Se Dutra me desenhasse
Com o punho de talento
Talvez meu brio atiçasse
Como a bruma atiça o vento.
Mas sendo eu o negrume
Do palácio da tormenta
Nem sequer viria a lume
O trajeto da sebenta.
Ó sebenta de mil cores
No trajeto de boa luz
Faz-me seguir nos Açores
À mercê do traço jus.
Divagando, então, estou
Na noite, ante a dormida,
E à mente me chegou
O desenho de uma vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Desejo irreal (a propósito de José João Dutra - o grandioso artista!)
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