Vislumbre

O que pensará uma flor, quando dorme tranquila em sedosa brancura?
- Sonha a paz na pele macia que contagia alegria.
Vi-te suave criança
no leito da mansidão
a mão poisa entreaberta na alvura
tão calma tão serena
mão aberta terna flor...

Ouve-me...
Sinto-me frágil ave à procura de abrigo,
branca flor abafada por denso nevoeiro...
Estou à porta da reflexão e ela nem me dá razão
fica entreaberta na vontade de trair a saudade.

Esvazio a mente e pego no papel que a vida me deu
absorvo as linhas maduras do rosto
deito-me nas brumas da ilha que não condena a sua filha

Ouve-me...
Deixei de ser ouvinte dos mesmos bramidos
... de calar as fortes badaladas
... de sentir preso o coração no regaço
... de olhar o mundo sortido de páginas

Volto a ser criança num lindo poema de amor
no vislumbre de uma mão e de um rostinho dormindo...

© Azoriana

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