Poetas em Destaque - Eugénia Vieira

Bruma

Trago nas veias o travo salgado
Deste mar que emerge
Sobre o rosto destas ilhas
Semeadas no oceano da saudade

Envoltas na candura desta bruma
Que tolda o olhar
Quando no horizonte
Se adivinha a tempestade
Sentindo-se este remar contra todas as marés
Este caminhar sobre águas
Sempre com o sorriso
Esboçado no rosto tisnado

Nove pedras envoltas em bruma
Nove dores
Nove silêncios
Nove sorrisos
Desta gente feliz
Mas com lágrimas

Nove luas te pariram
No doce ventre desta bruma
Que me envolve a alma
E me deixa sonhar
A cada amanhecer

Eugénia Vieira
(30-01-2005)

Infinidade em botão


 

INFINIDADE EM BOTÃO

No meu cantinho sinto
que a minha alma floresce
lavada em tons escarlates...

Fico pensando num ramo
e no perfume da rosa em botão
que já beijou a minha mão...

Recordo que o teu perfume
embriagou os meus sentidos
no leito dos sonhos...

Bela é a natureza
que talhou tanta beleza...
És a infinidade em botão!

Azoriana



Poetas em Destaque - Carlos Drummond de Andrade

Procura da Poesia

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-lo sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.

Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Carlos Drummond de Andrade

Recordar é... Viver!

Nas entrelinhas do céu
numa tarde bem disposta
o encanto da mensagem:




Bela é a vida quando se ama...
numa contínua lembrança de amor...
recordar é o alento que me faz viver...








Grandes momentos embelezam o
aceno de uma pétala de flor...
meu sorriso animado
brilhante de força e alegria que
ilumina o meu caminho
e no tapete voador das recordações
recebe o perfume de um carinho...




E
junto ao portinho da saudade
estou cantarolando o meu bem...

in FortuneCity

Como é sublime o salto do golfinho
o beijo do garajau

Lembro-te que
meu sonho continua
ancorado à noite marinha
.





Azoriana

Poetas em Destaque - Paulo Póvoa

Na terra e no céu

Na terra e no céu,
das flores que desabrocham e mostram a sua beleza,
da brisa que vem do oceano e traz a frescura,
da luz do sol que aquece o meu corpo e a minha alma,
no céu gosto daquele azul límpido
das nuvens que fazem figuras imaginárias
da lua que embeleza com a sua luz acompanhada das estrelas.

Gosto de tudo que ainda me faz sentir criança
assim como o amanhecer
a vontade de sempre querer brincar
o desejo de fazer as coisas que sempre fiz em criança
levando tudo a promessas de amor.

Mas, acima de tudo,
mesmo acima de tudo,
o que gosto mais é de ti minha querida
meu amor e minha razão de viver.

Blue Heaven

Vislumbre

O que pensará uma flor, quando dorme tranquila em sedosa brancura?
- Sonha a paz na pele macia que contagia alegria.
Vi-te suave criança
no leito da mansidão
a mão poisa entreaberta na alvura
tão calma tão serena
mão aberta terna flor...

Ouve-me...
Sinto-me frágil ave à procura de abrigo,
branca flor abafada por denso nevoeiro...
Estou à porta da reflexão e ela nem me dá razão
fica entreaberta na vontade de trair a saudade.

Esvazio a mente e pego no papel que a vida me deu
absorvo as linhas maduras do rosto
deito-me nas brumas da ilha que não condena a sua filha

Ouve-me...
Deixei de ser ouvinte dos mesmos bramidos
... de calar as fortes badaladas
... de sentir preso o coração no regaço
... de olhar o mundo sortido de páginas

Volto a ser criança num lindo poema de amor
no vislumbre de uma mão e de um rostinho dormindo...

© Azoriana

Poetas em Destaque - Manuel Neves

Ai poesia...


Ai poesia...
quem dera que fosses assim tão bela
com o aroma das flores
as asas dos pássaros
a força das marés
o calor do sol
e o brilho das estrelas...

Ai poesia...
podera tú seres apenas
o sorriso das crianças
o desejo ardente dos amantes
o arco-iris e a bonança
a liberdade sem fronteiras
a paz e o amor sem utopias...

Ai poesia...
que não sei escrever
nem sentir
ou imaginar
deixa-me abrir-te
essa garganta muda e gritar
acabar com esse marasmo
abrir esse teu coração
sempre tão fingido...

Ai poesia...
deixa-me desenhar-te
letra a letra
trémula e cândidamente
como se fosses a primeira vez
no primeiro amor
no primeiro sopro de vida
no primeiro acto
na derradeira vez
em que te encontro...

Ai poesia...
quem me dera
que fosses apenas poesia...


Manuel Neves

À Terça-feira há "Choque de Gerações" na RTP - Açores



"Choque de Gerações" o Programa que abana Opiniões
Esta frase dedico ao autor e apresentador





Autoria e apresentação: JOEL NETO
Jornalista e escritor, natural da Ilha Terceira.
"O programa que, mais do que sobre o saber, é sobre o pensar..."



"Choque de Gerações"
um programa da
Delegação de Angra do Heroísmo da
RADIOTELEVISÃO PORTUGUESA - AÇORES
Todas as terças-feiras à noite
(com reposições às quartas-feiras ao final da tarde)



in joelneto_online


Nota: Caso haja algum impedimento sobre a divulgação desta imagem, da página de Joel Neto, agradeço que me contacte, que logo será retirada. Obrigado. Azoriana

Parada de Gonta: A Surpresa e o Sorriso!


Recebi de Parada de Gonta:

Embora sem conhecermos
O rosto de outros iguais
Parece importante termos
Atitudes cordiais.

E mesmo assim não tendo
O que pela vista se atinge
Vamos, no entanto, lendo
O que o coração não finge.

Queremos saudar os Açores
E a Serreta também,
Azoriana e seus Amores
Como Poetisa e Mãe.

E agora para acabar,
Por momento, este improviso
Deixo a surpresa no ar,
Para breve e um sorriso!

23-01-2005
Enviei para Parada de Gonta:

Eis que a 1ª surpresa
Já me veio encantar,
Improviso em beleza
Só me apetece cantar!

A Azoriana agradece
Elogios inesperados,
No seu rosto aparece
Sorrisos entusiasmados!

Mesmo sem conhecermos
Os rostos em tom real,
Bons serão estes termos
Em resposta cordial.

Parada de Gonta anuncia
Para breve meu sorriso!?
A Serreta bem que aprecia
Esse seu belo improviso!

24-01-2005




Chegou a Surpresa! Cá está ela:


Romaria
Cantando a Terra e as Gentes

É nome de música, poesia,
É nome de festa, alegria,
É nome de Parada de Gonta!

"Sons d'Aldeia" - CD


e agora... o Sorriso!

"(...) Porque na AMIZADE nem o mar é obstáculo!"

Foi esta a frase que meus olhos leram, com alegria, nas últimas linhas da carta ilustrada que acompanhava uma oferta especial, de um amigo de Parada de Gonta que pertence ao Grupo Romaria - "Sons d'Aldeia", no dia 24 de Janeiro de 2005.
Para quem não conhece, Parada de Gonta é a "Freguesia do Concelho de Tondela e Distrito de Viseu, fica ali, ao lado do IP3 que, vindo da Figueira da Foz, atravessa a A1 (Lisboa/Porto) perto de Coimbra e continua rumo ao Norte passando por Tondela e Viseu. A cerca de 70 Kms de Coimbra, 12 de Tondela e 14 de Viseu, Parada de Gonta situa-se numa região entroncadamente serrana.
Embora sofrendo influência da vasta planície do Vale de Besteiros e tocando profundamente a Região do Dão, a Freguesia estende-se entre os picos serranos da Estrela e Caramulo. De um lado a defendê-la como preciosidade intocável, ergue-se a Serra da Estrela e do outro, pelos mesmos motivos, diria o Poeta num momento de inspiração, está de sentinela a não menos vistosa e imponente Serra do Caramulo!
"
(in Parada de Gonta Blog).
Eu digo que é a freguesia 16 do Concelho 21 e do Distrito 18, de acordo com a nomenclatura territorial NUTS.
Um Obrigado com um Sorriso muito Alegre!
Azoriana




"(...) A Aldeia que foi musa do Poeta, dos Poetas,
Tomás Ribeiro, Branca de Gonta Colaço, Rodrigo de Melo...
e berço de muitos artistas!
" - in Parada de Gonta Blog



"Palavras à Solta" de Ângela Monforte



É com imenso gosto que acabo de abrir um embrulhinho tão desejado. Finalmente chegou às minhas mãos e olhar, o sonho realizado - o LIVRO - "Palavras à Solta", da autoria de Ângela Monforte.
São páginas de um viver, de um sentir... um coração envolto em poesia, essa doce maravilha...
Sem dúvida que ela soube ouvir os "Recados da Alma", deu-lhes o valor bem merecido.
Grande felicidade, essa realização pessoal, essa sensação, que de certeza brota no seu sorriso de par em par, numa alegria infinita!
Obrigado por partilhares comigo essa emoção maravilhosa...
Resta-me desejar-te as maiores felicidades e que não pares de escrever o que te vai chegando numa "brisa acariciante".
Beijinhos

Louvor

Um louvor e agradecimento especial ao Pessoal do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo - Ilha Terceira - Açores:



  • Médicos

  • Enfermeiros

  • Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica

  • Pessoal dos Serviços Gerais e Auxiliar

  • Outro Pessoal (inclui todo o restante)


É importante que ninguém esqueça os serviços prestados pelos Profissionais de Saúde:
Quantas famílias já foram atendidas em situação urgente?
Quantas patologias já foram tratadas por excelentes profissionais que atendem e socorrem, o melhor que podem, as populações a qualquer hora do dia ou da noite?
No serviço hospitalar todos os dias estes profissionais enfrentam situações de menor ou maior gravidade. Quantas famílias ficam privadas do convívio familiar porque um dos seus membros está a atender um ferido ou alguma doença repentina que tem de ser urgentemente socorrida?
Por isso, nunca é demais louvar os profissionais da saúde que, quer neste Hospital ou noutros da Região, e ainda fora da Região, enfrentam todo o tipo de situações, incansavelmente.
Quantas e quantas vezes eu e a minha própria família já foi atendida em situações emergentes? Muitas vezes e em situações bem difíceis.
E antes que seja tarde demais, quero deixar aqui o meu agradecimento a todos sem excepção que de uma forma ou outra nos prestaram cuidados e continuarão a prestar.
Bem Hajam e que Deus vos recompense sempre!
Azoriana

É assim em fim...

Sem fim...
A ventania passou varreu
levou um ser
deixou um luto perdeu-se
esvoaçou a vida sem regresso



ficou a inércia o sufoco


a miséria a dor



Escrevo
tentando exprimir uma vida
enquanto Ele quiser...

Azoriana

Em Dia de Amigas

Amigos estão sempre em nós
Sem dia ou data especial
São eles que nos dão voz
Tanto no bem como no mal.

Amigos são parte rica da vida
São ombro, mão e alma
Com bondade e sabedoria
Ajudam com a sua calma.

És grande em tudo amiga,
No escrever e no versejar...
Mas tua amizade é como espiga
Não pára nunca de aumentar.

Pelos teus conselhos e palavras
Nossa vida em muito enriquece
Com tua amizade lavras
Este amor que ainda cresce.

Hoje e sempre, Rosa Maria,
tua amizade irei preservar,
pois és uma amiga tão querida
que tenho pena de tão longe estar.

Mil beijos aqui te envio,
um abraço enorme e apertado
Num sorriso simples, sadio
E também um pouco ensonado!

Autoria: Rosália Sousa

Trouxe as tuas lindas quadras
Do comentário para este artigo
Agradeço as tuas palavras
A Felicidade esteja contigo!

Rosália, és uma Amiga querida
Espero que estejas contente,
Hoje não serás esquecida,
Mesmo vivendo no Continente.

Nesta ilha há show de alegria
"Dia de Amigas" em todo o lado,
Garanto que há muita folia,
Até tive um almoço requintado:

Foi um belo de um cozido
Que não esqueceu a linguiça
No prato tanto sabor reunido;
Filhós, coscorões - boa cobiça.

Agora vou mas é terminar
Este desfile de sabores
Se calhar até vou cativar
Vontade de vires aos Açores.

Muitos beijinhos da Rosa Maria
para ti e para o teu amor querido,
Neste e em qualquer outro dia
Esteja sempre muito divertido.

Azoriana

Dia das Amigas!


Dia das Amigas! Quinta-feira, 20 de Janeiro

A amizade tem mais valia
Mulheres em Festa e Alegria
Irmanadas em Comemoração!
Grande abraço para todas as minhas
Amigas de Coração!

Beijinhos

Dr. Albino Aroso

Li num artigo de Patrícia Carvalho no Arquivo da Wyeth Portugal que o Dr. Albino Aroso é apelidado por muitos de "pai da pílula em Portugal". Convém que se leia o artigo na íntegra. Está disponível no link acima.
Mas porquê escrevo sobre Dr. Albino Aroso, hoje?
Porque na noite de 18 de Janeiro de 2005, no Talk-Show "Estes difíceis amores" a cargo da jornalista Leonor Ferreira, acompanhada por Gabriela Moita e o já conhecido Dr. Júlio Machado Vaz, tive a possibilidade de ouvir o ilustre Doutor Aroso elogiar a MULHER. Muito obrigado! Gostei imenso de tudo o que disse sobre nós Mulheres. Sei que ainda há homens que elogiam as mulheres em vez de as espezinhar e maltratar.
Envio-lhe mui respeitosamente um abraço cordial de muita simpatia e admiração.
A mansidão da sabedoria nas suas explicações conseguiu "prender-me" ao écran da nossa/minha televisão, aqui nesta ilha Açoriana.
Há poucos dias atrás escrevi num parágrafo de um artigo que - eu não aguento cinquenta minutos a ouvir um discurso - mas para minha satisfação, o discurso ou a conversa deste Senhor Doutor podia até ter ultrapassado aquele tempo que cativava a minha atenção. Falou de um tema muito educativo - a sexualidade juvenil no contexto do planeamento familiar (e outras respostas a questões abordadas).
Quero gravar uma frase dita por ele: "Antes mais cedo um ano que mais tarde um dia", referindo-se ao dever que temos em alertar as filhas para a questão de prevenir a gravidez precoce na adolescência. A rapariga torna-se mulher cada vez mais cedo. O grupo etário dos 10-14 anos é um grupo que exige uma grande atenção. Por vezes pode ser difícil esta abordagem entre mães/filhas mas podemos sempre recorrer a livros ou profissionais competentes que nos ajudam a esclarecer.
No meu tempo sei que era tabu falar-se abertamente deste assunto. Eu lia livros mas sempre no reservado. Hoje em dia já não receio falar dele. E estou completamente de acordo em fornecermos os meios de forma a evitar gravidezes precoces.
Até gostava de fazer parte de um Gabinete de Apoio à Sexualidade Juvenil. Não teria pejo nenhum de falar deste tema. Sei que hoje em dia os jovens já sabem muito mais que eu na idade deles, sem sombra de dúvida. Mas deve existir excepções.
Em suma, deixo aqui a minha homenagem ao Sr. Dr. Albino Aroso porque transmitiu a todas as mulheres que a sexualidade é maravilhosa e não há que repreender mas sim dar os meios com responsabilidade para evitar amarguras.
Na minha opinião, estes meios podiam estar (ou estão?) disponíveis de forma gratuita (a pílula e preservativos).
E você tem alguma nota/crítica a acrescentar a este artigo? Está aberta a discussão. Venham daí as opiniões e quem sabe não nasce um grande artigo...
Azoriana

No dia do Programa...

O "Choque de Gerações"
Merece um aplauso meu,
Abana logo opiniões
"Joel, o Programa é seu"!

Tem mostrado equidade
Nalgumas transmissões,
Na sua serenidade
Fogem atrapalhações.

Este povo tão atento,
Reclama de tudo e nada,
Se existe algum lamento
Também há a gargalhada.

O "Ódio de Estimação"
Pode não ser do agrado,
Mas o Borges tem razão,
Em continuar humorado...

A Terceira e o Programa
Que às Terças se mantém,
À 4ª se alguém reclama,
É porque não lhe convém...

Qual será então o dia
Para um debate alargado
Convidados cá da ilha
Quer em prosa ou rimado?

Azoriana

Cobre-me o medo!





Cobre-me o medo


O gosto duma cama redonda
de jasmins perfumados
sorrisos em chama
delicioso licor
nua em flor
prazer
paz
do
m
e
u

s
e
r
.
.
.

Azoriana

Os "Pergaminhos..." de Rpapyrus - R|R

Rpapyrus - R|R é o autor do novo Blog intitulado "Invertido" que o apresenta assim:
"(...) Este Blog é uma das demais restantes experiências informáticas da minha imaginação, querer e sentir. É como vos disse e digo... a ver vamos, o sumo que irá sair deste fruto! (...)".
Claro que sei quem é o autor. E sei que é um excelente artista a ver pelo seu logotipo.
E também tive uma bela surpresa no artigo intitulado: Porque não "Invertido"?
(...) dizia-me ela: "...porquê Invertido?...." Ao qual eu respondi: "...porque não...Invertido?!" (...)
Aconselho-vos a verem a resposta com seus próprios olhos.
Eu já coloquei o novo link na minha Lista de Blogues visitados. Precisa actualizar o painel de Logotipos de Blogs de Agostinho Silva que já está bem recheadinha. Amigo Agostinho gostava imenso que este logotipo ficasse perto de dois que lá constam. Depois falamos.
Já deixei o meu comentário sincero: "Ele" está de volta e com um visual magnífico que inspira a ler seus "Pergaminhos"... Conta comigo.
E porque não contar com todos os que me visitam para desejar as Boas Vindas a este novo Blog que chegou a este nosso mundo - A Blogosfera.
Azoriana

A uma VELA

Na minha visita habitual, pelos blogs favoritos, deparei com uma vela que tem um significado especial para o seu autor.
- Ai, que giro! - disse o meu filho mais novo ao ver a imagem.
Escusado será escrever que esta imagem tem direitos autorais, por isso apenas deixo o link.
As velas nunca são de mais se lhes atribuirmos a Paz e tantos outros bons sentimentos.
"A Minha Vela" inspirou-me um acróstico instantâneo que deixei lá em "Já comentaram".
Para me relembrar fica aqui registado neste artigo a inspiração que o esquecimento de uma vela acesa originou, neste caso, fascínio e beleza. Noutros casos há que tomar cuidados para evitar os incêndios.
"A Minha Vela" de Nuno Barata apenas transmitiu-me isto:

VELA

Vislumbre de encantos
Eternos e certos sentimentos
Lume em rastos coloridos
Acende a emoção da vida.

Nota:
Estava a escrever este texto quando passava o filme "10,5" de John Lafia, na tarde de 16 de Janeiro de 2005.
Acendo uma Vela no meu coração a todos quantos necessitam, porque quando é a sério é um caso sério!
Azoriana

A propósito de...

Eu sei pouco de política nem é minha intenção ofender ninguém que a ela se dedica exaustivamente. Olho mais ao "rosto" e à atitude do político em relação à realidade do dia-a-dia dos açorianos.
Dia 14 de Janeiro/05, abri a televisão, nem reparei a que horas, e vi e ouvi (ensonada) um discurso todo orgulhoso de um senhor político.
Ouvi aplausos, vi dedos em pares no ar em júbilo, e parece que o senhor político falou quase cinquenta minutos... Grande discurso!!
Eu não aguento cinquenta minutos a ouvir um discurso... Desculpem-me mas adormeço! Adormecia, acordava... adormecia, acordava... enfim, isto levou algum tempo. Mas as partes que ouvi talvez fossem as piores porque me acordaram e não me convenceram a ficar orgulhosa... Talvez porque o termo aclamado umas quantas vezes me assustasse.
Uma das que mais me assustou foi ERRO sobre uma coligação. Mas que é isto!? O que é isto!? Agora é que foi o maior erro. Falar do outro erro... Já pensou que podem pensar que o senhor usou as pessoas para obter grandes efeitos? E se essas pessoas nunca mais o olharem bem? Não faz mal, o que interessa é aplausos.
Volto a afirmar que eu não sou política nem faço questão de ser... nem pensar. E, já que se pode dizer muita vez a mesma palavra, pensem bem por favor:




  • Pensem que num dia estão abraçados e no outro errados;

  • Pensem que num dia estão no poder e no outro a contradizer;

  • Pensem que num dia estão aplaudidos e no outro desanimados.


Estes pensamentos não tem cor nenhuma, são tonalidades verdadeiras. Sei que tenho utopias mas porque não fazem uma coligação em que escolhem quem faz bem sem olhar a tons de política? Aposto que ficavam todos orgulhosos... mas isso é impossível, não é? Era uma guerra... Esta vida é uma passagem tão efémera e a prova até está na força da natureza que tudo rompe, tudo apaga, até o mais pequeno papel.
Sou pela Paz.
Cordiais saudações

Um poema de autor brasileiro

Através do meu Mural de Mensagens tive conhecimento do autor, que vive perto de umas montanhas onde está uma quente tarde de verão, sem vento algum. Numa cidade cuja corrente de ar, quando vem, corta a cidade de noroeste a sudoeste mas mesmo com a intensidade que vem, logo se vai, e fica o calor abafado, e posteriormente recebi este consentimento a um pedido por e-mail:
"... sinta-se à vontade para reproduzir qualquer dos conteúdos que lá estiverem, a qualquer tempo."
O meu pedido era este:

Posso pedir-lhe um poema?
Empresta-me "Mulher não nasce, Estréia!"?
Não será um roubo, não...
É simplesmente gratidão
pela beleza certeira,
num poema à maneira.
Aqui está:


Mulher não nasce, estréia!
Mulher não nasce, Estréia !
Estréia na vida, no trabalho;
Estréia na escola, que seja da vida;
Mas estréia.
Estréia na faculdade, no teatro,
Que seja o da vida, mas estréia.
E de estréia em estréia, vai ficando aos poucos
Mulher dos acontecimentos, do dia a dia.
Estréia no Amor; nas Emoções; e nos sentimentos.
Estréia também nas decepções dos relacionamentos;
Reais ou virtuais, não importa;
Amorosos ou não, mas estréia.
Estréia na escolha dos parceiros que
Algumas vezes podem decepcioná-la, mas estréia.
Estréia na maternidade, onde certamente
Se dá o mais lindo fenômeno da vida:
O Nascimento !
O choro, o primeiro de muitos
Que certamente virão.
A mulher é completa; nos sentimentos,
Nos gestos, nas emoções;
E na maioria de suas ações.
Seja pessoal, ou profissional,
Ela conquista o direito da luta sem par.
E ganhando em sua vivência,
Estréia na maior de suas experiências
O direito de se ver e se sentir mulher.
Mulher se não nasce, também não morre,
Muda de dimensão; deixa o carinho, a saudade,
A lembrança enfim.
Uma prova viva da sua estréia.

(by: Jorge Oliveira)


Muito Obrigado!
Azoriana

Cadeiras em acróstico

em acróstico

C_adeiras são o máximo!
A_ssentam populações
D_ão soluções
E_mbrulham confusões
I_nspiram opiniões
R_asgam sarilhos
A_ssinam pensamentos
S_ois, vós, cadeiras - que nos descansais...

Se fosses cadeira, que fazias se fosses cadeira?

Azoriana

"Ódio de estimação"

por Luís Filipe Borges
in "Choque de Gerações"

por isso:
«"Choque de Gerações" - Programa que abana opiniões».
Esta inventei eu. Estará correcta?

Foi para o ar no dia 11 de Janeiro, com repetição na Quarta.
Azoriana

Dia de Amigos

Quinta-feira,
em dia treze
é o dia em que os amigos
presenteiam as amigas
nem que seja
com um "Bom Dia"
em simpático aperto de mão
ou um docinho, porque não!?

Até a simpatia agradece
comemorar a ocasião...

Amigos!

Para a semana
É a nossa vez...

Azoriana

Palavra... qual Ouro!

Peço a PALAVRA!
...
quero molhá-la com o vinho da delicadeza
...
há palavras douradas,
perfumadas
asseadas!
...
há palavras ressonadas
em ideias adormecidas
e proibidas!
...
as palavras acordam ideias
talhadas em mentes frágeis
de desespero!
...
não faças palavras
que amontoem cérebros
ricos de palavra
mas pobres
de ser!
...
Azoriana

Oração!


Rezei a Cristo

Num pequeno "post-it" a oração do dia... forte e simples... um rascunho que trago no coração.
Não se consegue ler. Foi num "tempo" tão longínquo... em que ainda não existiam os caracteres de hoje. Esses caracteres que são arrastados em escritos diversificados.
Peço-te perdão pelo dia de Hoje... Sei que estive divagante... ausente, muito ausente... tão ausente num presente onde os meus dedos teimavam em quedar-se inertes. Só produziram este rascunho... Será que me perdoas?
Azoriana



Amarrotada na estrada! (6)

O almoço não sei se vos diga se vos conte. Foi um almoço de reis. Vinho do melhor que há, reserva de 1900 e poucos, marisco de entrada, prato de peixe, prato de carne, sobremesa a condizer e para finalizar um café e digestivo.


Como a bebida ia escorregando bem, no final até a Clarisse bebeu uma aguardente velha.


No meio de risos e algumas gargalhadas sobre anedotas sem graça alguma, houve algum tocar de mãos entre ambos. A princípio, como se fosse um choque elétrico separavam mas, aos poucos isso foi deixado para trás.


Belarmino estava confuso. Aquela roupa preta que ela trazia parecia-lhe a que tinha visto na webcam quando tinha falado com a Eugénia on-line, mas devia ser efeito já do vinho. É certo que o que daqui vejo (já que o decote era um pouco ousado) parecem-me os peitos dela. Será? Não, eu vi a cara e era a dela e não a da Clarisse – pensava o Belarmino para si.


- Olha Belarmino, tenho uma pequena confidência a fazer-te. – Disse a Clarisse.


- E qual é essa confidência? Não me digas que estás interessada em mim – respondeu o Belarmino com uma gargalhada de lá de dentro.


- Quem sabe? – Respondeu ela.


Com um ar de galã e atrevido, perguntou-lhe logo de seguida:


- Então o que sugeres?


- Podemos ir para outro lugar... Conversarmos mais um pouco num ambiente mais familiar, que achas? – Respondeu ela já com um ar de atrevida.


O almoço já ia prolongado, já passava das três da tarde. Belarmino pediu a conta e quando chegou o ticket, reparou que os números eram um pouco altos mas pensou: Perdido por cem, perdido por mil. Que se lixe a conta. Tirou da sua carteira um cheque e, mesmo sabendo que não tinha cobertura, preencheu-o e entregou ao empregado acompanhado de uma gorjeta generosa.


Saíram ambos porta fora. Como ela não tinha levado o carro, naturalmente que foram no carro dele.


Pelo caminho, Clarisse ia afagando a perna direita de Belarmino e este não sabia o que fazer...


 


Entretanto, uma notícia que chocou a população local...


A Dory faleceu esta manhã vítima de complicações cardíacas, após um aborto clandestino. Segundo informação do médico de serviço, Dory deu entrada no Hospital por volta das duas da manhã com paragem cardiovascular. Foi levada à urgência do Hospital por um indivíduo do sexo masculino que informou o polícia de serviço, ter encontrado o corpo desfalecido na berma da estrada a poucos metros do Hospital. Segundo a mesma fonte, e após autópsia, podemos dizer que Dory deixa este mundo vítima de complicações cardíacas após uma péssima intervenção de um aborto, mais um, clandestino.


Paz à sua alma. Não deixa filhos nem dívidas. O funeral realiza-se amanhã a meio da tarde... [Pausa}


 


O narrador:


Neste palco surpreendente, fechou-se o pano perante um vale de lágrimas difícil de conter... Mas teve que ser... Escusado será dedilhar as cenas de um funeral. Nem é isso que interromperá a história que se adivinha ainda mais virtual... Porque qualquer semelhança com a vida real é uma incrível de uma coincidência!


Passaram-se cinco longos meses desde o fatal acontecimento. Estamos em Junho de 1998.


Os próximos eventos seguir-se-ão em novo artigo que se intitula "Amarrotada na estrada - II".


 


A história entre Belarmino e Clarisse continua... A D. Belmira ficara adoentada e de vez em quando fecha-se no quarto. O Ermelindo deixou crescer barbas e cabelo bastante. Estava lindo... E alguém notou isso...


A Eugénia ficou-se embarcada e ninguém mais se preocupou com isso...


A D. Clarisse é que está melhor que nunca... Já não veste preto. Veste roupas de último grito... E nem aparenta cinquenta anos... Está uma jovem...


Ideia original: Azoriana


Participantes: Ailaife Blog; Frases e Poemas; Fernão Capelo Gaivota; Pé de Vento.


Narrador: Azoriana / Açoriana


© 2005 Rosa Silva ("Azoriana")

Amarrotada na estrada! (5)

Eugénia, com a sua minissaia justa e a sua blusa de decote ousado, deixando à vista um pouco dos seus saudáveis peitos, já preparada para sair ao encontro de Belarmino, recebe um telefonema.


- Boa tarde, estou a falar com a senhora Eugénia Maria Vale da Pinta? Daqui fala do Centro de Oncologia de Lisboa. – Disseram do lado de lá.


- Sim? – Respondeu a Eugénia.


- Olhe, desculpe ser tão em cima da hora, mas a sua consulta que estava para ser daqui a duas semanas, foi antecipada para amanhã de manhã pelas 09:00 aqui do Centro. - E agora minha senhora, como irei, se o voo de hoje é já daqui a uma hora e não tenho passagem marcada? – Perguntou.


- Como temos conhecimento dessa situação, os Serviços daí já providenciaram essa passagem. É só ir para o aeroporto o mais rápido possível.


- Sim senhora.


 


Desesperada, não só por causa da consulta ter sido antecipada, o que trazia água no bico, mas também, porque estava decidida a tomar uma decisão em relação ao Belarmino, resolve telefonar para a sua amiga e confidente Clarisse, que por razões que a própria razão desconhece era a prima da mulher dele, vinda há algum tempo do estrangeiro com uma avultada quantia na conta bancária.


- Está... Clarisse? Sou eu a Eugénia. Vou ter que ir para Lisboa daqui a pouco por causa daquelas radiografias que tirei há um mês. Não deve ser boa coisa por certo, mas como sou otimista, tudo irá resolver-se por bem.


- Ó minha amiga, mas então que tens tu? – Perguntou a Clarisse.


- A pessoa que me telefonou não adiantou muita coisa mas não é por isso que te estou a ligar. É que fiquei de me encontrar com o Belarmino daqui a pouco e agora, apesar de ser o meu desejo, não posso ir. Vou passar por aí e deixar-te um bilhete para lhe entregares. Podes fazer-me esse favor? Depois digo-te onde era o encontro.


- Claro que sim, minha Amiga, é o mínimo que te posso fazer. Deixa que eu vou ter com ele e tento explicar-lhe a razão.


- Não! Não lhe digas nada, não quero que fique preocupado, por ora. – Pediu a Eugénia.


 


Já passavam alguns minutos depois da hora prevista e o Belarmino já estava em pulgas. Já imaginava o que lhe iria dizer, o que lhe iria propor e, ela tardava em chegar.


- Belarmino? Boa tarde – disse a Clarisse quando chegou ao pé do Belarmino.


- Clarisse? – Perguntou ele com ar espantado por a ver.


- Sim, sou eu, qual o espanto? Não estavas à minha espera presumo?


- Não, por acaso não, mas não faz mal. Também vens almoçar?


- Pode ser se me convidares! – Disse ela com um sorriso malandro.


- Sabes... Estava à espera de outra pessoa... – Respondeu timidamente e um pouco envergonhado.


- Eu sei, da Eugénia! – Disse-lhe ela.


- Como é que sabes? – Perguntou-lhe ele já com o rosto todo vermelho de vergonha.


- Tem calma Belarmino. Eu sei o que se passa entre ti e ela, mas da minha boca nada sairá. Somos amigas já há longos anos e sei guardar um segredo. A Belmira nada sabe nem nada saberá, está descansado. Posso-me sentar então?


- Claro que sim e desculpa o meu espanto – respondeu ele e apressou-se a levantar para a ajudar a sentar-se.


- Mas onde é que ela está? – Perguntou depois.


- Teve que ir com alguma urgência para Lisboa, nada de grave, pelo que sei, mas nesta carta que ela me deu, deve tirar-te as dúvidas que tens.


- O que queres comer então, já que estamos os dois aqui? – Perguntou-lhe Belarmino.


Belarmino abre o envelope, com cheiro a perfume bom e subtil, como imaginava que seria o cheiro da sua Eugénia, a sua Kamala dos olhos doces.


“Meu querido Belarmino,


Escrevo-te estas poucas linhas com o coração despedaçado, pois após alguns meses de amizade, simpatia, carinho e alguns sentimentos mais profundos que nutro por ti, precisamente neste dia em que queria falar abertamente contigo, não o posso fazer, por razões agora que não vêm a propósito, mas que em nada muda o que por ti sinto, fica descansado... Meu tolo das bicas.


A razão que me levou a ausentar fará com que não saiba a data do meu regresso mas, estarás sempre no meu pensamento e no meu coração.


A pessoa que te deu esta pequena carta, mais que conhecida de ti, sabe guardar segredos e como tal, não te preocupes com o que quer que seja.


Despeço-me por agora, com um beijo profundo no canto da tua boca.


(baton no centro da carta)


Da tua Eugénia.


(Continua)

Amarrotada na estrada! (4)

Entretanto na moradia dos Estrela, Ermelindo finalmente surge espreguiçado e um bocado tonto.


- Ermelindo! O que é isto!?


- É um papel... Respondeu ele, nas calmas de uma ressaca monumental da secura na garganta, à pergunta intempestiva da D. Belmira.


- Um papel!? Meu filho é uma ameaça para ti... Que andas tu a fazer nas nossas costas?


- Mãezinha, o que é isso? Eu não fiz nada... Aliás, tenho de sair. A Dory quer falar comigo. Estou atrasadíssimo...


- Não, Senhor! - Ordena ela num tom brusco e explosivo - Não sais enquanto não me explicares o que isto significa...


Ermelindo já não suportava o inquérito policial da mãe. Agarrou no papel e olhou-o fixamente, lendo-o de alto a baixo:


- Mãe! Este Ermelindo não sou eu!


 


O Ermelindo ao dizer isto à mãe saiu porta fora para ir ter com a Dory. Foi encontrá-la no lugar preferido deles, um monte perto de um lugar onde o sol estava a brilhar e uma pequena brisa fazia esvoaçar os cabelos longos e sedosos de Dory.


Chegou perto da Dory e ela perguntou:


- Ermelindo, quem era aquela mulher?


- Oh, querida! Era apenas uma pessoa que estava no bar com quem eu falei enquanto esperava por ti.


Ela olhou para ele com olhar envergonhado e ele deu-lhe um beijo que a deixou quente de forma a responder ao mesmo.


Clarisse da Purificação viu este beijo e foi embora. Ermelindo levou então a Dory para o lugar secreto deles e diz-lhe que a mãe descobriu a carta mas não sabe se a conseguiu despistar.


 


Durante três longas noites Belarmino quase não dormia. A mulher ia-lhe perguntando o que se passava, já que o seu desassossego era notório.


- Nada mulher, coisas do serviço – dizia.


Lá no seu interior mais recôndito, ia pensando na Eugénia, no que lhe tinha dito, no que tinha visto e desejado, ao mesmo tempo que, olhava para quem ao seu lado estava e lhe tratava de tudo. No fundo, em momentos efémeros, até sentia algo por ela mas seria o que sentia agora pela Eugénia?


Ao terceiro dia resolveu ir falar com o filho, uma daquelas conversas de “atirar verdes para colher maduras”.


- Olha lá filho, aquela tua amiga... A tal de... Ifigénia ou lá o seu nome, que faz ela? – Perguntou.


- Ifigénia? – Não será Eugénia? – Respondeu.


- Aquela que me apresentaste no café, talvez seja esse o nome.


- O nome dessa é mesmo Eugénia. Trabalha num consultório de advogados ali para os lados da zona fina da cidade. Porquê?


- Por nada em especial. É que ontem estive no aeroporto, e pareceu-me ser ela que ia embarcar com um senhor todo bem-posto para Lisboa – Respondeu sem intenção de continuar.


- Não deve ser então ela Pai. Ela, além de ser solteira, não tem ninguém de momento, que eu saiba é claro.


- Tudo bem filho, deve ter sido mesmo impressão.- Respondeu como quem mais nada quer saber.


Com esta informação, algo preciosa para ele, e já no serviço pôs-se on-line para falar com a Eugénia.


Ela foi a primeira a teclar.


- Olá! Bom dia Antonino das Bicas...rss – disse ela.


- Bom dia...minha Kamala. – Respondeu.


- Então, como vai tudo pelos teus lados? - Perguntou ela.


- Já tomei uma decisão, e queria dar-ta mas, teria que ser frente a frente, ao vivo. – Disse.


- Quando e onde? – Perguntou ela?


- Sabes aquele restaurante ali para os lados do jardim, com esplanada? Às 13:00 lá. Pago o almoço.


Belarmino, todo boneco lá chegou ao tal restaurante 15 minutos antes da hora. Nervoso, lá pediu uma mesa com vista para o mar.


- Mesa para dois – disse.


Eugénia, depois de um banho relaxante, no meio de espuma de sais de banho, perfumou-se, arranjou-se, retocou o baton e o risco nos olhos. Saiu porta fora toda exuberante, como se este dia fosse ser o primeiro do resto da sua vida.


Belarmino, pacientemente, aguardava pela chegada da Eugénia. Já tinha, entretanto, bebido um Martini seco.


(Continua)

Amarrotada na estrada! (3)

Estamos no dia 26 de Janeiro de 1998. A manhã até está bonita. Apenas naquela casa mora um silêncio aterrador. Ermelindo dorme profundamente. Os pais é que estão numa ansiedade medonha...


Antonino das Bicas, como era conhecido, mas seu verdadeiro nome era Belarmino Estrela. Belarmino, agora com 49 anos de idade, filho de uma família rigorosa onde o seu pai tinha sido militar de carreira, por detrás do seu ar autoritário e severo, deleitava-se com algum prazer e luxúria nos chats, local onde era mais conhecido por António ou Antonino das Bicas, este último porque ele tinha uma tristeza de morte de não morar numa zona da cidade que dá por esse nome. Até chegou inclusivamente, a ter um pequeno caso on-line.


Ele sabia que o filho também navegava na net, ou não fosse ele um entusiasta do meio e o primeiro a ter ensinado-o. No momento em que a sua esposa e concubina lhe lera a carta, lá no fundo do túnel acendeu-se uma pequena luz. Em tempos o seu filho tinha-lhe apresentado uma amiga, mais velha cerca de 10 anos é certo, mas não deixava de ser amiga por isso. O pior foi o brilho nos olhos dela quando viu o pai dele.


Essa amiga, de nome Eugénia, tinha uns olhos de um azul profundo que transmitiam paz, calma e amor, coisa que nunca tinha visto nos olhos da sua mulher. Pudera, tinha sido um casamento de conveniência, como tal, essa sensação até esta altura tinha sido apenas uma miragem.


Ermelindo conhecido nos chats como o "cupido" nasceu no dia 14 de Fevereiro de 1968. Estava à beira dos trinta anos e seus pais planeavam uma festa de arromba. Belarmino já fizera os seus 49 anos no dia 15 de Janeiro e D. Belmira fizera 52 no dia 5 deste mesmo mês. Houve festa animada para os dois. Agora convinha preparar a do filho e juntar também as amigas prediletas, em especial, a Dory que nascera no mesmo dia de Ermelindo mas do ano de 1966. Completaria assim os seus 32 anos.


Claro que seria convidada também a prima imigrante, Clarisse da Purificação, que nascera a 17 de Janeiro de 1948. Nesta data já completara os cinquenta anitos. Esta mulher voltara da Suíça com uma avultada fortuna e numa tristeza profunda. É que ela apanhou o marido na cama com outra e tratou de limpar-lhe o sebo e a fortuna e regressou para a sua terra... Nem mais! Só se sabia, pela consternação fingida dela, que o marido tinha tido um ataque cardíaco. Vestia-se toda negra, coitada! A dor era tal que os gatinhos é que a animavam nas horas de infelicidade, eram a sua companhia... Só que ela tinha um segredo, que nem os gatos sabiam...


 


Belarmino, como já se disse, era adepto dos chats, ainda que a sua mulher nem desconfiasse, já que quando se falava no assunto, na cumplicidade com o filho, ele nada sabia nem fazia intenção de perceber.


Foi numa destas conversas que ele conheceu a Eugénia, aliás, conhecida no meio por Kamala. Kamala, para quem não sabe é a mulher que leva Sidarta (o Buda de Herman Hesse) a deixar de buscar o Nirvana, sua elevação espiritual para viver dias de glória e conhecer o amor carnal... o delicioso amor carnal.


Assim, conversa puxa conversa e começaram a falar a sós no MSN.


Eugénia, nas suas conversas tidas com o Belarmino, dava jus ao nick escolhido. Toda ela transpirava sensualidade, desejo, ardor, paixão e isso, era o que Belarmino queria sentir nos seus braços, no calor dos lençóis de uma cama.


Belarmino começava a passar cada vez mais tempo no seu trabalho para poder falar mais com ela. Dia para dia, o trabalho aumentava, dizia ele à sua mulher, até houve alguns dias em que o seu colega de trabalho tinha estado doente, e como tal, tinha ficado tudo para ele, originando que chegasse a casa perto da meia-noite, mas nada que a mulher desconfiasse, já que ele sendo inspetor do SEF, por vezes isso acontecia.


No meio dessas conversas, picantes por vezes, o “nosso” Antonino das Bicas, dava-se conta que devia conhecê-la, não sabia era de onde ou quem seria mas, podia ser só impressão sua. Aos poucos a sua vida foi sendo posta a nu ali para ela e ela, também se ia abrindo para ele, sobre a sua vida, os seus sentimentos, os seus anseios ou as suas dúvidas.


Um belo dia, ela sugeriu terem sexo ali.


- Sexo aqui? - Perguntou ele.


– Sim, virtualmente falando, meu querido Antonino. Conversamos como se estivéssemos juntos. É tão fácil e aguçará o teu apetite por dias melhores.


É claro que ele não se fez rogado, começou logo com outras palavras, mais ousadas é certo, até que ela lhe disse:


- Espera! Vou-te fazer uma surpresa. – Disse ela.


Qual não foi o seu espanto, quando uma mensagem apareceu no seu monitor a pedir para aceitar um convite para adicionar uma webcam.


Afinal, meses passados, ela resolveu revelar-se – Pensou ele. Aceitou, como seria de esperar.


Quando começou a ver a primeira imagem, o seu coração rejubilou de alegria, porque aqueles olhos de um azul profundo que transmitiam paz, calma e amor, coisa que nunca tinha visto nos olhos da sua mulher, eram olhos conhecidos.


São os olhos da Eugénia – pensou.


- Eugénia? – Perguntou.


Depois de um longo silêncio, apesar do frenesim no teclado de cá para lá e de lá para cá, onde realmente, mesmo à distância, houve amor, paixão, ardor e, porque não dizê-lo tesão, com imagens insinuantes e provocantes ela respondeu a essa pergunta.


- Sim, sou eu.


Cansado dos dedos, perguntou-lhe:


- Então, porque nunca te identificaste?


- Porque desde que o teu filho nos apresentou, fiquei sempre a pensar em ti mas, tinha receio que ao saberes quem eu era, não mais quisesses falar comigo ou, chegar ao ponto que chegou. E agora que sabes quem sou o que me dizes? – Perguntou ela.


Belarmino, que também nunca tinha esquecido esses olhos, fetiche para ele, ficou sem saber o que lhe dizer. Na sua mente mil e uma imagens passavam à velocidade da luz. Pensava no que diria o seu filho, já que ele é que os tinha apresentado. Pensava naquelas curvas insinuantes que tinha visto no monitor, e na vontade desalmada que tinha em a possuir num vale de lençóis de cetim numa noite de lua cheia. Pensava na sua mulher, que para além da roupa e da comida, deixava a desejar um pouco. Pensava, pensava, pensava...


- Não me respondes? – Perguntou a Eugénia.


- Vou ter que pensar um pouco, a sério que sim. Não estou a fugir, nem tão pouco a dar-te um fora, mas preciso de tempo para assimilar isto tudo. A realidade e a virtualidade da situação, compreendes-me, não compreendes?


- Claro que sim... Belarmino posso tratar-te pelo verdadeiro nome agora, não posso? Depois de uma pausa respondeu:


- Sim, claro que sim, já não faz sentido o inventado.


- Olha, Belarmino, quero que saibas que não tenho estado a brincar contigo, a sério que não. Também quero que saibas que entre mim e o teu filho, nunca houve nada nem tão pouco irá saber o que quer que seja daqui, aliás, soube o teu nick, não por ele, mas sim por um colega teu, aquele que faleceu há meses atrás no aeroporto. Dou-te uma semana para me dizeres algo, achas razoável?


- Sim, acho. Um beijo então.


- Outro, agora na boca... rss – respondeu ela.


(Continua)

Amarrotada na estrada! (2)

Antonino das Bicas era o nome por quem era conhecido o "dono" desta recatada família. Tinha 49 anos e era mais novo que a esposa três anos. Viviam aparentemente felizes numa casa de três andares. Um dos andares estava arrendado a uma senhora elegante na casa dos cinquenta, que se dizia prima da D. Belmira Estrela. Tivera muitos anos no estrangeiro e voltara com uma avultada fortuna.


Enquanto não arranjava casa própria, a prima, D. Belmira, tratou de lhe destinar um andar da casa. Clarisse da Purificação (pura, só após o duche e durante breves segundos!) ficou radiante com esta gentileza da prima Belmira. Só havia um pequeno problema: a demora na escolha de nova residência por parte de Clarisse... Estava difícil encontrar casa para morar um pouco mais além. É que o "aquém" estava-se a tornar inquietante. Os gatinhos eram os bichinhos de estimação da senhora e provocavam alergia a Belmira, que evitava tudo por tudo contactar de perto com os "bonitos bichanos".


O marido, Antonino, já várias vezes protestara contra esta invasão. Esta "prima" tinha de seguir seu rumo...


 


Sem saber de nada do que se passava com os pais, lá ia no seu rumo certo. Ermelindo, todo janota, com seu blusão cinza de gola alta, calças pretas, gorro, luvas e um casaco de cabedal (sim... porque esta farda já tinha habituado o olhar de toda a vizinhança!). O seu destino era o bar junto ao mar, que tanto o animava nas horas frias de um inverno de almas. Baixinho ia cantarolando, porque só tinha ouvido para a canção porque, de resto, a voz tinha ficado entalada nalgum armário das bolachas (em pequeno gostava muito de roubar a sua bolachinha às escondidas da mãe):


- Lá, lá, lá, lá...na, na, na, na... Estou à beira-mar... Está um frio de rachar... Acho que minha mãe vai ralhar... Por chegar tarde ao jantar... Lá, lá, lá, lá... na, na, na, na...


Qual não foi a sua felicidade quando avistou uma moça sentada na mesa do bar. Olhou de relance mas não fez muito reparo. Seguiu até ao balcão e pediu um café e cigarros. Sentou-se no banco junto ao balcão e acendeu o primeiro cigarro. Depois outro... E mais outro... E de repente olha e não viu a moça. Para onde teria ido ela? Nem viu o "garçon" recolher os trocados das mãos de tão fino ser...


Ficou pensativo e ao mesmo tempo uma névoa da tristeza embalou o pensamento. Ah! Voltou... Afinal tinha saído por uns leves momentos de arejo de alguma onda.


Ela sentou-se à mesinha e notou aquele olhar azul, da cor do sonho, vigiando o dela... Sentiu-se corar, mas manteve a pose elegante e um sorriso escapou-se-lhe por entre uns lábios carregados de uma pintura sábia. Apercebeu-se que Ermelindo não tirava os olhos dela. Já estava a ficar embaraçada mas eis que de um rompante, levantou-se e foi direta ao balcão:


- Posso saber porque me olha tanto?


Ele não esperava esta reação e sentiu um calafrio:


- Eu? Eu... Bem, eu estou esperando uma amiga. Ficou de encontrar-se comigo aqui neste bar. Já está a passar da hora... Deve ter-se atrasado ou então não pôde vir. Detesto esperar... Oh! Mas desculpe... De certeza estou a falar demais... Perdão!


Ela, sentiu os pés estremecer e retorquiu:


- Não precisa pedir desculpa. Eu também já me cansei de esperar um amigo que combinou aqui estar... Disse-me que era pontual e até agora nada...


Ambos olham-se de novo... (silêncio que baste para três ou quatros moscas voarem de um lado ao outro). Quem primeiro quebrou o gelo foi Ermelindo:


- Ah! Peço desculpa... Nem me apresentei. Meu nome é Ermelindo.


À segunda-feira Dory, não trabalha no restaurante. Faz folga semanal. Por isso, saiu do emprego e foi dar uma volta até à beira mar. O ambiente no emprego de pronto a vestir anda muito mau. A crise é geral. Estava frio mas ela precisava de apanhar um pouco de ar e pensar na vida. Perdeu-se em pensamentos…e eis que de repente repara que Ermelindo está de papo feito com outra mulher…


Perdeu a noção do tempo e reparou que estava atrasada para a visita semanal que fazia à mãe todas as segundas feiras, dia de folga no restaurante que ela é sócia/trabalhadora e que quase sempre aproveita para um encontro com Ermelindo. A mãe, viúva há muitos anos, vivia no centro da cidade. Uma casa enorme que acabou por comprar quando recebeu a indemnização aquando da morte do marido por acidente de trabalho. Todas as segundas feiras a história era a mesma: “Filha, porque não vens viver comigo?” ”És filha única… eu não preciso desta casa tão grande… tão sozinha” …


Ermelindo continua a falar com aquela mulher… Cheia de ciúmes Dory sai daquele local rapidamente.


Ermelindo estava distraído a falar com a moça, e viu de relance a Dory a fugir daquele lugar. Fica indeciso... Será que vai atrás de Dory, ou continua na conversa que está a ter com a moça que ainda não sabe o nome?


Ele tenta levantar-se para ir ter com ela mas a moça pergunta-lhe porque se levanta, e ele diz que viu a moça que ia ter com ele a sair e pede-lhe desculpa. Ele sai a correr a ver se ainda apanha a Dory.


A Dory fugira tão rapidamente que nem mais sombra havia dela. Ermelindo ficou a coçar na cabeça... Já sabia que aí vinha uma cena daquelas... E pensou: "Bem... Deixa lá! Vou voltar para o bar!". Vira na volta e quem encontra mesmo ali quase nariz com nariz... Clarisse da Purificação! Quase perdia o pio, mas lá conseguiu balbuciar:


- Olá, prima Clarisse! Não a esperava aqui. Está tudo bem? Os gatinhos como vão?


- Está tudo bem. Tu é que não estás com muito boa cara rapaz. Que te aconteceu? Não me digas que estás assim por causa da festa de anos. Não tarda o dia 14 de Fevereiro e há que comemorar com uma festa rija. Afinal, trinta anos é só uma vez na vida... E ainda por cima é Dia de Namorados! E claro que a tua amiga também faz anos no mesmo dia que tu, mesmo que seja mais velhinha dois anos que tu... Não é mesmo?


- Oh, prima... Nem me fale nisso... Nem me fale...


E depressa se livrou de mais perguntas, com um "Até logo, prima, até logo"...


Depressa chegou ao bar mas até a moça simpática o abandonara. Estava sozinho e perdido numa confusão diabólica nas paredes do cérebro... Então, que fazer? Bebeu, bebeu, bebeu e não mais conseguia juntar capazmente o "D" com o "o"... "Do...ry... Do...ry..."


É fácil adivinhar que Ermelindo não se sustinha nas pernas altas, que desta vez estavam sem se conseguirem levantar sem o desastroso cambalear de um quase trintão.


Chamaram um táxi e lá foi Ermelindo atordoado rumo à sua moradia. Difícil foi perceber o nome da rua mas o taxista aos poucos conseguiu entendimento.


(continua)

Amarrotada na estrada! (1)

"Amarrotada na estrada"


Uma carta encontrada na estrada por um casal que passeava num Domingo à tarde. No dia 25 de Janeiro de 1998.


Este casal tinha um filho vivo. Tivera outros filhos mas a nascença fora interrompida por malformações irrecuperáveis. Restara aquele filho que era o enlevo dos pais. Só que estes pais desconheciam as peripécias deste filho, que julgavam puro da cabeça aos pés. Não tardava a fazer anos. Até pela estrada fora já falavam da festa surpresa...


Eis que a carta lhes coloca a curiosidade de a recolher daquele chão um tanto enlameado pela manhã de chuviscos. Afinal, esta carta estava amarrotada mas percebia-se na letra graúda, um nome... Este nome... Não é!? O homem foi quem a buscou do chão mas a mulher depressa a arrancou das mãos do marido, sem pensar, mas coração de mãe tem essas coisas, acertou-lhe em cheio aquele nome... (há muitos nomes iguais, não é mesmo? E até pode nem ter nada a ver com esta pacata família). (...). [Pausa]


A mãe começa a ler a carta, com alguma dificuldade:


"Ermelindo venho dizer-te que o crime ainda não está esquecido. Vou apanhar-te e nessa altura vais saber o que é um castigo, o que é a dor de sofrer pelo que fizeste. ass.:.........".


Fica a mãe a pensar: Que crime é este? Quem escreveu esta carta?


O começo:


O Ermelindo é um jovem bem-educado, muito participativo na vida escolar, da paróquia e familiar. Mas, há sempre um mas, na vida das pessoas, passa muito tempo na net. Tem um nickname e passa a vida nos chats perdendo-se e fazendo quem por ele se “agarra” perder-se de “amores e promessas”. Alguém descobriu… e parece que o Pai também anda “nisso”.


A mãe do Ermelindo, a D. Belmira Estrela é uma senhora extravagante... moderna... Mas também muito rígida com a família.


Doroteia… Dory p’rós amigos, amiga do Ermelindo e quem sabe a possível autora da carta amarrotada. Na “casa” dos trintas e poucos anitos…vive sozinha, algures no sul do País. Funcionária de uma empresa de pronto a vestir e sócia (com uma outra amiga) de um restaurante onde se come muito bem. Isto, segundo informações que ela foi “passando” ao Ermelindo.


Entretanto, D. Belmira Estrela fica chocada... Fica num alvoroço. Mas será mesmo a carta destinada ao seu querido, estimado e educadinho filho!? Mal pode acreditar que seja verdade... Um Crime!? E eis que começa num choro compulsivo, acudida pelo marido, que a segura, um pouco trémulo, pois pela testa já lhe começavam a surgir umas bolinhas de água de susto... Algo previa... Algo estaria prestes a fazer tremer aquele lar tão bonitinho...


Belmira Estrela não queria acreditar no que lia...e ao mesmo tempo que passava os olhos por aquele pedaço de papel amarrotado, apanhado à beira da estrada...seu pensamento vagueava pelo seu passado, e pela sua mocidade. Lembrava-se do seu tempo de estudante (sim porque estudara e até tinha feito o Magistério Primário e se tinha formado em professora primária). Nunca exercera...pois quando estava de casamento marcado, Antonino lhe dissera que teria de escolher entre constituir família e trabalhar. Ser mulher casada, ser esposa, também era profissão e assim cedeu ao capricho do seu António. De princípios algo rígidos com a família e marcada pela vida...soltava a sua frustração na forma como se vestia, nas suas pequenas extravagâncias...no seu nariz empinado e num orgulho algo ultrapassado...


E agora? Que crime era aquele? O seu querido filho Ermelindo?

Amarrotada na estrada!

"Amarrotada na estrada"

Nota Introdutória


Estava eu a limpar o pó dos móveis que me ouvem o sono e de repente parei... e ouço o recado emergido de dentro. Escutei com calma.
- E se fizesses um conto em que eras "narrador" e tinhas personagens participativas do globo virtual, vestidas pela escrita cibernauta?
E continuei escutando:
- Lanças a ideia e esperas o "feed-back" da adesão ou não de possíveis colaboradores.
Pensei:
- Já sei... foi só uma buzina no cérebro. Se calhar é alguém que sabe que o meu cérebro está sempre a trabalhar, e então não resistiu a dar-lhe ainda mais "ebulições"...
Coloquei o pano em cima da cama e cismei:
- É uma questão de experimentares.

Portanto, neste artigo só deixa comentário a personagem interessada em entrar na ideia de uma escrita diferente, uma escrita a vários dedos. Ficará atribuída, à partida, o nome (ou pseudónimo) pelo qual a personagem será interveniente. Através do e-mail poderá identificar-se, porque não se admitem personagens sem ID (Identificação).
Esta ideia avança ou fica amarrotada na estrada? Claro que o título da peça/conto seria precisamente este: Amarrotada na estrada! e andaria à volta deste mote (jamais abandonarei o título, jamais!! Quem sou eu para mudar este título!?):


O começo


Uma carta encontrada na estrada por um casal que passeava num Domingo à tarde.
Este casal tinha um filho vivo. Tivera outros filhos mas a nascença fora interrompida por malformações irrecuperáveis. Restara aquele filho que era o enlevo dos pais. Só que estes pais desconheciam as peripécias deste filho, que julgavam puro da cabeça aos pés. Não tardava a fazer anos. Até pela estrada fora já falavam da festa surpresa...
Eis que a carta lhes coloca a curiosidade de a recolher daquele chão um tanto enlameado pela manhã de chuviscos. Afinal, esta carta estava amarrotada mas percebia-se na letra graúda, um nome... este nome... não é!? O homem foi quem a buscou do chão mas a mulher depressa a arrancou das mãos do marido, sem pensar, mas coração de mãe tem essas coisas, acertou-lhe em cheio aquele nome... (há muitos nomes iguais, não é mesmo? e até pode nem ter nada a ver com esta pacata família). (...).[Pausa]


Pronto... o meu cérebro agora não pára mais.
- Cala-te um bocadinho. Deixa-me continuar a minha limpeza de móveis. Não vês que assim atrasas demais a minha tarefa de sábado?
Será uma ideia invulgar!? Mas hoje em dia .... há tanta coisa invulgar.
- Não, melhor nem publicar isto. Imagina só as críticas negativas... aos milhares. Ainda fico eu "amarrotada na estrada", mas adoro este título.
Mas quem será que me ditou isto, quem??

Nunca esqueças que eu tenho apenas o papel de Narrador. Vejo-me nos bastidores de microfone na mão e os autores no palco. A plateia sorri ou chora!? Agora depende dos conteúdos dos e-mail que podem advir deste arquipélago açoriano e não só... Imaginem que o filho daquele casal tinha amizades fora da Região... e que uma dessas amizades tinha um "pacto de silêncio"...

- Por favor aceita tu e tu, e ainda tu e mais... Vá lá... Não tem prazo para terminar este conto, que será nosso...
Atenciosamente,
Rosa Silva ("Azoriana ")

Grande Sábado!

Gosto mesmo é do Sábado!
quando
as manhãs dormem
as tardes limpam
as noites sonham
em almofadas de nuvens,
sonhos macios
de silêncio e prazer.

O Sábado sempre foi um prazer!

O ofício em bom descanso,
o pó a esvoaçar da "ministra", à cabeceira,
que conhece a alma inteira
e morre de amores ao Sábado.

Não consigo acordar a manhã!

Manhã

Azoriana

Resposta instantânea...


(in "Sou eu"- Ailaife Blog, 7-01-2005)

Entra, entra por favor...
A porta para ti está sempre aberta.
Trouxeste-me esta bela surpresa
numa caixinha de flores:
Ao teu sorriso chorei de emoção,
À tua alegria dei um abraço,
Agarrei-me às tuas asas e pedi para dançar,
no luar
onde as estrelas nos aplaudiram sem parar...

Vamos imaginar
que estamos no céu da terra
a sobrevoar a alta serra!

Azoriana

A "Migalha" do dia 5 de Janeiro



"As rosas são sempre bonitas. Mais em botão que muito abertas. No mercado, e hoje por bom preço, ninguém as compra se não em botão. O seu perfume, o seu encanto, prendem-nos. São delicadas sem deixarem de ser soberanas. São femininas, rainhas. E como tais merecem coroa. Ou são coroa muitas vezes, sobretudo brancas... Às vezes de oiro e também vermelhas. De sangue na cor tantas vezes, dos espinhos que ferem a mão de quem as colhe ou a fronte de quem coroam. Porque afinal não há rosa linda sem espinho fino.
Tal e qual a saudade. Tal e qual a mortificação. Tal e qual o amor. E porque será que as rosas de Inverno se sobrelevam a todas as demais rosas do ano, ainda que estas sejam maiores e mais formosas?
Serão apenas segredos da natureza?"

in Migalhas, Pe. Manuel Coelho de Sousa. Angra do Heroísmo, 1987, pág. 15.


Esta foi a página que li e reli do livro com uma explicação magnífica: "O Pão Nosso de cada dia partido aos pequeninos".
Um ANO de "Migalhas" dedicada ao povo da Vila de S. Sebastião, da Ilha Terceira.
Da introdução designada por "Aperitivo" a certa altura reza assim: "(...) no dia-a-dia do velho jornal - A União, se foram deixando estas simples migalhas de verdade e amor para conforto de possíveis leitores, que apreciam este Pão-Nosso divino e humano." - Coelho de Sousa
Vou continuar a ler a maravilha deste pequeno-grande livro que cabe na minha mão mas que contém "365 bocadinhos do pão da Verdade e da Vida". É bom saborear tais migalhas.
Um agradecimento especial a Dionísio Sousa por me dar a conhecer este "banquete de graça". Bem Haja!
Azoriana

Agradecimento (Tim Bora)

Venho fazer-lhe um pedido,
Até lhe ofereço uma quadra,
Até parece teimoso castigo
Mas não atino com a manobra.

Queria os meus favoritos,
Numa corrida ao alto,
Já tentei fazê-los bonitos,
Mas não têm o tal "salto".

Trabalho não lhe queria dar,
Nem muito, nem tão pouco,
Mas é que se eu continuar,
Vai todo o "link" ficar louco.

Agradeço já nesta hora,
Se tal me puder organizar,
E um elogio ao Tim Bora,
No meu blog irei colocar.

A lista já foi devolvida,
Com o trabalho perfeito,
Fico-lhe muito agradecida!
Meu "FrontPage"! Não havia jeito...

Muito Obrigado
Azoriana

A amizade continuará...

Eu gosto imenso de aqui vir,
Encher o coração d'alegria
Em todo e qualquer dia
Queres fazer-me sorrir.

Eu nem sempre estou contente,
Nem tão pouco bem disposta,
Mas ao ver vossa resposta,
Fica tudo bem e diferente.

Ainda um dia eu gostava,
A vossa terra visitar,
Um abraço vos queria dar
Uma oferta vos levava.

Uns docinhos regionais,
Com um licor à mistura,
E com bastante doçura,
Falarmos e rirmos demais.

Fica um pouco distante,
Este sonho que acalento,
Continuará o sentimento,
Amizade é gratificante.

Já vi resposta do "aflores",
Amigo distinto do Norte,
Tenho eu, então, imensa sorte,
Por tão bons comentadores.

Um abraço vos entrego,
Nesta animada escrita,
A amizade é tão bonita,
Um enlevo p'ra nosso ego!

Azoriana

Nunca é tarde...

Nunca é tarde para ensinar
Nunca é tarde para aprender,
Hoje em vez de muito escrever
Estive num belo pensar:

Numa nova descoberta!
Imaginei a porta aberta
P'ra paisagem deslumbrante
Onde avistei uma estudante...

Oh! Que diferente era então!
Segredou-lhe seu coração.
O bom saber não volta atrás
Que diferença que isso faz!

Se uma nova luz surgisse
E o trauma então abolisse
Que estudante não seria!?
Outro bem conseguiria...

Ser estudante mais um dia!

© Azoriana

Gratidão

O poema que me deram,
Trouxe-me grande alegria,
Aquilo que me fizeram,
Veio animar o meu dia.

'Tou repleta de palavras,
A emoção nem as deixa sair,
São tão lindas vossas quadras:
A Amizade faz-nos sorrir.

Bela oferta no Novo Ano,
A rima tem qualidade,
Eu não notei qualquer dano,
Quando é fruto d'amizade.

Um sentimento bonito,
Que tem de ser acarinhado,
Um casal mui belo e "rico",
Com amor lindo, partilhado.

Vocês merecem bom e melhor;
Desejo-vos muita sorte,
alegria, saúde e o amor
seja cada vez mais forte.

Neste verso um OBRIGADO,
Retribuído com gosto,
Ficará bem recordado,
Um sorriso bem disposto.

© Azoriana

Oferta de Amigos

Neste mundo em que vivemos
É tão raro poder encontrar
Alguém em quem sabemos
De verdade poder confiar

Esse sentimento cresce mais
Quando ao virtual nos referimos
Pois são os enganos por demais
Aqueles em que tanto caímos

Felizmente há pessoas assim
Com coração grande e verdadeiro
Com alma de poetisa, que a mim
Me soa logo, logo a verdadeiro.

Obrigados por tuas palavras,
Por teu afecto e amizade
Possa 2005 trazer-te imensa,
enorme felicidade.

Que nestes dias possas ter
Saúde, paz e muito amor
E todos eles para te oferecer
Todo o nosso carinho e amor.

És grande na nossa estima,
Não tem tamanho a amizade,
Perdoa a fraca rima e
a pouca qualidade.

Queremos desejar-te um ano muito feliz, repleto de inúmeras coisas boas e outras tantas alegrias. Obrigados por fazeres parte da nossa vida, da nossa escrita e por estares junto a nós independentemente da distância física que nos separa! Um grande abraço e mil beijos"

Um abraço do tamanho do mundo para o casal mais bonito, poetas de sentimentos em qualquer tempo e sem "distâncias".

Luta ingrata

Só de olhar para eles eu caio ao chão partida com danos psicológicos.
Já sei que milhares me vão odiar por este artigo mas é horrendo ouvir "RAW". Estes milhares que assistem a um dos jogos mais antigos do mundo (será!?).
Será este "show" Luta Livre!?: Pancada, socos, pontapés, musculosos em ossos quebrados e atirados dentro e fora do ringue como se fossem invertebrados!?... Mas não são invertebrados, porque os seus rostos estampam a dor e o sofrimento, em olhos esbugalhados.
Mas tudo porque assim o querem e são muito aplaudidos e incentivados a prosseguirem sua fúria.
Na minha "janela p'ro mundo", radical neste desespero, de vez em quando vejo os adeptos, desta visão, que olham serenos a brutalidade.
Eu simplesmente repreendo-me: será minha culpa e minha máxima culpa ter o coração mole a um horário nobre!? Não é fácil demover os olhares deste panorama sem bola vermelha no canto superior direito. E para quê!? Até me dizem: "eles até estão bem vestidos!"
Por favor não me levem para o ringue, ok?
Azoriana

Relíquia da memória

No quente dos riscados lençóis
Permanecia-me arrumada;
Em vigília um carro de bois
Que nunca saiu p'ra estrada.

As alfaias não devia esquecer
O avô fabricou p'ro seu neto;
Artesanato p'ra conhecer
Feitas só com uma mão, d'afecto.

O cabeçalho madeirado
Suportado por bois dispostos
Num carro todo envernizado
De seis fogueiros nos seus postos.

Baila uma canga na cabeça
A brocha liga-lhes o pescoço
Nos pares animais, outra peça
Tamoeiro em pele, d'esforço.

Acendo a quieta atenção
A pormenores miudinhos:
Pequena gaveta p'ro sabão
Maço no arado e os foicinhos.

Alvião, ancinho e forquilha
Garfo p'ra terra, concerteza,
Enxada muito usada por ilha
Cavava o sustento p'ra mesa.

Peças agrícolas da tradição
Suspendidas em sebe de vimes
Guardadas como recordação
De horas d'outrora tão sublimes.

De vimes são dois cestos também
Repletos de sonhos vazios;
Uma charrua e reparo bem
A grade, gradeava em "fios".

Da sachadeira lembro-me bem
As ervas daninhas trucidava,
A "escrepa" maior função tem
Porque a terra ela endireitava.

Cenas da memória contei
Rima fraca na madrugada
Os bois, madeiros, eu nem encantei
Onde estaria tal aguilhada?

Agora observo bons tractores
E máquinas na dianteira,
Incentivos p'ros lavradores
Outros eixos e cordas de primeira.

Azoriana

1º de Janeiro

25 anos cativos em memória - Sismo de 1980
Dia 1 de Janeiro, sábado, é dia de Ano Novo, da Paz e dia santo para a Igreja. Também é dia de "rezar pelos mortos de oitenta e agradecer a vida da cidade transformada no dia que passa 25 anos do último terramoto" (in Informação na Sé Catedral de Angra do Heroísmo).
Após ter estado uns momentos nesta Catedral, com um fundo musical que me levou a pensar "aqui estou no Céu", fui ao encontro de notícias que remontam àquela data, jamais por mim (e outros!) esquecida, porque a vivi e senti aos 15 anos de idade, na freguesia da Serreta. Foi na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo que encontrei dois livros de quadras alusivas a este drama, gentilmente facultados pelos funcionários deste serviço.
O primeiro catalogado com o nº 48633, uma edição patrocinada pela SREC - Secretaria Regional da Educação e Cultura, em Fevereiro de 1980, contém 156 quadras feitas "Na Cidade de Angra sobre a madrugada de um deste Janeiro" da autoria de um cidadão de Angra, pela cópia de João Afonso e pela caligrafia e desenho de Álamo Oliveira, cujo título é: "Cantigas do Terramoto para ler e passar" - Angra do Heroísmo, 1980. Destaco apenas as quadras que eu escolhi:
"(...)
2
Foi a abrir, dia primeiro,
Novo ano, ano de oitenta;
Da vida não se deserta -
Nem mesmo às três e corenta.
(...)
28
Padre, Filho e Espírito Santo,
As Doze, Quatro Ribeiras,
Ao centro muita ruína
Do mesmo modo nas beiras.
29
São perto de trinta igrejas
Cinco mil casas a eito;
A nascente, não são tantas,
Vestido já me não deito.
(...)
46
Foi, assim, pela Serreta
Pelo Raminho e Altares,
Padre Inocêncio acudiu
Com duas respostas pares:
47
- Já fiz oitenta e não vi
Calamidade maior
- Nunca houve, aqui na ilha,
Abalo destes pior.
48
Só mais tarde é que se soube
Que em São Jorge, a ilha além,
Havia pontas mexidas,
Como se fôra em vai-vem.
(...)"
Ainda me quedei na leitura de outro livro, catalogado com o nº 48657, que colheu a minha visão com alguma nostalgia porque o choro... esse contive no meu interior. Chama-se "Peripécias de um terramoto" de Veríssimo Toste de Castro - Angra do Heroísmo, datado de 23 de Novembro de 1980. Fixei esta expressão: "Para quem conhece poesia ou quadra popular, sabe que escrevê-las, é escrever prosa duas vezes" (in página 81).
Este livro contém 1006 quadras feitas por um homem que viveu este drama intensamente. Não consigo deixar de publicar algumas quadras que de igual modo escolhi levada apenas pela minha subjectividade. Todas elas estão ao alcance dos leitores que quiserem ler na íntegra. Admiro muito estes escritos populares e peço desde já ao autor do livro que me perdoe ter publicado apenas estas:
" (...)
17
Era dia de Ano Novo
Com tradição secular,
e usado no nosso povo
a família se juntar.
18
Todos juntos nesse dia!..
Dando graças ao Senhor
Com a maior alegria
Querendo um ano melhor.
19
Veio Ele de má maneira;
Com entrada desastrosa
quase destruiu a Terceira
Com S. Jorge e Graciosa.
(...)
26
Eis que se dá de repente
Como um valente esticão
e logo outro novamente
Começa às ondas o chão.
(...)
85
A Capela dos Remédios,
Ao Solar dos Provedores,
Amassou-se, em desespero,
Ai o massame e as dores.
(...)
289
É um facto que concebo;
Como plena realidade
Apanhou a Aida Mancebo
Com dezanove anos de idade.
290
Esta pobre e infeliz donzela
que o sismo fez sucumbir
com uma mana à janela
não lhe deu para fugir.
291
Enfrentou a sua sorte
permanecendo à janela
porque os desígnios da morte
estavam à espera dela.
292
A empena se vergou
ficando toda amassada
A pequena lá ficou
entre as pedras entalada.
(...)"
Aqui, fiz uma pausa na leitura e não resisti a eu mesma escrever isto:


Minha prima Aida caiu,
Junto com pedras p'ra estrada,
Tão nova e não resistiu
Nos Altares foi sepultada.
A amiga Zita Meneses
A quem eu queria tanto bem,
Já passaram tantos meses
Sua morte lembro também.
Estivemos na mesma escola,
Estudava com a ajuda dela,
Das Doze Ribeiras foi embora,
Uma homenagem devo a ela.
Azoriana