Por doce sorriso dele...

Se há momentos que me deixam num misto de alegria e ansiedade hoje é um deles. Até olhar a cidade património mundial traz-me um não-sei-quê de maravilhoso. Quando nós estamos com um sentimento de felicidade parece que ao nosso redor tudo está feliz mesmo que as aparências sejam um bouquet fantasiado. Não importa. Viva-se o momento sobretudo quando o pensamento é positivo.

Este introito serve de menu de entrada para um festejo de aniversário de uma personalidade que dá e ganha a estima de toda a gente, exceto alguém que não nutra amor por nada do que é nosso e genuíno. A educação, o desporto e a cultura fazem as delícias de um punhado de ilhéus que não medem esforços para manter viva uma tradição muito peculiar e popular: o Pezinho e as Cantigas de Improviso com o dom nato da inspiração, acompanhada pelas cordas de uma viola e o violão ou outro instrumento cujo timbre nos anima uma rima cruzada numa quadra repentista e alternada numa sextilha de valor e simpatia.




 


Parabéns ao excelentíssimo senhor comendador amigo Luís Bretão que hoje completa sessenta e oito alegrias partilhadas com os que lhe são queridos e nutrem o mesmo sentimento pela cultura popular, a raiz do nosso mundo ilhéu.

Já muito escrevi, difundi e li sobre este amigo que conheci após tomar conhecimento do livro de Mário Pereira da Costa, com a história romanceada dos cantadores, exímios açorianos, Charrua e Turlu. Li o nome de Luís Bretão e depois de terminar a leitura do livro e ficar como que encantada e adorando aqueles rimares, não tardei a procurar se na lista telefónica constava o seu contato e mãos-para-que-vos-quero toca a ligar para o número encontrado. Qual não foi o meu espanto que depois de uma troca de informações dei comigo a falar com o próprio autor do livro que estava nesse momento de visita à casa dos Luízes. Farão ideia do que senti naquele momento?! Não é fácil. Só quem sente o mesmo que eu nesta altura da vida é que poderá discernir o que voa das entrelinhas: encanto, gosto e alma pelo que despontou relativamente há nove anos e que me fazem ir ao lado dos cantadores da ilha ou de fora dela, açorianos de cantigas em despique ou, como as que gosto, de mensagens de cordialidade e louvor.

Se algum dia eu me parecia que da minha mente sairia tanta letrinha polida ou rimada em prosa ou verso que alcançasse os olhares do mundo depois de entrar neste outro mundo virtual?! Pode-se muito bem afirmar que é um milagre da atualidade graças ao poder da musa da inspiração. Todos temos uma musa, todos podemos agarrá-la com maior ou menor tenacidade, sem deixar de fora a humildade. Esta é a tábua de salvação para a boa aceitação. Não se queira chegar à montanha sem passar pelo vale, e depois de alcançar a montanha pense-se que o vale é que levou lá e é ele que aguentará a queda.

Hoje é o Dia! Hoje é a Festa! Boa companhia que homenagem presta ao Homem que em vida tomará este gosto e se manifesta.

Não posso deixar de louvar, novamente, a atitude do comum amigo de Lisboa, José Fonseca de Sousa, que empreendeu a homenagem e cuja troca de correspondência via correio eletrónico comigo chegou a ser incontável. Todas ideias e pormenores iam sendo escrupulosamente partilhados comigo e com quem pôs em marcha seu objetivo. Há pessoas residentes na ilha Terceira que não sabem o quanto este nosso amigo do Continente sabe sobre as ilhas dos Açores. Ele não se cansa de elogiar e divulgar o que arrecada em cada visita que faz seja por via oral ou escrita. Foi também graças a Luís Bretão que esta amizade surgiu e espero se firme cada vez mais.

Para não maçar o leitor ou curioso eis que chega o último parágrafo alusivo à temática atual com o lema verdadeiro e que rege o todo: VIVER PARA SERVIR é um lema a florir no jardim de um coração que está hoje de PARABÉNS!


 


É tão linda a caminhada
Onde reluz o talento,
A vida que nos é dada
Um dia tem um momento.

Que o momento seja aquele
Ou este que hoje se faz
Por doce sorriso dele
O meu verso seja eficaz.

Angra do Heroísmo, 31 de maio de 2013.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Homenagem ao aniversariante Luís Bretão (31-05-2013)

RS 31_05_2013 oferta


 


Pelas ruas das cidade
Património mundial
Irá ter vivacidade
E o Pezinho ideal.


 


Da Câmara Municipal
Sé e o berço materno
Mais o Clube principal
Rádio e Pavilhão fraterno.


 


Irão todos com alegria
No “Percurso de uma vida
Enquadrar a harmonia
Da moda que lhe é querida.


 


Cantadores e Tocadores
Dão Festa na Terra Chã
Com o amigo dos Açores
De quem já me tornei fã.


 


Fonseca do Continente
Num desafio frontal
Falou com toda esta gente
Para a festa cultural
Que junta o bom presente
Com o abraço regional.


Em rios de tinta escritos
Entre a ilha e o Continente
Li detalhes favoritos
Sobre a cultura da gente
E dizeres tão bonitos
Sobre o canto repetente.


 


Não me posso afastar
Desta Festa fabulosa
Posso ter fraco cantar
Com mensagem valiosa
Importa é ir abraçar
Quem tanto fala da Rosa.


 


Fonseca e Luís Bretão
Um dueto amigável
Engrandecem a Região
E nosso dom favorável
A cultura é uma nação
Com valor inexplicável.


Rosa Silva (“Azoriana”)

É já amanhã a festa da ternura e amizade ao aniversariante Luís Bretão

31052013_pezinho_luis_bretao


 


A Sociedade da Terra-Chã
Da Senhora de Belém
Dá boas-vindas ao seu fã
E a quem dele é também.

Luís Bretão comendador
Do desporto e da cultura
À senhora e ao senhor
Recebe em dupla ternura.

O lema de bem servir
Apela à união
Venham todos colorir
A Festa de Luís Bretão.

Cantadores e tocadores
E amigos em geral
Fazem eco além Açores
Belas ilhas de Portugal.

Rosa Silva ("Azoriana")






É já amanhã, 31-05-2013, que se realizará a festa do aniversariante e amigo Luís Bretão. Pezinho "Percurso de uma vida" é título do Programa cujo início está marcado para as 16:30 numa concentração junto à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Pelas 17:00 dar-se-á início ao Pezinho junto a esta Câmara [1], seguindo-se para a Igreja da Sé [2], Casa da Família [3] (na Rua Carreira dos Cavalos, nº 31), sede do Sport Clube Lusitânia [4], sede da Rádio Clube de Angra [5] e Pavilhão Multiusos Luís Bretão [6].

Pelas 20:30 iniciar-se-ão as cerimónias na Sociedade Filarmónica da Terra Chã, com a intervenção do Sr. José Fonseca de Sousa, vindo do Continente e que teve a ideia inicial de homenagear Luís Bretão no dia do seu aniversário.

Do Programa destaco ainda o seguinte:


 


(...) "José Fonseca de Sousa já se deslocou várias vezes aos Açores e “apaixonou-se” pela nossa cultura, nomeadamente a popular, incluindo as cantigas de improviso. Tem sido um embaixador da cultura açoriana em terras continentais.

A sua participação e interesse devem ser entendidos como um grande contributo para a divulgação das nossas realidades culturais, a nível continental.

José Fonseca de Sousa transmitiu a ideia a Liduíno Borba, a várias pessoas e improvisadores, nomeadamente José Santos, presidente da Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores."





Pelas 20:45 será orador o nosso cantador José Eliseu Costa;
21:05 ACTDA Associação dos Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores;
21:10 Representante da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo;
21:20 Representante do Governo Regional dos Açores;
21:30 Luís Bretão;
21:40 Entrega de lembranças a Luís Bretão (por Sr. José Fonseca de Sousa e Sr. João Ângelo)
21:50 Todos os Cantadores e Tocadores presentes subirão ao palco [7] para na moda do Pezinho darem a despedida.





É certamente uma emoção muito grande e um regozijo enorme esta oferta unânime de amizade ao Comendador Luís Bretão por ser um verdadeiro apaixonado regional pela cultura e desporto e ter uma enorme fraternidade a todos os níveis.

Particularmente desejo o melhor do mundo ao ser açoriano que tem dedicado tanto das suas palavras sensibilizadoras e convívio salutar a quem partilha a sua casa museu e a tradição cultural e desportiva.

Viva o nosso Luís Bretão!

Encontros de blogosfera: Leiria

Só agora ali cheguei
Nem deu tempo pra ler tudo
Mas logo me encantei
Por esse blog sortudo.

Entre Leiria e os Açores
Há uma estrela a brilhar
Que une nossos valores
Reluzente partilhar.

Bem-haja quem nos estima
E faz tanta coisa boa
Seja a repetente rima
Um louvor à sua pessoa.

Seja o seio da cultura
O pilar dos meus escritos
Pra lhe dar com ternura
Os meus versos favoritos.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


in comentário ao blog: Associação de Investigação e Cultura dos Açores / Leiria, de Adélio Amaro.

São como a lava da ilha...


São como a lava da ilha
Que se curva ao olhar
Fazem da sua partilha
Um canto sem decorar.


 


São como estrelas no céu
Sobrevoando a gente
Rimam chapéu com ilhéu
Em despique repetente.


 


São como aves velozes
Nas asas da poesia
Erguem o cordão das vozes
No terreiro da freguesia.


  São mistério e virtude
Na redondilha da vida
Deus lhe dê sempre saúde
E uma quadra renhida.

 


Cumprimento os cantadores,
Que andam na boca do povo
E também os tocadores
Do mais velho ao mais novo.


 


Cumprimento os que cantaram
E os que cantam d’improviso,
Cumprimento os que gravaram
Retalhos do seu juízo.


 

Faço agora um aparte
Com imagem acompanhado
Seja talhado com arte
Um coreto apropriado
Que chame de toda a parte
O dom dum céu estrelado.


 


Preservem sempre o modelo
Com a traça original
Seja ampliado com zelo
De acordo com o ideal
E coloquem justo selo
Com o feitor principal.


 

 


 


 


 

A roda de cantadores
Fará a rima vistosa
Decorada de mil cores
A redondilha amistosa
No coreto que nos Açores
Tem a farda gloriosa.


 


Uma sextilha combina
Com a frente altaneira
Em letras de tela fina
Nas cores da Padroeira
Que luz de Graça Divina
No Coreto à sua beira.



Serreta - Angra do Heroísmo. 28-maio- 2013. Rosa Silva (“Azoriana”)

Viver para Servir, um Amigo sem fronteiras

Este artigo é um contributo para a história de personalidades que fizeram história.


 


Luís Carlos de Noronha Bretão

Nasce em Angra do Heroísmo a 31/05/1945, na freguesia da Sé, concelho de Angra do Heroísmo.

Reside em S. Carlos há cerca de 37 anos. A sua ação cívica abrange cultura, desporto e política.

Tendo por referência a leitura da “Nota Biográfica” in Pensamento Açoriano - Revista SABER Açores, datada de fevereiro de 2011, entre outras pesquisas e conhecimento pessoal, retrato numa breve análise alguns acontecimentos importantes do amigo da cultura popular:





    1. Presidente da Juventude Escolar Católica;




    2. Vogal da ADAH Associação de Desportos de Angra do Heroísmo que reunia todas as modalidades desportivas nos anos 60 (1962);




    3. Presidente da ADAH Associação de Desportos de Angra do Heroísmo no início dos anos 70 (até ao surgimento das associações de modalidades);




    4. Árbitro de Basquetebol nas décadas de 60 e 70 (Terceira e S. Miguel);




    5. Delegado da DGDAH Direção Geral dos Desportos de Angra do Heroísmo durante cinco anos (1975 a 1980);




    6. Presidente da ABIT Associação de Basquetebol da Ilha Terceira);




    7. Presidente do SCL Sport Club Lusitânia;




    8. Vereador da Comissão Administrativa da CMAH Câmara Municipal de Angra do Heroísmo após o 25 de abril, tendo concorrido, em 1982, como candidato independente nas listas do PS, ao cargo de Presidente da Autarquia, falhando a eleição por poucos votos;




    9. Organizou reuniões mensais com todas as Juntas de Freguesia do Concelho de Angra do Heroísmo, de 1982 a 1985, bem como, um programa radiofónico na Rádio Clube de Angra, intitulado “Autarquias”;




    10. Em consequência, assume o cargo de Vereador com o pelouro da Cultura, Educação e Desporto, tendo promovido diversas atividades de dinamização cultural e desportiva;




    11. Nos anos 70, como Vereador da CMAH, iniciou os espetáculos e touradas de praça para crianças, bem como, espetáculos e animação para idosos, trazendo, novamente, as Danças e Bailinhos de Carnaval para a cidade de Angra do Heroísmo;




    12. Nos anos 70 e 80 promoveu os concertos de filarmónicas no coreto do Jardim Público de Angra do Heroísmo;




    13. Presidente da Comissão das Sanjoaninas em 1974;




    14. Idem em 1984. Realizou um festival de teatro neste ano nas Sanjoaninas;




    15. Em 1997, na qualidade de Diretor da RCA Rádio Clube de Angra, foi organizador do programa comemorativo das Bodas de Ouro da instituição;




    16. Colaborador de vários órgãos da comunicação social, entre os quais, a “Vida Académica”, “A União”, “O Lusitânia” e a RTP Açores;




    17. Em 1997, na comemoração das Bodas de Diamante do Sport Club Lusitânia, em 17/12/1997, recebeu um diploma de apreço pelo seu contributo ao desenvolvimento do clube;




    18. Em maio de 2000, foi agraciado com o título de Sócio Honorário pela AFAH Associação de Futebol de Angra do Heroísmo;




    19. Em junho de 2001, foi homenageado pela AJIT Associação de Judo da Ilha Terceira;




    20. Na qualidade de árbitro, ajuda a lançar o basquetebol feminino em S. Miguel com as equipas do Sport Clube Praiense e Sport Club Angrense;




    21. Por certidão passada em 16/06/2001, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo atribuiu o seu nome ao Pavilhão Multiusos. Homenagem e cerimónia realizaram-se em 22/08/2009, integradas na comemoração dos 475 anos de elevação de Angra do Heroísmo a cidade;







PAVILHÃO MULTIUSOS BAPTIZADO COM O NOME DO CONHECIDO DIRIGENTE

Luís Bretão imortalizado

O Pavilhão Multiusos recebeu no passado sábado o nome do carismático dirigente desportivo Luís Bretão, cumprindo-se, assim, uma velha promessa da autarquia angrense. A cerimónia, que juntou amigos, colegas e familiares do homenageado, inseriu-se nas comemorações dos 475 anos da elevação de Angra a cidade. O laureado entende que “esta distinção é, acima de tudo, o reconhecimento público a uma geração de dirigentes”.
Fonte: Efeméride - Diário Insular de 2009/08/24.





  1. Em março de 2002, foi homenageado pelo Governo Regional dos Açores na I Gala do Desporto Açoriano;




  2. No mesmo ano, foi homenageado pela Comissão das Festas do Império de S. Carlos e pelos “Cantadores e Tocadores” em S. Sebastião;




  3. Vice-presidente da Assembleia Geral do NSIT Núcleo Sportinguista da Ilha Terceira;




  4. Presidente da Assembleia Geral da ABIT Associação de Basquetebol da Ilha Terceira;




  5. Em 2003, foi condecorado com a medalha de “Mérito Municipal” pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, da classe “Mérito Cultural e Desportivo”;




  6. Em 1995 foi Procurador do Império de S. Carlos;




  7. Mordomo do Império de S. Carlos em 1982 e 1989;




  8. Colaborador ativo da maioria das Comissões do Império, quer através de contatos com entidades oficiais quer na elaboração dos programas das festas. Desde 1999, realizou em sua casa, o tradicional Pézinho homenageando todos os Cantadores e Tocadores que atuaram nas festas de S. Carlos;




  9. Fez parte do “Movimento de Elevação de S. Carlos a Freguesia”;




  10. Na comemoração dos 25 anos do Clube de Atletismo da Terceira recebeu uma medalha de reconhecimento;




  11. A 10/06/2005 foi agraciado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Comenda da Ordem de Mérito;




  12. Em 2007, na festa dos “Amigos do Basquete”, recebeu uma Placa de Homenagem numa organização conjunta da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e do Terceira Automóvel Clube;




  13. Amante da Cultura Popular, é Vice-presidente da Associação dos Cantadores dos Açores;




  14. Foi Presidente da Assembleia Geral do grupo de folclore “Os Bravos” na sua fundação;




  15. Apresentador do livro “Serreta na intimidade”, a convite da autora Rosa Silva (“Azoriana”), cujo lançamento ocorreu a 02/04/2011, na Sociedade Filarmónica Recreio Serretense;




  16. No próximo aniversário de Luís Bretão, a 31/05/2013, haverá uma grandiosa homenagem levada a efeito por um amigo dos Açores, vindo do continente, Sr. José Fonseca de Sousa que, juntamente com a comissão organizadora, fará tudo para que a mesma seja inesquecível.




Eis mais uns versos de improviso, escritos a 25/03/2013, para juntar a outros (inéditos) para homenagear excelente individualidade regional:

Viver para Servir, é seu lema



Imagem original (a cores) in RTP Açores

Luís Bretão é mediano
No que toca à estatura
Um pilar açoriano
Do desporto e da cultura.

No ano dois mil e oito,
Dei entrada no Pézinho;
Num verso que foi afoito
Dei-lhe todo o meu carinho.



E na casa dos Luíses
Pela Festa do Império
Tive mais dias felizes
Com meu novo batistério.

As cantigas de improviso
São de gosto popular,
Tem tudo o que é preciso
Para os amigos juntar.

Luís Bretão é bom amigo
Da cultura açoriana
Louvá-lo sempre consigo
Excelsa alma lusitana.

Sua voz não se atrapalha
É forte na sua ação
Já recebeu a Medalha
Símbolo da nossa Região.

Toda a sua atividade
Está no SERVIR por encanto
«Serreta na intimidade»
O livro que lhe deve tanto.



Por ele apresentado
Perante vasta assistência
Esteve sempre ao meu lado
Será sempre referência.

Bem-haja sua atitude
Seu valor, sua lição,
Deus lhe dê melhor saúde
Pra seguir sua paixão.

A décima quadra que faço,
Nesta hora lisonjeira,
Eleve meu forte abraço
Ao Comendador da Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

Na alegria também se vê saudade

Desde o tempo de embalar que fui educada para festejar o aniversário. Com tantos dias iguais há que agarrar um que é diferente na subida de mais um troço de vida. Deixamos para trás um mar de emoções e alegrias para darmos um abraço ao porvir. Hoje comemoro dois anos de um casamento desejado, no dia de aniversário do cônjuge. Embalada pela alegria também vejo a saudade a brilhar na polpa do meu olhar, por outros tempos que me vi menina, sem sono, no sonho da madrugada a bater-me à janela do peito para a largada do barco rumo ao ilhéu do Topo, ao porto da Calheta, ao das Velas para depois embalar-se pela vista do cais de S. Roque do Pico para meu consolo de abraçar a família em gritos de alegria viva e paixão pela despedida da saudade que mata quem vive agarrada às águas salgadas onde a ilha poisa, pacatamente.

Quando li um artigo “Entre a lava e a maré”, no capítulo dos Lugares do “Mundo Açoriano” (on-line) fiquei com a alma a tremer de saudade e feliz por encontrar tão encantador e emocionante artigo de arrepiar a lembrança e o coração.

Se há amor e há, se há alegria e felicidade, há uma paixão pelo melhor que a terra nos dá: Ter estado na freguesia de Santo Amaro, na ilha do Pico, onde cada barco que nasceu permanece na memória de alguém que vive mesmo que parta no suspiro final.

A ilha ainda me faz escrever com os dedos tremendo de saudade denotando o quanto fui feliz na meninice de ir e voltar e retornar àquele mundo de lava e maré. Lembro do cantar noturno das cagarras sobrevoando o telhado do meu encanto. Lembro da canção do mar rente ao cais que tinha um cheiro jamais sentido noutro lado… Lembro dos abraços tão apertados e beijos esbugalhados de um punhado de gente cujas veias tinham o mesmo pulsar que o meu…

No dia do segundo aniversário do meu casamento desejado procuro uma maneira de mergulharmos nas águas do amor ilhéu com o pensamento no que a cada um faz para trazer outras águas e marés no calor da palavra… Amo-te!

Rosa Silva ("Azoriana")

Alegres recordações num dia de aniversário do conjuge



[o nosso casamento faz dois anos]

"Radiografias" de Nuno Ferreira, jornalista que anda a pé, no "CAFÉ PORTUGAL"


Há surpresas que me levam ao artigo imediato. Esta é uma delas. Vejam porquê no link (acima ou abaixo

Bem-haja quem tão bem escreve e fala das ilhas e suas gentes.

Nuno Ferreira escreve sobre Rosa Silva

Cuidem bem da natureza...

Lembro que pela efeméride açoriana religiosa, o mesmo que dizer, os 150 anos da freguesia da Serreta (em 2012) fui autora de algumas quadras a pedido da comissão da festa. Uma delas com destino aos carros alegóricos do Bodo de Leite, da terça-feira, rezava assim:

A Relíquia do Queimado
E a Mata soberana
São nosso pulmão sagrado
Da paisagem Açoriana.

Atualmente, maio de 2013, passando na mesma paisagem que é a Mata soberana, um pouco antes de chegar ao coração daquela Mata, encontra-se uma verdadeira devastação feita por máquinas cuja condução é a mão humana e a orientação privada ou pública (nem sei bem). Quase que não reconheço, à passagem, aquela zona nua de arvoredo e cheia de restos mortais arbóreos. Tal como eu, muitas pessoas se interrogam sobre este efeito visual. Certamente que não o fizeram por mal mas fica muito mal a quem vê e sente tristeza por ver a devastação daquele pulmão sagrado, dito por mim mesma.

A minha esperança é que volte à terra o que da terra foi arrancado, i. é., volte a replantar-se a imensidão de verdes que coroam aquela zona da ilha - a noroeste. Levará algum tempo a ver-se o novo efeito. Dói muito olhar o atual efeito… Restos de paus por todo o lado num emaranhado que até assusta o transeunte mais sensível.

Quando uma árvore chora
No colo da humanidade
Aos céus nossa alma implora:
Quando virá a novidade?!

A novidade da terra
Floresce em cada canto,
Mas se lhe fazemos guerra
Perde todo o seu encanto.

Minha terra sem arvoredo,
É um manto sem valores,
Digo isto por ter medo
De o perderem nos Açores.

Junto à Mata da Serreta
O pulmão da nossa ilha
Surgiu nova valeta
Uma chaga na estampilha.

Cuidem bem do verde ilhéu,
Cuidem bem da natureza:
É ela que se ergue ao céu
E lhe sorri com beleza.

Angra do Heroísmo, 23 de maio de 2013.

Rosa Silva (“Azoriana”)

mais uma quinta de maio (sem maiúsculas)


não sei se é estado geral mas os dias não estão para muita atividade. a passagem do estado de frio para uma véspera de calores ilhéus faz com que o corpo entre numa moleza que só levita com uma boa chávena de um café matinal. hoje nem me apetece erguer muitas teclas no início da frase em cada parágrafo. os trabalhos do quintal da casa da azoriana estão a quebrar toda a réstia de forças que ainda podem encontrar-se num corpo que aparenta a expressão “nem tudo o que se vê combina com o que se tem”. quando caio na horizontal mais cedo que o habitual entro num estado que pode cair a casa que nem noto, salvo seja. os rituais matinais e ao longo do dia tendem a cair na rotina, exceto quando há alguma novidade de última hora. aposto que a vizinhança já conhece todas as voltas e reviravoltas do trabalho doméstico exterior à morada permanente. aborrece-me sentir-me como que à mercê dos olhares alheios. aborrece-me ter de me comportar de forma a não arregalar nenhum olhar estranho. enfim, mais uma quinta de maio com um quintal à prova de visitas domiciliárias. raramente as tenho mas importa agradar, sobretudo, aos conviventes diários. nada como olhar à nossa volta e acertar em cheio no paraíso terreno, sem ervas daninhas, sem montes de desperdício, sem restos da última cavadela. a fogueira no recipiente próprio para tratamento dos desperdícios fez-se com calma e descontração. a mangueira fez verter o líquido que acalma o fogo relativamente manso. as narinas é que sabem. de resto, hoje é mais uma quinta de maio, a penúltima do mês. dou comigo a pensar que falta apenas um mês para o estado de repouso ferial. umas férias vinham mesmo em boa altura para apreciar o trabalho dos fins das tardes com cheirinho a calores ilhéus. lembro que o mar deve estar como azeite tal como o vi no passado domingo no regresso a casa. nem uma onda bulia. ah! quase me esquecia de anotar: o que semear nos dias vespertinos dos calores ilhéus?! as couves já estão maduras. os tomateiros já se acomodaram à nova terra. as malaguetas vão pelo mesmo critério. as ervilhas ainda não vislumbram o ar livre. as batatas começam a surgir à face da terra. os feijões mantém-se no subterrâneo. as minhas flores (uma experiência nova) ainda não deram sinal de florescimento. sinto-me enfadonha, calma e sem vontade para soltar um “ai”. só penso no que o SAPO irá pensar sobre um artigo neste estado de tédio. mas porquê, senhor?! só pode ser do calor ilhéu rodeado de uma imensidão anil líquida e salgada que convida a um bom banho (quer dizer, só uma molha de pés porque o meu corpo não sabe boiar)… e vem aí mais uma proximidade com a caridade da Trindade ilhoa. fico-me por aqui e perdoem se não vos atender nalgum chamado instantâneo. está tudo bem e não venha pior que os títulos de caixa alta das notícias de mais uma quinta de maio. tal pena não inventarem que as letras maiúsculas podem ser abolidas. dá menos trabalho e poupa-se a tecla do “shift”. bem-haja quem atura um parágrafo deste tamanho. boa noite!

Solidariedade campestre

Ainda sou do tempo que havia uma espécie de solidariedade campestre. Hoje meu, amanhã teu ou vice-versa. Havia uma entre ajuda simpática e altruísta. Tanta vez que nos emprestavam uma vaca para que se fizessem sementeiras perante um sol que penetrava um corpo tolhido por um inverno húmido e enregelado. Antes de sairmos para as terras, forrávamos o estômago com o alimento encorajador e seguíamos canada abaixo rumo ao cerrado com todos os apetrechos necessários para lavrar (o arado), alisar (a grade), fazer rego e semear (ver imagem). O Calçado também ia todo feliz para ficar a guardar as alfaias agrícolas do seu dono. O Calçado foi o cão que ficou residente na minha memória de uma infância que hoje compreendo que foi feliz, pese embora alguns solavancos naturais.

Voltando à vaca… Cabia a mim a tarefa de ir à frente da vaca para que o trabalho ficasse perfeito e alinhado, não fosse o animal (que era deveras pacato) enveredar por algum atalho desfavorável a uma sementeira de milho e feijão para sustento anual. Confesso que esta tarefa nem sempre me causava bons resultados: uma vermelhidão acompanhada de alguma coceira era o habitual. Os mosquitos gostavam da minha pele alva e ferravam a sua mordidela. De volta a casa, subindo a ingreme canada com um cansaço notório, chegava ao final da mesma via a custo mas era uma alegria quando os pés cheios de terra fresca tocavam o caminho de asfalto, sinal de que a moradia estava mesmo ali pertinho.

Comparando com as tarefas da atualidade não há comparação. Tudo se faz recorrendo a maquinaria de salve-se o esqueleto a favor do mecanizado. Claro que esta evolução é muito favorável ao homem num sentindo mas por outro deixa morrer uma aventura agrícola e uma ginástica laboral diferente.

Uma coisa que me dá bastante pena é que na altura daqueles trabalhos campestres não foram captadas quaisquer imagens para recordação futura. Gostava de rever-me nesses assados que hoje não passam de miragens de um tempo que não volta atrás.

O que eu queria, no fundo, trazer a texto era o facto de haver entre ajuda familiar e da vizinhança ou de um punhado de amigos que se prestavam a colaborar nas tarefas campestres. Sinto saudades e falta desse movimento pessoal cujo resultado era apenas e somente o saber que se podia contar com um amigo. Hoje se quisermos fazer algo há que ter verba para surtir o sucesso final do que quer que seja. É pena.

Angra do Heroísmo, 22.maio.2013.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


P.S.: Rima da minha alma...

Quando a prosa toma conta
Do meu vasto escrever
Algum tédio em mim desponta
Galopando todo o meu ser.

Quando a rima se esconde
Na margem da minha escrita
Sabe-se lá porquê e onde
Anda a musa favorita.

Prezo tanto minha raiz
Na escrita que vem pura:
De rima sou mais feliz
No verso que dá cultura.

A cultura da Terceira
Faz-se em qualquer freguesia
Voa livre na Bandeira
Com asas de poesia.


 




2013.Azoriana

Quem o viu e quem o vê

Com a falta de assunto que impera volto-me para o estado corrente. Quem viu o meu quintal há cinco anos e o vê nesta data (2013-05-22), dia de um aniversário que me deu a oportunidade de ter a primeira afilhada, fica como que a pensar: - Nem parece o mesmo!


 


É verdade. Antes mal tinha lugar para se pôr um pé e agora pode até andar-se descalça na relva aparada e com um estendal de roupa regalada com a proximidade dos dias quentes.


 


Moral do artigo: Nada se faz sem trabalho e é o trabalho que faz sentirmo-nos úteis e realizados. Quem o viu e quem o vê seria um bom título para um filme de uma vida cujas personagens podem ser igualadas a tantas outras que sabem que para ter é preciso fazer.


 


Cavar, alisar e plantar a terra é uma boa terapia anti insónia com efeitos secundários nos sonhos temperados pelo cheiro de terra cavada.


 


Conclusão: Enquanto o esqueleto permitir e os ossos não fraquejarem façamos algo que alegre o olhar de quem vê o nosso produto final de um pedaço de quintal.


 


A natureza também agradece mesmo que por vezes venham forças destruidoras inesperadas.

Crise-fobia e outros escritos

Muito antes de a crise-fobia começar já a sentia no meu lar. Fomos todos passando pelos anos fora e, inevitavelmente acabaram por sentir todos a mesma crise-fobia no estado concreto e absoluto. Ao invés de sobrar uma réstia de esperança para o mês seguinte falta um tanto ainda antes de virar a folha do calendário. Fazem-se contas, continhas ao mínimo e às “pretinhas” que possam ter ficado “entaladas” na carteira e, no fim, o resultado é nulo. Estica-se o sabão, o rolo do papel higiénico, o leite, o pão… a roupa vai até ganhar algum buraquito (com remendo), o calçado anda até gastar a sola, não se desce à baixa citadina para não se ver montras desmaiadas pelos nossos olhares que vão de passagem e nem lhe atiram piropos, nem tão pouco saem do lugar e ficam até desbotar no desânimo total.

Afinal a culpa nem está solteira. Junta-se às modernices de um tempo sem tempo para nada. É a máquina de lavar em vez da pia, é o carro em vez das pernas, é o sofá em vez do ar livre, é as prateleiras do hipermercado em vez das prateleiras domésticas com o fruto da terra, é a caixa de leite em vez da teta da vaca, é a caixa dos ovos em vez da capoeira e da galinha poedeira, é a máquina da terra em vez da enxada de olho… Já não se querem envolver de terra, monda e do cheiro da terra cavada…

Afinal estamos todos a ver o resultado duma evolução sem boa orientação porque não quiseram seguir os conselhos dos que hoje sofrem muito mais a sua própria derrota.

Vejam-se, nas horas de ponta, os engarrafamentos de viaturas congestionando as rotundas na fúria de chegarem antes que o “badalo” do portão lhes impeça a entrada ao serviço diário. Vejam-se os rostos de poucos amigos, os tiques, os dramas que aglutinam nas depressões psicológicas de um punhado de transeuntes esbaforidos sem saber como contornarem mais um dia de vida e sustentarem as bocas racionais e irracionais de moradias permanentes e decadentes...

E mais não escrevo para não ter de ouvir a retórica de que é preciso lutar contra o mal e alto falar o que de bem se tem ou faz, sempre com cara de anjo num ninho de abnegados servidores do vil metal que foi a nossa verdadeira ruína.

Tivessem feito bem a conversão e o equilíbrio do ter e o dever.

Posto isto, tenham bom fim-de-semana prolongado graças ao Divino Espírito Santo, ao domingo de Pentecostes e à segunda-feira da pombinha que são o exemplo da devoção, fé, partilha do pão, carne (nalgumas localidades) e vinho, o apregoar de alfenim e rosquilhas de massa sovada, o salivar de salgadinhos e outros doces que enfeitam as mesas do nosso 1º Bodo, o sétimo domingo depois da Páscoa. Deus será sempre o nosso melhor amigo!

Angra do Heroísmo, 17 de maio de 2013. Rosa Silva ("Azoriana")

Mural das cores

Verdes campos naturais
Onde o corpo teu passeia
Dos melros e dos pardais
Das abelhas na colmeia.

O anil dos céus e mares
Onde a nuvem faz volume
É refrão de tantos lares
Onde impera o ciúme.

Na tua pele dourada
Que aninha o belo Sol
Vem feliz a madrugada
Na ternura do lençol.

A alva luz do teu rosto
Quando olha para o meu
Enche de maio a agosto
Tudo o que o amor teceu.

É uma ciranda de cores
Sedução harmoniosa
Que se reflete em amores
Volta e meia em tons de rosa.

Em cada ilha o ilhéu,
Em cada ilhéu terra e mar…
De azul reflete o céu
Que ondula em teu olhar.


 




Rosa Silva (“Azoriana”)

Costumes cá da terra

Não sou muito de ir a vinhos mas é nesta semana que vão aos vinhos. Para quem não conhece os nossos costumes, tradições e folguedos, basta dizer que durante esta semana reúnem-se os mordomos do Bodo (de pão e vinho) e ala que se faz tarde vão buscar com grandes barris o produto da vindima do ano anterior. Dos Biscoitos de lava é que são vinhos de se lhes tirar o chapéu e de cair para o lado se abusarmos de “vira-vira” de copos no arraial domingueiro de Pentecostes (Para os cristãos, o Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores de Cristo, através do dom de línguas, como descrito no Novo Testamento, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Por esta razão o dia de Pentecostes é às vezes considerado o dia do nascimento da igreja. O movimento pentecostal tem seu nome derivado desse evento. Fonte: Wikipédia)

Na minha freguesia natal – Serreta - é que é um Bodo alegre, unido e partilhado. De tarde, após o cortejo de manjares em direção ao Império e zona próxima, colocam-se as mesas e bancos que esperam os pratos salgados ou doces e um punhado de amigos do Bodo. O pão é distribuído pelos irmãos na parte da manhã e, à tarde, é vê-los felizes na partilha vinícola acompanhada pela enchente de variedades (favas com molho picante são o prato favorito) que atraem o tal virar de copos cuja cor deixa uns bigodes roxos se a distração já começa a temperar o paladar.

A Filarmónica, com sua farda completa, centra-se neste arraial do Divino e toca algumas peças favoritas e abrem-se alas à partilha da alegria. Adoro lá estar naquele cantinho do céu…

Venha testemunhar isto que escrevo com a doçura do alfenim das promessas e a rosquilha da divindade.

2013-05-13

Rosa Silva ("Azoriana")

Bom Dia!...

Pois bom dia…

A seguir a um bom sábado (com corte de cabelo do benjamim e toiros na monumental), a um domingo (de aniversário da minha querida filha - completando-se vinte e dois anos da passagem do Papa João Paulo II pela ilha) bom despertador para uma coroação do DES Divino Espírito Santo com a fileira de gente agradecida pela esmola anterior de pão e carne, com um friozinho à moda antiga e com o sol a tentar ser forte para abraçar a novidade com um saltinho à saudade, é difícil não cair na tentação de se pasmar na segunda-feira rodopiando o pensamento para um punhado de emoções.

Lembro do final da missa domingueira de uma 6ª coroação com direito a ouvir-se o brilho do Hino do Espírito Santo tocado solenemente pela Filarmónica Recreio Serretense durante o ato de coroar três jovens da minha querida Serreta, sendo um do sexo feminino de rosto alegre e fresco, qual princesa da ilha.

Lembro do pórtico principal do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres ser aberto com vista para o frontispício do Império serretense cuja novidade está estampada no basalto negro com uma coroa ladeada por um jarro de vinho e o bendito pão, parecendo um tapete sagrado marcando a frente de um chão acostumado a festejos sagrados e profanos.

Lembro de quase tudo… e pressinto a alegria de tantos que partiram daquele chão para outro chão finito. Lembro que estaremos, muitos que já circundam a velhice, à beira de sermos uma lembrança na mente dos que hão-de ficar a celebrar a Festa do Divino Espírito Santo, com um altar da Trindade, adornado da alvura misturada com o colorido da verdura e flores em tom suave...

E dou comigo de lágrima no olho recordando quem partiu… E dou, ainda, comigo a sonhar ter um altar daqueles na minha própria moradia para seguir, depois, em cortejo para a Casa onde se ouviram os primeiros coros da presença terrena, porque ainda sinto que “Eu creio, adoro, espero e vos Amo” Divino Espírito Santo da religiosidade terceirense...

Oxalá que lá fora esteja um dia coroado de Sol, alegria e muita azáfama preparatória do próximo e, mais uma vez, do 1º Bodo da Região com uma segunda-feira “santa”.

Hoje é dia de festejar Nossa Senhora de Fátima para os que creem, adoram e esperam o milagre de sempre.

Angra do Heroísmo, 2013-05-13.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sexta-feira musical

Viva os jovens da Terceira
Sua arte e valentia
A tocar desta maneira
São um hino à alegria.

Cinco Ribeiras e Serreta
Em união ou parceria
São flores, cravo, violeta
No palco da melodia.

Ai como é lindo aqui estar
No coracão da Terceira

Ouvi-los como ondas do mar.


Meu coração já incendeia
De amor pela Bandeira
Que de belos toques se asseia.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Nota: Um enorme e sincero elogio ao grupo de metais (7 pessoas) da PSP de Lisboa. Em uníssono brindou-se com aplausos de gratidão e gosto pelo excelente serão que nos proporcionaram. Bem-haja!

Novo és, velho serás...

Peço que leias até ao fim
O meu verso irritado
Não o escrevo por mim
Mas plo povo reformado.

Ouço os velhinhos coitados
Com cortes na sua pensão
Foram eles os culpados
De nos dar o berço então.

Foram eles que cuidaram
Dos filhos que hoje são
Os tais que muito cortaram
Da sua parca refeição.

Peço com mais compaixão
A todos os governantes
Que não tirem a ração
Dos que bem lha deram antes.

Não sejam tão radicais
E pensem que velhos serão
Lembrem-se que hoje são pais
E amanhã vão no caixão.

Ao chegar junto ao Juiz
Justo e Omnipotente
Perguntará e logo se diz:
- Tirei o pão de muita gente!

Depois não haverá remédio
Do mal que agora se faz
E se achas que isto é tédio
Faz melhor se fores capaz.

Rosa Silva ("Azoriana")
2013/05/10

Por terra dentro...

O título do artigo de hoje pode levar qualquer mente a pensar que estou de viagem nem que seja cá dentro... Não! Não fui viajar à exceção da rotina do ir e vir de casa para o local de trabalho e vice-versa. Pouco mais tenho viajado sobre quatro rodas. Com os pés também não tenho andado muito. Se o clima arrebitar e se se mantiver airoso talvez seja bom motivo para espantar o mofo do corpo e alma. Mas adiante... com o que é mais importante.


 


Por terra dentro podia ser o título a atribuir a alguns dias de vida dedicados ao amanho da terra. Para variar, pego num sacho de três dentes e revolvo alguns vultos de terra impregnada de inutilidade. Cavo rente à parede, dou a volta, cavo mais ou menos a meio do cerradinho e encontro-me, depois, com o início, o local de partida. Na tarde seguinte e, novamente, munida de luvas e mais outro utensílio agrícola, repasso a zona cavada para sacudir a terra das ervas que coloco num monte. Enquanto me ocupo desta tarefa sinto o suor cair-me pelo rosto, no corpo e uma magia que me liberta dos amontoados da mente.


 


Por terra dentro vou buscar a solução para espantar raiva, tédio e desânimo com os solavancos duma sociedade que continua a fugir ao natural. Ponto final.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Mãe (Terra)

Sentei-me na rua da alma
Com céu cinza anilado
Abracei a brisa calma
Que me trazia o passado.

Ao longe o toque metal
No coração da aldeia
Com a festa regional
Onde a Coroa passeia.

Por ser o dia da Mãe
E do filho que a estima
De todo aquele que tem
O amor que a sublima.

Por ser palavra pequena
Fácil é balbuciá-la
Na sua face serena
Basta que possa beijá-la.

Sem a ter, sentei-me fora
À procura no vazio
Do que fui e sou agora...
E um foguete se ouviu.

Entre os verdes à tardinha
De um maio maternal
Deu-me saudade da minha
Que ao Cetro foi leal.

Tanta mãe que há na terra
E a terra também é mãe
E é nela que se enterra
Todo o que à terra vem.

Rosa Silva ("Azoriana")

Tribuna do 1º de maio

 



 


Viva, viva José Ávila & Cª.

É verdade, sim senhor:
Lindo quinzenal Tribuna!
Feita uma edição louvor
A quem bem o coaduna.

Mês de maio, mariano,
Santo Cristo e sua Mãe
E de todo o açoriano
Que se lembra donde vem.

A Tribuna Portuguesa
É lenço erguido aos céus
Numa mão de gentileza.

Que se torna mais bonita
Quando atira os chapéus...
Tribuna é sol da escrita!

Rosa Silva ("Azoriana")

Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres





5º Domingo depois da Páscoa (05-05-2013)

Ilha de S. Miguel - Açores


 


Da "catedral" religiosa
À imensidão profana
Vem a imagem gloriosa
Que marca a dor humana.

Jesus, nosso Santo Cristo
Dos Milagres anunciado
Com sacrifício em misto
De espinhos coroado.

Olhai todos o injustiçado
Ilustrando a maior dor
Por nós foi crucificado
Deu-nos a lição do AMOR.

Vamos todos agradecer-Lhe
Com palavras de alegria
Que em retorno irão ver-Lhe
O Amor que irradia.

Quando alguém se vê aflito
Entranhado na desgraça
Solta o eco ao seu grito
De joelhos dá a volta à Praça.

Mas Deus não quer nossas dores
Nem tão pouco nosso lamento
Deus quer as alegres flores
Dos humanos do evento.

Mesmo que não possas ir
Em presença à sua Festa
Sempre Lhe podes sorrir
E dar palavra modesta.

Nem tudo o que luz é ouro
Nem o ouro é tudo, então,
Sinto que o maior tesouro
É o Amor da devoção.

Cada lágrima mais sentida
Vale por tudo o que é
Numa alma agradecida
Mostrando crença na fé.

A fé se vê no olhar
Traz a voz do coração
Santo Cristo vai abraçar,
No silêncio, a multidão.

A fé se une num coro
Às graças juntam-se as preces
Vai aumentando o tesouro
Na hora que Lhe agradeces.

Resplendor, Cetro e Coroa
Cordas, Capa e Relicário
Marcam o olhar da pessoa
Que visita o Santuário.

São peças de joalharia
São ofertas gloriosas;
As Dores que teve um dia,
Se fizeram preciosas.

Santo Cristo, justo Senhor,
Dai ao mundo discernimento;
Santo Cristo! Aliviai a dor
Que vai além do sofrimento.

Rosa Silva (“Azoriana”)