RecordAndo, com fé...

Revi as fotografias

Que tenho do meu passado:

Quando lembro desses dias

A saudade é o meu fado.



O demónio se abeira

Dos filhos que amam a Deus

Arma cada ratoeira

P'ra fazê-los quase ateus.



Até uma certa idade

Temos pressa de crescer

Depois vem a ansiedade

Ninguém sabe o que vai ser.



Sonhei com a vida bela

Pensei que a fazia bem,

Mas quando passei por ela

Percebi o mal também.



O mal nós é que o fazemos,

O bem é dado de graça;

Se deste nos desfazemos

O mal é que nos abraça.



Há caminhos tortuosos

E com espinhos valentes;

Há momentos tenebrosos

Que reviram nossas mentes.



Nunca se sabe o futuro

Sem passar pelo presente

O passado é o apuro

Do que nos sobra p'la frente.



Quando a vida vai direita

Há sempre algo que a entorta

Raramente ela é perfeita

O reverso bate à porta.



Cada ser tem um destino

Dele não pode fugir

Mas se tiver bom ensino

Há valores para cumprir.



E se o tormento invade

As lembranças do passado...

É a fé qu'então nos há-de

Libertar do triste fado.






Rosa Silva ("Azoriana")

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