Versos crus de felicidade



Minha alma é um fio retorcido
P’las malhas de uma doce ventania.
Se páro esse reflexo dá-me azia,
E faz cair o verso ao comprido.

Tento que ele renasça com sentido...
Mas a bruma assombra a foz do dia
E dá-me o calafrio da fantasia
De ter um verso novo assim erguido.

E tento sempre soltá-lo ao vento,
Na vontade de dar-lhe realeza
Num verso rente à norma portuguesa.

Crua dor tranca-se no pensamento
Da cor mais negra, digo insanidade,
Queima o que penso ser felicidade.

Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Índice temático: Desenho sonetos

O que um toiro nos faz...

Respiro fundo. Tenha ou não erros gramaticais, não liguem. São escritos da "Azoriana", digo, Rosa Silva, que nasceu na pacata e solene freguesia da Serreta e que, graças a ter uns pais que lhe deram tudo o que conseguiram dar, foi estudante no Liceu de Angra do Heroísmo, e vive na bonita cidade património mundial desde que a vida lhe pregou algumas partidas. Não tenho nenhum curso "pós-qualquer-coisa" mas tenho-me dedicado de corpo e alma aos meus blogues («Azoriana / Açoriana», é o que tem mais horas) e a páginas pessoais com o olhar fixo na minha terra natal que atrai multidões sobretudo na segunda semana de Setembro. Certamente saberão porquê pois para quem vive nesta ilha sabe de tudo ou quase tudo.


 


Adiante...


 


Estava eu no fim de mais um dia de trabalho e alguém me pergunta: - Já leste o jornal sobre "os maricas para São Miguel"?!


 


Movida por uma mola fui à mesa onde assentam os jornais. Nada. Não encontrei o jornal em ebulição na minha mente... - O que será que vem por aí abaixo, pensava com os meus botões, não me digam que vão levar tudo mesmo para São Miguel?!...


 


Eu gosto da ilha de São Miguel e já fui muito bem tratada lá e até, com a ajuda de um colega bloguista, convidámos três bloguistas micaelenses para virem à ilha Terceira confraternizar connosco e não tivemos razões de arrependimento.


 


Passou-se. Mais um dia com isto na ideia. Fui à internet fazer a pesquisa e nada. O dito jornal está em "banho-maria".


 


Eis que o novo dia trouxe o jornal para a dita mesa que os acarinha. Li a página 2, com data de 30 de Julho de 2008, cujo título salta à vista: "Não querem levar os maricas também?", da autoria de Jorge Silva - O Eterno Estudante (10). Li muito pausadamente e uma mola impeliu-me para querer ler mais escritos deste senhor que me encheu a alma de contentamento por vários motivos. Um deles foi querer ler mais do que ele escreve. Gostei. Sinceramente, gostei deste artigo que não têm papas na escrita.


 


Só me baila na cabeça a última parte do artigo: "Levem os políticos, levem os clubes de futebol, levem os tais que estão no título, levem a Via Rápida para adiantar a ligação ao Nordeste, levem o que resta da universidade, levem a diocese e o bispo, mas deixem ficar a Sé e os toiros, por favor! A Sé para nós rezarmos a pedir protecção contra a inveja e o mau-olhado, e os toiros para quando quiserem vir cá conquistar a Terceira nós podermos reeditar a Batalha da Salga... Aí vão levar com eles, ai vão, vão!" - Respirei fundo e balbuciei: - Boca santa! É assim mesmo que se "fala". O que um toiro nos faz e é isso que nos salva. É que nisto de toiros e touradas ninguém ouse roubá-los de nós porque vão levar sempre com marradas bastantes.


 


Deixo-vos o link para a página deste excelente escritor, professor que é um eterno estudante


 


Rosa Silva ("Azoriana")


 


P.S. Pressinto que este é o primeiro de uns quantos artigos assim o Prof. Jorge Silva (mesmo apelido que o meu mesmo sem sermos parentes ou conhecidos sequer) me vá picando com suas "aguilhadas" bem lustrosas. (Aguilhada é um pau com um espeto na ponta para orientar o gado no curral, cerrado ou outro sítio qualquer.)

FRI-LUSO N.° 30 Agosto

Já está on-line o novo número 30 do Jornal Fri-luso, de Jorge Vicente.


 


Gostei imenso deste jornal e a D. Clarisse de Góis, também.


 


Esta amiga ofereceu-me umas sextilhas que me inspiraram um agradecimento triplo: para a minha amiga, para o autor do jornal e para o poeta que me deu conhecimento deste periódico. O jornal reúne biografias de vários escritores e poetas.


 


Ó que surpresa tão bela,

Vejo na minha janela

Aberta de par em par;

Mesmo sendo virtual

Trato-a de forma igual

Para mais rosas lhe dar.



Muito obrigada, amiga,

P'la frescura da cantiga

Por rosas emoldurada;

A Jorge Vicente também

Estou grata, como convém,

E rima foi-lhe enviada.




Fri-luso é bom jornal

Com um toque especial

Que encanta seus leitores;

Foi graças a um poeta,

Nelson Fontes, lusa meta

Num convite p'ros Açores.




Foi ele que me indicou

O jornal que me levou

A passear pela Suíça.

Elogios p'ro seu autor

Que acolhe com amor

Todos em boa justiça.



 


Rosa Silva ("Azoriana")

O grande "Monstro" das tapadas pereceu

(O "Monstro"das Tapadas), morreu a 27 de Julho de 2008.


 


A notícia lê-se em vários blogs, mas chamou-me a atenção o blog de "my name is fair play" e o blog de "futebol, gente e toiros", entre outros.



“My name is fair play” apelidou-o de “Monstro das Tapadas”, no verão de 2006. Foi o próprio que me disponibilizou esta imagem, que muito agradeço:


 



Foto: Paulo Almeida

Os blogs de temática taurina associaram-se a ele e sentiram a sua perda.



Eu, pessoalmente, não o vi nas ruas mas vi-o em muitas fotos e videos.



Ouço por todo o lado: morreu o 64 do Ti’ Humberto Filipe.



Penso... Este toiro ficará na recordação de muitos aficionados. Dedico-lhe umas quadras:


 


Grande "Monstro" das tapadas

(morreu a 27 de Julho de 2008)



Sessenta e quatro sucumbiu,

Grande "Monstro" das tapadas,

Toiro assim nunca se viu

Na ilha e pelas estradas.



A festa brava perdeu

Uma atracção especial

O ganadeiro sofreu

Uma perda intemporal.



E de todas as varandas

Tal visita se desfez;

Sei que por elas não andas...

Foi-se, o Bravo, de vez.



Nesta ilha mais taurina,

Terceira, flor de bravura,

Desfila agora em surdina

O adeus com mais ternura.



Rosa Silva (“Azoriana”)

Queimado (Ponta do)



Há um queimado deitado
Bico lesto pelo mar
Que o lesa todas as noites,
Manhãs e tardes
E ele nunca se acaba.

Eu vi o bico deitado...
Mergulhei na tarde de mim
E descobri que o bico atrai mais gente
Que o vê tal como eu... na ponta do mar.

A luz da noite ilumina-o de negro...
O negro que cobre
A ponta solitária
Na intimidade da terra
E na profundidade do mar
Na simbiose total.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Dia da Freguesia - Serreta 2008

A 19 km de Angra do Heroísmo, fica a freguesia da Serreta.

Hoje foi o dia da freguesia que foi comemorado na já conhecida...


 



 


Sob a beleza do arvoredo...


 



 


e das flores do altar para a Missa Campal...




 


houve lugar para comes e bebes, bebes e comes...


 



 


música da alegre Filarmónica Recreio Serretense, lembranças e sorteio. Um dos sorteios saiu a mim. Foi a maior surpresa!


 



houve danças e rodas e venceu a alegria de um povo que festeja com o coração. O mandamento do amor é o mote para quem festeja assim e foi a mensagem do Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres.


 




 


Foi uma comemoração que adorei e muito agradeço ao Presidente da Junta de Freguesia, que representa este povo, e nos proporcionou momentos inesquecíveis.


 


Abaixo, coloco a lista de alguns vídeos que disponibilizo para aqueles que tem saudades do seu torrão natal e conhecem este encanto e as tocatas que já sabem de cor, após um concerto da nossa Filarmónica Recreio Serretense.


 


Video #1, #2, #3 e #4.


 


Estava exposta a maqueta da localização da nova da nova obra para a freguesia.


 



 


E foi um dia muito bem passado. Obrigada a todos e ao Presidente da Freguesia, Sérgio Cardoso e família pelo convite que nos dirigiu.

E Viva a Serreta!

Andei a pesquisar na net e...

Num sábado especial por um lado (numa visita que me fez bem à alma e que adorei), e, por outro, um sábado um tanto deprimente mais para o fim, porque dei por mim a pesquisar na net como quem anda à cata de algo que lhe tire os pensamentos de alguns assuntos que me atormentam...



Pois é, andei, andei, digo, naveguei, naveguei e eis que encontro o meu logótipo posicionado num sítio onde se pode apreciar uma colectânea de muitos outros sítios. Entreti-me com alguns cenas especiais mesmo na frente dos meus olhos.



Que esta imagem não seja interpretada como qualquer cena de publicidade, que isso não me compete, mas como forma de retribuir uma gentileza que foi feita a este meu blog alojado em terreno português e muito bem apoiado a todos os níveis.


 


Agradeço, publicamente, ao autor desta graciosidade, cujo selo eu editei conforme a imagem que lá encontrei. Se houver algum problema é favor avisarem-me que eu seguirei a observação. Também o coloquei junto dos blogs e outras páginas pessoais de diversos autores que costumo visitar.


 


Juro-vos: É de dentro meu improviso

Na cozinha, enquanto a máquina lavava a roupa e no tacho cheirava a sopa, meti-me a cantar na toada da moda do Pezinho, e fui rascunhando para passar para o blog. Diria que é uma simulação de cantoria ao vivo. Espero que gostem, sobretudo quem sabe desta tradição terceirense, que penso estar a fraquejar porque falta uma mulher com os cantadores a improvisar...

Fecho os olhos e imagino um arraial com algumas curiosas pessoas e lanço o desafio. Entre [...] será a deixa para quem quiser entrar neste desafio. Depois tirarei os [...] e colocarei a rima que, por ventura, aparecer em comentário.

Então, vamos lá:


Minha estreia foi sozinha (título sujeito a alteração)


 


Saúdo o povo amigo
Com o meu primeiro canto:
Qu'esteja a cantar comigo
O Divino Espírito Santo!

[...]

Não há esperteza na voz
Nasci dentro de nevoeiro,
Mas a casa dos meus avós
Era perto da do Barbeiro.

[...]

E lembrei-me agora dele,
Porque o via amiúde,
Levava a pasta com ele
No tempo sorria saúde.

[...]

Acho que usava chapéu,
Sua conversa era calma,
E por ser nosso ilhéu
Rezo, nesta, p'la sua alma.

[...]

Poucas falas então tinha
Porque era uma pequena;
Mas agora esta "vizinha"
Canta-lhe a sua pena.

[...]

Se na altura eu lhe canto,
Uma quadra ao Deus dará,
Por volta do Espír'to Santo
Teria ido ao Canadá.

[...]

O Barbeiro, pessoa recta,
Tinha o nome do meu avô,
Daquele não sendo neta,
A rima p'ra mim voou.

[...]

Se dom trago de nascença,
Já sei quem me deu a musa,
Foi muito de uma crença
Que nossa terra bem usa.

[...]

É do Culto do Divino,
Que inspira qualquer um,
Que O segue de pequenino
E nesta ilha é comum.

[...]

Lembro que a minha mãe,
Da Serreta, tão devota,
Ao «Pezinho» queria bem,
Agora, por mim, se nota.

[...]

Delegou-me o desafio,
Quando a alma foi p'ro Céu,
E até eu me arrepio
Com a força que me deu.

[...]

Não pensem que improviso
Sempre na hora que quero;
Há dias que meu juízo,
Se é mudo já desespero.

[...]

Uma mulher não se atreve
A cantar com os demais,
Dizem que a mulher não deve
Ir além dos seus quintais.

[...]

Agora aqui apareci,
Com o gosto mais profundo,
À Virgem dos Milagres pedi,
Que o verso fosse fecundo.

[...]

Ela é nossa Padroeira,
Lá feliz no Santuário,
É a Mãe da ilha inteira,
E de quem ama seu Rosário.

[...]

Eu sou uma pessoa crente
Mesmo qu'isso não se note,
Cá dentro 'inda é fervente
O que me deram de dote.

[...]

Não há amor verdadeiro
Nem razão para viver,
Se não tivermos primeiro,
Um exemplo para crer.

[...]

O exemplo que recebi
Lá no seio dos meus pais,
Foi com ele que venci
Muitas batalhas reais.

[...]

É na luz do firmamento,
Que debruço o meu olhar,
Se vejo que não aguento
Algo que venha atacar.

[...]

A fé trago de um monte,
Vestido de solidão,
Na Serreta, ali defronte,
Trouxe do mar a visão.

[...]

Esta foi a vez primeira,
Que simulei cantoria,
Se for esta a derradeira,
Feliz fui por um só dia!

A Cagarra Azoriana
Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/26

Nota: Dedico estas quadras à minha família e por alma do Sr. Manuel Gonçalves Correia de Melo Júnior e do meu avô que se chamava Manuel Gonçalves Correia, da freguesia da Serreta, concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira - Açores.

Arraial de Tradição

A festa brava, senhores,

Enche um arraial inteiro,

Terceira ilha dos Açores

Onde se louvou primeiro!




Glosa



Andem por onde andarem,


A festa brava, senhores,

Façam favor de lhe darem

Longo aplauso e louvores.



E quem anda atrás do bicho

Enche um arraial inteiro,

Mesmo que haja algum lixo,

Dá trabalho e dinheiro.



Não nos dêem dissabores,

Por seguirmos a tradição,

Terceira ilha dos Açores

Tem toiros no coração.



O arraial é pioneiro

Ninguém nos diga que não

Onde se louvou primeiro

Foi neste nosso torrão.



Rosa Silva ("Azoriana")

Chave do coração

Não há amor verdadeiro
Nem razão para viver,
Se não tivermos primeiro,
Um exemplo para crer.


Podem crer que é verdade
Não há amor verdadeiro
Se não restar amizade
E gosto plo companheiro.

Se não há gosto frontal
Nem razão para viver
Tudo nos parece mal
E nos foge o prazer.

Haverá sempre um entrave
Se não tivermos primeiro
Um coração onde a chave
Dá a volta por inteiro.

Há que ter da humanidade
Um exemplo para crer
Que quem ama de verdade
Melhor chave pode ter.

Rosa Silva ("Azoriana")

O que descobri no blog Arte por um canudo de Agostinho

Na ronda de blogs, em fim-de-semana, o de Agostinho Silva - Arte por um Canudo, chamou-me a atenção.



Depois, segui-lhe os passos e encontrei uma lista de tops interessante:
top dos  500 blogs mais vistos Lusófonos.


 



 


Agradeço a todos os que contribuíram para que eu tivesse esta surpresa.

Amigo, dá-me uma alegria

 


Na tristeza que estou passando.

Tenho um filho estudante

Longe de mim, distante,

De saudade me povoando.



Tenho a fé do meu lado,

Que num dia, sol radiante,

Seja ele feliz, triunfante,

E pela mãe seja beijado.



A única que ele tem,

Que por mais não conseguir,

Deixa, por vezes, sucumbir,

O seu ideal de mãe:



A alegria de um fado,

Seja exemplo do que tem,

Esse primeiro que a mãe,

Queria dar-lhe cantado.


 


Rosa Maria.


 


Cante-me o meu primeiro fado, caro amigo, e quem sabe consigo me conformar com o que agora estou a passar. Seria uma felicidade. Minha voz não preenche o Calor do Fado.


 


(in Ecos da Poesia, de Euclides Cavaco, o Homem do Fado)

Aos 1568 dias de blog

O blog é...



Um mirante, um diário;

Agenda, noticiário;

Um post-it, simples lembrete;

Um rascunho ou um bilhete.



Uma carta, uma viagem;

Uma vigia da imagem;

Um espelho ou um visor;

Do rosto do seu autor...



Anónimo ou conhecido;

Isolado ou colectivo;

Um mundo visto ao segundo,

Muitas vezes moribundo.



Instrutivo ou aberrante;

Residente ou emigrante;

De forasteiro ou nativo:

Um blog é interactivo.



Semental da estrutura;

Calendário da cultura;

Montra de localidades,

Freguesias e cidades.



Com modelo original

E logótipo ideal.

Artigos catalogados

Recheiam base de dados.



Quem nisto não acredite,

Mostre lá o seu palpite.

E com tantas qualidades

Não é montra de vaidades...



A vaidade não tem cor

De quem escreve por amor.

O SAPO de mim conquista

O amor de ser bloguista.



Rosa Silva ("Azoriana")

2008/07/25




Nota: Uma dedicatória especial à maravilhosa Equipa do Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO - que merece isto e muito mais, pois não medem esforços para nos ajudar a ser tudo e mais do que acima referi nos moldes que gosto e que esta equipa, concerteza, já se habituou e que pode (ou não) apreciar. Nem toda a gente gosta do improviso e da rima rápida mas podem crer que isso tudo devo ao SAPO, pois foi graças a este pessoal que descobri o que realmente me faz feliz, em termos de "part-time". É que com ele, estou a aprender a ser feliz... Bem-haja!

Emigrante (e a um filho distante)

... Emigrante,

Tu que estás distante

Num sonho constante

E no teu semblante

A saudade mora;



... Emigrante,

Que deixaste mãe,

Pai, irmãos também,

E o torrão que tem

A Virgem Senhora;



... Emigrante,

Volta ao luar,

E ao marulhar

Deste vivo mar

Que 'inda te ancora.



... Emigrante,

Por terras maiores

Longe destas cores

Que são teus amores

Pela vida fora.



... Emigrante,

Volta mais um dia,

Porque é fugidia

O que a sorte cria

E logo evapora.



... Emigrante,

Olha p'ro retrato

Verás que de facto

Voltar é num jacto

Morte é toda a hora.



... Emigrante,

Vem cantar comigo

Ouve o que te digo

Na canção de amigo

Que canto agora.



Rosa Silva ("Azoriana")



P.S. Este desabafo serve para quem está longe do seu torrão natal e sente saudades. Mas quando o escrevi estava a pensar, também, no meu filho que não consigo ver se não daqui a grandes meses. A maior tristeza disto tudo é eu não ter meios para o trazer de volta. Agora entendo o que sofrem as mães cujos filhos emigram e nunca mais se vêem. É uma dor tão grande que é impossível descrever por palavras.



Um dia alguém me acusou de ser "pedinchona" e outros termos que olvidei. Calo-me, então. Os filhos são-nos doados por Deus. Ao vê-los crescrer e encaminhar-se na vida sentimos um misto de alegria à mistura com essa palavra tão regional - SAUDADE!



A vida vai torta, jamais se endireita...


 


 



 

A ideia de um aficionado

Sei que este  não gosta

Do teor de tais imagens

Mas deixo à mesma exposta

Ligação p'ra tuas paragens.



E esta é a nossa arte,

E esta é a nossa vida,

E touradas num àparte

Será uma dor sentida.



Rosa Silva ("Azoriana")


Cada vez o fogo me arde mais

Outrora era nas andanças
do "mijinho do Menino"
ou a cantar nas matanças
que sentiam o destino


Esta quadra deu-me um dia,
Em "cantoria" escrita,
Um "cantador" com valia
Mas sem sua graça dita.

Foi a curiosidade,
Que assalta o feminino,
Em saber a identidade
Deste nobre masculino.

Tombou logo o improviso,
Travou-se a edição,
Fiquei pobre, sem sorriso,
Saudade veio em botão.

Hoje, manhã sonhadora,
Deu-me versos matinais,
Estava eu como cantora
Num dos nossos arraiais.

Ninguém impede meus gostos
Que brotam do coração;
Enfrentei já muitos rostos
Quando lia à multidão.

Faz-me falta a viola,
E seu toque inspirado;
Confiança versus escola
Meio caminho andado.

O «PEZINHO» e a «CANTORIA»,
Enchem a ilha de Jesus,
Querem dom mais melodia
E na trova faz-se luz.

Mas a luz só vai ter brilho
No despique com parceiro.
(Não pode ter andarilho
Tem de ter andar matreiro).

E se juntar a beleza
Que a nossa ilha oferece,
Afirmo, com mais certeza,
Que a rima logo aquece.

É o calor de vulcão
Numa lava de cantigas
Que chama a multidão
A dar-nos palmas amigas.

Mas se o invés acontece
E a lava fica fria...
Nem tudo é o que parece
Muda-se a parceria.

O truque da cantoria,
Cá no meu fraco entender,
É não mostrar agonia
É não ter algo a TREMER.

Não se sentir humilhado,
Nem fazer humilhação,
Só quem não tiver pecado
Pode pôr alguém ao chão.

E mesmo assim atraiçoa
O cerne do catecismo
Há sempre algo que magoa
Como o TREMER de um sismo.

Que mais provas posso dar
Do amor p'lo desafio?
Só me falta é cantar
Como em virtual saiu.

Quero saber a resposta,
Vem daí, Ó CANTADOR,
Se na minha rima aposta
Volte, volte, por favor!

Um dia já me disseste
Ser "cantadeira assumida",
Desde aí algo fizeste
P'ra me tornar conhecida.

E nas ruas da cidade
Património Mundial,
Percebi toda a vontade
De eu seguir no ritual.

Mas, ali, naquela altura,
Não segui o seu apelo:
Pois naquela formatura
Empenava o cotovelo.

"Cantadeira"

Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/24

Ao «Portal da Festa do Divino Espírito Santo»

O Portal do Divino Espírito Santo no Brasil e no Mundo

O Portal do Divino

Espírito Santo

no Brasil e no Mundo


 


Este é o código que fiz para colocar no meu blog como prova de agradecimento pela parte que V. Exª captou das minhas humildes e simples inspirações. Outrora, penso já ter-lhe escrito mas, passado algum tempo, e vendo o seu sítio renovado e recheado de beleza e muita informação, tinha de lhe agraciar com palavras que pecam por escassas mas são muito sinceras e sentidas.



Apraz-me ver tão rica colectânea sobre o Espírito Santo que sempre nos dá tudo se a fé estiver à nossa beira. E consigo Ele está.



Em meu nome e em nome da população da ilha Terceira dou-lhe o Maior agradecimento e fico ao seu dispor, caso goste das imagens que vou colhendo aqui, ali e mais além e, que divulgo no Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO.



Cordiais saudações



Rosa Silva ("Azoriana")



A resposta do Prof. Sergio Manoel trouxe-me grande alegria:



Sra Rosa,

agradecimentos são meus pelos belos assuntos em seu blog, o qual não me canso de visitar.



Este Portal foi idealizado por mim para divulgar as tradições e fé que meus avós deixaram.



Um forte abraço.




Sergio Manoel

Há um fogo interior

Quadras cuja fonte inspiradora tem o título: "A Irmandade do Divino Espírito Santo de S. Carlos", Victor Alves. Julho de 2007.

Ver "Nota" explicativa no fim do artigo.

Advertência: Se gosta das nossas tradições culturais e religiosas siga na leitura das 21 quadras e 1 sextilha.

Pode emocionar-se, tal como eu, que sinto que...


 


Há um fogo interior

Sabem porque cá navegam
Fé, Louvores, Cantorias?!
Porque são elas que esmagam
Fumo, tremores, agonias.

São Carlos disso entende,
Lugar que volveu do fumo;
Da prece de quem defende
Irmandade nesse rumo.

Há uma Festa constante,
No Império do Divino,
Do remoto p'ra diante
Setembro é mês cristalino.

Em ilhas grassam tremores,
Catástrofes de assustar;
Nos Impérios dão louvores
E Deus vem nos acalmar.

A Coroa do Divino
É rica de simbolismo;
Dá ao Povo manso Hino
Na revolta de um sismo.

As tochas das Procissões
Que de lava se acenderam
Provaram que os vulcões
Nos Biscoitos revolveram.

Padroeiros e as Coroas
Juntam-se nas devoções;
O coração das pessoas
Une-se nas Procissões.

Geralmente os abastados
Ergueram do cinza-chão,
"Monumentos" coroados
Pela fé da ocasião.

Um-sete-seis-um, unidos,
Dá o ano da tragédia:
Os votos foram cumpridos
Num "Teatro", sem comédia.

E num estrado de madeira
Presidiu, por Excelência,
Imperador dessa obreira
Festa em louvor e clemência.

"Estrado", "Teatro", Altar,
Capela de bom critério,
Com a função de brindar
E que se chama Império.

Quem passa por tal martírio
Entende o nosso Cantar:
Não é fruto do delírio
É a fé que faz rimar.

Rimar abranda noss'alma
Cantando dupla oração:
Um lírio ou uma palma
Bordam a inspiração.

Por isso nunca se calem
Os Cantadores da ilha;
São eles que muito valem
Numa quadra ou sextilha.

Se a mulher já não avança
Para o centro do Terreiro:
Há que ter nova 'sperança
De sair do "cativeiro".

Venham mulheres cantar,
«Cantigas ao Desafio»,
Darão meiguice ao ar
Como outrora bem se viu.

"Não há mal que sempre dure",
É provérbio que sabeis;
Este bem que se apure
Oralmente ou em papéis.

A pressa é inimiga
E destrói a perfeição
Mas o dom de uma cantiga
É dado de repelão.

P'la boca dos cantadores,
Que existem nesta terra,
Do improviso Senhores,
Nenhuma quadra emperra.

Esta dádiva agradeço
Que a mim também ataca:
Junto ao Império, eu peço
Que a rima não seja fraca.

Há um fogo interior
Que dá força à Cantoria:
O que é feito por amor
É sempre uma mais-valia.

E se um dia cá vierem
Gentes de outros lugares
Digam lá o que quiserem
E fixem nossos olhares
As insígnias vos imperem
Com a Divindade dos ares!




Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/23


Nota:

Os versos são da minha autoria mas a fonte inspiradora, onde fui beber avidamente todos os parágrafos de um texto com "cabeça, tronco e membros", é da autoria de Victor Alves, datado de Julho de 2007. Faz agora um ano.

Neste dia, 23 de Julho de 2008, eu entreguei outra inspiração, voando, à esposa de um senhor, pelo qual tenho uma admirável consideração: o senhor Luís Bretão, que reside em São Carlos, concelho de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira, Açores.

Este é mais um sinal que recebi dos céus. Terminaram as minhas hesitações. Minha mãe canta no céu. Tudo isto porque ela "me chamou", através de algumas pessoas e locais, há uns dias a esta parte. "Sem falar" deu-me luz num rumo novo para o percurso da minha vida. Por ela cantarei.

Por ora, vou voando em "papel", via tecnológica.

O silêncio diz-me: «Nunca é tarde para amar» e contigo vir a cantar. Trata-me por "Cagarra da Terceira".

Os Destaques da Grilinha

Texto recebido por e-mail da amiga Grilinha:


 


"O sapo começou uma nova rubrica:


 


Destaques sugeridos por bloguistas.


 


Tive a honra de ser a primeira convidada a fazê-lo e lá está no blog dos blogs um post sobre isso mesmo. Passem por lá, comentem com a vossa opinião e visitem os destaques deixando um comenário solidário se assim o entenderem.


 


http://blogs.blogs.sapo.pt/95229.html


 


Mesmo os bloguistas de outras plataformas podem e devem visitar os blogs do Sapo.


 


Um beijinho Grilinha"


 


 


Eu já visitei e comentei. E você?

O Divino Espírito Santo - Serreta - Terceira - Açores


Oito dias antes do Domingo de Páscoa a Coroa do Divino Espírito Santo vai para casa do imperador que irá coroar no 1º Domingo do Espírito Santo e permanece nesta casa durante quinze dias (De 1 de Abril a 15 de Abril de 2007). Todas as noites, os vizinhos e convidados reúnem-se para um pequeno convívio, por vezes incluí danças, que termina pela recitação do terço e de orações alusivas ao Divino Espírito Santo.

No 1º Domingo (15 de Abril), reúnem-se as duas coroas na casa do imperador e em cortejo são transportadas para a igreja, fazendo-se no final da missa a primeira coroação, depois de coroado, o imperador parte para sua casa, acompanhado pelos familiares e amigos, num cortejo com 2 bandeiras à frente e 2 atrás e termina pelos coroados. Atrás vai a filarmónica que acompanha o percurso.

Chegados a casa do imperador, as coroas são colocadas num trono armado (o Altar do Espírito Santo) em madeira revestida de papel branco e de flores e à tarde são levadas para o novo imperador que coroará no 3º Domingo (29 de Abril de 2007). A casa é toda preparada para esta ocasião e há sempre uma bandeira colocada no exterior, geralmente ao portão de entrada, para identificar que ali há um Altar ao Divino.

No 2º Domingo, o imperador que também recebe a coroa durante 15 dias, parte em cortejo para a igreja, do mesmo modo que o primeiro, sendo recebido à porta pelo pároco, que entoa o Magnificat. O processo repete-se até aos Domingos do Bodo (7º Domingo - 1º Bodo: Pentecostes e 8º Domingo - 2º Bodo: Trindade).

No 7º Domingo (27 de Maio de 2007) após a Páscoa (8 de Abril de 2007) realiza-se o 1º Bodo. Nesse dia e conforme o que ocorreu em anos anteriores, o cortejo depois de sair da igreja dirige-se à Despensa para acompanhar o Pároco que irá benzer o pão e o vinho e depois dirige-se ao Império, sendo a Coroa e Bandeiras (4) aí colocadas enquanto é distribuído o pão por toda a gente presente e também vinho (ver imagens). Habitualmente, é no bodo da manhã que são sorteados os pelouros para a escolha dos imperadores/mordomos dos Domingos do próximo ano. No 1º Bodo (27 de Maio de 2007) são sorteados os 1º, 3º, 5º e 7º Domingos. No 2º Bodo (3 de Junho de 2007) são sorteados os 2º, 4º, 6º e 8º Domingos. A escolha é feita pela retirada de pelouros, bilhetes em papel onde é escrito o nº do Domingo, enrolados e colocados num chapéu, de onde são retirados por uma criança. Abaixo, imagens relativas ao ano de 2006:




A existência de imperadores/mordomos é voluntária mas por vezes há pessoas que se oferecem para cumprimento de promessa feita em virtude de uma graça do Divino Espírito Santo. Até esta data, nunca me lembra do Espírito Santo ficar sem ter imperador e isso emociona-me sempre e prova que a fé move os corações serretenses.

Depois desta felicidade, o cortejo segue para casa do imperador/mordomo onde é servida a função do Espírito Santo (a tradicional refeição abundante com as Sopas de Pão do Espírito Santo, cozido, alcatra e arroz doce. Inclui também a boa massa sovada e o pão de leite). Antes do regresso do cortejo à casa do imperador e enquanto decorre a missa e coroação há sempre alguém que faz a distribuição de ofertas de sopa e cozido às pessoas doentes e idosos da freguesia.

[Quem oferece este banquete, geralmente dá carne na freguesia, caso tenha promessa, e na semana preparatória desta azáfama feliz enfeita os bezerros para seguirem na briança pela freguesia, acompanhada por amigos e convidados e ainda alguns músicos que tocam o "Pézinho". Pode, eventualmente, caso deseje, convidar cantadores do improviso (ao desafio) para animar ainda mais o cortejo, que vai parando nos pontos estratégicos da freguesia: igreja, império, sociedade, etc. até chegar ao seu destino e serem servidos queijo fresco, favas com molho picante e outras iguarias próprias desta festança.]

Continuando... À tardinha, após a função que simboliza a partilha e é servida na presença das coroas a todos os convidados, o cortejo volta a formar-se e segue até ao Império para o bodo da tarde onde as pessoas convivem alegremente e levam as oferendas (carne assada, arroz doce e massa sovada; alfenim das promessas que já foi colocado no Império, etc.)  e ainda são dispostas mesas e bancos para se proceder à partilha de doces e salgados, que cada família leva para partilhar, na zona exterior circundante ao Império. Ao longo deste convívio fazem-se as tradicionais arrematações de massa sovada e alfenim e escolhem sempre alguém que tenha uma voz sonante e que entusiasme os presentes a arrecadar as belas e saborosas rosquilhas de massa sovada que neste dia foram abençoadas. Muito havia a escrever sobre esta parte pois é um trabalho voluntário e precioso que antecede a festividade, tudo fruto da partilha e ajuda das famílias e das cozinheiras que têm o tempero certo nas mãos e no coração. Nesta altura nunca faltam ingredientes e a alegria abeira-se das gentes que trazem a bênção do Espírito que lhes dá os sete dons especiais: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor.

É assim um pequeno resumo do que se passa na freguesia da Serreta. Muito mais havia a acrescentar. Resta-me aconselhar a leitura do sítio que explica outros costumes e ainda referir que, todos os anos, a Sociedade Filarmónica Recreio Serretense anima o Bodo com tocatas alegres e passa-se uma tarde muito agradável que chega até a um animado passo de dança. Vale mesmo a pena visitar este Bodo da Serreta. Este convívio só termina quando a noite obriga o recolher da Coroa, Ceptro, Tochas e Bandeiras para a casa do imperador/mordomo a quem foi sorteado o Espírito Santo para todo o ano.

Na segunda-feira (28 de Maio de 2007), a seguir ao 1º Bodo, é feriado dedicado à pombinha e dia dos Açores. É neste dia, também, que há muito que limpar e arrumar, sobretudo louças e apetrechos usados na casa dos imperadores e geralmente quase que se faz uma nova função para quem colabora nestas tarefas sempre com muita alegria.

"Os Impérios do Divino Espírito Santo são um dos traços mais marcantes da identidade açoriana, constituindo um culto que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde a emigração os levou. Para além dos Açores, o culto está hoje bem vivo no Brasil (para onde foi levado há três séculos) e na América do Norte." - in Wikipédia, a enciclopédia livre.

Há muita informação no Portal do Divino, na primeira e na nova versão, onde constam textos e imagens de muitos colaboradores e alguns detalhes sobre o Espírito Santo na freguesia da Serreta, que o seu autor encontrou nos meus artigos. Agradeço-lhe e que o Espírito Santo conceda todas as graças a ele e a todas as pessoas em geral e em particular aos terceirenses que, sem dúvida, vivem intensa e devotamente estes dias de júbilo espiritual.

E como se vive esta quadra na tua área de residência? Certamente haverá algumas diferenças mas sempre com o mesmo intuito: Louvor ao Divino, que origina inspirações diversas.

Aproveito para homenagear os párocos da freguesia da Serreta já falecidos e o Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres que agora tem a função de coroar e nos transmite esta Divindade, que vai além fronteiras e povoa os nossos corações.

Outra homenagem é para o meu falecido primo, Daniel da Costa Cota, que muita alegria tinha nestes dias e estava sempre pronto a servir e a partilhar a sua imensa devoção ao Espírito Santo. Ele partiu mas fica sempre a lembrança deste grande amigo.



(Ano de 2006)


Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: Este texto não está completo e levou algum tempo a escrever. Veja-se o artigo relacionado com o Império da Serreta, que na minha opinião, apresenta 6 bilros, 3 à esquerda e 3 à direita do bilro central que contém um dos símbolos do Divino: a Coroa. Aos bilros da esquerda, eu atribuo os Domingos ímpares e aos da direita os Domingos pares. O centro representa o Domingo de Pentecostes e Trindade. Isto é uma observação muito pessoal e espero ser coerente.

Cada ilha tem suas tradições mas conheço melhor as da Terceira e do Pico, se bem que não consiga explicar tudo detalhadamente. Peço que me perdoem alguma incorrecção neste texto e podem enviar-me alguma correcção e/ou mais informação, caso entendam por bem.

RecordAndo, com fé...

Revi as fotografias

Que tenho do meu passado:

Quando lembro desses dias

A saudade é o meu fado.



O demónio se abeira

Dos filhos que amam a Deus

Arma cada ratoeira

P'ra fazê-los quase ateus.



Até uma certa idade

Temos pressa de crescer

Depois vem a ansiedade

Ninguém sabe o que vai ser.



Sonhei com a vida bela

Pensei que a fazia bem,

Mas quando passei por ela

Percebi o mal também.



O mal nós é que o fazemos,

O bem é dado de graça;

Se deste nos desfazemos

O mal é que nos abraça.



Há caminhos tortuosos

E com espinhos valentes;

Há momentos tenebrosos

Que reviram nossas mentes.



Nunca se sabe o futuro

Sem passar pelo presente

O passado é o apuro

Do que nos sobra p'la frente.



Quando a vida vai direita

Há sempre algo que a entorta

Raramente ela é perfeita

O reverso bate à porta.



Cada ser tem um destino

Dele não pode fugir

Mas se tiver bom ensino

Há valores para cumprir.



E se o tormento invade

As lembranças do passado...

É a fé qu'então nos há-de

Libertar do triste fado.






Rosa Silva ("Azoriana")

A "Cagarra Azoriana"

Um e-mail recebido, de Mário Pereira da Costa

Cantando com alma e coração





Tens alma de cantadeira

Teu sonho hás-de realizar

E nos palcos da Terceira

Ainda um dia irás cantar.



Chegar esse dia vejo

Como uma luz no escuro

Realizarás teu desejo

Prevejo-te um bom futuro



Muita fama tu vais ter

Pois és exímia na rima

E até já te estou a ver

A vir "América de cima"



E na "de baixo" também

Tua fama crescerá

Em outras terras além

E até no Canadá.



A rima vem de mansinho

E desgarrada começa

Hás-de cantar o Pezinho

Isto é quase uma promessa



Eu sei que tens essa garra

Teu estilo não engana

Nao és Turlu, mas és Cagarra

E és sobretudo Azoriana!




Paula Belnavis ("Jo")

22/07/2008



Respondo em bom despique:







Se for cantar algum dia,

Nos palcos desta Terceira,

Hás-de ser, então, a guia...

Minha luz à cabeceira.



Nunca se sabe o futuro

Sem passar pelo presente

O passado é o apuro

Do que nos sobra p'la frente.



Se à "América de cima"

For um dia, a convite,

Levo comigo a rima

E um "Novo" apetite.



No olhar levo as "hortenses";

Nos lábios, o doce mel,

No coração meus pertences

Que vou pondo no papel.



Se na de Cima encontrar

Prazeres e alegrias

Fica fácil ir cantar

À Outra por mais uns dias.



Eu já ganhei bons amigos

Na América e Canadá;

Porque escrevendo artigos

Meus dotes voam p'ra lá.



A Rima do Coração

Ao «Pezinho» eu dedico:

É fresca, tem mais acção,

É boa p'ro nosso bico.



Tu já me deste a alcunha

E juntei-lhe Azoriana;

Sonho com Casa à cunha,

Se a fé não me engana.



'Stou feliz neste momento,

Como Cagarra me prezo:

À noite dá-me alento

E à minha mãe eu rezo.



Fico de olho aberto

Até bem de madrugada,

No meu verso eu desperto

Para o canto animada.



Rosa Silva ("Azoriana")

22/07/2008

Amante de improviso




A cantar de improviso

Não dá tempo de emendar,

O que vier ao juízo

É o que segue pelo ar.



Uma desgarrada é leve,

Se canta suavidade,

Por escrito não é tão breve,

Dá-lhe pouca claridade.



Se no terreiro estivesse

Sob o tom da melodia

Viesse lá quem viesse

Atiçava a cantoria.







 


Depois da pura sentença

Que decreta a desgarrada

Por vezes a desavença

Acaba dando a “pancada”.



Por cá já me apercebi

Que os versos da rapidez

São do melhor que ouvi

Do cantar de dois ou três.



Uma boa desgarrada

Anda à roda dos assuntos

Há que ser bem controlada

P’ra não ficarem defuntos.



Se eu estiver com veneta

E o improviso abraçar

Na “piquena” da Serreta

Verão os olhos brilhar.



Os olhos de cantadeira

São dif’rentes dos demais

Porque na ilha Terceira

Dão brilho aos arraiais.



E um despique renhido

Coroado pelas palmas

É que anima o sentido

Da mente de duas almas.



O dom vem por companhia,

Pois a sorte é traiçoeira,

Vejo o brilho da cantoria

No «Pezinho da Terceira».


 






Rosa Silva (“Azoriana”)

Festas da Guarita 2008 em Angra do Heroísmo

O bloguista, Miguel Azevedo, autor do "Porto das Pipas" e mordomo da Festa do Império dos Inocentes da Guarita, em Angra do Heroísmo, divulga, em primeira mão, o Programa das Festas deste ano.



O meu aplauso para ele, extensivo aos restantes membros da Comissão, composta por gente jovem.



Juventude é o que prima na apresentação do cartaz que traz as cores da alegria.



O Altar do Espírito Santo, que é disso que se trata na realização destas Festas tradicionais - o Espírito Santo é centro da festividade, estampa a beleza do lindo arranjo, caprichoso colorido de flores. Parabéns a quem ilustra assim o Todo Poderoso com uma arte de louvar.



A reza do terço e a distribuição da carne são o momento alto com direito a Cantoria ao desafio (de que gosto imenso). À volta desta dádiva, os jovens mordomos apresentam a temática nocturna: a noite musical, a noite regional, a noite da criança, a noite da juventude e culmina com a tourada à corda que fecha a festa com chave mestra.



Aguardemos então o fervilhar da festividade cujo atractivo é já no dia 24 p.f. 

Ao «Fim» (sem fim) da nossa Desgarrada!

Quanto ao fazermos sonetos
Na perfeição que os quer
Só se for para os meus netos
Se algum dia os tiver.

Sonetos da Azoriana
São formados de luar
E quando ela se engana
Há-de o Sol rectificar.

De dia sou infeliz
À noite tomo mais gosto
Aquilo que sempre quis
Foi um luar bem disposto.

Nesta onda de euforia
De rima desenfreada,
Dou valor à Cantoria
Que por nós é muito amada.

E neste bom marulhar,
Vou directa à questão:
Desgarrada de Além Mar
Une o seu ao meu torrão.

Clarisse Sanches, de Góis,
Rosa Silva, da Terceira,
Entraram nestes anzóis,
Cantaram a noite inteira.

Minha terra tão querida,
Que à sua já quer bem,
Fica para toda a vida
No brilho do Sol também.

Que alguém lhe deite a mão
E a trate com carinho,
Para a Desgarrada, então,
Seguir o seu bom caminho.

Ficamos à disposição,
De quem a queira editar;
Que nunca levem "rasgão"
Os versos do verbo A[MAR]!

Nesta quadra a todos deixo
Cortesias desta amiga:
Não sou o poeta Aleixo
Mas dou-vos esta cantiga!

Obrigada!
desgarrada_alem_mar_parte5 

Rosa Silva ("Azoriana")

Dias comemorativos - Serreta

No próximo dia 27 de Julho vai ser um dia em grande para os lados da minha freguesia natal.





Tenho a honra de agradecer, publicamente, o convite que me foi dirigido pelo presidente da Junta de Freguesia da Serreta.


 


 



 

XII Corrida TV Norte - Tourada de Praça na Póvoa de Varzim

Tourada de Praça da Casa de Pessoal da RTP, para a melhor lide e melhor pega. A propósito e enquanto via as lides, fui fazendo os meus comentários pessoais:



1º Toiro

Joaquim Bastinhas
, sorridente,

Enfrenta o toiro imponente,

Apanágio do seu perfil.

O cavalo tão bailarino

Fez tudo pelo taurino

Mas o toiro não foi servil.





(O forcado pegou à 2ª tentativa)



2º Toiro

Rui Salvador, melhora actuação,

Faz seu toureio então

Com a brava dignidade.

O toiro fixa a bancada

Que de aplausos animada

Nutre paixão de verdade [e no fim mudo para: Ganha troféu de verdade!]



(O forcado pegou à 3ª tentativa)



3º Toiro

João Salgueiro
em linda égua,

Conhece o toiro à légua,

Que s'apresenta muito bem.

E leve como uma pluma

Sem dificuldade alguma

Lida "Picasso" também.



(O forcado pegou à 1ª tentativa)



4º Toiro

Vitor Ribeiro
, com sorte gaiola,

Parece ter uma mola,

Engrandece o seu toureio.

Chamou a minha atenção

Pela prima vez, então,

Que o vejo nesse asseio.



(O forcado falhou a 1ª tentativa e levou umas marradas. Pegou à 2ª tentativa)



5º Toiro

Sónia Matias
, a cavaleira,

Despachada e certeira

Enfrentando bons colegas.

Um sorriso a acompanha

E com garra desempenha

A corrida que não negas.



(O forcado pegou à 1ª tentativa. No fim foi premiado com o troféu de melhor pega. Seu nome António Macedo, de Coruche)



6º Toiro

Marcos Bastinhas
, rapaz novo,

Encerra corrida do povo

Que a Banda alindava.

Foi com arte e emoção

Que atraiu a atenção

Bela tarde rematava.



(O forcado pegou à 1ª tentativa. Seu nome fixei. Luis de Camões)



O meu voto vai para o que lidou o 4º toiro mas isso agora não interessa nada.

Homenagem quer-se em vida

Dedicatória a Mário Pereira da Costa, autor do livro "Aurora e Sol Nascente" - Turlu e Charrua - Confidências.


 


A morte é gelada e fria

Na rima dos cantadores;

Turlu e Charrua num dia

Pressentiram suas cores.



Ela sentida e chorosa,

Ele sentido e saudoso;

Ela uma flor formosa,

Ele seu brilhante esposo.



Dia CINCO, por três vezes,

Fez parte deste casal

E em três dif’rentes meses

Deu vida e foi mortal.



A ela trouxe e levou

Nos meses frios do ano;

A ele só sepultou

Em campo açoriano.



A Paróquia da Serreta

Fez cem anos em Agosto

- Mês que se foi o poeta -

Depois dela com desgosto.



Novembro, dois mil e sete,

Data dela – centenária;

A mim agora compete

Cantá-la, pois é lendária.



E cego é quem não quer ver,

Por isso reparo bem:

SETE quer prevalecer

Nestes dois que o céu tem.



O destino tem um fado

Unindo vida e morte,

E, quem o tem do seu lado,

Pode ter também a sorte.



Sorte de ser imortal,

Ser cantado com amor

Que se torna triunfal

Com a benção do Senhor.



Mário Pereira da Costa

Agosto. Dois mil e sete.

Fez a sua grande aposta

No que gravou em cassete.



Poesia Açoriana

Romanceou com destreza;

Em terra americana

Fez nascer maior beleza.



Faço, assim, a homenagem,

Que deve ser feita em vida,

Ao autor que fez viagem

De amor à rima unida!



Rosa Silva (“Azoriana”)

2008/07/20



Muito obrigada pelo tesouro que deu ao mundo!

Festas e Surpresas


 


A Festa do Império de São Pedro já começou.


 



 


O altar do Divino Espírito Santo está armado.



 


Clique na imagem para ver o resto das fotos

num passeio pela freguesia de São Pedro

numa tarde de Sábado, penúltimo de Julho

2008


 


Para memória futura:


 


Como o calor se fazia sentir abundante, fomos a uma mercearia refrescar a voz. Olhei as paredes repletas de imagens de alguns cantadores do improviso da ilha Terceira e fiquei fascinada. Também se viam fotografias antigas de toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes.



Para grande surpresa minha encontrei, afixada noutra parede, uma folha A4 com a minha homenagem póstuma à D. Turlu, grande cantadeira terceirense. Emocionou-me. Alguém encontrou o meu artigo e entregou-o ao dono do estabelecimento, que gosta muito de cantorias ao desafio. Apreciei este gesto que me foi relatado. O dono desconhecia que era eu a autora e, foi com grande alegria que me dei a conhecer porque, tal como ele, sou uma grande apreciadora das cantorias. Fiquei muito contente por duas razões:



1ª - A D. Turlu tem uma legião de fãs e isso só prova que é inesquecível.



2ª - Se alguém se deu ao trabalho de colectar o que escrevi, merece o meu sincero agradecimento, por ela.


 



 


Foi um dia em cheio! Adorei!

Talvez um dia encontre a outra pessoa

que aprecia os versos do improviso.

ZelAndo pelo ambiente


 


Leia o que se passa seguindo o link na imagem...

Chilreando ao desafio...

E canta a «Melra Preta Amaricana»:



Como eu já calculava

Armou-se uma cantoria

Melra Preta chilrreava

E a Cagarra assobia



De manhã logo cedinho

Não me sai a rima certa

Mas bebi um cafezinho

E já estou mais desperta



Muito tenho a lamentar

Que do nariz estejas mal

Se a coisa piorar

Corre para o hospital



Que a urgência é coisa fina

O povo assim o diz

Dão-te um frasco de aspirina

E uma bomba p’ra o nariz



Encomendas cá chegaram

Vieram numas caixinhas

São coisas que me enviaram

As queridas irmãs minhas



De tudo muito gostei

Mas foi grande o pandemónio

Tal coisa nunca pensei

De pôr ao peito um Anómio



Mas tive outra supresa

Pesada que nem calhau

Já estás a ver com certeza

Que também veio bacalhau



A linguiça é que faltou

Que essa então não porfia

Desta vez se tenteou

Minha mãe e minha tia



Do verde não há sinal

Faz uma reza certeira

É que s’ isto correr mal

Não posso ir à Terceira



Quanto ao outro documento

Na minha fé prevaleces

Vai-te trazer esse vento

A resposta que mereces



Na porta certa tocaste

Em boa hora também

Tuas cartas já lancaste

E vai correr tudo bem



Teu sonho vais realizar

E Aquele lá de cima

Também de vai ajudar

A no papel pores a rima.




Joanina

18/07/2008



~~~~~~~~ºººººº~~~~~~~~



E respondo eu cantando:



«Melra Preta», cantadeira,

Afinaste bem o pio;

Isto é uma cegueira

P'ra bicar ao desafio.



A Cagarra só fez contas

Em tarde de sexta-feira,

Enquanto em rimas despontas

Tua arte verdadeira.



Se eu soubesse nadar,

No nosso mar da Prainha,

Podes crer ia aspirar

Esta minha "ladainha".



A Urgência do Hospital

Que anda sempre à cunha

Ainda posso ficar mal

Se fizer muita caramunha.



Temos a "Consulta aberta"

Cá no Centro de Saúde,

E quando a coisa aperta

É uma grande virtude.



Gostei do atendimento,

Da moça administrativa;

Seu serviço é a contento,

Com sorriso receptiva.



Nada melhor que um sorriso

Para quem está doente,

Há que fazer bom juízo

Do que aparece na frente.



Também os nossos utentes

Devem ser mui cordiais

Mesmo estando doentes

Não deixam de ser leais.



Mudando agora de moda,

E meu verso afinando:

O "Anómio" anda à roda

Do teu peito batucando. :)



Por essa não esperava,

E deixou-me por cá rindo,

Era só o que te faltava

Mas o selo ficou lindo!



Se andas com esse selo...

Bem mer'cia outra ideia:

A "Melra Preta" de pêlo

E Cagarra em lua cheia.


 





 


Acho até que o tamanho,

Da t-shirt especial,

Para mim não é estranho

É um "size" tal e qual.



Se o "verde" ficar feito,

E nossa reza ouvida:

Traz esse modelo a jeito

Para te ver à saída.



Imagino no avião,

Toda a gente a olhar.

Trazes rubricas, então,

Nesse belo exemplar.



E se a fé não m'enganar,

Tu virás num tempo bom

Para puderes rubricar

A t-shirt do meu tom.



E vamos pela cidade,

De Angra do Heroísmo,

Muito felizes de verdade

Elevando o simbolismo.



E fora de brincadeira...

Deus te oiça, minha amiga!

E que venhas à Terceira,

Ver no papel a cantiga.



E em par, vou terminar,

Porque assim eu aprendi:

As quadras são como o mar

Num vai-vem também aqui.



Rosa Silva ("Azoriana")

18/07/2008

Regressaram as rimas da "Melra Preta" e da "Cagarra"

Resposta ao artigo da Joanina

intitulado:

"O regresso das rimas"



Acordei hoje cedinho

Já temendo o final.

(Há um barulho vizinho

Que me deixa dormir mal.)



Em passando esta tormenta,

Que até é coisa à toa,

A cabeça me rebenta

Porque o nariz não assoa.



Vai tudo vias internas

Até ao fundo de mim;

Cansei um pouco as pernas

E retratei muito, sim!



Faço saldo positivo

Dos dias cá no descanso;

Há sempre algo negativo

Não pode ser tudo manso.



Eu sabia que cá vinhas

Espreitar as minhas bandas

Mesmo sem notícias minhas

Do meu lar tu não desandas.



E tiveste encomendas

Agradáveis por sinal

Lindas são as oferendas

Não te ficam nada mal.



O outro verde 'tá bravo,

E não te resolve nada...

Uma reza bem que cravo

Não fiques desesperada.



Ó minha querida amiga,

Esse "outro documento",

Faz-me doer a barriga

'Inda não foi solto ao vento.



Auguro boa ventania...

Só palavras, por enquanto;

Oxalá que chegue o dia

D'abraçá-lo tanto, tanto!



Temos que ser pacientes,

Levar a vida nas calmas.

O valor das nossas gentes

Merece carinho e palmas.



Um senhor que vive cá,

Até sem me conhecer,

Muito mérito me dá

Pelo que lhe dei a ler.



A minha qu'rida Serreta,

Que sempre teve um farol,

Também é outra que decreta

Que um dia eu veja o sol.



Este Sol que me raiou,

Em dias de nostalgia,

Foi no verso que brilhou

O prazer da cantoria.



Mário Pereira da Costa,

Em Peabody, emigrante,

Um autor que também gosta

Deste cantar cativante.



Do seu livro te falei,

E já li segunda vez,

Algumas notas tirei,

Foram todas neste mês.



E que fique registado,

Que esse livro foi mote,

Para ter iniciado

O contacto de bom dote.



O dote que vem do céu

P'ra gente que faz o bem:

O facto dele ser ilhéu

Dá-lhe mais força também.



Sempre quero agradecer

Aos 'amores' cá da terra;

Teu nome também vais ver

Se "o tal" descer a serra.



Rosa Silva ("Azoriana")




Nota: 1º artigo relacionado da "Cagarra Azoriana", que sou eu, que dei o mote à repentista Joanina, digo, "Melra Preta Amaricana". Lembras-te da nossa página de cantorias? :) O Índice está aqui.

Não esqueci a Joanina...

'Tou aqui, 'tou aqui

Não te abandonei

Simplesmente sumi

E agora é que cheguei.



Uns dias a passear

Outros a dormir

Uns em terra sem nadar

Outros quase a cair.



Último dia amanhã

Das minhas kidas férias

E comprei uma certã

P'ra se fazer coisas sérias.



Sem petiscos e mariscos

Cá estou eu a ver navios

A fazer estes rabiscos

Até me deu arrepios.



Lembrei-me da Joanina

E seu gato de regresso.

A América é coisa fina

Quem me dera ter-lhe acesso.



Beijinhos a todo o vapor

P'ra ti, gato e marido,

O teu verde, por favor,

Já o tens em sentido?!

II Aniversário do "Ventos que Passam" de Fernando Reis Costa

Convite da autoria de Rosa Paula


 


Parabéns pelo II Aniversário dos "Ventos que Passam"



Beleza e inspiração

Doçura e mais encanto

Reinam no coração

Do autor de puro canto.



Parabéns com amizade,

Alegria e muito carinho;

Para falar a verdade

Nunca ficará sozinho.



Consigo neste momento

Cantam as vozes em par:

Parabéns pelo talento

Que passa p’lo seu lugar.



São seus os ”Ventos que Passam”

Sem o tempo se passar

E que a nós se abraçam

Com vontade de ficar.



Fico agora em sintonia

Numa brisa inspiradora

Que completa a harmonia

Que sua página doura.



Cantam-se as alegrias,

Se desligam as tristezas.

Que brilhe por muitos dias

Todo esse mar de belezas.



Parabéns!

Abraços

Rosa Maria (“Azoriana”)

Oferta lilás

* A propósito da 4ª Edição da Desgarrada de Além Mar *


 


 



 


 


Risos. Sou eu a faltosa...
Na métrica vou pecando;
Só no nome tenho Rosa
Com espinhos de vez em quando.

Se eu fosse tão formosa,
Como o dom que vai rimando
Seria uma flor jeitosa
Como a que eu agora mando.


 


Uma flor que veste a ilha
Em lilás d'amor e luz
Com um toque de Jesus.

Veja lá se me descobre
Terra tão rica e mais nobre
Que lhe dê tal maravilha!


 


Rosa Silva ("Azoriana")


 



 


Para D. Clarisse Barata Sanches que cantou assim:


 


C.345
Ah, já sei: é retratista
Traz a máquina na mão...
Nisso nunca fui artista
E nem tenho essa paixão!
R.346
Estas máquinas de agora,
Que se dizem digitais,
Renovam tudo na hora
E as cores ficam reais.


 


Leia o resto da cantoria que versa muito os animais...