Gostei muito deste dia. Obrigada a todos - Presidente e seus ajudantes. É muito bonito ver os filhos da Serreta e os emigrantes de cá e de mais além.
É bonito confraternizar com um misto de saudade dos que já não se encontram entre nós.
Bem-haja a alma serretense!
Bjs e abraços
Rosa Silva ("Azoriana")
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Dia da Freguesia da Serreta da ilha Terceira, Açores (2025)
Nada como...
Não, não é de comida
Que ora vou rimar
Ando um naco sem vida
Nesta coisa de blogar.
É que o verão é agora
Com calores e afins
Só apetece ir fora
Ou pairar em nossos jardins.
E disto nós não passamos
Quer se queira ou não queira
Dos toiros é que gostamos
Bem à moda da Terceira.
Cá por mim mesmo sentada
Ou na berma horizontal
Fico a ver a tourada
Sem sair do meu local.
Mas isto é uma treta
Que acontece a eito
A tourada da Serreta
É a que me faz efeito.
Nada como o que é nosso
E que a gente gosta mais
Vou a festas quando posso
O resto é nos Folhadais.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mafalda, pequena rainha!
É doce quando diz "não"
É meiga mesmo negando,
Ela é dona de sua feição
Sorri lá de vez em quando.
Mafalda, pequena rainha,
Princesa melhor dizendo,
Com os manos, nunca sozinha,
Ora um e outra, estão vendo.
Afonso e Laura, também,
Fazem o bom ramalhete,
Os manos que ela tem
Já sabem o que é o foguete.
O foguete para a tourada,
Bruno Rocha, ganadaria,
Sejam felizes na alvorada,
E nas horas lindas do dia.
Rosa Silva ("Azoriana")
Cravos e rosas
Que lindo o nosso conjunto
De pessoas singulares
Todas tecendo um assunto
De elevados patamares.
Sóis o verso insular
Na doçura da partilha
Sóis o mundo popular
Sóis os poetas da ilha.
Ilha nossa, poderosa,
De encantos mais de mil,
Se não vires uma Rosa,
Talvez num mês de abril.
Mas abril fica distante,
No rosto da primavera,
Fico em julho cativante
Do meu canto em espera.
Rosa Silva ("Azoriana")
A cor da vida
Quando eu for é que vão dar
O perfume da palavra;
A letra da minha lavra
Muito pode cirandar.
Mas só tenho a recordar
O sorriso da escrita...
Mesmo a frio foi bonita
Com minha mãe a bordar.
O bordado de uma vida
É vistoso dos dois lados,
E na beleza dos prados
Teve uma linha sofrida.
Ó minha mãe, minha flor,
Teu bordado, verde raro,
Seja escuro ou seja claro,
Seja a nossa melhor cor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao casamento dos sobrinhos: Tânia Morais e Hildeberto Martins
Sóis o centro do momento...
E nós aqui, em alegria,
Para o vosso casamento,
Com o charme da poesia.
Nosso sorriso floresce,
Nesta tarde, quem diria!
Lindo, rejuvenesce,
O olhar de simpatia.
Os Verdes numa emoção,
Variados e vistosos,
Chamaram a atenção
Dos amigos valiosos.
Valiosos de Amor
Na doce Felicidade
Agradeço com fervor
Vossa cordialidade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Era uma vez... [pausa]...
conto, não conto, conto, não conto... ganhou o [não conto]
E quando um ganha o outro cala-se. E pronto, não havendo mais nada a tratar, fico-me pelos pontos finais. É que o fim, às vezes, pode não o ser... até que chegue "era uma vez".
Entenderam?! Ah, não! Tenho pena, mas esta é só para memória futura e talvez nem me lembre porque escrevi estas letrinhas 🙂
Haja saúde e alegria
Na boca da estação
Tenham boa companhia
Nas nossas festas de verão.
O verão anda sisudo
Sombra aqui, cousa acolá,
Deus me livre do entrudo
E de outras cousas cá.
É que a dança feliz,
Ou triste, mesmo assim,
Será o que o povo diz,
E o que digo por mim.
Cada um sabe o que tem
Da sua porta pra dentro,
Toda a sorte que vem
Nem sempre bate no centro.
Rosa Silva ("Azoriana")
sem maiúsculas

(a imagem não tem nada a ver com as quadras, vale pela simbologia)
há muralhas naturais
que de baixas e pequenas
sobem muito e demais
com bombons e açucenas.
pode nem ser bem real
o sabor mais a beleza
bombom faz mal afinal
só resta mesmo a certeza.
se for beleza de rosas
espalhadas à porfia
tingem frases milagrosas
no calor da moradia.
o calor dilata o belo
e dilata a poesia
mesmo no verso singelo
faz amor até ser dia.
Rosa Silva ("Azoriana")
Poema sem hora
Quando ouvires a Voz de Deus,
Não a feches, num repente,
Atenta aos ditos seus,
Como a tinta permanente.
*
Ergue o olhar pró ilhéu,
Com doçura e sem alarde,
E pensa que estás no Céu,
Na candura de uma tarde.
*
Eu já vi o céu, em vida,
Mais concreto, o paraíso,
Na paisagem tão querida,
Que me leva ao improviso.
*
Prós lados da Serretinha,
Que da Serreta não é,
Onde me senti rainha,
Menos do que a Mãe da Fé.
*
Mas a fé nos acompanha,
Quer aqui, quer mais além,
E mais longe ela é tamanha,
Por ser uma Fé na Mãe.
*
E a todos os Emigrantes,
Cuja fé `inda ostentam,
Sejam doces e clementes
Se meus versos só vos tentam.
*
Rosa Silva ("Azoriana")
Um problema chamado "EU"
Sim, é verdade. Assumo. Assumidamente assumida! Mais que assumida. Bem assumida (ou mal, sabe-se lá!). Sou avessa ao ruído, ao barulho, aos sons estridentes, aos berros, aos altifalantes todos (humanos e de equipamentos), etc. Tudo o que seja volume audível mais que 50%.
Se falo alto? Sim. Às vezes. Estou surda do ouvido direito (já fiz exames e, ainda, não fui saber o resultado (outubro/2024?), nem me chamaram para saber). Nem sei, prontamente, quem deve chamar ou ir... Adiante...
Existem, à minha volta e à volta da minha fachada virada à canada, por onde passam milhentos e milhentos carros, MOTOS - DE BARULHO ABISSAL, onde se ouvem (a qualquer hora que haja alguma luminosidade externa), GALOS a cantarolar audivelmente com o bico bem aberto e também (alguns) desafinados (que mais parecem estarem a ser aniquilados a favor da panela - diga-se que já me apeteceu fazer isso, mas o seu a seu dono...) e, sobretudo, estridentes ruídos noturnos e à boca da manhã, que se quer calma até pelo menos às 08:00, isto é, o máximo até às oito horas do dia (AM). Mas tanta lengalenga, não, escrita convicta, para quê? Para vos dizer que quem está doente sou EU. Certo? Quem sofre de depressão sou EU. Certo? Quem está a mais sou EU. Certo? Ei!, alto e para o baile de sons... não quero estar a mais, nem a menos, estou e deixa da mão?
Por favor, peço, a quem me ler, aos donos dos galos todos, aos donos dos carros todos, aos donos de motos de alto ruído:
ABRANDEM OS SONS. CALMA. #sons_a_menos #menos_ruído #menos_poluição_sonora
MAS... e que fazer aos GALOS, que não têm culpa de seres G-A-L-O-S... mas os donos podem "ensinar" a calar o ruído antes da matina... tipo um "cobertor de cristas e olhos"?!
Ainda não estou com a demência toda... mas estou a um canto de galo para tal.... e a um dia de paz, se Deus permitir, claro... assim permitam os ruídos maiores...
Rosa Silva ("Azoriana")
Desejo irreal (a propósito de José João Dutra - o grandioso artista!)
Se Dutra me desenhasse
Com o punho de talento
Talvez meu brio atiçasse
Como a bruma atiça o vento.
Mas sendo eu o negrume
Do palácio da tormenta
Nem sequer viria a lume
O trajeto da sebenta.
Ó sebenta de mil cores
No trajeto de boa luz
Faz-me seguir nos Açores
À mercê do traço jus.
Divagando, então, estou
Na noite, ante a dormida,
E à mente me chegou
O desenho de uma vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Regaço de Amor (a Fernando Fernandes - RIP)
Que felicidade linda
Vejo na imagem fina
Como não vira ainda
Mesmo após a neblina.
Foi-se o homem cantador,
Para a eterna morada,
Mas o regaço de Amor
Será sua voz dourada.
RIP amigo Fernando,
No reino da eterna glória,
Lembro de ti, sempre e quando,
Fiz cantiga e nossa história.
Doravante és meu guia,
Minha luz, minha ternura,
Pede à Virgem Maria,
Que a voz seja segura.
Rosa Silva ("Azoriana")
Amor de Ilhoa
Amo a Serreta e amo muito o que escrevo. Espero que um dia também ames uma e outra, porque uma sem a outra... fundem-se no Amor de Ilhoa.
Amor de Ilhoa
Sabem lá o que é Amar
O que se ama natural,
Podem até muito gostar
Mesmo assim não é igual.
Porque Amar sua nascença,
Na base de uma montanha,
É ter lá sua pertença
Com a lonjura tamanha.
Não é tão longe assim,
A morada de agora,
É como estar num jardim
Com a Coroa da Senhora.
A Senhora verdadeira,
Que é Mãe do Infinito,
É honrada Padroeira,
De um Canto tão bonito.
É o Canto das Alturas,
É canto da natureza,
É das crentes criaturas,
Que honram sua Alteza.
Ó minha Mãe, minha Mãe,
Sou tua e Tu és minha,
Só sabe o Bem que tem
Quem te Ama ó Rainha!
08/07/2025
Rosa Silva ("Azoriana")
Álamo Oliveira *1945+2025 - 80
sede regressada
In "o meu coração é assim" (antologia). álamo oliveira. organização e prefácio de Diniz Borges. edição da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. / poesia / cantar o corpo / sede regressada. página 23.
homenagem póstuma a José Henrique Alamo Oliveira, com o primeiro livro que ele me deu, a 22 de abril de 2004. #trintaluasálamo
RE[ABERTO] PELO SONHO
rosa silva ("azoriana")
amanheci a pensar em ti...
o galo cantou...
... mais que uma vez...
só...
pensei no teu canto... sem voz...
verdade...
não te ouvi cantar... com voz de raminho...
ouvi-te com o olhar
em poemas de [perfeição], mel e carne...
triste união, sem o teu lume escrito...
não consigo chorar...
mas...
- "o meu coração é assim" - chora por ti...
e chorará por mim...
a Rosa da Serreta da ilha Terceira, Açores ...
a vizinha desconhecida até te encontrar...
... no teu olhar miúdo... [de anil].
07/07/2025
#trintaluasálamo
Um pássaro de anil
Vi com olhar terreno,
O que não esperava ver,
Tão sereno, tão pequeno,
No traje de adormecer...
Olhando mais a rigor,
Senti o corpo gelar,
Estava com o Senhor,
Quem eu estava a olhar.
O pássaro de tom anil,
Nas asas da eternidade,
Se visto no seu perfil,
Era anjo de verdade.
E voei de rumo ao mar,
Na senda de outro perfume...
Vi a Garça a poetar
O teu verso de costume....
É a quadra que disfarça,
Uma lágrima caída,
Porquanto a vizinha Garça,
Pousou no ilhéu, perdida...
A vida é um sopro brando,
Num bailado de Cultura,
Se revolta, vez em quando,
Se morre na criatura...
Rosa Silva ("Azoriana")
P. S. Por alma de José Henrique Álamo Oliveira
An indigo bird
I saw with earthly eyes,
What I did not expect to see,
So serene, so small,
In its sleeping attire…
Looking more closely,
I felt my body freeze,
He was with the Lord,
The one I was looking at.
The indigo bird,
On the wings of eternity,
Seen in its profile,
He was a true angel.
And I flew towards the sea,
On the trail of another scent…
I saw the Heron reciting
Your customary verse….
It is the quatrain that disguises
A fallen tear,
For the neighboring Heron
Landed on the islet, lost…
Life is a gentle breath,
In a dance of Culture,
It rebels, from time to time,
If it dies within the creature…
Translation to English by Diniz Borges
São Pedro, freguesia e boa comunidade!
De novembro dois mil e oito
Que São Pedro, freguesia,
Recebe o meu tom afoito
Adornado de alegria.
Em São Carlos, o lugar,
Que canta o mesmo tom,
É a norma regular,
Onde traço ora meu dom.
Um dia, talvez, quem sabe,
Possa útil ser então,
Em algum ato que cabe,
A quem gosta de união.
E quem sabe um dia tenha
O gosto de ver tocando
A Banda que desempenha
Lindas pautas sabem quando.
Quando se torna vedeta
A desfilar pelas ruas
Com origem na Serreta
E outras que nem são suas.
Que orgulho é pertencer
À raiz e ao lugar
Que aceita o nosso crer
E nos ajuda a criar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Fernando Fernandes (RIP)
A dor trespassa meu coração
Que vive sempre em tormenta
Foi-se embora um "irmão"
Que ouvia cantar atenta.
Cantou comigo poucas vezes
Mas dessas que bem cantou
Deixou-me por longos meses
A alegria que não findou.
Ó triste vida esta nossa
Que dura mesmo tão pouco
Oxalá que um dia possa
Dar-lhe o verso menos oco...
Chora o meu coração
Choro por não lhe cantar
Choro sem se ver então
O choro maior que o mar.
Seu olhar era a poesia
Que vertia do seu jeito
Os olhos uma maresia
Azulinhos lindo efeito.
Ó tristeza, ó TRISTEZA,
Que me feres vez em quando,
Abomino a natureza
Que não faz o que lhe mando.
Rosa Maria (muito triste) 🙁
Adeus AMIGO, vou ter muitas saudades tuas. Fica a lembrança das cantigas na Rua dos Moinhos, Agualva...
