Mudam-se os tempos...

Foi-se o tempo do meu tempo
Da bela saca de retalhos
De outrora em passatempo
Ante o dia de finados.



Foi-se o tempo de pedir
Do dia que deixa de ser
Por já não se ver sorrir
Com sacas do bem-querer.

Por alma de antepassados
Se pedia em debandada
Os meninos entusiasmados:
"Soca vermelha soca rajada
Tranca no c*u a quem não dá nada!”

«Pão-por-Deus» da juventude
Minha e de mais alguém
Hoje perdeu a virtude
A folga se foi também.

Mas não haja arrelias
Seja o dia adiado
Pedir faz-se todos os dias
Não precisa ser feriado.

Domingo, dia do Senhor,
Enquanto se acreditar
Que a data só tem valor
Para quem lhe quiser dar.

Segunda, terça, quarta ou quinta,
Sexta, sábado e domingo,
São dias de correr tinta
E que não se veja em respingo.

Se a palavra é exata
E respinga por defesa
Há de atingir quem a mata
E nos causa mais tristeza.

Todos os Santos neste dia
Desde sempre que me lembro;
Das crianças em romaria
No dia 1 de novembro.

Enfim foi mais uma quebra
Na pausa para refletir
Porque já não se celebra
A esmola de pedir.

1-11-2013. Do Pão Por Deus.
Angra do Heroísmo

Rosa Silva (“Azoriana”)

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