Desejo irreal (a propósito de José João Dutra - o grandioso artista!)

Se Dutra me desenhasse
Com o punho de talento
Talvez meu brio atiçasse
Como a bruma atiça o vento.

Mas sendo eu o negrume
Do palácio da tormenta
Nem sequer viria a lume
O trajeto da sebenta.

Ó sebenta de mil cores
No trajeto de boa luz
Faz-me seguir nos Açores
À mercê do traço jus.

Divagando, então, estou
Na noite, ante a dormida,
E à mente me chegou
O desenho de uma vida.

Rosa Silva ("Azoriana")

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