Eu perneta não te quero,
Tens de ter boa captação;
O meu desejo sincero
É que faças rir este salão.




DP




Digo às senhoras e digo aos senhores,
Que não sou nenhum cantador
Mas também não sou tocador
Por isso …..(pausa)




RS




Tu o riso conseguiste
Não pensei ser tão depressa
Mas é um caso que existe
E não percas a promessa.




DP




A cantoria é arte definida
Na forma de descrever
Seja qual for a vida
Pode fazer gozar como sofrer.




RS




A palavra é abençoada
O verso é uma canção
Eu até ‘tou conformada
Com o que tenho de quinhão.




DP




Ser artista é ser alguém
Que bom é ser artista
É ir muito mais além
Do que a nossa própria vista.




RS




A cantiga nos saúda
E a palavra vai além
Improviso não se estuda
Ou se tem ou se não tem.




DP




Ser cantador é uma força imponente
Que não se compra nem se vende
Nasce e morre com a gente
Não se ensina e não se aprende.




RS




A cantiga vai no mar alto
A palavra vai por terra
A rima só dá um salto
Se do coração descerra.




DP




Eu venho da Ribeirinha
Cantar sem saber cantar
E nessa quadra que é minha
Digo assim neste lugar
E não penses que tens a mania
De também saber cantar.




RS




Digo-te já neste dia
E que fique na memória
Eu louvo a cantoria
Toda a sua trajetória
Pra mim já é uma regalia
Cantar na Praia da Vitória.




DP




Ser poeta é alguém que se eleva
Tu és amiga do bem
Tu és a luz da treva
Tu és tudo o que convém
Quem parte saudades leva
Quem fica saudades tem.




RS




Não te quero deixar mal
Perante velho e novo
Isto é o 1º Festival
Com a presença do povo
A todo o nosso pessoal
Do meu coração eu louvo.




DP




Adeus povo português
Assistência dessa cantoria
Hoje aqui não houve estupidez
E graças de tal maneira
Agora só palmas pra vocês
E pra toda a freguesia.




RS




Nobre sala hospitaleira,
Sóis o manto da Rainha;
Nos anais desta Terceira
Se guarde a ideia minha:
A cantar à minha beira,
Está um novato da Ribeirinha.




FIM





Nota: Obrigada a FG Pereira pelas captações de imagem de todas as cantorias e atuações na ilha Terceira