Poema sem hora

Quando ouvires a Voz de Deus,
Não a feches, num repente,
Atenta aos ditos seus,
Como a tinta permanente.
*
Ergue o olhar pró ilhéu,
Com doçura e sem alarde,
E pensa que estás no Céu,
Na candura de uma tarde.
*
Eu já vi o céu, em vida,
Mais concreto, o paraíso,
Na paisagem tão querida,
Que me leva ao improviso.
*
Prós lados da Serretinha,
Que da Serreta não é,
Onde me senti rainha,
Menos do que a Mãe da Fé.
*
Mas a fé nos acompanha,
Quer aqui, quer mais além,
E mais longe ela é tamanha,
Por ser uma Fé na Mãe.
*
E a todos os Emigrantes,
Cuja fé `inda ostentam,
Sejam doces e clementes
Se meus versos só vos tentam.
*
Rosa Silva ("Azoriana")

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