Amarrotada na estrada! (5)

Eugénia, com a sua minissaia justa e a sua blusa de decote ousado, deixando à vista um pouco dos seus saudáveis peitos, já preparada para sair ao encontro de Belarmino, recebe um telefonema.


- Boa tarde, estou a falar com a senhora Eugénia Maria Vale da Pinta? Daqui fala do Centro de Oncologia de Lisboa. – Disseram do lado de lá.


- Sim? – Respondeu a Eugénia.


- Olhe, desculpe ser tão em cima da hora, mas a sua consulta que estava para ser daqui a duas semanas, foi antecipada para amanhã de manhã pelas 09:00 aqui do Centro. - E agora minha senhora, como irei, se o voo de hoje é já daqui a uma hora e não tenho passagem marcada? – Perguntou.


- Como temos conhecimento dessa situação, os Serviços daí já providenciaram essa passagem. É só ir para o aeroporto o mais rápido possível.


- Sim senhora.


 


Desesperada, não só por causa da consulta ter sido antecipada, o que trazia água no bico, mas também, porque estava decidida a tomar uma decisão em relação ao Belarmino, resolve telefonar para a sua amiga e confidente Clarisse, que por razões que a própria razão desconhece era a prima da mulher dele, vinda há algum tempo do estrangeiro com uma avultada quantia na conta bancária.


- Está... Clarisse? Sou eu a Eugénia. Vou ter que ir para Lisboa daqui a pouco por causa daquelas radiografias que tirei há um mês. Não deve ser boa coisa por certo, mas como sou otimista, tudo irá resolver-se por bem.


- Ó minha amiga, mas então que tens tu? – Perguntou a Clarisse.


- A pessoa que me telefonou não adiantou muita coisa mas não é por isso que te estou a ligar. É que fiquei de me encontrar com o Belarmino daqui a pouco e agora, apesar de ser o meu desejo, não posso ir. Vou passar por aí e deixar-te um bilhete para lhe entregares. Podes fazer-me esse favor? Depois digo-te onde era o encontro.


- Claro que sim, minha Amiga, é o mínimo que te posso fazer. Deixa que eu vou ter com ele e tento explicar-lhe a razão.


- Não! Não lhe digas nada, não quero que fique preocupado, por ora. – Pediu a Eugénia.


 


Já passavam alguns minutos depois da hora prevista e o Belarmino já estava em pulgas. Já imaginava o que lhe iria dizer, o que lhe iria propor e, ela tardava em chegar.


- Belarmino? Boa tarde – disse a Clarisse quando chegou ao pé do Belarmino.


- Clarisse? – Perguntou ele com ar espantado por a ver.


- Sim, sou eu, qual o espanto? Não estavas à minha espera presumo?


- Não, por acaso não, mas não faz mal. Também vens almoçar?


- Pode ser se me convidares! – Disse ela com um sorriso malandro.


- Sabes... Estava à espera de outra pessoa... – Respondeu timidamente e um pouco envergonhado.


- Eu sei, da Eugénia! – Disse-lhe ela.


- Como é que sabes? – Perguntou-lhe ele já com o rosto todo vermelho de vergonha.


- Tem calma Belarmino. Eu sei o que se passa entre ti e ela, mas da minha boca nada sairá. Somos amigas já há longos anos e sei guardar um segredo. A Belmira nada sabe nem nada saberá, está descansado. Posso-me sentar então?


- Claro que sim e desculpa o meu espanto – respondeu ele e apressou-se a levantar para a ajudar a sentar-se.


- Mas onde é que ela está? – Perguntou depois.


- Teve que ir com alguma urgência para Lisboa, nada de grave, pelo que sei, mas nesta carta que ela me deu, deve tirar-te as dúvidas que tens.


- O que queres comer então, já que estamos os dois aqui? – Perguntou-lhe Belarmino.


Belarmino abre o envelope, com cheiro a perfume bom e subtil, como imaginava que seria o cheiro da sua Eugénia, a sua Kamala dos olhos doces.


“Meu querido Belarmino,


Escrevo-te estas poucas linhas com o coração despedaçado, pois após alguns meses de amizade, simpatia, carinho e alguns sentimentos mais profundos que nutro por ti, precisamente neste dia em que queria falar abertamente contigo, não o posso fazer, por razões agora que não vêm a propósito, mas que em nada muda o que por ti sinto, fica descansado... Meu tolo das bicas.


A razão que me levou a ausentar fará com que não saiba a data do meu regresso mas, estarás sempre no meu pensamento e no meu coração.


A pessoa que te deu esta pequena carta, mais que conhecida de ti, sabe guardar segredos e como tal, não te preocupes com o que quer que seja.


Despeço-me por agora, com um beijo profundo no canto da tua boca.


(baton no centro da carta)


Da tua Eugénia.


(Continua)

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