Sentir de ilhéu (e a Cultura Açoriana): Espanto, amor, saudade e alma

Julgo não estar errada se vos disser que cada vez mais se pugna por registar acontecimentos culturais açorianos no universo local, continental e ou na diáspora.
 


A emigração e a deslocalização são fenómenos frequentes e a tendência atual é fazer uso e preservar tradições, usos e costumes, legados dos antepassados, que através dos meios disponíveis e em franco progresso dão aso a múltiplas apreciações e comentários que animam a alma.
 


Mas atrás de uma objetiva ou de qualquer equipamento de captação de som e imagem há um ser que retira à sua existência ativa umas horas de persistência e acompanhamento de atividades cuja missão é dar o que de melhor aprenderam e receberam ao longo de outras tantas horas de atuação.
 


Isto a propósito de cassetes, livros e outras formas de divulgação que tem vindo a público, cuja temática é “cultura açoriana”, nomeadamente a que respeita às festividades e acontecimentos levados a efeito na ilha Terceira, de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Nos últimos anos há um manancial de informação que é de orgulhar os residentes e emigrados, sobretudo aqueles que zelam e amam o que lhes foi incutido naturalmente.
 


Apetece-me, também, frisar que há uma idade para tudo e a faixa etária dos “entas” e mais são as que, a meu ver, se aproximam mais deste campo de apreciação do que é genuíno e dado sem mais aquelas. Noto que a cultura popular do Pezinho, Cantoria ao desafio, Desgarrada e outros cantares de vínculo ilhéu tem maior público naquelas faixas etárias.
 


Os intervenientes na cultura popular é que estão a surgir numa faixa jovem junto dos consagrados ou veteranos no que toca ao dom do improviso. A juventude está como que a abraçar mais cedo um dom peculiar e interessante que nem tem a ver com estudo mas com a capacidade de deixar voar o que a inspiração lhes faculta no momento exato que une som e voz. Não há espaço para articular grandes pensamentos… Há a vocalização rápida e coerente com o que se ouviu e se responde a compasso breve, certo e melódico.
 


Tudo isto para deixar uma palavra franca de homenagem a todos os que captam som e imagem, escrevem artigos, comentários, textos e livros alusivos à temática: CULTURA AÇORIANA. Uma palavra de franca homenagem aos membros do Governo Regional que se apresentam aquando do lançamento desses mesmos volumes de informação DE e PARA o povo. Uma palavra de franca homenagem a quem se desloca de outros lugares externos para apreciar, fixar e amar o que se vai realizando em prol da nossa bela e estimada cultura popular. E, ainda, uma palavra de franca homenagem aos acompanhantes dos que gostam e amam o fenómeno natural ilhéu, por não negarem o gosto de quem os rodeia.
 


Por fim, e não menos importante, uma palavra de franca homenagem a todos os intervenientes no ato cultural de índole popular regional. Esses são os mestres e os amadores cuja paixão é doar o que de melhor herdaram duma raiz cuja visão causa espanto, amor, saudade e alma.


 



Para que se tenha espanto
Do que é visto ao olhar
É preciso saber um tanto
Da origem de um lugar.


 


Para que se tenha amor
Depois de muito avistar
É preciso dar valor
Ao que captou do lugar.

Para se sentir saudade
Do que viu e amou
É dar à intimidade
Novo olhar ao que captou.


 


Não ter a alma pequena
Ser dotado de nobreza
E saber que a melhor cena
É real por natureza.

 


Angra do Heroísmo, 17 de outubro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)

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