Costumes cá da terra

Não sou muito de ir a vinhos mas é nesta semana que vão aos vinhos. Para quem não conhece os nossos costumes, tradições e folguedos, basta dizer que durante esta semana reúnem-se os mordomos do Bodo (de pão e vinho) e ala que se faz tarde vão buscar com grandes barris o produto da vindima do ano anterior. Dos Biscoitos de lava é que são vinhos de se lhes tirar o chapéu e de cair para o lado se abusarmos de “vira-vira” de copos no arraial domingueiro de Pentecostes (Para os cristãos, o Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores de Cristo, através do dom de línguas, como descrito no Novo Testamento, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Por esta razão o dia de Pentecostes é às vezes considerado o dia do nascimento da igreja. O movimento pentecostal tem seu nome derivado desse evento. Fonte: Wikipédia)

Na minha freguesia natal – Serreta - é que é um Bodo alegre, unido e partilhado. De tarde, após o cortejo de manjares em direção ao Império e zona próxima, colocam-se as mesas e bancos que esperam os pratos salgados ou doces e um punhado de amigos do Bodo. O pão é distribuído pelos irmãos na parte da manhã e, à tarde, é vê-los felizes na partilha vinícola acompanhada pela enchente de variedades (favas com molho picante são o prato favorito) que atraem o tal virar de copos cuja cor deixa uns bigodes roxos se a distração já começa a temperar o paladar.

A Filarmónica, com sua farda completa, centra-se neste arraial do Divino e toca algumas peças favoritas e abrem-se alas à partilha da alegria. Adoro lá estar naquele cantinho do céu…

Venha testemunhar isto que escrevo com a doçura do alfenim das promessas e a rosquilha da divindade.

2013-05-13

Rosa Silva ("Azoriana")

1 comentário:

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