Dez anos conto da tua partida

Olhos fechados p'ra sempre foi...
Há dez anos que eu conto
Mas esse fecho não me dói
Abriu os meus ponto por ponto.

Olhos abertos sem dilema
Às novas cores da vida
Na criação do poema
Com a verve tão sentida.

Um olhar também foi luz
Duma página criada
Que porventura supus
Ficar sendo sua morada.

A morada de um poema
Nascido para dar espanto
Há de ter vida suprema
Na voz que lhe der canto.

Rosa Silva (“Azoriana”)


 



Eyes closed forever gone ...
Ten years ago that I mean
But this closure has no stone
Opened my eyes and made them clean.

Eyes opened without quandary
To new life colors
To make a poem glossary
With such knowledge and honors.

One look released so bright
For a dedicated page
I guessed there's such a sight
To become his light stage.

There's the poem's dwelling
Borned to give astonishment
There'll be more than feeling
Just one voice will give his polishment.


Perante a dor e o sofrimento

Não sei o que dizer, é verdade,
Perante a dor e o sofrimento
O silêncio é tudo o que me invade
Apenas uma palavra no momento.

Aguenta a força da amizade
Suporta com a fé o teu tormento
Olha o rosto da santidade
Aguenta firme com teu talento.

A vida é feita de sacrifício
Sempre na mira o nosso ofício
Que cada dia temos de abraçar.

Porque a vida outra Vida tem
No dia e hora que a todos vem
E ninguém sabe quando irá chegar.

Rosa Silva. ("Azoriana")

Aos Sonetos de João Mendonça

Multicousas lindas, belas,
Que ainda ficam muito mais
Quando em letras e em aguarelas
São louvadas por jograis.


 


De "lava e incenso" as telas
De sonetos lindos sinais
Que brilham pelas janelas
E não se olvidam, jamais!


 


João Mendonça inaugura
Uma proeza literária
De jogral de sã cultura.


 


João Mendonça se evoca
Em verve extraordinária
Na chave de ouro nos toca.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Os “comeres” e os “beberes”

O mesmo que dizer as comidas e as bebidas, em toda a sua parca abundância, estão na moda.


 


E porque este cabeçalho, ou melhor, título de artigo numa sexta-feira de que gostava imenso agarrar com unhas e dentes ao ponto de não mais largar, ou ainda, amarrar com atilhos resistentes o sábado e o domingo (dias que Deus nos deu de prémio para o descanso, pese embora, serem dias de trabalho para muitos e muitas que nem sabem o que é o descanso), digo, amarrar bem sem hipótese de desprendimento porque, no meu caso, é deveras bem-vindo o fim-de-semana seja ele de chuva, vento ou de um sol que tonaliza os ares de laranjas em novelos matinais de algodão.


 


[Faço aqui uma pausa para relembrar os leitores que em tempos avisei que ao escrever prosa linear não é bom sinal, isto é, prefiro a rima a escrever prosa ao comprido. A rima faz-me feliz porque só por si traz a melodia que há dentro de nós.]


 


Sem mais rodeios e parenteses retos deparo que ultimamente os jantares, almoços, reuniões com beberetes e outras comilanças são o prato forte para angariar fundos para “x”, “y” ou “z”. De tanto repasto acabamos por nos recolher ao lar nem que seja para comer umas poucas sopas de pão numa malga de leite da nossa querida vaquinha. Isto é só um exemplo de como poupar na mesa no sólido e no líquido. Mas quem gosta de passar a sopas de leite?! Já não há boca que queira, salvo algumas exceções… Gosto muito de pão e gosto muito de leite, queijo fresco e todos os derivados do líquido precioso.


 


Com isto não quero desanimar os organizadores de esta ou aquela festa dos “comeres” e dos “beberes” e sei que isso além de dar uma trabalheira fenomenal acaba por dar algum lucro, suponho.


 


Mas sem este manancial de iguarias ou pratos sugestivos para qualquer época festiva que se atravesse ao longo do ano como seria para ganhar patacas suficientes para levar a cabo o festejo (ou o fim lucrativo ou a solidariedade social)? Não seria e ponto final.


 


Mas, insisto, como se vai conseguir satisfazer tantos “comeres” e tantos “beberes” que vão surgindo em catadupa? Sinceramente não é fácil… Se não veja-se: Se o manjar for gratuito ou em troca de algum contributo pessoal, a coisa ainda se aguenta (pudera… não custa mas assusta) mas, se pelo contrário, for em troca de notas e/ou moeda grossa a coisa já muda de figura e o repasto fica-se por meia dúzia de comensais…


 


Sugestão: Não há?! Poupe-se ou abra-se o FRUFUL - Fundo Regional Útil para o Festejo e Utilizações Lucrativas. Que tal? Esta sim seria uma "panela" sem fundo e com muito conduto. {#emotions_dlg.bunny}


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Uma imagem (repetente) com palavras (repentistas)


 


No seio do mar imenso
Há dos peixes a aventura;
Na terra há faia, incenso,
E o ventrículo da ternura.

Mar e terra num intenso
Mosto de sal e doçura...
Um véu de espuma suspenso
No rochedo em altura.

E o amor que de mim arde
No ventrículo da tarde
Com olhares para o poente...

Foi gerado pela mãe terra
No berço que uniu a serra
Ao mar que deu a semente.

Rosa Silva (“Azoriana”)



In the bosom of the immense sea
There are most fish adventure
On earth there are beech, incense,
By the tenderness ventricle.

Ocean and earth in an intense
Mash salt and sweetness ...
A veil of foam suspended
On the rock at height.

And the love which burns me
In the late ventricle
With looks to the sunset...

It was generated by Mother Earth
By the crib which united the mountain
To the sea which gave the seed.


Rosa Silva ("Azoriana") & Google tradutor

Ilha Brava e Doce (parece que voltou)


Ilha brava e doce
Quem foi que te trouxe
Sempre junto do mar?




Ilha
Bordada de palavras
no bailado da brisa
entre um porto de aventura
e uma rocha de ternura

És magia
uma flor aberta ao dia
uma maré de amores
universo de mil flores
num decote de prazer
um doce amanhecer
da primavera da vida.

És regaço de ilhéus
És ventre de uma cratera
Que deixou de ser.

És embrião de esperança
um olhar doce de criança
cada vez que a deixas viver.

És farol de salvação
uma estátua verde
uma tela de vida
no horizonte traçada
e do mar erguida.

És o rebentar de emoções
na maresia dos sentidos
no patamar do mundo
nesse Atlântico profundo.

És Ilha
ancorada
aos meus silêncios.

@2007/11/01 Terceirense

 

Nota: Parece que voltou com uma conversa entre amigos...

“Mais vale cair em graça do que ser engraçado”, lá diz o provérbio…

Diz o ditado na boca do povo. É assim mesmo e aplica-se ao dia-a-dia em ocasiões que se veem a olho nu. Recentemente veio-me à ideia esse velho provérbio. Quando se é popular e conhecido com graça tudo fica bem nem que seja uma pouca de m****. Quem, infelizmente, se quer fazer engraçado acaba por não ter graça nenhuma. Portanto, vale a primeira parte do provérbio: cair em graça!

Para mim tanto faz. Tanto uma como outra não me trazem comida para a boca e essa, sim, é que faz falta e muita, sobretudo nos tempos que vão correndo sem graça nenhuma.

Mas isto tudo para chegar a uma questão que me anda a apoquentar e não é de hoje, nem de ontem ou anteontem… Prende-se com os nossos tradicionais (consagrados ou não) cantadores do improviso nato, sobretudo os mais antigos com anos de carreira feliz e competente. Esses que, salvo melhor opinião, me parecem estar melindrados com uma certa “graça” que os novos vão tendo nos palcos por essas freguesias da ilha Terceira e não só.

Com o parágrafo anterior não quero lançar lume na fogueira nem acender a discussão nem o diz-que-disse… Nada disso! Quero apenas ALERTAR os mais novos (onde me incluo muito pela rama pois não me sinto cantadeira nem para lá perto ainda) para uma situação que já me apercebi mesmo sem estar diretamente envolvida na contenda. Há que dar valor aos “velhinhos” cantadores do desafio (e em certa medida tem-se dado com homenagens e muita ovação) porque são eles que vão legando maravilhas quais pérolas preciosas do improviso cujo dom não se estuda, não se compra nem se vende, tem-se.

Para vincar essa maravilha, julgo eu, foi precisamente criada a Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores para solidificar e apetrechar de vénias o que é tão genuíno das ilhas açorianas e da sua cultura popular.

Penso que ainda não coloquei por escrito o que me vai na alma com este floreado texto… Será que já conseguiram entender o que quero dizer?!

“Para bom entendedor meia palavra basta” é mais um provérbio que aplico neste final porque não quero ferir suscetibilidades. Acho que está na hora de atribuir o mérito devido aos nossos “velhinhos” cantadores não com “blá-blá-blá” mas com a sua presença em certos acontecimentos que os deixam de fora e deviam estar dentro para se puder chamar um verdadeiro festejo açoriano com valores que não há quem derrube.

E os “velhinhos” cantadores também não se devem ofender demasiado com o facto de ainda não lhes ser dada a “carteira profissional” porque se formos a profissionalizar ou a elevar demasiado o que o povo gosta puro e são, estamos sujeitos a entrar por uma área que se perde a beleza, a autenticidade e o amor ao que vem da alma de ilhéus.

Penso, ainda, que está-se a entrar por uma categoria demasiado elevada das cantigas ao desafio que restringe, à partida, os que querem e não podem ir diretamente para o estrelato atual. Será mentira o que estou a desabafar?!

Os arraiais não mentem… nem tão pouco o povo que se habitua a uma qualidade (em itálico porque tenho algumas dúvidas, confesso) que dificilmente irá ter retrocesso. É como diz o ditado: Mais vale cair em graça do que ser engraçado!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Honras aos Bombeiros Voluntários


 


VIDA POR VIDA


 


Vida por Vida
Mão a mão
Força unida
Sempre em ação.


 



Passo a passo
Sempre ligeiro
O desembaraço
É do Bombeiro.


 


Leva o machado
E paz ao que arda
Vai nosso soldado
Pró fogo de farda.


 


Fardados se movem
Os homens do bem
São os que socorrem
Os que a perder vem.


 


Mais honras se dê
A estes audazes
Sabemos à mercê
E à morte capazes.


 


Do mundo heróis
Em Corporação;
Da Paz todos sóis
Por nobre missão.

 


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

22 de outubro: Santa Rita de Cássia

Por ser digno de registo e divulgação, transcrevo, na íntegra, um poema histórico da autoria do Sr. Fernando Mendonça, sobre Santa Rita de Cássia, sua padroeira, cuja Festa se celebra amanhã na Igreja do Juncal - Santa Rita, do concelho da Praia da Vitória.


 






Dia 22 de Outubro vamos celebrar:
O dia da nossa amada Padroeira,
Com missa e honras para louvar,
Uma Santa adorada em toda a Ilha inteira!

Rita de Cássia, essa Santa se chamava.
De Cássia pelo nome do convento,
Onde teve o resto da vida passada,
Depois de ter vivido tanto tormento!

Nasceu em Itália, numa aldeia remota,
Filha de pais austeros, e idade avançada,
Queria era ser freira, por ser muito devota,
Mas os pais entenderam não ser essa a sua alçada.

Obrigaram-na a casar com um jovem adolescente,
Que mais tarde deu na bebida e até a maltratou.
Nunca desanimando, foi seguindo sempre em frente
E com seu procedimento seu marido modificou!

Mais tarde seu marido foi então assassinado,
Do qual tinha dois gémeos que o quiseram vingar.
Como não queria ver mais sangue derramado,
Implorou, rezando a Deus para isso não se dar!

Uma doença mortal a tal vingança impediu
Ficando então Rita sem filhos nem marido,
E foi então aí, que sua vocação seguiu:
Entrando no convento, como a Deus tinha pedido!

Entretanto sua vida piedosa, a Cristo consagrou,
Um espinho da cruz de Cristo em sua fronte apareceu,
Criando-lhe uma chaga que nunca mais sarou!
Aceitando sua cruz, em vez de chorar, agradeceu!

E assim, nesse convento acabou for falecer
Onde seus restos mortais continuam imperecíveis
Ficando assim todo o mundo Santa Rita a conhecer!
E hoje ainda a chamam: A dos milagres impossíveis!



2013. Fernando Mendonça



Nota: Muito obrigada, amigo, por me concederes esta honra!

Análise pessoal

Uma quadra que cantei durante o I Festival da Cantoria dos Açores, que decorreu a 19 de outubro de 2013, na Praia da Vitória, foi a seguinte:


 


A cantiga vai no mar alto
A palavra vai por terra
A rima só dá um salto
Se do coração descerra.


 


Quando a pronunciei repentinamente e na continuação de idolatrar a cantiga e a palavra, não tinha a mensagem descodificada em pleno mas sabia o que me ia na alma, metaforicamente. Na ocasião que os versos saem velozes e a ritmo de viola e violão (ou vice-versa) não dá para se explicar o que nos salta à mente. Depois, e já nas lides normais diárias, é que fica a pairar o que se deixou no ar.


 


Ao longo dos tempos houve muitas cantigas de improviso que se descodificaram também nas mentes do próprio e dos ouvintes que, segundo me apercebo, captam o que de melhor ouvem e gravam na memória até que sejam finitos.


 


E foi precisamente no sábado que, durante o jantar que reuniu um salão de gente que gosta do improviso ao desafio, tive a oportunidade de conhecer um senhor da Vila de S. Sebastião que tem uma memória sã e profunda de tudo quanto foi captando ao longo da sua vida, cuja cabeleira já se vestiu de branco. Ele conseguia relatar quadras que ouviu, durante a sua vida, ao pormenor e com um gosto percetível, dos antigos e dos novos cantadores ao desafio. Impressionante! Também de historiador tem muito que se lhe diga… Conseguiu captar a atenção dos que o rodeavam na mesa da refeição para a história da Batalha da Salga, que se não fosse o início da cantoria da noite, teria concluído o relato de uma forma clara e entusiasmante. Parece uma enciclopédia açoriana e vê-se que é uma pessoa de poucas letras mas instruída pelo curso da vida quotidiana e de muito que também já deve ter lido ao longo da mesma. Pena que não fixei o nome mas acho que não perdi a fisionomia e o reconhecerei em qualquer parte da ilha.


 


Voltando à quadra. O que ela quer dizer verso por verso é:


 


A cantiga vai no mar alto


 


As cantigas já atingem um patamar de maior nível e apenas tem valor maior as que se consagram ou são melhor apreciadas. Comparativamente só vai no mar alto todo aquele motor que se aguenta quer em bonança quer em tempestade.


 


A palavra vai por terra


 


A palavra é pronunciada por toda a gente que vive e labuta no dia-a-dia, onde quer que esteja. É em terra que se vive a maior parte do tempo, independentemente de ter ou não qualidade. Fala-se e pronto.


 


A rima só dá um salto


 


Este termo - salto - refere-se propriamente ao atingir um nível superior, isto é, de relativa qualidade. Nem toda a rima tem o tónico para atingir a qualidade se desfasada de contexto. Há uma evolução se a prática for continuada, isso não haja dúvida.


 


A rima só dá um salto, Se do coração descerra.


 


Juntando o terceiro verso com o quarto que não se podem dissociar, encontramos a definição exata do poder da rima que se for ditada pelo coração terá um valor precioso. É precisamente do coração que saem muitas das rimas das cantigas que ouvimos no mundo do improviso e que perduram na mente dos populares que amam o que é nosso e genuinamente ilhéu.


 


Não sendo uma quadra com sentido objetivo direto e percetível sem recurso ao exame verso a verso, é o meu tesourinho. É isto o que eu sinto depois de ter encetado nestas andanças que jamais me parecia vir a trilhar: A verdadeira rima só dá um salto se do coração descerra. É por isso que chego a emocionar-me com a minha própria escrita (ou atuação) em determinadas ocasiões.


Bem-haja quem me proporciona estas reflexões e, neste caso, foi o I Festival da Cantoria.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)


 


N.B. Artigo relacionado com o anterior.

2ª Atuação no I Festival da Cantoria dos Açores. na Praia da Vitória

1º Festival da Cantoria dos Açores
“Açores a cantar”




Local: Sede dos Bombeiros Voluntários da Praia da Vitória


2013/10/19 - Sábado



2ª Atuação: Rosa Silva e Donato Parreira (por sorteio prévio)




Rosa Silva (RS)




Padre, Filho, Espír’to Santo
Abençoe o povo ilhéu
Esta sala tem um encanto
Parece estrelas do céu.




Donato Parreira (DP)




Peço a Deus inspiração
Nesta quadra que é minha
E cumprimentar o salão
De quem veio da Ribeirinha.




RS




Atrás de mim tem um lema,
E cumprimento o Donato:
«Vida por Vida» um poema
Que lhe dará fino trato.




DP




Eu canto com uma pessoa vaidosa
Que tem o ar de jasmim
Ela tem o nome de Rosa
E faz parte do meu jardim.




RS




Tua quadra vem da Serra
A minha traz a Rainha
Minha Mãe não me dá guerra
Porque gosta da Ribeirinha.




DP




Aqui acima somos inimigos
Já te posso aqui dizer
Lá em baixo somos amigos
Com todo o meu prazer.




RS




Tu não me vás tratar mal
Hoje somos amadores
Dou louvores ao Festival
Que representa os Açores.




DP




Nesta quadra de primeira
Eu digo aqui assim
Nós estamos na Terceira
Por isso é mesmo assim.




RS




A bem dizer é uma festa,
Para gregos e troianos
E a mim o que me resta
É aceitar os enganos.




DP




Uma coisa quero-te pedir
Já que não sou nenhum santo
Por acaso se eu cair
Dá uma mão para me levanto.




RS




Eu sou uma mulher de fé,
E ajudo qualquer um,
Para te manter de pé
Não dá trabalho nenhum.




DP




Eu digo neste salão
Digo isso digo a glória
Tu não me metes medo não
Estamos na Praia da Vitória.




RS




Tua jarra ‘tá deitada
Não te meta impressão
A minha ‘tá levantada
Para te dar a sua mão.




DP




Ó Rosa da Serreta
Digo-te nas minhas fracas cantigas
Eu por acaso não estou perneta
Não penses que sou as tuas amigas.




RS




Eu perneta não te quero,
Tens de ter boa captação;
O meu desejo sincero
É que faças rir este salão.




DP




Digo às senhoras e digo aos senhores,
Que não sou nenhum cantador
Mas também não sou tocador
Por isso …..(pausa)




RS




Tu o riso conseguiste
Não pensei ser tão depressa
Mas é um caso que existe
E não percas a promessa.




DP




A cantoria é arte definida
Na forma de descrever
Seja qual for a vida
Pode fazer gozar como sofrer.




RS




A palavra é abençoada
O verso é uma canção
Eu até ‘tou conformada
Com o que tenho de quinhão.




DP




Ser artista é ser alguém
Que bom é ser artista
É ir muito mais além
Do que a nossa própria vista.




RS




A cantiga nos saúda
E a palavra vai além
Improviso não se estuda
Ou se tem ou se não tem.




DP




Ser cantador é uma força imponente
Que não se compra nem se vende
Nasce e morre com a gente
Não se ensina e não se aprende.




RS




A cantiga vai no mar alto
A palavra vai por terra
A rima só dá um salto
Se do coração descerra.




DP




Eu venho da Ribeirinha
Cantar sem saber cantar
E nessa quadra que é minha
Digo assim neste lugar
E não penses que tens a mania
De também saber cantar.




RS




Digo-te já neste dia
E que fique na memória
Eu louvo a cantoria
Toda a sua trajetória
Pra mim já é uma regalia
Cantar na Praia da Vitória.




DP




Ser poeta é alguém que se eleva
Tu és amiga do bem
Tu és a luz da treva
Tu és tudo o que convém
Quem parte saudades leva
Quem fica saudades tem.




RS




Não te quero deixar mal
Perante velho e novo
Isto é o 1º Festival
Com a presença do povo
A todo o nosso pessoal
Do meu coração eu louvo.




DP




Adeus povo português
Assistência dessa cantoria
Hoje aqui não houve estupidez
E graças de tal maneira
Agora só palmas pra vocês
E pra toda a freguesia.




RS




Nobre sala hospitaleira,
Sóis o manto da Rainha;
Nos anais desta Terceira
Se guarde a ideia minha:
A cantar à minha beira,
Está um novato da Ribeirinha.




FIM





Nota: Obrigada a FG Pereira pelas captações de imagem de todas as cantorias e atuações na ilha Terceira

OLÉ ao “nosso” Toiro!


O toiro não m’incomoda
Sempre se viu na ilha
No brasão, na estampilha
Que continua na moda.


 


O toiro é a rês brava
Que vagueia no cerrado
No mato encurralado
Noutro lado não se dava.


 


O toiro é para a gente
Como se fosse a raiz
Conheço desde petiz
Gosto dele mas sou temente.


 


O toiro dá que falar
A quem pensa que é mau
Andar na corda ou a pau
Ou na praça a tourear.


 


Ao toiro só vai quem quer
É livre a sua raça
No caminho ou na praça
Vai o homem, vê a mulher.


 


O toiro não é pessoa
Nem sequer é racional
E ninguém lhe fará mal
Seu corno é que magoa.


 


O toiro se segue a eito
Num arraial bem surtido
Onde se é correspondido
E a marrada causa efeito.


 


O toiro é bem tratado
Quer no mato ou na corrida
A tradição é mantida
Zelando o bravo gado.


 


O toiro para a Terceira
É como se fosse um filho
Se morre é um sarilho,
Mexe com a ilha inteira.


 


Não me venham cá dizer
Que condenam as touradas
Na praça ou nas estradas
Venham cá para conhecer.


 

Não me venham com ditados
Ou ameaças escritas
Denegrindo as favoritas
Festas dos antepassados.


 


Do mato vinham a pé
Com toiros para o caminho
Tudo se fez com carinho
E o grito nasceu: OLÉ!


 


Aceito que quem não sabe
Da vida de um insulano
Compare com ser humano
O que nem sequer lhe cabe.


 


Se a Terceira está de pé
E foi Portugal sozinha…
Porquê?! Quem adivinha?
Foi o bravo e o grito: OLÉ!


 


«Um por todos, todos por um»
É a nossa cortesia
Se falta toiro na freguesia
Ter saudade é comum.


 


Quem defende tanto o toiro
Fique em casa e não veja;
Há povo, cor e bandeja
Que nesta ilha é oiro.


 


Por mim tanto se me dá
Seja preto, branco ou malhado
Desde que esteja amarrado
Gosto de o ver por cá.


 


Não falem mal das touradas
Do nosso belo torrão
A tantos elas dão pão
E por muitos são estimadas.


 


O toiro, a Banda e a Fé
São um misto de bravura
Um louvor, uma cultura
E o Povo não arreda pé.


 


Chego até a pensar
Que o Povo até chora
Se a tourada se demora
E o ciclo tarda em chegar.



 


Angra do Heroísmo, 18 de outubro de 2013.


Rosa Silva ("Azoriana")

1º Festival da Cantoria “AÇORES A CANTAR”


 

É já ao virar deste dia, portanto amanhã, sábado (o penúltimo de outubro), que se realiza o tão esperado acontecimento a que deram o título de “Açores a cantar”. Um grupo de “novos talentos” e outro dos consagrados cantadores ao desafio partilham um mesmo espaço na Praia da Vitória - a sede dos Bombeiros Voluntários - com a organização conjunta de um Grupo de Cantadores da Terceira e de Olavo Esteves Competições. Deseja-se que os participantes deem asas à imaginação e a inspiração seja uma constante nas vozes dos cantadores locais e de outras ilhas.

Também me quis inscrever por carolice, amadorismo e para testar o quanto me aguento perante um salão repleto (espera-se) de olhares curiosos numa espectativa que, oxalá, não lhes saia furada. Enfim, tudo depende da dupla em cena, da boa inspiração, da capacidade de resposta imediata ao parceiro e de uma certa calma perante a plateia assistente.

Que a data de 19 de outubro de 2013 do 1º Festival da Cantoria dos Açores, efeméride que deveria reunir todos os cantadores ao desafio da ilha e fora dela, mas que reúna os que se apresentarem para o efeito, seja memorável ou, essencialmente seja um encontro de amigos do mesmo: Cantoria de improviso. O despique acirrado (ou nem tanto) seja o prato forte. Da minha parte amadora dou mais para o requinte da sobremesa.

E assim rezam as notícias que se leem em vários artigos eletrónicos, relativamente ao programa: “O festival está dividido em duas partes. A primeira, com início marcado para as 17h30, está reservada para os novos talentos. Na segunda parte, que tem lugar a partir das 21h00, atuam os cantadores Carlos Andrade (Santa Maria), Tiago Clara (São Miguel), Maria Clara, João Ângelo, José Eliseu e Fábio Ourique (Terceira), António Silva "Bolas" (Graciosa) e Bruno Oliveira (São Jorge).” Fonte: DI, de 27/09/2013.

Portanto, estarei, se Deus quiser, na primeira parte ao lado de quem me calhar. Apenas duas mulheres (eu amadora e Maria Clara, a cantadeira) estão junto de um leque de vozes masculinas. Tentarei defender a minha o melhor que puder mas tudo depende da mensagem vinda do coração, tropeçando na razão, ao toque de cordas dos instrumentos regionais que melodiosamente embalam nossas cantigas.

Que Deus inspire a todos (as)!

Vemo-nos por lá?

Rosa Silva (“Azoriana”)

Confession (Confissão)

I really want to understand
what’s going on with my brain?
I’ve changed the ring of my hand
since you left without feeling a pain.


 


Why my dreams silence me
into the words I'd never spell?
Why you came again I can see
but I'll never accept so well.


 


My sorrow isn't in my heart
even if you implore so deep
is only hate I can feel and keep.


 


Let me live till the day in dark
and enjoy the moment of happiness
just cause you no longer here... I confess!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

Quando os títulos fazem prosa

Na prosa e na poesia me embrulho, quem diria?! São momentos de felicidade. São como bravos de coração na sombra de sol (à poeta). É a ilha das ilhas no palco de poesia onde a vida é bela (nem sempre).


 


Ó Mãe, doce Mãe! Vejo-te nas ondas do cais, nas flores do campo, no rosto da alma. E a ti, Angra - flor de lirismo: Canta, canta minha gente! És como amora (das rimas) no caderno das emoções, com o cheiro das colinas…


 


Terceira, eu te amo! Sejam os meus versos flores e não se olhe para trás, na encosta do teu peito, no coração de quem ama a chuva retilínea, o mar biscoitense, as vozes de ouro com a peregrina de devoção. Não há paixão como esta… Na visão camuflada da escuridão da alma há rescaldo do amor e da emoção a poucos passos dos pensamentos espontâneos. Hoje vs Amanhã a alma da ilha porque a ilha é pétala do desejo na vaga do coração, na saudade…


 


A luz pede: Fica um pouco. Ouve as baladas do coração nos desenhos de alma! Escuta: Saudades, quem as não tem?! Lê o caderno de trovas. Na ilha Terceira, Açores a lava poética faz-se de rimas do sentir ilhéu… e da Saudade, ai Saudade!


 


Açores, filhas do oceano porque há a ILHA, na vespertina vontade. Açores, miragem singular de paixão de amante, de um olhar de pastor… Às vezes, os sons do amanhecer trazem o mar da Terceira… Hoje deu-me para isto: trago o ontem e hoje quando digo: Eu te amo! Canto o fado em flor por Angra nobre donzela e pela Senhora do sol dourado, pelas senhoras da nossa ilha, com rimas minhas ao sabor do dia.


 


Ó querida ilha montanha, lindas ilhas do coração de alma aficionada, mas insisto: Ó Angra linda és… Ó minha querida Angra, cujos pensamentos vão para a educação, amor e trabalho…


 


Olho o mar. Na voz de berço que trago há surpresas de coração serretense num ramo de maio. Recordar é viver lembrando a homenagem aos filhos que tratam as mães… Dá saudade e quero fazer para ter e ser (porque a morte é vida que não vês).


 


Eu sou da Terceira onde o cantar é um prazer de pensamentos rimados num hino à nossa gente: Terceirenses! Sóis lírios da alma, numa ilha bordada de tradição. O perfume das cantigas na recordação para a vida!


 


Eu tenho que vos escrever… Sou terceirense das rimas, na palavra, nos versos de fino trato com o mar à cabeceira num desenho de chuva. É um tanto de ti que passa por mim… É magia do Carnaval por entre uma janela virada pró mar! E quero cantar o berço das ilhas dos Açores na clave de rimas com vida.


 


Os Biscoitos, corpo de lava, dão-me rimas de opinião pela Terceira ilha de encanto e dão-me rimas do coração, dias a fio… de corrupio. E num dia mais-que-cinzento canta-me a felicidade pla Rosa das rimas (assim me chamam). E canto os Bravos da Carreirinha onde o teu sorriso ‘inda floresce numa vida de maresias… O antes e o depois e canto ao vinho. Palavras são sementes de flor da rima numa corrente de amor na noite da cantoria sob a balada de brisa onde quero ser para dar.


 


Angra, sereia ao luar das minhas flores com alma - Da Azoriana - que vos diz: Trago flores no coração, um palco de fotografias, uma paisagem serretense e as rimas.


 


Açores, nove aguarelas com raízes de valor, nos braços do luar pelos palcos de alegria. E a Estrela da Romaria dá carícia quando estou pensando e improvisando à minha maneira pelas estrelas da cantoria.


 


Angra nas torres de emoção com canto à solta, com paixões e um sol de sorrisos… Sou Azoriana de coração por Angra festiva. Que saudades me fazem tecer a alma de cantadeira no canto à mãe e nas recordações… Recordações quem não as tem?!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Nota: Prosa tecida praticamente só com os títulos de alguns dos artigos que compõem a minha coletânea intitulada - Recheio de rimas. Muitas das vezes escrevo para me abstrair duma realidade que dá cabo de mim, dos que me rodeiam e do povo que tanto trabalhou para bem viver e acaba por nada ter. É triste, muito triste. Pensem nisso, pensem bem sobretudo os filhos que estão governando e tiveram pais e avós trabalhando para hoje eles serem o que deviam ser e não são.

Sentir de ilhéu (e a Cultura Açoriana): Espanto, amor, saudade e alma

Julgo não estar errada se vos disser que cada vez mais se pugna por registar acontecimentos culturais açorianos no universo local, continental e ou na diáspora.
 


A emigração e a deslocalização são fenómenos frequentes e a tendência atual é fazer uso e preservar tradições, usos e costumes, legados dos antepassados, que através dos meios disponíveis e em franco progresso dão aso a múltiplas apreciações e comentários que animam a alma.
 


Mas atrás de uma objetiva ou de qualquer equipamento de captação de som e imagem há um ser que retira à sua existência ativa umas horas de persistência e acompanhamento de atividades cuja missão é dar o que de melhor aprenderam e receberam ao longo de outras tantas horas de atuação.
 


Isto a propósito de cassetes, livros e outras formas de divulgação que tem vindo a público, cuja temática é “cultura açoriana”, nomeadamente a que respeita às festividades e acontecimentos levados a efeito na ilha Terceira, de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Nos últimos anos há um manancial de informação que é de orgulhar os residentes e emigrados, sobretudo aqueles que zelam e amam o que lhes foi incutido naturalmente.
 


Apetece-me, também, frisar que há uma idade para tudo e a faixa etária dos “entas” e mais são as que, a meu ver, se aproximam mais deste campo de apreciação do que é genuíno e dado sem mais aquelas. Noto que a cultura popular do Pezinho, Cantoria ao desafio, Desgarrada e outros cantares de vínculo ilhéu tem maior público naquelas faixas etárias.
 


Os intervenientes na cultura popular é que estão a surgir numa faixa jovem junto dos consagrados ou veteranos no que toca ao dom do improviso. A juventude está como que a abraçar mais cedo um dom peculiar e interessante que nem tem a ver com estudo mas com a capacidade de deixar voar o que a inspiração lhes faculta no momento exato que une som e voz. Não há espaço para articular grandes pensamentos… Há a vocalização rápida e coerente com o que se ouviu e se responde a compasso breve, certo e melódico.
 


Tudo isto para deixar uma palavra franca de homenagem a todos os que captam som e imagem, escrevem artigos, comentários, textos e livros alusivos à temática: CULTURA AÇORIANA. Uma palavra de franca homenagem aos membros do Governo Regional que se apresentam aquando do lançamento desses mesmos volumes de informação DE e PARA o povo. Uma palavra de franca homenagem a quem se desloca de outros lugares externos para apreciar, fixar e amar o que se vai realizando em prol da nossa bela e estimada cultura popular. E, ainda, uma palavra de franca homenagem aos acompanhantes dos que gostam e amam o fenómeno natural ilhéu, por não negarem o gosto de quem os rodeia.
 


Por fim, e não menos importante, uma palavra de franca homenagem a todos os intervenientes no ato cultural de índole popular regional. Esses são os mestres e os amadores cuja paixão é doar o que de melhor herdaram duma raiz cuja visão causa espanto, amor, saudade e alma.


 



Para que se tenha espanto
Do que é visto ao olhar
É preciso saber um tanto
Da origem de um lugar.


 


Para que se tenha amor
Depois de muito avistar
É preciso dar valor
Ao que captou do lugar.

Para se sentir saudade
Do que viu e amou
É dar à intimidade
Novo olhar ao que captou.


 


Não ter a alma pequena
Ser dotado de nobreza
E saber que a melhor cena
É real por natureza.

 


Angra do Heroísmo, 17 de outubro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)

Terra de Bravos (no Olhar)

O olhar que de mim vedes
Da profunda nostalgia
Ou da imensa alegria
É brasão das minhas redes.


 


Esse olhar de parapeito
Janela de intimidade
Tão dotada de saudade

Do que de bom lhe foi feito.


 


Janela da imensidão
Do que dou à população
Dos dias de belos cravos…


 


Hoje vinco esse olhar
P’ra dizer a quem passar:
Sou d’ilha, Terra de Bravos!


 


Angra do Heroísmo, 2013/10/17
Rosa Silva (“Azoriana”)

Apaixonar-se

Quem veio cá voltará
Numa onda de saudade
Juro que fica por cá
Rendido à amizade.

No regresso leva o cheiro
O perfume da natureza
A bruma e o nevoeiro
Que o beijam de certeza.

A paixão então começa
E acende a sua chama
No peito se atravessa
Brasa da ilha que ama.

Diz-se ilha dos amores
À Terceira de Jesus
Quando coberta de flores
A uma paixão conduz.

Há Império, há Igreja,
Há praça e há terreiro,
À mesa uma bandeja
E sorriso hospitaleiro.

Pão alvo e massa dourada,
Um licor ou um bom vinho,
Uma salva decorada
Com palavras de carinho.

Um adeus até mais ver
No lábio de uma cratera
Que te deu a conhecer
O verde que te espera.

E depois deste rosário
Feito de versos de sonho
Se for lido ao contrário
Dá um título risonho.

Rosa Silva ("Azoriana")

Testemunho de Fernando Mendonça. Com os meus melhores agradecimentos

"Haverá maior felicidade do que deixar tão lindas memórias (desses lindos poemas) para os seus vindouros!... Acho que não!... "

 

Fernando Mendonça a 16 de Outubro de 2013

Diana & Dodi (para sempre)


 


 


Ver a página de Diana & Dodi


 


Minha dedicatória:


 


Same letters, same heart,
See the same I can see?!
Together & never apart,
In heaven they must be.

A voz da imaginação (com ou sem data)


Busco a felicidade
Na rima do coração
Encontrei-a de verdade
Ao colo da inspiração.


A vida nos é severa
Numa fase da idade...
Para ter a primavera
Busco a felicidade.

Tento tê-la e mantê-la
No regaço da paixão
Por isso até podem vê-la
Na rima do coração.

Quem sabe que assim é
Dá valor e validade
À rima da minha fé...
Encontrei-a de verdade.

Seja o fado de uma vida
A voz da imaginação
Por minha sorte mantida
Ao colo da inspiração.

2013/10/28
Rosa Silva ("Azoriana")


Retalhos… [da festa da ilha]

Saem colchas das janelas
Fecham-se as festas de Verão
Pincelam-se as aguarelas
Retalhos da imaginação.

Já não estalam foguetes
Foi-se o bravo das touradas
E limparam-se os tapetes
Que floriram nas estradas.

Não cintilam arraiais
Na faina de festa feita
Ao silêncio dos pardais
A natureza está sujeita.

Foram-se arcos e procissões…
Cada patrono descansa
Até mesmo nos salões
Nem um pezinho de dança.

Mas a festa continua
É o nosso sentimento
Pode não ver-se na rua
Permanece em pensamento.

Em cada verso o retalho
Do que se faz na Terceira
A festa dá mais trabalho
E roda a ilha inteira.

De maio até outubro
Meio ano a cirandar
É na rima que descubro
A festa do verbo amar.

O amor é querer bem
De maneira altruísta…
Quem ama o que a ilha tem
É feliz e amor conquista.

Não esqueço o Carnaval
Que não entra nessa data
E também vem o Natal
Que outra festa não empata.

E assim se vive a vida
De alegria e pé ligeiro
Jamais será esquecida
A que vibra o ano inteiro.

Angra do Heroísmo, 16 de outubro de 2013.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Fado: Maria Madalena - Compositor: Augusto Gil *fado Das Horas* - Lucília do Carmo canta

Acho lindíssimo e com muito significado este Fado:


 


Maria Madalena

 

Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena
Uma das santas do céu
Foi Maria Madalena.

Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu.

Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena
Por isso, quem sabe amar
Não chore, não tenha pena.

A Virgem Nossa Senhora
Quando o amor conheceu
Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu.

E de tanta que pecou
Da maior à mais pequena
Aquela que mais amou
Foi Maria Madalena.

A propósito do "Sismo d'Oitenta", projeto novo de outrem e de interesse

situação:


 


 



 


situação:


 



 


(Clique nas imagens para ler, utilizando outros tamanhos; ou consulte a ligação ao blog.)


 


e outras em "Sismo d'Oitenta", um projeto que os seus autores pretendem divulgar em 2014.

Tenho (temos) pena...

Com tanta notícia má que me entra pelos olhos adentro, dai-me Senhor, discernimento para aguentar toda esta maléfica inundação de noticiários que arrepiam até ao tutano. Dai-me Senhor entendimento para aquilo que juro não entender. Dai-me Senhor forças para aguentar tanta pressão, tanto corte, tanta provocação de quem nos governa. Dai-me Senhor vontade de continuar a suportar este mundo cão. Dai-me Senhor luzes suficientes para caminhar sem cair nos escombros de tanta putrefação. Dai-me Senhor discrição porque se me deres um empurrão por mais pequeno que seja eu escrevo palavra que não convém. Dai-me Senhor o que já não tenho: pachorra!


 


Querem-nos tirar mais o quê? Podem levar a camisa, as calças, as cuecas mas não nos levem as tábuas do caixão porque se não vamos ir nus tal como viemos. Acho que vai ter mesmo que ser. Hão-de acabar os funerais de luxo e pompa a favor de tábuas rasas, lisas e sem coberta luxuosa. Hão-de acabar todas as formas de luxo a favor do pé rapado.


 


Quando é que os que todos olham para o seu interior e veem que não são diferentes?! A diferença na raça humana, a meu ver, é a aparência externa porque a interna é tudo igual com medidas relativas. Sejam mais discretos e não façam o ódio ser a arma de arremesso.


 


Assumam de uma vez por todas: Portugal afundou!


 


E Portugal afundou
Não há jeito de levantar
Coitado de quem te criou
E te vê a definhar.


 


Se só tiras e não dás
Maior buraco tu crias
Pareces um Satanás
Um Herodes dos nossos dias.


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

A olhar para Maria

Imagem aqui

Mãe dos Homens e do Amor,
Mãe de Deus, Nosso Senhor,
Que muitos nem acreditam

Seja este dia e esta hora
Da Imaculada Nossa Senhora
Consagrados aos que meditam.

É tão simples minha oração
Mas ergo do coração
Umas palavras de encanto:
Peço que a todos proteja
Que abençoa a nossa igreja
Padre, Filho, Espírito Santo!

Tantas provas que nos deste
Ó Virgem Mãe pura e celeste
Para o povo Te adorar;
Outubro mês do rosário
Do Santíssimo escapulário
E do Teu lindo olhar.

Bendita sejas Maria
No retalho de cada dia
Na doença, pranto e dor;
Dai a todos discernimento
Para Te ver neste momento
Com o olhar do Teu Amor!

Rosa Silva ("Azoriana")

25º Aniversário do Grupo AMIGOS DA TERCEIRA, em Pawtuchet

 



 


 


* Parabéns pelos 25 Anos dos AMIGOS DA TERCEIRA *




1988 - 2013


 


Um abraço a Victor Santos
Um amigo de talentos
Que a Festa lhe dê encantos
Nos prateados momentos.


 


"OS AMIGOS DA TERCEIRA"
Associação cultural
Junte todos à sua beira
Em sonhos e no local.


 


O meu sonho é perfeito
Como perfeito é o Festejo
E bem do fundo do peito
Mando um abraço e um beijo.


 


Victor Santos representa
A nossa sociedade
E por toda a gente tenta
Dar toda a sua amizade.


 


Parabéns caros amigos
Por esta data lembrada
25 Anos serão erguidos
Numa taça prateada.


 


O perfume da Terceira
Derrame graças do céu
No hastear da bandeira
Do seu berço de ilhéu.


 


Que a saudade não tinja
O olhar do emigrante
Só o coração atinja
Um sentimento radiante.


 


E radiante ora fico
Por enviar a cortesia
Ao Amigo que identifico
Na voz, na fé e na simpatia.


 


Angra do Heroísmo,


12/10/2013



Rosa Silva (“Azoriana”)